MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Criatura perfeita - Por Dalila Góes e Flávia Duarte


Criatura perfeita


Zoólogo inglês explica, em cada detalhe, porque a mulher é o ser mais evoluído que existe. Confira a teoria do pesquisador e veja se você concorda.

Dalila Góes e Flávia Duarte
(Da equipe do Correio)

Depois de comparar o ser humano ao macaco e explorar suas formas, na década de 60, o inglês Desmond Morris achou que era hora de cuidar de um animal específico: a mulher. Simples assim, o estudioso mais polêmico da espécie Homo sapiens catalogou o corpo feminino como o mais extraordinário organismo do planeta. Em Mulher nua, livro lançado este mês no Brasil, Morris bate o pé e prova, pedaço por pedaço, que os indivíduos do sexo feminino são superiores aos machos. Do fio de cabelo ao pé, o zoólogo de 77 anos despedaça o corpo da mulher e salpica curiosidades históricas com pesquisa científica para explicar a perfeição das curvas femininas.

No mundo acadêmico, Desmond Morris ganhou respeito com O Macaco nu, de 1967. A importância do trabalho, na visão de outros cientistas e pensadores, foi o estudo do processo evolucionário humano, do pensamento ao desenvolvimento físico. Hoje, separar a mulher do homem e analisá-la zoologicamente causa estranheza. Mas o inglês explica, para horror das feministas e deleite das publicações femininas, porque as moças são assim tão perfeitas e cheias de curvas. Para começo de conversa, Desmond Morris diz que os homens são mais infantis no comportamento. Já a mulher é mais razoável e ainda tem no próprio corpo características de criança, como uma pele macia, por exemplo. Daí a fêmea é anatomicamente mais evoluída.

Mas nem precisa estudar zoologia para concordar com o inglês. O professor Antônio Guilherme Moreira Porto, doutor em anatomia, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que o organismo da mulher é só o mais desenvolvido como o mais complexo. Em uma analogia bem simples, o anatomista compara o homem a um Fusca e a mulher a um Porsche. É só dar um empurrãozinho que o homem sai andando. Já com a mulher, tem que saber a hora certa de frear e como fazer as curvas.

Em cima do palco, a superioridade dá lugar à funcionalidade. Na companhia de dança Débora Colker, mulheres e homens ocupam o mesmo espaço, tanto que da platéia muitas vezes é difícil distinguir o sexo do bailarino. Mas se a plástica do espetáculo exige uma forma mais delineada, opta-se por uma mulher. Mas isso não implica necessariamente uma pessoa de traços mais suaves ou com menos força física, explica a coreógrafa.

Na cabeça do doutor José Meciano filho, do Departamento de Anatomia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a lógica de Desmond Morris da mulher perfeita morre a partir do momento em que homens e mulheres são biologicamente perfeitos. Sim, são máquinas perfeitas. O organismo humano é uma máquina maravilhosamente bem planejada. Cada um, claro, com sua funcionalidade, mas perfeitos. Não existe o melhor, destaca.

Perfeita ou não, a Mulher nua, de Desmond Morris, chama atenção. Questionado sobre um tal estudo semelhante sobre o corpo do homem, o pesquisador graceja: Não vejo graça nenhuma em um sujeito barbado. Não quero escrever sobre eles. Eu gosto, adoro, é mulher. E provoca: Top models, a maioria dos estilistas é gay, quer vestir a mulher como um homem, sem formas. Homens de verdade gostam de curvas.

Vestibular da mulher

1. O ser humano possui cerca de 100 mil fios de cabelo. Quem tem menos fios na cabeça?
a) Loiras
b) Morenas
c) Ruivas
d) Tanto faz

2. Dentes escuros foram moda em vários países e épocas. O que as mulheres faziam para escurecê-los?
a) No Vietnã antigo, aplicavam verniz e ficavam se comer sólidos por uma semana
b) No Japão medieval, pintavam com pó de nanquim, saquê e nozes trituradas
c) Na Inglaterra, à época de Elizabeth I, pintavam com um pasta de tabaco
d) No Sudeste Asiático, no século 19, mascavam torrões de açúcar

3. Nos anos 90, a moda dos jeans de cintura baixa destacou os umbigos femininos. A esse respeito, é verdade que:
a) O uso de piercing no umbigo deixa a região mais rasa
b) Entre os mamíferos, só os seres humanos possuem umbigos
c) Umbigos foram apagados das primeiras fotos do século 20
d) A mulher asiática tem o umbigo em forma de fenda

4. Os gregos admiravam qual parte do corpo feminino?
a) A aba do nariz
b) O cantinho da boca
c) O pomo-de-adão
d) As covinhas das costas

5. Qual imagem era usada pelas igrejas da Europa medieval para se proteger do Olho do Diabo?
a) Uma mão feminina espalmada
b) Um dedo feminino tocando o seio direito
c) Genitais femininos abertos por duas mãos
d) Mãos entrelaçadas em um círculo

6. O piano foi concebido para mãos masculinas, por isso os grandes pianistas são homens. A mão da mulher supera a do homem em:
a) Resistência óssea
b) Flexibilidade
c) Tamanho
d) Força muscular

7. É falso que:
a) Homens e mulheres exalam os mesmos odores no suor
b) A mulher possui mais glândulas sudoríparas que o homem
c) Os japoneses não têm odor nas axilas
d) Na Áustria rural, o homem comia a maçã que a parceira colocava na axila

Gabarito

1. C) As ruivas têm cabelos mais espessos, por isso têm menos fios, 90 mil, em média. As loiras têm cerca de 140 mil, enquanto as morenas têm 108 mil.

2. A) Na Inglaterra, à época de Elizabeth I, dentes escuros eram sinônimo de alta classe. No Japão, no século 17, os dentes pretos (ohaguro) eram tingidos com limalha de ferro diluída em saquê ou chá. No Vietnã antigo, elas passavam nos dentes um verniz que as impedia de comer alimentos sólidos.

3. C) No início do século 20, as fotos eram retocadas para dar a ridícula impressão de que o ventre da mulher é completamente liso.

4. D) As covinhas do sacro, duas pequenas depressões situadas de cada lado da base da coluna, bem acima dos glúteos, estão presentes nos dois sexos, mas são mais perceptíveis nas mulheres.

5. C) A imagem de genitais femininos abertos por duas mãos supostamente protegia as igrejas do Olho do Diabo. A idéia era distrair o olho mantendo-o ocupado com uma imagem fortemente sexual.

6. B) As mãos femininas têm mais facilidade de manejar objetos pequenos. Se o teclado do piano fosse menor, a maior flexibilidade dos dedos faria as mulheres pianistas superarem os homens.

7. A) Homens e mulheres produzem odores diferentes, o que indica que as glândulas sudoríparas atuam como sinais sexuais entre parceiros amorosos.

De 0 a 2 acertos:
Sua referência de mulher são As Meninas Superpoderosas. Chega de desenhos animados. Volte para o mundo normal.

De 3 e 4 acertos:
Você se esforçou, mas sua convicção de que homens e mulheres são iguais atrapalha seu raciocínio.

De 5 e 6 acertos:
Não sabemos se você é homem, mulher ou zoólogo. Mas seu interesse pelo sexo feminino é demais.

7 acertos:
Você colou do livro! Só pode ser isso. Ou você acha que alguém normal é capaz de saber tanta coisa?


Vamos por partes

Cabelos:

Face lisa e cabelos compridos usados ao longo da evolução criaram um visual estético bastante atrativo para o homem. Pentear os fios sempre fez parte da alma feminina e do jogo da sedução. Assim sendo, para Morris, cabelos volumosos fazem as feições parecerem delicadas e atraentes, cabelos curtos dão o ar de mulher ativa e independente.

Olhos:

A maquiagem é usada há mais de seis mil anos, em quase todas as civilizações, para destacar os olhos. As pupilas também reagem diante de uma visão atraente. Nessa hora, dilatam. O zoólogo Morris conta que as cortesãs da Itália pingavam gotas de beladona nos olhos quando recebiam seus visitantes. Isso dilatava muito as pupilas e as tornava mais atraentes, porque dava aos homens que as olhavam a falsa impressão de que eram amados.

Mãos:

As mãos delas são mais flexíveis e têm mais delicadeza para manusear pequenos objetos. Quando os humanos se puseram de pé, deixaram livres as patas dianteiras para a manipulação. Os homens adquiriram uma força manual duas vezes maior que a das mulheres. Elas, a precisão. O argumento seria de que tal capacidade foi resultado da divisão de tarefas pelos ancestrais. Cabia a elas arrancar as raízes, escolher sementes, colher frutos: tarefas mais adequadas a dedos ágeis e flexíveis.

Nádegas:

Atributo exclusivamente humano, o bumbum da mulher brasileira é paixão em território nacional e até fora daqui. E elas se tornaram maiores à medida que a espécie humana evoluiu. Com a expansão dos músculos glúteos os humanos puderam ficar permanentemente de pé. Na mulher, Morris reforça, as nádegas têm mais que uma função anatômica.

Pés:

Mais uma vez, outra parte do corpo que prova a diferença entre eles e elas. Pés femininos são menores e mais estreitos. Na linha da evolução, o macho ia para a caça e os pés maiores representavam uma vantagem. Como as fêmeas eram poupadas de tal esforço, os delas se desenvolveram menos e permaneceram mais ágeis e delicados. Sendo assim, as mulheres com pés avantajados são vistas como menos belas e não é de se estranhar que algumas cheguem ao cúmulo de esmagar os ossos do pé para diminuir seu tamanho, como acontecia com as chinesas até o século passado.

Nariz:

Quanto menos, mais bonito. Talvez por isso tantas mulheres recorrem aos cirurgiões plásticos para deixá-los mais delicados. Analisando a evolução humana, à medida em que o rosto foi se achatanto, o nariz permaneceu no mesmo lugar.

Lábios:

Os lábios humanos são os únicos na natureza a serem curvados para fora. A explicação para tal forma está mais uma vez na evolução humana. Para sugar o leite no seio da mãe, o bebê recurva o lábio. Quando a mulher se excita, eles se tornam vermelhos, razão pela qual o batom dessa cor ainda é o preferido na hora da sedução.

Seios:

Têm duas funções: produzir o leite materno e despertar o desejo sexual do sexo oposto. De todos os mamíferos, a fêmea humana é a única que não perde o volume dos seios depois da amamentação. Se antes as fêmeas dos primatas andavam sobre quatro patas e excitavam os machos com a exposição do traseiro, quando se tornaram bípedes as nádegas ficaram fora do campo de visão masculino. Assim, os seios se avolumaram.

Cintura:

Por causa do volume dos seios e dos quadris, a cintura feminina é mais fina do que a do homem. Por algum tempo, elas forçaram a natureza e tentaram fazer com que a silhueta parecesse ainda mais delgada. A biologia explica que depois do primeiro parto a cintura nunca mais terá as medidas de antes. Por isso, cintura fina é sinônimo de virgindade. [Virgindade ou maternidade?]

Genitais:

Ainda sobre quatro patas, a genitália da fêmea ficava totalmente escondida. Já sobre duas pernas, nossos ancestrais perceberam que não podiam deixar de exibir a parte frontal do corpo sempre que se aproximavam de outro membro da espécie. Na prática, ficava impossível chegar perto do sexo oposto sem a conotação sexual. Por isso os humanos passaram a cobrir as genitálias e foi aí que surgiu a tanga. Nenhuma outra parte do corpo da mulher é tão sensível ao toque.

Pernas:

Séculos atrás, mostrar as pernas era o mesmo que fazer um convite em tom erótico. Os homens têm especial atração pelas pernas femininas e a explicação de Desmond está na forma como as pernas se juntam. A cada movimento das pernas, o foco da atenção é voltado para o ponto de encontro das mesmas: o órgão sexual da mulher.

(Texto extraído da “Revista do Correio”, do jornal Correio Braziliense, domingo, 7 de agosto de 2005, pg. 25 a 27).


Obs.: A análise do pesquisador inglês não deve ter agradado as feministas, pois, segundo o estudioso, a mulher evoluiu principalmente para atender à satisfação sexual do macho. Porém, uma coisa ninguém pode contestar: a mulher é de fato uma criatura perfeita. Já o homem... (F. Maier)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

500 ANOS DE RESISTÊNCIA INDÍGENA, NEGRA E POPULAR - Por Félix Maier

Monumento à Terra Mineira, Belo Horizonte, MG.
Thabata Pinheiro Campos, que se identifica como indígena 
da etnia Borun Xonin, picha BRASIL TERRA INDÍGENA.
 (14/12/2025)


500 ANOS DE RESISTÊNCIA INDÍGENA, 

NEGRA E POPULAR



O Movimento 500 anos de resistência indígena, negra e popular foi criado nas comemorações dos 500 anos do Descobrimento da América, que visava rediscutir (revisionismo) a história da colonização do continente sob a ótica marxista, ao mesmo tempo em que tinha por objetivo varrer das Américas todos os traços da civilização cristã.

Dentro da prática da legenda negra, a ideia era diabolizar as sangrentas conquistas espanhola e portuguesa da América, ao mesmo tempo em que os indígenas eram apresentados como seres angelicais.

Durante a conquista espanhola, relatos, como os de Bartolomé de las Casas, destacavam o “genocídio” promovido contra os índios. As denúncias do frade dominicano foram reproduzidas com gosto pelos maiores adversários do reino espanhol - os protestantes. Com a conquista da América e a unificação a Portugal, em 1580, a Espanha teve em mãos um dos maiores impérios da história - um império católico. (...) Protestantes holandeses, ingleses, franceses e germânicos trataram de invalidar o direito dos espanhóis sobre os territórios americanos (NARLOCH, 2011: 83).

Sociólogos e historiadores de linha marxista, incluindo padres da teologia da libertação, acusam os espanhóis e os portugueses de terem imposto sua cultura e sua religião aos índios, além de escravizá-los. Era exatamente isso o que faziam os incas com seus inimigos. Entre aqueles que haviam sido dominados por Atahualpa ou que tinham se aliado ao irmão dele, Huáscar, na disputa pela soberania do império, a morte de Atahualpa os salvou de anos de trabalhos forçados, de punições e até mesmo a morte. (...) Talvez metade das pessoas dos Andes estivesse disposta a se aliar aos espanhóis para se salvar da sangrenta vingança que as forças de Atahualpa já vinham promovendo com muitos partidários de Huáscar (idem, pg. 89).

Muito antes da política de liquidificador de Stálin e Pol Pot, o exército inca promovia migrações forçadas. Os arqueólogos estimam que as migrações atingiram entre 20% e 30% da população - por conta dessa política, um quarto de todos os povos andinos morava em terras estrangeiras (idem, pg. 92). E os sacrifícios humanos dos astecas, no México? Relatos espanhóis do século 16, com base em histórias contadas pelos índios, falam em 80.400 mortes em 1487, durante a inauguração do Templo Maior de Tenochtitlán (idem, pg. 98). O Códice Telleriano-Remensis, baseado em pinturas narrativas dos astecas, diz que foram apenas 4.000 pessoas que tiveram o coração arrancado e jogado para rolar pirâmide abaixo (Cfr. pg. 99).

A mesma barbárie era feita pelos maias: Um garoto de cinco anos, cujos restos mortais foram encontrados em 2005 numa base da parte sul do Templo Maior de Tenochtitlán, teve os braços colados às asas de um gavião. Baseados nas diversas marcas na parte interna das costelas, arqueólogos concluíram que o elemento cortante, provavelmente uma faca de sílex, ‘entrou na cavidade torácica a partir do abdômen’, rasgando os músculos para chegar ao coração (idem, pg. 101). O filme Apocalypto (2006), de Mel Gibson, retrata perfeitamente esses fatos escabrosos.

A mesma anticomemoração ocorreu durante os 500 anos do Descobrimento do Brasil, em que a História nacional foi execrada e renegada, como a formação da sociedade brasileira, a arquitetura barroca, a Semana da Arte Moderna, os grandes escritores. Um relógio da Rede Globo, que fazia a contagem regressiva dos 500 anos, foi depredado em Porto Alegre, RS. Foram lembrados apenas o genocídio indígena, a Inquisição católica e fatos pitorescos, como o do padre tarado, que, em visita religiosa a mulheres doentes, possuía sexualmente todas as mulheres da casa, além da própria doente, para uma mais rápida recuperação física.

Legenda Negra

O mesmo que Lenda Negra, expressão cunhada pelo escritor espanhol Julián Juderías, em 1914. Movimento de diabolização dos conquistadores da América, centra seus ataques principalmente contra a Igreja Católica na América Latina. A Legenda Negra promove o retorno ao pelagianismo e ao paganismo religioso indígena e africano. Personagens influentes do movimento: Frei Beto, diretor da revista America Libre, órgão oficial do Foro de São Paulo (FSP), e Leonardo Boff. Este último empenha-se na implantação de um cristianismo indo-afro-americano inculturado nos povos, nas peles, nas danças, nos sofrimentos, nas alegrias e nas línguas de nossos povos, como resposta a Deus (na carta em que renuncia ao sacerdócio, em 29/6/1992). Ou seja, é a pregação do fim da Civilização Ocidental cristã, com a volta do ser humano a seu estado primitivo (canibalismo, magia negra, sacrifício de seres humanos etc.).

Legenda Negra contra Pio XII

Periodicamente, a mídia volta a insistir na mentira do milênio passado, de que o Papa Pio XII foi omisso e insensível frente ao massacre nazista promovido contra os judeus. Há vários livros que tentam difundir essa mentira, como O Papa de Hitler, do embusteiro John Cornwell, um best-seller de anos atrás. Livros sérios, que desmentem a calúnia contra Pio XII, como The Myth of the Hitler Pope, do rabino David Dalin, e The Defamation of Pius XII, do filósofo Ralph McInnerny, continuam inacessíveis ao público em geral e nunca foram mencionados pela mídia ideologicamente comprometida com o anticlericalismo. Também nada se diz sobre o livro A Santa Sé e a questão judaica (1933-1945), de Alessandro Duce, professor extraordinário de História das Relações Internacionais nas Faculdades de Ciências Políticas e de Jurisprudência da Universidade de Parma. Atualmente, com o andamento do processo de beatificação de Pio XII, muitas vozes, inclusive judaicas, continuam a propalar a mentira. O Papa Bento XVI, com a força moral e intelectual de que está investido, está reagindo à altura contra as calúnias, refutando didática e enfaticamente as falsas acusações que pesam contra Pio XII. Por isso, para reconduzir a verdade para o lugar que ela merece, leia http://www.conteudo.com.br/lenda-negra-contra-pio-xii-o-papa-de-hitler/?searchterm=veja. [endereço indisponível]

Nota:

NARLOCH, Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia politicamente incorreto da América Latina. Leya, São Paulo, 2011.


P. S.: 

Lenda Negra contra Pio XII

Por Zenit.org, durante o Papado de Bento XVI

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/10/lenda-negra-contra-pio-xii-por-zenitorg.html




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Hamster Digital - Por Félix Maier

 


Hamster Digital

Félix Maier

Outro dia reparei que a humanidade descobriu finalmente o moto-contínuo. Não foi a ciência, nem a engenharia alemã, muito menos um gênio esquecido num porão da USP. Foi o celular. Mais especificamente: o dedo polegar.

O ser humano moderno passa horas fazendo um único movimento repetitivo, hipnótico, automático — para cima, sempre para cima — como se estivesse empurrando o mundo para fora da tela. Não anda, não corre, não pensa: rola. Rola imagens, rola vídeos, rola opiniões, rola indignações prontas. É o hamster da era digital, só que em vez de serragem, corre sobre pixels.

A imagem é perfeita: um hamster feliz, sorridente, dentro de uma rodinha brilhante, girando sem sair do lugar. Troque a rodinha por um smartphone e pronto: eis o retrato da nossa época. A diferença é que o hamster original pelo menos se exercita. O digital só engorda, comendo porcaria pedida pelo celular no Méqui.

Os jovens, sobretudo, desenvolveram uma alergia misteriosa aos livros. Não é preguiça — é reação física mesmo. Ao abrir um volume de papel, os sintomas aparecem: coceira existencial, tédio agudo, vontade súbita de conferir notificações que não existem. Já se sabe que alguns chegam a espirrar os pulmões e as tripas ao sentir cheiro de biblioteca. Papel, coitado, virou substância altamente tóxica.

As bibliotecas, aliás, mudaram de função. Antes eram depósitos de silêncio e ideias. Hoje são coworkings de chat. Jovens entram, sentam-se, ligam o Wi-Fi, abrem o notebook e o celular ao mesmo tempo — redundância é segurança — e passam horas conversando com pessoas que não estão ali, ignorando solenemente as que estão. Os livros observam tudo, calados, com aquela dignidade de móvel antigo que sabe que será herdado por ninguém.

A impressão que se tem é que os hamsters digitais de duas pernas roeram todos os livros das bibliotecas. Não para ler — para destruir mesmo. Roer lombadas, mastigar páginas, triturar parágrafos. O conhecimento virou serragem. O que sobrou foram capas bonitas para selfies intelectuais: Na biblioteca, estudando, legenda obrigatória, livro fechado, câmera aberta, cérebro em modo avião.

Os mais velhos, convém dizer, não escaparam da mutação tecnológica. Apenas disfarçam melhor. Antes reclamavam da televisão; agora reclamam do celular… pelo celular. Dizem que no meu tempo era diferente enquanto passam três horas seguidas assistindo a vídeos de acidentes, fofocas políticas e médicos explicando, em 30 segundos, doenças que antes exigiam seis anos de faculdade. Viraram hamsters com nostalgia.

O celular, essa praga portátil, é mais letal que uma bomba atômica. A bomba destrói cidades; o celular destrói a atenção, que é muito pior. Sem atenção não há leitura, sem leitura não há pensamento longo, e sem pensamento longo a humanidade vira uma sucessão de frases curtas, opiniões recicladas e certezas inflamadas.

Nunca se soube tanto e nunca se pensou tão pouco. O hamster digital não ignora tudo — ele sabe um pouco de tudo, superficialmente, mal-acabado, fragmentado. É um erudito de rodapé, um sábio de manchete. Conhece títulos, não conteúdos. Tem opinião formada antes mesmo de entender a pergunta.

Outro efeito colateral grave é a ilusão de movimento. O hamster corre, corre, corre… e continua no mesmo lugar. O usuário rola, rola, rola… e continua exatamente igual, só que mais cansado. Ao fim do dia, sente-se exausto sem saber por quê. Trabalhou? Pensou? Criou algo? Não. Apenas girou a telinha.

As conversas também foram afetadas. Antigamente, as pessoas se interrompiam para discordar. Hoje se interrompem para conferir o celular. É um diálogo entre polegares. O silêncio deixou de ser pausa para reflexão e virou sinal de Wi-Fi ruim. Se a tela apaga, o mundo acaba.

Há casais sentados à mesma mesa, cada um em sua rodinha particular, correndo em direções opostas sem sair do lugar. O amor virou notificação silenciosa. A atenção plena é item de luxo. Olhar nos olhos parece invasivo demais, quase indecente. A mesa de jantar, além de facas, garfos e colheres, ganhou novo talher: o celular.

E, no entanto, ninguém larga o aparelho. O hamster poderia sair da roda, mas não sai. Há algo ali — dopamina, pertencimento, medo de ficar de fora — que o mantém correndo. Talvez seja isso: o pavor de parar e perceber que, fora da tela, existe tempo. E o tempo, ao contrário do feed, não pode ser rolado para cima.

Porque um dia, sem alarde, sem trend, sem aviso prévio, um hamster digital para. Não porque alguém mandou, não porque leu um manifesto, mas porque o polegar cansou. Ele olha em volta. Vê um livro esquecido numa prateleira, sobrevivente da roedura geral. Abre por curiosidade, quase por tédio.

E algo estranho acontece: o texto não rola. Ele exige permanência. Não pisca, não vibra, não recompensa com curtidas. No começo é desconfortável. Depois é libertador. O hamster percebe que, pela primeira vez em muito tempo, não está correndo. Está andando. Avançando de verdade. Saindo do lugar.

A roda continua girando ao redor — milhões de polegares ainda em movimento — mas aquele hamster desce. Senta. Lê. Pensa. Ri sozinho. Fecha o livro com a sensação rara de quem chegou a algum lugar.

E descobre, espantado, que o mundo fora da rodinha ainda existe.

Silencioso. Imperfeito. Mas, profundamente humano.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O Bug do Milênio (o mundo não acabou, mas resolveu piorar) - Por Félix Maier

 

O Bug do Milênio

(o mundo não acabou, mas resolveu piorar)


Félix Maier

O ano de 2000 começou como começam os fins do mundo: com PowerPoint, atas, coffee break e uma convicção absoluta de que ninguém sabia exatamente do que estava falando. Chamava-se Bug do Milênio, um nome curto para um apocalipse longo, técnico e internacional. A profecia era clara: quando os computadores vissem o ano “00”, entenderiam “1900”, entrariam em pânico existencial e, como qualquer sistema nervoso mal programado, levariam tudo junto.

Aviões cairiam do céu como mangas maduras. Bancos esqueceriam quem devia a quem. Esgotos não tratados seriam liberados sem pudor — beberíamos merda líquida, como se fosse um novo isotônico. Mísseis nucleares, confusos com a data, poderiam ser lançados por engano, talvez para comemorar a virada do milênio. O Apocalipse Segundo Bill Gates.

No Ministério da Defesa, onde eu trabalhava, formou-se um Grupo de Trabalho — entidade mística que surge sempre que ninguém sabe o que fazer, mas alguém precisa parecer ocupado. Sentavam-se à mesa generais, coronéis e técnicos de informática. Os primeiros sabiam mandar, os segundos sabiam obedecer e os terceiros sabiam que nada daquilo fazia muito sentido.

— E se os radares pararem? — perguntou um general, franzindo o cenho como quem encara o fim da civilização.

— A gente reinicia — respondeu o técnico, com a serenidade de quem já tinha visto Windows travar coisa pior.

— Reinicia o quê? O país? — retrucou o general.

Fizeram-se planos de contingência. Simulações. Checklists. Alguém sugeriu imprimir tudo, por segurança. O papel, afinal, ainda não tinha bug. As empresas de TI faturaram como nunca. Atualizações, patches, consultorias, cursos, certificados, manuais em inglês traduzidos às pressas para português técnico — aquele idioma que ninguém entende, mas assina.

E então veio a noite de 31 de dezembro de 1999. O relógio correu. O mundo prendeu a respiração. O ano virou.

Nada.

Nenhum avião caiu. Nenhum míssil saiu por engano. O esgoto seguiu seu rumo habitual de purificação, que no Brasil já não era grande coisa. O bug, ao que tudo indicava, tinha sido vencido — ou nunca existira. O mundo não acabou. Mas algo, silenciosamente, começou a dar errado.

O terceiro milênio amanheceu com outro tipo de pane: a trilha sonora. Se o Bug do Milênio não derrubou sistemas informáticos, derrubou qualquer esperança de bom gosto. O funk espalhou-se pelas rádios e televisões como uma praga bíblica — daquelas que o Antigo Testamento teria vergonha de listar.

Um tapinha não dói atravessava paredes no Rio de Janeiro, numa casa vizinha à da minha sogra Zoé, durante uma noite inteira de férias de janeiro, em 2001. O volume não diminuía, o refrão não acabava, e a letra parecia escrita por alguém que tinha brigado feio com o dicionário.

— Isso é música? — perguntou dona Zoé, às três da manhã, com a dignidade de quem já sobreviveu à Segunda Guerra e a três planos econômicos.

— É o futuro — respondi, pessimista.

— Então o futuro devia pedir desculpas.

Na televisão, programas infantis ensinavam coreografias que sacrificavam joelhos e valorizavam lombares. É o Tchan, Eguinha Pocotó, Dança do Créu em festas juninas de escolas de 1ª à 5ª Série. Mães incentivavam, orgulhosas, como se estivessem preparando pequenos atletas para as Olimpíadas do Rebolado. O folclore, que antes tinha boi-bumbá, balaio e fogueira, foi sendo substituído por garrafas plásticas e coreografias que fariam corar um estivador do Porto de Santos em 1964.

Bailes se multiplicavam — em favelas, chácaras, ruas, clubes, iates, com muito pó branco. Tudo virou trenzinho. Tudo virou batida. Tudo virou excesso. O bug, afinal, não era tecnológico: era cultural.

Nas artes e na música, instalou-se o verdadeiro colapso sistêmico. Surgiram MCs tatuados, musculosos, adornados com correntes de ouro que fariam um navio mercante se sentir subequipado. Rapeavam platitudes sobre nada, com vento na cabeça e convicção no olhar, como se estivessem fundando uma nova Renascença — só que sem Leonardo, sem Michelangelo e sem vergonha.

Essa estética da gritaria, da pichação, da violência como marketing e da vulgaridade como virtude espalhou-se pelo mundo e foi rapidamente copiada no Paraíso do Vira-Bosta, onde tudo que é ruim chega rápido e tudo que é bom fica preso na alfândega.

O Brasil, que já teve Pixinguinha, Noel Rosa, Tom Jobim, Chico, Caetano, Elis, Milton, Gonzaga, virou um grande karaokê desafinado. O sertanejo universitário — que não é sertanejo nem universitário — passou a dominar tudo. Vozes agudas, sofridas, dramáticas, imitando Xororó e Zezé di Camargo como se fossem castrati modernos, castrados não pela arte, mas pelo algoritmo.

O Brasil, tão rico em música nos anos 1960 a 90, hoje é convidado a ouvir gritaria sertanojo, baixaria funk e lixo piseiro. Não mais em fitas K7, nem CDs, nem DVDs. Agora é streaming. O lixo, finalmente, ficou sustentável: reciclável, infinito, onipresente. Não apenas Veneza e Nova York estão afundando. O Brasil também submerge, lentamente, em sua própria indigência cultural.

— Isso é o sinal dos tempos? — perguntei a um amigo.

— Não. É só o gosto médio de um país ignorante.

Enquanto isso, um bug político se instalava com atualização automática. Em 2003, o Ogro de Nove Dedos ascendia ao poder, como se o país tivesse clicado em aceitar termos e condições sem ler nada. O sistema passou a travar moralmente, socialmente, economicamente. Corrupção virou rotina, escândalo virou ruído, indignação virou cansaço.

E então veio o telefone celular. A grande bênção se revelou também uma praga portátil. Uma bomba atômica de bolso. A juventude, agora, não tem tempo para livros — está ocupada demais masturbando a estrovenga tecnológica, rolando infinitamente, como hamsters digitais.

— Você já leu esse autor clássico? — perguntei a um amigo.

— Não, mas vi um resumo em 30 segundos.

O bug final talvez seja esse: uma humanidade que já não lê, não escuta, não espera — apenas desliza o dedo, convencida de que entender o mundo em meio minuto é sinal de progresso.

E antes que alguém diga que tudo começou agora, lembremos do Xou da Xuxa. Ilariê destronou cirandas, cantigas, músicas folclóricas. A infância passou a usar figurino, maquiagem, coreografia. Tudo muito colorido, tudo muito alegre, tudo muito cedo. A adultização não nasceu na internet. Só ganhou Wi-Fi.

Por isso causa espanto quando um influencer descobre hoje o que já acontece há décadas.

— Onde ele estava? — pergunto.

— Quem?

— O Felca.

— Em Plutão, talvez.

E como tudo que é ruim pode piorar, surge uma cena carnavalesca em que uma mulher adulta canta luxúria ao lado de uma criança em palco festivo, sob aplausos. É o caso de Ivete Sangalo, cantando Vampirinha: Vou te chupar, chupar teu pescoço, te chupar todin, chupar, chupar, chupar com gosto

Depois de tanto tempo normalizando a imundície, ainda há quem pergunte se dá para criticar. Dá. Sempre dá. O bug mais perigoso é achar que não dá mais.

O Bug do Milênio não destruiu sistemas informáticos. Desorganizou valores. O mundo não acabou em 2000. Mas desde então parece rodar sem antivírus.



quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A chave mestra - Por Félix Maier

 

A Chave Mestra

Félix Maier

Tripé não nasceu Tripé. Ninguém nasce Tripé; a gente vira. O apelido, como todo apelido que presta, veio depois de um acidente sem vítimas, mas com testemunhas suficientes para atravessar gerações. Há versões. A mais aceita é a de que Tripé, além de uma estabilidade emocional invejável (para os padrões de quem troca de casa como quem troca de canal), era dono de um certo membro avantajado — vantagem essa que, dizem, lhe dava equilíbrio extra, como as pernas suplementares de um equipamento profissional. Daí o Tripé. O nome pegou, como chiclete em sapato novo.

Tripé era casado. Casado mesmo, com certidão, fotos amareladas e sogra de opinião formada. Mas Tripé também era, digamos, logisticamente ambicioso. Tinha uma chave mestra. Não no sentido metafórico — embora também —, mas literal: uma chave que abria quatro portas. A sua casa, a casa oficial, a matriz. E mais três casas de suas amantes fixas, filiais cuidadosamente administradas, cada uma com seu “ninho” preparado com zelo de gerente de hotelaria.

Tripé não era um qualquer. Era um profissional. Qual paxá islâmico, tratava as quatro com rigorosa igualdade, como manda a lei — a lei dele, claro. Em todas as casas, havia um só tipo de sabonete, sempre o mesmo, neutro, sem perfume acusatório. Um só tipo de perfume masculino, comprado em lote, para não variar a nota de cabeça e levantar suspeitas nas notas de rodapé. As mesmas toalhas de banho, brancas, felpudas, compradas no mesmo dia, na mesma loja Havan, para envelhecerem juntas. E, sobre a mesa da sala, os mesmos bombons Sonho de Valsa, estrategicamente dispostos, como quem diz: aqui também se sonha, mas sem exageros.

Tripé acreditava que o segredo da bigamia — e da tetragamia — era a padronização. Onde há padrão, há silêncio. Onde há silêncio, há paz. Sua vida ia firme como tripé de câmera fotográfica e de cinema: estável, com três pernas bem plantadas no chão. Era o orgulho do bairro, embora o bairro não soubesse exatamente do quê.

Ele tinha um cronograma. Segunda e quinta, matriz. Terça, filial A. Quarta, filial B. Sexta, filial C. Sábado era território neutro, reservado para churrascos familiares, jogos de futebol e cochilos estratégicos. Domingo, dependendo da rodada do campeonato e do humor da matriz, podia ser folga ou plantão extraordinário num outro ninho.

Tudo ia às mil maravilhas até o dia em que uma das passarinhas — chamemos de Beatriz, porque Beatriz sempre foi nome de mulher que faz poesia com pequenas maldades — resolveu inovar. Não por vingança declarada, não por desconfiança comprovada. Por intuição. E intuição, como se sabe, não pede provas; pede palco.

Beatriz colocou um lenço perfumado no paletó de Tripé. Um lenço discreto, elegante, com um perfume que não constava no manual de padronização do nosso herói. Não era um perfume qualquer: era um perfume com memória. Desses que entram no elevador antes da pessoa e ficam esperando o comentário.

Tripé não percebeu. Tripé raramente percebia. Sua confiança no sistema era tão grande que ele acreditava que o sistema se autorregulava. Vestiu o paletó, beijou Beatriz no rosto (gesto protocolar) e foi para casa da matriz, assobiando uma música antiga, dessas que não denunciam nada.

Na sala, a esposa — chamemos de Matilde, porque Matilde sempre sabe mais do que aparenta — sentiu o cheiro antes de vê-lo. O olfato feminino, esse radar de curto alcance e longo alcance ao mesmo tempo, captou a intrusa. Matilde não disse nada. Apenas esperou o jantar, o telejornal, o café. Depois, no momento exato em que Tripé se sentou para ler o Estadão — sim, Tripé é das antigas, jornal só no papel , Matilde perguntou, com a voz de quem pergunta o horário:

— Que perfume é esse?

Tripé travou. Não muito. Apenas o suficiente para derrubar uma perna do tripé imaginário. Disse qualquer coisa. Uma coisa genérica. Uma coisa que não ofende ninguém e não explica nada.

— Perfume novo da loja.

Matilde sorriu. O sorriso que não chega aos olhos. O sorriso que pede CPF na nota fiscal.

— Curioso — disse ela. — Porque não é o seu perfume.

Silêncio. O jornal caiu no chão, como caem as folhas nos romances russos quando alguém morre.

Matilde, coitada, quis saber quem era a filial. Mal sabia ela que havia uma rede de filiais, com tendência de expansão e talvez até franquias. Tripé, pressionado, tentou a estratégia do desvio: falou de trabalho, do trânsito, do preço da carne. Não funcionou. Matilde era do tipo que não se distrai com fumaça; ela quer ver o incêndio.

— Tem outra mulher? — perguntou, direto, sem rodeios, como quem pergunta se vai chover.

Tripé hesitou. E hesitar, nesses casos, é confessar em capítulos.

— Tem.

Matilde respirou fundo. Uma só? Era o que ela queria saber. Uma, dava para lidar. Uma é erro humano. Uma é crise passageira. Uma é terapia de casal. Tripé, então, resolveu ser honesto — honestidade seletiva, claro.

— Não exatamente uma.

Foi aí que Tripé desabou de vez.

O que Tripé não contava — e esse foi o erro fatal, o detalhe que nenhum manual prevê — é que Matilde também tinha uma chave mestra. Não de portas, mas de informações. Matilde era síndica do prédio onde ficava uma das filiais. Era voluntária na igreja frequentada por outra. E fazia pilates com a terceira. O mundo é pequeno quando se frequenta os mesmos salões de beleza.

Em menos de uma semana, as quatro mulheres estavam sentadas na mesma sala. A sala da matriz. As toalhas eram as mesmas. Os bombons, os mesmos. O sabonete, o mesmo. O perfume masculino, ironicamente, também.

Tripé, convocado, sentou-se diante delas como um aluno diante da banca examinadora. Esperava gritos, tapas, lágrimas, talvez um objeto voador não identificado. Não veio nada disso. Veio silêncio. E silêncio, como se sabe, é o mais perigoso dos barulhos.

Matilde falou primeiro.

— Ele nos tratou igual.

As outras concordaram, meio contrariadas. Não era exatamente um elogio, mas também não era uma acusação clássica. Era uma constatação administrativa.

— Sempre os mesmos bombons Sonho de Valsa — disse Beatriz.

— As mesmas toalhas da Havan — disse a segunda.

— O mesmo perfume do Boticário — completou a terceira, com certo nojo.

Houve uma pausa. E então veio o inesperado. O final que Tripé jamais imaginaria, nem nos seus delírios mais otimistas.

— A gente podia — disse Matilde, pensativa — fazer melhor uso dessa logística toda.

Tripé arregalou os olhos. Não entendeu.

— Como assim? — perguntou o sardão, com a voz de quem pede legenda para as passarinhas.

As quatro se entreolharam. Sorriram. Um sorriso de consórcio aprovado.

— Você sai — disse Matilde. — A chave fica.

E ficou.

Tripé foi dispensado com uma mala pequena, contendo o essencial e nada do que importava. As quatro mulheres, agora sócias, decidiram manter as casas, os padrões, os bombons. Transformaram os ninhos em um negócio. Um pequeno hotel urbano, discreto, elegante, com atendimento impecável e zero tolerância a lenços perfumados fora do protocolo.

Chamaram o lugar de A Chave Mestra.

Tripé, hoje, mora sozinho. Anda por aí contando histórias que ninguém acredita. Diz que perdeu tudo por causa de um lenço. Não percebeu que, na verdade, perdeu a chave mestra.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

As ossadas do Cemitário de Perus e a grande farsa de Caco Barcellos - Por vários autores

 

Mário Kozel Filho foi assassinado pelo grupo terrorista VPR, 
de Carlos Lamarca, do qual Dilma Rousseff era membro importante.

Preâmbulo

Ontem, dia 26 de junho de 2016 (mesmo dia 26 de junho em que o soldado Kozel foi assassinado pelo bando terrorista de Dilma Rousseff, em 1968), o Fantástico requentou notícia de jornal velho, voltando a difundir a mentira de que a "repressão militar" matou milhares de "opositores políticos", cujas ossadas teriam sido enterradas clandestinamente no Cemitério de Perus, em São Paulo. Faz parte da esquerda terrorista distorcer a história recente do Brasil, de modo a diabolizar os militares que combateram a peste vermelha.

F. Maier


Leia matéria completa
no livro

Matéria pesquisada por Maria Joseita Silva Brilhante Ustra

Fontes: 

- livro A Verdade Sufocada de Carlos Alberto Brilhante Ustra - https://pt.scribd.com/document/631698486/A-verdade-Sufocada-Ustra-pdf


Os militantes das organizações terroristas, quando entravam na clandestinidade, abandonavam a família, os estudos, os amigos, a profissão e até o próprio nome. Tudo passava a fazer parte do seu passado. Para viver na clandestinidade, necessitavam de nova história de vida, de novos amigos, de novo nome, de nova identidade. Para isso não hesitavam em fraudar a lei. 

Nesse sentido, o mais comum era obterem uma nova certidão de nascimento, com o nome que passariam a usar. Com essa certidão compareciam a um serviço de identificação do governo, onde eram identificados e de onde saíam com uma nova carteira de identidade, legítima e válida para todos os efeitos legais. A partir desse momento, por meios criminosos, oficialmente passavam a ser outra pessoa. 

Outro procedimento era receberem do Serviço de Inteligência da organização identidades falsas. As cédulas das carteiras de identidade, em branco, eram conseguidas nos assaltos aos Postos de Identificação do governo e as certidões de nascimento, em branco, também eram obtidas em assaltos aos Cartórios de Registro.

Assim agindo, evitavam ser reconhecidos e presos caso procurassem um posto de identificação policial. Só os Serviços de Informações possuíam fotos, geralmente desatualizadas, dos principais militantes das organizações terroristas. Caso um militante, usando uma identidade com o nome diferente do seu, morresse num acidente, dificilmente seria reconhecido pelas autoridades policiais que atendessem a ocorrência.

Quando, porém, entre os documentos apreendidos em poder do morto era encontrado material subversivo, armas, bombas, etc, o DOPS ou o DOI (no caso de São Paulo) eram informados. 

Quando um terrorista, usando uma identidade obtida de modo criminoso, morria em combate, tínhamos que seguir os procedimentos normais para sepultá-lo.

Como seu nome não constava na nossa relação de terroristas procurados, ficávamos na dúvida, mas tínhamos a certeza de que, normalmente, por medida de segurança, eles trocavam suas identidades. Começava, então, o nosso trabalho em saber quem ele era na realidade.

Às vezes, pela fotografia, um companheiro de militância o reconhecia. Outras vezes, pesquisando no álbum de fotografias, por semelhança, obtínhamos seu nome verdadeiro.

Obrigatoriamente, eram tiradas as impressões digitais pelas autoridades policiais encarregadas do sepultamento e comparadas com as da carteira de identidade que portava. Confirmado que eram idênticas, o sepultamento era feito com o nome constante na carteira.

Suas impressões digitais eram enviadas aos Serviços de Identificação para que suas fichas datiloscópicas fossem comparadas e o verdadeiro nome oficialmente identificado. Isso demandava tempo.

No inquérito policial, aberto para apurar a morte, essa situação da dupla identidade era declarada, mas só a Justiça poderia fazer o morto voltar à sua primeira identidade.

Normalmente, as famílias nem sabiam de seu falecimento, apesar de noticiados em jornais, pois desconheciam os seus paradeiros. O morto era enterrado numa cova rasa, mas com a exata localização no cemitério. A qualquer momento, a sepultura poderia ser encontrada. Não era, portanto, sepultamento clandestino.

Em São Paulo, a maioria dos terroristas mortos em combate foi sepultada no Cemitério Dom Bosco, no bairro Perus.

Passado o prazo legal, que penso ser de cinco anos, como acontece em todos os cemitérios do País, se a família não retirasse os restos mortais e os colocasse num nicho ou em um jazigo, eles seriam exumados e enterrados numa vala comum, juntamente com as ossadas de outras pessoas que se encontrassem na mesma situação.

A esquerda, dentro do quadro de revanchismo a que se impôs, explora essa situação e acusa as autoridades de enterrar os “presos políticos” em cemitérios clandestinos e com nomes falsos.

Em 1990, Luiza Erundina, então prefeita de São Paulo pelo PT, com a força do seu cargo, ajudou a esquerda nesse processo de “denúncias”, criando a Comissão Especial de Investigações das Ossadas de Perus.

Em 4 de setembro daquele ano, a prefeitura de São Paulo abriu com grande estardalhaço, com manchetes e mais manchetes na mídia, a Vala de Perus, localizada no Cemitério Dom Bosco, na periferia da cidade, onde estavam enterradas 1.049 ossadas de indigentes e, possivelmente, de alguns terroristas.

Segundo a ONG Tortura Nunca Mais, foram 358 os mortos e desaparecidos em todo o Brasil e no exterior, incluídos os do Araguaia, os que se suicidaram, os que faleceram em acidentes de carro, os mortos em passeatas e arruaças. Já Nilmário Miranda, em seu livro Dos filhos deste solo, aponta 420 mortos, dos quais 23, segundo ele, não têm motivação política e um dos “mortos”, Wlademiro Jorge Filho, está vivo (página 468 do seu livro). O número portanto cai para 396 mortos.

De onde esse Serviço Funerário da Prefeitura, na época de Marta Suplicy do PT, tirou os mais de mil militantes políticos, enterrados na Vala de Perus?

Segundo a matéria, nenhum terrorista foi morto em combate com os órgãos de segurança, todos foram assassinados, e a vala comum, que sempre existiu, passou a ser clandestina.


Em 1973, a família dos irmãos Yuri e Alex de Paula Xavier Pereira descobriu ue Yuri estava enterrado no Cemitério de Perus. Procurando o administrador do cemitério, localizou no livro de registros o sepultamento de João Maria Freitas, nome falso usado por Alex.
- Em junho de 1979, alguns familiares foram ao Cemitério de Perus e localizaram outros militantes mortos, sob identidade falsa, como Gelson Reicher, enterrado com o nome de Emiliano Sessa, e Luís Eurico Tejera Lisboa, enterrado como Nelson Bueno.
- Em 1992, foram identificados na Vala de Perus Denis Antônio Casemiro,  considerado desaparecido, e Frederico Eduardo Mayr.
- No Cemitério de Perus foram identificados três esqueletos em covas individuais, como sendo de Helber José Gomes Goulart, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones.
- No mesmo cemitério foram identificados os esqueletos das covas onde estavam enterrados Hiroaki Torigoe e Luís José da Cunha. Seus ossos foram retirados e enviados para o DML/UNICAMP.
A respeito do que está publicado nesse site, podemos acrescentar que:
- Denis Antônio Casemiro não é desaparecido. Segundo o livro de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio, foi enterrado com o verdadeiro nome.
- Hiroaki Torigoe faleceu em 05/01/72. Sua morte foi publicada no dia  seguinte no jornal O Estado de S. Paulo, onde consta o seu verdadeiro nome.
Apesar de se saber, através de fotografias, o nome de nascimento, foi enterrado com o nome dos documentos que portava ao morrer: Massamiro Nakamura.
Torigoe só foi identificado oficialmente depois de prolongada busca nos órgãos de identificação para a comparação das suas impressões digitais.
- Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher morreram no dia 20/01/1972, em tiroteio com uma equipe do DOI, após terem abatido a tiros de
metralhadora o cabo Sylas Bispo Feche, desta equipe. As suas mortes foram tornadas públicas dois dias depois, em matéria do jornal O Estado de S. Paulo, onde constam seus nomes verdadeiros. Foram sepultados com os nomes constantes nos documentos que usavam ao morrer, João Maria Freitas (Alex) e Emiliano Sessa (Gerson). Em novembro de 1980, a família de Alex retirou do Cemitério de Perus os restos mortais dos dois irmãos, Yuri e Alex, e os sepultou no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro.
A família de Gelson Reicher, após exumar seu corpo no Cemitério de Perus, o sepultou no Cemitério Israelita. 

Comentários 

01 Félix Maier 12-04-2013 10:20
Depoimento do general Negrão Torres:

“O número de enterrados tem variado de milhares ou de centenas até a umas poucas dezenas de ‘assassinados’. O Correio Braziliense, de 20/12/02, publicou em seu caderno Coisas da vida, que pesquisadores brasileiros e ingleses começarão a examinar os ‘corpos de 1.200 desaparecidos durante a ditadura militar’ que estão sepultados no cemitério de Perus. O Grupo Tortura Nunca Mais diz que são 184 os mortos e 136 os desaparecidos na ‘luta contra a ditadura’. Desses 136 desaparecidos, 53 teriam sido durante a guerrilha do Araguaia, em plena floresta amazônica. Portanto, restariam 83 corpos de desaparecidos para o restante do Brasil, inclusive para o cemitério de Perus que, por sinal, nunca foi clandestino" (Gen Div Raymundo Maximiano Negrão Torres - História Oral do Exército - 1964, Tomo 14, pg. 84-85).
 

***

José Luis Sávio Costa é coronel reformado do Exército. Foi Oficial de Inteligência e, por um tempo, articulista do site Mídia Sem Máscara, criado pelo professor, escritor, filósofo e pensador brasileiro Olavo de Carvalho.

Por seu trabalho de desinformação e mentiras sobre o Cemitério de Perus, Caco Barcellos recebeu os prêmios Embratel e Líbero Badaró. 

É assim que a História do Brasil é contada todo dia, principalmente em nossas escolas. 

É assim que a História do Brasil será deturpada pela Comissão Nacional da Verdade, o Pravda tupiniquim. Pravda, em russo, significa "verdade"...

F. Maier 


A Grande Farsa de Caco Barcellos 

por José Luís Sávio Costa

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/05/a-grande-farsa-de-caco-barcellos-por.html