MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A USP e o riso da hiena - Por Félix Maier

 


A USP e o riso da hiena

Félix Maier

        A Universidade Socialista Populista (USP) — chamemo-la assim por um momento —, em apenas uma semana conseguiu se superar em duas oportunidades: uma violência feroz contra conservadores promovida pela esquerda, quando lembrava os três anos do vandalismo ocorrido nas sedes dos Três Poderes, em Brasília (9/1/2023); e um discurso proferido durante a colação de grau de alunos de Direito por um paraninfo que não conseguiu conter seu riso de hiena depois de ter mandado, horas antes, o Presidente Jair Messias Bolsonaro para a Papudinha, em 15/01/2026.

        A Faculdade de Direito da USP já teve dias melhores. Formou vários presidentes do Brasil, como Washington Luís, Afonso Pena, Campos Salles, Jânio Quadros, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer. Também formou escritores de renome, como Castro Alves, Menotti del Picchia, Monteiro Lobato, José de Alencar, Lygia Fagundes Telles, políticos e juristas como Ulysses Guimarães, José Serra, Miguel Reale, e nomes da mídia e das artes, como Paulo Autran, Marcos Caruso, Caio Blat.

        É muito natural que os formandos tenham um carinho especial pela alma mater studiorum, como a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde foram beber os saberes que levariam para o resto de suas vidas, alguns até se tornando milionários. Porém, são poucos os ex-alunos que ajudam financeiramente a entidade, como é comum ocorrer nos EUA.

Eu tive um tio materno, Arno Preis, que se formou em Direito na USP nos anos 1960. Muito inteligente, poliglota, tio Arno queria ser embaixador. Porém, o fervor esquerdista na alma mater o atingiu em cheio, como muitos de seus colegas, hipnotizados pela figura de Che Guevara, bandeando-se para o terrorismo da Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella e depois para o Movimento de Libertação Popular (Molipo), criado com ajuda do serviço secreto de Cuba. Em 1972, Arno morreu em confronto com a polícia, depois de matar um soldado e ferir outro.

        Uma universidade deveria ser, antes de tudo, um espaço de liberdade intelectual e respeito à diversidade de ideias. Seu compromisso maior precisa ser com o estudo profundo, rigoroso e honesto dos temas relevantes para a sociedade, sem dogmas nem verdades pré-fabricadas. O debate acadêmico deve estimular o confronto de argumentos, não a rotulação automática de quem pensa diferente.

Em vez de arenas de disputa ideológica, as universidades deveriam ser ambientes de escuta, reflexão e produção de conhecimento. A intimidação, as ameaças e qualquer forma de violência são incompatíveis com a vida acadêmica. Quando uma única corrente tenta se impor como pensamento único — que é o caso brasileiro, onde predomina o viés esquerdista —, empobrece-se o ensino e sufoca-se a pesquisa. O pluralismo é a essência da ciência e das humanidades. Sem ele, a universidade abdica de sua vocação crítica e se distancia de sua missão fundamental: formar pessoas capazes de pensar com autonomia, dialogar com maturidade e buscar a verdade sem medo.

Nesse sentido, foi muito triste ver os episódios de intolerância da claque esquerdista da USP contra conservadores, ocorridos no dia 8 de janeiro, quando falsos democratas comemoravam a vitória da democracia tendo por base um fato lamentável — o bando de baderneiros que quebrou os palácios dos Três Poderes há três anos, e que teriam perpetrado uma tentativa de golpe de Estado. Qualificar aqueles atos insanos como um atentado contra o Estado Democrático de Direito é coisa de idiota completo ou de patife assumido, pois não houve nenhum tipo de perigo de ruptura política, não houve força armada na rua, nem tanques, nem tiros. Anteriormente, houve pelo menos cinco depredações semelhantes, praticadas por manifestantes da extrema esquerda, com ataques à Câmara dos Deputados e ao Itamaraty, inclusive com o incêndio de três ministérios. Por que, na época, ninguém foi acusado de atentar contra a democracia? Porque a extrema esquerda faz parte do pavoroso Sistema Toga Petralha, que é o aparelhamento petista de todos os órgãos públicos, cópia fiel da ditadura venezuelana.

O episódio em que um ministro do STF faz chacota pública envolvendo Jair Bolsonaro, com risos indecorosos de uma hiena em êxtase — Mas eu me contive hoje, né. Acho que hoje eu já fiz o que eu tinha que fazer —, expõe uma face sombria de quem deveria personificar sobriedade e humanidade. Independentemente de divergências políticas, rir de um homem idoso e doente, fragilizado depois de sofrer um atentado político a facada, seguido de pelo menos oito cirurgias, é ultrapassar o limite da desavença e entrar no terreno da desumanização. Pior de tudo: Bolsonaro foi condenado por um golpe  que nunca existiu.  

Justiça não combina com escárnio, muito menos com prazer exibido no sofrimento alheio. Mais alarmante ainda foi ver formandos de Direito aplaudirem a cena, como se o deboche fosse virtude cívica. A universidade, que deveria formar juristas, passou a celebrar militantes histéricos da extrema esquerda. Quando o riso substitui o argumento e a intolerância vira método, algo apodrece na formação jurídica.

Que tipo de causídico nasce desse caldo ideológico, em que o adversário é inimigo a ser destruído e a dignidade humana é jogada na latrina? Se esse é o berço dos novos juristas, o amanhã não será regido por leis, mas por ressentimento, censura e perseguição.

Se a USP, tida como a melhor universidade do país, permite — ou pior, incentiva — cenas de intolerância, deboche e desumanização entre futuros causídicos, o diagnóstico do ensino jurídico nacional torna-se alarmante. Quando o topo da pirâmide acadêmica normaliza o escárnio e substitui o pensamento crítico por militância ruidosa, o que esperar das demais instituições, muitas já precarizadas intelectual e moralmente?

Se na elite do ensino se aplaude o desprezo pelo outro, nas demais o risco é também a completa dissolução da ética profissional. Nem é preciso falar das piores universidades: o exemplo do modelo já basta para revelar o abismo que se abre diante do Direito brasileiro.   

***

P. S.: Saudade dos tempos em que formandos da Faculdade de Direito da USP tiveram a honra de ouvir Oração aos Moços, de Rui Barbosa, paraninfo da turma de 1920, porém não pôde comparecer por problemas de saúde. 


MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO) - Por Ternuma

MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO)

Por Ternuma - Terrorismo Nunca Mais

I - DADOS INICIAIS.

Movimento de Libertação Popular: organização terrorista de linha castrista, que surgiu de uma dissidência dentro da Ação Libertadora Nacional (ALN), em 1971, e foi articulado pelo Serviço Secreto de Cuba, num trabalho desenvolvido sobre um grupo de 28 militantes formadores do chamado IIIº Ex da ALN, cursando o centro de formação da guerrilha em Pinar Del Rio. José Dirceu, atual Chefe da Casa Civil e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, foi um de seus integrantes.

Ano de chegada em Cuba do IIIº Ex / ALN: 1969, somente 1 (um) militante tem data de chegada em 1970.

Data aproximada de retorno do pessoal do MOLIPO para o Brasil: dos meses finais de 1971 aos meses iniciais de 1972.


II - INTRODUÇÃO

1. Após a morte de Marighela, em 4 de novembro de 1969, a Direção Nacional da ALN passou a ser exercida por Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo”. Aproveitando as circunstâncias, os cubanos influíram na indicação de Washington Adalberto Mastrocinque Martins (“Cmt Raul”) para ser o representante da ALN em Cuba.

2. A perda de MARIGHELA e a prisão dos dominicanos que integravam a rede de apoio da ALN, como frisamos, ocasionaram uma série de problemas na já precária capacidade de coordenação e controle da organização, um dos quais foi a ruptura da ligação do grupo paraense com a Coordenação Nacional da ALN, radicada em São Paulo, vital para o objetivo de implantação da área estratégica (ver item IV da Segunda Parte).


III - A AÇÃO DA INTELIGÊNCIA CUBANA NA CRIAÇÃO DO MOLIPO

1. Em Cuba, neste interregno, continuava o trabalho de Manoel Piñeiro Losada, “Barbarroja”, do Departamento América (DA) e do Serviço Secreto cubano na cooptação de vários militantes do “Grupo dos 28” ou “Grupo Primavera”, conforme afirma Carlos Eugênio Paz, ex-comandante militar da Ação Libertadora Nacional: “Em Havana, o José Dirceu fez a política do serviço secreto cubano". "Quando perceberam que não poderiam tomar a ALN, os cubanos articularam a formação de outra organização, o Movimento de Libertação Popular, o MOLIPO. O José Dirceu não era o chefe dessa organização, mas era uma das pessoas que a apoiavam.”

2. Deixamos por conta de um antigo militante da ALN o relato dessa manobra do Serviço de Inteligência de Cuba e do Departamento América do PC de Cuba, órgão encarregado de orientar e conduzir o processo revolucionário na América Latina. No seu livro "Nas Trilhas da ALN", editado em 1997, pela Bertrand Brasil , Carlos Eugênio relata uma cáustica versão do apoio do Estado cubano à revolução no Brasil, a qual apresentamos, destacando por trechos, sem prejudicar a seqüência.

a. “A interferência deles (dos cubanos) já nos custou caro demais; a volta dos companheiros do MLP sem nossa autorização foi um desastre. 18 mortos e mais tantos presos... e tudo por uma rasteira política de infiltração, querendo influenciar nosso movimento de dentro, para adequar nossa política às necessidades deles”(página 78).

b. (...) Entendo que os militantes nossos, afastados da realidade brasileira e querendo voltar para lutar, questionem a Coordenação Nacional, fundem uma corrente ou saiam da Organização, mas os cubanos não tinham o direito de autorizar a saída deles do país sem nos comunicar, quando havia meios para isso. Cederam os esquemas, promoveram a volta e ajudaram a convencer os combatentes que tinham dúvidas. Chegaram a São Paulo procurando militantes queimados, usando esquemas já abandonados por falta de segurança, aparelhos que não mais existiam, despreparados e desinformados dos avanços da repressão (página 79).

c. Achavam que não autorizávamos a volta para não perdermos o comando da Organização. Infelizmente, sentiram na pele que estávamos cercados, fazendo ações de sobrevivência, assaltando bancos e supermercados na véspera do vencimento dos aluguéis, e tentando não desaparecer (...) (página).

d. O que me revolta é que caíram como moscas e hoje ninguém assume suas responsabilidades (idem).

e. (...) Esmiúço a história da revolução cubana e constato evidentes contradições entre o real e a versão divulgada América Latina afora (...) (idem).

f. Muitas ilusões foram estimuladas em nossa juventude pelo mito do punhado de barbudos que, graças ao domínio das táticas guerrilheiras e à vontade inquebrantável de seus líderes, tomou o poder numa ilha localizada a 90 milhas náuticas de Miami (página 179).

g. Os textos encontrados sobre a revolução cubana são meros panfletos de propaganda ou relatos factuais, carentes de honestidade e aprofundamento teórico; (...) (página 179).

h. A ameaça iminente de agressões facilitou a militarização do país. Milícias Populares e Comitês de Defesa da Revolução formam uma teia considerável que abastece o S2 de informações sobre posições políticas, atitudes sociais e escolhas sexuais dos cidadãos (...). O Partido Comunista é o único permitido e em seus postos importantes reinam os comandantes de Sierra Maestra ou gente de sua confiança, em detrimento dos quadros oriundos do movimento operário e do extinto Partido Socialista Popular (anterior à revolução de Fidel), representante em Cuba do Movimento Comunista Internacional e aliado da União Soviética (página 180).

i. Os contatos com as organizações de luta armada são feitos através do S2, conseqüência esperada das deturpações do regime. A revolução na América Latina não seria uma questão política e, sim, usando as palavras do caricato TOTEM (referência ao general Arnaldo Uchoa, comandante do Exército em Havana em 1973, que lutou na Venezuela e Angola, vindo a ser, no final dos anos 80, condenado à morte e fuzilado, sob a acusação de envolvimento com o narcotráfico), uma questão de ‘mandar bala’ (página 180).

j. (...) eles tentam influenciar na escolha de nossos comandantes, fortalecem uns companheiros em detrimento de outros; isolam alguns para criar uma situação de dependência psicológica que facilite a aproximação; influenciam o recrutamento; alimentam melhor os que aderem à sua linha e fornecem informações da Organização; concedem status que vão desde a localização e qualidade da moradia à presença em palanques nos atos oficiais; não respeitam nossas questões políticas e desconsideram nosso direito à autodeterminação (páginas 180 /181).

k. (...) Fabiano (Carlos Marighela) negociou com os cubanos de igual para igual, mas Diogo (Joaquim Câmara Ferreira) concedeu demais. Sentiu-se enfraquecido pelas quedas em São Paulo que culminaram com a morte do nosso líder e permitiu algumas ingerências nas escolhas de quadros para a volta e os postos que ocupariam na Organização (página 181).

l. (...) No Brasil, recebemos com espanto a volta de um comandante indicado pelos cubanos e aceito por Diogo. O episódio não chegou a ter maiores conseqüências, pois o comandante desertou no caminho e foi morar na Europa (referência ao “comandante Raul”, Washington Adalberto Mastrocinque Martins, atual funcionário da prefeitura de São Paulo) (página 181).

Lembrete : o “Cmt Raul” ao receber a missão de retornar ao Brasil e conduzir as atividades de implantação da área rural, resolveu dar uma de turista e conhecer a Europa. Aqui a barra estava pesada. Voltou numa boa... Acreditem. O dinheiro recebido de Cuba até hoje é motivo de polêmica. Para uns foi devolvido para outros não. Viva la Revolucion!


III – CRONOLOGIA DAS ATIVIDADES DO MOLIPO.

Observação: Para a apresentação das atividades do MOLIPO foi necessário ser, de certa forma, repetitivo. Em parte isto foi motivado por julgarmos importante apresentar o papel da Inteligência cubana na formação do MOLIPO e do próprio processo de luta armada no Brasil e na América Latina. Tal ação, em época mais recente, foi marcante no Chile, manipulando o MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionaria) e a FPMR (Frente Patriótica Manoel Rodriguez) para a prática de “expropriações” e seqüestros para obtenção de “fundos revolucionários”. Há mais...

A. O Processo de Luta Interna e o “Racha”.

1. Em meados de 70, os militantes da ALN componentes do chamado III Ex da ALN passaram a demonstrar seu descontentamento com a direção da organização no Brasil, devido as seguidas “quedas” de militantes, com a falta de apoio ao Setor de Massas, e com a não implantação da guerrilha rural.

2. Em Out 70, uma reunião dos militantes da ALN que recebiam treinamento em Cuba discutiu o que consideravam “erros” da organização no País e ressaltou a divergência profunda entre os que permaneciam em Cuba e a ALN no Brasil.

3. Em Dez 70, tudo isso foi agravado com a morte de Joaquim Câmara Ferreira, “Toledo”, sendo especialmente contestada a Coordenação Nacional constituída após sua morte – que passou a dar prioridade às ações armadas - entrando em rota de colisão com a Frente de Massas, em São Paulo.

4. Em Mar 71, essa situação tornou-se quase insustentável face ao justiçamento de Márcio Leite Toledo, ocorrido em dezembro de 1970, por decisão da Coordenação Nacional. Márcio foi levianamente acusado de ter entregado Joaquim Câmara Ferreira, “Toledo”, fato que provocou a revolta de diversos militantes, especialmente os da Frente de Massas. O dedo duro era outro...(Ver nas Conclusões desta Terceira Parte)

5. A partir daí, com o rompimento do diálogo do “Grupo dos 28” com a Coordenação no Brasil, seus membros começaram a voltar ao país, ainda em maio de 1971, por decisão própria e “influência” dos camaradas do Departamento América e, como é óbvio, do Serviço Secreto cubano. Num regime como o cubano tem diferença? No retorno estabeleceram ligação com membros da Frente de Massas. Após as discussões foi detectada a identificação em vários pontos de vista. Passaram a existir então duas ALN: Frente de Massas + Grupo dos 28 e Coordenação Nacional + GTA.

6. No final do ano de 1971, a Frente de Massas da ALN fundia-se com o Grupo dos 28. Foi constituído um Comando Nacional, um Setor Estudantil, um Setor de Classes Médias, um Setor Operário e um Setor Camponês, e adotada a denominação de Movimento de Libertação Popular (MOLIPO).

A partir daí, essa “nova” organização passou a efetuar ações armadas ainda mais violentas que as da própria ALN (roubos de carros, assaltos a viaturas policiais e atentados à bomba), empregando todos os militantes disponíveis, sem considerar os setores em que fora estruturada a organização. Isso demonstrava que a boa parte da crítica dos militantes do MOLIPO ao “militarismo” da ALN não se justificava.

Observações:

1) De acordo com o critério de vários analistas, a união da Frente de Massas, que englobava um Setor Estudantil (exposto à infiltração dos órgãos de Inteligência) e o Grupo dos 28 (com infiltração de alto nível e de longa data), seria muito mais danosa para este último.

2) Segundo relatos “categóricos” da esquerda pós-anistia (citamos Cecília Coimbra, Élio Gaspari, Franklin Martins, Márcio Moreira Alves, entre outros) a repressão, em 1971, após detectar as ações do grupo, “determinara” que não deixaria vivo nenhum dos 28 militantes que voltaram de Cuba. As esquerdas nunca aprofundaram os dados do compromisso de resistência à prisão, feito em Cuba... Afirmam apenas que não falam no que “não existiu”. Forma cômoda de proteger covardes que não cumpriram o compromisso, ficando na moita... Forma sutil de não citar o fato e nem revelar o instrutor “Olaf” ou “Orlof” de Havana e Pinar Del Rio...

3) Na área urbana o MOLIPO atuou, basicamente, nas cidades de S.Paulo (área principal de atuação) e Rio de Janeiro, acompanhando a tradição da ALN.

4) Na área rural, o MOLIPO tentou instalar-se na Bahia (época em Carlos Lamarca era caçado) e, depois, em Goiás.


B. As “Quedas” em Áreas Urbanas.

A partir de Nov 71, os militantes do MOLIPO começaram a ser desarticulados em SP e no RJ. Essas “quedas” iriam refletir-se no trabalho de campo. Como veremos, nos meses de Nov e Dez 71, o MOLIPO foi praticamente dizimado na cidade.

1. No dia 5 de novembro de 1971, em tiroteio com agentes de Órgãos de Segurança, ocorrido na Rua Cervantes Nº 7, em Vila Prudente, S. Paulo/SP, foi morto o terrorista do MOLIPO, José Roberto Arantes de Almeida.

2. No mesmo dia, na Rua Turiassu, José de Oliveira, um dos dirigentes nacionais da Organização reagiu à bala a prisão encontrando a morte neste entrevero.

3. Em dezembro de 1971, no Rio de Janeiro ocorreu a “queda” de Carlos Eduardo Pires Fleury, que morreu na troca de tiros com Órgãos de Segurança ao resistir à voz de prisão.

4. No dia 5 Jan 1972, ao ser montado pelos Órgãos de Segurança uma “campana” junto a um carro roubado, num estacionamento de Santa Cecília, no centro de São Paulo, um homem de origem japonesa, ao receber ordem de prisão, reagiu e foi morto. Sua identidade era falsa, com o nome de Massahiro Hakamura; após uma busca nos arquivos datiloscópicos, a polícia descobriu que era Hiroaki Torigoe, um dos membros do Comando Nacional do MOLIPO.

5. No dia 18 de janeiro, três (3) militantes do MOLIPO, João Carlos Cavalcante Reis, Lauriberto José Reyes e Márcio Beck Machado, fugindo de uma caçada policial, roubaram um outro carro para prosseguir na fuga, matando seu ocupante, o 1º Sargento da PM/SP, Thomas Paulino de Almeida.

6. No final de janeiro o Setor Estudantil da organização foi alvo de ações que provocaram sua desarticulação.

7. Em fevereiro de 1972 começaram a ser detidos os componentes do MOLIPO que faziam parte da Frente de Massas.

8. No dia 27 de fevereiro, Lauriberto José Reys e Alexandre José Ibsen Voeroes travaram tiroteio com a polícia no bairro de Tatuapé, em S. Paulo. Lauriberto feriu um policial e matou o transeunte Napoleão Felipe Biscalde, de 61 anos, funcionário público aposentado, totalmente alheio ao problema. Os dois terroristas não se entregaram, morrendo no local em conseqüência do tiroteio.


Observação:

Segundo dados obtidos em Operações de Inteligência (infiltrados), em Cuba, um instrutor instruíra os militantes da MOLIPO a andar sempre armados e a reagir à prisão, matando se possível seus captores, a fim de não serem preso vivos e não correrem o risco de “abrir” (falar). Excelente forma de possibilitar a cobertura da ação do Serviço Secreto cubano, na estruturação do MOLIPO, caso todos resistissem. A ação dos cubanos só foi plenamente aquilatada, graças ao livro do “Clemente” e aos infiltrados.


C. Trabalho de Campo e as “Quedas” em Áreas Rurais.

Na área rural, o MOLIPO tentou instalar-se na Bahia (na época em que Carlos Lamarca era procurado naquela região) e, depois, em Goiás.

1. Na Bahia a área inicialmente selecionada situava-se entre Ibitorama e Bom Jesus da Lapa.

O primeiro a chegar na área foi Boanerges de Souza Massa, por volta de março de 1971, instalando-se em Bom Jesus da Lapa. Em seguida, Carlos Eduardo Pires Fleury, em junho fez contato com Boanerges, estabelecendo planos para mobiliar a área. Em julho o trabalho de campo foi reforçado com a chegada de Jeová de Assis Gomes e Rui Carlos Vieira Berbet.

Devido à proximidade da área do MR-8, houve contatos iniciais com o pessoal do MR-8 para união das suas áreas. Diante da ação contra o grupo de Lamarca na área a idéia foi abandonada.

2. Deixando a Bahia, o pessoal do MOLIPO deslocou-se para Goiás, onde Jeová tinha conhecimento da região de Araguaína, GO, hoje TO. Nessa área foram neutralizados dois pontos de apoio localizados: num sítio ao sul de Vanderlândia, então GO, hoje TO, e um núcleo em Santa Maria da Vitória, no mesmo Estado, em fase de preparação. O trabalho de campo teve a participação de Sergio Capozi, Jane Vanini e Otávio Ângelo.

3. Rui Berbet e Boanerges Massa, saindo da Bahia, instalaram-se Balsas, no Maranhão, próximo de Araguaína.

4. No dia 15 Fev 1972, em Paraíso de Goiás, hoje Tocantins, foi morto outro militante do MOLIPO, Arno Preis, que portava documentos falsos, com o nome de Patrick McBundy Comick, o qual, quando convidado a comparecer á Delegacia Policial, matou o soldado PM/GO, Luzimar Machado de Oliveira, ferindo gravemente outro militar, Gentil Ferreira Mano.


Conclusões.

a) O ano de 1972, caracteriza o desmantelamento do trabalho rural.

b) Em 1974, ocorre a neutralização do próprio MOLIPO, como decorrência natural das ações de Inteligência.

c) Dados obtidos em sites da Internet, da própria esquerda, tais como: o “desaparecidos politicos”; o “tortura” e seus congêneres; e o hilário livro do Nilmário Miranda, “Dos Filhos deste Solo”; demonstram: não só pelo linguajar burlesco; a montagem caricata que cerca a descrição das circunstâncias das mortes dos militantes; os testemunhos só de terroristas presos; a ausência de contraditório; os relatos capciosos; e questiúnculas suscitadas em torno de datas e questões, compreensíveis devido à compartimentação e outras diferenças existentes entre os Órgãos de Segurança.

Qual o grande objetivo visado: desmoralizar a eficiência demonstrada no combate contra o terrorismo, criando uma imagem de “heróis” para assaltantes, seqüestradores e péssimos combatentes: indenizados post mortem.

O Partidão bem que alertou e, agora, o Camarada Mateus reconheceu.

Os indenizados vivos? Bem... Temos tempo.

d) Muitas respostas poderiam e deveriam ter sido dadas pelas autoridades, a fim de desmentirem ou colocarem nos devidos termos os dados difundidos na mídia contra a atuação dos Órgãos de Segurança e, de forma específica, contra as Forças Armadas. Por omissão ou falta de conhecimento deixaram os procedimentos na mão de quem não tinha nenhuma idéia do assunto, que não era só de Direito. As ações foram desastrosas. A Instituição não merecia a péssima defesa planejada e executada, na área institucional. Este fato abriu as comportas para os processos indenizatórios que hoje forram os bolsos de certos escritórios de defensores; aproveitadores; assaltantes; seqüestradores; auto-asilados; e outros espécimes.

e) O caso do ”justiçamento” do militante da ALN, Márcio Leite Toledo, que não se enquadra nas atividades do MOLIPO, merece relato especial, por apresentar uma faceta dessa esquerda paranóica:

1). Carlos Eugenio Sarmento Coelho da Paz, “Clemente”, do Comando Nacional da ALN, foi o executor dos disparos, sendo, ainda mais, o Chefe do grupo executante da ação, o qual era composto por Iuri Xavier Pereira, “Joaozão”; Ana Maria Nacinovic Correia, "Marcela", "Betty", "Beth". Na cobertura participaram, Antonio Sérgio de Matos ("Hermes, "Uns e Outros"), Paulo de Tarso Celestino da Silva ("Cesar") e José Milton Barbosa. Ao lado do corpo, foram jogados panfletos, nos quais a ALN assumia a autoria do "justiçamento".

2) “Clemente” reconheceu seu erro publicamente.

3) Ninguém desta esquerda fajuta, nenhum advogado de porta de xadrez, ou defensor mequetrefe de diretos humanos foi capaz de colocar o militante Márcio Leite Toledo, covardemente assassinado, por engano, por um Comando Terrorista da ALN, numa relação de indenização. O pior de tudo é que o “cachorro” ou dedo duro, que “dedou” o Joaquim Câmara Ferreira está vivo, em S. Paulo, SP... E os que dedaram alguns militantes do MOLIPO e da ALN estão por aí. Nenhum deles é o Anselmo. E o pessoal sabe... Deram até emprego!

4) Tempo de duração do MOLIPO: 2 anos só de ações típicas de marginais.


Anexo A – Relação do “Grupo dos 28”, “Grupo Primavera”, futuro MOLIPO.

O futuro MOLIPO era integrado por 28 militantes do chamado IIIº Exército da ALN (33 ou 34 da ALN; e um (1) do MR – 8) que cursaram o “Curso de Guerrilha”, em Cuba (Pinar Del Rio).

Seus integrantes eram:

1. AYLTON ADALBERTO MORTATI ("HUMBERTO"; "TENENTE").

2. ANA CORBISIER MATEUS ("MARIA") (Nome de casada) ou ANA CERQUEIRA CESAR CORBISIER (Nome de solteira). (*1)

3. ANA MARIA RIBAS PALMEIRA ("AMALIA"). (* 2)

4. ANTONIO BENETAZZO ("JOEL".

5. ARNO PREIS ("ARIEL").

6. BOANERGES DE SOUZA MASSA ("FELIPE").

7. CARLOS EDUARDO PIRES FLEURY (“TEIXEIRA”, “HUMBERTO”, “QUINCAS”).

8. FLAVIO CARVALHO MOLINA ("ARMANDO").

9. FRANCISCO JOSE DE OLIVEIRA ("FAUSTO").

10. FREDERICO EDUARDO MAYR ("GASPAR").

11. HIROAKI TORIGOE (“MASHIRO NAKAMURA”, “DÉCIO”, “CORIOLANO”).

12. JANE VANINI (ADÉLIA, CARMEM E OUTROS).

13. JEOVA ASSIS GOMES ("OSVALDO").

14. JOAO CARLOS CAVALCANTI REIS ("VICENTE").

15. JOAO LEONARDO DA SILVA ROCHA ("MARIO").

16. JOAO ZEFERINO DA SILVA ("ALFREDO"). (*3)

17. JOSE DIRCEU DE OLIVEIRA E SILVA ("DANIEL"). (*4)

18. JOSE ROBERTO ARANTES DE ALMEIDA ("LUIZ").

19. LAURIBERTO JOSE REYES ("VINICIUS").

20. LUIZ RAIMUNDO BANDEIRA COUTINHO ("MARCOS"). (*5)

21. MARCIO BECK MACHADO ("TIRSO"; "LUIZ").

22. MARIA AUGUSTA THOMAS ("RENATA"; “MARCIA").

23. MARIO ROBERTO GALHARDO ZANCONATO ("LUCAS"). (*6)

24. NATANAEL DE MOURA GIRALDI ("CAMILO"). (*7)

25. RUI CARLOS VIEIRA BERBET ("SILVINO"; "JOAQUIM").

26. SILVIO DE ALBUQUERQUE MOTA ("SERGIO"). (*8)

27. VINICIUS MEDEIROS CALDEVILLA ("MANUEL"). (*9)

28. WASHINGTON ADALBERTO MASTROCINQUE MARTINS (“CMT RAUL”). (*10)


Observações:

1) os relacionados em negrito-itálico foram mortos ou desaparecidos, segundo dados da esquerda;

2) o militante do MR-8 era FRANKLIN DE SOUZA MARTINS;

3) os outros militantes da ALN, do IIIº Ex, não foram relacionados e não aderiram ao MOLIPO, mantendo seus vínculos com a ALN.

4) os assinalados com (*), perfazem um total de dez (10) e estão vivos ou se já morreram não coloquem a culpa nos militares. O número joga, inclusive, com dados do “Clemente”. O Sr Élio Gaspari mentiu e exagerou quanto aos fatos.

Este esboço de Ensaio deve muita a contribuição, autorizada, de matérias de autoria dos Camaradas Ilich, e Dumont especialistas em assuntos ligados ao aventureirismo da esquerda radical ou “soft”. Nossos agradecimentos.


***


P.S.: 

Arno Preis, natural de Forquilhinha, SC, é meu tio materno.

"Ilich" é nome do historiador Carlos Ilich Santos Azambuja, oficial da Aeronáutica, da área de Inteligência, codinome tirado de CISA, antigo Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica.

"Dumont" é F. Dumont, codinome de militar que serviu no Centro de Informações do Exército (CIE), autor de Os Incríveis Exércitos de Brizoleone.

Félix Maier

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Festança no Arraiá do Instituto Lula - Por Jair Messias Bolsonaro no Facebook


Festança no Arraiá do Instituto Lula

Preâmbulo de Félix Maier

25/03/2025

Uma banca de advogados petistas indicados ao STF por Lula e Dilma irá processar o Presidente Jair Messias Bolsonaro.
Bolsonaro está condenado por antecipação.
Sem direito a contraditório.
Sem direito a recurso.
Será um rito sumário no Instituto Lula, como foi no TSE do "Bochechinha" de Lula ("missão dada, missão cumprida"), para torná-lo inelegível.
Torquemada deve estar se revolvendo no túmulo, de tanta inveja.
STF começa a julgar nesta terça-feira se Bolsonaro vira réu
Por CNN
Primeira Turma do Supremo avalia se acata denúncia da PGR sobre tentativa de golpe de Estado

***

Leia o que o Presidente Bolsonaro postou no Facebook em 25/03/2025:

*Jair Bolsonaro e seus julgamento.*
Leia, peço divulgar. Obrigado.
1. Trata-se da maior perseguição político-judicial da história do Brasil, motivada por inconfessáveis desejos, por vaidades e por claros interesses políticos de impedir que eu participe e ganhe a eleição presidencial de 2026.
2. Jamais um ex-presidente da República do País teve sua vida pessoal, financeira e política devassada de maneira vil e implacável como acontece comigo – sem encontrar uma única prova de qualquer ato ilícito de minha parte. Na devassa pessoal, fiscal e financeira não encontraram um único vestígio, mínimo que fosse, de corrupção.
3. Minha família foi perseguida, investigada e tripudiada nos meios de comunicação, sem dó nem piedade. Hoje tenho um filho que é obrigado morar nos EUA tal o nível de perseguição que ele sofre. Somente a fé em Deus e o apoio da família e dos amigos é que mantiverem de pé.
4. Me acusam de um crime que jamais cometi – uma suposta tentativa de golpe de Estado. Conversei com auxiliares alternativas políticas para a Nação, mas nunca desejei ou levantei a possibilidade da ruptura democrática. As mudanças nos comandos das Forças Armadas foram feitas sem problemas. Sempre agi nas quatros linhas da Constituição. Sempre!
5. Me afastei do País após a eleição porque entendi que seria o melhor para todos, inclusive para o candidato adversário. Não estava aqui no 8 de janeiro de 2023 e, no mesmo dia à noite, postei uma mensagem repudiando os atos violentos cometidos por aqueles que exerceram o direito legitimo de protestar, sem violência, como foi o caso da maioria dos manifestantes.
6. Todo o processo Jurídico contra mim é uma aberração jamais vista! Investigações demoram seis anos, sem prazo de previsão de término. Pessoas são presas e coagidas a fazer delação premiada para salvar suas famílias. As defesas são cerceadas, as investigações correm em segredo de Justiça e realizadas prisões arbitrárias.
7. A avaliação de uma denúncia contra um ex-presidente da República é feita por uma Turma do Supremo Tribunal Federal e não pelo plenário da Corte. Na banca de julgadores, dois conhecidos desafetos meus e um terceiro elemento que foi advogado do meu adversário eleitoral em 2022!
8. O relator do processo é, ao mesmo tempo, vítima, investigador e julgador de sua própria causa – outra aberração, uma verdadeira “jabuticaba judicial”, impensável e inimaginável em verdadeiras democracias e num pleno Estado Democrático de Direito.
9. As ditas “provas” de acusação se baseiam numa única delação premiada! Na verdade, em onze versões de uma única delação premiada, que foi modificada ao longo dos anos por pressão dos inquisidores e suas permanentes ameaças à integridade física, moral e familiar do delator.
10. Registro que desde a primeira versão da delação, os investigadores, o magistrado e a PGR a consideraram como “A VERDADEIRA”, “A INQUESTIONÁVEL” para a comprovação dos supostos “crimes cometidos”, status que mudava a cada novo depoimento corretivo. Qual seria, então, a verdadeira delação? A primeira? A última? Todas ou nenhuma delas?
11. Houve um total cerceamento da defesa! Soubemos das onze versões da delação premiada pelo seletivo vazamento da imprensa. As investigações ocorreram em segredo de Justiça e quando os documentos delas foram apresentados à defesa não houve acesso integral as mídias que as compunham.
12. O pequeno prazo para a defesa analisar mais de 1.200 páginas é uma afronta ao direito de defesa! A estratégia da acusação foi a de encaminhar um calhamaço de informações, com pouco prazo para análise das “provas”, que estão incompletas. A celeridade do processo, uma vergonha, como tem mostrado a mídia.
E é a isso que chamam de Justiça?
13. Não estava em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023, não foi encontrada nenhuma referência em meus celulares sobre a organização da manifestação e mesmo assim querem, injustamente, me vincular aos atos daquele dia, que teriam a intenção de “depor” um governo eleito.
14. Me acusam disso, mas não promoveram nenhuma investigação mais profunda sobre a postura do general Gonçalves Dias, ministro-chefe do GSI do novo governo, homem de confiança do presidente recém-empossado, filmado indicando a saída dos invasores do Palácio do Planalto, conivente com os “atos de vandalismo” no local.
15. Sou acusado ainda de promover uma tentativa de “golpe de Estado” sem qualquer prova. Durante os quatro anos do meu governo foram realizadas duas eleições com milhares de candidatos, mais de três dezenas de partidos de diversas matizes sem um único incidente grave! Todos os eleitos tomaram posse.
16. A democracia prevaleceu! Não houve golpe de Estado, o candidato adversário tomou posse, sai do País, não estava aqui no dia 8/1 e mesmo assim tentam me condenar. Sabem que se eu disputar a eleição presidencial de 2026 serei vitorioso e colocarei, novamente, o Brasil no rumo certo.

O Padre e o Ateu - Por Félix Maier

 

O Padre e o Ateu

Félix Maier

Numa manhã particularmente ensolarada, daquelas em que até as sombras parecem preguiçosas, o padre Fábio de Melo atravessou o pátio de um centro cultural onde fora convidado para participar de uma roda de conversa. O evento chamava-se Crer ou Não Crer: eis a Questão, título que ele considerou apropriado, embora um tanto dramático. Shakespeare aprovaria, pensou.

No saguão, sentado numa prosaica cadeira de madeira com estofado, estava Leandro Karnal, ajeitando os óculos com uma expressão entre filosófica e levemente entediada. Ele parecia refletir sobre alguma frase de Montaigne ou, quem sabe, sobre a quantidade exagerada de açúcar que serviam nos cafés de eventos públicos.

Quando viu o padre se aproximar, levantou-se com um sorriso civilizado, sorriso que dizia: discordarei de você em quase tudo, mas com a mais honrosa polidez.

— Padre Fábio! — exclamou Karnal. — Que prazer sermos colocados no mesmo palco! Já aviso que vim preparado para discordar com elegância.

— E eu vim preparado para exercer a virtude da paciência — respondeu o padre, apertando-lhe a mão. — Afinal, meu filho, ninguém entra num debate com você sem antes fazer alongamento espiritual.

Os dois riram, porque sabiam que o humor era a melhor ponte entre mundos tão diferentes.

Foram encaminhados a uma pequena sala onde aguardariam o início do evento. Alguém lhes trouxe café, e foi aí que a conversa começou, como começam as melhores conversas humanas: sem planejamento, sem script, sem epistemologia formal.

— Padre — começou Karnal, mexendo o café com a concentração de quem mede argumentos —, o senhor acredita mesmo que Deus existe? Existe de verdade? Não como metáfora literária, ou como conforto psicológico, mas como… entidade?

Fábio sorriu como quem já ouvira aquela pergunta mais vezes do que ouvira seu próprio nome.

— Acredito, meu amigo. Acredito com leveza, não com a ansiedade de quem tenta provar matematicamente o amor. Crer não é equação, é descanso.

Karnal apoiou o queixo na mão, teatralmente impressionado.

— Descanso? Para mim, a fé sempre me pareceu uma inquietação…

— E ser ateu não lhe é inquietante?

— Ah, é profundamente inquietante — admitiu o filósofo. — Mas inquietações são nutritivas. Elas evitam a estagnação.

O padre tomou um gole de café e inclinou levemente a cabeça.

— Veja só, o ateu é inquieto porque Deus não existe. O crente é inquieto porque Deus existe. Devemos ter nascido gêmeos espirituais…

Karnal riu.

— Padre, se o senhor virar ateu no final da conversa, eu prometo virar agnóstico só pra manter o equilíbrio do universo.

A conversa avançava com naturalidade quando o padre mencionou, quase como quem comenta o clima:

— Você conhece a Aposta de Pascal? Ou apenas faz apostas nas Bets?

Karnal ergueu uma sobrancelha, interessado, com um leve sorriso.

— Claro. Aquela ideia de que é mais seguro apostar na existência de Deus, porque se Ele existir, o ser humano ganha tudo, e se não existir, nada perde. Confesso: parece mais coisa de seguradora do que de teólogo...

Fábio, rindo com gosto:

— Sim! Uma teologia com cláusula de garantia! Mas é um raciocínio interessante. Pascal não pede fé cega, só prudência. Ele diz: Não sabemos se Deus existe. Mas, diante do desconhecido, é mais racional apostar que sim.

— E se Deus for daqueles que preferem honestidade intelectual à fé por conveniência?

— Ora, Deus é onisciente, Ele saberá distinguir entre o oportunista e o peregrino sincero. Mas também saberá reconhecer quem, mesmo na dúvida, escolheu a humildade diante do mistério.  Pascal só queria garantir que, ao fim da vida, não perderia a viagem.

— Ah, mas aí está! — rebateu Karnal. — Se eu acreditar apenas por medo de estar errado… estarei acreditando de verdade? Tipo: Ah, você só acreditou pra garantir o Céu, com medo do Inferno? Que feio!

O padre ficou pensativo.

— Talvez a fé não esteja em acreditar, mas em confiar. Um bebê não acredita na mãe. Ele… confia.

— E como convencer um ateu a confiar em algo que não vê? — provocou Karnal.

— Do mesmo modo que você convence alguém a comer tofu mal temperado — disse o padre, com certo drama. — Prometendo que vale a pena, embora ninguém acredite na primeira vez.

Ambos gargalharam, com a cumplicidade de quem sabe que o humor também é método de diálogo. Ao que o Padre acrescentou:

— Você não vê a eletricidade, vê? Mas passa a acreditar nela quando leva um choque, né mesmo? E só vai acreditar na gravidade que ninguém vê quando cair de uma árvore e se esborrachar no chão.

A conversa esquentava, e não pelo café, quando o padre comentou:

— Eu sempre achei fascinante que ateus sejam, no fundo, grandes crentes.

Karnal quase se engasgou com a própria saliva.

— Como assim?!

— Ora, vocês acreditam profundamente que Deus não existe. Não é pouca fé essa. É uma convicção em algo que não pode ser provado.

Karnal piscou, surpreso com a lógica invertida.

— Então o senhor está dizendo que eu sou um homem religioso… só que ao contrário?

— Exatamente! Você é como uma estrofe invertida. Uma quadra com versos em ordem contrária.

— Sinto-me provocado — disse o filósofo, fingindo estupefação. — Eu nego Deus com a mesma firmeza com que você O afirma. Somos, portanto, dois crentes teimosos.

O padre apontou o dedo para ele:

— Viu só? Concordamos!

— Eu não disse que concordava — protestou Karnal.

— Mas disse somos. Isso inclui nós dois.

Karnal suspirou, derrotado pela gramática e pela ensinança escatológica cruzada do padre.

Quando o mediador veio chamá-los para o palco, eles já estavam concluindo que a conversa deveria ter sido transmitida ao vivo. O padre disse:

— Você me ensina dúvidas, Karnal.

— E o senhor me ensina esperanças — respondeu o filósofo.

O padre sorriu, satisfeito.

— Estamos empatados, então.

— Empatados não — corrigiu Karnal. — O senhor sempre ganha um pouco mais. O crente tem vantagem: aposta na eternidade. O ateu aposta na lucidez. No fim, um dos dois ficará muito surpreso.

— E espero que seja você — respondeu o padre, piscando o olho.

— Eu também — admitiu Karnal, com um sorriso maroto. — Seria ótimo descobrir que errei para cima, não para baixo...

No palco, diante do público, eles retomaram algumas das ideias da conversa privada, mas ambos sentiram que o melhor da tarde já estava guardado entre eles: naquele café, naquela cadeira singela, naquela brincadeira amistosa entre fé e razão.

O evento terminou com aplausos calorosos, e, quando todos se dispersaram, os dois caminharam lado a lado até a saída.

— Padre — disse Karnal, parando na calçada —, no fundo, acho que só existe uma pergunta realmente importante.

— Qual seria?

— O que fazemos com o mistério?

O padre sorriu, como quem contempla algo luminoso.

— Acolhemos. Questionamos. E seguimos. Porque a fé é uma forma de perguntar, e o ateísmo também.

Karnal assentiu.

— Então estamos, de algum modo, no mesmo barco.

— Sim — respondeu o padre. — Você remando para ver onde o mar nos leva. Eu remando para encontrar quem fez o mar.

— E se ninguém tiver feito o mar?

O padre olhou para ele com ternura.

— Então remaremos juntos, meu amigo.

Caminharam alguns metros em silêncio. Até que o padre comentou:

— Se tiver alguém esperando do outro lado… vou apresentar você pessoalmente a Ele.

Karnal deu uma gargalhada.

— Pois trate de caprichar na apresentação. Não quero fazer feio diante de uma entidade que passei a vida inteira negando.

— Fique tranquilo — disse o padre. — Ele adora gente sincera.

E assim seguiram, cada um carregando suas crenças, descrenças, dúvidas e humor, provando, sem pretensão alguma, que a verdadeira ponte entre mundos distintos não é a certeza, mas o respeito.


P. S.:

Crônica retirada de CONTOS RISONHOS - ENTRE RISOS E SONHOS (E ALGUNS PESADELOS)https://felixmaier1950.blogspot.com/2025/12/contos-risonhos-entre-risos-e-sonhos-e.html


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Eles não eram os mocinhos - Por JusBrasil

Terroristas soltos em troca da vida do
embaixador dos EUA Charles Burke Elbrick


Eles não eram os “mocinhos” (1)

JusBrasil

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Com relação ao período do regime militar brasileiro, umas das versões que mais se apegou ao imaginário popular é que os grupos armados daquela época estavam lutando contra o regime pela volta da democracia.

Fernando Gabeira, jornalista, escritor e político brasileiro, foi um dos que à época pegaram em armas. Membro do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), participou do mais famoso sequestro de uma autoridade estrangeira em território nacional, do embaixador americano Charles Elbrick, evento sobre o qual escreveu um livro chamado “O que é isso companheiro?”.

Pois bem, em agosto de 2010, Gabeira concedeu uma entrevista ao site de notícias UOL, no qual falou sobre a luta armada. Suas palavras desmistificam o romancismo criado em torno dos revolucionários como “jovens que lutavam a favor da democracia”:

“Todos os principais ex-guerrilheiros que se lançam na luta política costumam dizer que estavam lutando pela democracia. Eu não tenho condições de dizer isso. Eu estava lutando contra uma ditadura militar, mas se você examinar o programa político, que nos movia naquele momento, era voltado para uma ditadura do proletariado.

Então, você não pode voltar atrás, corrigir o seu passado e dizer: ‘eu estava lutando pela democracia’. Havia muita gente lutando pela democracia no Brasil, mas não especificamente os grupos armados, que tinham como programa esse processo de chegada na ditadura do proletariado

(...)

Não, a luta armada, naquele período, não estava visando a democracia

(...)

A minha posição é bastante nítida em dizer que houve uma luta pela democracia no Brasil, nos de certa maneira participamos dessa luta, mas com um objetivo diferente... "(transcrição direta)

Não se trata de um ponto de vista isolado. Eduardo Jorge, médico e político brasileiro, naquele tempo, membro do Partido Comunista Revolucionário (PCR), também se expressa no mesmo sentido:

“Eu continuo sendo socialista, e, portanto, de esquerda, mas sou uma pessoa que acredita que a democracia é essencial. Coisa que nós, na época da esquerda leninista não considerávamos. Nós éramos pela ditadura do proletariado.

Nós éramos contra a ditadura militar, mas éramos a favor da ditadura do proletariado. É preciso dizer a verdade toda. Porque as vezes eu ouço meias verdades. Como a ditadura militar nos oprimiu barbaramente, muitas vezes as pessoas pensam que não existiam coisas, no campo da esquerda, igual e até pior, em vários aspectos." (Programa Fluxo – 21/06/2014)

Daniel Aarão Reis Filho, professor titular de História Contemporânea na Universidade Federal Fluminense, que também participou da luta armada, expõe seu ponto de vista:

“As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser mitificadas. Nem para um lado nem para o outro. Eu não compartilho da lenda de que no final dos anos 60 e no início dos 70 (inclusive eu) fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito surgido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como um instrumento de resistência democrática” (O Globo – 23/09/2001)

Três ex-guerrilheiros que, de pontos de observação diferentes, chegaram às mesmas conclusões: a luta armada no Brasil não visava a volta da democracia; visava uma ditadura de esquerda.

Não! Eles não eram os “mocinhos”!


O malogro em romantizar a pessoa do revolucionário, consiste no paradigma da vítima; ou seja, a vítima não comete crimes. Vítima é vítima, e ponto.

Nisso reside toda a importância da desmistificação: de entender que ambos os lados cometeram crimes na ânsia por seus ideais. De uma lado os militares, na ânsia de preservar o sistema vigente à época. Por outro, os revolucionários, na sanha por uma ditadura comunista. Para não ser leniente com nenhum dos lados, por ora, vou coloca-los num mesmo patamar. Ambos queriam uma ditadura. O que mudava era a posição delas. Uma de direita e outra de esquerda.

Nesse ponto está a inflexão de minhas considerações. Durante todos esses anos, até mesmo pela Comissão da Verdade, somente os crimes cometidos pelos militares tem sido divulgados à execração pública. Contudo, como já disse anteriormente, a priori, considero que ambos estivessem em pé de igualdade.

Por isso, sinto que está na hora de falar sobre os crimes cometidos pelos grupos revolucionários armados. Não para uma condenação; porque entendo que, apesar de somente os crimes dos militares serem expostos à condenação pública, ambos os lados estão sob a égide da Lei 6.683/79, a Lei da Anistia.

Está na hora de ambos os lados serem expostos. Como o dos militares, de longa data, há quem o faça; vou me ater ao dos revolucionários.

E sobre o que me debruçarei nos próximos artigos.

Fonte: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/eles-nao-eram-os-mocinhos-1/399873086


Eles não eram os "mocinhos" (2)

Seus crimes - Os sequestros


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São poucos os brasileiros que conhecem as ações empreendidas pelos grupos revolucionários durante o regime militar. Em parte, porque os meios de comunicação dão muito maior destaque aos crimes cometidos pelos militares.

Dessa forma, criou-se um estereótipo que os revolucionários eram pessoas pacíficas, que somente faziam protestos e que, simplesmente por isso, estavam sendo brutalmente perseguidas, torturadas e assassinadas pelas Forças Armadas brasileiras. Realmente nesse viés reina o arquétipo do mártir, daquele que numa luta pacífica morre pela causa.

Mas não foi bem assim que as coisas aconteceram. Nas palavras de Eduardo Jorge: “muitas vezes as pessoas pensam que não existiam coisas, no campo da esquerda, igual e até pior, em vários aspectos."

Os Sequestros

1 – Do Cônsul do Japão – 11/03/1970

Aproximadamente às 18 horas do dia 11 de março de 1970, após seu expediente de trabalho, Nobuo Okushi, Cônsul do Japão, voltava para sua casa quando o veículo oficial no qual estava foi interceptado por um Volkswagen. O cônsul japonês ao ver um dos ocupantes do outro veículo sacar uma metralhadora, pensou ser uma abordagem da polícia civil. Ledo engano. Estava sendo sequestrado.

Numa ação rápida e bem orquestrada o cônsul foi retirado de seu carro e levado ao lugar onde, pelos próximos quatro dias, seria seu cativeiro.

Por quê? Ao que tudo indica, aproximadamente um mês antes, alguns integrantes de um grupo revolucionário haviam sido presos por assassinar um policial militar. Como eles tinham informações vitais sobre os campos de treinamentos guerrilheiros do Araguaia, e sob interrogatório não tardariam muito a falar, foi necessário traçar uma estratégia para libertá-los. O sequestro do Cônsul do Japão foi o modo de pressionar as autoridades brasileiras perante a comunidade internacional.

Logrou êxito. Cinco guerrilheiros foram libertados da prisão em troca da vida do Cônsul. Depois de seu translado ao México, o cônsul do Japão foi libertado. Era 15 de março de 1970.

Meses depois todos os que participaram desse sequestro tinham sido presos ou mortos em confronto com a polícia.

2 – Do Embaixador da Alemanha 11/06/1970

Era Copa do Mundo e as pessoas estavam atentas ao jogo de Inglaterra e Tchoslováquia. Foi nesse clima que o diplomata alemão Ehrenfried Von Hollenben deixou a embaixada em direção a residência oficial. Entretanto, naquele dia seria diferente. Não chegaria em sua casa.

O embaixador estava escoltado. Nos bancos da frente de seu Mercedes, um motorista e um agente de polícia federal. E no carro que vinha logo atrás, mais dois, agentes da mesma polícia.

Em meio ao trajeto, o veículo no qual estava o embaixador foi atingido por uma pick-up. Nesse momento um dos sequestradores, que estava postado na rua, metralhou o veículo que escoltava o embaixador sem que houvesse tempo hábil para esboçar defesa. Nesse interim, outro guerrilheiro aproximou-se do veículo oficial e efetuou vários disparos no policial federal que estava no banco da frente. Matou-o instantaneamente. O embaixador foi retirado do carro e levado ao cativeiro.

Tudo muito bem planejado. Não levou mais de três ou quatro minutos. Deixando um saldo de um morto e dois feridos.

Cinco dias se passaram em negociações. Eles queriam a libertação de 40 guerrilheiros em troca da vida do embaixador. O governo brasileiro cedeu às exigências. Os presos foram soltos e banidos do país por meio do Decreto 66.716/70. O embaixador foi libertado.

3 – Do Embaixador dos Estados Unidos 04/09/1969

De todos os sequestros levados a cabo pela esquerda armada durante o regime militar, com certeza, esse foi o mais emblemático. O de maior repercussão e, de todos, o único que se tornou livro.

Primeiramente, houve um levantamento de dados sobre a vida e hábitos do diplomata. Tudo aponta a uma possível “infiltrada”, que se aproximou de um dos policiais que fazia a segurança do embaixador, iniciou um namoro com ele, e obteve todos as informações necessárias para realização do sequestro.

Tudo planejado, à execução. Por volta das 14h do dia 4 de setembro de 1969, o Cadilac de Charles Elbrick, embaixador dos Estados Unidos, ia em direção a embaixada, o conduzindo a mais uma tarde de trabalho. Sem seguranças, somente acompanhado com o motorista, era presa fácil. Foi no que deu. No meio de uma das travessas daquela região o veículo do embaixador foi obrigado a parar porque um carro à sua frente estava manobrando. Aparentemente, nada de demais. Não, era uma emboscada.

No momento em que o carro de Elbrick parou, quatro indivíduos entraram. Diante da surpresa e indecisão do embaixador em obedecer as ordens dos sequestradores, restou-lhe uma coronhada na cabeça. Foi arrastado em sangue. Esse seria o primeiro de uma série de sequestros a diplomatas.

Dessa vez, cometeram um erro. Ao liberar o motorista não se precaveram, ele viu o veículo no qual o embaixador foi levado, anotou a placa. Algo que nem havia começado já estava prestes a terminar. Em poucas horas, de posse das informações de placa do veículo, os investigadores descobriram quem eram e onde estavam os que haviam participado do sequestro. Já estavam sendo monitorados.

Por uma questão de cautela, o governo brasileiro preferiu ceder às exigências dos sequestradores, libertando e enviando ao México 15 guerrilheiros, para depois agir contra os criminosos. A vida do embaixador precisava ser preservada. No dia 7 de setembro, anoitecendo, os sequestradores, aproveitando-se de um congestionamento causado por um jogo no Maracanã, libertaram o embaixador nas imediações e conseguiram fugir.

Não tardou muito para o primeiro sequestrador ser preso. Após o primeiro, todos foram caindo como que efeito dominó. Embaixador libertado, sequestradores presos e quinze guerrilheiros no México.

4 – Do Embaixador da Suíça 07/12/ 1970

Como a Suíça sempre foi um país que manteve neutralidade, Giovanni Enrico Bucher, seu embaixador, descartava os avisos da Polícia Federal para que se provesse de equipe de segurança ou pelo menos mudasse seu itinerário. Sua atitude mostrou-se um erro.

Os sequestradores sabiam que o diplomata tinha o costume de sair de sua residência, aproximadamente às 09h, em seu Buick azul, acompanhdado, somente, por um segurança e um motorista, em sentido aos escritórios da embaixada. Presa fácil.

Um “olheiro” ficou de prontidão. Quando avistou o carro do embaixador, sinalizou. Nesse momento, dois carros fecharam o veículo do diplomata, um na frente e outro atrás. Para garantir o sucesso da ação, um outro carro, no qual estava um dos membros da quadrilha, simulou uma pane mecânica na esquina, impedindo que qualquer outro veículo entrasse naquela rua.

Quando a armadilha estava fechada, um dos sequestradores aproximou-se e desferiu vários tiros no segurança, matando-o na hora. Quem era esse sequestrador? Carlos Lamarca, aquele que é chamado de herói... O embaixador foi colocado em uma Kombi e levado ao cativeiro.

A Suíça se expressou no sentido de o sequestro ser um atentado aos direitos humanos e uma violência contra pessoas inocentes.

Esse foi o sequestro mais longo e dramático de uma autoridade estrangeira em nosso território. Foi mais de mês marcado pela tensão. Os sequestradores ofereciam um lista de guerrilheiros a serem libertados e o governo brasileiro mostrava a impossibilidade (já estavam em liberdade) ou sua discordância (tinham cometido crimes muito graves). Ao que tudo indica, por muitas vezes os sequestradores consideraram seriamente a morte do diplomata suíço.

No dia 13 de janeiro de 1971 a vida do embaixador suíço foi trocada pela liberdade de 70 guerrilheiros, que foram enviados para o Chile.

No dia 16, do mesmo mês, o diplomata suíço foi libertado nas imediações da igreja da Penha. Chegava ao fim mais um sequestro de autoridade estrangeira.

5 – De José Armando Rodrigues 29/08/1970

Os sequestros realizados pela esquerda armada durante o regime militar tinham, basicamente, só um motivo: a libertação de “presos políticos”. Cabe salientar que, por vezes, esse crime foi usado como meio para fuga de território brasileiro.

Contudo, dessa vez o modus operandi mudou.

No data em questão, após ter seu estabelecimento comercial roubado num valor de, aproximadamente, 30 mil cruzeiros, José Armando Rodrigues foi sequestrado. Em seu cativeiro foi torturado e executado. Após, os guerrilheiros desfizeram-se de seu corpo jogando-o em precipício na Serra de Itabira.

O caso chocou a opinião pública.

A pergunta que fica é por quê? Não pediram a libertação de ninguém e não usaram o sequestro como forma de evadir-se. Então por que torturar e matar um simples comerciante? Não havia motivos, tratou-se de crime gratuito. A única explicação que vislumbro encontra suas raízes no pensamento da esquerda: os comerciantes, até hoje, são vistos como pequenos burgueses, conceito profundamente negativo segundo a dialética marxista-leninista.

Em pouco tempo todos os envolvidos estariam presos.

6 – De Aviões Comerciais

É interessante notar como o povo brasileiro desconhece sua própria história. Se perguntarmos as pessoas se houve um sequestro de avião em nosso país, a maioria delas dirá que não.

Contudo, de 1969 a 1975 ocorreram 15 sequestros de aviões comercias no Brasil, todos realizados pela esquerda revolucionária armada. Era algo muito bem planejado. Para conseguir passar pela segurança aeroviária, meses antes os sequestradores assaltavam um posto de identificação civil do qual roubavam dezenas de espelhos de identidade, visando prover identidades falsas aqueles que participariam dos sequestros aeronáuticos.

A maioria dos casos se deu da mesma forma: os aviões sequestrados tinham como destino Cuba, onde os guerrilheiros pediam asilo político a Fidel Castro, que de regra, concedia. Algumas fontes dizem que esses sequestros era uma forma de esses guerrilheiros chegarem aos campos de treinamento cubanos, no qual eram adestrados na luta armada revolucionária.

Também ocorreram tentativas de sequestros de aeronaves, ao menos três, na qual sequestradores saíram mortos. Não há notícias que em nenhum desses eventos algum civil tenha se ferido ou perdido a vida.

Conclusão

É importante perceber que, todas as vezes que uma autoridade é atacada em território estrangeiro, há muita pressão da parte dos governos de seus respectivos países para que as autoridades locais tomem providências imediatas e enérgicas para a solução do impasse.

Pois bem, não foi diferente nessa época. Todas as vezes que os grupos revolucionários sequestravam autoridades estrangeiras ou voos com pessoas de diversas nacionalidades, havia clamor internacional para que as autoridades brasileiras dessem uma resposta à altura. Foi nesse contexto que muitos revolucionários da esquerda armada foram mortos. Mortos em resistência à prisão ou em confronto direto com as autoridades que visavam reestabelecer o “status quo ante bellum”.

Resistir até a morte, nunca se entregar, morrer atirando. Esse era o lema desses revolucionários.

Sempre, após suas ações armadas, esses grupos faziam propaganda panfletária, ou seja, por meio de panfletos, espalhados nos locais dos eventos, se gabavam de seus crimes (perpetrados contra pessoas inocentes – como no caso do comerciante José Armando) como feitos revolucionários. Isso despertou a ojeriza da população e das autoridades. A resposta foi dura.

O sequestro é um dos crimes mais perversos que se pode cometer contra um ser humano. Sei o que alguns irão argumentar: “mas eles faziam isso para a libertação de presos políticos.” Presos políticos?! Pessoas que estavam presas em virtude de terem cometido os mesmos crimes que eles. Não, isso não é justificável.

Não há motivo ideológico possível que possa justificar o assassinato de um empresário que não tinha ligação alguma com o regime militar. E mesmo que tivesse, isso não seria motivo para sequestra-lo, após roubar sua empresa, torturá-lo e executá-lo.

Não é demais chamar a atenção a que algumas das pessoas que participaram desses sequestros estão vivas e ocuparam altos cargos da República. Outros deles, receberam indenizações milionárias por terem sido perseguidos durante a ditadura militar... Perseguidos? Engraçado, dizem que o crime não compensa...

Não, a verdade precisa ser dita em alto e bom tom: “eles não eram os 'mocinhos' ”. Eles eram sequestradores! Uma quadrilha de...

Fonte: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/eles-nao-eram-os-mocinhos-2/402313686


Comentário:

É sobre esses criminosos sanguinários que os cineastas brasileiros gostam de fazer filmes, enaltecendo terroristas e demonizando os militares que os combateram. A relação de filmes que exaltam criminosos brasileiros, comunistas ou não, é longa: Olga, Batismo de Sangue, O que é isso Companheiro?, Zuzu Angel, Lamarca, MarighellaAinda estou aqui e, agora, O Agente Secreto, uma marca da patifaria típica da extrema-esquerda e seus cinquenta tons de vermelho-sangue. 

Leia, de minha autoria, O Agente Secreto, em https://felixmaier1950.blogspot.com/2026/01/o-agente-secreto-por-felix-maier.html.

A mentira dos terroristas e seus simpatizantes é sempre a mesma: de que empunharam armas para restaurar a democracia no Brasil. Fernando Gabeira, Eduardo Jorge e Daniel Aarão Reis Filho foram dentre poucos militantes políticos (eufemismo para terroristas) que se mostraram honestos, ao afirmar que todos os grupos terroristas brasileiros lutaram em favor da ditadura do proletariado, ou seja, do regime comunista, tendo Cuba por modelo.

Só um completo idiota ou um patife assumido não entende o estupro que a América Latina sofreu durante a guerra fria, nas mãos de facínoras que se formaram em guerrilha e terrorismo na Rússia, em Pequim e, principalmente, na Cuba de Fidel Castro, com a criação de Vietnãs em nosso Subcontinente Latino a partir da Revolução Cubana, em 1959.

Félix Maier


Veja também: 

Gabeira admite: Nós Queríamos Implantar o COMUNISMO no BRASIL - A DITADURA do Proletariado

https://www.youtube.com/watch?v=Az7j-6vN7Ok

Eduardo Jorge admite o que Dilma sempre escondeu: "Éramos a favor da ditadura do proletariado"

https://www.youtube.com/watch?v=zoiIldKYbfA

Conversa com historiadores | Entrevista com Daniel Aarão Reis (Parte 1)

https://www.youtube.com/watch?v=2qQNgjJsro8

As Ações Armadas Comunistas na América Latina – Da Intentona Comunista às Ações de Cuba

Por Félix Maier

https://drive.google.com/file/d/1NM-YQGMFYok4sA6fbzkXi-3PqQeRTX1r/view