MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Movimento Pré-Revolucionário Comunista, Que Antecedeu o Ano de 1964 - Por Félix Maier

 

Movimento pré-revolucionário comunista, que antecedeu o ano de 1964

 Félix Maier

Os verbetes FMP, Folhetos cubanos, Foquismo, G-11, Ligas Camponesas, MEB, MEP, Revolução Cubana e ULTAB dão uma ideia de como foram os anos conturbados no Brasil, após 1961, quando João Goulart foi alçado ao poder, depois de Jânio Quadros renunciar à Presidência da República.

FMP - Frente de Mobilização Popular. “Lançada por Brizola no começo de 1963, estava mais voltada para a pressão popular sobre o Congresso, algo que para a tradição conservadora brasileira soa como uma revolução sangrenta em curso. Dela faziam parte o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), a Ação Popular (grupo revolucionário de origem católica), o Partido Operário Revolucionário (POR-T, trotskista), setores das Ligas Camponesas, a esquerda do PCB, integrantes do PSB, grupos de sargentos e marinheiros” (NAPOLITANO, 2014: 38)

Folhetos cubanos - Eram disseminados no Brasil pelo Movimento de Educação Popular (MEP), durante o governo de João Goulart, e serviam de inspiração às Ligas Camponesas, de Francisco Julião, e aos Grupos dos Onze (G-11), de Leonel Brizola. Desde 1961, os comunistas passaram a comprar várias fazendas em Pernambuco, Bahia, Acre, Goiás e Minas, para servirem de centros de guerrilha. Isso prova que o idioma de pau cubano (o comunismo), de inspiração soviética, tentou se estabelecer no Brasil antes da Contrarrevolução de 1964.

Foquismo - Teoria revolucionária de pau, em que a revolução marxista seria iniciada em pequenos núcleos (focos), para começar a guerrilha rural, com o objetivo de dominar a nação. O foquismo foi sistematizado pelo revolucionário comunista francês Jules Debray, e defendida por Fidel Castro e Che Guevara. O PC do B tentou colocar em prática essa teoria na região do Araguaia. “O treinamento a brasileiros em Cuba continua até os dias atuais, embora somente no terreno político-ideológico, na Escola Superior Nico Lopez, do PC cubano, Escola Sindical Lázaro Peña, Escola de Periodismo José Martí, Escola da Federação de Mulheres Cubanas, Escola da Federação Democrática Internacional de Mulheres e Escola Nacional Julio Antonio Mella, da União da Juventude Comunista. Por essas escolas já passaram mais de 100 brasileiros. Todavia, o mais importante em tudo isso, é que a ida de qualquer brasileiro para fazer cursos em Cuba depende do aval do Partido Comunista Cubano, após entendimentos anteriores, de partido para partido. Atualmente, existem diversos brasileiros, militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que vêm recebendo, em Havana, treinamento em técnicas agrícolas, e outros matriculados na Faculdade Latino-Americana de Ciências Médicas. O site do Partido dos Trabalhadores oferece vagas e publica as condições definidas por Cuba para matrícula nessa Faculdade” (Huascar Terra do Valle, in “Histórias quase esquecidas”, site Mídia Sem Máscara, 10/02/2003).

G-11 - “Os chamados Grupos dos Onze Companheiros - simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 - e também conhecidos como Comandos Nacionalistas, foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células - cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional - que poderiam ser mobilizados a seu comando” (Mariza Tavares, in “Grupo dos 11: O braço armado de Brizola” - cfr. https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/09/grupos-de-onze-o-braco-armado-de.html). G-11 também pode se referir a Grupo de Combate, de 11 militares, célula de um pelotão de Infantaria. “Chegou a organizar 5.304 grupos, num total de 58.344 pessoas, distribuídos, particularmente, pelos Estados do Rio Grande do Sul, Guanabara, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo” (ORVIL, pg. 136). A exemplo do que hoje faz o MST, o G-11 pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis. Os G-11 seriam o embrião do Exército Popular de Libertação (EPL). “Entre 19 e 25 de outubro de 1963, Brizola lançou, oficialmente vamos dizer assim, os seus ‘grupos dos onze’, organizações que, de acordo com a sua orientação, deveriam considerar-se em revolução permanente e ostensiva. (...) Era uma imitação chula das instruções da guarda vermelha bolchevique” (Gen Div Del Nero - HOE/1964, Tomo 5, pg. 100). Um documento do Grupo afirmava que os G-11 seriam a “vanguarda do movimento revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética”. (Prova a ignorância de Brizola, pois em 1917 havia apenas a Rússia, não a URSS.) Quando ocorreu a Contrarrevolução de 1964, havia centenas desses Grupos espalhados em todo o País e tinham como missão eliminar fisicamente todas as autoridades do Brasil que não apoiassem Brizola - civis, militares e eclesiásticas, como se pode ler nas “Instruções secretas” do EPL e seus G-11, no item 8, “A guarda e o julgamento de prisioneiros”: “Esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição” (AUGUSTO, 2001: 112). “Posso dizer que as ‘Ligas Camponesas’ e os ‘grupos dos onze’, na verdade, foram blefes. Eram usados pela imprensa, faziam estardalhaço, mas sentir a existência... a ação... Não houve nenhuma, absolutamente. Apenas no interior de Goiás foram apreendidos uns caixotes com armas que eram destinados ao ‘grupo dos onze’, mas o pessoal fugiu e nunca mais apareceu. Havia um oficial amigo do Jango, coronel Seixas, responsável pela repressão, e que, ao invés de mandar aquelas armas para o Exército, enviou para a Presidência da República. As armas tinham vindo de Cuba” (Coronel Renato Brilhante Ustra - HOE/1964, Tomo 5, pg. 256). Herbert de Souza, o “Betinho”, foi o coordenador geral dos G-11 e na época da Contrarrevolução de 1964 era assessor do ministro da Educação, Paulo de Tarso. Sobre os G-11, leia os documentos secretos em http://www.documentosrevelados.com.br/repressao/grupo-dos-onze-companheiros-movimento-liderado-por-brizola-para-barrar-o-golpe-e-avancar-com-as-reformas-parte-3/. Leia, de minha autoria, Brizola, o último dos maragatos, disponível em http://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/brizola-o-ultimo-dos-maragatos-por.html.

Guerrilha comunista no Brasil - Teve início em 1961 - e não após 1964, como propaga a esquerda mentirosa -, quando o presidente João Goulart ocultou e repassou secretamente a Fidel Castro as provas da intervenção armada de Cuba no Brasil. Leia, ainda, O apoio de Cuba à luta armada no Brasil, de Denise Rollemberg, em https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/rhs/article/download/175/167/. E também Guerrilha Comunista no Brasil, de minha autoria: http://www.aman75-83.com.br/terror_comunanobr.htm

Ligas Camponesas - As origens da organização dos camponeses datam da década de 1940, no trabalho do PCB, que estabeleceu as Ligas Camponesas. Essa atividade ressurgiu na década de 1950, em Galileia, com a criação da Sociedade Agricultural de Plantadores e Criadores de Gado de Pernambuco, assistida por um ex-membro do PCB, José dos Prazeres, e depois com a formação de sociedades de direito civis e legais, que rapidamente se espalharam por todo o Nordeste, passando a uma rede de Ligas Camponesas - como eram chamadas pelos proprietários de terras, devido à sua origem da década de 1940. Francisco Julião foi o principal líder das Ligas, com atuação, especialmente, em Pernambuco, do então Governador Miguel Arraes, onde as Ligas colocavam fogo em canaviais e depredavam fazendas. Julião era advogado, casado com a militante comunista Alexina Crespo. Desde 1961, se aproximou das concepções revolucionárias cubanas. No encerramento do Congresso Nacional de Lavradores e Trabalhadores do Campo, realizado em Belo Horizonte, em novembro de 1961, o líder das Ligas Camponesas, deputado Francisco Julião, falou: “A reforma agrária será feita na lei ou na marra, com flores ou com sangue” (NAPOLITANO, 2014: 37). Em 04/12/1962, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou a prisão de diversos membros das Ligas num campo de treinamento de guerrilhas em Dianópolis, GO. Nessa região NE de Goiás, havia ainda os campos de treinamento de Almas e Natividade. No dia 27/11/1962, na queda de um Boeing 707 da Varig, quando se preparava para pousar em Lima, Peru, estava entre os passageiros o presidente do Banco Central de Cuba, em cujo poder foram encontrados relatórios de Carlos Franklin Paixão de Araújo, filho do advogado comunista Afrânio Araújo, o responsável pela compra de armas para as Ligas Camponesas. Os relatórios detalhavam os atrasos dos preparativos para a luta no campo, acusava Francisco Julião e Clodomir dos Santos Morais de corrupção e malversação de recursos recebidos. “Em 27 de novembro de 1962, a queda de um Boeing da Varig, no Peru, proporcionou comprometedoras informações sobre o apoio de Cuba às ‘Ligas Camponesas’. Esses documentos caíram nas mãos do Governador Carlos Lacerda que, naturalmente, os difundiu à imprensa e criou uma grande celeuma a respeito desse apoio direto de Cuba às Ligas Camponesas” (Gen Div Del Nero - HOE/1964, Tomo 5, pg. 98). A revista Veja, de 24/01/2001, sob o título Qué pasa compañero?, faz uma análise centrada na tese de doutorado da pesquisadora Denise Rollemberg, da UFRJ, a qual afirma que "o primeiro auxílio de Fidel foi no Governo João Goulart, por intermédio do apoio às Ligas Camponesas, lendário movimento rural chefiado por Francisco Julião. (...) O apoio cubano concretizou-se no fornecimento de armas e dinheiro, além da compra de fazendas em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, para funcionar como campos de treinamento”. Em sua língua de pau, Rollemberg se refere a incêndios a canaviais, verdadeiros atos terroristas, como um “lendário movimento rural”. “Em 1957, Francisco Julião visitou a URSS. A partir de 1959, as Ligas Camponesas se expandiram também, rapidamente, em outros estados, como a Paraíba, Rio de Janeiro e Paraná, aumentando o impacto do movimento. Até 1961, 25 núcleos foram instalados no Estado de Pernambuco, principalmente na Zona da Mata. Nesse mesmo ano, Julião repetiu sua visita à União Soviética. De todos os núcleos das Ligas, o mais importante, o mais expressivo e o de maior efetivo foi o de Sapé, na Paraíba. Esse núcleo congregaria 10.000 membros. Em 1960 e 1961, as Ligas se organizaram em comitês regionais em 10 estados e criaram o jornal A Liga, porta-voz do movimento, que circulava entre seus militantes. Também nesse ano tentou criar um partido político chamado Movimento Revolucionário Tiradentes - MRT (Movimento que atuou na luta armada, no período pré e pós-revolucionário de 1964). No plano nacional, Francisco Julião reuniu, em torno das Ligas, estudantes idealistas, visionários e alguns intelectuais, como Clodomir dos Santos Morais, advogado, deputado, militante comunista e um dos organizadores de um malogrado movimento de guerrilha em Dianópolis/Goias em 1962. A aproximação de Francisco Julião com Cuba foi notória, especialmente após a viagem que realizou acompanhando Jânio Quadros àquele país, em 1960, seguido por muitos militantes. A partir daí tornou-se um entusiasta da revolução cubana e convenceu-se a adotar a guerrilha como forma de ação das Ligas Camponesas” (USTRA, 2007: 69).  Após a Contrarrevolução de 1964, as Ligas Camponesas foram dissolvidas e Julião obteve asilo no México. “As Ligas Camponesas, do Chico Julião, foram o embrião do que é hoje esse perigoso Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), que, embora sem personalidade jurídica, tem as razões e os recursos do governo, consegue audiência com ministros e tem mais regalias, em termos oficiais, do que aqueles que, na verdade, trabalham na agricultura” (Jornalista Themístocles de Castro e Silva - HOE/1964, Tomo 4, pg. 278-279).

MEB - Movimento de Educação de Base: organização criada pela Igreja Católica, financiada pelo Governo João Goulart e administrada por militantes de esquerda católica, muitos dos quais eram membros da Ação Popular. Baseado nas ideias marxistas de Paulo Freire, autor do livro pauleira Pedagogia do Oprimido, o MEB funcionava através de escolas radiofônicas, sob a direção de um líder local (padre ou camponês), em contato com as Ligas Camponesas. Paulo Freire foi Secretário de Educação da Cidade de São Paulo na gestão da prefeita petista Luíza Erundina (1989-1993).

MEP - Movimento de Educação Popular. O MEP disseminava no Brasil, durante o desgoverno de João Goulart, folhetos cubanos sobre a técnica de guerrilhas. Esses folhetos foram utilizados pelos G-11, de Brizola, e pelas Ligas Camponesas, de Francisco Julião.

MPL - 1. Movimento Popular de Libertação. No início de 1966, na Argélia, Miguel Arraes e vários correligionários (os irmãos Sílvio e Marcos Correia Lins, o advogado Djaci Florêncio Magalhães, o ex-Ministro Almino Afonso, Roberto las Casas, o ex-padre Rui Rodrigues da Silva e Piragibe Castro Alves) se reuniram para criar uma frente “anti-imperialista” no Brasil. Em abril de 1966, por ordem de Arraes, retornaram ao Brasil Marcos Correia Lins e Piragibe Castro Alves, levando cartas para políticos de oposição, como o ex-Governador Mauro Borges e o deputado federal Márcio Moreira Alves. O motivo era arregimentar os descontentes com a Contrarrevolução de 1964. Em 12/05/1968, em São Paulo, foi realizada a reunião de fundação do MPL, com a participação de Márcio Moreira Alves, Frei Chico, Marcos Correia Lins, Miguel Newton (primo de Arraes), Djaci F. Magalhães, Piragibe C. Alves, Raimundo Monteiro Alves Afonso (irmão de Almino Afonso) e os metalúrgicos Vitalbino Ferreira de Souza e Joaquim Arnaldo de Albuquerque. Segundo Luís Mir (op. cit), o MPL foi fundado no dia 13/05/1967, na fazenda do ex-deputado Márcio Moreira Alves, em Santa Luzia, MG. A 1ª fase do MPL seria a unificação das oposições ao Governo Federal e a 2ª fase seria o desencadeamento da luta armada. O MPL estabeleceu contatos com o PCB (Luís Ignácio Maranhão Filho e Ercildo Pessoa), com a AP (Marcos Arruda) e com os frades dominicanos ligados a Marighella, como Frei Betto. Outro alvo do MPL era estabelecer contato com José Porfírio de Sousa, “chefe da República de Trombas e Formoso, um movimento de posseiros no norte de Goiás” (NOSSA, 2012: 53), que o MPL julgava capaz de desencadear uma guerrilha rural em extensa área a leste do rio Tocantins, nos Estados de Goiás e Maranhão. “As primeiras investidas dos militares no Bico do Papagaio levariam à prisão de Porfírio. O regime temia que ele mandasse gente preparada em lutas do campo para o Araguaia. A prisão de Porfírio no Maranhão, antes da localização do foco do PCdoB, bloqueou qualquer ajuda à guerrilha” (idem, pg. 53). Devido à dificuldade de arregimentar quadros, Arraes fundou com Bayard Boiteaux e Márcio Moreira Alves a Frente Brasileira de Informações (FBI), em Paris. O MPL não prosperou, mas a FBI alcançou seus objetivos: difamar os governos militares do Brasil. Veja FBI. 2. Montonero Patria Libre (Equador): surgida em 1986, era formada por Unión Revolucionaria de la Juventud Ecuatoriana (URJE), ex-militantes dos Comandos Revolucionarios de Liberación (CRL) e ex-militantes de ¡Alfaro Vive, Carajo! (AVC).

Revolução Cubana - No dia 01/01/1959, as tropas de Fidel Castro tomam Havana. “Segundo Castro disse, apontando para Matthews: ‘sem a sua ajuda e a do New York Times, a revolução em Cuba jamais teria ocorrido’” (apud NARLOCH, 2011: 39). Herbert Matthews era jornalista do NYT e foi um grande propagandista da Revolução. O livro “O Homem que inventou Fidel - Cuba, Fidel e Herbert L. Matthews do New York Times”, de Anthony DePalma, Companhia das Letras, São Paulo, 2006, narra em detalhes a “tomada do Poder em dois tempos” em Cuba. A “república socialista” cubana, porém, só foi proclamada em maio de 1961, logo após a fracassada invasão de anticastristas ocorrida na Baía dos Porcos, em Cuba, com o falso apoio americano. Em 1962, Cuba foi excluída da OEA e em 1964 os países membros da OEA, com exceção do México, romperam relações diplomáticas com o país, devido ao apoio cubano de focos guerrilheiros em vários países da América Latina - Leia “As intervenções armadas lideradas por Cuba na América Latina”, de Ángel Bermúdez, em http://felixmaier1950.blogspot.com/2021/02/as-intervencoes-armadas-lideradas-por.html. Cuba forneceu toneladas de armamento ao governo comunista de Salvador Allende. As residências oficiais de Allende eram verdadeiros paióis, descobertos após a intervenção de Pinochet, que derrubou os comunistas depois da autorização dada pela Suprema Corte, que ainda não era cooptada com Allende. No Brasil, antes de 1964, Cuba financiou as Ligas Camponesas para comprar fazendas que serviram de campos de treinamento de guerrilha. Antes da Revolução Cubana, havia 7 prisões em Cuba; hoje, são mais de 200. As prisões políticas de Cuba são muitas: La Cabaña (ainda em 1982 houve 100 fuzilamentos), Boniato (a mais repressiva), Kilo 5,5, Pinar del Río, Guanajay, Guanahacabibes, Castelo do Príncipe, Ilha de Pinos, Camaguey, Holguín, Manzanillo, Sandino (1, 2 e 3). Fidel Castro mandou fuzilar entre 15 e 17 mil pessoas (10 mil só na década de 1960); em 1978, havia em Cuba 15 a 20 mil prisioneiros; em 1997, segundo a Anistia Internacional, havia entre 980 e 2.500 prisioneiros políticos. “Para uma população de apenas 6,4 milhões, Fidel e Che prenderam e executaram mais, em termos relativos, do que os nazistas, e igualmente mais, proporcionalmente, do que os comunistas” (FONTOVA, 2009: 150). A tortura cubana incluía as “ratoneras”, “gavetas”, “tostadoras”, além da tortura “merdácea” - os prisioneiros eram “aspergidos” com fezes e urina. Apesar desses crimes todos, o ditador Fidel Castro era venerado pelos “intelectuais” brasileiros como el comandante, ao passo que Augusto Pinochet, ex-presidente do Chile, não passa de um vil “ditador”, “torturador”. “Quando Che assumiu o Ministério das Indústrias, Cuba tinha uma renda per capita superior à da Áustria, Japão e Espanha” (idem, pg. 214-215). Um ano depois, o anteriormente “terceiro maior consumo proteico do Ocidente estava racionando comida, fechando fábricas” (idem, pg. 215). Comparação das rações diárias, entre os escravos (em 1842) e a população cubana (desde 1962): carne, frango e peixe: 230 g/55 g; arroz: 110 g/80 g; carboidratos: 470 g/180 g; feijão: 120 g/30 g (Cfr. FONTOVA, 2009: 223). Ou seja, os escravos negros se alimentavam melhor do que a população cubana sob Fidel. Só os idiotas e os patifes defendem a excelência da medicina e dos hospitais cubanos da atualidade, coisa que nunca existiu. “Em 1957, Cuba tinha, proporcionalmente, mais médicos e dentistas do que os EUA ou a Grã-Bretanha. Em 1958, tinha a menor taxa de mortalidade infantil da América Latina e a 13ª. do mundo, estando à frente de França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália e Espanha. Hoje, pelas cifras oficiais, tem a 25ª. menor taxa - piorou sob o fidelismo. O que, hoje, reduz a mortalidade infantil é a taxa de 0,71 aborto por criança viva nascida em Cuba - o primeiro lugar do Ocidente e um dos primeiros do mundo. É um verdadeiro extermínio de bebês no útero materno” (FONTOVA, 2009: 225). “Havana, que na década de cinquenta era mais rica que Roma ou Dallas, hoje parece Calcutá ou Nairóbi” (idem, pg. 230). Os prédios tornaram-se decrépitos, à semelhança de el coma andante, e Havana, hoje, é o maior museu a céu aberto de carros velhos do mundo. Doenças erradicadas em 1958, como tuberculose, lepra e dengue, voltaram com força total em 2005. Quase 6.000 empresas norte-americanas foram pilhadas em Cuba, um valor de 2 bilhões de dólares. Nada foi indenizado, assim como os 5 bilhões da União Soviética. Evo Morales (que eu chamo de “Evo Cocales”), da Bolívia, aprendeu rapidinho com Fidel, roubando as refinarias e bens da Petrobras na Bolívia. Eusábio Peñalver ficou preso durante 30 anos. Era negro. Os guardas comunistas o chamavam de “macaco”: “Nós o tiramos das árvores e arrancamos sua cauda” (idem, pg. 238). “Apenas 0,8 dos cargos políticos do país é ocupado por gente de cor. Em outros lugares, esta mesma situação seria chamada de Apartheid” (idem, pg. 239). “Não é que não exista comida e bens de consumo em Cuba. O problema é que hoje há duas classes de cubanos: os que possuem dólares (os turistas e o apparatchiks, ou seja, a nomenklatura cubana) e os que não possuem (o cidadão cubano comum): Como não tem nada (quer dizer, tem de tudo, nos shoppings, em dólar e a preços de Tóquio), a gente vende esferográficas, isqueiros, envelopes, qualquer miudeza” (GUTIÉRREZ, 1999: 114). “Disse muito bem Carlos Franqui: ‘Para sobreviver é preciso roubar, mentir, ser dúbio, ter dupla personalidade e até mesmo se prostituir’” (MENDOZA, 2007: 19). Em 1996, no concurso internacional de poemas organizado em Havana, para comemorar os 70 anos de Fidel Castro, foram apresentadas 2.000 obras em verso e prosa. Algumas vinhetas laudativas: “Comandante Fidel, fiel como seu nome, Fidel de barba e de culhões bem firmes” (Héctor Borda Leaño, Bolívia); “Companheiro Fidel, teus setenta anos são o que resta na margem da história após o último furacão” (Roberto Bugliani, Itália); “Pois és a história, a geografia, a origem, a sede, a fome, o fogo, tudo o que entristece e ilumina a marcha da América obscura” (Pedro Jorge Vera, Equador) - cfr. “A Ilha do Dr. Castro”, pg. 36. Piadas da Ilha: 1) Fidel: Quando nos vai devolver Guantánamo? Clinton: Quando vocês nos devolverem Miami. (Em Miami vivem 10% da população cubana.) 2) O que é o capitalismo? - pergunta a professora. Um cesto de lixo cheio de carros, brinquedos e alimentos - responde Pepito. E o socialismo? O mesmo cesto de lixo, mas vazio (cfr. pg. 137). “Outra consequência embaraçosa dos racionamentos é a falta de papel higiênico. Sem ele a saída mais comum dos cidadãos é improvisar com papéis que não faltam no mundo comunista: os jornais estatais. Os cubanos usam as páginas do Granma - mais macios e com menos tinta que o jornal Trabajadores. E fazem piada com o problema: - O que é mais útil, a televisão ou o jornal? - O jornal, claro. Você não pode limpar-se na televisão” (NARLOCH, 2013: 311). Periódicos cubanos: Granma, Trabajadores, Juventud Rebelde, Tribuna de la Habana, Bohemia, Tema, Casa de las Americas, Opciones, Vitral, Palabra Nueva (boletim do arcebispado de Havana), Enfoque, Cuadernos del Aula Fray Bartolomé de Las Casas. O filme “A Cidade Perdida” (2005), com Andy Garcia (ator americano nascido em Cuba) e Dustin Hoffman, mostra a tomada do poder dos comunistas em Cuba, prenunciando o inferno que viria. Em meados de 1959, Fidel Castro começou a exportar a Revolução Cubana. “Seis meses depois da derrubada de Batista, por exemplo, já mobilizava um corpo expedicionário de mais de duzentos cubanos, na esperança de desencadear um levante contra o ditador Rafael Leónidas Trujillo, na ilha vizinha de São Domingos. Recebidos pelo exército local, os rebeldes foram exterminados. Um mês depois, uma operação idêntica foi montada, dessa vez contra o ditador François Duvalier, o ‘Papa Doc’, no Haiti. Novo fracasso: quase não houve sobreviventes” (SÁNCHEZ, 2014: 92). “Ao todo, Cuba se envolveu nos assuntos internos de 17 países africanos, enviando 65 mil soldados à África (entre eles Che Guevara). Nos anos 70, 11% do orçamento cubano era gasto na África” (NARLOCH, 2013: 284). Desde 1961, houve interferência cubana no Brasil, junto à Ligas Camponesas, no Nordeste, e a compra de inúmeras fazendas em vários Estados para treinamento guerrilheiro. “A coragem da pequena Cuba poderá ser um símbolo e um apelo para a libertação da América Latina” (Dom Antônio Fragoso, bispo de Crateús, CE, em 1967 - apud jornal Correio Braziliense, de 30/01/2003, pg. 4). “Parece-me que as memórias de Camilo Torres e de Che Guevara merecem tanto respeito quanto a do pastor Martin Luther King” (Dom Hélder Câmara, arcebispo de Recife, em 1968 - Idem, pg. 4). “No mesmo ano [1967], oito bispos brasileiros assinaram mensagem de 17 bispos do Terceiro Mundo, na qual ‘é feita a opção pelo socialismo’. São eles: Dom Hélder Câmara, Dom João Albuquerque, Dom Luiz Fernando, Dom Severiano Aguiar, Dom Francisco Mesquita, Dom Manoel Costa, Dom Antônio Fragoso e Dom David Picão” (Idem, pg. 4). O jornalista e historiador Hugo Studart, autor de um dos melhores livros sobre a Guerrilha do Araguaia, “Borboletas e Lobisomens”, em 13/10/2008 21:50, no seu blog Conteúdo (http://www.conteudo.com.br/studart/o-democrata-fidel-e-os-direitos-humanos/?searchterm=ditadura%20cubana), assim escreveu: “O democrata Fidel e os Direitos Humanos Encontrei esses números do relatório da Câmara Ibero-Americana de Comércio/Stanford Research Institute, com dados sobre ações democráticas do kamarada Fidel entre de 1959 a 2004: foram 56.212 fuzilados no "paredón"; 1.163 assassinados extrajudicialmente; 1.081 presos politicos mortos no cárcere por maus-tratos, falta de assistência médica ou causas naturais; 77.824 mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga pelo mar. Total: 136.288 cubanos mortos pela ditadura Castro. Em nossa ditadura militar, são 301 os mortos e desaparecidos”.

ULTAB - União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil: fundada em 1957 pelo PCB, para mobilizar os camponeses em torno do Plano de Reforma Agrária. De 15 a 17/11/1961, a ULTAB realizou o I Congresso em Belo Horizonte, MG. Teve suas principais bases em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, porém obteve seu maior sucesso em Goiás, onde o movimento tomou as cidades de Trombas e Formoso e só foi desmobilizado em 1964 pelos militares.

And last, but not least, no inicio de 2025, o Presidente dos EUA Donald Trump ordenou a retirada dos sigilos de mensagens de diplomatas e de agências de Inteligência que abordavam o assassinato do Presidente John F. Kennedy. Três dessas mensagens falam sobre o Brasil de João Goulart, de como agentes cubanos foram infiltrados no Brasil a partir de 1961. Cfr. reportagem de Duda Teixeira em Telegramas revelam ações subversivas cubanas no Brasil, clicando em https://crusoe.com.br/diario/telegramas-revelam-acoes-subversivas-cubanas-no-brasil/.

 

Obras consultadas:

AUGUSTO, Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira. Bibliex, Rio, 2001

MOTTA, Aricildes de Moraes (Coordenador Geral). História Oral do Exército - 1964 - 31 de Março - O Movimento Revolucionário e sua História. Tomos 1 a 15. Bibliex, Rio, 2003

NAPOLITANO, Marcos. História do Regime Militar Brasileiro. Editora Contexto, São Paulo, 2014.

NARLOCH, Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia politicamente incorreto da América Latina. Leya, São Paulo, 2011.

NARLOCH, Leandro. Guia politicamente incorreto da história do mundo. Leya, São Paulo, 2013.

NOSSA, Leonencio. MATA! O Major Curió e as Guerrilhas no Araguaia. Companhia das Letras, São Paulo, 2012.

USTRA, Carlos Alberto Brilhante. A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça (3ª. edição ampliada - índice onomástico). Editora Ser, Brasília, 2007.


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