Movimento
pré-revolucionário comunista, que antecedeu o ano de 1964
Os verbetes FMP, Folhetos cubanos, Foquismo, G-11, Ligas Camponesas, MEB, MEP, Revolução Cubana e ULTAB dão uma ideia de como foram os anos conturbados no Brasil, após 1961, quando João Goulart foi alçado ao poder, depois de Jânio Quadros renunciar à Presidência da República.
FMP - Frente de Mobilização Popular. “Lançada
por Brizola no começo de 1963, estava mais voltada para a pressão popular sobre
o Congresso, algo que para a tradição conservadora brasileira soa como uma
revolução sangrenta em curso. Dela faziam parte o Comando Geral dos
Trabalhadores (CGT), a Ação Popular (grupo revolucionário de origem católica),
o Partido Operário Revolucionário (POR-T, trotskista), setores das Ligas
Camponesas, a esquerda do PCB, integrantes do PSB, grupos de sargentos e
marinheiros” (NAPOLITANO, 2014: 38)
Folhetos cubanos - Eram disseminados no Brasil pelo
Movimento de Educação Popular (MEP), durante o governo de João Goulart, e
serviam de inspiração às Ligas Camponesas, de Francisco Julião, e aos Grupos
dos Onze (G-11), de Leonel Brizola. Desde 1961, os comunistas passaram a comprar
várias fazendas em Pernambuco, Bahia, Acre, Goiás e Minas, para servirem de centros
de guerrilha. Isso prova que o idioma de pau cubano (o comunismo), de
inspiração soviética, tentou se estabelecer no Brasil antes da Contrarrevolução
de 1964.
Foquismo - Teoria revolucionária de pau, em
que a revolução marxista seria iniciada em pequenos núcleos (focos), para
começar a guerrilha rural, com o objetivo de dominar a nação. O foquismo foi
sistematizado pelo revolucionário comunista francês Jules Debray, e defendida
por Fidel Castro e Che Guevara. O PC do B tentou colocar em prática essa teoria
na região do Araguaia. “O treinamento a
brasileiros em Cuba continua até os dias atuais, embora somente no terreno
político-ideológico, na Escola Superior Nico Lopez, do PC cubano, Escola
Sindical Lázaro Peña, Escola de Periodismo José Martí, Escola da Federação de
Mulheres Cubanas, Escola da Federação Democrática Internacional de Mulheres e
Escola Nacional Julio Antonio Mella, da União da Juventude Comunista. Por essas
escolas já passaram mais de 100 brasileiros. Todavia, o mais importante em tudo
isso, é que a ida de qualquer brasileiro para fazer cursos em Cuba depende do
aval do Partido Comunista Cubano, após entendimentos anteriores, de partido
para partido. Atualmente, existem diversos brasileiros, militantes do Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra, que vêm recebendo, em Havana, treinamento em
técnicas agrícolas, e outros matriculados na Faculdade Latino-Americana de
Ciências Médicas. O site do Partido dos Trabalhadores oferece vagas e publica
as condições definidas por Cuba para matrícula nessa Faculdade” (Huascar
Terra do Valle, in “Histórias quase
esquecidas”, site Mídia Sem Máscara,
10/02/2003).
G-11 - “Os
chamados Grupos dos Onze Companheiros - simplificadamente, Grupos de Onze ou
Gr-11 - e também conhecidos como Comandos Nacionalistas, foram concebidos por
Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol,
imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de
pequenas células - cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território
nacional - que poderiam ser mobilizados a seu comando” (Mariza Tavares, in “Grupo dos 11: O braço armado de Brizola” - cfr. https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/09/grupos-de-onze-o-braco-armado-de.html).
G-11 também pode se referir a Grupo de Combate, de 11 militares, célula de um
pelotão de Infantaria. “Chegou a
organizar 5.304 grupos, num total de 58.344 pessoas, distribuídos,
particularmente, pelos Estados do Rio Grande do Sul, Guanabara, Rio de Janeiro,
Minas Gerais e São Paulo” (ORVIL, pg. 136). A exemplo do que hoje
faz o MST, o G-11 pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis. Os
G-11 seriam o embrião do Exército Popular de Libertação (EPL). “Entre 19 e 25 de outubro de 1963, Brizola
lançou, oficialmente vamos dizer assim, os seus ‘grupos dos onze’, organizações
que, de acordo com a sua orientação, deveriam considerar-se em revolução
permanente e ostensiva. (...) Era uma imitação chula das instruções da guarda
vermelha bolchevique” (Gen Div Del Nero - HOE/1964, Tomo 5, pg. 100). Um documento do Grupo afirmava que os
G-11 seriam a “vanguarda do movimento
revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na
União Soviética”. (Prova a ignorância de Brizola, pois em 1917 havia apenas
a Rússia, não a URSS.) Quando ocorreu a Contrarrevolução de 1964, havia
centenas desses Grupos espalhados em todo o País e tinham como missão eliminar
fisicamente todas as autoridades do Brasil que não apoiassem Brizola - civis,
militares e eclesiásticas, como se pode ler nas “Instruções secretas” do EPL e
seus G-11, no item 8, “A guarda e o julgamento de prisioneiros”: “Esta é uma informação para uso somente de
alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária
e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não
lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição” (AUGUSTO, 2001: 112).
“Posso dizer que as ‘Ligas Camponesas’ e
os ‘grupos dos onze’, na verdade, foram blefes. Eram usados pela imprensa,
faziam estardalhaço, mas sentir a existência... a ação... Não houve nenhuma,
absolutamente. Apenas no interior de Goiás foram apreendidos uns caixotes com
armas que eram destinados ao ‘grupo dos onze’, mas o pessoal fugiu e nunca mais
apareceu. Havia um oficial amigo do Jango, coronel Seixas, responsável pela
repressão, e que, ao invés de mandar aquelas armas para o Exército, enviou para
a Presidência da República. As armas tinham vindo de Cuba” (Coronel Renato
Brilhante Ustra - HOE/1964, Tomo 5,
pg. 256). Herbert de Souza, o “Betinho”, foi o coordenador geral dos G-11 e na
época da Contrarrevolução de 1964 era assessor do ministro da Educação, Paulo
de Tarso. Sobre os G-11, leia os documentos secretos em http://www.documentosrevelados.com.br/repressao/grupo-dos-onze-companheiros-movimento-liderado-por-brizola-para-barrar-o-golpe-e-avancar-com-as-reformas-parte-3/.
Leia, de minha autoria, Brizola, o último
dos maragatos, disponível em http://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/brizola-o-ultimo-dos-maragatos-por.html.
Guerrilha comunista no
Brasil - Teve início
em 1961 - e não após 1964, como propaga a esquerda mentirosa -, quando o presidente
João Goulart ocultou e repassou secretamente a Fidel Castro as provas da
intervenção armada de Cuba no Brasil. Leia, ainda, O apoio de Cuba à luta armada no Brasil, de Denise Rollemberg, em https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/rhs/article/download/175/167/. E também Guerrilha Comunista no Brasil, de minha autoria: http://www.aman75-83.com.br/terror_comunanobr.htm
Ligas Camponesas - As origens da organização dos
camponeses datam da década de 1940, no trabalho do PCB, que estabeleceu as
Ligas Camponesas. Essa atividade ressurgiu na década de 1950, em Galileia, com
a criação da Sociedade Agricultural de Plantadores e Criadores de Gado de
Pernambuco, assistida por um ex-membro do PCB, José dos Prazeres, e depois com
a formação de sociedades de direito civis e legais, que rapidamente se
espalharam por todo o Nordeste, passando a uma rede de Ligas Camponesas - como
eram chamadas pelos proprietários de terras, devido à sua origem da década de
1940. Francisco Julião foi o principal líder das Ligas, com atuação,
especialmente, em Pernambuco, do então Governador Miguel Arraes, onde as Ligas
colocavam fogo em canaviais e depredavam fazendas. Julião era advogado, casado
com a militante comunista Alexina Crespo. Desde 1961, se aproximou das
concepções revolucionárias cubanas. No encerramento do Congresso Nacional de
Lavradores e Trabalhadores do Campo, realizado em Belo Horizonte, em novembro
de 1961, o líder das Ligas Camponesas, deputado Francisco Julião, falou: “A
reforma agrária será feita na lei ou na marra, com flores ou com sangue”
(NAPOLITANO, 2014: 37). Em 04/12/1962, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou a prisão de diversos membros das
Ligas num campo de treinamento de guerrilhas em Dianópolis, GO. Nessa região NE
de Goiás, havia ainda os campos de treinamento de Almas e Natividade. No dia 27/11/1962,
na queda de um Boeing 707 da Varig, quando se preparava para pousar em Lima,
Peru, estava entre os passageiros o presidente do Banco Central de Cuba, em
cujo poder foram encontrados relatórios de Carlos Franklin Paixão de Araújo,
filho do advogado comunista Afrânio Araújo, o responsável pela compra de armas
para as Ligas Camponesas. Os relatórios detalhavam os atrasos dos preparativos
para a luta no campo, acusava Francisco Julião e Clodomir dos Santos Morais de
corrupção e malversação de recursos recebidos. “Em 27 de novembro de
MEB - Movimento de Educação de Base:
organização criada pela Igreja Católica, financiada pelo Governo João Goulart e
administrada por militantes de esquerda católica, muitos dos quais eram membros
da Ação Popular. Baseado nas ideias marxistas de Paulo Freire, autor do livro
pauleira Pedagogia do Oprimido, o MEB
funcionava através de escolas radiofônicas, sob a direção de um líder local
(padre ou camponês), em contato com as Ligas Camponesas. Paulo Freire foi
Secretário de Educação da Cidade de São Paulo na gestão da prefeita petista
Luíza Erundina (1989-1993).
MEP - Movimento de Educação Popular. O
MEP disseminava no Brasil, durante o desgoverno de João Goulart, folhetos
cubanos sobre a técnica de guerrilhas. Esses folhetos foram utilizados pelos
G-11, de Brizola, e pelas Ligas Camponesas, de Francisco Julião.
MPL -
1. Movimento Popular de Libertação.
No início de 1966, na Argélia, Miguel Arraes e vários correligionários (os
irmãos Sílvio e Marcos Correia Lins, o advogado Djaci Florêncio Magalhães, o
ex-Ministro Almino Afonso, Roberto las Casas, o ex-padre Rui Rodrigues da Silva
e Piragibe Castro Alves) se reuniram para criar uma frente “anti-imperialista”
no Brasil. Em abril de 1966, por ordem de Arraes, retornaram ao Brasil Marcos
Correia Lins e Piragibe Castro Alves, levando cartas para políticos de
oposição, como o ex-Governador Mauro Borges e o deputado federal Márcio Moreira
Alves. O motivo era arregimentar os descontentes com a Contrarrevolução de
1964. Em 12/05/1968,
Revolução Cubana - No dia 01/01/1959, as tropas de
Fidel Castro tomam Havana. “Segundo
Castro disse, apontando para Matthews: ‘sem a sua ajuda e a do New York Times,
a revolução em Cuba jamais teria ocorrido’” (apud NARLOCH, 2011:
39). Herbert Matthews era jornalista do NYT e foi um grande propagandista da
Revolução. O livro “O Homem que
inventou Fidel - Cuba, Fidel e Herbert L. Matthews do New York Times”, de
Anthony DePalma, Companhia das Letras, São Paulo, 2006, narra em detalhes a
“tomada do Poder em dois tempos” em Cuba. A “república socialista”
cubana, porém, só foi proclamada em maio de 1961, logo após a fracassada
invasão de anticastristas ocorrida na Baía dos Porcos, em Cuba, com o falso apoio
americano. Em 1962, Cuba foi excluída da OEA e em 1964 os países membros da
OEA, com exceção do México, romperam relações diplomáticas com o país, devido
ao apoio cubano de focos guerrilheiros em vários países da América Latina -
Leia “As intervenções armadas lideradas por Cuba na América Latina”, de Ángel
Bermúdez, em http://felixmaier1950.blogspot.com/2021/02/as-intervencoes-armadas-lideradas-por.html.
Cuba forneceu toneladas de armamento ao governo comunista de Salvador Allende.
As residências oficiais de Allende eram verdadeiros paióis, descobertos após a
intervenção de Pinochet, que derrubou os comunistas depois da autorização dada
pela Suprema Corte, que ainda não era cooptada com Allende. No Brasil, antes de
1964, Cuba financiou as Ligas Camponesas para comprar fazendas que serviram de
campos de treinamento de guerrilha. Antes da Revolução Cubana, havia 7 prisões
em Cuba; hoje, são mais de 200. As prisões políticas de Cuba são muitas:
ULTAB - União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do
Brasil: fundada em 1957 pelo PCB, para mobilizar os camponeses em torno do
Plano de Reforma Agrária. De
And last, but not
least, no inicio de 2025, o Presidente dos EUA Donald Trump ordenou
a retirada dos sigilos de mensagens de diplomatas e de agências de Inteligência
que abordavam o assassinato do Presidente John F. Kennedy. Três dessas
mensagens falam sobre o Brasil de João Goulart, de como agentes cubanos foram
infiltrados no Brasil a partir de 1961. Cfr. reportagem de Duda Teixeira em Telegramas revelam ações subversivas
cubanas no Brasil,
clicando em https://crusoe.com.br/diario/telegramas-revelam-acoes-subversivas-cubanas-no-brasil/.
Obras consultadas:
AUGUSTO,
Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira.
Bibliex, Rio, 2001
MOTTA,
Aricildes de Moraes (Coordenador Geral). História
Oral do Exército - 1964 - 31 de Março - O Movimento Revolucionário e sua
História. Tomos
NAPOLITANO,
Marcos. História do Regime Militar Brasileiro. Editora Contexto, São
Paulo, 2014.
NARLOCH,
Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia
politicamente incorreto da América Latina. Leya, São Paulo, 2011.
NARLOCH,
Leandro. Guia politicamente incorreto da
história do mundo. Leya, São Paulo, 2013.
NOSSA,
Leonencio. MATA! O Major Curió e as
Guerrilhas no Araguaia. Companhia das Letras, São Paulo, 2012.
USTRA,
Carlos Alberto Brilhante. A Verdade
Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça (3ª. edição
ampliada - índice onomástico). Editora Ser, Brasília, 2007.
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