MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

terça-feira, 22 de outubro de 2024

As 10 faces diferentes da censura - Por Luan Sperandio

As 10 faces diferentes da censura


Luan Sperandio - Instituto Liberal


A liberdade de expressão, um dos pilares mais preciosos das sociedades democráticas, está constantemente ameaçada por diversas formas de censura que corroem a diversidade de pensamento e tolhem o progresso. Em um mundo onde a troca livre de ideias é fundamental para o crescimento e a evolução, é imperativo compreender os dez tipos distintos de censura que minam a “mãe de todas as liberdades”, nas palavras de um dos pais fundadores dos Estados Unidos, Benjamin Franklin. Abaixo, estão 10 faces diferentes da censura.

1. Censura governamental: Em muitos cantos do globo, governos autoritários manipulam informações para controlar as narrativas e inibir o questionamento. É a forma de censura mais clássica, e geralmente, quando utilizada, contribui para o crescimento de abusos de poder por parte dos governantes.

2. Autocensura: O receio de consequências adversas pode levar indivíduos a silenciar suas próprias opiniões. A partir de 2006 na Venezuela, por exemplo, o regime de Hugo Chávez tornou-se mais repressivo. O governo iniciou os ataques a veículos de comunicação críticos ao governo. Algumas das mídias, acuadas, praticaram a autocensura. A Venevisión, anteriormente considerada como pró-oposição, mal cobriu a oposição durante a eleição de 2006, dando ao presidente Chávez 84% do tempo de cobertura — quase cinco vezes mais do que aos seus rivais —, o que contribuiu para sua vitória. Posteriormente, a emissora decidiu interromper as coberturas políticas e optou por programações de entretenimento. Entender esse fenômeno ajuda a criar ambientes seguros onde todos possam contribuir com suas perspectivas únicas e enriquecer o diálogo público.

3. Censura de mídia: Uma imprensa livre é essencial para manter os governos responsáveis e informar o público e cumpre seu papel de ser “o quarto poder”. Governos autocráticos buscam justamente mitigar a liberdade da imprensa. Também na Venezuela, a Globovisión era um dos veículos mais contrários ao governo de Chávez. O governo acusou Guillermo Zuloaga de irregularidades financeiras e este foi obrigado a fugir do país para não ser preso. Sob intensa pressão, vendeu o veículo a valores descontados para um simpatizante do governo, que alterou o editorial jornalístico que tornou-se favorável ao regime. Compreender como a censura de mídia ocorre é necessário para melhor defender a integridade jornalística e garantir a circulação de informações verdadeiras.

4. Censura religiosa: A maior pauta de quem apreciava liberdade no século XVII, que tem como grande expoente o filósofo inglês John Locke, era a separação entre Estado e igreja para possibilitar liberdade de pensamento e crença, além de tolerância religiosa. Desde então, a liberdade de crença se consolidou gradativamente no Ocidente, mas atualmente ainda há dezenas de países em que preconceitos e discriminações religiosas se transformam em políticas de Estado graças à força e ao aparato estatal. Segundo o relatório anual do World Watch List, cerca de 3 mil praticantes do cristianismo foram mortos e mais de 700 igrejas são depredadas por ano em países cujos governantes buscam censurar a religião de opositores políticos.

5. Censura corporativa: A censura nem sempre parte do Estado. É comum empresas exercerem controle sobre informações, opiniões ou conteúdos de diversas formas, a fim de promover seus próprios interesses, proteger sua imagem ou evitar críticas negativas. Isso pode ocorrer em várias situações, como na mídia, nas redes sociais, em publicações, em filmes ou em outras formas de comunicação. Em geral, são utilizadas técnicas de controle de informações, censura de funcionários, patrocínios e financiamentos condicionais a projetos e filtragem de conteúdo on-line. A censura corporativa levanta preocupações sobre a liberdade de expressão, a transparência e a integridade das informações disponíveis ao público, pois pode impactar a diversidade de vozes e perspectivas no discurso público e influenciar a forma como as pessoas compreendem o mundo ao seu redor.

6. Censura de livros e literatura: A proibição de livros limita o acesso a ideias desafiadoras e restringe o potencial de aprendizado. Um exemplo clássico se deu pelo “Index Librorum Prohibitorum”, que consistiu em uma relação de publicações consideradas como heresias, anticlericais ou que colidiram com os dogmas da Igreja Católica. Ele surgiu em 1559, pelo Papa Paulo IV, e teve fim somente em 1966, pelo Papa Paulo VI. Conhecer essa forma de censura é essencial para salvaguardar a liberdade intelectual e a busca por conhecimento.

7. Censura na Internet:
O bloqueio e a filtragem na internet prejudicam o acesso à informação global. O país com mais censuras à Internet é a Coreia do Norte. No regime, somente uma pequena minoria é autorizada a acessar uma rede de intranet administrada e monitorada pelo governo, e uma parcela ainda menor, composta somente de autoridades e seus familiares, possui acesso à internet, tornando o país com o menor número de usuários do planeta. O controle é tão restrito que a maioria da população norte-coreana sequer sabe da existência da internet.

8. Censura Artística: A supressão da expressão artística limita a liberdade criativa e restringe o diálogo sobre questões sociais e políticas, sendo uma das formas mais clássicas de censura em regimes ditatoriais.

9. Censura política:
A repressão à dissidência política silencia a voz dos cidadãos e prejudica a participação ativa na vida política. O AI-5, ao longo da ditadura militar no Brasil, inaugurou a fase mais repressiva dos 21 anos do regime. Somente em seus primeiros dois dias de vigência, presos políticos processados nas auditorias da Justiça Militar denunciaram mais de 2.200 casos de tortura. Foram punidas, com perda de direitos políticos, cassação de mandato, aposentadoria e demissão, 4.841 pessoas —513 deputados, senadores e vereadores perderam os mandatos. Entender essa forma de censura é essencial para defender a democracia, Estado de Direito e assegurar que todos tenham a oportunidade de se envolver no processo político.

10. Censura Cultural:
A censura de elementos culturais limita a diversidade cultural e impede a compreensão intercultural. Conhecer essa forma de censura permite celebrar e respeitar a riqueza de diferentes tradições e identidades. Um exemplo histórico significativo de censura cultural é a “Queima de Livros” que ocorreu na China durante a dinastia Qin (221-206 a.C.). O primeiro imperador da China unificada, Qin Shi Huang, ordenou a supressão de obras literárias e filosóficas que ele considerava ameaçadoras ao seu regime e à sua visão de governo centralizado. Nessa campanha de censura, muitos textos clássicos foram destruídos e inúmeros estudiosos e intelectuais foram perseguidos. O objetivo era eliminar ideias que pudessem questionar ou desafiar a autoridade do imperador, bem como promover uma forma de pensamento que apoiasse o governo centralizado e a unificação do império. Essa censura cultural teve um impacto profundo no desenvolvimento intelectual da China na época, influenciando a direção da filosofia, da literatura e do pensamento político.

Considerações finais

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, dizia que “A verdade poderá ser temporariamente ocultada, nunca destruída. O futuro e a história são incensuráveis”. Porém, ainda que temporariamente, a censura não é aceitável em um Estado de Direito. Ao identificar e compreender as diferentes faces da censura, a sociedade se prepara melhor para enfrentar tentativas de censura, ainda que temporariamente, e defender a liberdade de expressão.


Fonte: https://www.institutoliberal.org.br/blog/teoria-economica/as-10-faces-da-censura/

Os buracos negros monstruosos que cientistas estão descobrindo no universo - Por Jonathan O'Callaghan

Será que poderia haver algo ainda mais monstruoso do que os buracos negros 
supermassivos à espreita na escuridão do espaço?

Os buracos negros monstruosos que cientistas estão descobrindo no universo

Jonathan O'Callaghan

BBC Future

20 outubro 2024

No centro de nossa galáxia, existe um buraco negro gigantesco. Ele é tão grande quanto o nosso Sol, mas milhões de vezes mais pesado. Sua imensa força gravitacional agita a poeira e o gás interestelar ao seu redor.

Este buraco negro supermassivo é o coração pulsante da Via Láctea, tendo impulsionado a formação e evolução da nossa galáxia ao longo de toda a sua história de 13 bilhões de anos, ajudando a dar origem a sistemas solares como o nosso.

De vez em quando, uma estrela é aniquilada ao se aproximar demais dele, se apagando sem deixar vestígios de sua existência. É uma fera assustadora, com o poder de criar e destruir em uma escala épica.

Quase todas as grandes galáxias possuem um buraco negro supermassivo em seu centro, mas na grande escala do Universo, o nosso — chamado Sagittarius A* — é um verdadeiro peso-pena.

Na última década, os astrônomos descobriram buracos negros muito maiores, conhecidos como buracos negros ultramassivos. Alguns são 1.000 vezes mais massivos que Sagittarius A* — e grandes o suficiente para abranger toda a vastidão do nosso Sistema Solar.

A visão incomparável proporcionada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) também nos oferece uma nova perspectiva sobre como esses gigantes cresceram no início dos tempos. No entanto, há muitos mistérios — de onde eles vieram e qual o tamanho que eles realmente podem atingir?

Medir o tamanho de objetos tão grandes e distantes (que, por sua própria definição, não podem ser observados diretamente) é complicado, mas sabemos que alguns dos maiores são surpreendentemente enormes.

Um dos maiores a ser descoberto até hoje, conhecido como Ton 618, encontra-se escondido no meio de um quasar a cerca de 18 bilhões de anos-luz da Terra. Estima-se que tenha 66 bilhões de vezes a massa do Sol — e seja até 40 vezes maior que a distância entre Netuno e o nosso Sol.

O buraco negro no centro de um aglomerado de galáxias chamado Holm 15A também seria cerca de 44 bilhões de vezes mais pesado que o Sol, e mediria 30 vezes a distância entre Netuno e o Sol, de acordo com estimativas recentes.

Eles são inegavelmente enormes. Mas alguns cientistas acreditam que pode haver monstros ainda maiores à espreita por aí.

"De uma perspectiva teórica, não há limite", diz James Nightingale, cosmólogo observacional da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, que em março de 2024 descobriu um buraco negro ultramassivo que pesava 33 bilhões de vezes a massa do Sol.

Os buracos negros que conhecemos possuem vários tamanhos. Em sua menor dimensão, os microburacos negros podem ter o tamanho de um átomo.

Talvez os mais conhecidos sejam os buracos negros de massa estelar, resultado do colapso de estrelas muito grandes. Eles variam entre três e 50 vezes a massa do nosso Sol, mas são condensados num objeto "aproximadamente do tamanho de Londres", explica Julie Hlavacek-Larrondo, astrofísica da Universidade de Montreal, no Canadá.

Os buracos negros de massa intermediária formam o próximo grupo — eles possuem cerca de 50 mil vezes a massa do nosso Sol, abrangendo uma região do espaço aproximadamente do tamanho do planeta Júpiter.

Já os buracos negros supermassivos chegam a ter milhões ou bilhões de vezes a massa do nosso Sol.

Apesar de ainda não haver uma definição precisa de buraco negro ultramassivo, é consenso geral que eles têm a partir de "10 bilhões de vezes a massa do Sol", diz Hlavacek-Larrondo.

Embora, em princípio, não haja razão para que um buraco negro não possa crescer até chegar a este tamanho, sua existência é inesperada, dada a forma como atualmente entendemos o crescimento dos buracos negros e a idade relativamente jovem do Universo, de apenas 13,7 bilhões de anos.

"É difícil gerar um buraco negro tão massivo usando os métodos tradicionais de alimentação", diz Hlavacek-Larrondo, se referindo à forma como os buracos negros "ingerem" matéria ao seu redor devido à sua atração gravitacional.

"Acho que as pessoas não esperavam que eles [existissem]."

Se você continuar alimentando um buraco negro, em princípio ele deve continuar crescendo indefinidamente — qualquer objeto ou matéria que cruze o chamado horizonte de eventos faz com que o buraco negro aumente sua massa.

Na prática, a idade do Universo e a taxa estimada de crescimento dos buracos negros devem limitar seu tamanho, provavelmente não mais do que 270 bilhões de massas solares no momento atual.

Alguns cientistas, no entanto, acreditam que é possível que alguns buracos negros podem ter crescido muito mais, atingindo trilhões de massas solares no Universo moderno, caso tenham conseguido consumir matéria mais rápido do que o esperado.

Estes objetos, chamados de buracos negros estupendamente grandes, teriam um raio de aproximadamente um ano-luz de diâmetro. Ainda não foram encontrados tais objetos, mas não podemos descartar a possibilidade de estarem escondidos no centro de algumas galáxias.

Os astrônomos detectaram os primeiros buracos negros ultramassivos no início de 2010. Desde então, cerca de 100 foram encontrados.

Em março de 2023, Nightingale e seus colegas anunciaram que haviam avistado um novo buraco negro ultramassivo que pesava aproximadamente 33 mil milhões de massas solares. Eles só conseguiram vê-lo devido à forma como a luz de uma galáxia mais distante se curvava em torno do buraco negro.

"Foi uma descoberta por acaso", diz Nightingale.

Não podemos ver os buracos negros diretamente devido à sua própria natureza — na sua borda, conhecida como horizonte de eventos, a gravidade se torna tão intensa que nada consegue escapar, nem sequer a luz.

Portanto, só podemos vê-los se projetarem uma sombra sobre a matéria brilhante circundante que está sendo consumida pelo buraco negro. Podemos inferir sua existência mais facilmente, no entanto, olhando para uma galáxia e observando os efeitos do buraco negro central. Uma maneira é procurar jatos potentes disparados dos polos do buraco negro.

"Ainda não entendemos exatamente como eles podem formar estas estruturas, mas eles formam", diz Hlavacek-Larrondo. Estes jatos de rádio podem se estender por milhões de anos-luz.

Os buracos negros também podem produzir anéis quentes de matéria que giram em torno deles, chamados discos de acreção, à medida que consomem matéria. A matéria gira rapidamente em torno do buraco negro, com a forte gravidade fazendo com que ele entre em espiral "aproximadamente à velocidade da luz", explica Hlavacek-Larrondo.

À medida que cai em direção ao buraco negro, o disco de matéria também emite raios-X brilhantes. Quanto maior o buraco negro, mais raios-X e ondas de rádio são produzidos pelo disco de acreção e pelo jato, respectivamente.

A física dos buracos negros ultramassivos e dos menores é basicamente a mesma — passe do horizonte de eventos, e não há escapatória. Uma massa maior leva a um raio maior para o horizonte de eventos. Mas os buracos negros ultramassivos têm uma propriedade interessante devido ao seu tamanho.

Se você tivesse a infelicidade de cair em um buraco negro de massa estelar, sofreria algo conhecido como "espaguetização" — seu corpo seria esticado até o infinito —, devido à diferença de gravidade entre seus pés e sua cabeça.

Num buraco negro ultramassivo, no entanto, o gradiente gravitacional é muito menos acentuado porque se estende muito mais longe no espaço, a ponto de você mal perceber que está passando do horizonte de eventos.

"A 'espaguetização' não ocorreria", diz Nightingale. A única coisa que selaria seu destino seria a distorção da luz das estrelas ao seu redor devido à gravidade do buraco negro.

Graças ao poder do telescópio James Webb, os astrônomos estão observando agora cada vez mais longe e, assim, mais atrás no tempo, devido ao tempo que a luz leva para chegar até nós, vinda de recantos distantes do Universo.

Isso permite que eles vejam galáxias nas primeiras centenas de milhões de anos de existência do Universo.

Para que buracos negros tão distantes tenham se tornado tão grandes, eles devem ter nascido relativamente cedo na história do Universo — e depois devorado matéria ferozmente, algo que desafia muito do que sabemos sobre como os buracos negros se formam.

No entanto, os astrônomos estão começando a ver evidências exatamente disso.

Bem longe, em alguns dos pontos mais antigos do Universo que podemos observar, tipos de galáxias nunca antes vistos estão sendo revelados pelo James Webb.

Os cientistas descobriram centenas de galáxias estranhas e compactas, que brilham muito mais do que se poderia esperar, que existiam cerca de 600 milhões de anos a um bilhão de anos após o Big Bang.

Estas galáxias ficaram conhecidas como pequenos pontos vermelhos devido à sua cor e tamanho. O que é particularmente surpreendente nelas é a luz que emitem, o que parece indicar que buracos negros supermassivos já estão à espreita dentro delas.

Estas observações sugerem que os buracos negros de fato cresceram rapidamente. Em nosso Universo local, os grandes buracos negros nos centros das galáxias tendem a ser cerca de 1.000 vezes menores do que a galáxia que os hospeda.

Mas o telescópio James Webb está descobrindo buracos negros do mesmo tamanho da sua própria galáxia nos primórdios do Universo, sugerindo que os buracos negros podem ter se formado primeiro, antes de as galáxias crescerem ao seu redor.

Em comparação com o Universo local, estas massas são "de dezenas a algumas centenas" de vezes maiores do que esperaríamos, diz Hannah Übler, cosmóloga da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Os astrônomos se referem a estes primeiros titãs como "buracos negros excessivamente massivos".

É "realmente surpreendente e desafia os modelos teóricos a explicar como estes buracos negros conseguiram se tornar tão massivos e tão rapidamente", diz Übler, que usou o James Webb para observar estes primeiros buracos negros.

A forma como estes buracos negros cresceram tão rápido é um mistério — e provavelmente está relacionada com a maneira como os buracos negros se formaram predominantemente nos primórdios do Universo.

Uma ideia é que eles se formaram a partir da morte das primeiras estrelas do Universo, conhecidas como População 3 — monstros que tinham entre 100 e 1.000 vezes a massa do nosso Sol e eram feitos quase inteiramente de hélio e hidrogênio.

As supernovas — uma explosão estelar colossal — destas estrelas no fim da sua vida liberaram elementos mais pesados no Universo. Mais tarde, eles dariam origem a outras estrelas e, por fim, a planetas, incluindo o nosso Sol e a Terra.

Mas suas mortes também poderiam ter produzido grandes buracos negros à medida que a matéria entrava em colapso sob a ação da gravidade.

"Os buracos negros destas estrelas são mais massivos do que os buracos negros de massa estelar", diz Mar Mezcua, astrofísica do Instituto de Ciências Espaciais da Espanha.

"A partir disso, você pode crescer e ter mais chances de se tornar supermassivo em um curto espaço de tempo."

Outra possibilidade é que os primeiros buracos negros se formaram predominantemente não a partir de estrelas, mas de nuvens de gás — conhecidos como buracos negros de colapso direto.

Normalmente, estas nuvens teriam formado estrelas ao se condensarem sob a ação da gravidade, mas, se a temperatura fosse alta o suficiente, algumas nuvens poderiam não ter formado estrelas — e colapsado, em vez disso, diretamente em buracos negros.

"Estas são condições que não encontramos no Universo atual", explica Mezcua. Mas, segundo ela, nas condições quentes e turbulentas do Universo primitivo, isso pode ter sido possível.

Definitivamente, nenhuma estrela da População 3 ou buraco negro de colapso direto foi avistado ainda, então não está claro qual mecanismo — se é que algum deles — dominou a formação de buracos negros nos primórdios do Universo.

Independentemente da forma como estes buracos negros se formaram, eles devem ter desenvolvido uma maneira de atingir um tamanho grande com bastante rapidez.

Uma possibilidade é que eles tenham sido criados em abundância e se fundiram para formar buracos negros cada vez maiores, primeiro de massa intermediária, depois supermassivos e, em seguida, para alguns, ultramassivos.

Isso reforçaria a ideia de que eles se originaram de estrelas da População 3, porque haveria mais destes do que buracos negros de colapso direto.

"Se encontrarmos hoje muitos buracos negros intermediários, isso significaria que se formaram por meio de mecanismos da População 3", diz Mezcua.

De acordo com ela, se os astrônomos encontrarem poucos buracos negros de massa intermédia, em locais como galáxias anãs menores, onde se espera que eles surjam, isso pode reforçar a ideia do buraco negro de colapso direto.

Os buracos negros ultramassivos também podem ter crescido rapidamente ao consumir matéria em rajadas, algo que o James Webb já viu evidência.

Os astrônomos observaram algumas galáxias primitivas que são brilhantes e ativas, mas outras com um grande buraco negro que parece estar adormecido, sugerindo que este último já devia ter consumido muita matéria antes de pegar no sono.

"Não sabemos quanto tempo duraria o ciclo", diz Hlavacek-Larrondo.

Mas, segundo ele, os períodos de consumo rápido provavelmente são raros.

"Talvez 1% da vida útil do buraco negro."

O que ainda não está claro é qual o tamanho exato dos buracos negros no cosmos moderno.

"Temos uma estimativa aproximada baseada na idade do Universo", explica Hlavacek-Larrondo, de cerca de 270 bilhões de massas solares.

"Mas talvez o Universo nos surpreenda."


*Leia a íntegra desta reportagem (em inglês) no site BBC Future - https://www.bbc.com/future/article/20241004-ultramassive-black-holes-the-biggest-black-holes-in-the-universe

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgd8v7z929o#:~:text=Os%20astr%C3%B4nomos%20detectaram%20os%20primeiros,mil%20milh%C3%B5es%20de%20massas%20solares



Poeira estelar - Por Félix Maier

Imagem de uma galáxia.

poeira estelar

Félix Maier

No mundo brana das supercordas sou trovador,
Cantando versos pela vastidão, para minha amada.
Quero vibrar em cada dimensão oculta, ser calor,
Poesia que ecoa na eternidade entrelaçada.

Na mecânica quântica, viro incerteza e ilusão,
Subpartícula que dança entre o ser e o talvez.
Viajo como onda, como partícula em colisão,
Sou paradoxal amor, sou inconstância e altivez.


Nos seis sabores dos quarks, nos bárions te encontro,
Confinados na força nuclear que jamais se esvai,
Entrelaçados nos mésons, unidos nesse ponto,
Que nenhuma energia dispersa ou desfaz.

No choque da matéria com antimatéria, enfim,
Quero me aniquilar contigo, luz pura a emergir,
Ser um fóton brilhante, a luz que se faz sem fim,
Transcender o limite, renascer, reluzir.

Nos buracos negros quero mergulhar ao teu lado,
Eternizar nosso amor no enigma do espaço-tempo,
Singularidade onde o infinito é alcançado,
Entre horizontes onde cada segundo é um evento.

Na matéria escura, brinco de esconde-esconde,
Junto a ti, invisíveis, dançamos pelo universo,
Ocultos, mas tão reais quanto a paixão que responde,
Ao pulsar gravitacional, nosso laço submerso.

Na relatividade, curvo a luz para te iluminar,
Faço os astros reverenciarem tua beleza infinita.
Distorço galáxias para teu rosto destacar,
E tudo que vejo torna-se tua essência bendita.

Na Teoria M, nas dimensões do amor profundo,
Onze universos distintos no abraço de um segundo,
Ali concluo meu arcabouço romântico sem fundo,
Um amor que conecta, atravessa, recria um novo mundo.

Em noite clara, uma supernova explode,
Teu sorriso brilha, um instante que não pode.
Luz tão intensa, ofusca a imensidão,
No cosmos dançante, pulsa o coração.

Mas no ocaso, a estrela se despede,
Transforma-se anã, na solidão que cede.
Um lamento ecoa, entre sombras a vagar,
Na agonia do tempo, tudo a se apagar.

E na dança da entropia, o universo em desordem,
Cada átomo se dissolve, em poeira se absorvem.
Mas em meio à finitude, teimo em sonhar,
Que mesmo em poeira, vou sempre te amar.

Num buraco de minhoca, quero furar o infinito,
Percorrer o espaço, renascer num abraço bonito,
Observar o Big Bang, rever o nascimento das galáxias,
E recriar o universo, contigo, em eternas sinapses.


Buraco negro supermassivo.


segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Réquiem por Israel - Por Félix Maier


Félix Maier

07/10/2024

Há 1 ano, Israel sofreu covarde massacre por parte do grupo terrorista Hamas, da Faixa de Gaza, com mais de 1.200 mortos e 251 pessoas sequestradas e levadas para Gaza, as quais a mídia antifas trata como "reféns de guerra", um absurdo sem tamanho.

O ataque do Hamas foi para "comemorar" os 50 anos da Guerra do Ramadã (ou Yom Kippur, como é conhecida em Israel), ataque promovido pelo Egito contra o Estado Judeu, em 6 de outubro de 1973.

O genocídio mostrou a crueldade extrema dos terroristas, que mataram o maior número de israelenses possível, com degola de crianças, estupro e esquartejamento de mulheres e inúmeras famílias queimadas vivas dentro de suas próprias casas, em vários kibutzim. Uma multidão foi também atacada num festival de música rave no Deserto do Negev, ao Sul de Israel, com 260 mortes, sequestros e queima de inúmeros carros - cfr. em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/veja-como-ficou-local-de-festival-atingido-por-ataques-do-hamas-em-israel/

Mulheres sequestradas foram e ainda são sistematicamente violadas pelos terroristas do Hamas em Gaza.

Tendo que se defender do Irã e seus grupos terroristas terceirizados (Hamas e Estado Islâmico em Gaza, Hezbollah no Líbano e Houthis no Iêmen), para que o Estado Judeu tenha o direito de existir, Israel promove ataques fortes em diversas frentes, o que é um direito natural, custe o que custar.

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) divulgou hoje (07/10) o número de lançamentos de foguetes em direção ao Estado de Israel desde o início da guerra:

• 13.200 lançamentos da Faixa de Gaza
• 12.400 lançamentos do Líbano
• 400 lançamentos do Irã
• 180 lançamentos do Iêmen
• 60 lançamentos da Síria

Infelizmente, a ONU e a União Europeia pedem um cessar-fogo imediato, como se isso fosse estabelecer a paz na região. Na mesma toada estão as falas de Lula, acusando Israel de "genocídio", especialmente de mulheres e crianças, tornando-se persona non grata naquele país. O mesmo disparate Lula repetiu em Guarulhos, ao receber refugiados do Líbano, no dia 6/10. Nenhum carinho e consideração Lula mostrou pelo povo israelense, especialmente do Norte do país, que teve que fugir da região, agora transformada em vilas-fantasmas devido à saturação de foguetes do Hezbollah.

A situação de Israel é muito crítica, sem solução à vista em curto prazo. Se já morreram mais de 41.000 palestinos, como o Ogro de Nove Dedos gosta de repetir, é porque os terroristas usam o próprio povo como escudo de proteção - além de utilizar hospitais, escolas, mesquitas e até órgãos da ONU em Gaza como quartéis-generais e bases de lançamento de foguetes.

Israel faz ataques violentos, sim, mas direcionados de modo o mais cirúrgico possível, para destruir o inimigo com o menor número de vítimas civis. São quase 42.000 mortes de palestinos até hoje, o que é uma lástima. Mas, quantas mortes seriam, se Israel usasse o modo criminoso de destruição total do Hamas e de seus comparsas?

Israel mostrou que tem capacidade para matar os chefes dessas organizações terroristas onde estiverem, no Líbano, na Síria, no Irã, seja colocando explosivos em seus pagers e walkie-talkies, ou os abatendo com bombas de 1 tonelada no estilo arrasa quarteirão, com prédio vindo abaixo.

Fico imaginando o que teria sobrado de Israel se o país não tivesse um sistema eficiente de defesa, o Domo de Ferro e o Estilingue de Davi, de custo bilionário, com ataques maciços vindos de Gaza, do Líbano, do Iêmen e até do Irã. Já teria sido varrido do mapa. Contando, ainda, com a ajuda antiaérea dos EUA, Reino Unido e França, os quais têm navios de guerra no Oriente Médio, Israel tem sido defendido a contento.

Se o Hamas e parceiros do terrorismo tivessem o poder bélico de Israel, quantas seriam as vítimas de judeus até agora, sem a preocupação humanitária de "ataques cirúrgicos" para preservar ao máximo os civis? 200.000 mortes? 500.000? 1.000.000? Afinal, o objetivo estratégico do Hamas e de seus genéricos do terror é destruir o Estado de Israel e matar todos os judeus do mundo.

O Irã dos aiatolás é hoje o mais poderoso inimigo de Israel. Assim, não causará surpresa se Israel atacar refinarias de petróleo, e até instalações nucleares daquele país, como prevenção, como já fez com o Iraque anos atrás. O Irã com bomba nuclear poderia levar o Armagedon a todo o Estado de Israel.

E a ONU? Para que serve a ONU? Para nada. É melhor fechar aquela baiuca bilionária e perdulária, que só serve como cabide de emprego para pagar ótimos salários a nababos, além de querer impor ao mundo todo como as pessoas devem viver, dentro da estratégia woke do politicamente correto.

Dessa forma, só resta a Israel levar essa guerra até a derrota final de seus inimigos, por mais que apoiadores do Hamas e de outras forças antissemitas façam passeatas ao redor do mundo, nas ruas e nas universidades, inclusive no Brasil. E o Ogro de Nove Dedos fique cada vez mais nervosinho com as mortes de palestinos, só palestinos, não israelenses, não se importando com as mais de 45.000 mortes violentas que ocorrem todos os anos no Brasil.

Obs.:

1. Terroristas do Hamas detalham assassinatos em Israel -

2. O kibutz onde o Hamas massacrou mais de cem civis israelenses - 
https://www.youtube.com/watch?v=rCdesdxaSNk

3. Embaixada de Israel exibe vídeos chocantes e afirma: “Hamas e Estado Islâmico são iguais” -

4. Vídeo mostra casal israelense sendo sequestrado e feito de refém pelo Hamas durante rave - https://www.youtube.com/watch?v=qH1DlBGA76A



quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Entrevista com Joseíta, viúva do Coronel Ustra - Por BBC Brasil

Bolsonaro tem direito de homenagear quem quiser, diz viúva de Ustra

Montagem Agência Câmara/Agência Brasil

Crédito,Ag Camara ABr

Legenda da foto,Deputado justificou voto a favor de impeachment de Dilma pela 'memória do coronel Brilhante Ustra', acusado de tortura durante ditadura militar
  • Author,Luís Barrucho - @luisbarrucho
  • Role,Da BBC Brasil em Londres

Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra tem 79 anos e muitas memórias. Professora aposentada, ela conta dedicar o tempo livre à pesquisa sobre a história do Brasil, em especial sobre a ditadura militar, período durante o qual seu marido foi um dos personagens principais ─ e também uma das figuras mais controversas.

Maria Joseíta foi casada com o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Chefe do DOI-Codi de São Paulo, ele foi acusado pelo desaparecimento e morte de pelo menos 60 pessoas. Outras 500 teriam sido torturadas nas dependências do órgão durante seu comando. Único militar considerado torturador pelo MPF (Ministério Público Federal), Ustra morreu de câncer aos 83 anos, em outubro do ano passado.

No último domingo, Ustra voltou ao debate nacional após ter sido homenageado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante votação pela aprovação da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

"Fiquei profundamente emocionada", disse Maria Joseíta em entrevista à BBC Brasil. "Ele foi de uma felicidade muito grande", acrescentou.

Maria Joseíta: Natalini passou uma única noite lá no DOI-Codi. Ele foi detido para averiguação. Quando declarou ter sido torturado, meu marido enviou-lhe uma carta aberta pedindo informações sobre essa suposta tortura. Nunca obteve resposta.

O problema é que muita gente usou isso, e continua usando, para se eleger, para conseguir cargos públicos e ganhar indenizações do governo. Não estou dizendo que a ditadura militar foi um mar de rosas. Não foi.

Sofro pelas famílias que perderam seus entes queridos do outro lado. Vejo com tristeza uma mãe que não sabe onde o filho está. Jovens que tinham a vida pela frente e que podiam lutar pelo Brasil de outra maneira, mas que foram iludidos por alguns grupos mais antigos de raposas velhas que tentavam implantar o comunismo no país.

BBC Brasil: A senhora diz que a ditadura não foi um "mar de rosas". O coronel Ustra cometeu erros?

Maria Joseíta: Não sei se ele cometeu erros. A mídia retrata meu marido como se ele fosse onipresente, onipotente e onisciente. Parece que ele foi um super-homem.

Quem começou isso tudo não foram as Forças Armadas. Houve apenas uma reação ao caos que já estava sendo implantando no Brasil. O grupo de militantes que estava se organizando já ia para China, para Cuba, para a União Soviética para fazer treinamento de guerrilha.

Era preciso tomar uma providência. Agora, por que o meu marido é um símbolo de tudo de ruim que aconteceu no regime militar?

BBC Brasil: Porque relatos documentados indicam que o seu marido torturou pelo menos 60 pessoas...

Maria Joseíta: Não posso jurar que o meu marido não cometeu nenhum deslize. Deslize na vida todo mundo comete. Eu presenciei muita coisa. Certa vez acompanhei seis presas lá dentro (DOI-Codi). Uma delas estava grávida e não sabia. Fiquei tocada pela situação.

Tanto insisti que meu marido me permitiu um contato com ela para ver se eu podia ajudar em alguma coisa. Ela fez questão de ficar lá com as companheiras porque tinha assistência, era atendida no Hospital das Clínicas, fazia pré-natal e tinha toda a atenção possível.

Chegamos inclusive a fazer enxoval para o bebê. Minha empregada fazia tortas para elas lancharem. Coisas gostosas. No entanto, quando ela teve o bebê e saiu de lá ─ até porque já não podia ficar mais, pois se tratava de uma concessão por pedido dela própria, passou a dizer que foi torturada todos os dias.

Já o filho de um outro preso me acusava de ir ao DOI-Codi para curar as feridas delas. Além disso, segundo ele, eu atuava como interrogadora.

Vejam como supervalorizavam a família Ustra. Há muita fantasia nessa história. Acredito que nem todo mundo tenha sido tratado como "pão de ló" como eu fazia.

BBC Brasil: A senhora sempre defendeu publicamente seu marido. Por quê?

Maria Joseíta: Eu não fui defensora do meu marido. Ele não precisava de defesa. Fui uma defensora da verdadeira história e não da história que está sendo contada. Decidi me manifestar publicamente porque eu sou uma cidadã brasileira. Passei minha juventude e minha maturidade durante o período do regime militar. Vi, vivi e tenho conhecimento de muitas coisas que aconteceram naquela época. Aquela época era semelhante ao que estava acontecendo agora.

Maria Joseíta: Porque era um caos. Um grupo de jovens ─ alguns idealistas outros iludidos ─ queria tomar o poder. A maioria desse grupo está no governo agora e pertencia àquelas organizações. E deu no que deu. Uma das maiores empresas do mundo (Petrobras) foi sucateada, o dinheiro desapareceu de tudo o que foi maneira. O desejo deles é permanecer no poder.

Maria Joseíta: Acho que vamos passar um momento difícil. Não vejo outra solução melhor. Ela poderia renunciar. Haveria uma solução melhor?

Fontehttps://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160420_viuva_ustra_entrevista_lgb