MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A Conspiração Condor - Por Félix Maier

 


A Conspiração Condor

Por Félix Maier

10/05/2026

A Conspiração Condor é um filme safado, que tenta ligar as mortes de Juscelino Kubitschek e João Goulart, o Jango, como assassinatos promovidos pela ditabranda militar. O primeiro teria sido morto por atentado contra sua vida na Via Dutra, em 22 de agosto de 1976. O segundo teria sido envenenado e morto, em 6 de dezenbro de 1976, na Argentina.

A famigerada Comissão Nacional sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, famosa por doar indenizações milionárias a terroristas e familiares da extrema esquerda, também está requentando essas fake news levantadas pela Comissão Nacional da Verdadehttps://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/05/08/relatorio-de-comissao-diz-que-jk-foi-morto-pela-ditadura-militar-e-nao-vitima-de-acidente.ghtml.

JK morreu em acidente automobilístico na Via Dutra, quando saiu de São Paulo para se encontrar com a amante no Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no Km 165, no trecho de Resende, RJ. Chovia torrencialmente e suspeita-se que um ônibus da Viação Cometa tenha abalroado o carro de JK.

Afirmar que alguém planejou um atentado para que o Opala de JK colidisse na pista do outro lado da Dutra, de frente com um caminhão Scania, exatamente naquele lugar, exatamente naquela hora, é viajar na maionese. Nem Mc Gyver conseguiria fazer essa mágica.

Fim do caso.

Mas não fim da farsa da extrema esquerda, assassina por natureza.

Jango morreu por problemas cardiacos, segundo exames da causa mortis.

Em 2013, durante a malfadada Comissão Nacional da Verdade, no governo da antiga terrorista da VAR-Palmares, Dima Rousseff, foi feita a exumação dos restos mortais de Jango, que havia sido enterrado em São Borja, RS.

Houve a ajuda de "médicos" cubanos, aqueles mesmos a quem no Programa Mais Médicos foram dispensados, para não realizar o Revalida, uma exigência legal para médico estrangeiro trabalhar no Brasil. Esse Programa serviu para drenar de 3,5 a 4,5 bilhões de reais para a genocida ditadura de Fidel Castro. Não se sabe quanto desse total voltou para os cofres do PT.

Nenhum sinal de veneno foi encontrado no corpo de Jango.

Fim do caso.

Mas não fim da farsa da extrema esquerda, assassina por natureza.


Operação Condor

Operação Condor - Operação conjunta de governos de países sul-americanos para fazer face aos movimentos terroristas-marxistas do final da década de 1960 e início da década de 1970, desencadeados a partir da Revolução Cultural (China) e da OLAS (Cuba). Há um documentário, “Condor”, de Roberto Mader, e livros que tratam do assunto, como “Operação Condor - terrorismo en el Cone Sur”, do jornalista Nilson Cezar Mariano, e Social Justice”, publicado em 1999, da pesquisadora Patrice McSherry, professora de Ciências Políticas da Universidade de Long Island, EUA, em que há um artigo sobre a Operação Condor. “Foi comprovada, em 1992, através de documentos da polícia secreta do Paraguai, a existência de uma ação de Estado implantada em todo o cone Sul. Na verdade, a Operação Condor foi um acordo costurado por todos os países da região com o intento de facilitar a cooperação regional na repressão aos opositores dos regimes militares que então governavam o Brasil, a Argentina, o Chile e a Bolívia. Teoricamente esses opositores dos regimes militares faziam parte de grupos guerrilheiros com ideologia socialista nos moldes da filosofia radical maoísta e stalinista. Eram apoiados por Cuba de Fidel Castro e indiretamente pelos governos socialistas da antiga União Soviética e da República Popular da China, que desejavam expandir o modelo socialista para todos os países da América Latina. Além do apoio tático e estratégico fornecido pelo governo de Cuba, esses grupos buscavam os recursos financeiros através de ações criminosas, como roubos a bancos e sequestros” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Condor - acesso em 24/05/2012). Essa Operação não foi um acordo multilateral terrorista de governos latino-americanos, como propaga a esquerda, mas, sim, um acordo legítimo de defesa conjunta de países contra movimentos terroristas, patrocinados por países totalitários comunistas (URSS, China, Cuba), que queriam implantar, não a democracia, porém a ditadura do proletariado em todo o continente. A Operação Condor foi tão legítima como hoje é a Interpol e os acordos bilaterais de segurança entre países, para enfrentar em conjunto o terrorismo e o crime transnacional. “Se a orientação e o apoio dessas operações vinham de fora - vinham da Rússia e da China, via Cuba ou Uruguai - enfim, eram um movimento internacional integrado, o que há de estranho no fato de o Cone Sul se reunir para colocar um ‘basta’ a isso, com troca de informações, já que todos eram atingidos?” (Gen Ex Leônidas Pires Gonçalves - HOE/1964, Tomo 1, pg. 92). No Brasil, se as Forças de Segurança não tivessem desbaratado a Guerrilha do Araguaia, ainda hoje poderíamos estar vivendo uma guerra civil, a exemplo da Colômbia. Nesse caso, o Governo Federal poderia estar hoje negociando, p. ex., com José “Tirofijo” Genoino, a entrega de uma extensa região do Araguaia aos guerrilheiros das “FARB”, para “conversações de paz”, como ocorreu na Colômbia das FARC durante o Governo de Andrés Pastrana. O Sendero Luminoso e o Tupac Amaru (Peru), atualmente sob certo controle, e as FARC e ELN (Colômbia) são os “filhotes” mais duradouros da OLAS de Fidel Castro, que prometeu “criar um Vietnã” em cada país sul-americano. Cínicos, esses esquerdistas! Falam mal da Operação Condor, logo eles, que ontem se uniram ao PC cubano e à KGB, criaram a OLAS e dezenas de grupos terroristas para infernizar a América Latina, e hoje estão à frente de movimentos que ainda sonham em implantar o comunismo na região, como a ALBA, o Foro de São Paulo e o Fórum Social Mundial. El cóndor pása... toca a flauta indígena do Peru. E os urubus socialistas apertam o nariz, denunciando o mau cheiro que eles mesmos provocaram - cfr. meu texto sobre o assunto em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/operacao-condor-el-condor-pasa-e-os.html. Após o Seminário Internacional sobre a Operação Condor promovido pela Câmara dos Deputados em 2012, que foi coordenado pela deputada Luíza “La Pasionaria” Erundina, as viúvas castristas prometeram recriar o Tribunal Russell para a América Latina.

(A LÍNGUA DE PAU – Uma história da intolerância e da desinformação, de Félix Maier, disponível em https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view). 

 

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Hugo Studart, jornalista, historiador e mestre cachaceiro -www.casastudart.com.brno Facebook:

10/05/2026

Voltou ao noticiário essa besteira imensa de que JK teria sido assassinado pela ditadura militar. Teoria conspiratória vulgar descolada de qualquer senso lógico ou fatico.

Ora, ora, a ditadura matou mais de 300, contudo, Juscelino não estava entre eles. Morreu de acidente de carro. Nem João Goulart que morreu de enfarto. Aos fatos:

1) Em 1976, quando ambos morreram, o país estava na chamada Abertura. Lenta, gradual e segura, segundo a definição de seu artifice, Ernesto Geisel. Mas já não era mais uma autocracia explícita, uma ditadura. Era uma fase histórica de distensão politica, sem repressão violenta.

2) Desde as mortes do jornalista Wladmir Herzog, em outubro de 1975, e do operário Manoel Fiel Filho, em janeiro de 1976, ambos mortos sob cruel tortura, as forças de repressão estavam acuadas pelo próprio regime militar. Ja não prendiam nem matavam ninguém (isso só voltaria em 1981).

3) Desde 1967 ou 1968, Juscelino convivia tranquilamente com os militares no poder. Morava entre o Rio e Brasília. Estava com os direitos políticos cassados. Passava os dias entre os amigos e as noites na boemia escancarada, sem ser importunado. Havia um acordo informal com o regime: JK não se envolveria com política e os militares nao se envolveriam com JK. E assim transcorreu até sua morte.

4) Jango, por sua vez, nesse período estava exilado em uma de suas fazendas no Uruguai. Bebia e comia muito. Estava deprimido.

5) Em 22 de agosto de 1976, Juscelino estava em São Paulo em viagem de negócios. Ao final da tarde, decidiu viajar para o Rio de Janeiro, de automóvel. O tempo fechado anunciava uma forte tempestade. Seu amigos tentaram demovê-lo. O fiel motorista Geraldo Ribeiro também argumentou. Mas Juscelino aloprou. Queria porque queria dormir no Rio de Janeiro com sua amante Maria Lucia Pedroso, paixão desde 1958. Então tomaram a Via Dutra.

6) Na altura de Resende, Estado do Rio, debaixo de uma chuva torrencial e sem visibilidade, um ônibus comercial cheio de passageiros abalroou o Opala de JK. O motorista Geraldo perdeu o controle, atravessou a pista e bateu de frente em um caminhão que vinha no sentido Rio-SP

7) A perícia foi realizada pelo próprio Diretor do IML do Rio, Dr. Castelo Branco, que constatou mortes por acidente.

Na década de 1990, o jornalista Carlos Heitor Cony precisava escrever sua crônica semanal para a revista Manchete mas estava sem assunto concreto. Então escreveu sobre a coincidência das mortes de Jango e de JK, em datas próximas, e especulou que poderiam nao ter sido acidente e infarto. Não apresentou qualquer indicio que sustentasse sua teoria da conspiração, nas tão-somente a liberdade criativa.

9) Mais duas décadas se passaram e o governo Dilma instalou a Comissão Nacional da Verdade. Foi quando a crônica criativa de Cony ganha força de versão oficial. Sabe-se la como, encontraram indícios de que algum carro surgiu da penumbra e um agente secreto deu um tiro na cabeça do motorista Geraldo. E foi assim que JK passou a ser mais um assassinado da ditadura, sem qualquer prova ou indicio a sustentar a hipótese.

10) Ora, se os militares quisessem matar JK, teriam feito o serviço quando o AI-5 estava em vigor. Um assalto, uma injeção letal que simulasse infarto, qualquer método dentre os muitos que usavam para se livrar dos adversários.

11) Mas os assassinos esperaram pacientemente pelo dia no qual Juscelino, em viagem, teria um surto de saudades da eterna amante e decidiria viajar sob tempestade bíblica. Eita espionagem bem feita. Então os espiões seguiram o carro de JK por 250 quilômetros. Combinaram o jogo com o motorista do ônibus da Viação Cometa que, de alguma forma misteriosa, adivinhou o momento perfeito que deveria bater no carro de JK. Decerto o motorista do onibus também sabia que Geraldo atravessaria a pista quando um caminhão viria em sentido contrário.

Em conclusão:

Ou os agentes da ditadura eram absolutamente eficientes, geniais no planejamento e na execução de suas conspirações assassinas;

Ou a turma desse novo Febeapa, Festival de Besteira que Assola o País, nos considera absolutamente desmiolados.

É o que sei; é o que penso.

Em tempo: Escrevo com a autoridade de quem ja investigou e publicou dezenas de mortes da ditadura, algumas com crueldade extrema, como a de Maria Lucia Petit, enterrada viva por jagunços a serviço do Exército, ainda tão jovem que era virgem, ou a de Manoel Fiel Filho, operário padrão sem qualquer envolvimento com a poltica, torturado até "estourar".

Hugo Studart

 

Comentário de Welerson Henrique Carmo

Paulo Octavio, Casado com a neta de JK, contratou OS MAIORES CRIMINALISTAS do País para refazerem o Caminho que o Opala percorreu, até a hora do acidente.

Entre esse Peritos criminais, estava meu grande Amigo João BOSCO de Oliveira, perito da Polícia Civil do DF e ex Diretor do IC (Instituto de Criminalística do DF).

Está em livro: “NÃO HOUVE ASSASSINATO, MAS SIM, UM ACIDENTE!!!”

 

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Ainda sobre JK:

Abaixo, alguns verbetes de A LÍNGUA DE PAU – Uma história da intolerância e da desinformação, de Félix Maier, disponível em https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view. 

Revolta de Aragarças - Motim de oficiais da Aeronáutica contra o governo JK. Um dos integrantes foi o aviador Leuzinger Marques Lima, que pretendia, junto com os revoltosos, jogar bombas sobre os palácios da Guanabara e do Catete depois de sequestrar um avião da Panair. Leuzinger, o “Léo Asa”, participou também do Grupo Secreto, envolvido no Caso Riocentro.

SNI - Serviço Nacional de Informações: criado em 13/06/1964, mediante a Lei nº 4.341, foi de extrema utilidade para a derrocada das organizações terroristas que operaram no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. O projeto de lei no. 1968, que deu origem à Lei, foi redigido por Golbery do Couto e Silva. Golbery foi o primeiro chefe do SNI, empossado em 25/06/1964. “O governo americano designou Stephen Creane, agente da CIA no Brasil, para ficar à disposição de Golbery e auxiliá-lo na montagem do SNI. (...) Num acordo oral, firmado em 1964, a CIA se dispôs ainda ‘a fornecer ao Serviço pistas operacionais específicas’ sobre atividades subversivas no Brasil. Em retribuição, o SNI alimentaria o serviço secreto americano com informações sobre a ação comunista em território brasileiro” (FIGUEIREDO, 2005: 134). O SNI foi antecedido pelo Serviço Federal de Informações e Contrainformações - SFICI (1956-1964) e substituído pelo Departamento de Inteligência (DI/SAE), em 1990, pela Subsecretaria de Inteligência (SSI), em 1992, e pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), em 1999. Apesar de existir no papel desde o mandato de Eurico Gaspar Dutra, o SFICI só foi implantado, de fato, por JK. “O SNI surgiu por transformação do Serviço Federal de Informação e Contrainformação (SFICI), criado no Governo de Juscelino Kubitschek. Quando este visitou os Estados Unidos, o Presidente Eisenhower manifestou-lhe sua preocupação com a crescente infiltração comunista no governo brasileiro. Ofereceu-lhe assistência técnica para a criação de uma agência equivalente à CIA. (...) Como Juscelino Kubitschek estava, naquele momento, interessado em reatar as negociações com o FMI, concordou em criar a tal agência. Foram implantados o SFICI, bem como Seções de Segurança Nacional nos ministérios civis - invenção atribuída à ‘ditadura’ por mal-informados -, todos subordinados à Secretaria-Geral do Conselho de Segurança Nacional. (Moniz Bandeira, em Brasil-EUA - A rivalidade emergente, Editora Civilização Brasileira - 1989, citado por Roberto Campos, em Lanterna na Popa, p. 283). O que o ‘feiticeiro’ fez, depois de ter chefiado o SFICI, durante o curto Governo de Jânio Quadros, foi moldá-lo e transformá-lo em um instrumento de suas maquinações de ‘Fouché crioulo’. Para isso, levou com ele o fichário de personalidades que tinha começado a organizar no SFICI, segundo o próprio Gaspari escreveu no terceiro volume do seu ‘pentateuco’” (Gen Div Negrão Torres - HOE/1964, Tomo 14, pg. 49). Em 1967, “foi criado o Conselho de Segurança Nacional, amparado por nova Lei de Segurança Nacional que substituiu a Lei de 1953” (NAPOLITANO, 2014: 80). “Formados na tradição positivista, o regime ideal para uma boa parte dos militares era a ditadura republicana, em que os mais capazes deveriam tutelar a sociedade e arbitrar conflitos de classe de maneira técnica” (idem, pg. 83).

Frente Ampla - União das esquerdas radicais após 1964 (1966 a 1968), pretendiam desestabilizar o governo militar, sob a fachada de reivindicações do tipo “anistia geral”, “eleições diretas”, para poderem operar livremente no País. Participaram da Frente Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda. Leonel Brizola, el ratón, não aderiu ao onagro caboclo.

Operação Limpeza - Depois da Contrarrevolução de 31/03/1964, o Congresso Nacional empossou, no dia 2 de abril, o Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, do PSD de São Paulo, como Presidente Interino do Brasil, já que João Goulart havia fugido para o Uruguai. Três governadores foram cassados: Miguel Arraes (Pernambuco), Seixas Dória (Sergipe) e Badger Silveira (Rio de Janeiro). Enquanto Jango tentava, no Rio Grande do Sul, obter asilo político no Uruguai, a Operação Limpeza incluía ainda expurgos de pessoas ligadas à corrupção e à subversão. Em Porto Alegre houve um atentado contra a vida do brigadeiro Lavanère-Wanderley, ocasião em que foi morto o que o atacou (4 de abril). No dia 9 de abril, o Comando Revolucionário (Costa e Silva, Rademaker e Correia de Melo) assinaram o Ato Institucional (AI): estavam suspensos por 10 anos os direitos políticos de João Goulart, Jânio Quadros e Luiz Carlos Prestes. No dia 10 de abril, foi publicada lista com uma centena de nomes punidos, entre os quais 40 membros do Congresso Nacional, muitos dos quais líderes da Frente Parlamentarista Nacionalista. No dia 11 de abril, o Comando Revolucionário transferiu 122 oficiais para a reserva. O AI estipulava que, dois dias depois de sua promulgação, o Congresso elegeria um Presidente e um Vice-Presidente da República, numa eleição em que não haveria inelegibilidades. Os projetos apresentados pelo Executivo se tornariam leis se não fossem votados dentro de 30 dias; os orçamentos propostos pelo Presidente não poderiam ser majorados pelo Congresso; essas estipulações, além de uma que permitia ao Presidente propor Emendas Constitucionais a serem aprovadas pela maioria simples, deveriam expirar, juntamente com o AI, no dia 31/01/1966. Na votação para Presidente, Castello Branco recebeu 361 votos (123 do PSD, 105 da UDN e 53 do PTB), enquanto Juarez Távora recebeu 3 votos e Gaspar Dutra 2. Houve 72 abstenções, em grande parte de representantes do PTB, e 37 ausências (por causa do atraso na posse dos suplentes dos congressistas cujos mandatos haviam sido cassados). O Senador Kubitschek deu seu voto a Castello; o antigo Ministro da Fazenda, José Maria Alkmin, foi eleito Vice-Presidente. No dia 15/04/1964, Castello assumiu a Presidência da República. “Primeiro, a ‘arrumação’ da casa, ordenando a ‘massa falida’ a que se referiu o Presidente Castello Branco quando assumiu o Governo. Depois, melhorar paulatinamente todos os índices de crescimento do País, dotando-o de infraestrutura necessária para que se transformasse da 48ª. na oitava economia do mundo” (Gen Ex Carlos Tinoco Ribeiro Gomes - HOE/1964, Tomo 10, pg. 33). Em 1964, o AI-2 institui o bipartidarismo no Brasil: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que passa a apoiar o Governo militar, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição. Pelo que se pode observar, depois que a Nova República se instalou no País, de José Sarney a Dilma Rousseff, a “limpeza” foi muito mal-feita. Basta observar os tipos atolados em corrupção que comandaram a política nacional durante o governo do PT - mensaleiros incluídos. 


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Ainda sobre Jango:

Enquanto Brasília se engasgava com a renúncia, Jango, o vice, estava no outro lado do mundo, em plena China comunista, abraçando Mao Tsé-Tung como quem encontra um primo distante na fila do bandejão universitário. Dizem até que trocaram receitas: Mao contou do tal Grande Salto pra Frente — que, pelo que depois soubemos, foi mais um tropeço que um salto — e Jango ficou pensativo, coçando o queixo, talvez cogitando renunciar também, por pura mímica política.

Mas aí, no caminho de volta, parando em Paris para dar um pulinho no Moulin Rouge para apreciar as moças com os peitos de fora, porque ninguém é de ferro, Jango recebeu um telefonema urgente, que foi interceptado pelo general Francisco Batista Torres de Melo  junto a uma central telefônica no Rio, onde naquela época lindas moças ficavam o dia inteiro enfiando e tirando pinos, como que tricotando um tapete de ferro. Era Juscelino, com aquela voz de locutor de rádio de cidade do interior de Minas, imitando gaúcho, implorando pela vinda de Jango.

— Eu não, vou nada, vou nada. Aquele pessoal da FAB é um bando de doidos — alegava Jango, com medo de ter o avião derrubado.

Aí o Juscelino respondeu: 

— Rapaz, venha, tchê. O que interessa é o PSD, PTB, o resto que se lasque. Pois toma um café forte sem açúcar na Champs-Élysées e volta, guri! O Brizola já tá fazendo discurso na rádio como se fosse Presidente da República!

E era verdade. Leonel Brizola, o cunhado inflamado de Jango, berrava nas rádios como um pastor elétrico, exigindo respeito dos gorilas à Constituição e gritando Campanha da Legalidade como quem anuncia promoção de sabão em pó.

A solução veio num jeitinho brasileiro de gravata: para não deixar Jango com muito poder, criaram o parlamentarismo. Em dezembro de 1961, o Congresso Nacional aprovou a mudança, e Tancredo Neves, com aquele jeitinho mineiro come quieto de quem sempre parece que não tá, mas tá, virou Primeiro-Ministro.

...

Jango, que nunca foi comunista, mas sempre teve um pezinho nos sindicatos e outro no inferninho, assumiu com gosto a presidência. Era filho de estancieiro rico de São Borja, gostava de boate, teve até doença venérea na juventude, que o fez se tornar manco — coisa que, segundo Tio Pedro, dava mais prestígio entre os boêmios do que diploma universitário.

(Félix Maier, in MEMORIAL DE LUZERNA, Thesaurus Editora, 2025, Brasília, DF, pg. 283-285)

 

Tendência gaúcha para putas e farras...

Márcio Moreira Alves traça um perfil sucinto sobre Jango no livro O Despertar da Revolução Brasileira, Seara Nova, Lisboa, 1974, pg. 50: “O protesto que escrevi era uma crítica por dentro. De um modo geral era eu simpático ao governo militar”. Para “Marcito”, foi um alívio ver a saída de Jango: “Achava-o oportunista, instável, politicamente desonesto... Aparecia bêbado em público, deixava-se manobrar por cupinchas corruptos... e tinha uma grande tendência gaúcha para putas e farras (idem, pg. 51-52).

 

Abaixo, alguns verbetes de A LÍNGUA DE PAU – Uma história da intolerância e da desinformação, de Félix Maier, disponível em https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view.

Contrarrevolução de 1964 - Após a anarquia promovida no Brasil pelo Governo João Goulart (“Jango”), no dia 31/03/1964, sob a exigência dos jornais e a aclamação da população brasileira, é desencadeada a “Revolução de 31 de Março”, apelidada pelos opositores como “golpe militar”, mas que foi na verdade uma Contrarrevolução, ou contragolpe, por suspender o processo revolucionário em andamento no País - cfr. Edição Histórica da revista Manchete em https://www.conjur.com.br/dl/manchete-abr1964.pdf. Em 19/08/1961, Jânio Quadros condecorou Che Guevara com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, que “foi a cerejinha do bolo atirado na cara dos mais reacionários. Mesmo que essa condecoração fosse o resultado da liberação, por parte do líder da Revolução Cubana, de sacerdotes católicos condenados ao fuzilamento em Cuba, a medalha causou grande mal-estar e confusão, consolidando a imagem de um político contraditório, oportunista e ideologicamente ambíguo” (NAPOLITANO, 2014: 32). Antecedentes: Quando Jânio Quadros renunciou à presidência, Jango estava em viagem à China comunista, acompanhado de “líderes trabalhistas, convocados para observação e estudo das comunas populares daquele país” (AUGUSTO, 2001: 70). Na China, Jango fez “um pronunciamento radical, em que revelou sua intenção de estabelecer também no Brasil uma república popular, acrescentando que, para tanto, seria necessário contar com as praças para esmagar o quadro de oficiais reacionários” (idem, pg. 71) - prenúncio da Revolta dos Marinheiros, no Rio de Janeiro, e da Revolta dos Sargentos, em Brasília. Em janeiro de 1964, Luiz Carlos Prestes viajou a Moscou para prestar contas dos últimos trabalhos do PCB, desenvolvidos à luz da estratégia traçada por ele e Kruschev em novembro de 1961. Nesse encontro, participaram, além de Kruschev, Mikhail Suslov (ideólogo de Kruschev), Leonid Brejnev (Secretário do Comitê Central do Partido), Iuri Andropov e Boris Ponomariov (Chefe do Departamento de Relações Internacionais). Naquela ocasião, Prestes afirmou: “A escalada pacífica dos comunistas no Brasil para o poder abrindo a possibilidade de um novo caminho para a América Latina. (...) oficiais nacionalistas e comunistas dispostos a garantir pela força, se necessário, um governo nacionalista e antiimperialista. Implantaremos um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que será a antessala do socialismo. (...) ... uma vez a cavaleiro do aparelho do estado, converter rapidamente, a exemplo de Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolução nacional-democrática em socialista (idem, pg. 121-2). Segundo Luís Mir, em A Revolução Impossível, “a exemplo de 1935, a revolução deveria começar, novamente, pelos quartéis” (apud AUGUSTO, 2001: 122). “A Revolução de 1964 deveu-se a duas causas: uma reação ao processo acelerado de comunização do País, que estava em marcha e, principalmente, a tentativa de quebrar a hierarquia e a disciplina - espinha dorsal das Forças Armadas” (Gen Div Negrão Torres - HOE/1964, Tomo 8, pg. 91). A cooptação de militares subalternos, feita por Brizola, pode ser conferida em https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/26909/000761662.pdf.  “É crime lembrar que a direita civil armada, pronta e ansiosa para matar comunistas desde 1963, foi pega de surpresa pelo golpe militar e inteiramente desmantelada pelo novo governo, de modo que, se algum comunista chegou vivo ao fim do ano de 1964, ele deveu isso exclusivamente às forças armadas que agora amaldiçoa” (Olavo de Carvalho, in A História, essa criminosa). Olavo se refere às forças paramilitares formadas, principalmente, pelos governadores Carlos Lacerda, da Guanabara, e de Adhemar de Barros, de São Paulo, que pretendiam trucidar os comunistas. “Nessa tarde de 31 de março, particularmente em Cubatão, o sindicalismo peleguista-comunista ocupou a Refinaria Presidente Bernardes [ficou paralisada por 21 dias] e a Cosipa, áreas críticas, certos de que a ‘revolução comunista’ se deflagara. O poder político em Santos, exultante, programara nesse dia homenagem a Jango Goulart” (Coronel Antonio Erasmo Dias - HOE/1964, Tomo 6, pg. 135). “A Alfândega de Santos era o exemplo da instituição da corrupção no âmbito governamental pela ‘máfia’ ligada ao janguismo e pela ‘burguesia-pelega’ da época. Inspetores, conferentes, despachantes, constituindo verdadeiras quadrilhas, não raro com o beneplácito de elementos do Judiciário, como advogados e juízes, forjando mandados de segurança, oficializando o contrabando” (idem, pg. 136). “Andorinhas” faziam viagens aos EUA, de onde “importavam Impalas automóveis de último tipo da época - com porta-malas lotados de muamba com destino ao Paraguai, em trânsito por Santos, como ‘bagagem desacompanhada’” (idem, pg. 136). “A participação da AMAN teve muita importância. A atitude corajosa do general Emílio Médici, colocando os cadetes em posição de combate, foi correta. A nossa juventude não poderia ficar de fora. Essa atitude evitou o ataque das tropas legais à Academia e levou o I Exército, sediado no Rio de Janeiro, a aderir à Revolução. Nenhum chefe militar atacaria a ‘alma-mater’ do Exército” (Gen Div Tasso Villar de Aquino - HOE/1964, Tomo 9, pg. 84). “O regime militar fez várias reformas. Obteve êxito. O papel do Estado na economia foi ampliado numa escala nunca vista. Qualquer setor onde havia alguma dificuldade econômica, a saída encontrada era a criação de uma empresa estatal. E foram surgindo às pencas. O país melhorou a infraestrutura, desenvolveu novos setores produtivos e se integrou à economia mundial diversificando sua pauta de exportações” (Marco Antonio Villa, in “Eles não conseguem desenhar o futuro”, O Globo, 28/06/2011). “Não há provas de que os Estados Unidos instigaram, planejaram, dirigiram ou participaram da execução do golpe de 1964. Cada uma dessas funções parece ter competido a Castelo Branco e seus companheiros de farda. Ao mesmo tempo, há sugestivas evidências de que os Estados Unidos aprovaram e apoiaram a deposição de Goulart quase que desde o princípio. Os Estados Unidos reforçaram o seu apoio ao elaborar planos militares preventivos que poderiam ter sido úteis para os conspiradores, se houvesse a necessidade” (PARKER, 1977: 128). “Os militares parecem haver sofrido, desde o começo, de uma espécie de ‘má consciência’. O sentimento acabou por dividi-los e provocar hesitações nefastas à administração. Ao princípio, um embaixador inglês, Sir Geoffrey Wallinger, ainda podia comparar os militares de Castello Branco aos puritanos de Cromwell, fanaticamente convencidos de sua missão de limpar a corrupção que contaminava o país. Mas as hesitações e as contramarchas entre ‘linha dura’ e ‘legalistas’ acabou comprometendo o projeto e o próprio bom senso” (PENNA, 1994: 163). “Note-se que nenhum dos governos militares jamais foi totalitário. Não existe governo totalitário sem doutrinação das massas” (Otto Maria Carpeaux - HOE/1964, Tomo 3, pg. 120). “O regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período de 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural que havia no país. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições diretas para os governos estaduais em 1982. Que ditadura no mundo foi assim?” (VILLA, 2014: 11). “Dos 21 anos do regime militar, dez podem ser considerados uma ditadura - o período de vigência do Ato Institucional no. 5, de 13 de dezembro de 1968 a 31 de dezembro de 1978. Nesse período, o Executivo teve plenos poderes e os exerceu de forma ditatorial, submetendo a sociedade civil e os poderes Legislativo e Judiciário aos seus desígnios” (idem, pg. 370). Na Grécia antiga, havia ostracismo; na Roma antiga, banimento; no Brasil dos governos militares, cassação; em Cuba e demais países comunistas, fuzilamento. “Sobre a Revolução quero dizer, principalmente para aqueles que não viveram a época: cuidado com as imagens distorcidas. Se hoje o Exército Brasileiro tem esse conceito, queiram alguns ou não, sempre foi assim: o Exército não mudou, não foi um tipo de Exército em 1964 e é outro tipo de Exército, hoje. Nossos objetivos são os mesmos, nossos princípios éticos, morais, de patriotismo, de defesa da Pátria, de dedicação, são os mesmos” (Gen Ex Jaime José Juraszek - HOE/1964, Tomo 6, pg. 38). Veja “A verdade sobre a Revolução de 31 de Março de 1964”, live do coronel Reynaldo De Biasi Silva Rocha, em https://youtu.be/xoeimi86JZM. Para maiores informações sobre 1964, acesse “Memorial 31 de Março de 1964” (https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/09/memorial-31-de-marco-de-1964-textos.html)  e “História Oral do Exército - 31 Março 1964” (https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/09/historia-oral-do-exercito-31-de-marco.html).

Frente Única - Idealizada pelo ex-ministro San Thiago Dantas, desejava unir todas as esquerdas em uma “Frente Única” (1963), para dar suporte consistente ao governo de João Goulart e suas “Reformas de Base”. Os partidos comunistas e o exibicionismo de Brizola impediram a formação dessa Frente. A “Frente Popular” de Jango, com o PCB e as organizações dominadas pelo “Partidão”, foi o que sobrou da pretensa “Frente Única”. A expressão de pau “Frente Única”, pelo menos, serviu de inspiração para a moda das décadas de 1960/70, sendo uma peça feminina bastante sexy - ao mesmo tempo em que debutavam o chinelo-de-dedo, a calça jeans da marca Lee e a camisa volta ao mundo banlon, que hoje talvez possa ser comprada na Enjoei, época em que se ouviam no rádio o Repórter Esso e as piadas sem graça de muito sucesso, de Vitório e Marieta - cfr. em https://www.youtube.com/watch?v=-3YUaArmlk8.

G-11 - “Os chamados Grupos dos Onze Companheiros - simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 - e também conhecidos como Comandos Nacionalistas, foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células - cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional - que poderiam ser mobilizados a seu comando” (Mariza Tavares, in “Grupo dos 11: O braço armado de Brizola” - cfr. https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/10/memoria-1964-o-dossie-do-braco-armado.html). G-11 também pode se referir a Grupo de Combate, de 11 militares, célula de um pelotão de Infantaria. “Chegou a organizar 5.304 grupos, num total de 58.344 pessoas, distribuídos, particularmente, pelos Estados do Rio Grande do Sul, Guanabara, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo” (ORVIL, pg. 136). A exemplo do que hoje faz o MST, o G-11 pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis. Os G-11 seriam o embrião do Exército Popular de Libertação (EPL). “Entre 19 e 25 de outubro de 1963, Brizola lançou, oficialmente vamos dizer assim, os seus ‘grupos dos onze’, organizações que, de acordo com a sua orientação, deveriam considerar-se em revolução permanente e ostensiva. (...) Era uma imitação chula das instruções da guarda vermelha bolchevique” (Gen Div Del Nero - HOE/1964, Tomo 5, pg. 100). Um documento do Grupo afirmava que os G-11 seriam a “vanguarda do movimento revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética”. (Prova a ignorância de Brizola, pois em 1917 havia apenas a Rússia, não a URSS.) Quando ocorreu a Contrarrevolução de 1964, havia centenas desses Grupos espalhados em todo o País e tinham como missão eliminar fisicamente todas as autoridades do Brasil que não apoiassem Brizola - civis, militares e eclesiásticas, como se pode ler nas “Instruções secretas” do EPL e seus G-11, no item 8, “A guarda e o julgamento de prisioneiros”: “Esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição” (AUGUSTO, 2001: 112). “Posso dizer que as ‘Ligas Camponesas’ e os ‘grupos dos onze’, na verdade, foram blefes. Eram usados pela imprensa, faziam estardalhaço, mas sentir a existência... a ação... Não houve nenhuma, absolutamente. Apenas no interior de Goiás foram apreendidos uns caixotes com armas que eram destinados ao ‘grupo dos onze’, mas o pessoal fugiu e nunca mais apareceu. Havia um oficial amigo do Jango, coronel Seixas, responsável pela repressão, e que, ao invés de mandar aquelas armas para o Exército, enviou para a Presidência da República. As armas tinham vindo de Cuba” (Coronel Renato Brilhante Ustra - HOE/1964, Tomo 5, pg. 256). Herbert de Souza, o “Betinho”, foi o coordenador geral dos G-11 e na época da Contrarrevolução de 1964 era assessor do ministro da Educação, Paulo de Tarso. Sobre os G-11, leia os documentos secretos em https://www.documentosrevelados.com.br/repressao/grupo-dos-onze-companheiros-movimento-liderado-por-brizola-para-barrar-o-golpe-e-avancar-com-as-reformas-parte-3/. Leia, de minha autoria, Brizola, o último dos maragatos, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/brizola-o-ultimo-dos-maragatos-por.html.

Operação Brother Sam - É mentirosa a versão da participação direta dos norte-americanos na Contrarrevolução brasileira de 1964. Os documentos da inexistente "Operação Thomas Mann" foram forjados pela espionagem tcheca, que atuava no Brasil em 1964, via KGB. Essa mentira foi montada por Ladislav Bittman, que chefiava o serviço de desinformação da Tchecoslováquia. Em seu livro “The KGB And Soviet Disinformation”, publicado em Washington, Bittman declara: "Queríamos criar a impressão que os Estados Unidos estavam forçando a Organização dos Estados Americanos (OEA) a tomar uma posição mais anticomunista, enquanto a CIA planejava golpes contra os regimes do Chile, Uruguai, Brasil, México e Cuba (...) A Operação foi projetada para criar no público latino-americano uma prevenção contra a política linha dura americana, incitar demonstrações mais intensas de sentimentos antiamericanos e rotular a CIA como notória perpetradora de intrigas antidemocráticas". O livro “1964: O Papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 31 de Março” (Civilização Brasileira, Rio, 1977), da historiadora norte-americana Phyllis R. Parker, com tradução de Carlos Nayfeld, diz textualmente, nas "Conclusões", à pg. 128: "Não há provas de que os Estados Unidos instigaram, planejaram, dirigiram ou participaram da execução do golpe de 1964. Cada uma dessas funções parece ter competido a Castelo Branco e seus companheiros de farda. Ao mesmo tempo, há sugestivas evidências de que os Estados Unidos aprovaram e apoiaram a deposição militar de Goulart quase que desde o princípio. Os Estados Unidos reforçaram o seu apoio ao elaborar planos militares preventivos que poderiam ter sido úteis para os conspiradores, se houvesse surgido a necessidade". É óbvio que os EUA acompanhavam com atenção o movimento militar e civil anti-Jango, e com certeza remeteriam material bélico aos revoltosos, caso ocorresse uma guerra civil. “Ele sabia que existia um movimento liderado por Castello Branco e outros generais, mas não estava participando dos planos do golpe” (Lincoln Gordon, então embaixador americano no Brasil, a respeito do então coronal Vernon Walters, adido do Exército Americano no Brasil - in “O olho dos EUA no golpe de 64”, revista Veja no. 1848, pg. 49). “O governo americano mandou preparar, no dia 1º. de abril, um avião carregado com armamentos para ser enviado aos militares golpistas, caso ocorresse um conflito prolongado. O que, como se sabe, não ocorreu, já que Jango preferiu não resistir e fugiu para o exterior” (idem, pg. 48). “O militar americano [Vernon Walters] era muito amigo do general Humberto Castello Branco, com quem dividiu uma barraca de campanha na Itália, durante a II Guerra. Uma informação só revelada na semana passada é que Arma, várias vezes citado na correspondência diplomática como principal fonte da conspiração, era o codinome de Walters. Ele estava bem a par dos preparativos para o golpe, conforme mostra trecho do documento de 27 de março: ‘Na próxima semana, nós vamos ser informados da estimativa (feita pelos militares golpistas) das armas necessárias, através do contato entre Arma e o general Ulhoa Cintra, braço direito de Castello Branco’” (idem, pg. 49). Leia, de minha autoria, “Operação Brother Sam, uma operação fantasma”, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/operacao-brother-sam-uma-operacao.html.

Operação Mata Lacerda - “Aquela missão fora planejada no apartamento no. 15 do Anexo do Copacabana Palace, então apartamento do Presidente da República João Goulart. Contou com a presença do então Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, do Ministro da Justiça, Abelardo Jurema, do Comandante da tropa paraquedista, General Pinheiro, e do Coronel João Sarmento, do Gabinete Militar. Planejaram que a solução para antecipar a criação da república sindicalista comunista seria criar um caos no Estado da Guanabara, com a decretação do estado de sítio. E como criar um caos? Aí o general paraquedista disse: ‘Deixa comigo, isso é missão para paraquedista’ - tropa pretoriana. A ordem para prender e ‘atirar para matar’ Carlos Lacerda na manhã do dia 4 de outubro de 1963, quando de sua visita ao Hospital Miguel Couto, no Leblon, foi transmitida, naquele apartamento, ao General Alfredo Pinheiro, pelo Ministro da Justiça, Deputado Abelardo Jurema, que esclareceu ao General Pinheiro que o Ministro da Guerra, General Jair Dantas Ribeiro, estava a par de todo o plano e dera sua aprovação” (Gen Bda Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery - HOE/1964, Tomo 10, pg. 165). Detalhes sobre a Operação pode ser acessada em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/04/operacao-mata-lacerda-por-historia-oral.html. Durante a Cadeia da Legalidade, em defesa de Jango, para assumir a presidência em lugar de Jânio Quadros, que havia renunciado, Brizola repetia em seus discursos na Rádio Guaíba: “Sargentos do Exército, matem seus oficiais”. 

UNE - União Nacional dos Estudantes. Durante o 2º Congresso Nacional de Estudantes (1938), foi feita a proposta de criação da União Nacional de Estudantes (UNE), que teve sua 1ª Diretoria eleita em 1939. Inicialmente, a UNE era apolítica; entre 1940 e 1943, mobilizou a opinião pública e o Governo para participar na II Guerra Mundial contra o nazifascismo. Era tutelada pela ditadura Vargas e funcionava em sala do Ministério da Educação. A partir de 1943, começa a insurreição, com comunistas e democratas lutando contra a ditadura Getúlio Vargas. A partir de 1959, aprofunda-se a marxização da UNE; nos anos 60, as organizações que dividiam as massas operárias, além da UNE, eram a JUC, o PC (que atuava através de seus diretórios estudantis), a Política Operária (POLOP) e a Quarta Internacional. Eram todos de esquerda, com dosagens diversas de ideologia marxista. O Partido de Representação Acadêmica (PRA), criado na Faculdade de Direito da USP, era considerado de Direita. Também nos anos 60, dá-se o encontro ideológico, reunindo a JUC, a Esquerda Católica e o Esquerdismo marxista. A Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) desempenhou papel importante na agitação estudantil e no processo de marxização da Universidade. “Onde o professor é de tempo parcial, como na maioria da América Latina, a tendência dos estudantes é dar mais atenção a preocupações não acadêmicas, inclusive políticas”. (Seymor Martins Lipset, “University Students and Politics in Underdeveloped Countries”, in Minerva, Vol. III, nº 1, 1964, pg. 38-39). No dia 28/03/1964, os Diretórios Acadêmicos das Faculdades Nacionais de Direito (CACO), da Filosofia, da Universidade do Brasil, e o de Sociologia da PUC, lançaram manifesto de apoio aos marinheiros e fuzileiros em greve na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. No dia 31 de março, exigiram de Jango armas para a resistência contra o levante de Minas, mas tiveram que se contentar com “manifestações antigolpistas” na Cinelândia. Com a depredação da sede da UNE, o seu presidente, “apista” José Serra (Ministro da Saúde durante o Governo FHC), empossado em 1963, pediu asilo à Embaixada do Chile. “Terminava, assim, o ciclo de agitação estudantil, que depois iria se desdobrar em trágicas consequências, no terrorismo e na ilegalidade” (José Arthur Rios, in “Raízes do Marxismo Universitário” - cfr. em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/01/raizes-do-marxismo-universitario-por.html). Arthur Rios é autor de famosa frase: "Pais positivistas, filhos comunistas, netos terroristas". Na “campanha nacional de alfabetização”, no Governo Goulart, a UNE recebeu 5.000 dólares de Moscou, por intermédio da UIE. “Essa mesma UNE..., em 1968, provocou o atentado do Calabouço, aquela crise criada pelo assassinato de um estudante, que nem era estudante, era um funcionário do Calabouço” (Jornalista Themístocles de Castro e Silva - HOE/1964, Tomo 4, pg. 281). Com a ascensão do PT na Presidência da República, a UNE se tornou importante falange do “fascismo alegre”, do qual recebeu R$ 12,8 milhões no período de 2004 a 2010. O governo Lula indenizou a UNE em R$ 44,6 milhões, dos quais R$ 30 milhões foram liberados em 2010, para construção da nova sede da entidade, no Flamengo, Rio de Janeiro. A obra ainda não saiu do papel, embora Lula tenha participado do lançamento da pedra fundamental. Leia, de minha autoria, “UNE: organização-pelego, de Getúlio a Lula”, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/une-organizacao-pelego-de-getulio-lula.html.


El cÓndor pAsa...

  Félix Maier  

El cóndor pasa, majestuoso vuela,
Sobre tierras latinoamericanas
,
Simbolizando uma operação engenhosa,
Unindo na luta contra ações insanas.

Operação Condor, cooperação bilateral,
Entre nações em busca da segurança.
Combater comunistas, uma ação vital,
E afastar o perigo vermelho, a ameaça.

Fugindo da carniça que eles mesmos criaram,
Com mortes e dor, que o terrorismo causou,
Urubus tapam o nariz, hipócritas voam,
A união dos povos foi o que nos salvou.

Nas asas do condor a esperança se ergue,
Enfrentando os horrores do passado.
Um legado de força que perdura, segue,
Execrando o que não pode ser negociado.

Operação Condor, símbolo de cooperação,
Na busca da paz, justiça e liberdade.
Uma história de coragem e superação,
Que ecoa nos corações com dignidade.

Que nunca esqueçamos dos que tombaram,
Vítimas de um terror vil e sem razão.
E que a memória deles nunca se apague,
Honrando sua luta, em cada geração.

El cóndor pasa, voando alto e forte,
No céu latino-americano a pairar,
Unindo nações, um exemplo de sorte,
Que nunca deixemos sua chama apagar.


Ouça a bela canção El Cóndor Pasa, com Leo Rojas, em https://www.youtube.com/watch?v=8kQZHYbZkLs



quarta-feira, 6 de maio de 2026

AS MINAS DO REI SALOMÃO - Por Félix Maier


AS MINAS DO REI SALOMÃO

Por Félix Maier

SINOPSE

Quando o Rei Salomão sonhou com uma terra perdida além do Grande Mar do Poente, muitos acreditaram tratar-se apenas de um delírio enviado por Adonai. Em seu sonho erguia-se um mundo impossível: uma floresta sem fim, rios tão vastos quanto mares e montanhas de ouro em forma de pirâmides, brilhando sob o sol com intensidade capaz de cegar os homens. Convencido de que aquela visão era um chamado divino, Salomão buscou auxílio junto de seu aliado mais poderoso, Hiram I, rei da rica cidade de Tiro. Hiram ordenou então o corte de cedros do Líbano, e com sua madeira foram construídas sete galeras destinadas à mais fantástica viagem já empreendida pelos homens do mundo antigo.

Sob o comando do experiente navegador Azir-Baal e seu imediato Aníbal, sete embarcações partiram de Tiro rumo ao desconhecido, atravessando mares jamais descritos pelos escribas. Passaram ao largo da ilha de Creta, local de histórias terríveis sobre o Minotauro, criatura monstruosa que exigia vidas humanas como tributo. Mais adiante, encontraram as sedutoras Filhas de Yam sobre pedras dentro do mar, mulheres de beleza sobrenatural e caudas de peixe, cujos cantos hipnóticos atraíam marinheiros para as profundezas do abismo. A jornada tornou-se ainda mais sombria quando um gigantesco Monstro de Um Olho Só destruiu uma das galeras ao lançar uma pedra colossal montanha abaixo.

Depois de atravessarem as lendárias Colunas de Melqart, o deus protetor de Tiro, os navegadores penetraram no temido Mar do Fim do Mundo. Tempestades monstruosas, calmarias sufocantes e criaturas marinhas colossais testaram os limites da expedição. Um polvo gigante emergiu das águas negras e despedaçou outro navio diante dos olhos aterrorizados da tripulação. Alguns dias depois, os sobreviventes avistaram ruínas semi-submersas: a misteriosa Cidade Afundada, vestígio silencioso de uma civilização esquecida pelos séculos.

Após cinco luas completas navegando rumo ao ocidente, os fenícios alcançaram a foz de um rio tão imenso que parecia um mar de água doce. Ali começava um mundo verde e primordial, onde árvores gigantescas quase tocavam as nuvens e sons desconhecidos ecoavam na mata sem fim. Subindo o Rio-Mar, Azir-Baal e seus homens encontraram aldeias de povos nativos, guerreiros cobertos de pinturas sagradas, mulheres guerreiras que manejavam arcos com mortal precisão, o lendário homem-peixe que seduzia jovens virgens às margens dos rios, uma aldeia onde os velhos escolhiam a primavera, mitos diversos como a Vitória Régia e a Cobra Canoa, e criaturas que pareciam pertencer aos tempos da criação: aves monstruosas, a grande serpente negra que despedaçou um navio, antigos sauros escondidos na floresta e uma antiga pirâmide abandonada no meio da mata, onde se realizavam sacrifícios humanos.

Mas nada prepararia os navegantes para a descoberta final. Em meio às montanhas ocultas pela selva, refletindo o sol como fogo divino, erguiam-se as inacreditáveis pirâmides de ouro vistas por Salomão em sonho. O impossível era real. O outro lado do mundo existia, uma terra fabulosa onde mito e realidade se confundiam sob a sombra eterna da floresta.

Misturando aventura épica, mitologia antiga e fantasia histórica, As Minas do Rei Salomão conduz o leitor por uma viagem extraordinária através de mares proibidos, civilizações esquecidas e mistérios ancestrais, numa narrativa grandiosa sobre coragem, ambição e a eterna busca humana pelo desconhecido. 

Baixe o e-book em

https://drive.google.com/file/d/1kyqijP5rrWL3l2clV3W8Ua0nJj3ibzm2/view


sábado, 25 de abril de 2026

Descendo o Rio Branco - Por Hiram Reis e Silva

Coronel Hiram realiza sua primeira jornada nos rios amazônicos,
no Rio Solimões (2,5 mil km, remando num caiaque), em janeiro de 2009.


Descendo o Rio Branco

Por Hiram Reis e Silva

Coronel do Exército, o Humbolt do século XXI.

https://drive.google.com/file/d/1siamQDGG5xJ5lNydrW_vE55I536QMkmA/view

sábado, 28 de março de 2026

31 de Março de 1964: Acredite no seu avô de 80 anos, não no professor marxista de História - Por Félix Maier

 

 31 de março de 1964:

acredite no seu avô de 80 anos,

não no professor marxista de história

 Félix Maier

Março de 1964 não chegou de repente; ele foi se formando lentamente, como um temporal que se anuncia muito antes do primeiro trovão. O Brasil daqueles anos vivia sob uma atmosfera carregada, em que o cotidiano já não era apenas rotina, mas tensão acumulada. Desde a crise institucional iniciada com a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, o qual havia condecorado Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul seis dias antes, o país entrara numa fase de instabilidade política que parecia não encontrar ponto de equilíbrio.

A solução improvisada do parlamentarismo, criada para viabilizar a posse de João Goulart, durou pouco e revelou, desde o início, a fragilidade das instituições diante de um cenário radicalizado. Quando o presidencialismo foi restaurado pelo plebiscito de 1963, devolvendo plenos poderes a Jango, o que se viu não foi a pacificação, mas o agravamento de tensões que já vinham fermentando, com o avanço do movimento comunista dentro do governo.

No pano de fundo, o mundo vivia o auge da Guerra Fria. O mapa geopolítico parecia, aos olhos de muitos contemporâneos, tingir-se progressivamente de vermelho, à medida que regimes alinhados ao bloco soviético e à China se consolidavam ou surgiam em diferentes regiões.

A Revolução Cubana, vitoriosa em 1959, exercia impacto direto sobre a América Latina, não apenas como símbolo, mas como agente ativo de influência política e ideológica. Documentos, depoimentos e estudos posteriores indicam que havia, de fato, circulação de ideias, apoio logístico e tentativas de articulação de movimentos revolucionários em vários países do continente. Para setores expressivos da sociedade brasileira, esse contexto internacional não era abstrato: era uma ameaça concreta, percebida como risco de desestabilização interna e eventual ruptura institucional em moldes revolucionários.

Desde 1961, já havia agentes cubanos em território brasileiro, insuflando as massas no sertão nordestino, junto com as Ligas Camponesas de Francisco Julião. Canaviais eram incendiados. Usinas de açúcar eram depredadas. No Porto de Santos, navios ao largo continham bens perecíveis, que apodreciam devido a greves sucessivas; quem tentava furar a greve, tinha as pernas quebradas com barras de ferro. Greves pipocavam toda hora, deixando milhões de pessoas sem transporte no fim do dia, especialmente no Rio de Janeiro. A inflação disparava, havia desabastecimento e o Exército distribuía alimentos nos bairros pobres do Rio de Janeiro.

A pesquisadora Denise Rollemberg, da UFRJ, autora do livro O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro afirma que "o primeiro auxílio de Fidel foi no Governo João Goulart, por intermédio do apoio às Ligas Camponesas, lendário movimento rural chefiado por Francisco Julião. (...) O apoio cubano concretizou-se no fornecimento de armas e dinheiro, além da compra de fazendas em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, para funcionar como campos de treinamento”. Em sua língua de pau, Rollemberg se refere a incêndios a canaviais e depredação de usinas, verdadeiros atos terroristas, como um lendário movimento rural.

Uma pequena amostra daquele movimento pré-revolucionário comunista pode ser conhecida lendo os verbetes FMP, Folhetos cubanos, Foquismo, G-11, Ligas Camponesas, MEB, MEP, Revolução Cubana e ULTAB (veja link abaixo, Movimento pré-revolucionário comunista, que antecedeu o ano de 1964).

Dentro do Brasil, as tensões sociais e econômicas contribuíam para esse ambiente de inquietação. A inflação corroía o poder de compra, as greves se multiplicavam e os conflitos no campo ganhavam visibilidade crescente. As chamadas Reformas de Base, defendidas pelo governo de João Goulart, mobilizavam paixões opostas. Para seus apoiadores, tratava-se de corrigir desigualdades históricas e modernizar o país; para seus críticos, havia o temor de que tais medidas abrissem caminho para uma reorganização radical da ordem social e econômica, com possíveis desdobramentos autoritários com viés socialista.

A figura de Leonel Brizola, cunhado de Jango e liderança influente, também contribuía para a percepção de radicalização, sobretudo entre aqueles que viam em seus discursos e propostas um tom mais combativo e menos conciliador. Durante a Campanha da Legalidade, assim vociferava o último dos maragatos nas estações de rádio: "Atenção, sargentos do III Exército, atenção sargentos das unidades chefiadas por esses militares golpistas. Atenção, oficiais nacionalistas… O povo pede que os sargentos se levantem, tomem os quartéis e prendam os gorilas… tomem a iniciativa à unha mesmo, com o que tiverem na mão, tomem as armas desses gorilas, tomem conta dos quartéis e prendam os traidores. Os postes de luz em Porto Alegre não serão suficientes para pendurar os gorilas."

O país, assim, não apenas se dividia — ele se tensionava internamente, como se cada grupo social passasse a interpretar os acontecimentos por lentes cada vez mais opostas.

As ruas se tornaram palco dessa divisão. Em março de 1964, o comício da Central do Brasil reuniu milhares de pessoas que foram impedidas de tomar o trem da Central, além de ônibus disponíveis para o populacho chegar ao centro do Rio, com verba da Petrobras (o Petrolão é ainda mais antigo do que supúnhamos...). No entanto, a falsa multidão ajudou a narrativa dos comunistas, em apoio às Reformas de Base, pregadas por setores radicais alinhados ao governo. Em resposta, poucos dias depois, ocorreram as Marchas da Família com Deus pela Liberdade, que também levaram multidões às ruas, mas sem greve na Central do Brasil, e sem ônibus da Petrobras, especialmente no Rio e em São Paulo, expressando rejeição ao rumo político do país e clamando por ordem e estabilidade. Era um Brasil que se manifestava em massa — mas em direções contrárias.

Ao mesmo tempo, episódios envolvendo a quebra de disciplina em setores militares, como a Revolta dos Sargentos em Brasília e a Revolta dos Marinheiros no Rio de Janeiro, aprofundaram o desconforto dentro das Forças Armadas. Para muitos oficiais, a hierarquia — elemento central da instituição — estava sendo corroída, o que ampliava a percepção de que o país caminhava para uma situação de descontrole. Esse sentimento estava presente em segmentos significativos da oficialidade. Com a propaganda comunista sendo feita abertamente entre os Sargentos dentro dos quartéis, com a anuência dos generais do povo na cúpula do governo (como o general Osvino Ferreira Alves e o almirante Cândido Aragão – o tal esquema militar, golpista), o medo era tanto que o oficial-de-dia das Unidades das Forças Armadas ficava andando a noite toda no quartel, igual um zumbi, com medo de ser assassinado na cama, como ocorreu na Intentona Comunista, em 1935.

Nesse ambiente, marcado por medo, expectativa e desconfiança, consolidou-se a ideia, entre diversos grupos civis e militares, de que uma ruptura seria inevitável. Para uns, tratava-se de impedir um processo de radicalização política; para outros, era a própria ruptura que representava a ameaça à ordem democrática. O fato é que, no fim de março de 1964, o País já não se encontrava em equilíbrio, com a massa popular tomando as ruas das grandes cidades, pedindo socorro às Forças Armadas.

Quando as tropas começaram a se movimentar na noite de 31 de março, a partir de Minas Gerais, o desfecho foi rápido. A adesão de diferentes comandos militares ao movimento acelerou os acontecimentos, e João Goulart deixou o país poucos dias depois.

O esquema militar de Jango e seus generais do povo, de cooptação dos militares de baixas patentes, foi para o brejo, ainda que a sargentada tenha feito fila para o próprio presidente João Goulart assinar a compra de um Gordini ou de um apartamento via Caixa Econômica, um absurdo! Imagine Bolsonaro fazer isso, ao grito dos paraquedistas: Mito! Mito! Mito! 

O episódio, que alguns denominam revolução e outros classificam como golpe, marcaria profundamente a história brasileira, dando início a um período prolongado de governo militar, cujas consequências seriam sentidas por décadas. O correto é qualificar o episódio como contragolpe, pois havia um golpe comunista a caminho, para ser deflagrado em 1/5/1964 (cfr. manchete de O Globo, de 6/4/1964).

A Revolução Democrática Precedeu
de um Mês a Revolução Comunista

Jornal O Globo, 6/4/1964.

Com o passar do tempo, vieram também os relatos de militantes que participaram de movimentos armados de esquerda, alguns dos quais reconheceram, em depoimentos e memórias, a existência de projetos revolucionários inspirados em experiências internacionais, inclusive com referências à estratégia de guerra prolongada e à criação de focos insurgentes no continente. Militantes políticos (eufemismo para terroristas de esquerda), como Fernando Gabeira, foram dos poucos que afirmaram, com todas as letras, que os movimentos armados não tinham o objetivo de restabelecer a democracia no Brasil, mas implantar a ditadura do proletariado, ou seja, a ditadura comunista, nos moldes de Cuba do paredón e de mais de 100.000 mortos e 20% de sua população fugindo para o exterior, principalmente para a Flórida.

O que emerge desse período não é uma narrativa convergente, mas um mosaico complexo, formado por percepções, interesses, medos e projetos distintos. Havia, sem dúvida, uma disputa ideológica intensa, alimentada tanto por fatores internos quanto pelo contexto global da Guerra Fria. Havia também mobilização popular real, em diferentes sentidos, refletindo um país que participava ativamente de seu próprio destino, ainda que de forma conflituosa.

Décadas depois, o eco de 1964 continua presente. O ano de 1964 teima em não terminar. Não apenas nos livros de história, mas nas conversas familiares, nas memórias transmitidas entre gerações, nos relatos de quem viveu aquele tempo. O avô que testemunhou os acontecimentos guarda impressões diretas, moldadas pela experiência vivida. O professor marxista que hoje ensina História trabalha com narrativas, aprendidas na Prova do ENEM, na universidade, na mídia e na cultura, especialmente teatro e cinema, órgãos totalmente tomados pela esquerda a partir do final dos anos 1970.

Filmes como Olga, O que é isso companheiro? Lamarca, Marighella, Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto são provas desse maniqueísmo barato, do nós, os democratas, contra eles os fascistas, em que terroristas sanguinários são tratados como heróis, enquanto os militares que os combateram são tratados como assassinos e torturadores. Infelizmente, muitas vezes o neto passa a acreditar mais nesses patifes do que no avô que viveu aquela época e sabe muito bem o que de fato ocorreu.

A compreensão do passado exige mais do que adesão a uma versão única: exige escuta, comparação, análise. A História recente do Brasil — como toda história viva — permanece aberta à interpretação, não porque os fatos sejam inexistentes, mas porque seu significado é disputado como se fosse um Fla x Flu.

E talvez seja justamente nesse ponto que reside o maior desafio para as novas gerações: estudar a sério o que houve naquele período, buscar manchetes e textos dos jornais e revistas da época, não ser mera pombinha dócil comendo milho podre oferecido pela esquerda pérfida, assassina por natureza.

No fim das contas, talvez a melhor imagem para encerrar essa história esteja dentro de casa, na conversa entre gerações. O neto de hoje cresce cercado por interpretações acadêmicas, livros didáticos e debates ideológicos que tentam explicar o passado com as lentes do presente. Mas diante dele também está o avô de oitenta anos, homem comum, honesto, que viu aqueles dias com os próprios olhos, sentiu o clima nas ruas, ouviu os discursos no rádio, acompanhou as marchas, as inquietações e os temores de uma época em que o mundo era dividido em dois campos cada vez mais inconciliáveis.

A memória de quem viveu aquela época não substitui o estudo da História, mas também não pode ser descartada como se fosse irrelevante. Muitas vezes, é nesse testemunho direto — imperfeito, humano, porém sincero — que o jovem encontra uma dimensão do passado que nenhum manual consegue transmitir por completo. Talvez a sabedoria esteja justamente em ouvir com atenção quem viveu aqueles dias e, ao mesmo tempo, confrontar essa memória com os documentos e registros do período, para que a compreensão do Brasil não seja feita apenas de versões prontas, narrativas enganosas, mas de diálogo entre experiência e reflexão.

Manchetes:
Ressurge a Democracia!
A VIOLÊNCIA CONTRA "O GLOBO"
Jornal O Globo, 4/4/1964.


Obs.: Fuzileiros Navais, sob o comando do "general do povo" almirante Cândido Aragão, fecharam as oficinas gráficas do Jornal em 31/03/1964. Assim, em 1/4/1964, não circulou O Globo.

31 de março de 1964. A portaria principal do jornal O GLOBO, na Rua Irineu Marinho, interditada por fuzileiros navais Agência O Globo / Arquivo


Graças ao contragolpe dos militares, O Globo se transformou nas Organizações Globo, o maior conglomerado jornalístico do Brasil, com destaque para a TV Globo, fundada em 1965. Atualmente, em vez de agradecer aos militares que desmontaram o Esquema Militar de Jango e seus generais melancias, que queriam o fechamento do Jornal, o repórter William Bonner veio a público, no Jornal Nacional, em 2013, dizendo que o Apoio ao golpe de 64 foi um erro - cfr. em https://memoria.oglobo.globo.com/erros-e-acusacoes-falsas/apoio-ao-golpe-de-64-foi-um-erro-12695226. Qual Madalena Arrependida tardia, o jornal Folha de S. Paulo também fez um mea culpa, em 2014 - cfr. em https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/folha-de-s-paulo-renega-apoio-ao-golpe-civil-militar-e-ditadura-num-mea-culpa-quase-cinico-1376/.

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        Há cerca de 30 anos, eu venho estudando o Movimento Cívico-Militar de 31 de Março de 1964. Tive um tio, Arno Preis, que participou do grupo terrorista Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella, depois de se formar em Direito na USP, e teve um fim trágico, em 1972. Li muitos livros sobre o assunto, tanto dos que defendem o Movimento, como daqueles que o desprezam. O longo governo dos militares, de 21 anos — tão longo quanto o PT de hoje — teve altos e baixos, como ocorre com todo governo, por mais sério que ele seja. Porém, trouxe o Brasil à modernidade, da 46ª. para a 8ª. economia do planeta, com obras de infraestrutura que perduram até hoje.

        Assim, deixo meus trabalhos sobre o assunto principalmente para os netos de hoje, de modo que não caiam fácil no canto da sereia progressista, que um dia foi comunista, depois socialista, mas continua com o mesmo DNA totalitário comunista de sempre, que deixou mais de 100.000.000 de mortos pelo caminho durante o século XX.

        Boa leitura!

 

LEITURA RECOMENDADA:

 

1. Movimento pré-revolucionário comunista, que antecedeu o ano de 1964

Por Félix Maier

https://felixmaier1950.blogspot.com/2026/03/movimento-pre-revolucionario-comunista.html

 

2. ANTECEDENTES DO MOVIMENTO CÍVICO-MILITAR DE 31 DE MARÇO DE 1964 (HISTÓRIA ORAL DO EXÉRCITO – BIBLIEX, RIO DE JANEIRO – 2003)

Fichamento de Félix Maier

https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/03/antecedentes-do-movimento-civico.html

 

3. 31 DE MARÇO DE 1964: CRONOLOGIA E TEXTOS HISTÓRICOS

Organizado por Félix Maier 

https://drive.google.com/file/d/1o4JLrW9wc0dgUD50kuA6iQP3QEd3U1O3/view 

 

4. Operação “Mata Lacerda”

História Oral do Exército – 31 Março 1964 (fichamento de Félix Maier)

https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/04/operacao-mata-lacerda-por-historia-oral.html

 

5. Revolta dos Sargentos em Brasília

História Oral do Exército – 31 Março 1964 (fichamento de Félix Maier)

https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/03/revolta-dos-sargentos-em-brasilia.html

 

6. As manchetes do contragolpe de 1964

Jornais e revistas

https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/03/as-manchetes-do-contragolpe-de-1964.html

 

7. HISTÓRIA ORAL DO EXÉRCITO - 31 MARÇO 1964

Fichamento (dos 15 Tomos publicados pela Biblioteca do Exército) feito por Félix Maier

https://drive.google.com/file/d/1fsbc3zFomx0w1xoEDT8MTWew3MT03ggo/view 

 

8. MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

Seleção de textos feita por Félix Maier

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/09/memorial-31-de-marco-de-1964-textos.html

 

9. ARNO PREIS E OS IDOS DE MARÇO DE 1964

Por Félix Maier

https://drive.google.com/file/d/1qlly7cvMHL0ia6NjXBD9Oqq22Z81Xlm9/view

 

10. AÇÕES ARMADAS COMUNISTAS NA AMÉRICA LATINA - Da Intentona Comunista às ações de Cuba

Organizado por Félix Maier

https://drive.google.com/file/d/1NM-YQGMFYok4sA6fbzkXi-3PqQeRTX1r/view

 

11. MEMORIAL DAS VÍTIMAS DO COMUNISMO

Organizado por Félix Maier

https://drive.google.com/file/d/1h3QBf3-wZQhdqWRGjdR3a5hjJyk6GJjd/view

 

12. A LÍNGUA DE PAU - Uma história da intolerância e da desinformação

Por Félix Maier

https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view

 

Obs.: 

A novela histórica em forma de e-book MEMORIAL DE LUZERNA, A PÉROLA DO RIO DO PEIXE - Uma saga teuto-brasileira, de minha autoria (2025), é ambientada, em parte, no pré e pós 1964, com uma abordagem leve e algum sarcasmo sobre aquela época conturbada. 

Baixe o livro em https://felixmaier1950.blogspot.com/2025/10/memorial-de-luzerna-perola-do-rio-do.html.

Acompanhe meus escritos no Blog PIRACEMA - Nadando contra a corrente -https://felixmaier1950.blogspot.com/.


LEIA TAMBÉM:

 

1. 57º. ANIVERSÁRIO DO MOVIMENTO CÍVICO-MILITAR DE 31 DE MARÇO DE 1964 - EDIÇÃO HISTÓRICA

Jornal Inconfidência nº. 288, de 31 de março de 2021

https://drive.google.com/file/d/15IYSa-qEsSufEjgSpNX9RuODzUOghOLh/view


2. Telegramas revelam ações subversivas cubanas no Brasil 

Arquivos secretos divulgados por Trump mostram que Fidel Castro enviou dinheiro e armas para deflagrar outras revoluções na América Latina

Por Duda Teixeira

https://crusoe.com.br/diario/telegramas-revelam-acoes-subversivas-cubanas-no-brasil/