Foto: Cabo Maier, Apucarana, PR, 1970.
Apresentação
No dia 16 de janeiro de 1970, eu incorporei como Soldado na 4ª Companhia de Infantaria (4ª Cia Inf), em Apucarana, PR, atual 30º Batalhão de Infantaria Mecanizado (30º BIMec). Como Soldado Maier, eu recebi o nº 78. Meu tio materno João Preis, de Maringá, até faturou uns trocados jogando nesse número.
Na metade do ano, fui promovido a Cabo depois de fazer um curso de trepa-pau na 5ª Companhia de Comunicações (5ª Cia Com), em Curitiba. O curso era Auxiliar de Comunicações, que envolvia conhecimentos de todos os tipos de rádios e telefones portáteis do EB, assim como central telefônica de campanha, além de lançamento de linhas telefônicas no campo, normalmente tendo que subir em postes de madeira ou árvores com auxílio de um par de esporas de bico preso às pernas, daí o nome jocoso de trepa-pau.
Em fevereiro de 1971, eu me apresentei na Escola de Instrução Especializada (EsIE), em Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, capital do então Estado da Guanabara, para fazer o Curso de Sargento (período básico), no primeiro semestre, com instrução de ordem unida, armamento Fuzil Automático Leve (FAL) - montagem e desmontagem da arma e tiro ao alvo, cartografia militar (leitura de mapas), Administração Militar, Regulamentos Militares, educação física, noções sobre cuidado com a Saúde (incluindo doenças venéreas), Guerra Revolucionária (estudo histórico da evolução do comunismo no mundo), marchas e acampamentos etc.
No segundo semestre do mesmo ano, continuei o Curso de Sargento na
Escola de Comunicações (Es Com), no Rio, com matérias relacionadas à fotografia
e filmagem 16 mm, com instruções teóricas e práticas, recebendo o diploma de Sargento
Fotocinegrafista em 15 de dezembro de 1971, minha futura profissão militar.
Em 1972, eu fui classificado no Campo de Provas da Marambaia (CPrM), para realizar trabalhos de fotografia e filmagem destinados aos Relatórios Técnicos do Campo, que envolviam provas de armas e munições de toda espécie, nacionais e estrangeiras, incluindo provas com canhões de blindados e lançamento de foguetes.
Em 1983, fui transferido para a EsIE, como monitor da Seção de Meios Auxiliares. Na prática, eu era instrutor de fotografia e filmagem em vídeo VHS para vários cursos, com alunos militares de todo o Brasil (Forças Armadas, PM e Bombeiros) e até do exterior, como militares do exército do Paraguai e do Chile.
Lotado no Estúdio de TV, além desse trabalho de instrutor, eu fazia audiovisuais para as Seções de Ensino da Escola e unidades militares da Vila Militar, que consistia em duas bandejas tipo carrossel de slides coloridos e gravador com fita K-7, com locução e fundo musical – o data show da época. Meu colega Adílson Ribeiro Passos, o Adílson Confusão, dava aulas sobre Equipamentos de Projeção Luminosa e Sonora (EPLS), ensinando aos alunos como operar o projetor de filmes 16 mm, além de projetor de slides, retroprojetor etc. Eu também dava aulas de fotografia teórica e prática para oficiais alunos dos cursos de Observação Aérea e Foto-Intérprete, quando o Sargento fotógrafo da Unidade, Wilson de Souza Bezerra, meu colega do curso Fotocine, estava ausente do quartel por motivo de força maior.
Em 1989, fui transferido para o Centro de Comunicação Social do Exército (CComSEx), subordinado ao Gabinete do Ministro do Exército, onde exerci trabalhos de filmagem e montagem de filmes com equipamento de vídeo profissional U-Matic, especialmente a confecção da Videorrevista do Exército (distribuída a todas as Unidades do EB) e missões externas, como a cobertura de imagens da Operação Guavira, no Pantanal Mato-Grossense, realizada pelas três Forças Armadas, e da entrega de espadins aos cadetes, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Também filmei a inauguração de uma linha de teste de mísseis, em trilhos (raia de simulação), no CPrM, com a presença do Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves.
No período de 1990-1992, eu fui o Auxiliar do Adido Militar no Cairo, Egito, voltando no final de abril de 1992 a trabalhar no Gabinete do Ministro do Exército, até 1999.
Em 03/06/1995, lancei na Biblioteca Demonstrativa de Brasília o livro EGITO - uma viagem ao berço de nossa civilização, editado pela Thesaurus, de Brasília.
No final de 1999, sem ter peruado, eu recebi um cargo de comissão no Ministério da Defesa (1999-2002), o qual foi criado em 10 de junho daquele ano, deixando a Marinha, o Exército e a Aeronáutica de serem Ministérios, passando a ser Comandos.
A partir do ano 2000, ainda na ativa, servindo no Ministério da Defesa, comecei a publicar textos, próprios e de terceiros, no site Usina de Letras, onde cheguei a ter 250 mil acessos por mês. Em 2000, com 30 anos de serviço, fui promovido a Capitão e incorporado ao Quadro Auxiliar de Oficiais (QAO).
Minha passagem para a reserva remunerada ocorreu em 28 de fevereiro de 2002, fixando residência em Brasília até os dias de hoje.
Na reserva, passei a escrever com mais frequência na internet, recebendo convite para publicar meus textos em vários sites e blogs. Naquele ano, recebi convite para participar das reuniões semanais no escritório do Instituto Liberal de Brasília, sendo o embaixador José Osvaldo de Meira Penna seu presidente. Ainda em 2002, recebi convite para ser um dos articulistas do site Mídia Sem Máscara, criado pelo professor e filósofo Olavo de Carvalho. Essas publicações virtuais renderam dezenas de citações em trabalhos acadêmicos – https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/07/citacoes-de-felix-maier-em-trabalhos.html.
Minhas Memórias, não só da vida militar, estão registradas em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/04/felix-maier-curriculum-vitae.html.
Como se sabe, militar é um prato cheio para anedotas, às vezes uma piada
pronta, com Sargentos gorduchos desfilando sua banha, comandando ordem unida de
recrutas mocorongos onde acontece de tudo. As piadas de caserna
da revista Seleções, da publicação norte-americana Reader’s
Digest, sempre obtiveram grande sucesso entre milicos e paisanos.
Seja com o Recruta Zero e o Sargento Tainha, seja com Carlitos nas Trincheiras, com Charles Chaplin, ou com o Sargento Pincel de Os Trapalhões, ou ainda com o Capitão Haddock de As Aventuras de Tintin, o riso é sempre garantido com homens fardados.
Num quartel
em Pelotas:
— Recruta! Por que você não me fez continência?
— O senhor me desculpe, Capitão, eu não vi o senhor!
— Ah, bom! Pensei que você estivesse de mal comigo...
Dois
soldados conversam no quartel:
— Sabe, eu sempre quis servir o exército!
— É mesmo? — pergunta o companheiro — Por quê?
— Porque sou solteiro e gosto de guerra!
— Ah... Eu também sempre quis estar aqui...
— Que ótimo! — comemora o outro — E por quê?
— Porque sou casado e gosto de paz...
Durante a
guerra, o Capitão repara
que um Soldado
está recuando, e o questiona:
— Soldado, por que está recuando?
O Soldado justifica:
— Capitão, a Terra não é redonda? Pois então vou dar a volta e atacar eles por trás
BRASÍLIA, Março de 2025.
Leia Causos de Milico em
https://drive.google.com/file/d/1_xTmEEsQyoGUaUCqMlUx99p1HlpwY7KA/view
Sobre o autor: https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/04/felix-maier-curriculum-vitae.html
Félix Maier tem e-books publicados no CLUBE DE AUTORES, para venda:
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