PIRACEMA II - Nadando contra a corrente
Blog em defesa da democracia e do liberalismo clássico - liberdade de expressão, liberdade religiosa, livre mercado, livre empreendedorismo. Contra o autoritarismo do Cérbero - as três bocarras que infernizaram o século XX: Comunismo, Fascismo e Nazismo.
terça-feira, 16 de junho de 2026
A Gestapo do PT na PF - Por Félix Maier
sábado, 13 de junho de 2026
Tia Mati, a mulher que carregava a casa nas costas - Por Félix Maier
Tia
Mati, a mulher
que
carregava a casa nas costas
Se existe um Céu para as
mulheres fortes, para aquelas que viveram mais para os outros do que para si
mesmas, estou convencido de que tia Matilde Preis Rockenbach, nossa Tia Mati,
já encontrou por lá um cantinho especial.
Alta, bonitona, ela era casada com Eleutério
Rockenbach, um tipo galã à la Richard Burton. Sempre bem-humorado, ele tinha
uma gargalhada que se ouvia a 1 km. Mas ai de quem ousasse chamá-lo de
Eleutério. O nome, para todos os efeitos, parecia proibido. Ele era
simplesmente o Leo. E pronto. Insistir em Eleutério era comprar encrenca na
certa.
Nos anos cinquenta, quando
nós, os seis irmãos (Félix, Sílvia, Fernando, Válter, Ivone e Günther) íamos
chegando ao mundo em fila indiana — uma verdadeira escadinha entre 1950 e 1957
—, Tia Mati tornou-se uma extensão da nossa família. Minha mãe, Marina
Preis Maier, casada com Hilário Maier, passava pelos inevitáveis períodos de
resguardo, e lá vinha Tia Mati, vizinha na Linha Nogueira, de Luzerna, SC, para
ajudar nos serviços da casa.
E haja serviço. Seis
crianças em sete anos não eram propriamente uma família, mas uma pequena
fábrica de fraldas. Fraldas de pano, naturalmente, que precisavam ser fervidas,
ensaboadas, esfregadas, enxaguadas e penduradas no varal, se fizesse sol, ou
secadas a ferro de passar com brasas vivas em seu interior, se chovesse. Energia elétrica, nem pensar!
Hoje, quando vejo uma
máquina de lavar moderna fazer tudo sozinha, penso em Tia Mati. E imagino
quantas vezes aquelas mãos femininas, cansadas de tanto esfrega-esfrega, devem
ter desejado possuir um pouco da tecnologia dos tempos atuais.
O irmão de Tia Mati, Arno Preis, ainda
seminarista, aproveitava as férias para ajudar na lavoura dos Maier. Era ativo,
trabalhador, parecia movido a corda. Carpindo inços na roça do milharal,
ninguém imaginaria o rumo que a vida lhe reservaria. Certa feita, tio Arno
mandou de presente um cavaquinho para mim e um vestido para minha irmã Sílvia.
Minha irmã teve mais sorte, o cavaquinho deve ter-se perdido em alguma
baldeação da maria-fumaça. Anos mais tarde, tio Arno se envolveu com a
organização terrorista ALN de Carlos Marighella e acabaria morto em 1972, numa
troca de tiros, após matar um PM e ferir outro em Goiás. Poliglota, tradutor de
livros, muito inteligente, com voz de tenor, tio Arno tinha o sonho de ser
embaixador.
Mas a vida no interior tinha
dessas ironias que nem os romances conseguem explicar. Recordo-me especialmente
de um episódio que me marcou. Eu devia ter cinco ou seis anos quando minha mãe
Marina e Tia Mati resolveram visitar conhecidos na Linha Pitoca. Havia, depois
das terras de meu pai Hilário, um trecho de caminho que penetrava na mata
fechada.
Na volta para casa, as duas
irmãs saíram talvez um pouco tarde. E dentro do mato o crepúsculo chega mais
cedo. As árvores parecem engolir a luz. O caminho desaparece. A escuridão toma
conta. Minha mãe e tia Mati perderam-se.
Como conseguiram passar a
noite naquele mato, ninguém sabe ao certo. Talvez sentadas sobre troncos.
Talvez rezando. Talvez apenas esperando o amanhecer.
Lembro-me delas voltando
logo cedo. Os vestidos rasgados. Os braços cheios de arranhões. Os pés
machucados. E meu pai recebendo uma senhora descompostura.
— Hilário, tu não foste
procurar a gente!
Mas como poderia? Para ele,
se não tinham aparecido em casa à tardinha do dia anterior, era porque
certamente haviam dormido na casa da amiga na Linha Pitoca. Até hoje me lembro da
bronca que meu pai levou, sem culpa nenhuma.
Quando completei sete anos, em
1957, comecei a estudar no Grupo Escolar Padre Nóbrega, em Luzerna, e passei a
morar na casa do Opa (avô) Edmundo Preis, meu padrinho de crisma, e da Oma
(avó) Paulina Back Preis. Tinha aula de segunda a sábado de manhã, quando havia trabalhos manuais, especialmente com uma serrinha em arco e tabuinha de cedro. Cheguei até a construir um presépio inteiro, que foi pintado por minha mãe. Assim, depois da aula de sábado, eu subia até minha casa na Linha Nogueira e só voltava a Luzerna na segunda-feira, indo pra aula e depois para a casa dos avós. Na metade do ano, meu pai vendeu a terra da Linha Nogueira, de 8 alqueires, e comprou um terreno de 8 alqueires na Linha Pinheirinho, em Herval d'Oeste, distante uns 5 km da escola, distância parecida com a da Linha Nogueira. A vantagem, morando em Herval, é que havia 3 km a menos para amassar o barro em dia de chuva, aproveitando a linha férrea e se equilibrando andando sobre os trilhos.
Os avós tinham casa com varanda e quintal, árvores frutíferas no lote e, perto do barranco do Rio Limeira, onde deságua o Rio Nogueira, eles tinham um pequeno terreno onde havia uma vaca leiteira e alguns porcos. O Rio Limeira deságua no Rio do Peixe, em Luzerna, justo onde existia uma romântica ponte coberta, do tipo encontrado no filme As Pondes de Madison, com Clint Eastwood e Marryl Streep.
Nessa casa em Luzerna, também moravam Tia
Mati e Tia Helga. O tio materno caçula, Renato Preis,
estudava no seminário de Agudos, SP.
Tia Mati era trabalhadora, mas
bastante arteira. Certa vez, depois que o Opa abateu um porco, ela embrulhou
cuidadosamente o rabo do animal em papel fino e me encarregou da entrega.
— Leva isto para o
Kratochvil.
O rapaz trabalhava na empresa
eletromecânica da família e era apaixonado por ela. O detalhe é que Tia Mati já
estava namorando o Leo. Fui, inocente, cumprir a missão. Até hoje não sei qual
foi a cara do pobre Kratochvil ao abrir o embrulho.
Em Luzerna, cheguei a segurar
vela para os namorados Leo e Mati pelo menos uma vez no Cine Central, do Adolfo
Knolseisen, o Adolfinho. Com certeza, eu não era uma companhia bem-vinda, mas
ganhei um enorme sorvete no final do filme, muito gelado, de dar espetada nos
olhos.
Naquele mesmo cinema, que
tinha um bar e alguns produtos para venda, eu comprava, às vezes, cigarros
Belmont para o tio Leo. Além do sorvete, havia um pão sovado que era uma
delícia, como era também deliciosa a bala de coco do Emílio Altmann, vendida na
Loja Bonatto.
Bacana era ver a Tia Mati,
na sala da casa ou no quarto, apertando a cinta larga na tia Helga, ficando com cintura de
vespa. Ou vice-versa. Um sacrifício que as moças se submetiam na época para se
tornarem mais belas.
E, já que estamos em matéria
de confissões, devo reconhecer que fui também o responsável por um pequeno
escândalo doméstico.
A casinha, para as
necessidade fisiológicas, ficava distante uns 30 metros da casa do Opa Preis.
Assim, durante a madrugada, a preguiça falava mais alto. Então eu fazia minhas
necessidades da varanda mesmo. Sem saber que o líquido caía exatamente na
entrada do porão.
Não sei quem descobriu o
crime. Talvez a Oma. Mas ela era muito discreta, teria vergonha para chamar
minha atenção. Assim, quem me aplicou a maior mijada — como se diz
no Exército — foi Tia Mati. A Oma, coitada, jamais iria ralhar com um de seus
netos preferidos.
Anos depois, os Preis migraram para Maringá. Lá foram o Opa, a Oma, Tia Mati, Tia Helga e tantos outros parentes, como a tia Ana (casada com Silvério Preis, eram primos em primeiro grau) e tia Adelina (casada com Kuniberto Hoepers). Os tios Bruno e João Preis já moravam lá fazia tempo. Na época, João Preis era gerente da Transportadora Maior, em Maringá. Posteriormente, ele criou sua própria empresa, Interpreis, que possui várias filiais no Paraná, além da matriz em Maringá. O empresário João Preis, falecido em 2025, foi deputado estadual pelo Paraná e é autor de Amor e ideais - Chamas que não se apagam.
Por desígnios celestes,
Maringá acabou tornando-se minha cidade de fim de semana. Quando deixei o
seminário franciscano de Agudos, SP, em 1969, passei a servir o Exército em
Apucarana, na 4ª. Companhia de Infantaria, Soldado 78 Maier. Tio João Preis,
esperto, jogou a sorte no 78 e conseguiu uma grana extra. Nas folgas de fim de
semana, quando não estava de serviço no quartel, era para Maringá que me mandava,
seja viajando de ônibus pela Viação Garcia, seja viajando na maria-fumaça. Me
lembro passando por várias cidades, de Maringá a Londrina, como Jandaia do Sul,
Mandaguari, Marialva, Arapongas, Cambé, Rolândia, onde havia Faculdades de
Filosofia, Ciências e Letras. Não sei onde foram parar os nossos filósofos, nem
os cientistas, nem os letrados...
Maringá era minha segunda
cidade, cidade-dormitório de fins de semana. Ali estavam os avós. Ali estavam
os tios João, Bruno e Leo, que me levavam para passear no Clube Teuto-Brasileiro, onde jogavam pôquer. Ali estava Tia Mati. E também o pequeno primo Wagner, filho de Mati e Leo. Assim que eu
chegava à casa do Opa, onde eu tinha uma cama desmontável para dormir, não
demorava muito para aparecer aquele menino educado, inteligente e estudioso. Opa Preis e Tia Mati eram vizinhos de cerca.
— Vamos jogar dama? — vinha
o Wagner com o jogo nas mãos.
Ou então o jogo de tria (ou
trilha, ou moinho). Às vezes eu deixava o garoto vencer. Não por piedade. Mas
para que ele não perdesse o gosto pelo jogo e deixasse de me convidar para mais
uma peleia quando eu fosse a Maringá.
Anos depois, quando nasceu meu filho, escolhi para ele o nome Wagner. Wagner dos Santos Maier. Foi uma homenagem. Eu acho que aquele menino de Maringá, hoje agrônomo trabalhando em Vilhena, RO, aprovaria a escolha...
Em todo o Norte do Paraná, na época, era grande a colônia japonesa, de sorte que os ônibus da cidade de Maringá tinham o destino escrito em português e japonês. No quartel, onde eu servi em Apucarana, entre 120 soldados recrutas, havia mais de 20 de origem japonesa. Muito bons judocas.
Em Maringá, eu também fazia
longas caminhadas com o Opa Preis. Saíamos da Rua Fernandes Vieira, onde ele
morava, atravessávamos a Avenida Cerro Azul, passávamos pelo cemitério
arborizado e então seguíamos em direção ao aeroporto. Ele gostava muito de
caminhar. Inclusive no cemitério, o que no início achei estranho. Mas, o local
era muito limpo, arborizado e florido.
Numa dessas voltas, tive uma
brilhante ideia. Paguei uma dose de cachaça para o avô. Havia esquecido de que
ele havia lutado para vencer o vício, que havia causado antigamente sérios
transtornos para sua família. Quem me passou um sabão monumental foi o Tio Leo.
E com toda razão. Fui um boboca.
Poucos anos antes de eu servir em Apucarana, uma tragédia quase destruíra a família de Tia Mati. Tio Leo, Tia Mati e minha prima Carla (filha da tia Helga) haviam sofrido um grave acidente dentro de um Fusca, na BR. Sobreviveram por milagre. Tia Mati teve braço e clavícula quebrados. Carla escapou por pouco. E o Tio Leo sofreu traumatismo craniano, nunca mais se recuperaria completamente. Quem havia socorrido os feridos na Santa Casa de Misericórdia, em Apucarana, foi o capitão Ribamar, médico do Exército, que também servia na Unidade de Apucarana.
Foi então que apareceu a
verdadeira grandeza de Tia Mati. Sem reclamações. Sem discursos. Sem
autopiedade. Assumiu a casa como pai e mãe, já que tio Leo ficara praticamente
incapacitado. Além de criar os filhos Wagner e Simone, Tia Mati trabalhou. Meu
Deus, como ela trabalhou!
Costurava praticamente dia e
noite. Vestidos. Calças. Camisas. Jaquetas jeans, para jovens, com etiquetas
coloridas costuradas nas costas, como Harley Davidson, Coca-Cola, caveiras, ícones comerciais e de rock, o que então era moda.
Tudo passava pelas mãos
daquela mulher. A máquina de costura Singer cantava madrugada adentro. E foi
assim que ela segurou a barra, com o marido quase incapaz. Enquanto muitos
homens se orgulham de ter sustentado uma família, eu conheci uma mulher que
sustentou praticamente tudo: Tia Mati carregou literalmente a casa nas costas.
Em 1975, já servindo como
sargento do Exército no Rio de Janeiro, voltei ao Paraná depois da geada negra
que dizimou os cafezais no Norte do Paraná. Foi repeteco do que havia ocorrido
em 1955. Passei por Maringá e por Campo Mourão, onde morava tia Helga com sua
família: Tio Adolfo Ringwalt e as 4 filhas: Marise (já falecida), Carla,
Rosane e Paula Cristina. Paula Cristina é professora de inglês, morou alguns
anos nos EUA, onde durante certo tempo Helga também viveu. Atualmente, Helga
mora em Maringá, PR.
Tia Mati, Félix, Oma e Opa Preis, Simone e uma “japinha”, Maringá, PR (1975).
Era uma tristeza de doer o
coração. Os tratores arrancavam os cafezais pelas raízes. Parecia um funeral. Os
pés de café deram lugar à soja e ao milho, como se vê nos dias atuais.
Mudavam-se as plantações. Mudava-se
a economia. Mudava o Norte do Paraná. Mas Tia Mati permanecia a mesma. Firme. Resistente.
Bonitona como ela só. Sempre elegante. Sempre lutando.
Mais tarde veio Vilhena. Wagner,
engenheiro agrônomo, estabeleceu-se por lá. Tia Mati também, assim como Simone.
A família reunida outra vez. E isso trouxe alegria aos últimos anos de Tia Mati,
a qual, mesmo na velhice, ainda sentia uma saudade sem fim do marido Leo.
Nos últimos tempos, nossas
conversas aconteciam pelo WhatsApp. E havia sempre aquela frase, dita numa
vozinha doce que ainda hoje aperta meu coração:
— Fêle, estou com muita
saudade de você. Vem visitar a gente!
Eu queria. Mas a vida, às
vezes, impõe seus próprios cercos. Minha esposa Nice enfrentava a dura
recuperação da trombose venosa cerebral sofrida em novembro de 2024. As
dificuldades eram muitas. E o tempo, esse velho traiçoeiro, corre mais depressa
do que imaginamos. Não houve tempo de rever Tia Mati, que faleceu no dia 6 de
junho de 2026, em Vilhena, RO.
E essa talvez seja uma das
tristezas que carregarei comigo. Mas certas pessoas não desaparecem, como Tia
Mati. Continuam morando em nossas recordações e em nossos corações. No cheiro
do sabão de lavar fralda dos sobrinhos. No barulho de uma máquina de costura. Nas
brincadeiras. Nas broncas no sobrinho mijão. Nos pequenos gestos.
Tia Mati foi uma dessas
mulheres que não aparecem nos livros de História. Mas talvez sejam justamente
elas que impedem a História de desmoronar.
Tia Mati carregou a casa nas
costas. Carregou a família nas costas. Carregou a vida nas costas. E o fez com
dignidade, coragem e amor.
Que Deus a tenha em bom
lugar.
Porque, depois de tudo o que Tia Mati fez por tantos, ninguém merece mais descanso do que ela.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Viúva negra - Por Félix Maier
Félix
Maier
Teceu com graça a rede da ilusão,
Com olhos de veludo e doce fala.
Fez do desejo ardente a sua sala,
E do amor disfarçado em servidão.
No leito, coroou-se em sedução,
Depois lançou o fel que a alma abala.
Com riso frio e língua que estala,
Feriu-lhe o brio, a honra e a razão.
Qual viúva negra, astuta predadora,
Do macho faz troféu de curta glória,
Humilha-o até a última hora,
E o deixa ao chão, vencido e sem calor.
E parte, carregando vã memória,
Deixando atrás de si fútil torpor.
quinta-feira, 11 de junho de 2026
A Chuva - Por Félix Maier
A
Chuva
Félix Maier
Durante
sete dias e sete noites, a chuva não parou. A água caía do céu como se o
firmamento tivesse se rompido por completo. Não era uma chuva comum, dessas que
acalmam ou revigoram a terra depois do calor. Era uma ira líquida, uma torrente
interminável, como se o próprio Deus, ou alguma coisa muito antiga e ressentida,
tivesse despejado sobre o Estado do Rio de Janeiro o conteúdo de mil oceanos.
No
primeiro dia, o povo ainda filmava da janela, alegre da vida. Os apresentadores
da televisão falavam em evento climático extremo, expressão limpa demais
para o que estava começando.
No
segundo dia, bairros inteiros ficaram sem luz. Havia vídeos engraçados nas
redes sociais, crianças nadando nas ruas de Campo Grande, surfistas tentando
deslizar pelas avenidas alagadas da Barra da Tijuca e do Recreio dos
Bandeirantes. No terceiro dia, faltou sinal de telefone em quase toda a cidade
do Rio. No quarto dia, os helicópteros da imprensa desapareceram dos céus
cinzentos. No quinto dia, já não havia previsão do tempo, apenas rumores.
Diziam que o mar invadira as galerias do metrô e os túneis do Rebouças, de
Santa Bárbara, os de Copacabana, de Noel Rosa, da Grota Funda e o da
TransOlímpica. Diziam que dezenas de cadáveres boiavam pela Avenida Brasil, na
altura do Complexo da Maré. Diziam que em São Gonçalo um pastor pregava sobre o
teto de um ônibus, cercado de fiéis que cantavam hinos dentro d’água até o
pescoço.
No
sexto dia, até os cães haviam parado de latir. E no sétimo, o Rio de Janeiro
parecia uma cidade submersa havia séculos. Caixas d’água de PVC flutuavam
carregando famílias inteiras nos subúrbios e na Baixada Fluminense. Geladeiras
viradas de lado serviam de barco. Canoas improvisadas feitas de tábuas e boias
infláveis cruzavam o que antes eram ruas.
Em
alguns bairros, a enchente subira tantos metros que apenas os fios dos postes
indicavam onde existira uma avenida ou uma praça. Ninguém mais sabia onde
terminava Nova Iguaçu e começava Duque de Caxias. Tudo era um só lago marrom e
fétido, coberto de lixo, móveis, cadáveres, brinquedos infantis e garrafas pet,
muitas garrafas pet girando lentamente na correnteza.
Em
Belford Roxo, uma mulher dera à luz sobre o telhado de uma escola inundada. Em
São João de Meriti, um cavalo morto permanecia preso nos fios elétricos,
balançando ao vento como um presságio medieval. Em Queimados, homens pescavam
tilápias dentro de uma igreja tomada pela água barrenta.
Na
serra, a tragédia assumira proporções bíblicas. As montanhas pareciam derreter.
Em Petrópolis, Teresópolis, Serra das Araras e Angra dos Reis, encostas
inteiras escorriam morro abaixo como manteiga quente. Rochas enormes rolavam
esmagando pousadas, carros e casas. Algumas residências deslizavam inteiras
pelas encostas, ainda iluminadas pela chama vacilante de velas, como pequenos
presépios sendo arrastados para o inferno. A BR-040, que liga o Rio a Brasília,
estava interditada em muitos pontos, com lama, pedras gigantescas e água
brotando nas montanhas de Petrópolis, em Itaipava, até Juiz de Fora.
O
Dedo de Deus, na Serra dos Órgãos, aparecia e desaparecia entre nuvens negras,
gigantesco e silencioso, como um profeta cansado observando a ruína dos homens.
Os
morros das comunidades cariocas também derretiam, com pedras rolando como se um
Ciclope nervoso tivesse acordado de um sono de milênios e resolvesse aprontar
das suas. Favelas como a Rocinha, o Morro dos Macacos, o Morro da Providência
(com seu Elevador), o Morro de Santa Marta, os Morros do Pavão e do Pavãozinho
(com seu Elevador), os Morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, o Complexo do
Alemão e o Morro do Vidigal praticamente deixaram de existir, tudo vindo abaixo
com lama, água, tijolo, madeira, fiações diversas e até os teleféricos. Não era
fiação urbana que existia nas favelas do Rio, mas uma tese de doutorado sobre
desordem aplicada: décadas de improviso entrelaçadas em cobre, plástico, malandragem
e gatonet haviam formado uma civilização aérea tão precária que um único
alicate poderia mergulhar metade da cidade nas trevas digitais e elétricas.
No
Méier, a água invadia prédios com a impaciência de um cobrador atrasado,
escalando escadas e elevadores como se tivesse endereço marcado em cada
apartamento.
Na
Tijuca, automóveis boiavam de lado, girando lentamente como peixes metálicos
exaustos em um aquário enlameado. O Centro transformara-se numa Atlântida improvisada, onde placas, bancas de
jornal, mesas de bar e lixeiras navegavam sem rumo e sem capitão.
Em
Copacabana e Ipanema, ondas barrentas atravessavam avenidas e calçadas,
carregando consigo árvores arrancadas dos morros, geladeiras, motocicletas e o
destino de milhares de desconhecidos. Os morros do Cantagalo e Pavão e
Pavãozinho não existiam mais.
O
Leblon perdeu suas esquinas sob uma massa escura que misturava água, pedras,
galhos e toda espécie de detrito urbano. Com o oceano invadindo o continente, a
Lagoa Rodrigo de Freitas transbordara e a lama subia por andares inteiros,
entrando pelas janelas como uma visita monstruosa que não precisava tocar
campainha. Sofás, televisores, portas, bicicletas e pedaços de telhado passavam
flutuando diante de varandas atônitas.
Alguns
observavam tudo em silêncio, incapazes de compreender se aquilo era uma
enchente ou uma lenta dissolução da cidade. Sirenes já não gritavam mais, helicópteros deixaram de riscar o céu pesado e as
luzes haviam desaparecido bairro após bairro.
Era
como se o Estado do Rio de Janeiro tivesse sido entregue, como castigo, a
forças antigas e mal-humoradas da natureza. E no meio daquele cenário
apocalíptico, a chuva continuava caindo com uma serenidade insultante. Era como
se, depois de destruir tudo, o dilúvio ainda estivesse apenas começando.
Na
capital, o caos tinha algo de grotesco. Na Barra da Tijuca, rapazes musculosos,
cobertos de tatuagens e fantasiados de MCs de funk, com grossas pulseiras e
correntes de ouro no pescoço, gritavam nas varandas em crise de abstinência. Os
motoboys haviam desaparecido havia dias. Não chegava cocaína, não chegava
maconha, não chegava fast food. Os fortões choravam abraçados a potes de whey
protein molhados, enquanto belas influencers digitais com botox e olhos
espichados faziam transmissões ao vivo cada vez mais desesperadas.
Uma
dessas influencers permaneceu onze horas seguidas transmitindo da cobertura de
um prédio alagado em Jacarepaguá, até a bateria sobressalente acabar. Seu
último vídeo mostrava apenas a chuva batendo nos vidros e chegando a seus pés, e
sua voz repetindo, já rouca:
—
Gente… isso não pode estar acontecendo…
A
internet morreu poucos minutos depois. Sem sinal, sem GPS, sem bancos, sem zap,
sem Instagram, sem Pix, o Rio de Janeiro retornou à Idade da Pedra.
Foi
nesse cenário que dois homens subiam os degraus escorregadios do Museu
Nacional, na Quinta da Boa Vista. A água já invadira parte do terreno, e o
velho prédio restaurado das cinzas de gigantesco incêndio surgia
entre a tempestade como um navio fantasma.
Um
deles era Francisco, católico de longas missas, terços gastos em muitas
procissões e imagens de santos espalhadas pela casa, no Méier. Ex-professor de
História, viúvo havia três anos, carregava no rosto uma tristeza mansa que a
idade transformara em serenidade.
O
outro chamava-se Calvino. Ex-policial militar, solteiro, morador do Grajaú, convertido
fervoroso da Assembleia de Deus, presbítero do Pastor Jonas, tinha voz de
trovão e uma Bíblia cheia de marcações fluorescentes. Falava das Escrituras
como quem segura uma espada. Seu sonho era ter sua própria igreja, em Quintino,
ao lado da via férrea da Central do Brasil, para facilitar a chegada de fiéis.
Eles
tinham se conhecido dois dias antes, num bote improvisado que recolhia
sobreviventes na Tijuca e no Maracanã. Desde então caminhavam juntos, embora
discordassem sobre quase tudo. Calvino olhou o céu escuro e murmurou:
—
Irmão Francisco… isto aqui é o Juízo Final. Está escrito. Nos últimos dias os
céus se abrirão em pranto e a terra tremerá.
Francisco
apoiou-se num corrimão coberto de ferrugem antes de responder:
—
Pode ser, Calvino… mas por que Deus mandaria tamanha dor ao povo fluminense? Os
nordestinos ao menos rezam por chuva. Nós não pedimos nada disso.
—
Porque o povo se afastou de Deus! — respondeu Calvino, exaltado. — Idolatria,
carnaval, adultério, drogas do Comando Vermelho, venda ilegal de terrenos e
apartamentos feita pelas milícias, pedágios pagos pelos comerciantes
para criminosos, micro-ondas para facções inimigas (queima de pessoas
vivas em pilha de pneus com gasolina), novelas e BBB da TV Globo, Robauto de
Acari, jogo do bicho, roubo de cargas na Avenida Brasil, corrupção de
governadores, rachadinhas de deputados, vícios inconfessáveis! Nem Sodoma ousou
tanto!
Francisco
suspirou:
—
Sempre sobra para o samba...
— O
Senhor já destruiu cidades por menos!
— E
as crianças? — retrucou Francisco. — E os velhinhos do asilo de Magé? E a
creche de Belford Roxo? Que pecado cometeram?
Calvino
abriu a boca, mas hesitou antes de responder. Pela primeira vez desde que se
conheceram, sua certeza pareceu vacilar.
— O
Senhor faz cair chuva sobre justos e injustos.
Francisco
ficou em silêncio por alguns segundos. Depois murmurou:
—
Então talvez isso não seja castigo. Talvez seja abandono.
A
palavra ecoou no ar pesado por alguns segundos. Abandono.
E nada foi falado sobre os governadores presos por pouco tempo, apesar de condenações que somavam vários séculos, a exemplo de Sérgio Cabral; e tantos outros: Moreira Franco, Anthony e Rosinha Garotinho, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel, Cláudio Castro. E as rachadinhas na ALERJ, com R$ 49 milhões desviados pelo seu presidente André Ceciliano – para variar, um petista -, e até Flávio Bolsonaro, com R$ 1,3 milhão na conta, e ninguém foi processado. Condenado a 425 anos e 20 dias de prisão, Cabral cumpriu apenas 6 anos e 22 dias em regime fechado.
Nos
últimos tempos, Sérgio Cabral matava a saudade de seus 50 mil seguidores, postando
um vídeo
sobre filmes de sua preferência, como se fosse o crítico Pablo Villaça, no
terraço de um prédio com piscina, tendo o Pão de Açúcar ao fundo. Será que Cabral
também foi levado pelas águas, ou apenas perdido seus óculos escuros?
Naquele
instante, a terra inteira tremeu. Os degraus do Museu Nacional rangeram
violentamente. O chão vibrou como um tambor colossal, e um ruído monstruoso
atravessou o Estado do Rio de Janeiro. Na Serra dos Órgãos, o Dedo de Deus
desabou. A formação rochosa de gnaisse moldada por milhões de anos de erosão,
contendo fraturas expostas, tombou da montanha com um estrondo tão terrível que
as nuvens se abriram por um instante, revelando um clarão pálido de sol.
Pessoas em Niterói jurariam, tempos depois, ter visto a montanha cair em câmera
lenta.
Então
a escuridão voltou. E junto dela veio um som estranho. Não parecia trovão. Parecia
um rugido.
— O
que foi isso?! — gritou Francisco, agarrando-se ao corrimão.
Calvino
girou a cabeça, assustado.
—
Leão?… Ou o Diabo em carne viva?
Então
ouviram vidro quebrando dentro do Museu. Passos pesados. Respiração animal. Um
leão do BioParque
do Rio, antigo Zoológico da Quinta da Boa Vista, libertado pela
enchente, vagava pelos corredores do prédio histórico que havia sido morada de
um rei e de dois imperadores. Essa construção fora doada a Dom João VI pelo
comerciante de escravos negros luso-libanês Elias Antônio Lopes, ganhando o
título de Comendador da Ordem de Cristo. Molhado, faminto e magnífico, o leão caminhava
entre fósseis indígenas e o meteorito de Bendegó como um rei antigo visitando
ruínas. Ainda bem que não era algum fugitivo do Galpão da Boa Vista, presídio
de São Cristóvão encostado no fundo da Quinta.
Os
dois amigos voaram corredor adentro até encontrarem uma antiga sala de
arqueologia egípcia. Francisco puxou a tampa semiaberta de uma tumba de
alabastro, e os dois se esconderam lá dentro, espremidos ao lado de uma múmia
ressequida que havia sido salva do incêndio.
O
rugido do leão ecoou tão perto que pareceu vibrar dentro dos ossos deles. Por
alguns instantes, ficaram imóveis, ouvindo apenas a chuva martelando o teto e o
som das patas do leão sobre o mármore.
Foi
então que Francisco começou a rir. Primeiro, baixo. Depois, mais forte. Calvino
arregalou os olhos.
—
Ficou louco?!
Francisco
tentava conter o riso nervoso.
— Eu
só estava pensando… o Egito enfrentou pragas, abriu o Mar Vermelho… e eu vou
morrer abraçado a uma múmia dentro do Museu Nacional…
Calvino
tentou permanecer sério, mas acabou rindo também. E durante alguns segundos,
escondidos dentro do sarcófago enquanto o mundo desmoronava lá fora, os dois
homens riram como crianças. Talvez porque o medo extremo enlouqueça as pessoas.
Ou talvez porque Deus ainda permita pequenos acessos de humor antes do capítulo
final do Apocalipse.
Quando
finalmente saíram da tumba, o silêncio parecia ainda mais assustador. A água já
invadira o térreo do Museu, e peixes nadavam pelos corredores históricos.
Do
lado de fora, milicianos e traficantes de drogas, a exemplo do Comando Vermelho
(CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigos dos Amigos (ADA), haviam perdido
qualquer distinção. Saqueavam bancos, mercados, farmácias e depósitos de água.
Homens armados disputavam sacos de arroz como animais famintos. A polícia
desaparecera. Os prefeitos do Rio e da Baixada Fluminense também. Assim, os
bandidos que já tomavam conta de mais da metade do município do Rio de Janeiro
agora eram donos de tudo, inclusive da Baixada.
Mas
havia bondade em meio ao caos. Uma senhora dividia bolachas encharcadas com
desconhecidos. Um médico fazia curativos à luz de velas. Um rapaz tatuado,
provavelmente ladrão horas antes, carregava uma criança nos ombros através da
enchente. O fim do mundo misturava o melhor e o pior da humanidade numa mesma
lama.
—
Escute aqui, Calvino — cochichou Francisco, olhando para os lados, ao saírem do
Museu, — dizem que havia um túnel secreto saindo do Palácio da Quinta da Boa
Vista.
—
Túnel para quê? Fugir de revolução? Esconder ouro? — perguntou Calvino,
arregalando os olhos.
—
Que nada. Juram que era para levar D. Pedro I discretamente aos braços de
Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, no Paço de São Cristóvão.
Calvino
coçou a cabeça, franziu a testa e soltou uma risada.
—
Veja só a engenharia imperial: enquanto o povo abria estradas com enxada e
picareta, Sua Majestade queria encurtar distâncias sentimentais...
—
Claro! — disse Francisco. — Independência do Brasil em cima, independência do
coração embaixo.
Calvino
balançou a cabeça:
— O Imperador
foi uma criatura curiosa... proclama Independência ou Morte! no riacho
do Ipiranga e depois atravessa túnel escondido para declarar Dependência e
Amor! em particular.
Sob
as pedras e a solenidade das construções coloniais, o Rio antigo parecia
guardar uma segunda cidade, feita não de ruas e sobrados, mas de sombras,
segredos e passos abafados. No Centro, há vários exemplos de túneis, hoje
desativados, que já foram rota para encontros furtivos. No Convento das Freiras
Franciscanas Nossa Senhora da Ajuda, que funcionava onde hoje fica o Palácio
Pedro Ernesto, sede da Câmara dos Vereadores, existia um labirinto subterrâneo.
Contam as más línguas que as próprias religiosas cavaram os túneis. O motivo
faria corar a madre superiora: elas buscavam, segundo o historiador Milton
Teixeira, uma rota segura para encontros amorosos e para escapar dos rigores do
claustro. Enquanto acima ecoavam orações e formalidades, abaixo corria uma
geografia silenciosa de suspiros, mistérios e urgências humanas. O subsolo
carioca parecia provar que até a pedra sabe guardar calor.
Uma
coisa é certa: o Rio de Janeiro nasceu com vocação para túneis: uns atravessam
montanhas para ligar a Zona Norte às praias;
outros atravessam prudências para ligar corações a encontros seguros e
furtivos.
Cachoeiras
d’água haviam se formado em todas as montanhas cariocas e fluminenses,
deslizando sobre pedras nuas como se fossem imensos toboáguas. Depois de
prosear sobre as fugidas noturnas de Dom Pedro I, Francisco e Calvino chegaram
à sacada do Museu Nacional. Foi então que ouviram um estampido distante vindo
da direção da Floresta da Tijuca. Os dois olharam para o Corcovado. E viram. O
Cristo Redentor começava a se inclinar lentamente. Primeiro, quase
imperceptível. Depois mais. E mais. Então a montanha cedeu. A estátua veio
abaixo junto com pedras, árvores e lama, desaparecendo numa avalanche
monstruosa. Um grito coletivo pareceu atravessar toda a cidade.
Francisco
caiu de joelhos. Calvino perdeu a fala. A visão do Cristo destruído parecia
impossível, como se a própria alma do Rio tivesse sido arrancada do alto do
Corcovado.
E
então aconteceu algo ainda mais estranho. A chuva cessou. Não aos poucos, como
costuma acontecer. Parou de repente. Como se alguém tivesse fechado uma
gigantesca torneira invisível. O silêncio que veio em seguida era insuportável.
Nenhum vento. Nenhuma gota d’água. Nenhum pássaro.
As
águas ficaram imóveis. O mundo parecia ter prendido a respiração. Então o céu
se abriu. E o sol apareceu.
Não
era o sol agressivo e abafado do Rio 40 graus do filme e da realidade
carioca. Era um sol suave, quase triste, como a luz de uma manhã antiga de
domingo. Seu brilho dourado refletiu sobre os escombros, sobre os postes
tombados, sobre os telhados que ainda flutuavam.
Foi
então que algo começou a emergir lentamente das águas. Cadáveres. Centenas
deles. Milhares deles. Homens, mulheres, crianças. Corpos subindo à superfície
em silêncio, girando devagar como lembranças que o mundo tentara esconder.
Francisco
começou a rezar em voz baixa. Calvino tremia. Mas o mais assustador ainda
estava por vir. Todos os corpos pareciam voltados para a mesma direção. O mar.
Um
som grave surgiu ao longe, como um coral vindo das profundezas. A Baía de
Guanabara começou a recuar lentamente. Peixes debatiam-se na lama. Navios
inclinavam perigosamente no Cais do Porto, onde alguns contêineres ainda
flutuavam antes de afundar. O Museu do Amanhã surgiu das profundezas, como uma
enorme adaga futurista cravada na Baía da Guanabara. O oceano inteiro parecia
estar sendo puxado para trás. A ponte Rio-Niterói havia sobrevivido.
—
Meu Deus… — murmurou Francisco.
Então
eles viram. No horizonte, algo gigantesco começava a erguer-se das águas. Não
era um navio. Nem uma ilha. Era escuro demais. Grande demais. E estava vivo.
Uma
espinha colossal rompeu a superfície. Depois vieram olhos enormes, do tamanho
de uma bola de basquete. Calvino caiu de joelhos.
—
Leviatã…
A
criatura permaneceu parcialmente emergida, imóvel, observando o mundo
devastado. Parecia antiga demais para pertencer à Terra. Parecia existir desde
antes dos homens aprenderem a rezar.
Então,
vindo de uma casa semi-submersa, ouviu-se uma música. Uma velha vitrola
começara inexplicavelmente a funcionar. Uma canção de Clara Nunes ecoou sobre
as águas silenciosas. A monstruosa criatura moveu lentamente a cabeça. E
desapareceu no oceano. Sem ondas. Sem violência. Como um animal obediente
retornando às profundezas.
Francisco
chorava sem perceber. Calvino olhava para o horizonte com a fé destruída e
reconstruída ao mesmo tempo.
Foi
então que uma menina surgiu entre eles. Magra, descalça, enrolada num cobertor
rasgado. Carregava nos braços um pequeno gato branco tremendo de frio. Mas
havia algo estranho nela.
A
menina estava completamente seca. Nem uma gota de água tocava sua pele. Ela
olhou para os dois homens e perguntou com simplicidade:
—
Vocês são padres?
—
Não exatamente — respondeu Francisco.
—
Mas falam com Deus?
Calvino
engoliu em seco.
—
Tentamos.
A
menina ergueu os olhos para o céu limpo. Depois olhou para os cadáveres. Depois
para o mar. E murmurou:
—
Diz pra Ele que pode parar agora. Já lavou tudo.
Então
ela começou a caminhar. Francisco percebeu algo impossível: onde seus pés
descalços tocavam a lama, pequenas flores amarelas começavam a brotar.
—
Espera! — gritou ele.
A
menina virou-se lentamente. E os dois viram seus olhos. Não havia pupilas. Apenas
luz. Uma luz dourada, calma e antiga como o próprio tempo. Calvino começou a
chorar convulsivamente.
—
Quem… quem é você? É um anjo?
A
menina sorriu com doçura.
— Já
me chamaram de muitas coisas.
Então
ela desapareceu. Não correu. Não se afastou. Simplesmente deixou de existir sob
a luz dourada do sol, como se tivesse evaporado.
O
gatinho permaneceu ali, miando baixinho. Os dois homens ficaram imóveis. Até
que, ao longe, no alto de uma torre de igreja milagrosamente intacta, um galo
cantou. Três vezes. Como se estivesse se lembrando do Apóstolo Pedro.
Francisco
segurou o terço. Calvino fechou os olhos. E ambos compreenderam algo terrível e
belo ao mesmo tempo: o mundo não terminara. O verdadeiro julgamento começava
agora. Porque sobreviver seria mais difícil do que morrer.
Ao
longe, pessoas começavam lentamente a sair dos telhados. Algumas choravam seus
mortos. Outras apenas olhavam para o céu, incapazes de compreender por que
ainda estavam vivas.
O
sol subia devagar sobre o Rio de Janeiro devastado. E pela primeira vez em
muitos anos, a cidade parecia nua. Sem carnaval. Sem bate-bola. Sem trânsito. Sem
música. Sem máscaras. Sem praias. Apenas seres humanos atônitos e tontos,
perambulando sem destino no lamaçal.
E,
enquanto a luz da manhã revelava as cicatrizes abertas da cidade, cada um
parecia procurar não apenas a casa perdida de sua família ou o rosto
desaparecido de um vizinho, mas também algum vestígio da vida que existira uma
semana atrás. O Rio continuava ali, entre morros, túneis e mar, mas sua alma
parecia suspensa no ar pesado daquele amanhecer escabroso. Restavam o silêncio,
a memória e a estranha certeza de que, depois de certas tragédias, o amanhã já
não chega da mesma forma que antes. E só então se descobriu que a alma da
cidade nunca havia morado nos cartões-postais, mas nos sobreviventes que
continuavam caminhando rumo ao nada.
Francisco
olhou o horizonte enlameado e perguntou baixinho:
— E
agora?
Calvino
demorou alguns segundos antes de responder. Quando falou, sua voz já não tinha
raiva, nem fanatismo, nem trovão. Tinha apenas cansaço. E humildade.
—
Agora… a gente aprende de novo a ser gente.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
O TEMPO ATRAVÉS DOS TEMPOS - Por Félix Maier
O TEMPO
ATRAVÉS DOS TEMPOS
Félix Maier
Imperialismo: tempo é expansão
Nacionalismo: tempo é Pátria acima de todos e Deus acima
de tudo
Capitalismo: tempo é dinheiro
Anarquismo: tempo é The Conquest of Bread (A
Conquista do Pão)
Socialismo: tempo é distribuir o roubo e ficar com a
melhor parte
Comunismo: tempo é fazer piquenique no Gulag
siberiano
Fascismo: tempo é Nada fora do Estado, Nada contra o
Estado
Nazismo: tempo é trabalho forçado respirando gás Zyklon B
Islamismo: tempo é tomar Jerusalém, depois perder e de novo tomar
Fidelismo: tempo é enfrentar o paredón com brilho
nos olhos
Guevarismo: tempo é campo de reeducação de gays, para se
tornar machos
Esquerdismo: tempo é mojito con jinetera en una bodeguita
de La Habana
Petismo: tempo é jornada 2 x 5
Tecnicismo: tempo é KPI de faturamento
Progressismo: tempo é a sequência de Comunismo para
Socialismo
Liberalismo: tempo é liberdade para falar, rezar, produzir, vender
e comprar
Militarismo: tempo é farda, marcha e disciplina
Humanismo: tempo é a busca nunca atingida da dignidade
humana
Existencialismo: tempo é o divã em busca do sentido da
vida
Materialismo: tempo é matéria em busca do pó
Gerencialismo: tempo é PowerPoint
Academicismo: tempo é nota de rodapé
Juridiquismo: tempo é chicana para procrastinação de processos
Economicismo: tempo é PIB
Estatismo: tempo é decreto
Globalismo: tempo é fuso horário
Populismo: tempo é eleição para quem promete picanha, luz
para todos, gás do povo, pé de meia,...
Determinismo: tempo é destino
Relativismo: tempo é ponto de vista
Ceticismo: tempo é dúvida e certeza é suspeita
Positivismo: tempo é ordem e progresso
Futurismo: tempo é amanhã
Saudosismo: tempo é "no meu tempo..."
Nostalgismo: tempo é disco de vinil
Romantismo: tempo é beijo, igual ferro elétrico, liga em cima e esquenta embaixo
Algoritmismo: tempo é engajamento; o importante não é ser
lido, mas ser compartilhado
Influencerismo: tempo é like e hate em busca de memes
Fitnessismo: tempo é proteína, frango com batata-doce e whey
Turismismo: tempo é viajar com milhas
Minimalismo: tempo é desapego
Colecionismo: tempo é acumulação de tralhas e poeira
Positivismo: tempo é ordem e progresso
Consumismo: tempo é promoção de iPhone e streaming
Burocratismo: tempo é formulário
Pessimismo: tempo é prazo
Otimismo: tempo é bônus
Cinismo: tempo é aquilo que se invoca quando falta
caráter
Procrastinismo: tempo é amanhã; melhor, mês que vem;
melhor ainda, ano que vem
Conservadorismo: tempo é tradição, família e propriedade
Ambientalismo: tempo é a sustentabilidade da tartaruga e a
matança de nascituro (aborto)
Internetismo: tempo é masturbar a estrovenga eletrônica chamada celular
Celularismo: tempo é bateria, Wi-Fi, selfies e likes
ChatGPTismo: tempo é promp e cada resposta gera três
novas perguntas
Ainda...
Catolicismo: tempus fugit (o tempo foge)
Protestantismo: templo é dinheiro...
quarta-feira, 27 de maio de 2026
O PT não róba nem deixa robá - Por Félix Maier
O PT não róba nem deixa robá
segunda-feira, 11 de maio de 2026
A Conspiração Condor - Por Félix Maier
A Conspiração Condor
Por Félix Maier
10/05/2026
A Conspiração Condor é um
filme safado, que tenta ligar as mortes de Juscelino Kubitschek e João Goulart, o Jango, como assassinatos
promovidos pela ditabranda militar. O primeiro teria sido morto por atentado
contra sua vida na Via Dutra, em 22 de agosto de 1976. O segundo teria sido envenenado e morto, em 6 de dezenbro de 1976, na Argentina.
A famigerada Comissão Nacional sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, famosa por doar indenizações milionárias a terroristas e familiares da extrema esquerda, também está requentando essas fake news levantadas pela Comissão Nacional da Verdade - https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/05/08/relatorio-de-comissao-diz-que-jk-foi-morto-pela-ditadura-militar-e-nao-vitima-de-acidente.ghtml.
JK morreu em acidente
automobilístico na Via Dutra, quando saiu de São Paulo para se encontrar com a
amante no Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no Km 165, no trecho de Resende, RJ. Chovia torrencialmente e suspeita-se que um ônibus da Viação Cometa tenha abalroado o carro de JK.
Afirmar que alguém planejou
um atentado para que o Opala de JK colidisse na pista do outro lado da Dutra, de frente com um caminhão Scania, exatamente naquele lugar, exatamente naquela hora, é viajar na maionese. Nem Mc Gyver conseguiria fazer essa mágica.
Fim do caso.
Mas não fim da farsa da extrema esquerda, assassina por natureza.
Jango morreu por problemas
cardiacos, segundo exames da causa mortis.
Em 2013, durante a malfadada Comissão Nacional da Verdade, no governo da antiga terrorista da VAR-Palmares, Dima Rousseff, foi feita a
exumação dos restos mortais de Jango, que havia sido enterrado em São Borja, RS.
Houve a ajuda de
"médicos" cubanos, aqueles mesmos a quem no Programa Mais Médicos
foram dispensados, para não realizar o Revalida, uma exigência legal para médico estrangeiro trabalhar no Brasil. Esse Programa serviu para drenar de 3,5 a 4,5 bilhões de reais para a genocida ditadura de Fidel Castro. Não se sabe quanto desse total voltou para os cofres do PT.
Nenhum sinal de veneno foi
encontrado no corpo de Jango.
Fim do caso.
Mas não fim da farsa da
extrema esquerda, assassina por natureza.
Operação Condor - Operação conjunta de governos de países sul-americanos para fazer face aos movimentos terroristas-marxistas do final da década de 1960 e início da década de 1970, desencadeados a partir da Revolução Cultural (China) e da OLAS (Cuba). Há um documentário, “Condor”, de Roberto Mader, e livros que tratam do assunto, como “Operação Condor - terrorismo en el Cone Sur”, do jornalista Nilson Cezar Mariano, e “Social Justice”, publicado em 1999, da pesquisadora Patrice McSherry, professora de Ciências Políticas da Universidade de Long Island, EUA, em que há um artigo sobre a Operação Condor. “Foi comprovada, em 1992, através de documentos da polícia secreta do Paraguai, a existência de uma ação de Estado implantada em todo o cone Sul. Na verdade, a Operação Condor foi um acordo costurado por todos os países da região com o intento de facilitar a cooperação regional na repressão aos opositores dos regimes militares que então governavam o Brasil, a Argentina, o Chile e a Bolívia. Teoricamente esses opositores dos regimes militares faziam parte de grupos guerrilheiros com ideologia socialista nos moldes da filosofia radical maoísta e stalinista. Eram apoiados por Cuba de Fidel Castro e indiretamente pelos governos socialistas da antiga União Soviética e da República Popular da China, que desejavam expandir o modelo socialista para todos os países da América Latina. Além do apoio tático e estratégico fornecido pelo governo de Cuba, esses grupos buscavam os recursos financeiros através de ações criminosas, como roubos a bancos e sequestros” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Condor - acesso em 24/05/2012). Essa Operação não foi um acordo multilateral terrorista de governos latino-americanos, como propaga a esquerda, mas, sim, um acordo legítimo de defesa conjunta de países contra movimentos terroristas, patrocinados por países totalitários comunistas (URSS, China, Cuba), que queriam implantar, não a democracia, porém a ditadura do proletariado em todo o continente. A Operação Condor foi tão legítima como hoje é a Interpol e os acordos bilaterais de segurança entre países, para enfrentar em conjunto o terrorismo e o crime transnacional. “Se a orientação e o apoio dessas operações vinham de fora - vinham da Rússia e da China, via Cuba ou Uruguai - enfim, eram um movimento internacional integrado, o que há de estranho no fato de o Cone Sul se reunir para colocar um ‘basta’ a isso, com troca de informações, já que todos eram atingidos?” (Gen Ex Leônidas Pires Gonçalves - HOE/1964, Tomo 1, pg. 92). No Brasil, se as Forças de Segurança não tivessem desbaratado a Guerrilha do Araguaia, ainda hoje poderíamos estar vivendo uma guerra civil, a exemplo da Colômbia. Nesse caso, o Governo Federal poderia estar hoje negociando, p. ex., com José “Tirofijo” Genoino, a entrega de uma extensa região do Araguaia aos guerrilheiros das “FARB”, para “conversações de paz”, como ocorreu na Colômbia das FARC durante o Governo de Andrés Pastrana. O Sendero Luminoso e o Tupac Amaru (Peru), atualmente sob certo controle, e as FARC e ELN (Colômbia) são os “filhotes” mais duradouros da OLAS de Fidel Castro, que prometeu “criar um Vietnã” em cada país sul-americano. Cínicos, esses esquerdistas! Falam mal da Operação Condor, logo eles, que ontem se uniram ao PC cubano e à KGB, criaram a OLAS e dezenas de grupos terroristas para infernizar a América Latina, e hoje estão à frente de movimentos que ainda sonham em implantar o comunismo na região, como a ALBA, o Foro de São Paulo e o Fórum Social Mundial. El cóndor pása... toca a flauta indígena do Peru. E os urubus socialistas apertam o nariz, denunciando o mau cheiro que eles mesmos provocaram - cfr. meu texto sobre o assunto em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/operacao-condor-el-condor-pasa-e-os.html. Após o Seminário Internacional sobre a Operação Condor promovido pela Câmara dos Deputados em 2012, que foi coordenado pela deputada Luíza “La Pasionaria” Erundina, as viúvas castristas prometeram recriar o Tribunal Russell para a América Latina.
(A LÍNGUA DE PAU – Uma história da intolerância e da desinformação, de Félix Maier, disponível em https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view).
***
Hugo Studart, jornalista, historiador e mestre cachaceiro -www.casastudart.com.br, no Facebook:
10/05/2026
Voltou ao noticiário essa
besteira imensa de que JK teria sido assassinado pela ditadura militar. Teoria
conspiratória vulgar descolada de qualquer senso lógico ou fatico.
Ora, ora, a ditadura matou
mais de 300, contudo, Juscelino não estava entre eles. Morreu de acidente de
carro. Nem João Goulart que morreu de enfarto. Aos fatos:
1) Em 1976, quando ambos
morreram, o país estava na chamada Abertura. Lenta, gradual e segura, segundo a
definição de seu artifice, Ernesto Geisel. Mas já não era mais uma autocracia
explícita, uma ditadura. Era uma fase histórica de distensão politica, sem
repressão violenta.
2) Desde as mortes do
jornalista Wladmir Herzog, em outubro de 1975, e do operário Manoel Fiel Filho,
em janeiro de 1976, ambos mortos sob cruel tortura, as forças de repressão
estavam acuadas pelo próprio regime militar. Ja não prendiam nem matavam ninguém
(isso só voltaria em 1981).
3) Desde 1967 ou 1968,
Juscelino convivia tranquilamente com os militares no poder. Morava entre o Rio
e Brasília. Estava com os direitos políticos cassados. Passava os dias entre os
amigos e as noites na boemia escancarada, sem ser importunado. Havia um acordo
informal com o regime: JK não se envolveria com política e os militares nao se
envolveriam com JK. E assim transcorreu até sua morte.
4) Jango, por sua vez, nesse
período estava exilado em uma de suas fazendas no Uruguai. Bebia e comia muito.
Estava deprimido.
5) Em 22 de agosto de 1976,
Juscelino estava em São Paulo em viagem de negócios. Ao final da tarde, decidiu
viajar para o Rio de Janeiro, de automóvel. O tempo fechado anunciava uma forte
tempestade. Seu amigos tentaram demovê-lo. O fiel motorista Geraldo Ribeiro
também argumentou. Mas Juscelino aloprou. Queria porque queria dormir no Rio de
Janeiro com sua amante Maria Lucia Pedroso, paixão desde 1958. Então tomaram a
Via Dutra.
6) Na altura de Resende,
Estado do Rio, debaixo de uma chuva torrencial e sem visibilidade, um ônibus
comercial cheio de passageiros abalroou o Opala de JK. O motorista Geraldo
perdeu o controle, atravessou a pista e bateu de frente em um caminhão que vinha
no sentido Rio-SP
7) A perícia foi realizada
pelo próprio Diretor do IML do Rio, Dr. Castelo Branco, que constatou mortes
por acidente.
Na década de 1990, o
jornalista Carlos Heitor Cony precisava escrever sua crônica semanal para a
revista Manchete mas estava sem assunto concreto. Então escreveu sobre a
coincidência das mortes de Jango e de JK, em datas próximas, e especulou que
poderiam nao ter sido acidente e infarto. Não apresentou qualquer indicio que
sustentasse sua teoria da conspiração, nas tão-somente a liberdade criativa.
9) Mais duas décadas se
passaram e o governo Dilma instalou a Comissão Nacional da Verdade. Foi quando
a crônica criativa de Cony ganha força de versão oficial. Sabe-se la como,
encontraram indícios de que algum carro surgiu da penumbra e um agente secreto
deu um tiro na cabeça do motorista Geraldo. E foi assim que JK passou a ser
mais um assassinado da ditadura, sem qualquer prova ou indicio a sustentar a
hipótese.
10) Ora, se os militares
quisessem matar JK, teriam feito o serviço quando o AI-5 estava em vigor. Um
assalto, uma injeção letal que simulasse infarto, qualquer método dentre os
muitos que usavam para se livrar dos adversários.
11) Mas os assassinos
esperaram pacientemente pelo dia no qual Juscelino, em viagem, teria um surto
de saudades da eterna amante e decidiria viajar sob tempestade bíblica. Eita
espionagem bem feita. Então os espiões seguiram o carro de JK por 250 quilômetros.
Combinaram o jogo com o motorista do ônibus da Viação Cometa que, de alguma
forma misteriosa, adivinhou o momento perfeito que deveria bater no carro de
JK. Decerto o motorista do onibus também sabia que Geraldo atravessaria a pista
quando um caminhão viria em sentido contrário.
Em conclusão:
Ou os agentes da ditadura
eram absolutamente eficientes, geniais no planejamento e na execução de suas
conspirações assassinas;
Ou a turma desse novo
Febeapa, Festival de Besteira que Assola o País, nos considera absolutamente
desmiolados.
É o que sei; é o que penso.
Em tempo: Escrevo com a
autoridade de quem ja investigou e publicou dezenas de mortes da ditadura,
algumas com crueldade extrema, como a de Maria Lucia Petit, enterrada viva por
jagunços a serviço do Exército, ainda tão jovem que era virgem, ou a de Manoel
Fiel Filho, operário padrão sem qualquer envolvimento com a poltica, torturado
até "estourar".
Hugo Studart
Comentário de Welerson
Henrique Carmo
Paulo Octavio, Casado com a
neta de JK, contratou OS MAIORES CRIMINALISTAS do País para refazerem o Caminho
que o Opala percorreu, até a hora do acidente.
Entre esse Peritos
criminais, estava meu grande Amigo João BOSCO de Oliveira, perito da Polícia
Civil do DF e ex Diretor do IC (Instituto de Criminalística do DF).
Está em livro: “NÃO HOUVE ASSASSINATO, MAS SIM, UM ACIDENTE!!!”
***
Ainda sobre JK:
Abaixo, alguns verbetes de A
LÍNGUA DE PAU – Uma história da intolerância e da desinformação, de
Félix Maier, disponível em https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view.
Revolta
de Aragarças - Motim de oficiais da Aeronáutica contra o
governo JK. Um dos integrantes foi o aviador Leuzinger Marques Lima, que
pretendia, junto com os revoltosos, jogar bombas sobre os palácios da Guanabara
e do Catete depois de sequestrar um avião da Panair. Leuzinger, o “Léo Asa”,
participou também do Grupo Secreto, envolvido no Caso Riocentro.
SNI -
Serviço Nacional de Informações: criado em 13/06/1964, mediante a Lei nº 4.341,
foi de extrema utilidade para a derrocada das organizações terroristas que
operaram no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. O projeto de lei no. 1968, que
deu origem à Lei, foi redigido por Golbery do Couto e Silva. Golbery foi o
primeiro chefe do SNI, empossado em 25/06/1964. “O governo americano designou Stephen Creane, agente da CIA no Brasil,
para ficar à disposição de Golbery e auxiliá-lo na montagem do SNI. (...) Num acordo
oral, firmado em
Frente
Ampla - União das esquerdas radicais após 1964 (1966 a 1968),
pretendiam desestabilizar o governo militar, sob a fachada de reivindicações do
tipo “anistia geral”, “eleições diretas”, para poderem operar livremente no
País. Participaram da Frente Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos
Lacerda. Leonel Brizola, el ratón, não aderiu ao onagro caboclo.
Operação Limpeza - Depois da Contrarrevolução de 31/03/1964,
o Congresso Nacional empossou, no dia 2 de abril, o Presidente da Câmara dos
Deputados, Ranieri Mazzilli, do PSD de São Paulo, como Presidente Interino do
Brasil, já que João Goulart havia fugido para o Uruguai. Três governadores
foram cassados: Miguel Arraes (Pernambuco), Seixas Dória (Sergipe) e Badger
Silveira (Rio de Janeiro). Enquanto Jango tentava, no Rio Grande do Sul, obter
asilo político no Uruguai, a Operação Limpeza incluía ainda expurgos de pessoas
ligadas à corrupção e à subversão.
Ainda sobre Jango:
Enquanto
Brasília se engasgava com a renúncia, Jango, o vice, estava no outro lado do
mundo, em plena China comunista, abraçando Mao Tsé-Tung como quem encontra um
primo distante na fila do bandejão universitário. Dizem até que trocaram
receitas: Mao contou do tal Grande Salto pra Frente — que, pelo que depois
soubemos, foi mais um tropeço que um salto — e Jango ficou pensativo, coçando o
queixo, talvez cogitando renunciar também, por pura mímica política.
Mas
aí, no caminho de volta, parando em Paris para dar um pulinho no Moulin Rouge
para apreciar as moças com os peitos de fora, porque ninguém é de ferro, Jango recebeu
um telefonema urgente, que foi interceptado pelo general Francisco Batista
Torres de Melo junto a uma central
telefônica no Rio, onde naquela época lindas moças ficavam o dia inteiro
enfiando e tirando pinos, como que tricotando um tapete de ferro. Era
Juscelino, com aquela voz de locutor de rádio de cidade do interior de Minas,
imitando gaúcho, implorando pela vinda de Jango.
— Eu
não, vou nada, vou nada. Aquele pessoal da FAB é um bando de doidos — alegava
Jango, com medo de ter o avião derrubado.
Aí o
Juscelino respondeu:
—
Rapaz, venha, tchê. O que interessa é o PSD, PTB, o resto que se lasque. Pois
toma um café forte sem açúcar na Champs-Élysées e volta, guri! O Brizola já tá
fazendo discurso na rádio como se fosse Presidente da República!
E
era verdade. Leonel Brizola, o cunhado inflamado de Jango, berrava nas rádios
como um pastor elétrico, exigindo respeito dos gorilas à Constituição e gritando
Campanha da Legalidade como quem anuncia promoção de sabão em pó.
A
solução veio num jeitinho brasileiro de gravata: para não deixar Jango com
muito poder, criaram o parlamentarismo. Em dezembro de 1961, o Congresso
Nacional aprovou a mudança, e Tancredo Neves, com aquele jeitinho mineiro come
quieto de quem sempre parece que não tá, mas tá, virou Primeiro-Ministro.
...
Jango,
que nunca foi comunista, mas sempre teve um pezinho nos sindicatos e outro no
inferninho, assumiu com gosto a presidência. Era filho de estancieiro rico de
São Borja, gostava de boate, teve até doença venérea na juventude, que o fez se
tornar manco — coisa que, segundo Tio Pedro, dava mais prestígio entre os
boêmios do que diploma universitário.
(Félix
Maier, in MEMORIAL DE LUZERNA, Thesaurus Editora, 2025, Brasília, DF,
pg. 283-285)
Tendência gaúcha para putas
e farras...
Márcio
Moreira Alves traça um perfil sucinto sobre Jango no livro O Despertar da Revolução Brasileira,
Seara Nova, Lisboa, 1974, pg. 50: “O
protesto que escrevi era uma crítica por dentro. De um modo geral era eu
simpático ao governo militar”. Para “Marcito”, foi um alívio ver a saída de
Jango: “Achava-o oportunista, instável,
politicamente desonesto... Aparecia bêbado em público, deixava-se manobrar por
cupinchas corruptos... e tinha uma grande tendência gaúcha para putas e
farras” (idem, pg. 51-52).
Abaixo, alguns verbetes de A
LÍNGUA DE PAU – Uma história da intolerância e da desinformação, de
Félix Maier, disponível em https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view.
Contrarrevolução
de 1964 - Após a anarquia promovida no Brasil pelo Governo João
Goulart (“Jango”), no dia 31/03/1964, sob a exigência dos jornais e a aclamação
da população brasileira, é desencadeada a “Revolução de 31 de Março”, apelidada
pelos opositores como “golpe militar”, mas que foi na verdade uma Contrarrevolução,
ou contragolpe, por suspender o processo revolucionário em andamento no País -
cfr. Edição Histórica da revista Manchete em https://www.conjur.com.br/dl/manchete-abr1964.pdf.
Em 19/08/1961, Jânio Quadros condecorou Che Guevara com a Grã-Cruz da Ordem
Nacional do Cruzeiro do Sul, que “foi a cerejinha do bolo atirado na cara
dos mais reacionários. Mesmo que essa condecoração fosse o resultado da
liberação, por parte do líder da Revolução Cubana, de sacerdotes católicos
condenados ao fuzilamento em Cuba, a medalha causou grande mal-estar e
confusão, consolidando a imagem de um político contraditório, oportunista e
ideologicamente ambíguo” (NAPOLITANO, 2014: 32). Antecedentes: Quando Jânio
Quadros renunciou à presidência, Jango
estava em viagem à China comunista, acompanhado de “líderes trabalhistas, convocados para observação e estudo das comunas
populares daquele país” (AUGUSTO, 2001: 70). Na China, Jango fez “um pronunciamento radical, em que
revelou sua intenção de estabelecer também no Brasil uma república popular,
acrescentando que, para tanto, seria necessário contar com as praças para
esmagar o quadro de oficiais reacionários” (idem, pg. 71) - prenúncio da
Revolta dos Marinheiros, no Rio de Janeiro, e da Revolta dos Sargentos, em
Brasília. Em janeiro de 1964, Luiz Carlos Prestes viajou a Moscou para prestar
contas dos últimos trabalhos do PCB, desenvolvidos à luz da estratégia traçada
por ele e Kruschev em novembro de 1961. Nesse encontro, participaram, além de
Kruschev, Mikhail Suslov (ideólogo de Kruschev), Leonid Brejnev (Secretário do
Comitê Central do Partido), Iuri Andropov e Boris Ponomariov (Chefe do
Departamento de Relações Internacionais). Naquela ocasião, Prestes afirmou: “A escalada pacífica dos comunistas no
Brasil para o poder abrindo a possibilidade de um novo caminho para a América
Latina. (...) oficiais nacionalistas e comunistas dispostos a garantir pela
força, se necessário, um governo nacionalista e antiimperialista. Implantaremos
um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que será a antessala do
socialismo. (...) ... uma vez a cavaleiro do aparelho do estado, converter
rapidamente, a exemplo de Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolução
nacional-democrática em socialista (idem, pg. 121-2). Segundo Luís Mir, em A
Revolução Impossível, “a exemplo de
Frente
Única - Idealizada pelo ex-ministro San Thiago Dantas,
desejava unir todas as esquerdas em uma “Frente Única” (1963), para dar suporte
consistente ao governo de João Goulart e suas “Reformas de Base”. Os partidos
comunistas e o exibicionismo de Brizola impediram a formação dessa Frente. A
“Frente Popular” de Jango, com o PCB e as organizações dominadas pelo
“Partidão”, foi o que sobrou da pretensa “Frente Única”. A expressão de pau
“Frente Única”, pelo menos, serviu de inspiração para a moda das décadas de
1960/70, sendo uma peça feminina bastante sexy
- ao mesmo tempo em que debutavam o chinelo-de-dedo, a calça jeans da marca Lee
e a camisa volta ao mundo banlon, que hoje talvez possa ser comprada na
Enjoei, época em que se ouviam no rádio o Repórter Esso e as piadas sem
graça de muito sucesso, de Vitório e Marieta - cfr. em https://www.youtube.com/watch?v=-3YUaArmlk8.
G-11 - “Os chamados Grupos dos Onze Companheiros - simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 - e também conhecidos como Comandos Nacionalistas, foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células - cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional - que poderiam ser mobilizados a seu comando” (Mariza Tavares, in “Grupo dos 11: O braço armado de Brizola” - cfr. https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/10/memoria-1964-o-dossie-do-braco-armado.html). G-11 também pode se referir a Grupo de Combate, de 11 militares, célula de um pelotão de Infantaria. “Chegou a organizar 5.304 grupos, num total de 58.344 pessoas, distribuídos, particularmente, pelos Estados do Rio Grande do Sul, Guanabara, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo” (ORVIL, pg. 136). A exemplo do que hoje faz o MST, o G-11 pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis. Os G-11 seriam o embrião do Exército Popular de Libertação (EPL). “Entre 19 e 25 de outubro de 1963, Brizola lançou, oficialmente vamos dizer assim, os seus ‘grupos dos onze’, organizações que, de acordo com a sua orientação, deveriam considerar-se em revolução permanente e ostensiva. (...) Era uma imitação chula das instruções da guarda vermelha bolchevique” (Gen Div Del Nero - HOE/1964, Tomo 5, pg. 100). Um documento do Grupo afirmava que os G-11 seriam a “vanguarda do movimento revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética”. (Prova a ignorância de Brizola, pois em 1917 havia apenas a Rússia, não a URSS.) Quando ocorreu a Contrarrevolução de 1964, havia centenas desses Grupos espalhados em todo o País e tinham como missão eliminar fisicamente todas as autoridades do Brasil que não apoiassem Brizola - civis, militares e eclesiásticas, como se pode ler nas “Instruções secretas” do EPL e seus G-11, no item 8, “A guarda e o julgamento de prisioneiros”: “Esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição” (AUGUSTO, 2001: 112). “Posso dizer que as ‘Ligas Camponesas’ e os ‘grupos dos onze’, na verdade, foram blefes. Eram usados pela imprensa, faziam estardalhaço, mas sentir a existência... a ação... Não houve nenhuma, absolutamente. Apenas no interior de Goiás foram apreendidos uns caixotes com armas que eram destinados ao ‘grupo dos onze’, mas o pessoal fugiu e nunca mais apareceu. Havia um oficial amigo do Jango, coronel Seixas, responsável pela repressão, e que, ao invés de mandar aquelas armas para o Exército, enviou para a Presidência da República. As armas tinham vindo de Cuba” (Coronel Renato Brilhante Ustra - HOE/1964, Tomo 5, pg. 256). Herbert de Souza, o “Betinho”, foi o coordenador geral dos G-11 e na época da Contrarrevolução de 1964 era assessor do ministro da Educação, Paulo de Tarso. Sobre os G-11, leia os documentos secretos em https://www.documentosrevelados.com.br/repressao/grupo-dos-onze-companheiros-movimento-liderado-por-brizola-para-barrar-o-golpe-e-avancar-com-as-reformas-parte-3/. Leia, de minha autoria, Brizola, o último dos maragatos, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/brizola-o-ultimo-dos-maragatos-por.html.
Operação
Brother Sam - É mentirosa a versão da participação direta dos norte-americanos
na Contrarrevolução brasileira de 1964. Os documentos da inexistente
"Operação Thomas Mann" foram forjados pela espionagem tcheca, que atuava
no Brasil em 1964, via KGB. Essa mentira foi montada por Ladislav Bittman, que
chefiava o serviço de desinformação da Tchecoslováquia. Em seu livro “The KGB And Soviet Disinformation”,
publicado em Washington, Bittman declara: "Queríamos
criar a impressão que os Estados Unidos estavam forçando a Organização dos
Estados Americanos (OEA) a tomar uma posição mais anticomunista, enquanto a CIA
planejava golpes contra os regimes do Chile, Uruguai, Brasil, México e Cuba
(...) A Operação foi projetada para criar no público latino-americano uma
prevenção contra a política linha dura americana, incitar demonstrações mais
intensas de sentimentos antiamericanos e rotular a CIA como notória
perpetradora de intrigas antidemocráticas". O livro “1964: O Papel dos
Estados Unidos no Golpe de Estado de 31 de Março” (Civilização Brasileira, Rio,
1977), da historiadora norte-americana Phyllis R. Parker, com tradução de
Carlos Nayfeld, diz textualmente, nas "Conclusões", à pg. 128: "Não há provas de que os Estados Unidos
instigaram, planejaram, dirigiram ou participaram da execução do golpe de 1964.
Cada uma dessas funções parece ter competido a Castelo Branco e seus
companheiros de farda. Ao mesmo tempo, há sugestivas evidências de que os
Estados Unidos aprovaram e apoiaram a deposição militar de Goulart quase que
desde o princípio. Os Estados Unidos reforçaram o seu apoio ao elaborar planos
militares preventivos que poderiam ter sido úteis para os conspiradores, se
houvesse surgido a necessidade". É óbvio que os EUA acompanhavam com
atenção o movimento militar e civil anti-Jango, e com certeza remeteriam
material bélico aos revoltosos, caso ocorresse uma guerra civil. “Ele sabia
que existia um movimento liderado por Castello Branco e outros generais, mas
não estava participando dos planos do golpe” (Lincoln Gordon, então
embaixador americano no Brasil, a respeito do então coronal Vernon Walters,
adido do Exército Americano no Brasil - in “O olho dos EUA no golpe de
64”, revista Veja no. 1848, pg. 49). “O governo americano mandou
preparar, no dia 1º. de abril, um avião carregado com armamentos para ser
enviado aos militares golpistas, caso ocorresse um conflito prolongado. O que,
como se sabe, não ocorreu, já que Jango preferiu não resistir e fugiu para o
exterior” (idem, pg. 48). “O militar americano [Vernon Walters]
era muito amigo do general Humberto Castello Branco, com quem dividiu uma
barraca de campanha na Itália, durante a II Guerra. Uma informação só revelada
na semana passada é que Arma, várias vezes citado na correspondência
diplomática como principal fonte da conspiração, era o codinome de Walters. Ele
estava bem a par dos preparativos para o golpe, conforme mostra trecho do
documento de 27 de março: ‘Na próxima semana, nós vamos ser informados da
estimativa (feita pelos militares golpistas) das armas necessárias, através do
contato entre Arma e o general Ulhoa Cintra, braço direito de Castello Branco’”
(idem, pg. 49). Leia, de minha autoria, “Operação
Brother Sam, uma operação fantasma”, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/operacao-brother-sam-uma-operacao.html.
Operação Mata Lacerda - “Aquela missão fora planejada no apartamento no. 15 do Anexo do Copacabana Palace, então apartamento do Presidente da República João Goulart. Contou com a presença do então Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, do Ministro da Justiça, Abelardo Jurema, do Comandante da tropa paraquedista, General Pinheiro, e do Coronel João Sarmento, do Gabinete Militar. Planejaram que a solução para antecipar a criação da república sindicalista comunista seria criar um caos no Estado da Guanabara, com a decretação do estado de sítio. E como criar um caos? Aí o general paraquedista disse: ‘Deixa comigo, isso é missão para paraquedista’ - tropa pretoriana. A ordem para prender e ‘atirar para matar’ Carlos Lacerda na manhã do dia 4 de outubro de 1963, quando de sua visita ao Hospital Miguel Couto, no Leblon, foi transmitida, naquele apartamento, ao General Alfredo Pinheiro, pelo Ministro da Justiça, Deputado Abelardo Jurema, que esclareceu ao General Pinheiro que o Ministro da Guerra, General Jair Dantas Ribeiro, estava a par de todo o plano e dera sua aprovação” (Gen Bda Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery - HOE/1964, Tomo 10, pg. 165). Detalhes sobre a Operação pode ser acessada em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/04/operacao-mata-lacerda-por-historia-oral.html. Durante a Cadeia da Legalidade, em defesa de Jango, para assumir a presidência em lugar de Jânio Quadros, que havia renunciado, Brizola repetia em seus discursos na Rádio Guaíba: “Sargentos do Exército, matem seus oficiais”.
UNE -
União Nacional dos Estudantes. Durante o 2º Congresso Nacional de Estudantes
(1938), foi feita a proposta de criação da União Nacional de Estudantes (UNE),
que teve sua 1ª Diretoria eleita em 1939. Inicialmente, a UNE era apolítica;
entre 1940 e 1943, mobilizou a opinião pública e o Governo para participar na
II Guerra Mundial contra o nazifascismo. Era tutelada pela ditadura Vargas e
funcionava em sala do Ministério da Educação. A partir de 1943, começa a
insurreição, com comunistas e democratas lutando contra a ditadura Getúlio
Vargas. A partir de 1959, aprofunda-se a marxização da UNE; nos anos 60, as
organizações que dividiam as massas operárias, além da UNE, eram a JUC, o PC
(que atuava através de seus diretórios estudantis), a Política Operária (POLOP)
e a Quarta Internacional. Eram todos de esquerda, com dosagens diversas de
ideologia marxista. O Partido de Representação Acadêmica (PRA), criado na
Faculdade de Direito da USP, era considerado de Direita. Também nos anos 60,
dá-se o encontro ideológico, reunindo a JUC, a Esquerda Católica e o
Esquerdismo marxista. A Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) desempenhou
papel importante na agitação estudantil e no processo de marxização da
Universidade. “Onde o professor é de
tempo parcial, como na maioria da América Latina, a tendência dos estudantes é
dar mais atenção a preocupações não acadêmicas, inclusive políticas”. (Seymor Martins Lipset, “University Students and
Politics in Underdeveloped Countries”, in
Minerva, Vol. III, nº 1, 1964, pg. 38-39). No dia 28/03/1964,
os Diretórios Acadêmicos das Faculdades Nacionais de Direito (CACO), da
Filosofia, da Universidade do Brasil, e o de Sociologia da PUC, lançaram
manifesto de apoio aos marinheiros e fuzileiros em greve na sede do Sindicato
dos Metalúrgicos. No dia 31 de março, exigiram de Jango armas para a
resistência contra o levante de Minas, mas tiveram que se contentar com “manifestações
antigolpistas” na Cinelândia. Com a depredação da sede da UNE, o seu
presidente, “apista” José Serra (Ministro da Saúde durante o Governo FHC),
empossado em 1963, pediu asilo à Embaixada do Chile. “Terminava, assim, o ciclo de agitação estudantil, que depois iria se
desdobrar em trágicas consequências, no terrorismo e na ilegalidade” (José
Arthur Rios, in “Raízes do Marxismo
Universitário” - cfr. em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/01/raizes-do-marxismo-universitario-por.html). Arthur
Rios é autor de famosa frase: "Pais
positivistas, filhos comunistas, netos terroristas". Na
“campanha nacional de alfabetização”, no Governo Goulart, a UNE recebeu 5.000
dólares de Moscou, por intermédio da UIE. “Essa
mesma UNE..., em 1968, provocou o atentado do Calabouço, aquela crise criada
pelo assassinato de um estudante, que nem era estudante, era um funcionário do
Calabouço” (Jornalista Themístocles de Castro e Silva - HOE/1964, Tomo 4, pg. 281). Com a ascensão do PT na Presidência da
República, a UNE se tornou importante falange do “fascismo alegre”, do qual
recebeu R$ 12,8 milhões no período de
El cóndor pasa, majestuoso vuela,
Sobre tierras latinoamericanas,
Simbolizando uma operação engenhosa,
Unindo na luta contra ações insanas.
Operação Condor, cooperação bilateral,
Entre nações em busca da segurança.
Combater comunistas, uma ação vital,
E afastar o perigo vermelho, a ameaça.
Fugindo da carniça que eles mesmos criaram,
Com mortes e dor, que o terrorismo causou,
Urubus tapam o nariz, hipócritas voam,
A união dos povos foi o que nos salvou.
Nas asas do condor a esperança se ergue,
Enfrentando os horrores do passado.
Um legado de força que perdura, segue,
Execrando o que não pode ser negociado.
Operação Condor, símbolo de cooperação,
Na busca da paz, justiça e liberdade.
Uma história de coragem e superação,
Que ecoa nos corações com dignidade.
Que nunca esqueçamos dos que tombaram,
Vítimas de um terror vil e sem razão.
E que a memória deles nunca se apague,
Honrando sua luta, em cada geração.
El cóndor pasa, voando alto e forte,
No céu latino-americano a pairar,
Unindo nações, um exemplo de sorte,
Que nunca deixemos sua chama apagar.
Ouça a bela canção El Cóndor Pasa, com Leo Rojas, em https://www.youtube.com/watch?v=8kQZHYbZkLs












