
Marcha da Vitória, Rio de Janeiro, 2/4/1964 - Agência O Globo.
Movimento
pré-revolucionário comunista, que antecedeu o ano de 1964
Félix Maier
Guerrilha Comunista no Brasil
Os
verbetes FMP, Folhetos cubanos, Foquismo, G-11, Ligas Camponesas, MEB,
MEP, Revolução Cubana e ULTAB dão uma ideia de como
foram os anos conturbados no Brasil, após 1961, de influência comunista escancarada, com agentes cubanos operando clandestinamente no País, depois que João Goulart foi alçado
ao poder, após Jânio Quadros renunciar à Presidência da República. (*)
Um golpe comunista estava em andamento, a partir de 1961, e que deveria ocorrer em 1/5/1964. Em 31 de março de 1964, houve o contragolpe dos militares, que almoçaram os comunistas antes de serem jantados por eles.
A Revolução Democrática Precedeu
de um Mês a Revolução Comunista
Jornal O Globo, 6/4/1964.

Manchetes:
Ressurge a Democracia!
A VIOLÊNCIA CONTRA "O GLOBO"
Jornal O Globo, 4/4/1964.
Obs.: Fuzileiros Navais, sob o comando do "general do povo" almirante Cândido Aragão, fecharam as oficinas gráficas do Jornal em 31/03/1964. Assim, em 1/4/1964, não circulou O Globo.
31 de março de 1964. A portaria principal do jornal O GLOBO, na Rua Irineu Marinho, interditada por fuzileiros navais Agência O Globo / Arquivo
Graças ao contragolpe dos militares, O Globo se transformou nas Organizações Globo, o maior conglomerado jornalístico do Brasil, com destaque para a TV Globo, fundada em 1965. Atualmente, em vez de agradecer aos militares que desmontaram o Esquema Militar de Jango e seus generais melancias, que queriam o fechamento do Jornal, o repórter William Bonner veio a público, no Jornal Nacional, em 2013, dizendo que o Apoio ao golpe de 64 foi um erro - cfr. em https://memoria.oglobo.globo.com/erros-e-acusacoes-falsas/apoio-ao-golpe-de-64-foi-um-erro-12695226. Qual Madelena Arrependida tardia, o jornal Folha de S. Paulo também fez um mea culpa, em 2014 - cfr. em https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/folha-de-s-paulo-renega-apoio-ao-golpe-civil-militar-e-ditadura-num-mea-culpa-quase-cinico-1376/.
FMP - Frente de Mobilização Popular. “Lançada
por Brizola no começo de 1963, estava mais voltada para a pressão popular sobre
o Congresso, algo que para a tradição conservadora brasileira soa como uma
revolução sangrenta em curso. Dela faziam parte o Comando Geral dos
Trabalhadores (CGT), a Ação Popular (grupo revolucionário de origem católica),
o Partido Operário Revolucionário (POR-T, trotskista), setores das Ligas
Camponesas, a esquerda do PCB, integrantes do PSB, grupos de sargentos e
marinheiros” (NAPOLITANO, 2014: 38).
Folhetos cubanos - Eram disseminados no Brasil pelo
Movimento de Educação Popular (MEP), durante o governo de João Goulart, e
serviam de inspiração às Ligas Camponesas, de Francisco Julião, e aos Grupos
dos Onze (G-11), de Leonel Brizola. Desde 1961, os comunistas passaram a comprar
várias fazendas em Pernambuco, Bahia, Acre, Goiás e Minas, para servirem de centros
de guerrilha. Isso prova que o idioma de pau cubano (o comunismo), de
inspiração soviética, tentou se estabelecer no Brasil antes da Contrarrevolução
de 1964.
Foquismo - Teoria revolucionária de pau, em
que a revolução marxista seria iniciada em pequenos núcleos (focos), para
começar a guerrilha rural, com o objetivo de dominar a nação. O foquismo foi
sistematizado pelo revolucionário comunista francês Jules Debray, e defendida
por Fidel Castro e Che Guevara. O PC do B tentou colocar em prática essa teoria
na região do Araguaia. “O treinamento a
brasileiros em Cuba continua até os dias atuais, embora somente no terreno
político-ideológico, na Escola Superior Nico Lopez, do PC cubano, Escola
Sindical Lázaro Peña, Escola de Periodismo José Martí, Escola da Federação de
Mulheres Cubanas, Escola da Federação Democrática Internacional de Mulheres e
Escola Nacional Julio Antonio Mella, da União da Juventude Comunista. Por essas
escolas já passaram mais de 100 brasileiros. Todavia, o mais importante em tudo
isso, é que a ida de qualquer brasileiro para fazer cursos em Cuba depende do
aval do Partido Comunista Cubano, após entendimentos anteriores, de partido
para partido. Atualmente, existem diversos brasileiros, militantes do Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra, que vêm recebendo, em Havana, treinamento em
técnicas agrícolas, e outros matriculados na Faculdade Latino-Americana de
Ciências Médicas. O site do Partido dos Trabalhadores oferece vagas e publica
as condições definidas por Cuba para matrícula nessa Faculdade” (Huascar
Terra do Valle, in “Histórias quase
esquecidas”, site Mídia Sem Máscara,
10/02/2003).
G-11 - “Os
chamados Grupos dos Onze Companheiros - simplificadamente, Grupos de Onze ou
Gr-11 - e também conhecidos como Comandos Nacionalistas, foram concebidos por
Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol,
imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de
pequenas células - cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território
nacional - que poderiam ser mobilizados a seu comando” (Mariza Tavares, in “Grupo dos 11: O braço armado de Brizola” - cfr. https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/09/grupos-de-onze-o-braco-armado-de.html).
G-11 também pode se referir a Grupo de Combate, de 11 militares, célula de um
pelotão de Infantaria. “Chegou a
organizar 5.304 grupos, num total de 58.344 pessoas, distribuídos,
particularmente, pelos Estados do Rio Grande do Sul, Guanabara, Rio de Janeiro,
Minas Gerais e São Paulo” (ORVIL, pg. 136). A exemplo do que hoje
faz o MST, o G-11 pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis. Os
G-11 seriam o embrião do Exército Popular de Libertação (EPL). “Entre 19 e 25 de outubro de 1963, Brizola
lançou, oficialmente vamos dizer assim, os seus ‘grupos dos onze’, organizações
que, de acordo com a sua orientação, deveriam considerar-se em revolução
permanente e ostensiva. (...) Era uma imitação chula das instruções da guarda
vermelha bolchevique” (Gen Div Del Nero - HOE/1964, Tomo 5, pg. 100). Um documento do Grupo afirmava que os
G-11 seriam a “vanguarda do movimento
revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na
União Soviética”. (Prova a ignorância de Brizola, pois em 1917 havia apenas
a Rússia, não a URSS.) Quando ocorreu a Contrarrevolução de 1964, havia
centenas desses Grupos espalhados em todo o País e tinham como missão eliminar
fisicamente todas as autoridades do Brasil que não apoiassem Brizola - civis,
militares e eclesiásticas, como se pode ler nas “Instruções secretas” do EPL e
seus G-11, no item 8, “A guarda e o julgamento de prisioneiros”: “Esta é uma informação para uso somente de
alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária
e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não
lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição” (AUGUSTO, 2001: 112).
“Posso dizer que as ‘Ligas Camponesas’ e
os ‘grupos dos onze’, na verdade, foram blefes. Eram usados pela imprensa,
faziam estardalhaço, mas sentir a existência... a ação... Não houve nenhuma,
absolutamente. Apenas no interior de Goiás foram apreendidos uns caixotes com
armas que eram destinados ao ‘grupo dos onze’, mas o pessoal fugiu e nunca mais
apareceu. Havia um oficial amigo do Jango, coronel Seixas, responsável pela
repressão, e que, ao invés de mandar aquelas armas para o Exército, enviou para
a Presidência da República. As armas tinham vindo de Cuba” (Coronel Renato
Brilhante Ustra - HOE/1964, Tomo 5,
pg. 256). Herbert de Souza, o “Betinho”, foi o coordenador geral dos G-11 e na
época da Contrarrevolução de 1964 era assessor do ministro da Educação, Paulo
de Tarso. Sobre os G-11, leia os documentos secretos em https://www.documentosrevelados.com.br/repressao/grupo-dos-onze-companheiros-movimento-liderado-por-brizola-para-barrar-o-golpe-e-avancar-com-as-reformas-parte-3/.
Leia, de minha autoria, Brizola, o último
dos maragatos, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/brizola-o-ultimo-dos-maragatos-por.html.
Guerrilha comunista no
Brasil - Teve início
em 1961 - e não após 1964, como propaga a esquerda mentirosa -, quando o presidente
João Goulart ocultou e repassou secretamente a Fidel Castro as provas da
intervenção armada de Cuba no Brasil. Leia, ainda, O apoio de Cuba à luta armada no Brasil, de Denise Rollemberg, em https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/rhs/article/download/175/167/. E também Guerrilha Comunista no Brasil, de minha autoria: https://felixmaier1950.blogspot.com/2022/01/guerrilha-comunista-no-brasil-por-felix.html.
Ligas Camponesas - As origens da organização dos
camponeses datam da década de 1940, no trabalho do PCB, que estabeleceu as
Ligas Camponesas. Essa atividade ressurgiu na década de 1950, em Galileia, com
a criação da Sociedade Agricultural de Plantadores e Criadores de Gado de
Pernambuco, assistida por um ex-membro do PCB, José dos Prazeres, e depois com
a formação de sociedades de direito civis e legais, que rapidamente se
espalharam por todo o Nordeste, passando a uma rede de Ligas Camponesas - como
eram chamadas pelos proprietários de terras, devido à sua origem da década de
1940. Francisco Julião foi o principal líder das Ligas, com atuação,
especialmente, em Pernambuco, do então Governador Miguel Arraes, onde as Ligas
colocavam fogo em canaviais e depredavam fazendas. Julião era advogado, casado
com a militante comunista Alexina Crespo. Desde 1961, se aproximou das
concepções revolucionárias cubanas. No encerramento do Congresso Nacional de
Lavradores e Trabalhadores do Campo, realizado em Belo Horizonte, em novembro
de 1961, o líder das Ligas Camponesas, deputado Francisco Julião, falou: “A
reforma agrária será feita na lei ou na marra, com flores ou com sangue”
(NAPOLITANO, 2014: 37). Em 04/12/1962, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou a prisão de diversos membros das
Ligas num campo de treinamento de guerrilhas em Dianópolis, GO. Nessa região NE
de Goiás, havia ainda os campos de treinamento de Almas e Natividade. No dia 27/11/1962,
na queda de um Boeing 707 da Varig, quando se preparava para pousar em Lima,
Peru, estava entre os passageiros o presidente do Banco Central de Cuba, em
cujo poder foram encontrados relatórios de Carlos Franklin Paixão de Araújo,
filho do advogado comunista Afrânio Araújo, o responsável pela compra de armas
para as Ligas Camponesas. Os relatórios detalhavam os atrasos dos preparativos
para a luta no campo, acusava Francisco Julião e Clodomir dos Santos Morais de
corrupção e malversação de recursos recebidos. “Em 27 de novembro de 1962,
a queda de um Boeing da Varig, no Peru, proporcionou
comprometedoras informações sobre o apoio de Cuba às ‘Ligas Camponesas’. Esses
documentos caíram nas mãos do Governador Carlos Lacerda que, naturalmente, os
difundiu à imprensa e criou uma grande celeuma a respeito desse apoio direto de
Cuba às Ligas Camponesas” (Gen Div Del Nero - HOE/1964, Tomo 5, pg. 98). A revista Veja, de 24/01/2001, sob o título Qué pasa compañero?, faz
uma análise centrada na tese de doutorado da pesquisadora Denise Rollemberg, da
UFRJ, a qual afirma que "o primeiro
auxílio de Fidel foi no Governo João Goulart, por intermédio do apoio às Ligas
Camponesas, lendário movimento rural chefiado por Francisco Julião. (...) O
apoio cubano concretizou-se no fornecimento de armas e dinheiro, além da compra
de fazendas em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, para funcionar como campos de
treinamento”. Em sua língua de pau, Rollemberg se refere a incêndios a
canaviais, verdadeiros atos terroristas, como um “lendário movimento rural”.
“Em 1957, Francisco Julião visitou a URSS. A partir de 1959, as Ligas
Camponesas se expandiram também, rapidamente, em outros estados, como a
Paraíba, Rio de Janeiro e Paraná, aumentando o impacto do movimento. Até 1961,
25 núcleos foram instalados no Estado de Pernambuco, principalmente na Zona da
Mata. Nesse mesmo ano, Julião repetiu sua visita à União Soviética. De todos os
núcleos das Ligas, o mais importante, o mais expressivo e o de maior efetivo
foi o de Sapé, na Paraíba. Esse núcleo congregaria 10.000 membros. Em 1960 e
1961, as Ligas se organizaram em comitês regionais em 10 estados e criaram o
jornal A Liga, porta-voz do movimento, que circulava entre seus militantes.
Também nesse ano tentou criar um partido político chamado Movimento
Revolucionário Tiradentes - MRT (Movimento que atuou na luta armada, no período
pré e pós-revolucionário de 1964). No plano nacional, Francisco Julião reuniu,
em torno das Ligas, estudantes idealistas, visionários e alguns intelectuais,
como Clodomir dos Santos Morais, advogado, deputado, militante comunista e um
dos organizadores de um malogrado movimento de guerrilha em Dianópolis/Goias em
1962. A aproximação de Francisco Julião com Cuba foi notória, especialmente
após a viagem que realizou acompanhando Jânio Quadros àquele país, em 1960,
seguido por muitos militantes. A partir daí tornou-se um entusiasta da
revolução cubana e convenceu-se a adotar a guerrilha como forma de ação das
Ligas Camponesas” (USTRA, 2007: 69). Após a Contrarrevolução de 1964, as Ligas
Camponesas foram dissolvidas e Julião obteve asilo no México. “As Ligas Camponesas, do Chico Julião, foram
o embrião do que é hoje esse perigoso Movimento dos Trabalhadores Rurais sem
Terra (MST), que, embora sem personalidade jurídica, tem as razões e os
recursos do governo, consegue audiência com ministros e tem mais regalias, em
termos oficiais, do que aqueles que, na verdade, trabalham na agricultura”
(Jornalista Themístocles de Castro e Silva -
HOE/1964, Tomo 4, pg. 278-279).
MEB - Movimento de Educação de Base:
organização criada pela Igreja Católica, financiada pelo Governo João Goulart e
administrada por militantes de esquerda católica, muitos dos quais eram membros
da Ação Popular. Baseado nas ideias marxistas de Paulo Freire, autor do livro
pauleira Pedagogia do Oprimido, o MEB
funcionava através de escolas radiofônicas, sob a direção de um líder local
(padre ou camponês), em contato com as Ligas Camponesas. Paulo Freire foi
Secretário de Educação da Cidade de São Paulo na gestão da prefeita petista
Luíza Erundina (1989-1993).
MEP - Movimento de Educação Popular. O
MEP disseminava no Brasil, durante o desgoverno de João Goulart, folhetos
cubanos sobre a técnica de guerrilhas. Esses folhetos foram utilizados pelos
G-11, de Brizola, e pelas Ligas Camponesas, de Francisco Julião.
MPL -
1. Movimento Popular de Libertação.
No início de 1966, na Argélia, Miguel Arraes e vários correligionários (os
irmãos Sílvio e Marcos Correia Lins, o advogado Djaci Florêncio Magalhães, o
ex-Ministro Almino Afonso, Roberto las Casas, o ex-padre Rui Rodrigues da Silva
e Piragibe Castro Alves) se reuniram para criar uma frente “anti-imperialista”
no Brasil. Em abril de 1966, por ordem de Arraes, retornaram ao Brasil Marcos
Correia Lins e Piragibe Castro Alves, levando cartas para políticos de
oposição, como o ex-Governador Mauro Borges e o deputado federal Márcio Moreira
Alves. O motivo era arregimentar os descontentes com a Contrarrevolução de
1964. Em 12/05/1968, em São
Paulo, foi realizada a reunião de fundação do MPL, com a
participação de Márcio Moreira Alves, Frei Chico, Marcos Correia Lins, Miguel
Newton (primo de Arraes), Djaci F. Magalhães, Piragibe C. Alves, Raimundo
Monteiro Alves Afonso (irmão de Almino Afonso) e os metalúrgicos Vitalbino
Ferreira de Souza e Joaquim Arnaldo de Albuquerque. Segundo Luís Mir (op. cit), o MPL foi fundado no dia 13/05/1967,
na fazenda do ex-deputado Márcio Moreira Alves, em Santa Luzia, MG. A 1ª
fase do MPL seria a unificação das oposições ao Governo Federal e a 2ª fase
seria o desencadeamento da luta armada. O MPL estabeleceu contatos com o PCB
(Luís Ignácio Maranhão Filho e Ercildo Pessoa), com a AP (Marcos Arruda) e com
os frades dominicanos ligados a Marighella, como Frei Betto. Outro alvo do MPL
era estabelecer contato com José Porfírio de Sousa, “chefe da República de Trombas e Formoso, um movimento de posseiros no
norte de Goiás” (NOSSA, 2012: 53), que o MPL julgava capaz de desencadear
uma guerrilha rural em extensa área a leste do rio Tocantins, nos Estados de
Goiás e Maranhão. “As primeiras
investidas dos militares no Bico do Papagaio levariam à prisão de Porfírio. O
regime temia que ele mandasse gente preparada em lutas do campo para o
Araguaia. A prisão de Porfírio no Maranhão, antes da localização do foco do
PCdoB, bloqueou qualquer ajuda à guerrilha” (idem, pg. 53). Devido à
dificuldade de arregimentar quadros, Arraes fundou com Bayard Boiteaux e Márcio
Moreira Alves a Frente Brasileira de Informações (FBI), em Paris. O MPL não
prosperou, mas a FBI alcançou seus objetivos: difamar os governos militares do
Brasil. Veja FBI. 2. Montonero Patria Libre (Equador): surgida em
1986, era formada por Unión
Revolucionaria de la Juventud Ecuatoriana (URJE), ex-militantes dos Comandos
Revolucionarios de Liberación (CRL) e ex-militantes de ¡Alfaro
Vive, Carajo! (AVC).
Revolução Cubana - No dia 01/01/1959, as tropas de
Fidel Castro tomam Havana. “Segundo
Castro disse, apontando para Matthews: ‘sem a sua ajuda e a do New York Times,
a revolução em Cuba jamais teria ocorrido’” (apud NARLOCH, 2011:
39). Herbert Matthews era jornalista do NYT e foi um grande propagandista da
Revolução. O livro “O Homem que
inventou Fidel - Cuba, Fidel e Herbert L. Matthews do New York Times”, de
Anthony DePalma, Companhia das Letras, São Paulo, 2006, narra em detalhes a
“tomada do Poder em dois tempos” em Cuba. A “república socialista”
cubana, porém, só foi proclamada em maio de 1961, logo após a fracassada
invasão de anticastristas ocorrida na Baía dos Porcos, em Cuba, com o falso apoio
americano. Em 1962, Cuba foi excluída da OEA e em 1964 os países membros da
OEA, com exceção do México, romperam relações diplomáticas com o país, devido
ao apoio cubano de focos guerrilheiros em vários países da América Latina -
Leia “As intervenções armadas lideradas por Cuba na América Latina”, de Ángel
Bermúdez, em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/02/as-intervencoes-armadas-lideradas-por.html.
Cuba forneceu toneladas de armamento ao governo comunista de Salvador Allende.
As residências oficiais de Allende eram verdadeiros paióis, descobertos após a
intervenção de Pinochet, que derrubou os comunistas depois da autorização dada
pela Suprema Corte, que ainda não era cooptada com Allende. No Brasil, antes de
1964, Cuba financiou as Ligas Camponesas para comprar fazendas que serviram de
campos de treinamento de guerrilha. Antes da Revolução Cubana, havia 7 prisões
em Cuba; hoje, são mais de 200. As prisões políticas de Cuba são muitas: La Cabaña (ainda em 1982 houve
100 fuzilamentos), Boniato (a mais repressiva), Kilo 5,5, Pinar del Río,
Guanajay, Guanahacabibes, Castelo do Príncipe, Ilha de Pinos, Camaguey,
Holguín, Manzanillo, Sandino (1, 2 e 3). Fidel Castro mandou fuzilar entre 15 e
17 mil pessoas (10 mil só na década de 1960); em 1978, havia em Cuba 15 a 20 mil prisioneiros; em
1997, segundo a Anistia Internacional, havia entre 980 e 2.500 prisioneiros
políticos. “Para uma população de apenas
6,4 milhões, Fidel e Che prenderam e executaram mais, em termos relativos, do
que os nazistas, e igualmente mais, proporcionalmente, do que os comunistas”
(FONTOVA, 2009: 150). A tortura cubana incluía as “ratoneras”, “gavetas”,
“tostadoras”, além da tortura “merdácea” - os prisioneiros eram “aspergidos”
com fezes e urina. Apesar desses crimes todos, o ditador Fidel Castro era
venerado pelos “intelectuais” brasileiros como el comandante, ao passo que Augusto Pinochet, ex-presidente do
Chile, não passa de um vil “ditador”, “torturador”. “Quando Che assumiu o Ministério das Indústrias, Cuba tinha uma renda
per capita superior à da Áustria, Japão e Espanha” (idem, pg. 214-215). Um
ano depois, o anteriormente “terceiro
maior consumo proteico do Ocidente estava racionando comida, fechando fábricas”
(idem, pg. 215). Comparação das rações diárias, entre os escravos (em 1842) e a
população cubana (desde 1962): carne, frango e peixe: 230 g/55 g; arroz: 110
g/80 g; carboidratos: 470 g/180 g; feijão: 120 g/30 g (Cfr. FONTOVA, 2009:
223). Ou seja, os escravos negros se alimentavam melhor do que a população
cubana sob Fidel. Só os idiotas e os patifes defendem a excelência da medicina
e dos hospitais cubanos da atualidade, coisa que nunca existiu. “Em 1957, Cuba tinha, proporcionalmente,
mais médicos e dentistas do que os EUA ou a Grã-Bretanha. Em 1958, tinha a
menor taxa de mortalidade infantil da América Latina e a 13ª. do mundo, estando
à frente de França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália
e Espanha. Hoje, pelas cifras oficiais, tem a 25ª. menor taxa - piorou sob o
fidelismo. O que, hoje, reduz a mortalidade infantil é a taxa de 0,71 aborto
por criança viva nascida em Cuba - o primeiro lugar do Ocidente e um dos
primeiros do mundo. É um verdadeiro extermínio de bebês no útero materno”
(FONTOVA, 2009: 225). “Havana, que na
década de cinquenta era mais rica que Roma ou Dallas, hoje parece Calcutá ou
Nairóbi” (idem, pg. 230). Os prédios tornaram-se decrépitos, à semelhança
de el coma andante, e Havana, hoje, é
o maior museu a céu aberto de carros velhos do mundo. Doenças erradicadas em
1958, como tuberculose, lepra e dengue, voltaram com força total em 2005. Quase
6.000 empresas norte-americanas foram pilhadas em Cuba, um valor de 2 bilhões
de dólares. Nada foi indenizado, assim como os 5 bilhões da União Soviética.
Evo Morales (que eu chamo de “Evo Cocales”), da Bolívia, aprendeu rapidinho com
Fidel, roubando as refinarias e bens da Petrobras na Bolívia. Eusábio Peñalver
ficou preso durante 30 anos. Era negro. Os guardas comunistas o chamavam de
“macaco”: “Nós o tiramos das árvores e
arrancamos sua cauda” (idem, pg. 238). “Apenas
0,8 dos cargos políticos do país é ocupado por gente de cor. Em outros lugares,
esta mesma situação seria chamada de Apartheid” (idem, pg. 239). “Não é que não exista comida e bens de
consumo em Cuba. O problema é que hoje há duas classes de cubanos: os que
possuem dólares (os turistas e o apparatchiks, ou seja, a nomenklatura cubana)
e os que não possuem (o cidadão cubano comum): Como não tem nada (quer dizer,
tem de tudo, nos shoppings, em dólar e a preços de Tóquio), a gente vende
esferográficas, isqueiros, envelopes, qualquer miudeza” (GUTIÉRREZ, 1999:
114). “Disse muito bem Carlos Franqui:
‘Para sobreviver é preciso roubar, mentir, ser dúbio, ter dupla personalidade e
até mesmo se prostituir’” (MENDOZA, 2007: 19). Em 1996, no concurso
internacional de poemas organizado em Havana, para comemorar os 70 anos de
Fidel Castro, foram apresentadas 2.000 obras em verso e prosa. Algumas vinhetas
laudativas: “Comandante Fidel, fiel como
seu nome, Fidel de barba e de culhões bem firmes” (Héctor Borda Leaño,
Bolívia); “Companheiro Fidel, teus
setenta anos são o que resta na margem da história após o último furacão”
(Roberto Bugliani, Itália); “Pois és a
história, a geografia, a origem, a sede, a fome, o fogo, tudo o que entristece
e ilumina a marcha da América obscura” (Pedro Jorge Vera, Equador) - cfr.
“A Ilha do Dr. Castro”, pg. 36. Piadas da Ilha: 1) Fidel: Quando nos vai
devolver Guantánamo? Clinton: Quando vocês nos devolverem Miami. (Em Miami
vivem 10% da população cubana.) 2) O que é o capitalismo? - pergunta a
professora. Um cesto de lixo cheio de carros, brinquedos e alimentos - responde
Pepito. E o socialismo? O mesmo cesto de lixo, mas vazio (cfr. pg. 137). “Outra
consequência embaraçosa dos racionamentos é a falta de papel higiênico. Sem ele
a saída mais comum dos cidadãos é improvisar com papéis que não faltam no mundo
comunista: os jornais estatais. Os cubanos usam as páginas do Granma - mais
macios e com menos tinta que o jornal Trabajadores. E fazem piada com o
problema: - O que é mais útil, a televisão ou o jornal? - O jornal, claro. Você
não pode limpar-se na televisão” (NARLOCH, 2013: 311). Periódicos cubanos: Granma,
Trabajadores, Juventud Rebelde, Tribuna de la Habana, Bohemia, Tema, Casa de
las Americas, Opciones, Vitral, Palabra Nueva (boletim do arcebispado de
Havana), Enfoque, Cuadernos del Aula Fray Bartolomé de Las Casas. O
filme “A Cidade Perdida” (2005), com Andy Garcia (ator americano nascido em
Cuba) e Dustin Hoffman, mostra a tomada do poder dos comunistas em Cuba,
prenunciando o inferno que viria. Em meados de 1959, Fidel Castro começou a
exportar a Revolução Cubana. “Seis meses depois da derrubada de Batista, por
exemplo, já mobilizava um corpo expedicionário de mais de duzentos cubanos, na
esperança de desencadear um levante contra o ditador Rafael Leónidas Trujillo,
na ilha vizinha de São Domingos. Recebidos pelo exército local, os rebeldes
foram exterminados. Um mês depois, uma operação idêntica foi montada, dessa vez
contra o ditador François Duvalier, o ‘Papa Doc’, no Haiti. Novo fracasso:
quase não houve sobreviventes” (SÁNCHEZ, 2014: 92). “Ao todo, Cuba se
envolveu nos assuntos internos de 17 países africanos, enviando 65 mil soldados
à África (entre eles Che Guevara). Nos anos 70, 11% do orçamento cubano era
gasto na África” (NARLOCH, 2013: 284). Desde 1961, houve interferência
cubana no Brasil, junto à Ligas Camponesas, no Nordeste, e a compra de inúmeras
fazendas em vários Estados para treinamento guerrilheiro. “A coragem da
pequena Cuba poderá ser um símbolo e um apelo para a libertação da América
Latina” (Dom Antônio Fragoso, bispo de Crateús, CE, em 1967 - apud
jornal Correio Braziliense, de 30/01/2003, pg. 4). “Parece-me que as
memórias de Camilo Torres e de Che Guevara merecem tanto respeito quanto a do
pastor Martin Luther King” (Dom Hélder Câmara, arcebispo de Recife, em 1968
- Idem, pg. 4). “No mesmo ano [1967], oito bispos brasileiros
assinaram mensagem de 17 bispos do Terceiro Mundo, na qual ‘é feita a opção
pelo socialismo’. São eles: Dom Hélder Câmara, Dom João Albuquerque, Dom Luiz
Fernando, Dom Severiano Aguiar, Dom Francisco Mesquita, Dom Manoel Costa, Dom
Antônio Fragoso e Dom David Picão” (Idem, pg. 4). O jornalista e
historiador Hugo Studart, autor de um dos melhores livros sobre a Guerrilha do
Araguaia, “Borboletas e Lobisomens”, em 13/10/2008 21:50, no seu blog Conteúdo (http://www.conteudo.com.br/studart/o-democrata-fidel-e-os-direitos-humanos/?searchterm=ditadura%20cubana),
assim escreveu: “O democrata Fidel e os Direitos Humanos Encontrei esses números do
relatório da Câmara Ibero-Americana de Comércio/Stanford Research Institute,
com dados sobre ações democráticas do kamarada Fidel entre de 1959 a 2004:
foram 56.212 fuzilados no "paredón"; 1.163 assassinados extrajudicialmente;
1.081 presos politicos mortos no cárcere por maus-tratos, falta de assistência
médica ou causas naturais; 77.824 mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga
pelo mar. Total: 136.288 cubanos mortos pela ditadura Castro. Em nossa ditadura
militar, são 301 os mortos e desaparecidos”.
ULTAB - União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do
Brasil: fundada em 1957 pelo PCB, para mobilizar os camponeses em torno do
Plano de Reforma Agrária. De 15
a 17/11/1961, a ULTAB realizou o I Congresso em Belo
Horizonte, MG. Teve suas
principais bases em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, porém obteve seu maior sucesso em
Goiás, onde o movimento tomou as cidades de Trombas e Formoso e só foi
desmobilizado em 1964 pelos militares.
And last, but not
least, no inicio de 2025, o Presidente dos EUA Donald Trump ordenou
a retirada dos sigilos de mensagens de diplomatas e de agências de Inteligência
que abordavam o assassinato do Presidente John F. Kennedy. Três dessas
mensagens falam sobre o Brasil de João Goulart, de como agentes cubanos foram
infiltrados no Brasil a partir de 1961. Cfr. reportagem de Duda Teixeira em Telegramas revelam ações subversivas
cubanas no Brasil,
clicando em https://crusoe.com.br/diario/telegramas-revelam-acoes-subversivas-cubanas-no-brasil/.
(*) Mais verbetes sobre Guerrilha Comunista no Brasil podem ser conferidas em https://felixmaier1950.blogspot.com/2022/01/guerrilha-comunista-no-brasil-por-felix.html
Leia, também:
A
LÍNGUA DE PAU - Uma história da intolerância e da desinformação
Por
Félix Maier
https://drive.google.com/file/d/1wDHV0YJFOZSoBwlJSSrHdl68CfJokMmf/view
Obras consultadas:
AUGUSTO,
Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira.
Bibliex, Rio, 2001
MOTTA,
Aricildes de Moraes (Coordenador Geral). História
Oral do Exército - 1964 - 31 de Março - O Movimento Revolucionário e sua
História. Tomos 1 a
15. Bibliex, Rio, 2003
NAPOLITANO,
Marcos. História do Regime Militar Brasileiro. Editora Contexto, São
Paulo, 2014.
NARLOCH,
Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia
politicamente incorreto da América Latina. Leya, São Paulo, 2011.
NARLOCH,
Leandro. Guia politicamente incorreto da
história do mundo. Leya, São Paulo, 2013.
NOSSA,
Leonencio. MATA! O Major Curió e as
Guerrilhas no Araguaia. Companhia das Letras, São Paulo, 2012.
ORVIL, As Tentativas de Tomada do Poder. Centro de Inteligência do Exército. Baixe a obra clicando em https://pt.slideshare.net/slideshow/orvil-completo-45315285/45315285 ou https://pt.scribd.com/document/601882295/Orvil-Completo.
USTRA,
Carlos Alberto Brilhante. A Verdade
Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça (3ª. edição
ampliada - índice onomástico). Editora Ser, Brasília, 2007.
Marcha da Família com Deus pela Liberdade.
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