MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

A Chuva - Por Félix Maier

 


A Chuva


Félix Maier

       

Durante sete dias e sete noites, a chuva não parou. A água caía do céu como se o firmamento tivesse se rompido por completo. Não era uma chuva comum, dessas que acalmam ou revigoram a terra depois do calor. Era uma ira líquida, uma torrente interminável, como se o próprio Deus, ou alguma coisa muito antiga e ressentida, tivesse despejado sobre o Estado do Rio de Janeiro o conteúdo de mil oceanos.

No primeiro dia, o povo ainda filmava da janela, alegre da vida. Os apresentadores da televisão falavam em evento climático extremo, expressão limpa demais para o que estava começando.

No segundo dia, bairros inteiros ficaram sem luz. Havia vídeos engraçados nas redes sociais, crianças nadando nas ruas de Campo Grande, surfistas tentando deslizar pelas avenidas alagadas da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes. No terceiro dia, faltou sinal de telefone em quase toda a cidade do Rio. No quarto dia, os helicópteros da imprensa desapareceram dos céus cinzentos. No quinto dia, já não havia previsão do tempo, apenas rumores. Diziam que o mar invadira as galerias do metrô e os túneis do Rebouças, de Santa Bárbara, os de Copacabana, de Noel Rosa, da Grota Funda e o da TransOlímpica. Diziam que dezenas de cadáveres boiavam pela Avenida Brasil, na altura do Complexo da Maré. Diziam que em São Gonçalo um pastor pregava sobre o teto de um ônibus, cercado de fiéis que cantavam hinos dentro d’água até o pescoço.

No sexto dia, até os cães haviam parado de latir. E no sétimo, o Rio de Janeiro parecia uma cidade submersa havia séculos. Caixas d’água de PVC flutuavam carregando famílias inteiras nos subúrbios e na Baixada Fluminense. Geladeiras viradas de lado serviam de barco. Canoas improvisadas feitas de tábuas e boias infláveis cruzavam o que antes eram ruas.

Em alguns bairros, a enchente subira tantos metros que apenas os fios dos postes indicavam onde existira uma avenida ou uma praça. Ninguém mais sabia onde terminava Nova Iguaçu e começava Duque de Caxias. Tudo era um só lago marrom e fétido, coberto de lixo, móveis, cadáveres, brinquedos infantis e garrafas pet, muitas garrafas pet girando lentamente na correnteza.

Em Belford Roxo, uma mulher dera à luz sobre o telhado de uma escola inundada. Em São João de Meriti, um cavalo morto permanecia preso nos fios elétricos, balançando ao vento como um presságio medieval. Em Queimados, homens pescavam tilápias dentro de uma igreja tomada pela água barrenta.

Na serra, a tragédia assumira proporções bíblicas. As montanhas pareciam derreter. Em Petrópolis, Teresópolis, Serra das Araras e Angra dos Reis, encostas inteiras escorriam morro abaixo como manteiga quente. Rochas enormes rolavam esmagando pousadas, carros e casas. Algumas residências deslizavam inteiras pelas encostas, ainda iluminadas pela chama vacilante de velas, como pequenos presépios sendo arrastados para o inferno. A BR-040, que liga o Rio a Brasília, estava interditada em muitos pontos, com lama, pedras gigantescas e água brotando nas montanhas de Petrópolis, em Itaipava, até Juiz de Fora.

O Dedo de Deus, na Serra dos Órgãos, aparecia e desaparecia entre nuvens negras, gigantesco e silencioso, como um profeta cansado observando a ruína dos homens.

Os morros das comunidades cariocas também derretiam, com pedras rolando como se um Ciclope nervoso tivesse acordado de um sono de milênios e resolvesse aprontar das suas. Favelas como a Rocinha, o Morro dos Macacos, o Morro da Providência (com seu Elevador), o Morro de Santa Marta, os Morros do Pavão e do Pavãozinho (com seu Elevador), os Morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, o Complexo do Alemão e o Morro do Vidigal praticamente deixaram de existir, tudo vindo abaixo com lama, água, tijolo, madeira, fiações diversas e até os teleféricos. Não era fiação urbana que existia nas favelas do Rio, mas uma tese de doutorado sobre desordem aplicada: décadas de improviso entrelaçadas em cobre, plástico, malandragem e gatonet haviam formado uma civilização aérea tão precária que um único alicate poderia mergulhar metade da cidade nas trevas digitais e elétricas.

No Méier, a água invadia prédios com a impaciência de um cobrador atrasado, escalando escadas e elevadores como se tivesse endereço marcado em cada apartamento.

Na Tijuca, automóveis boiavam de lado, girando lentamente como peixes metálicos exaustos em um aquário enlameado.
O Centro transformara-se numa Atlântida improvisada, onde placas, bancas de jornal, mesas de bar e lixeiras navegavam sem rumo e sem capitão.

Em Copacabana e Ipanema, ondas barrentas atravessavam avenidas e calçadas, carregando consigo árvores arrancadas dos morros, geladeiras, motocicletas e o destino de milhares de desconhecidos. Os morros do Cantagalo e Pavão e Pavãozinho não existiam mais.

O Leblon perdeu suas esquinas sob uma massa escura que misturava água, pedras, galhos e toda espécie de detrito urbano. Com o oceano invadindo o continente, a Lagoa Rodrigo de Freitas transbordara e a lama subia por andares inteiros, entrando pelas janelas como uma visita monstruosa que não precisava tocar campainha. Sofás, televisores, portas, bicicletas e pedaços de telhado passavam flutuando diante de varandas atônitas.

Alguns observavam tudo em silêncio, incapazes de compreender se aquilo era uma enchente ou uma lenta dissolução da cidade.
Sirenes já não gritavam mais, helicópteros deixaram de riscar o céu pesado e as luzes haviam desaparecido bairro após bairro.

Era como se o Estado do Rio de Janeiro tivesse sido entregue, como castigo, a forças antigas e mal-humoradas da natureza. E no meio daquele cenário apocalíptico, a chuva continuava caindo com uma serenidade insultante. Era como se, depois de destruir tudo, o dilúvio ainda estivesse apenas começando.

Na capital, o caos tinha algo de grotesco. Na Barra da Tijuca, rapazes musculosos, cobertos de tatuagens e fantasiados de MCs de funk, com grossas pulseiras e correntes de ouro no pescoço, gritavam nas varandas em crise de abstinência. Os motoboys haviam desaparecido havia dias. Não chegava cocaína, não chegava maconha, não chegava fast food. Os fortões choravam abraçados a potes de whey protein molhados, enquanto belas influencers digitais com botox e olhos espichados faziam transmissões ao vivo cada vez mais desesperadas.

Uma dessas influencers permaneceu onze horas seguidas transmitindo da cobertura de um prédio alagado em Jacarepaguá, até a bateria sobressalente acabar. Seu último vídeo mostrava apenas a chuva batendo nos vidros e chegando a seus pés, e sua voz repetindo, já rouca:

— Gente… isso não pode estar acontecendo…

A internet morreu poucos minutos depois. Sem sinal, sem GPS, sem bancos, sem zap, sem Instagram, sem Pix, o Rio de Janeiro retornou à Idade da Pedra.

Foi nesse cenário que dois homens subiam os degraus escorregadios do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista. A água já invadira parte do terreno, e o velho prédio restaurado das cinzas de gigantesco incêndio surgia entre a tempestade como um navio fantasma.

Um deles era Francisco, católico de longas missas, terços gastos em muitas procissões e imagens de santos espalhadas pela casa, no Méier. Ex-professor de História, viúvo havia três anos, carregava no rosto uma tristeza mansa que a idade transformara em serenidade.

O outro chamava-se Calvino. Ex-policial militar, solteiro, morador do Grajaú, convertido fervoroso da Assembleia de Deus, presbítero do Pastor Jonas, tinha voz de trovão e uma Bíblia cheia de marcações fluorescentes. Falava das Escrituras como quem segura uma espada. Seu sonho era ter sua própria igreja, em Quintino, ao lado da via férrea da Central do Brasil, para facilitar a chegada de fiéis.

Eles tinham se conhecido dois dias antes, num bote improvisado que recolhia sobreviventes na Tijuca e no Maracanã. Desde então caminhavam juntos, embora discordassem sobre quase tudo. Calvino olhou o céu escuro e murmurou:

— Irmão Francisco… isto aqui é o Juízo Final. Está escrito. Nos últimos dias os céus se abrirão em pranto e a terra tremerá.

Francisco apoiou-se num corrimão coberto de ferrugem antes de responder:

— Pode ser, Calvino… mas por que Deus mandaria tamanha dor ao povo fluminense? Os nordestinos ao menos rezam por chuva. Nós não pedimos nada disso.

— Porque o povo se afastou de Deus! — respondeu Calvino, exaltado. — Idolatria, carnaval, adultério, drogas do Comando Vermelho, venda ilegal de terrenos e apartamentos feita pelas milícias, pedágios pagos pelos comerciantes para criminosos, micro-ondas para facções inimigas (queima de pessoas vivas em pilha de pneus com gasolina), novelas e BBB da TV Globo, Robauto de Acari, jogo do bicho, roubo de cargas na Avenida Brasil, corrupção de governadores, rachadinhas de deputados, vícios inconfessáveis! Nem Sodoma ousou tanto!

Francisco suspirou:

— Sempre sobra para o samba...

— O Senhor já destruiu cidades por menos!

— E as crianças? — retrucou Francisco. — E os velhinhos do asilo de Magé? E a creche de Belford Roxo? Que pecado cometeram?

Calvino abriu a boca, mas hesitou antes de responder. Pela primeira vez desde que se conheceram, sua certeza pareceu vacilar.

— O Senhor faz cair chuva sobre justos e injustos.

Francisco ficou em silêncio por alguns segundos. Depois murmurou:

— Então talvez isso não seja castigo. Talvez seja abandono.

A palavra ecoou no ar pesado por alguns segundos. Abandono.

E nada foi falado sobre os governadores presos por pouco tempo, apesar de condenações que somavam vários séculos, a exemplo de Sérgio Cabral; e tantos outros: Moreira Franco, Anthony e Rosinha Garotinho, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel, Cláudio Castro. E as rachadinhas na ALERJ, com R$ 49 milhões desviados pelo seu presidente André Ceciliano – para variar, um petista -, e até Flávio Bolsonaro, com R$ 1,3 milhão na conta, e ninguém foi processado. Condenado a 425 anos e 20 dias de prisão, Cabral cumpriu apenas 6 anos e 22 dias em regime fechado.

Nos últimos tempos, Sérgio Cabral matava a saudade de seus 50 mil seguidores, postando um vídeo sobre filmes de sua preferência, como se fosse o crítico Pablo Villaça, no terraço de um prédio com piscina, tendo o Pão de Açúcar ao fundo. Será que Cabral também foi levado pelas águas, ou apenas perdido seus óculos escuros?

Naquele instante, a terra inteira tremeu. Os degraus do Museu Nacional rangeram violentamente. O chão vibrou como um tambor colossal, e um ruído monstruoso atravessou o Estado do Rio de Janeiro. Na Serra dos Órgãos, o Dedo de Deus desabou. A formação rochosa de gnaisse moldada por milhões de anos de erosão, contendo fraturas expostas, tombou da montanha com um estrondo tão terrível que as nuvens se abriram por um instante, revelando um clarão pálido de sol. Pessoas em Niterói jurariam, tempos depois, ter visto a montanha cair em câmera lenta.

Então a escuridão voltou. E junto dela veio um som estranho. Não parecia trovão. Parecia um rugido.

— O que foi isso?! — gritou Francisco, agarrando-se ao corrimão.

Calvino girou a cabeça, assustado.

— Leão?… Ou o Diabo em carne viva?

Então ouviram vidro quebrando dentro do Museu. Passos pesados. Respiração animal. Um leão do BioParque do Rio, antigo Zoológico da Quinta da Boa Vista, libertado pela enchente, vagava pelos corredores do prédio histórico que havia sido morada de um rei e de dois imperadores. Essa construção fora doada a Dom João VI pelo comerciante de escravos negros luso-libanês Elias Antônio Lopes, ganhando o título de Comendador da Ordem de Cristo. Molhado, faminto e magnífico, o leão caminhava entre fósseis indígenas e o meteorito de Bendegó como um rei antigo visitando ruínas. Ainda bem que não era algum fugitivo do Galpão da Boa Vista, presídio de São Cristóvão encostado no fundo da Quinta.

Os dois amigos voaram corredor adentro até encontrarem uma antiga sala de arqueologia egípcia. Francisco puxou a tampa semiaberta de uma tumba de alabastro, e os dois se esconderam lá dentro, espremidos ao lado de uma múmia ressequida que havia sido salva do incêndio.

O rugido do leão ecoou tão perto que pareceu vibrar dentro dos ossos deles. Por alguns instantes, ficaram imóveis, ouvindo apenas a chuva martelando o teto e o som das patas do leão sobre o mármore.

Foi então que Francisco começou a rir. Primeiro, baixo. Depois, mais forte. Calvino arregalou os olhos.

— Ficou louco?!

Francisco tentava conter o riso nervoso.

— Eu só estava pensando… o Egito enfrentou pragas, abriu o Mar Vermelho… e eu vou morrer abraçado a uma múmia dentro do Museu Nacional…

Calvino tentou permanecer sério, mas acabou rindo também. E durante alguns segundos, escondidos dentro do sarcófago enquanto o mundo desmoronava lá fora, os dois homens riram como crianças. Talvez porque o medo extremo enlouqueça as pessoas. Ou talvez porque Deus ainda permita pequenos acessos de humor antes do capítulo final do Apocalipse.

Quando finalmente saíram da tumba, o silêncio parecia ainda mais assustador. A água já invadira o térreo do Museu, e peixes nadavam pelos corredores históricos.

Do lado de fora, milicianos e traficantes de drogas, a exemplo do Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigos dos Amigos (ADA), haviam perdido qualquer distinção. Saqueavam bancos, mercados, farmácias e depósitos de água. Homens armados disputavam sacos de arroz como animais famintos. A polícia desaparecera. Os prefeitos do Rio e da Baixada Fluminense também. Assim, os bandidos que já tomavam conta de mais da metade do município do Rio de Janeiro agora eram donos de tudo, inclusive da Baixada.

Mas havia bondade em meio ao caos. Uma senhora dividia bolachas encharcadas com desconhecidos. Um médico fazia curativos à luz de velas. Um rapaz tatuado, provavelmente ladrão horas antes, carregava uma criança nos ombros através da enchente. O fim do mundo misturava o melhor e o pior da humanidade numa mesma lama.

— Escute aqui, Calvino — cochichou Francisco, olhando para os lados, ao saírem do Museu, — dizem que havia um túnel secreto saindo do Palácio da Quinta da Boa Vista.

— Túnel para quê? Fugir de revolução? Esconder ouro? — perguntou Calvino, arregalando os olhos.

— Que nada. Juram que era para levar D. Pedro I discretamente aos braços de Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, no Paço de São Cristóvão.

Calvino coçou a cabeça, franziu a testa e soltou uma risada.

— Veja só a engenharia imperial: enquanto o povo abria estradas com enxada e picareta, Sua Majestade queria encurtar distâncias sentimentais...

— Claro! — disse Francisco. — Independência do Brasil em cima, independência do coração embaixo.

Calvino balançou a cabeça:

— O Imperador foi uma criatura curiosa... proclama Independência ou Morte! no riacho do Ipiranga e depois atravessa túnel escondido para declarar Dependência e Amor! em particular.

Sob as pedras e a solenidade das construções coloniais, o Rio antigo parecia guardar uma segunda cidade, feita não de ruas e sobrados, mas de sombras, segredos e passos abafados. No Centro, há vários exemplos de túneis, hoje desativados, que já foram rota para encontros furtivos. No Convento das Freiras Franciscanas Nossa Senhora da Ajuda, que funcionava onde hoje fica o Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara dos Vereadores, existia um labirinto subterrâneo. Contam as más línguas que as próprias religiosas cavaram os túneis. O motivo faria corar a madre superiora: elas buscavam, segundo o historiador Milton Teixeira, uma rota segura para encontros amorosos e para escapar dos rigores do claustro. Enquanto acima ecoavam orações e formalidades, abaixo corria uma geografia silenciosa de suspiros, mistérios e urgências humanas. O subsolo carioca parecia provar que até a pedra sabe guardar calor.

Uma coisa é certa: o Rio de Janeiro nasceu com vocação para túneis: uns atravessam montanhas para ligar a Zona Norte às praias;
outros atravessam prudências para ligar corações a encontros seguros e furtivos.

Cachoeiras d’água haviam se formado em todas as montanhas cariocas e fluminenses, deslizando sobre pedras nuas como se fossem imensos toboáguas. Depois de prosear sobre as fugidas noturnas de Dom Pedro I, Francisco e Calvino chegaram à sacada do Museu Nacional. Foi então que ouviram um estampido distante vindo da direção da Floresta da Tijuca. Os dois olharam para o Corcovado. E viram. O Cristo Redentor começava a se inclinar lentamente. Primeiro, quase imperceptível. Depois mais. E mais. Então a montanha cedeu. A estátua veio abaixo junto com pedras, árvores e lama, desaparecendo numa avalanche monstruosa. Um grito coletivo pareceu atravessar toda a cidade.  

Francisco caiu de joelhos. Calvino perdeu a fala. A visão do Cristo destruído parecia impossível, como se a própria alma do Rio tivesse sido arrancada do alto do Corcovado.

E então aconteceu algo ainda mais estranho. A chuva cessou. Não aos poucos, como costuma acontecer. Parou de repente. Como se alguém tivesse fechado uma gigantesca torneira invisível. O silêncio que veio em seguida era insuportável. Nenhum vento. Nenhuma gota d’água. Nenhum pássaro.

As águas ficaram imóveis. O mundo parecia ter prendido a respiração. Então o céu se abriu. E o sol apareceu.

Não era o sol agressivo e abafado do Rio 40 graus do filme e da realidade carioca. Era um sol suave, quase triste, como a luz de uma manhã antiga de domingo. Seu brilho dourado refletiu sobre os escombros, sobre os postes tombados, sobre os telhados que ainda flutuavam.

Foi então que algo começou a emergir lentamente das águas. Cadáveres. Centenas deles. Milhares deles. Homens, mulheres, crianças. Corpos subindo à superfície em silêncio, girando devagar como lembranças que o mundo tentara esconder.

Francisco começou a rezar em voz baixa. Calvino tremia. Mas o mais assustador ainda estava por vir. Todos os corpos pareciam voltados para a mesma direção. O mar.

Um som grave surgiu ao longe, como um coral vindo das profundezas. A Baía de Guanabara começou a recuar lentamente. Peixes debatiam-se na lama. Navios inclinavam perigosamente no Cais do Porto, onde alguns contêineres ainda flutuavam antes de afundar. O Museu do Amanhã surgiu das profundezas, como uma enorme adaga futurista cravada na Baía da Guanabara. O oceano inteiro parecia estar sendo puxado para trás. A ponte Rio-Niterói havia sobrevivido.

— Meu Deus… — murmurou Francisco.

Então eles viram. No horizonte, algo gigantesco começava a erguer-se das águas. Não era um navio. Nem uma ilha. Era escuro demais. Grande demais. E estava vivo.

Uma espinha colossal rompeu a superfície. Depois vieram olhos enormes, do tamanho de uma bola de basquete. Calvino caiu de joelhos.

— Leviatã…

A criatura permaneceu parcialmente emergida, imóvel, observando o mundo devastado. Parecia antiga demais para pertencer à Terra. Parecia existir desde antes dos homens aprenderem a rezar.

Então, vindo de uma casa semi-submersa, ouviu-se uma música. Uma velha vitrola começara inexplicavelmente a funcionar. Uma canção de Clara Nunes ecoou sobre as águas silenciosas. A monstruosa criatura moveu lentamente a cabeça. E desapareceu no oceano. Sem ondas. Sem violência. Como um animal obediente retornando às profundezas.

Francisco chorava sem perceber. Calvino olhava para o horizonte com a fé destruída e reconstruída ao mesmo tempo.

Foi então que uma menina surgiu entre eles. Magra, descalça, enrolada num cobertor rasgado. Carregava nos braços um pequeno gato branco tremendo de frio. Mas havia algo estranho nela.

A menina estava completamente seca. Nem uma gota de água tocava sua pele. Ela olhou para os dois homens e perguntou com simplicidade:

— Vocês são padres?

— Não exatamente — respondeu Francisco.

— Mas falam com Deus?

Calvino engoliu em seco.

— Tentamos.

A menina ergueu os olhos para o céu limpo. Depois olhou para os cadáveres. Depois para o mar. E murmurou:

— Diz pra Ele que pode parar agora. Já lavou tudo.

Então ela começou a caminhar. Francisco percebeu algo impossível: onde seus pés descalços tocavam a lama, pequenas flores amarelas começavam a brotar.

— Espera! — gritou ele.

A menina virou-se lentamente. E os dois viram seus olhos. Não havia pupilas. Apenas luz. Uma luz dourada, calma e antiga como o próprio tempo. Calvino começou a chorar convulsivamente.

— Quem… quem é você? É um anjo?

A menina sorriu com doçura.

— Já me chamaram de muitas coisas.

Então ela desapareceu. Não correu. Não se afastou. Simplesmente deixou de existir sob a luz dourada do sol, como se tivesse evaporado.

O gatinho permaneceu ali, miando baixinho. Os dois homens ficaram imóveis. Até que, ao longe, no alto de uma torre de igreja milagrosamente intacta, um galo cantou. Três vezes. Como se estivesse se lembrando do Apóstolo Pedro.

Francisco segurou o terço. Calvino fechou os olhos. E ambos compreenderam algo terrível e belo ao mesmo tempo: o mundo não terminara. O verdadeiro julgamento começava agora. Porque sobreviver seria mais difícil do que morrer.

Ao longe, pessoas começavam lentamente a sair dos telhados. Algumas choravam seus mortos. Outras apenas olhavam para o céu, incapazes de compreender por que ainda estavam vivas.

O sol subia devagar sobre o Rio de Janeiro devastado. E pela primeira vez em muitos anos, a cidade parecia nua. Sem carnaval. Sem bate-bola. Sem trânsito. Sem música. Sem máscaras. Sem praias. Apenas seres humanos atônitos e tontos, perambulando sem destino no lamaçal.

E, enquanto a luz da manhã revelava as cicatrizes abertas da cidade, cada um parecia procurar não apenas a casa perdida de sua família ou o rosto desaparecido de um vizinho, mas também algum vestígio da vida que existira uma semana atrás. O Rio continuava ali, entre morros, túneis e mar, mas sua alma parecia suspensa no ar pesado daquele amanhecer escabroso. Restavam o silêncio, a memória e a estranha certeza de que, depois de certas tragédias, o amanhã já não chega da mesma forma que antes. E só então se descobriu que a alma da cidade nunca havia morado nos cartões-postais, mas nos sobreviventes que continuavam caminhando rumo ao nada.

Francisco olhou o horizonte enlameado e perguntou baixinho:

— E agora?

Calvino demorou alguns segundos antes de responder. Quando falou, sua voz já não tinha raiva, nem fanatismo, nem trovão. Tinha apenas cansaço. E humildade.

— Agora… a gente aprende de novo a ser gente.


quarta-feira, 10 de junho de 2026

O TEMPO ATRAVÉS DOS TEMPOS - Por Félix Maier

 


O TEMPO ATRAVÉS DOS TEMPOS

Félix Maier

Imperialismo: tempo é expansão

Nacionalismo: tempo é Pátria acima de todos e Deus acima de tudo

Capitalismo: tempo é dinheiro

Anarquismo: tempo é The Conquest of Bread (A Conquista do Pão)

Socialismo: tempo é distribuir o roubo e ficar com a melhor parte

Comunismo: tempo é fazer piquenique no Gulag siberiano

Fascismo: tempo é Nada fora do Estado, Nada contra o Estado

Nazismo: tempo é trabalho forçado respirando gás Zyklon B

Islamismo: tempo é tomar Jerusalém, depois perder e de novo tomar

Fidelismo: tempo é enfrentar o paredón com brilho nos olhos

Guevarismo: tempo é campo de reeducação de gays, para se tornar machos

Esquerdismo: tempo é mojito con jinetera en una bodeguita de La Habana

Petismo: tempo é jornada 2 x 5

Tecnicismo: tempo é KPI de faturamento

Progressismo: tempo é a sequência de Comunismo para Socialismo

Liberalismo: tempo é liberdade para falar, rezar, produzir, vender e comprar

Militarismo: tempo é farda, marcha e disciplina

Humanismo: tempo é a busca nunca atingida da dignidade humana

Existencialismo: tempo é o divã em busca do sentido da vida

Materialismo: tempo é matéria em busca do pó

Gerencialismo: tempo é PowerPoint

Academicismo: tempo é nota de rodapé

Juridiquismo: tempo é chicana para procrastinação de processos

Economicismo: tempo é PIB

Estatismo: tempo é decreto

Globalismo: tempo é fuso horário

Populismo: tempo é eleição para quem promete picanha, luz para todos, gás do povo, pé de meia,...

Determinismo: tempo é destino

Relativismo: tempo é ponto de vista

Ceticismo: tempo é dúvida e certeza é suspeita

Positivismo: tempo é ordem e progresso

Futurismo: tempo é amanhã

Saudosismo: tempo é "no meu tempo..."

Nostalgismo: tempo é disco de vinil

Romantismo: tempo é beijo, igual ferro elétrico, liga em cima e esquenta embaixo

Algoritmismo: tempo é engajamento; o importante não é ser lido, mas ser compartilhado

Influencerismo: tempo é like e hate em busca de memes 

Fitnessismo: tempo é proteína, frango com batata-doce e whey

Turismismo: tempo é viajar com milhas

Minimalismo: tempo é desapego

Colecionismo: tempo é acumulação de tralhas e poeira

Positivismo: tempo é ordem e progresso

Consumismo: tempo é promoção de iPhone e streaming

Burocratismo: tempo é formulário

Pessimismo: tempo é prazo

Otimismo: tempo é bônus

Cinismo: tempo é aquilo que se invoca quando falta caráter

Procrastinismo: tempo é amanhã; melhor, mês que vem; melhor ainda, ano que vem

Conservadorismo: tempo é tradição, família e propriedade

Ambientalismo: tempo é a sustentabilidade da tartaruga e a matança de nascituro (aborto)

Internetismo: tempo é masturbar a estrovenga eletrônica chamada celular

Celularismo: tempo é bateria, Wi-Fi, selfies e likes

ChatGPTismo: tempo é promp e cada resposta gera três novas perguntas

Ainda...

Catolicismo: tempus fugit (o tempo foge)

Protestantismo: templo é dinheiro...



quarta-feira, 27 de maio de 2026

O PT não róba nem deixa robá - Por Félix Maier

O cubano-brasileiro Zé do Caroço, vulgo José Dirceu.
 

O PT não róba nem deixa robá


Félix Maier

No palanque o coro entoa, com firme devoção:
“Não róba nem deixa robá!”, ecoa na multidão.
E Zé do Caroço proclama, em grave inspiração:
— Se a carteira sumiu, foi falha da percepção.

Nos Correios houve fumaça, cochichos pelo salão,
Papéis voando ligeiro, cafezinho e confusão.
Juravam todos, serenos, com santa convicção:
— Foi só erro administrativo... sem segunda intenção.

Veio o Mensalão marchando, com fala mansa e gentil,
Depois o Petrolão surgiu, grandioso e febril.
Cada um dizia ao povo, num discurso varonil:
— Aqui a ética floresce feito jardim no Brasil.

Chegou o tal Idosão, no INSS da ocasião,
Misturado às lendas novas de suspeita e discussão.
E o povo olhando a cena, coçando o queixo e a mão:
— Tem novela ou próxima temporada em produção?

No Masterzão de Vorcaro, Don Juan de Trancoso entrou,
De terno, sorriso largo, e o salão inteiro encantou.
Enquanto a banda tocava, Zé do Caroço comentou:
— O PT não róba nem deixa robá... o cofre se aposentou.


segunda-feira, 11 de maio de 2026

A Conspiração Condor - Por Félix Maier

 


A Conspiração Condor

Por Félix Maier

10/05/2026

A Conspiração Condor é um filme safado, que tenta ligar as mortes de Juscelino Kubitschek e João Goulart, o Jango, como assassinatos promovidos pela ditabranda militar. O primeiro teria sido morto por atentado contra sua vida na Via Dutra, em 22 de agosto de 1976. O segundo teria sido envenenado e morto, em 6 de dezenbro de 1976, na Argentina.

A famigerada Comissão Nacional sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, famosa por doar indenizações milionárias a terroristas e familiares da extrema esquerda, também está requentando essas fake news levantadas pela Comissão Nacional da Verdadehttps://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/05/08/relatorio-de-comissao-diz-que-jk-foi-morto-pela-ditadura-militar-e-nao-vitima-de-acidente.ghtml.

JK morreu em acidente automobilístico na Via Dutra, quando saiu de São Paulo para se encontrar com a amante no Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no Km 165, no trecho de Resende, RJ. Chovia torrencialmente e suspeita-se que um ônibus da Viação Cometa tenha abalroado o carro de JK.

Afirmar que alguém planejou um atentado para que o Opala de JK colidisse na pista do outro lado da Dutra, de frente com um caminhão Scania, exatamente naquele lugar, exatamente naquela hora, é viajar na maionese. Nem Mc Gyver conseguiria fazer essa mágica.

Fim do caso.

Mas não fim da farsa da extrema esquerda, assassina por natureza.

Jango morreu por problemas cardiacos, segundo exames da causa mortis.

Em 2013, durante a malfadada Comissão Nacional da Verdade, no governo da antiga terrorista da VAR-Palmares, Dima Rousseff, foi feita a exumação dos restos mortais de Jango, que havia sido enterrado em São Borja, RS.

Houve a ajuda de "médicos" cubanos, aqueles mesmos a quem no Programa Mais Médicos foram dispensados, para não realizar o Revalida, uma exigência legal para médico estrangeiro trabalhar no Brasil. Esse Programa serviu para drenar de 3,5 a 4,5 bilhões de reais para a genocida ditadura de Fidel Castro. Não se sabe quanto desse total voltou para os cofres do PT.

Nenhum sinal de veneno foi encontrado no corpo de Jango.

Fim do caso.

Mas não fim da farsa da extrema esquerda, assassina por natureza.


Operação Condor

Operação Condor - Operação conjunta de governos de países sul-americanos para fazer face aos movimentos terroristas-marxistas do final da década de 1960 e início da década de 1970, desencadeados a partir da Revolução Cultural (China) e da OLAS (Cuba). Há um documentário, “Condor”, de Roberto Mader, e livros que tratam do assunto, como “Operação Condor - terrorismo en el Cone Sur”, do jornalista Nilson Cezar Mariano, e Social Justice”, publicado em 1999, da pesquisadora Patrice McSherry, professora de Ciências Políticas da Universidade de Long Island, EUA, em que há um artigo sobre a Operação Condor. “Foi comprovada, em 1992, através de documentos da polícia secreta do Paraguai, a existência de uma ação de Estado implantada em todo o cone Sul. Na verdade, a Operação Condor foi um acordo costurado por todos os países da região com o intento de facilitar a cooperação regional na repressão aos opositores dos regimes militares que então governavam o Brasil, a Argentina, o Chile e a Bolívia. Teoricamente esses opositores dos regimes militares faziam parte de grupos guerrilheiros com ideologia socialista nos moldes da filosofia radical maoísta e stalinista. Eram apoiados por Cuba de Fidel Castro e indiretamente pelos governos socialistas da antiga União Soviética e da República Popular da China, que desejavam expandir o modelo socialista para todos os países da América Latina. Além do apoio tático e estratégico fornecido pelo governo de Cuba, esses grupos buscavam os recursos financeiros através de ações criminosas, como roubos a bancos e sequestros” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Condor - acesso em 24/05/2012). Essa Operação não foi um acordo multilateral terrorista de governos latino-americanos, como propaga a esquerda, mas, sim, um acordo legítimo de defesa conjunta de países contra movimentos terroristas, patrocinados por países totalitários comunistas (URSS, China, Cuba), que queriam implantar, não a democracia, porém a ditadura do proletariado em todo o continente. A Operação Condor foi tão legítima como hoje é a Interpol e os acordos bilaterais de segurança entre países, para enfrentar em conjunto o terrorismo e o crime transnacional. “Se a orientação e o apoio dessas operações vinham de fora - vinham da Rússia e da China, via Cuba ou Uruguai - enfim, eram um movimento internacional integrado, o que há de estranho no fato de o Cone Sul se reunir para colocar um ‘basta’ a isso, com troca de informações, já que todos eram atingidos?” (Gen Ex Leônidas Pires Gonçalves - HOE/1964, Tomo 1, pg. 92). No Brasil, se as Forças de Segurança não tivessem desbaratado a Guerrilha do Araguaia, ainda hoje poderíamos estar vivendo uma guerra civil, a exemplo da Colômbia. Nesse caso, o Governo Federal poderia estar hoje negociando, p. ex., com José “Tirofijo” Genoino, a entrega de uma extensa região do Araguaia aos guerrilheiros das “FARB”, para “conversações de paz”, como ocorreu na Colômbia das FARC durante o Governo de Andrés Pastrana. O Sendero Luminoso e o Tupac Amaru (Peru), atualmente sob certo controle, e as FARC e ELN (Colômbia) são os “filhotes” mais duradouros da OLAS de Fidel Castro, que prometeu “criar um Vietnã” em cada país sul-americano. Cínicos, esses esquerdistas! Falam mal da Operação Condor, logo eles, que ontem se uniram ao PC cubano e à KGB, criaram a OLAS e dezenas de grupos terroristas para infernizar a América Latina, e hoje estão à frente de movimentos que ainda sonham em implantar o comunismo na região, como a ALBA, o Foro de São Paulo e o Fórum Social Mundial. El cóndor pása... toca a flauta indígena do Peru. E os urubus socialistas apertam o nariz, denunciando o mau cheiro que eles mesmos provocaram - cfr. meu texto sobre o assunto em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/operacao-condor-el-condor-pasa-e-os.html. Após o Seminário Internacional sobre a Operação Condor promovido pela Câmara dos Deputados em 2012, que foi coordenado pela deputada Luíza “La Pasionaria” Erundina, as viúvas castristas prometeram recriar o Tribunal Russell para a América Latina.

(A LÍNGUA DE PAU – Uma história da intolerância e da desinformação, de Félix Maier, disponível em https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view). 

 

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Hugo Studart, jornalista, historiador e mestre cachaceiro -www.casastudart.com.brno Facebook:

10/05/2026

Voltou ao noticiário essa besteira imensa de que JK teria sido assassinado pela ditadura militar. Teoria conspiratória vulgar descolada de qualquer senso lógico ou fatico.

Ora, ora, a ditadura matou mais de 300, contudo, Juscelino não estava entre eles. Morreu de acidente de carro. Nem João Goulart que morreu de enfarto. Aos fatos:

1) Em 1976, quando ambos morreram, o país estava na chamada Abertura. Lenta, gradual e segura, segundo a definição de seu artifice, Ernesto Geisel. Mas já não era mais uma autocracia explícita, uma ditadura. Era uma fase histórica de distensão politica, sem repressão violenta.

2) Desde as mortes do jornalista Wladmir Herzog, em outubro de 1975, e do operário Manoel Fiel Filho, em janeiro de 1976, ambos mortos sob cruel tortura, as forças de repressão estavam acuadas pelo próprio regime militar. Ja não prendiam nem matavam ninguém (isso só voltaria em 1981).

3) Desde 1967 ou 1968, Juscelino convivia tranquilamente com os militares no poder. Morava entre o Rio e Brasília. Estava com os direitos políticos cassados. Passava os dias entre os amigos e as noites na boemia escancarada, sem ser importunado. Havia um acordo informal com o regime: JK não se envolveria com política e os militares nao se envolveriam com JK. E assim transcorreu até sua morte.

4) Jango, por sua vez, nesse período estava exilado em uma de suas fazendas no Uruguai. Bebia e comia muito. Estava deprimido.

5) Em 22 de agosto de 1976, Juscelino estava em São Paulo em viagem de negócios. Ao final da tarde, decidiu viajar para o Rio de Janeiro, de automóvel. O tempo fechado anunciava uma forte tempestade. Seu amigos tentaram demovê-lo. O fiel motorista Geraldo Ribeiro também argumentou. Mas Juscelino aloprou. Queria porque queria dormir no Rio de Janeiro com sua amante Maria Lucia Pedroso, paixão desde 1958. Então tomaram a Via Dutra.

6) Na altura de Resende, Estado do Rio, debaixo de uma chuva torrencial e sem visibilidade, um ônibus comercial cheio de passageiros abalroou o Opala de JK. O motorista Geraldo perdeu o controle, atravessou a pista e bateu de frente em um caminhão que vinha no sentido Rio-SP

7) A perícia foi realizada pelo próprio Diretor do IML do Rio, Dr. Castelo Branco, que constatou mortes por acidente.

Na década de 1990, o jornalista Carlos Heitor Cony precisava escrever sua crônica semanal para a revista Manchete mas estava sem assunto concreto. Então escreveu sobre a coincidência das mortes de Jango e de JK, em datas próximas, e especulou que poderiam nao ter sido acidente e infarto. Não apresentou qualquer indicio que sustentasse sua teoria da conspiração, nas tão-somente a liberdade criativa.

9) Mais duas décadas se passaram e o governo Dilma instalou a Comissão Nacional da Verdade. Foi quando a crônica criativa de Cony ganha força de versão oficial. Sabe-se la como, encontraram indícios de que algum carro surgiu da penumbra e um agente secreto deu um tiro na cabeça do motorista Geraldo. E foi assim que JK passou a ser mais um assassinado da ditadura, sem qualquer prova ou indicio a sustentar a hipótese.

10) Ora, se os militares quisessem matar JK, teriam feito o serviço quando o AI-5 estava em vigor. Um assalto, uma injeção letal que simulasse infarto, qualquer método dentre os muitos que usavam para se livrar dos adversários.

11) Mas os assassinos esperaram pacientemente pelo dia no qual Juscelino, em viagem, teria um surto de saudades da eterna amante e decidiria viajar sob tempestade bíblica. Eita espionagem bem feita. Então os espiões seguiram o carro de JK por 250 quilômetros. Combinaram o jogo com o motorista do ônibus da Viação Cometa que, de alguma forma misteriosa, adivinhou o momento perfeito que deveria bater no carro de JK. Decerto o motorista do onibus também sabia que Geraldo atravessaria a pista quando um caminhão viria em sentido contrário.

Em conclusão:

Ou os agentes da ditadura eram absolutamente eficientes, geniais no planejamento e na execução de suas conspirações assassinas;

Ou a turma desse novo Febeapa, Festival de Besteira que Assola o País, nos considera absolutamente desmiolados.

É o que sei; é o que penso.

Em tempo: Escrevo com a autoridade de quem ja investigou e publicou dezenas de mortes da ditadura, algumas com crueldade extrema, como a de Maria Lucia Petit, enterrada viva por jagunços a serviço do Exército, ainda tão jovem que era virgem, ou a de Manoel Fiel Filho, operário padrão sem qualquer envolvimento com a poltica, torturado até "estourar".

Hugo Studart

 

Comentário de Welerson Henrique Carmo

Paulo Octavio, Casado com a neta de JK, contratou OS MAIORES CRIMINALISTAS do País para refazerem o Caminho que o Opala percorreu, até a hora do acidente.

Entre esse Peritos criminais, estava meu grande Amigo João BOSCO de Oliveira, perito da Polícia Civil do DF e ex Diretor do IC (Instituto de Criminalística do DF).

Está em livro: “NÃO HOUVE ASSASSINATO, MAS SIM, UM ACIDENTE!!!”

 

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Ainda sobre JK:

Abaixo, alguns verbetes de A LÍNGUA DE PAU – Uma história da intolerância e da desinformação, de Félix Maier, disponível em https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view. 

Revolta de Aragarças - Motim de oficiais da Aeronáutica contra o governo JK. Um dos integrantes foi o aviador Leuzinger Marques Lima, que pretendia, junto com os revoltosos, jogar bombas sobre os palácios da Guanabara e do Catete depois de sequestrar um avião da Panair. Leuzinger, o “Léo Asa”, participou também do Grupo Secreto, envolvido no Caso Riocentro.

SNI - Serviço Nacional de Informações: criado em 13/06/1964, mediante a Lei nº 4.341, foi de extrema utilidade para a derrocada das organizações terroristas que operaram no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. O projeto de lei no. 1968, que deu origem à Lei, foi redigido por Golbery do Couto e Silva. Golbery foi o primeiro chefe do SNI, empossado em 25/06/1964. “O governo americano designou Stephen Creane, agente da CIA no Brasil, para ficar à disposição de Golbery e auxiliá-lo na montagem do SNI. (...) Num acordo oral, firmado em 1964, a CIA se dispôs ainda ‘a fornecer ao Serviço pistas operacionais específicas’ sobre atividades subversivas no Brasil. Em retribuição, o SNI alimentaria o serviço secreto americano com informações sobre a ação comunista em território brasileiro” (FIGUEIREDO, 2005: 134). O SNI foi antecedido pelo Serviço Federal de Informações e Contrainformações - SFICI (1956-1964) e substituído pelo Departamento de Inteligência (DI/SAE), em 1990, pela Subsecretaria de Inteligência (SSI), em 1992, e pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), em 1999. Apesar de existir no papel desde o mandato de Eurico Gaspar Dutra, o SFICI só foi implantado, de fato, por JK. “O SNI surgiu por transformação do Serviço Federal de Informação e Contrainformação (SFICI), criado no Governo de Juscelino Kubitschek. Quando este visitou os Estados Unidos, o Presidente Eisenhower manifestou-lhe sua preocupação com a crescente infiltração comunista no governo brasileiro. Ofereceu-lhe assistência técnica para a criação de uma agência equivalente à CIA. (...) Como Juscelino Kubitschek estava, naquele momento, interessado em reatar as negociações com o FMI, concordou em criar a tal agência. Foram implantados o SFICI, bem como Seções de Segurança Nacional nos ministérios civis - invenção atribuída à ‘ditadura’ por mal-informados -, todos subordinados à Secretaria-Geral do Conselho de Segurança Nacional. (Moniz Bandeira, em Brasil-EUA - A rivalidade emergente, Editora Civilização Brasileira - 1989, citado por Roberto Campos, em Lanterna na Popa, p. 283). O que o ‘feiticeiro’ fez, depois de ter chefiado o SFICI, durante o curto Governo de Jânio Quadros, foi moldá-lo e transformá-lo em um instrumento de suas maquinações de ‘Fouché crioulo’. Para isso, levou com ele o fichário de personalidades que tinha começado a organizar no SFICI, segundo o próprio Gaspari escreveu no terceiro volume do seu ‘pentateuco’” (Gen Div Negrão Torres - HOE/1964, Tomo 14, pg. 49). Em 1967, “foi criado o Conselho de Segurança Nacional, amparado por nova Lei de Segurança Nacional que substituiu a Lei de 1953” (NAPOLITANO, 2014: 80). “Formados na tradição positivista, o regime ideal para uma boa parte dos militares era a ditadura republicana, em que os mais capazes deveriam tutelar a sociedade e arbitrar conflitos de classe de maneira técnica” (idem, pg. 83).

Frente Ampla - União das esquerdas radicais após 1964 (1966 a 1968), pretendiam desestabilizar o governo militar, sob a fachada de reivindicações do tipo “anistia geral”, “eleições diretas”, para poderem operar livremente no País. Participaram da Frente Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda. Leonel Brizola, el ratón, não aderiu ao onagro caboclo.

Operação Limpeza - Depois da Contrarrevolução de 31/03/1964, o Congresso Nacional empossou, no dia 2 de abril, o Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, do PSD de São Paulo, como Presidente Interino do Brasil, já que João Goulart havia fugido para o Uruguai. Três governadores foram cassados: Miguel Arraes (Pernambuco), Seixas Dória (Sergipe) e Badger Silveira (Rio de Janeiro). Enquanto Jango tentava, no Rio Grande do Sul, obter asilo político no Uruguai, a Operação Limpeza incluía ainda expurgos de pessoas ligadas à corrupção e à subversão. Em Porto Alegre houve um atentado contra a vida do brigadeiro Lavanère-Wanderley, ocasião em que foi morto o que o atacou (4 de abril). No dia 9 de abril, o Comando Revolucionário (Costa e Silva, Rademaker e Correia de Melo) assinaram o Ato Institucional (AI): estavam suspensos por 10 anos os direitos políticos de João Goulart, Jânio Quadros e Luiz Carlos Prestes. No dia 10 de abril, foi publicada lista com uma centena de nomes punidos, entre os quais 40 membros do Congresso Nacional, muitos dos quais líderes da Frente Parlamentarista Nacionalista. No dia 11 de abril, o Comando Revolucionário transferiu 122 oficiais para a reserva. O AI estipulava que, dois dias depois de sua promulgação, o Congresso elegeria um Presidente e um Vice-Presidente da República, numa eleição em que não haveria inelegibilidades. Os projetos apresentados pelo Executivo se tornariam leis se não fossem votados dentro de 30 dias; os orçamentos propostos pelo Presidente não poderiam ser majorados pelo Congresso; essas estipulações, além de uma que permitia ao Presidente propor Emendas Constitucionais a serem aprovadas pela maioria simples, deveriam expirar, juntamente com o AI, no dia 31/01/1966. Na votação para Presidente, Castello Branco recebeu 361 votos (123 do PSD, 105 da UDN e 53 do PTB), enquanto Juarez Távora recebeu 3 votos e Gaspar Dutra 2. Houve 72 abstenções, em grande parte de representantes do PTB, e 37 ausências (por causa do atraso na posse dos suplentes dos congressistas cujos mandatos haviam sido cassados). O Senador Kubitschek deu seu voto a Castello; o antigo Ministro da Fazenda, José Maria Alkmin, foi eleito Vice-Presidente. No dia 15/04/1964, Castello assumiu a Presidência da República. “Primeiro, a ‘arrumação’ da casa, ordenando a ‘massa falida’ a que se referiu o Presidente Castello Branco quando assumiu o Governo. Depois, melhorar paulatinamente todos os índices de crescimento do País, dotando-o de infraestrutura necessária para que se transformasse da 48ª. na oitava economia do mundo” (Gen Ex Carlos Tinoco Ribeiro Gomes - HOE/1964, Tomo 10, pg. 33). Em 1964, o AI-2 institui o bipartidarismo no Brasil: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que passa a apoiar o Governo militar, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição. Pelo que se pode observar, depois que a Nova República se instalou no País, de José Sarney a Dilma Rousseff, a “limpeza” foi muito mal-feita. Basta observar os tipos atolados em corrupção que comandaram a política nacional durante o governo do PT - mensaleiros incluídos. 


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Ainda sobre Jango:

Enquanto Brasília se engasgava com a renúncia, Jango, o vice, estava no outro lado do mundo, em plena China comunista, abraçando Mao Tsé-Tung como quem encontra um primo distante na fila do bandejão universitário. Dizem até que trocaram receitas: Mao contou do tal Grande Salto pra Frente — que, pelo que depois soubemos, foi mais um tropeço que um salto — e Jango ficou pensativo, coçando o queixo, talvez cogitando renunciar também, por pura mímica política.

Mas aí, no caminho de volta, parando em Paris para dar um pulinho no Moulin Rouge para apreciar as moças com os peitos de fora, porque ninguém é de ferro, Jango recebeu um telefonema urgente, que foi interceptado pelo general Francisco Batista Torres de Melo  junto a uma central telefônica no Rio, onde naquela época lindas moças ficavam o dia inteiro enfiando e tirando pinos, como que tricotando um tapete de ferro. Era Juscelino, com aquela voz de locutor de rádio de cidade do interior de Minas, imitando gaúcho, implorando pela vinda de Jango.

— Eu não, vou nada, vou nada. Aquele pessoal da FAB é um bando de doidos — alegava Jango, com medo de ter o avião derrubado.

Aí o Juscelino respondeu: 

— Rapaz, venha, tchê. O que interessa é o PSD, PTB, o resto que se lasque. Pois toma um café forte sem açúcar na Champs-Élysées e volta, guri! O Brizola já tá fazendo discurso na rádio como se fosse Presidente da República!

E era verdade. Leonel Brizola, o cunhado inflamado de Jango, berrava nas rádios como um pastor elétrico, exigindo respeito dos gorilas à Constituição e gritando Campanha da Legalidade como quem anuncia promoção de sabão em pó.

A solução veio num jeitinho brasileiro de gravata: para não deixar Jango com muito poder, criaram o parlamentarismo. Em dezembro de 1961, o Congresso Nacional aprovou a mudança, e Tancredo Neves, com aquele jeitinho mineiro come quieto de quem sempre parece que não tá, mas tá, virou Primeiro-Ministro.

...

Jango, que nunca foi comunista, mas sempre teve um pezinho nos sindicatos e outro no inferninho, assumiu com gosto a presidência. Era filho de estancieiro rico de São Borja, gostava de boate, teve até doença venérea na juventude, que o fez se tornar manco — coisa que, segundo Tio Pedro, dava mais prestígio entre os boêmios do que diploma universitário.

(Félix Maier, in MEMORIAL DE LUZERNA, Thesaurus Editora, 2025, Brasília, DF, pg. 283-285)

 

Tendência gaúcha para putas e farras...

Márcio Moreira Alves traça um perfil sucinto sobre Jango no livro O Despertar da Revolução Brasileira, Seara Nova, Lisboa, 1974, pg. 50: “O protesto que escrevi era uma crítica por dentro. De um modo geral era eu simpático ao governo militar”. Para “Marcito”, foi um alívio ver a saída de Jango: “Achava-o oportunista, instável, politicamente desonesto... Aparecia bêbado em público, deixava-se manobrar por cupinchas corruptos... e tinha uma grande tendência gaúcha para putas e farras (idem, pg. 51-52).

 

Abaixo, alguns verbetes de A LÍNGUA DE PAU – Uma história da intolerância e da desinformação, de Félix Maier, disponível em https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view.

Contrarrevolução de 1964 - Após a anarquia promovida no Brasil pelo Governo João Goulart (“Jango”), no dia 31/03/1964, sob a exigência dos jornais e a aclamação da população brasileira, é desencadeada a “Revolução de 31 de Março”, apelidada pelos opositores como “golpe militar”, mas que foi na verdade uma Contrarrevolução, ou contragolpe, por suspender o processo revolucionário em andamento no País - cfr. Edição Histórica da revista Manchete em https://www.conjur.com.br/dl/manchete-abr1964.pdf. Em 19/08/1961, Jânio Quadros condecorou Che Guevara com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, que “foi a cerejinha do bolo atirado na cara dos mais reacionários. Mesmo que essa condecoração fosse o resultado da liberação, por parte do líder da Revolução Cubana, de sacerdotes católicos condenados ao fuzilamento em Cuba, a medalha causou grande mal-estar e confusão, consolidando a imagem de um político contraditório, oportunista e ideologicamente ambíguo” (NAPOLITANO, 2014: 32). Antecedentes: Quando Jânio Quadros renunciou à presidência, Jango estava em viagem à China comunista, acompanhado de “líderes trabalhistas, convocados para observação e estudo das comunas populares daquele país” (AUGUSTO, 2001: 70). Na China, Jango fez “um pronunciamento radical, em que revelou sua intenção de estabelecer também no Brasil uma república popular, acrescentando que, para tanto, seria necessário contar com as praças para esmagar o quadro de oficiais reacionários” (idem, pg. 71) - prenúncio da Revolta dos Marinheiros, no Rio de Janeiro, e da Revolta dos Sargentos, em Brasília. Em janeiro de 1964, Luiz Carlos Prestes viajou a Moscou para prestar contas dos últimos trabalhos do PCB, desenvolvidos à luz da estratégia traçada por ele e Kruschev em novembro de 1961. Nesse encontro, participaram, além de Kruschev, Mikhail Suslov (ideólogo de Kruschev), Leonid Brejnev (Secretário do Comitê Central do Partido), Iuri Andropov e Boris Ponomariov (Chefe do Departamento de Relações Internacionais). Naquela ocasião, Prestes afirmou: “A escalada pacífica dos comunistas no Brasil para o poder abrindo a possibilidade de um novo caminho para a América Latina. (...) oficiais nacionalistas e comunistas dispostos a garantir pela força, se necessário, um governo nacionalista e antiimperialista. Implantaremos um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que será a antessala do socialismo. (...) ... uma vez a cavaleiro do aparelho do estado, converter rapidamente, a exemplo de Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolução nacional-democrática em socialista (idem, pg. 121-2). Segundo Luís Mir, em A Revolução Impossível, “a exemplo de 1935, a revolução deveria começar, novamente, pelos quartéis” (apud AUGUSTO, 2001: 122). “A Revolução de 1964 deveu-se a duas causas: uma reação ao processo acelerado de comunização do País, que estava em marcha e, principalmente, a tentativa de quebrar a hierarquia e a disciplina - espinha dorsal das Forças Armadas” (Gen Div Negrão Torres - HOE/1964, Tomo 8, pg. 91). A cooptação de militares subalternos, feita por Brizola, pode ser conferida em https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/26909/000761662.pdf.  “É crime lembrar que a direita civil armada, pronta e ansiosa para matar comunistas desde 1963, foi pega de surpresa pelo golpe militar e inteiramente desmantelada pelo novo governo, de modo que, se algum comunista chegou vivo ao fim do ano de 1964, ele deveu isso exclusivamente às forças armadas que agora amaldiçoa” (Olavo de Carvalho, in A História, essa criminosa). Olavo se refere às forças paramilitares formadas, principalmente, pelos governadores Carlos Lacerda, da Guanabara, e de Adhemar de Barros, de São Paulo, que pretendiam trucidar os comunistas. “Nessa tarde de 31 de março, particularmente em Cubatão, o sindicalismo peleguista-comunista ocupou a Refinaria Presidente Bernardes [ficou paralisada por 21 dias] e a Cosipa, áreas críticas, certos de que a ‘revolução comunista’ se deflagara. O poder político em Santos, exultante, programara nesse dia homenagem a Jango Goulart” (Coronel Antonio Erasmo Dias - HOE/1964, Tomo 6, pg. 135). “A Alfândega de Santos era o exemplo da instituição da corrupção no âmbito governamental pela ‘máfia’ ligada ao janguismo e pela ‘burguesia-pelega’ da época. Inspetores, conferentes, despachantes, constituindo verdadeiras quadrilhas, não raro com o beneplácito de elementos do Judiciário, como advogados e juízes, forjando mandados de segurança, oficializando o contrabando” (idem, pg. 136). “Andorinhas” faziam viagens aos EUA, de onde “importavam Impalas automóveis de último tipo da época - com porta-malas lotados de muamba com destino ao Paraguai, em trânsito por Santos, como ‘bagagem desacompanhada’” (idem, pg. 136). “A participação da AMAN teve muita importância. A atitude corajosa do general Emílio Médici, colocando os cadetes em posição de combate, foi correta. A nossa juventude não poderia ficar de fora. Essa atitude evitou o ataque das tropas legais à Academia e levou o I Exército, sediado no Rio de Janeiro, a aderir à Revolução. Nenhum chefe militar atacaria a ‘alma-mater’ do Exército” (Gen Div Tasso Villar de Aquino - HOE/1964, Tomo 9, pg. 84). “O regime militar fez várias reformas. Obteve êxito. O papel do Estado na economia foi ampliado numa escala nunca vista. Qualquer setor onde havia alguma dificuldade econômica, a saída encontrada era a criação de uma empresa estatal. E foram surgindo às pencas. O país melhorou a infraestrutura, desenvolveu novos setores produtivos e se integrou à economia mundial diversificando sua pauta de exportações” (Marco Antonio Villa, in “Eles não conseguem desenhar o futuro”, O Globo, 28/06/2011). “Não há provas de que os Estados Unidos instigaram, planejaram, dirigiram ou participaram da execução do golpe de 1964. Cada uma dessas funções parece ter competido a Castelo Branco e seus companheiros de farda. Ao mesmo tempo, há sugestivas evidências de que os Estados Unidos aprovaram e apoiaram a deposição de Goulart quase que desde o princípio. Os Estados Unidos reforçaram o seu apoio ao elaborar planos militares preventivos que poderiam ter sido úteis para os conspiradores, se houvesse a necessidade” (PARKER, 1977: 128). “Os militares parecem haver sofrido, desde o começo, de uma espécie de ‘má consciência’. O sentimento acabou por dividi-los e provocar hesitações nefastas à administração. Ao princípio, um embaixador inglês, Sir Geoffrey Wallinger, ainda podia comparar os militares de Castello Branco aos puritanos de Cromwell, fanaticamente convencidos de sua missão de limpar a corrupção que contaminava o país. Mas as hesitações e as contramarchas entre ‘linha dura’ e ‘legalistas’ acabou comprometendo o projeto e o próprio bom senso” (PENNA, 1994: 163). “Note-se que nenhum dos governos militares jamais foi totalitário. Não existe governo totalitário sem doutrinação das massas” (Otto Maria Carpeaux - HOE/1964, Tomo 3, pg. 120). “O regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período de 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural que havia no país. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições diretas para os governos estaduais em 1982. Que ditadura no mundo foi assim?” (VILLA, 2014: 11). “Dos 21 anos do regime militar, dez podem ser considerados uma ditadura - o período de vigência do Ato Institucional no. 5, de 13 de dezembro de 1968 a 31 de dezembro de 1978. Nesse período, o Executivo teve plenos poderes e os exerceu de forma ditatorial, submetendo a sociedade civil e os poderes Legislativo e Judiciário aos seus desígnios” (idem, pg. 370). Na Grécia antiga, havia ostracismo; na Roma antiga, banimento; no Brasil dos governos militares, cassação; em Cuba e demais países comunistas, fuzilamento. “Sobre a Revolução quero dizer, principalmente para aqueles que não viveram a época: cuidado com as imagens distorcidas. Se hoje o Exército Brasileiro tem esse conceito, queiram alguns ou não, sempre foi assim: o Exército não mudou, não foi um tipo de Exército em 1964 e é outro tipo de Exército, hoje. Nossos objetivos são os mesmos, nossos princípios éticos, morais, de patriotismo, de defesa da Pátria, de dedicação, são os mesmos” (Gen Ex Jaime José Juraszek - HOE/1964, Tomo 6, pg. 38). Veja “A verdade sobre a Revolução de 31 de Março de 1964”, live do coronel Reynaldo De Biasi Silva Rocha, em https://youtu.be/xoeimi86JZM. Para maiores informações sobre 1964, acesse “Memorial 31 de Março de 1964” (https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/09/memorial-31-de-marco-de-1964-textos.html)  e “História Oral do Exército - 31 Março 1964” (https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/09/historia-oral-do-exercito-31-de-marco.html).

Frente Única - Idealizada pelo ex-ministro San Thiago Dantas, desejava unir todas as esquerdas em uma “Frente Única” (1963), para dar suporte consistente ao governo de João Goulart e suas “Reformas de Base”. Os partidos comunistas e o exibicionismo de Brizola impediram a formação dessa Frente. A “Frente Popular” de Jango, com o PCB e as organizações dominadas pelo “Partidão”, foi o que sobrou da pretensa “Frente Única”. A expressão de pau “Frente Única”, pelo menos, serviu de inspiração para a moda das décadas de 1960/70, sendo uma peça feminina bastante sexy - ao mesmo tempo em que debutavam o chinelo-de-dedo, a calça jeans da marca Lee e a camisa volta ao mundo banlon, que hoje talvez possa ser comprada na Enjoei, época em que se ouviam no rádio o Repórter Esso e as piadas sem graça de muito sucesso, de Vitório e Marieta - cfr. em https://www.youtube.com/watch?v=-3YUaArmlk8.

G-11 - “Os chamados Grupos dos Onze Companheiros - simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 - e também conhecidos como Comandos Nacionalistas, foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células - cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional - que poderiam ser mobilizados a seu comando” (Mariza Tavares, in “Grupo dos 11: O braço armado de Brizola” - cfr. https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/10/memoria-1964-o-dossie-do-braco-armado.html). G-11 também pode se referir a Grupo de Combate, de 11 militares, célula de um pelotão de Infantaria. “Chegou a organizar 5.304 grupos, num total de 58.344 pessoas, distribuídos, particularmente, pelos Estados do Rio Grande do Sul, Guanabara, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo” (ORVIL, pg. 136). A exemplo do que hoje faz o MST, o G-11 pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis. Os G-11 seriam o embrião do Exército Popular de Libertação (EPL). “Entre 19 e 25 de outubro de 1963, Brizola lançou, oficialmente vamos dizer assim, os seus ‘grupos dos onze’, organizações que, de acordo com a sua orientação, deveriam considerar-se em revolução permanente e ostensiva. (...) Era uma imitação chula das instruções da guarda vermelha bolchevique” (Gen Div Del Nero - HOE/1964, Tomo 5, pg. 100). Um documento do Grupo afirmava que os G-11 seriam a “vanguarda do movimento revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética”. (Prova a ignorância de Brizola, pois em 1917 havia apenas a Rússia, não a URSS.) Quando ocorreu a Contrarrevolução de 1964, havia centenas desses Grupos espalhados em todo o País e tinham como missão eliminar fisicamente todas as autoridades do Brasil que não apoiassem Brizola - civis, militares e eclesiásticas, como se pode ler nas “Instruções secretas” do EPL e seus G-11, no item 8, “A guarda e o julgamento de prisioneiros”: “Esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição” (AUGUSTO, 2001: 112). “Posso dizer que as ‘Ligas Camponesas’ e os ‘grupos dos onze’, na verdade, foram blefes. Eram usados pela imprensa, faziam estardalhaço, mas sentir a existência... a ação... Não houve nenhuma, absolutamente. Apenas no interior de Goiás foram apreendidos uns caixotes com armas que eram destinados ao ‘grupo dos onze’, mas o pessoal fugiu e nunca mais apareceu. Havia um oficial amigo do Jango, coronel Seixas, responsável pela repressão, e que, ao invés de mandar aquelas armas para o Exército, enviou para a Presidência da República. As armas tinham vindo de Cuba” (Coronel Renato Brilhante Ustra - HOE/1964, Tomo 5, pg. 256). Herbert de Souza, o “Betinho”, foi o coordenador geral dos G-11 e na época da Contrarrevolução de 1964 era assessor do ministro da Educação, Paulo de Tarso. Sobre os G-11, leia os documentos secretos em https://www.documentosrevelados.com.br/repressao/grupo-dos-onze-companheiros-movimento-liderado-por-brizola-para-barrar-o-golpe-e-avancar-com-as-reformas-parte-3/. Leia, de minha autoria, Brizola, o último dos maragatos, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/brizola-o-ultimo-dos-maragatos-por.html.

Operação Brother Sam - É mentirosa a versão da participação direta dos norte-americanos na Contrarrevolução brasileira de 1964. Os documentos da inexistente "Operação Thomas Mann" foram forjados pela espionagem tcheca, que atuava no Brasil em 1964, via KGB. Essa mentira foi montada por Ladislav Bittman, que chefiava o serviço de desinformação da Tchecoslováquia. Em seu livro “The KGB And Soviet Disinformation”, publicado em Washington, Bittman declara: "Queríamos criar a impressão que os Estados Unidos estavam forçando a Organização dos Estados Americanos (OEA) a tomar uma posição mais anticomunista, enquanto a CIA planejava golpes contra os regimes do Chile, Uruguai, Brasil, México e Cuba (...) A Operação foi projetada para criar no público latino-americano uma prevenção contra a política linha dura americana, incitar demonstrações mais intensas de sentimentos antiamericanos e rotular a CIA como notória perpetradora de intrigas antidemocráticas". O livro “1964: O Papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 31 de Março” (Civilização Brasileira, Rio, 1977), da historiadora norte-americana Phyllis R. Parker, com tradução de Carlos Nayfeld, diz textualmente, nas "Conclusões", à pg. 128: "Não há provas de que os Estados Unidos instigaram, planejaram, dirigiram ou participaram da execução do golpe de 1964. Cada uma dessas funções parece ter competido a Castelo Branco e seus companheiros de farda. Ao mesmo tempo, há sugestivas evidências de que os Estados Unidos aprovaram e apoiaram a deposição militar de Goulart quase que desde o princípio. Os Estados Unidos reforçaram o seu apoio ao elaborar planos militares preventivos que poderiam ter sido úteis para os conspiradores, se houvesse surgido a necessidade". É óbvio que os EUA acompanhavam com atenção o movimento militar e civil anti-Jango, e com certeza remeteriam material bélico aos revoltosos, caso ocorresse uma guerra civil. “Ele sabia que existia um movimento liderado por Castello Branco e outros generais, mas não estava participando dos planos do golpe” (Lincoln Gordon, então embaixador americano no Brasil, a respeito do então coronal Vernon Walters, adido do Exército Americano no Brasil - in “O olho dos EUA no golpe de 64”, revista Veja no. 1848, pg. 49). “O governo americano mandou preparar, no dia 1º. de abril, um avião carregado com armamentos para ser enviado aos militares golpistas, caso ocorresse um conflito prolongado. O que, como se sabe, não ocorreu, já que Jango preferiu não resistir e fugiu para o exterior” (idem, pg. 48). “O militar americano [Vernon Walters] era muito amigo do general Humberto Castello Branco, com quem dividiu uma barraca de campanha na Itália, durante a II Guerra. Uma informação só revelada na semana passada é que Arma, várias vezes citado na correspondência diplomática como principal fonte da conspiração, era o codinome de Walters. Ele estava bem a par dos preparativos para o golpe, conforme mostra trecho do documento de 27 de março: ‘Na próxima semana, nós vamos ser informados da estimativa (feita pelos militares golpistas) das armas necessárias, através do contato entre Arma e o general Ulhoa Cintra, braço direito de Castello Branco’” (idem, pg. 49). Leia, de minha autoria, “Operação Brother Sam, uma operação fantasma”, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/operacao-brother-sam-uma-operacao.html.

Operação Mata Lacerda - “Aquela missão fora planejada no apartamento no. 15 do Anexo do Copacabana Palace, então apartamento do Presidente da República João Goulart. Contou com a presença do então Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, do Ministro da Justiça, Abelardo Jurema, do Comandante da tropa paraquedista, General Pinheiro, e do Coronel João Sarmento, do Gabinete Militar. Planejaram que a solução para antecipar a criação da república sindicalista comunista seria criar um caos no Estado da Guanabara, com a decretação do estado de sítio. E como criar um caos? Aí o general paraquedista disse: ‘Deixa comigo, isso é missão para paraquedista’ - tropa pretoriana. A ordem para prender e ‘atirar para matar’ Carlos Lacerda na manhã do dia 4 de outubro de 1963, quando de sua visita ao Hospital Miguel Couto, no Leblon, foi transmitida, naquele apartamento, ao General Alfredo Pinheiro, pelo Ministro da Justiça, Deputado Abelardo Jurema, que esclareceu ao General Pinheiro que o Ministro da Guerra, General Jair Dantas Ribeiro, estava a par de todo o plano e dera sua aprovação” (Gen Bda Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery - HOE/1964, Tomo 10, pg. 165). Detalhes sobre a Operação pode ser acessada em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/04/operacao-mata-lacerda-por-historia-oral.html. Durante a Cadeia da Legalidade, em defesa de Jango, para assumir a presidência em lugar de Jânio Quadros, que havia renunciado, Brizola repetia em seus discursos na Rádio Guaíba: “Sargentos do Exército, matem seus oficiais”. 

UNE - União Nacional dos Estudantes. Durante o 2º Congresso Nacional de Estudantes (1938), foi feita a proposta de criação da União Nacional de Estudantes (UNE), que teve sua 1ª Diretoria eleita em 1939. Inicialmente, a UNE era apolítica; entre 1940 e 1943, mobilizou a opinião pública e o Governo para participar na II Guerra Mundial contra o nazifascismo. Era tutelada pela ditadura Vargas e funcionava em sala do Ministério da Educação. A partir de 1943, começa a insurreição, com comunistas e democratas lutando contra a ditadura Getúlio Vargas. A partir de 1959, aprofunda-se a marxização da UNE; nos anos 60, as organizações que dividiam as massas operárias, além da UNE, eram a JUC, o PC (que atuava através de seus diretórios estudantis), a Política Operária (POLOP) e a Quarta Internacional. Eram todos de esquerda, com dosagens diversas de ideologia marxista. O Partido de Representação Acadêmica (PRA), criado na Faculdade de Direito da USP, era considerado de Direita. Também nos anos 60, dá-se o encontro ideológico, reunindo a JUC, a Esquerda Católica e o Esquerdismo marxista. A Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) desempenhou papel importante na agitação estudantil e no processo de marxização da Universidade. “Onde o professor é de tempo parcial, como na maioria da América Latina, a tendência dos estudantes é dar mais atenção a preocupações não acadêmicas, inclusive políticas”. (Seymor Martins Lipset, “University Students and Politics in Underdeveloped Countries”, in Minerva, Vol. III, nº 1, 1964, pg. 38-39). No dia 28/03/1964, os Diretórios Acadêmicos das Faculdades Nacionais de Direito (CACO), da Filosofia, da Universidade do Brasil, e o de Sociologia da PUC, lançaram manifesto de apoio aos marinheiros e fuzileiros em greve na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. No dia 31 de março, exigiram de Jango armas para a resistência contra o levante de Minas, mas tiveram que se contentar com “manifestações antigolpistas” na Cinelândia. Com a depredação da sede da UNE, o seu presidente, “apista” José Serra (Ministro da Saúde durante o Governo FHC), empossado em 1963, pediu asilo à Embaixada do Chile. “Terminava, assim, o ciclo de agitação estudantil, que depois iria se desdobrar em trágicas consequências, no terrorismo e na ilegalidade” (José Arthur Rios, in “Raízes do Marxismo Universitário” - cfr. em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/01/raizes-do-marxismo-universitario-por.html). Arthur Rios é autor de famosa frase: "Pais positivistas, filhos comunistas, netos terroristas". Na “campanha nacional de alfabetização”, no Governo Goulart, a UNE recebeu 5.000 dólares de Moscou, por intermédio da UIE. “Essa mesma UNE..., em 1968, provocou o atentado do Calabouço, aquela crise criada pelo assassinato de um estudante, que nem era estudante, era um funcionário do Calabouço” (Jornalista Themístocles de Castro e Silva - HOE/1964, Tomo 4, pg. 281). Com a ascensão do PT na Presidência da República, a UNE se tornou importante falange do “fascismo alegre”, do qual recebeu R$ 12,8 milhões no período de 2004 a 2010. O governo Lula indenizou a UNE em R$ 44,6 milhões, dos quais R$ 30 milhões foram liberados em 2010, para construção da nova sede da entidade, no Flamengo, Rio de Janeiro. A obra ainda não saiu do papel, embora Lula tenha participado do lançamento da pedra fundamental. Leia, de minha autoria, “UNE: organização-pelego, de Getúlio a Lula”, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/une-organizacao-pelego-de-getulio-lula.html.


El cÓndor pAsa...

  Félix Maier  

El cóndor pasa, majestuoso vuela,
Sobre tierras latinoamericanas
,
Simbolizando uma operação engenhosa,
Unindo na luta contra ações insanas.

Operação Condor, cooperação bilateral,
Entre nações em busca da segurança.
Combater comunistas, uma ação vital,
E afastar o perigo vermelho, a ameaça.

Fugindo da carniça que eles mesmos criaram,
Com mortes e dor, que o terrorismo causou,
Urubus tapam o nariz, hipócritas voam,
A união dos povos foi o que nos salvou.

Nas asas do condor a esperança se ergue,
Enfrentando os horrores do passado.
Um legado de força que perdura, segue,
Execrando o que não pode ser negociado.

Operação Condor, símbolo de cooperação,
Na busca da paz, justiça e liberdade.
Uma história de coragem e superação,
Que ecoa nos corações com dignidade.

Que nunca esqueçamos dos que tombaram,
Vítimas de um terror vil e sem razão.
E que a memória deles nunca se apague,
Honrando sua luta, em cada geração.

El cóndor pasa, voando alto e forte,
No céu latino-americano a pairar,
Unindo nações, um exemplo de sorte,
Que nunca deixemos sua chama apagar.


Ouça a bela canção El Cóndor Pasa, com Leo Rojas, em https://www.youtube.com/watch?v=8kQZHYbZkLs