quarta-feira, 24 de maio de 2017

Depoimento do general Ajax, comandante da Missão de Paz da ONU no Haiti


Depoimento do general Ajax, comandante da Missão de Paz da ONU no Haiti

Fonte: Facebook

Todo dia caminho 30 min do hotel ate a sede da ONU. Nesta semana estou participando da reunião dos 16 Force Commanders que ocorre anualmente aqui em NY.
Vou fardado, claro, para as atividades. Tunica VO e boina azul.
Impressiona a maneira como as pessoas na rua, independente de idade , olham e cumprimentam com respeito. Eles sabem ,pelo uniforme e pela bandeira do Brasil na manga, que não sou americano. NY, na sua correria, não é  local de se prestar atenção a detalhes e pessoas nas ruas...mas hoje me impressionou essa atitude deles para com os militares. 
Um operário de rua parou o que estava fazendo, prestou continência e falou "God bless you !" e depois ao ver a bandeira do Brasil falou o ja tradicional "brasiiiilll" e fez sinal de positivo.
Ao entrar na confusão da Grand Station  para cortar caminho , uma senhora bem vestida disse " Thank you for your service"!
Ao sair da estação dois jovens soldados americanos me saudaram.
Depois um vendedor de loja e um senhor no hotel me cumprimentaram!
Não dá para não se emocionar.!!!
Esse povo aqui tem uma admiração pelos militares que faz inveja a qualquer um...
Em trinta minutos fui mais saudado com admiração na rua que em um ano no meu Pais!!!
Gen AJAX PORTO PINHEIRO

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Carta ao Sr. Ari Cunha, vice-presidente institucional do Correio Braziliense

Prezado Sr. Ari Cunha,

É uma pena o Correio Braziliense voltando a ser um jornaleco dos tempos daquele chefe de redação petista que o colocou em banho-maria por uns tempos, lembra?

Por que esse preconceito contra o Exército, que impediu que o Brasil se transformasse num Cubão? Ou, que prosperassem em nosso País as "FARB", como ocorreu na Colômbia com as FARC, matando centenas de milhares de pessoas?

Respeito pela História recente do Brasil é o mínimo que se espera de um grande jornal. Ser caixa de ressonância do politicamente correto da esquerda que quis implantar o comunismo no Brasil e perdeu a guerra, não é fazer jornalismo, mas ser torcedor fanático da esquerdalha. É se juntar aos hooligans da mídia, hoje presentes no mundo inteiro (vide Brexit e Trump, as besteiras que já se escreveram sobre esses assuntos - incluindo a última "crônica" de Maria Paula no caderno de domingo, puro besteirol).

Atenciosamente,

Félix Maier


Águas Claras - DF


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MATÉRIA DO CORREIO BRAZILIENSE – O4 Fev 2017 

General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva (Comentários)

O jornal Correio Braziliense (04-02-2017) publicou matéria com o título “Brasília põe fim a 50 anos de segredos”, onde, entre outros assuntos, discorre sobre a prisão de militantes de grupos revolucionários que tentavam implantar a luta armada no Brasil.
Como soe acontecer, trata-se de reportagem facciosa, pois acusa o regime militar de “perseguir, torturar e assassinar quem se opunha ao regime”, destaca opiniões como a de que “o Estado perseguia a população” e meias verdades como a de um entrevistado que diz “tínhamos a ideia de combate ao regime militar”, mas não confessa que o objetivo era implantar uma ditadura comunista e não a democracia no Brasil. O jornal não entrevistou ninguém que apresentasse uma visão diferente sobre os episódios relatados.
Quanto aos destaques acima, deve ficar bem claro que houve um conflito violento entre o Estado e grupos revolucionários que combatiam o regime militar.  Não eram oposição ao regime e sim combatentes ideológicos que empregavam ou apoiavam a violência armada revolucionária. A ideologia da luta armada era a da URSS e da China, países responsáveis pelas maiores violações aos DH no século passado. O Estado não perseguiu a população, nem grupos ou coletividades e sim combateu grupos armados fora-da-lei. Como era sua obrigação, defendeu as instituições, a lei e a ordem, com apoio total da nação. 
Era um regime de exceção como os próprios Presidentes reconheciam ao manifestarem a necessidade e o propósito de redemocratização. Autoritário por limitar as liberdades democráticas, mas não totalitário, que as eliminaria. Havia eleições livres e um partido de oposição - o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), cuja plataforma era democracia já, enquanto a do partido de governo, a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), era a redemocratização gradual e segura. Jornais, revistas, músicas, festivais da canção e peças teatrais criticavam o governo, bem como livrarias vendiam obras de linha marxista. Portanto, o jornal relativizou a verdade quando disse que o regime perseguia a quem se lhe opunha, sem apontar o tipo de oposição – a aliança entre a subversão e a luta armada – que, esta sim, gerava reação do aparato de defesa do Estado.
Além disso, a matéria veicula absurdos e faz considerações ridículas sobre os DOI-CODI, como dizer que os “integrantes desse órgão de repressão eram treinados na Escola Superior de Guerra (ESG) e defendiam os ideais disseminados pelos ditadores”. Os agentes dos DOI/CODI nunca foram preparados na ESG e tinham a missão de investigar, prevenir e reprimir a violência armada e não de “defender ideais” de superiores hierárquicos. 
Outra incongruência é, na primeira página do jornal, dizer que “Uma jovem flagrada fumando maconha no Bloco [-] levou à prisão de 20 ‘inimigos’ do regime. Entre eles, Miriam Leitão, [-]”. Segundo a matéria, a operação começara em meados de 1973, porém, na página 17 (seção inferior e coluna da esquerda), consta que Miriam Leitão “era uma das integrantes [do Grupo Caratinga] e também acabou presa em 3 de dezembro de 1972”. Ora, o que aconteceu em 1973 não poderia ter levado à prisão de alguém em 1972. 
Constam, na relação dos presos na operação apresentada na matéria, os nomes de Romário Schettino, Mírian Macedo e Marisa Macedo, entre outros detidos. O primeiro foi entrevistado pelo jornal e relatou torturas sofridas quando esteve recolhido. A propósito, é interessante meditar sobre o que disse Mírian Macedo em 05 /06/ 2011, disponível em http://blogdemirianmacedo.blogspot.com.br/2011/06/verdade-eu-menti_05.html (acesso em 04-02-2017), pois é estranho que pessoas presas na mesma operação tenham passado por experiências tão diferentes durante o período de detenção. 
[Início de Transcrição do artigo de Mírian Macedo]. A minha verdadeira ação revolucionária foi outra, esta sim, competente, profícua, sistemática: MENTI DESCARADAMENTE DURANTE QUASE 40 ANOS! [-]. Repeti e escrevi a mentira de que eu tinha tomado choques elétricos [-], que me deram socos e empurrões, interrogaram-me com luzes fortes, que me ameaçaram de estupro quando voltava à noite dos interrogatórios no DOI-CODI para o PIC e que eu passava noites ouvindo "gritos assombrosos" de outros presos sendo torturados (aconteceu uma única vez, por pouquíssimos segundos: ouvi gritos e alguém me disse que era minha irmã sendo torturada. Os gritos cessaram - achei, depois, que fosse gravação - e minha irmã, que também tinha sido presa, não teve um único fio de cabelo tocado). 
Eu também menti dizendo que meus algozes, diversas vezes, se divertiam jogando-me escada abaixo, e, quando eu achava que ia rolar pelos degraus, alguém me amparava (inventei um 'trauma de escadas", imagina). A verdade: certa vez, ao descer as escadas até a garagem no subsolo do Ministério do Exército, na Esplanada dos Ministérios, onde éramos interrogados, alguém me desequilibrou e outro me segurou, antes que eu caísse. 
Quanto aos 'socos e empurrões' de que eu dizia ter sido alvo durante os dias de prisão, não houve violência que chegasse a machucar; nada mais que um gesto irritado de qualquer dos inquisidores; afinal, eu os levava à loucura, com meu enrolation. Eu sou rápida no raciocínio, sei manipular as palavras, domino a arte de florear o discurso. Um deles repetia sempre: "Você é muito inteligente. Já contou o pré-primário. Agora, senta e escreve o resto”.  Quem, durante todos estes anos, tenha me ouvido relatar aqueles 10 dias em que estive presa, tinha o dever de carimbar a minha testa com a marca de "vítima da repressão". A impressão, pelo relato, é de que aquilo deve ter sido um calvário tão doloroso que valeria uma nota preta hoje, os beneficiados com as indenizações da Comissão da Anistia sabem do que eu estou falando. Havia, sim, ameaças, gritos, interrogatórios intermináveis e, principalmente, muito medo (meu, claro).
Torturada?! Eu?! Ma va! As palmadas que dei em meus filhos podem ser consideradas 'tortura inumana' se comparadas ao que (não) sofri nas mãos dos agentes do DOI-CODI. 
Que teve gente que padeceu, é claro que teve.  Mas alguém acha que todos nós - a raia miúda - que saíamos da cadeia contando que tínhamos sido 'barbaramente torturados' falávamos a verdade? Não, não é verdade. A maioria destas 'barbaridades e torturas' era pura mentira! Por Deus, nós sabemos disto! Ninguém apresentava a marca de um beliscão no corpo. Éramos 'barbaramente torturados' e ninguém tinha uma única mancha roxa para mostrar! Sei, técnica de torturadores. Não, técnica de 'torturado', ou seja, mentira. Mário Lago, comunista até a morte, ensinava: "quando sair da cadeia, diga que foi torturado. Sempre." Na verdade, a pior coisa que podia nos acontecer naqueles "anos de chumbo" era não ser preso (sic). Como assim todo mundo ia preso e nós não? Ser preso dava currículo, demonstrava que éramos da pesada, revolucionários perigosos, ameaça ao regime, comunistas de verdade! Sair dizendo que tínhamos apanhado, então! Mártires, heróis, cabras bons. Vaidade e mau-caratismo puros, só isto. Nós saíamos com a aura de hérois e a ditadura com a marca da violência e arbítrio. Era mentira? Era, mas, para um revolucionário comunista, a verdade é um conceito burguês, Lênin já tinha nos ensinado o que fazer. [Fim de transcrição]. 
A matéria diz que Romário “enfrentou 10 dias de interrogatório sob extrema violência”, ou seja, o mesmo tempo que Mírian relata ter ficado presa, mas ao contrário de Romário, declara ter mentido durante 40 anos sobre ter sido torturada no DOI/CODI. 
 Convém considerar, também, o relato de Márcio Del Cístia (Mídia Sem Máscara em 30/11/2006), que descreve um diálogo com um agente do Estado que disse: “[Os militantes] após serem soltos, precisavam apresentar desculpas aos companheiros, [pois] temiam [-] ser justiçados como traidores [inventavam torturas e sevícias para justificar as delações voluntárias]. Disponível em “Brasil acima de tudo”, http://www.brasilacimadetudo.com/2006/11/tortura/ (acesso em 04-02-2017).
Não tenho elementos de juízo para dizer aonde está a verdade, mas muitos ex-militantes receberam indenizações pecuniárias e alguns ocupam posições importantes. Confessar, hoje, uma eventual mentira teria consequências jurídicas e alto custo político. No tribunal, dizer que confessara sob tortura poderia resultar no arquivamento do processo ou em uma pena mais branda, como acontecia de fato.
Para finalizar, convém destacar que os militantes citados na matéria pertenciam ao PCdoB, então ilegal e adepto da linha maoísta, que pregava a revolução violenta e luta armada prolongada, com prioridade para as áreas rurais, mas também atuando em regiões urbanas, como no caso de Miriam Leitão. Em meados dos anos 1960, o PCdoB enviou dezenas de militantes ao Pará, para criar a guerrilha do Araguaia e os obrigou a permanecer na área e vencer ou resistir até à morte. Quem tentasse fugir seria morto e as mulheres que engravidassem na guerrilha eram obrigadas a fazer o aborto. Para se ter uma ideia do grau de violência do grupo guerrilheiro, basta citar o exemplo de João Pereira – guia do Exército no Araguaia - um jovem com cerca de 15 anos. Foi torturado e assassinado pela guerrilha na frente dos pais. Cortaram suas orelhas, os dedos e as mãos antes de enfiar-lhe uma faca. No Relatório de Ângelo Arroyo (PCdoB) consta que a morte de João Pereira causou pânico na região (leia-se terror). 
Com que base moral os antigos militantes de grupos como esse acusam os seus oponentes? A esquerda socialista é a mestra da hipocrisia, pois pretendia se transformar em governo e cometia as mesmas violências de que acusa o regime militar.  A diferença é que esse regime, que a derrotou, também a anistiou, ao invés de promover um banho de sangue como ela faria, pois foi assim nos conflitos onde o socialismo venceu.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Pela criminalização dos símbolos comunistas

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Já existe uma lei no Brasil que criminaliza, corretamente, os símbolos nazistas - a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

Em seu artigo 20, a Lei 7.716 preceitua que:

"Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Pena: reclusão de um a três anos e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)".
A Lei 7.716 está incompleta. É preciso modificar essa Lei, para criminalizar também símbolos comunistas, como a foice e o martelo. Num país democrático, como o Brasil, não deveria ser permitido que partidos políticos, como o PCdoB e o PCB, defensores de ideologias totalitárias, que têm como objetivo implantar a ditadura do proletariado, continuem tendo seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esses partidos precisam ser imediatamente extintos, para resguardar a democracia de que se utilizam, para em seguida tentar eliminá-la.

Divulgar o comunismo é um crime que atenta contra toda a humanidade, não só contra a nação brasileira, face aos mais de 100 milhões de mortos que essa ideologia assassina deixou como herança no século XX. E que ainda continua matando pessoas ao redor do mundo, como na China, em Cuba e na Coreia do Norte – além de países bolivarianos, como a Venezuela.

Países do Leste Europeu, como Ucrânia e Polônia, que viveram sob as garras de ideologias totalitárias como o nazismo e o comunismo, estabeleceram leis que proíbem a divulgação de símbolos dessas ideologias, assim como partidos políticos dessas excrescências que nunca deveriam ter surgido na História universal.

Por isso, é importante apoiar o Projeto de Lei nº 5358/2016, apresentado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSC/SP), que altera a redação da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, e da Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016, para "criminalizar a apologia ao comunismo".

Nesse sentido, criei uma petição, de modo a coletar abaixo-assinados dos verdadeiros democratas brasileiros. Enviei o texto da petição a todos os parlamentares em Brasília, inclusive para aqueles que, ideologicamente, cometem crime fazendo a apologia ao comunismo.

Assim, concito todos os democratas brasileiros a exigir de nossos parlamentares a aprovação dessa Lei, de modo a colocar o Brasil a s
alvo da sanha comunista, tentada pelo menos quatro vezes nesta Terra de Santa Cruz, a saber:

- Intentona Comunista de 1935, em que lacaios a mando de Moscou, como Luiz Carlos Prestes, mataram 32 militares, alguns dormindonos quartéis, e cerca de 1000 civis, para tentar implantar a ditadura comunista.

- Após a Revolução Cubana, em 1961, portanto antes do contragolpe militar de 1964, já havia centros de treinamento de guerrilha em fazendas de Pernambuco, Acre, Goiás, Bahia e Minas Gerais, onde cubanos ensinavam táticas de guerrilha, para promover a implantação da ditadura comunista. Sobre o assunto, leia o livro O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil, de Denise Rollemberg.

- A partir de 1968, antes do AI-5 (13/12/1968), há um acréscimo exponencial de grupos terroristas comunistas no Brasil, que não lutavam contra os militares para o restabelecimento da democracia, como costumam mentir (especialmente Dilma Rousseff), mas para implantar o comunismo. O aumento da atividade terrorista ocorreu depois da Conferência da OLAS, em Cuba, em 1967, com a presença de Carlos Marighella. Ola, em espanhol, significa “onda”, seriam, pois, ondas, vagalhões de focos guerrilheiros espalhados por toda a América Latina, como disse o próprio Fidel Castro: “Faremos um Vietnã em cada país da América Latina”. Para tal, tiveram treinamento na China e, principalmente, em Cuba. O mesmo objetivo de comunização do Brasil foi tentado pelo PCdoB, na chamada Guerrilha do Araguaia.

- A partir do governo do PT, em 2003, houve outra tentativa de comunização do Brasil, de acordo com os objetivos traçados pelo Foro de São Paulo, entidade criada em 1990 por Fidel Castro e Lula da Silva, a qual tem por objetivo final a comunização da América Latina, tendo Cuba por modelo. Um breve histórico sobre a doutrina dessa nova internacional comunista pode ser visto lendo as Atas do Foro de São Paulo. A destruída Venezuela é o país que mais se aproximou desse objetivo, o “Socialismo do Século XXI”, seguida por Bolívia, Equador e Nicarágua. O Paraguai se livrou dessa praga, ao destituir o bispo-presidente Fernando Lugo. A Argentina também caiu fora, com a eleição do presidente Mauricio Macri, assim como o Brasil, com o impedimento (espero que definitivo) de Dilma Rousseff. Em sua Resolução sobre a conjuntura, de 17 de maio de 2016 - verdadeiro corpo de delito -, o PT mais uma vez provou que é um partido antidemocrático, autoritário, que trata os adversários como inimigos. Enfim, que tem o DNA totalitário.

Finalizando, volto a repetir que símbolos e entidades comunistas precisam ser criminalizados no Brasil, assim como já o são os nazistas. Um país democrático não pode tolerar regimes que têm por finalidade acabar com as liberdades, seja individual, da imprensa, da propriedade, da religião, ou do livre empreendedorismo.

NOSSA BANDEIRA JAMAIS SERÁ VERMELHA!

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A esquerda quer também o monopólio da tortura

roO PT nunca se posicionou contra as torturas praticadas em países comunistas, como Cuba, porque este país é governado por um sistema totalitário que lhe serve de modelo.

Tortura: “Suplício ou tormento violento infligido a alguém” (Dicionário Aurélio).

Aprovada após o episódio ocorrido na Favela Naval, em São Paulo, quando policiais foram filmados batendo em pessoas paradas em uma barreira policial, a Lei nº 9.455, de 7/4/1997, afirma que tortura é: 1) constranger alguém com uso de violência ou ameaça grave, causando-lhe dano físico ou mental para obter declaração ou confissão, provocar ação ou omissão de crime ou discriminar por raça ou credo; 2) submeter alguém sob sua guarda ou autoridade a intenso sofrimento físico ou mental, para aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo; 3) o crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia; 4) a pena é de reclusão, em regime fechado, de dois a oito anos; se houver morte, a pena é dobrada para até 16 anos; aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, deve ser condenado de um a quatro anos de prisão.
Os métodos de tortura incluem: 1) choque elétrico: aplicado nas orelhas, na boca, no nariz, nos seios, na genitália (normalmente, na posição “pau-de-arara”); 2) pau-de-arara: a pessoa torturada fica com os pés e braços amarrados junto aos tornozelos, presa a uma barra de ferro, ficando pendurada como um frango assado; 3) espancamento: pode ser com barras de ferro, paus ou toalhas molhadas; pode ser o chamado “telefone” (tapas com as mãos abertas sobre os ouvidos) ou, ainda, o “corredor polonês”, em que a vítima passa por duas fileiras de pessoas para sofrer espancamento; 4) afogamento: o “banho chinês” era feito em pias, baldes, vasos sanitários, latas, ou derramando água pelo nariz em vítima no “pau-de-arara”; o afogamento cubano incluía o “submarino”: “Por exemplo, Orestes Pérez, 28 anos na prisão, camponês do Escambray, sofreu o ‘submarino’. Preso em Topes de Collantes, lhe atavam a uma corda com uma pedra, o lançavam a uma lagoa perto e quando estava se asfixiando o tiravam da água” (“A tortura na Cuba dos Castro). 5) asfixia: feita com sacos de plástico enfiados na cabeça da vítima; 6) “pimentinha”: um magneto produzia baixa voltagem e alta amperagem, para dar choque elétrico em presos; era acondicionada em uma caixa vermelha, daí o nome de “pimentinha”; 7) tortura chinesa: perfuração com objetos pontiagudos embaixo da unha; outra forma de tortura chinesa, durante a Revolução Cultural, era arrancar os testículos e pênis do torturado, assá-los e comê-los na frente da vítima; 8) geladeira: o preso era colocado nu em ambiente de baixíssima temperatura; no local, havia ainda a emissão de sons muito altos, dando a impressão de estourar os ouvidos; 9) insetos e animais: os presos sofrem ameaças de cães, cobras, jacarés, baratas, além de drogas e sevícias sexuais; 10) produtos químicos: o torturado recebia soro de pentotal sódico, substância que fazia o preso falar, em estado de sonolência; ou era jogado ácido no rosto do preso, fazendo a pessoa inchar; 11) queimaduras: com cigarro, charuto ou isqueiro, incluíam queimaduras de seios e órgãos genitais; 12) cadeira de dragão: cadeira forrada com metal, ligada a fios, onde o preso era amarrado para receber descargas elétricas; 13) fuzilamentos simulados junto a pessoas executadas; 14) empalação: “suplício antigo, que consistia em espetar o condenado em uma estaca, pelo ânus, deixando-o assim até morrer” (Dicionário Aurélio); uma variante de empalamento era a “cadeira de Judas”, instrumento metálico em forma de pirâmide.

Durante a ditadura de Saddam Hussein, no Iraque, além de descargas elétricas nos genitais, até chamuscá-los, eram utilizados os seguintes métodos de tortura: morsas para perfurar os ossos, golpes de barras de ferro no estômago e nas costas, dissolução de pés e mãos em ácido sulfúrico - alguns tinham o corpo inteiro dissolvido.

Segundo Olavo de Carvalho, “o requinte soviético foi que os candidatos a empalamento não foram escolhidos entre empaladores em potencial, mas entre padres e monges, para escandalizar os fiéis e fazê-los perder a confiança na religião, segundo a meta leninista de extirpar o cristianismo da face da terra”.

“Durante esses anos (Grande Terror), cerca de 10% da vasta população da Rússia foi triturada pela máquina penitenciária de Stálin. (...) Igrejas, hotéis, casas de banho e estábulos transformaram-se em prisões; dezenas de novas prisões foram construídas. (...) A tortura era usada numa escala que até os nazistas mais tarde achariam difícil igualar. Homens e mulheres eram mutilados, olhos arrancados, tímpanos perfurados; as pessoas eram enfiadas em caixas com pregos espetados e outros dispositivos perversos. As vítimas eram muitas vezes torturadas diante de suas famílias” (JOHNSON, 1994: 254).

“Os testemunhos dos sobreviventes, os samizdat, os relatos filtrados no breve período de degelo falam de três tipos peculiares de tortura: a stroika, a isca e a cilha. A stroika é um suplício que o policial pratica simplesmente mantendo durante horas sua vítima ereta de encontro a uma parede, sempre na ponta dos pés, até o seu colapso. A isca consiste em atar as mãos e os pés do infeliz atrás das costas, e suspendê-lo depois no ar, de cabeça para baixo, com epílogo idêntico se ele não confessa. A cilha é mais refinada, é um meio de convencimento que se realiza alternando a cada dia os policiais que se comprazem nesta tarefa, de prolongar por horas e horas o interrogatório do acusado, que se vê privado de alimento e do sono até que se decida a falar” (GHIRELLI, 2003: 42).

No Brasil, a tortura existiu durante os governos militares, como garante o general Adyr Fiúza de Castro, em depoimento constante do livro Os anos de chumbo - a memória sobre a repressão, de Maria Celina d’Araújo e outros, Editora Relume-Dumará, RJ, 1994. Porém, segundo o general Fiúza, “80% das arguições de tortura e de maus tratos dos subversivos presos eram devidos a informações e a instruções dos advogados visando à redução das penas, isto é, a denúncia desse estigma foi industriada como instrumento de pressão psicológica sobre os militantes, para que não se deixassem prender, e orquestrada para dar-lhe uma conotação institucional, ou seja, para disseminar a crença de que se tratava de uma posição intencionalmente assumida pelo governo, o que de fato não ocorreu” (AUGUSTO, 2001: 339-340). “Infelizmente, os homens de ação - ao contrário dos intelectuais - não podem anular ou apagar das lembranças as suas atitudes, pedindo simplesmente que todos esqueçam o que eles escreveram, disseram ou fizeram” (idem, pg. 341, sobre a tortura e o “esqueça o que escrevi” de FHC).

O ex-ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, diz o mesmo: “A tortura existiu, eu nunca neguei isso, ‘numa ponta de linha’, às duas horas da manhã, fora do controle, quando duas pessoas entravam em choque ou se digladiavam. Entretanto, ela nunca foi política, nem norma, nem ordem dos escalões superiores” (HOE/1964, Tomo 1, pg. 93-4).

“Como eles eram processados pela Justiça Militar publicamente, com direito à ampla defesa, todos eles, instruídos por advogados, passaram a declarar em juízo que as confissões - mesmo não apenas assinadas, mas escritas de próprio punho - tinham sido obtidas sob tortura” (Gen Div Negrão Torres - HOE/1964, Tomo 8, pg. 101). Exatamente como fazem, ainda hoje, os bandidos comuns, a exemplo dos acusados pela morte do ex-prefeito petista Celso Daniel.

Cabe uma pergunta: a presidente Dilma Rousseff foi de fato torturada, como já afirmou diversas vezes, ou foi apenas instruída pelo advogado para mentir e atenuar sua pena quando foi presa? O general Rocha Paiva, em entrevista na televisão, em 2012, afirmou não acreditar em Dilma, de que foi torturada. Afinal, quem já foi pega várias vezes na mentira, não merece crédito: caso do diploma falso da Unicamp de Dilma postado no site da Casa Civil; caso do dossiê anti-FHC e Dona Ruth, mandado fabricar na Casa Civil depois que estourou o escândalo do “Lulacard” (cartões corporativos), a qual inicialmente disse que era a pedido do TCU e, quando esse órgão desmentiu, Dilma disse que se tratava apenas de um “banco de dados” da Casa Civil; caso da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, a qual afirmou que foi chamada à Casa Civil para concluir rapidamente uma auditoria sobre as empresas da família Sarney, e Dilma diz que ela nunca esteve lá. Quando inquirido pela imprensa se havia fitas gravadas sobre a ida de Lina Vieira ao Palácio do Planalto, o então chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, disse que as imagens haviam sido apagadas. Das duas, uma: ou o general estava mentindo (as imagens existiam), ou mandou apagar as imagens, para preservar Dilma Rousseff. Seja o que houve, o general deixou de servir à República para beneficiar a petista, que depois se tornaria presidente do Brasil.

A propósito, um oficial do Exército me confidenciou que, em 2004, foi instalado um sistema de segurança e vigilância no Palácio do Planalto, ao custo de R$ 4 milhões. O sistema, que consegue gravar imagens durante seis meses seguidos, sem necessidade de apagamento das imagens devido à sua enorme capacidade de armazenamento, fica diretamente subordinado à Casa Militar (antigo GSI), não ao serviço de informática do Palácio.

“A mentira, aliada à tortura, além de tema desprezível da guerra psicológica, virou meio de vida dos mais ignóbeis, meio de fortuna vil, de subversivos e advogados defensores de direitos humanos de bandidos, com as indenizações miraculosas oferecidas pelos governos esquerdistas que nos têm governado, desde Fernando Henrique Cardoso, com a lei 9.140/95” (Gen Div Agnaldo Del Nero Augusto, em “Tortura: tema de Guerra Psicológica”, site Mídia Sem Máscara, 13/11/2006). A propósito, vale lembrar que o comunista, advogado e ator Mário Lago, descaradamente, aconselhava todos os esquerdistas a mentir que foram torturados, em qualquer situação.

A respeito do assunto, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI/CODI do então II Exército, dá seu depoimento: “Onde estão esses depoimentos originais? Estão todos no Superior Tribunal Militar, no processo de cada um desses presos. Qualquer pessoa bem intencionada que leia os depoimentos, facilmente vai chegar à conclusão de que aqueles documentos [manuscritos pelos presos] nunca foram redigidos enquanto o autor estivesse sendo torturado, ou sob pressão. A maneira como a pessoa descreve, como escreve; a letra, a letra firme, a maneira como aborda as questões. (...) Depois, ele ia para o inquérito policial, no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), e confirmava o que havia dito no DOI. Posteriormente, era levado para a Auditoria. Na Auditoria, negava tudo. Negava e, se lembrado do que declarara antes, no DOI, alegava que falava sob tortura. E por que faziam isso? Bom, primeiro, porque na Auditoria procuravam negar, é claro, para ver se a pena que iriam receber não seria tão grande. Segundo, tinham que justificar perante a esquerda, perante seus companheiros por que, no interrogatório do DOI, haviam entregado a organização, denunciado seus companheiros, confessado a localização dos seus aparelhos. E, terceiro, porque tinham certeza de que jamais seriam reconhecidos. Não conseguimos nunca testemunhas oculares. Assaltavam bancos, os bancários viam, sabiam quem eram, mas, quando chamados, não os reconheciam, não sabiam de nada, por quê? Porque os primeiros bancários que fizeram o reconhecimento foram assassinados; ameaçados, sabiam que todos aqueles que reconhecessem os assaltantes teriam o mesmo destino. Nunca mais ninguém neste País quis depor contra os terroristas. (...) Bem, como conclusão a respeito da tortura, posso dizer que a mídia explora a tortura com estardalhado e sensacionalismo. Os ex-terroristas procuram justificar o que confessaram, dizendo que falavam sob tortura. Hoje o curriculum vitae de uma pessoa é bastante valorizado quando afirma que foi torturada na época da ditadura, como dizem. Excessos condenáveis devem ter sido cometidos pela repressão, mas foram muito poucos, uma exceção” (HOE/1964, Tomo 5, pg. 228-232).

“Torturador” é, sem sombra de dúvida, a palavra logomáquica mais utilizada pela esquerda brasileira, para satanizar os integrantes das Forças Armadas brasileiras que combateram os terroristas, especialmente o coronel Ustra, recentemente falecido. Não que a esquerda seja contra a tortura, pois nunca repudiou a tortura ainda existente em Cuba, na Coreia do Norte e na China, ou na antiga União Soviética, nem teve remorsos em trucidar a golpes de coronhadas de fuzil o crânio do tenente Alberto Mendes Júnior, da PM de São Paulo. Nem em torturar psicologicamente seus reféns, como o embaixador americano Charles Elbrick.  Infelizmente, a tortura é combatida apenas da boca para fora, porque todos os países a utilizam, principalmente em situação de guerra. Todos os anos, a ONU se pronuncia sobre a tortura existente no Brasil, principalmente nos presídios. E os governos, de Collor a Dilma, fingem que não é com eles.

A lógica dos torturadores tem princípio utilitarista, doutrina de Jeremy Bentham, para quem “a coisa certa a fazer é aquela que maximizará a utilidade” (SANDEL, 2012: 48). Ainda que Bentham e os utilitaristas não tenham aprovado a tortura, a lógica dos torturadores é que, em muitos casos, muitas vidas poderão ser salvas se o prisioneiro for obrigado a revelar nomes, de modo que atos terroristas possam ser abortados. “O argumento do ex-vice-presidente Richard Cheney de que o uso de técnicas de interrogatório ‘severas’ contra membros da Al-Qaeda suspeitos de terrorismo ajudou a impedir outro ataque terrorista como o das Torres Gêmeas baseia-se nessa lógica utilitarista” (idem, pg. 52).

“Quando Paul Aussaresses, já reformado fazia tempo, coordenador do serviço secreto francês em Argel em 1957, publicou suas memórias em 2001 e se vangloriou de ter executado argelinos pessoalmente, a Anistia Internacional exigiu do governo francês uma investigação. Aussaresses declarou que François Mitterrand, que era ministro socialista do Interior na época, estava completamente a par das torturas e execuções perpetradas pelos soldados franceses na Argélia” (FISK, 2007: 716).

O PT nunca se posicionou contra as torturas praticadas em países comunistas, como Cuba, porque este país é governado por um sistema totalitário que lhe serve de modelo. Quando a presidente Dilma criou a Comissão Nacional da Verdade, em vez de mandar apurar as violações contra os direitos humanos cometidos por ambos os lados – dos militares e dos terroristas, como preconizava a lei que ela mesma assinou – os “comissários do povo” se ativeram apenas à demonização dos militares. Classificaram 377 agentes de Estado como “torturadores”, incluindo todos os presidentes militares, mas nenhum terrorista torturador de esquerda. Isso prova que além de querer alcançar a “hegemonia” em todos os setores da sociedade, pregada por Gramsci, o atual governo quer também exercer o monopólio da tortura.

Bibliografia:
AUGUSTO, Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira. Bibliex, Rio, 2001.
FISK, Robert. A Grande Guerra pela Civilização - A Conquista do Oriente Médio. Planeta, São Paulo, 2007 (Tradução de Sandra Martha Dolinsky).
GHIRELLI, Antonio. Tiranos - De Hitler a Pol Pot: Os homens que ensanguentaram o século 20. DIFEL, Rio, 2003 (Tradução de Giuseppe D’Angelo & Maria Helena Kühner).
JOHNSON, Paul. Tempos Modernos - O mundo dos anos 20 aos 80. Bibliex e Instituto Liberal, Rio, 1994 (Tradução de Gilda de Brito Mac-Dowell e Sérgio Maranhão da Matta).
MOTTA, Aricildes de Moraes (Coordenador Geral). História Oral do Exército - 1964 - 31 de Março - O Movimento Revolucionário e sua História. Tomos 1 a 15. Bibliex, Rio, 2003.
SANDEL, Michael J. JUSTIÇA - O que é fazer a coisa certa. Civilização Brasileira, Rio, 2012 (Tradução de Heloísa Matias e Maria Alice Máximo).
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O Brasil precisa urgente de um novo IPES

O Brasil precisa de um novo IPES, congregando amplos setores da vida nacional em volta de um objetivo comum: a recuperação da sociedade brasileira, em todos seus aspectos, não só econômicos.

O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) foi fundado em 1961 no Rio de Janeiro pelo coronel Golbery do Couto e Silva e um grupo de empresários anticomunistas, dispostos a readequar e a reformular o Estado brasileiro. Tinha por objetivo criar barreiras intelectuais contra a propagação das ideias marxistas durante o governo João Goulart. Promovia Estudos de Problemas Brasileiros para os governos militares pós-1964.

“No setor privado, destaca-se o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), fundado em 1961. O Ipes é geralmente associado à conspiração para depor o presidente João Goulart, mas a sua contribuição foi relevante para as reformas. Na verdade, o Ipes apoiou uma série de estudos sobre problemas estruturais da economia de que participaram muitos especialistas, entre os quais Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen e Delfim Netto” (Maílson da Nóbrega, in “Há esperança”, Veja no. 2459, 6/1/2016).

O IPES, o IBAD (1), a CAMDE (2) e as Forças Armadas formaram a base quadrangular decisiva para o desencadeamento da Contrarrevolução de 31 de março de 1964, contra Jango e sua política de implantar a “República Sindicalista” no Brasil. O IPES passou a existir oficialmente no dia 29/11/1961 (Jânio Quadros havia renunciado em agosto do mesmo ano). O lançamento do IPES foi recebido favoravelmente por diversos órgãos da imprensa, como o Jornal do BrasilO GloboO Correio da Manhã e Última Hora. Contou com a aprovação do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jayme de Barros Câmara.

Além do Rio e de São Paulo, o IPES rapidamente se expandiu até Porto Alegre, Santos, Belo Horizonte, Curitiba, Manaus e outros centros menores. O IPES foi formado pelo trabalho do empresário de origem americana, Gilbert Huber Jr., do empresário multinacional Antônio Gallotti, dos empresários Glycon de Paiva, José Garrido Torres, Augusto Trajano Azevedo Antunes, além de serviços especiais de oficiais da reserva, como o general Golbery do Couto e Silva. Sandra Cavalcanti era uma das mais famosas conferencistas do IPES.


As sementes do IPES (assim como do IBAD e do CONCLAP) (3) foram lançadas no final do governo JK, cujos excessos inflacionários geraram descontentamento entre os membros das classes produtoras do país, e durante a presidência de Jânio Quadros, em cujo zelo moralista eles depositaram grandes esperanças. O IPES produziu em torno de oito filmes, para alertar os desmandos do Governo Goulart, como a ameaça comunista; os cineastas eram Jean Mazon e Carlos Niemeyer. Escritores de peso do IPES foram Nélida Piñon, Rachel de Queiroz e José Rubem Fonseca, autor de Feliz Ano Novo. Segundo Fonseca, o “IPES buscava mobilizar a opinião pública no sentido do fortalecimento dos valores democráticos” (AUGUSTO, 2001). (4)

“Somente nas ações contra o regime, despendeu o equivalente a 100 milhões de dólares, fortuna bancada com doações de centenas de grandes e megaempresários brasileiros e estrangeiros. O número de corporações americanas que apoiaram financeiramente a entidade chegou a 297” (FIGUEIREDO, 2005: 107-8). (5)

Futuros ministros dos governos militares também foram membros do IPES: Antonio Delfim Netto, Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Otávio Gouveia de Bulhões, Hélio Beltrão. O IPES teve o apoio também de Paulo Malta (Diário de Pernambuco), Pedro Dantas (pseudônimo de Prudente de Morais Neto), embaixador José Sette Câmara, embaixador e poeta Augusto Frederico Schmidt. Com apoio do IPES foi lançado o livro UNE - instrumento de subversão, em que “a estudante Sônia Seganfredo expunha a infiltração comunista no meio universitário” (ORVIL, pg. 158).

O IPES participou também de operações internacionais, que ajudaram a derrubada de Salvador Allende, no Chile, e do general Juan Torres, na Bolívia (em agosto de 1971, o general Hugo Banzer tomou o poder). Entidades congêneres do “Complexo IPES/IBAD”:

1) México: Centro de Estudios Monetarios Latinoamericanos - CEMLA; Centro Nacional de Estudios Sociales - CNES; Instituto de Investigaciones Sociales y Económicas - IISE;

2) Guatemala: Centro de Estudios Económico-Sociales - CEES;

3) Colômbia: Centro de Estudios y Acción Social - CEAS;

4) Equador: Centro de Estudios y Reformas Económico-Sociales - CERES;

5) Chile: Instituto Privado de Investigaciones Económico-Sociales - IPIES;

6) Brasil: Sociedade de Estudos Interamericanos - SEI; Fundação Aliança para o Progresso;

7) Argentina: Foro de la Libre Empresa; Acción Coordinadora de las Instituciones Empresariales Libres.

“Em 64, quando Castelo Branco organizou o Governo, a maioria dos cargos foi entregue a quem tinha ensinado ou feito cursinho no IPES. A começar por Golbery e Roberto Campos” (Sebastião Nery, in “Os filhos de 64”, Jornal Popular, Belém, PA, 6/10/1995).

Hoje, é urgente que surja um novo IPES e entidades congêneres no Brasil. Depois de 13 anos de governo do PT, que arrasou completamente a economia brasileira, não se vê nenhum movimento semelhante ao IPES para tirar o Brasil dessa encalacrada. Os grandes empresários foram cooptados pelo governo, a exemplo dos “campeões nacionais”, como Eike Batista, o dono da Friboi e os grandes empreiteiros (muitos dos quais passam uma temporada no “Hotel Moro”, em Curitiba), às custas de endividamento público trilionário, via BNDES. As instituições estão aparelhadas pela esquerda, como a CNBB (“braço religioso” do PT ateu), a CUT (braço sindical do PT), a UNE (braço estudantil do PT), o MST (as falanges do PT, junto com MTST e black blocs de várias tendências radicais – além dos agentes cubanos fantasiados de médicos do programa Mais Médicos). A classe intelectual, jornalística e artística, em sua maioria, apoia incondicionalmente o PT, por mais escândalos que surjam todos os dias. Assim, com a cooptação desses setores em torno da ideologia esquerdista, como será possível surgir um novo IPES?

Apesar desse sistema fascista instalado pelo PT no Brasil, de cooptação de todos os setores da sociedade, uma tênue luz está aparecendo no final do túnel sombrio. Lentamente, vão surgindo alguns focos de resistência na academia, como visto na Universidade de Brasília, onde um grupo que se apresenta como de direita (alvíssaras!) tomou posse do Centro Acadêmico, antiga capitania hereditária do PCdoB, PSol e assemelhados. As redes sociais também estão balançando este status quo que persiste há anos no País, de endeusamento da esquerda e satanização dos militares pós-1964 – para desespero do marxista professor de História, que louva Cuba e vai fazer compras em Miami.

Mas isso é muito pouco. Não adianta só realizar manifestações nas ruas e nas praças, porque não é isso que vai derrubar o governo, que está totalmente comprometido com a bandidagem em seus três níveis, Executivo, Legislativo e Judiciário, onde todos estão defendendo uns aos outros para não serem cassados. Não adianta, também, só tirar o PT do poder, porque o problema está em todo o sistema estrutural da sociedade, em seus aspectos políticos, sociais, econômicos e, principalmente, morais. Após dezenas de anos sendo educados pelas novelas da TV Globo, a sociedade brasileira atingiu o nível supremo da esbórnia, da desagregação das famílias e da destruição dos valores cristãos.

Uma boa nova surgida em 2004 é o projeto Escola Sem Partido, organizado pelo advogado e procurador Miguel Nagib, que coordena um site para difundir sua ideia (www.escolasempartido.org). Consiste na máxima de que a escola é lugar do aluno auferir conhecimentos, não ser doutrinado na ideologia marxista, como vem ocorrendo há décadas. Por isso, a máxima desse projeto é “Educação Sem Doutrinação”, apresentando os deveres do professor, que deveriam ser afixados em todos os murais das escolas e faculdades. E cumpridos pelos educadores. Como era de se esperar, a reação da esquerda foi imediata, principalmente por parte dos sindicatos de professores, dirigidos pelos vermelhos desde sempre.

Esse projeto do Dr. Miguel já foi aprovado em muitas prefeituras e há um projeto de lei apresentado no Congresso Nacional, em 2015, pelo deputado Izalci Lucas, do PSDB/DF. Seria importante a aprovação desse PL, para que a juventude brasileira deixasse de ser doutrinada numa ideologia que fez mais de 100 milhões de vítimas no século XX. Afinal, temos que depositar a esperança nos jovens, porque os adultos estão desanimados e os velhos apenas revoltados, todos sem poder de reação num sistema apodrecido.

Enfim, como afirmado acima, o Brasil precisa de um novo IPES, congregando amplos setores da vida nacional em volta de um objetivo comum: a recuperação da sociedade brasileira, em todos seus aspectos, não só econômicos.

Esse IPES deveria também ser estendido a todas as nações latino-americanas - como foi feito no passado -, para a reconstrução dos países arrasados pelo bolivarianismo. Na Argentina foi dado o primeiro passo, com a eleição do presidente Mauricio Macri. Na Venezuela, apesar do aumento da violência do regime de Maduro, a oposição venceu as últimas eleições parlamentares, dando um ânimo novo ao país. São sinais auspiciosos, de que o “socialismo do século XXI” está desmoronando na região, num efeito dominó.

Se o Foro de São Paulo estendeu seus tentáculos em toda a região, para criar a União das Repúblicas Socialistas da América Latina (URSAL), por que não criar o anti-Foro, o novo IPES, para combater esse projeto demoníaco?


Notas:

(1) IBAD
 - Instituto Brasileiro de Ação Democrática, o IBAD era uma organização anticomunista fundada em maio de 1959 por Ivan Hasslocher. Ao lado dele, jovens empresários fariam parte desta organização e da sua entidade-irmã, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), dois anos e meio depois. Entre eles, Gilbert Huber Jr. (Grupo Gilberto Huber - Páginas Amarelas), de ascendência norte-americana, Glycon de Paiva e Paulo Ayres Filho. O financiamento para a criação do Instituto se deu a partir de contribuições de empresários brasileiros e norte-americanos. A finalidade inicial era combater o estilo populista de JK e possíveis vestígios da influência do comunismo no Brasil. A ação do IBAD era baseada na manipulação dos rumos do debate econômico, político e social do país através da ação publicitária e política. Para dar apoio publicitário ao IBAD, foi criada por Hasslocher a agência de propaganda Incrementadora de Vendas Promotion. Esta era subsidiária daquele Instituto, financiada por capital norte-americano, para a criação de modismos favoráveis para a implantação do american way of life. Os métodos utilizados pela agência foram herdados do Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA). O IBAD criou e incentivou a Ação Democrática Popular, ADEP, cuja função era direcionar capital e financiar os candidatos contrários a Goulart que concorreriam às eleições legislativas e para o governo de 11 estados. O IBAD e o IPES financiaram, produziram e difundiram uma grande quantidade de programas radiofônicos, de televisão e matérias nos jornais com conteúdo anticomunista. As duas entidades contribuíram decisivamente no doutrinamento ideológico que acentuou a oposição ao governo João Goulart e seu programa de reformas, fator crucial para o êxito do contragolpe militar de 1964. Muitas das radionovelas, filmes de cinema e programas de televisão da época tinham mensagens explícitas e implícitas a favor da absorção pelos brasileiros das modas, usos, costumes e consumo de produtos norte-americanos. Foi nessa época que surgiu entre a classe média brasileira a expressão “anos dourados”. Em Minas, articularem-se com o IBAD o Pe. jesuíta João Cândido de Castro e o deputado Bonifácio de Andrada, líder do governo Magalhães Pinto na Assembleia Legislativa, onde organizou a ADEP. O IBAD foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava a participação de capital estrangeiro na entidade, fato considerado ilegal. O deputado Rubens Paiva (PTB) era um dos integrantes dessa CPI e teve seu mandato cassado no dia 10/4/1964. Membros do IBAD queimaram alguns documentos comprometedores visando dificultar as investigações, porém foram comprovados investimentos estrangeiros na entidade. No dia 20/12/1963, o IBAD foi dissolvido pelo Poder Judiciário. No dia 20/1/1971, Rubens Paiva foi sequestrado em sua residência do Rio e, desde então, foi dado como desaparecido. Documentos em posse do antigo comandante do DOI-CODI/Rio, coronel Júlio Miguel Molinas Dias, executado no dia 4/11/2012 com 15 tiros em Porto Alegre em situação não esclarecida pela polícia, comprovam que Rubens Paiva ficou preso no DOI-CODI. A documentação, que inclui uma relação de itens particulares do preso, foi entregue por Tarso Genro, governador do RS, à Comissão Nacional da Verdade em 27/11/2012.


(2)CAMDE - Campanha da Mulher pela Democracia: criada pouco antes das eleições de 1962, sob orientação de Leovigildo Balestieri (vigário franciscano de Ipanema, Rio de Janeiro), Glycon de Paiva e o general Golbery do Couto e Silva. “Eles convincentemente argumentavam que o Exército fora minado pelo ‘vício do legalismo’, que só mudaria se ‘legitimado’ por alguma força civil, e que as mulheres da classe média e alta representavam o mais facilmente mobilizado e interessado grupo de civis” (P. Schmitter, in Interest, Conflict and Political Change in Brazil, Stanford, California University Press, 1971, pg. 447). A CAMDE era uma organização feminina anticomunista, promoveu a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, no dia 19/3/1964, em São Paulo (19 de março, Dia de São José, Padroeiro da Família), reunindo 500.000 pessoas, protesto que exigia o fim da balbúrdia e da carestia durante o Governo Goulart, e que antecedeu à revolução de 31/3/1964. No dia 2 de abril, a CAMDE reuniu 1 milhão de manifestantes no Rio de Janeiro para agradecer a interferência dos militares nos destinos do país, ocasião em que Aurélia Molina Bastos encerrou seu discurso dizendo: “Nós louvamos, nós bendizemos, nós glorificamos a Deus e o soldado do Brasil”. As mulheres do CAMDE de Minas Gerais ofereceram a Castello Branco, ainda antes de sua eleição, uma nova faixa presidencial, para que não usasse a tradicional, “já conspurcada pelos maus presidentes que o precederam” (O Estado de S. Paulo, 12/4/1964). Outras organizações femininas e grupos católicos atuantes em 1964, além da CAMDE: Liga de Mulheres Democráticas (LIMDE), (MG); União Cívica Feminina (UCF), organizada em 1962 (SP); Campanha para Educação Cívica (CEC); Movimento de Arregimentação Feminina (MAF), teve início em 1954, foi liderado por Antonieta Pellegrini, irmã de Júlio de Mesquita Filho, proprietário de “O Estado de S. Paulo”; Liga Independente para a Liberdade, dirigida por Maria Pacheco Chaves; Movimento Familiar Cristão (MFC); Confederação das Famílias Cristãs (CFC); Liga Cristã contra o Comunismo; Cruzada do Rosário em Família (CRF); Legião de Defesa Social; Cruzada Democrática Feminina do Recife (CDFR); Ação Democrática Feminina (ADF), Porto Alegre, RS.

(3) CONCLAP - Conselho Superior das Classes Produtoras: junto com o IPES e outros órgãos, ajudou a promover o Movimento de 1964, que evitou a comunização do Brasil.

(4) AUGUSTO, Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira. Bibliex, Rio, 2001.

(5) FIGUEIREDO, Lucas. Ministério do Silêncio - A história do serviço secreto brasileiro de Washington Luís a Lula - 1927-2005. Editora Record, Rio de Janeiro e São Paulo, 2005.
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A longa noite negra da consciência

A consciência não deve ser negra, branca, amarela ou vermelha, apenas consciência. Afinal, o gênero humano é um só e não cabe mais, cientificamente, o conceito de raças.
“Ciência social, no Brasil, é crime organizado”.
Olavo de Carvalho
O Dia da Consciência Negra foi criado em 9/1/2003, mas é celebrado todos os anos no dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares. Muitos municípios brasileiros inventaram um feriado nesse dia, para alegria de uns poucos, como os funcionários públicos e os gazeteiros de sempre.
No dia 20/11/2003, o site O Indivíduo publicou o texto do estudante Pedro Sette-Câmara, "A negra noite da consciência" (*), criticando a “Semana da Consciência Negra”, que estava sendo realizada na PUC carioca. Foi um bafafá e tanto, que rendeu xingamentos sem fim ao escriba, como racista, hitlerista e outros nomes que todo esquerdista gosta de grudar na testa de quem não reza de acordo com sua cartilha politicamente correta.
Uma década depois, pode-se afirmar que a noite negra da consciência nacional continua cada vez mais profunda - e não é por conta unicamente de alguns movimentos negros. Está mais do que comprovado que o marxismo, o gramscismo, o desconstrucionismo à Jacques Derrida, a teoria crítica ou contracultura da Escola de Frankfurt, o politicamente correto, o preconceito linguístico à Pierre Bordieu ou à la Marcos Bagno são correntes afins que têm por objetivo prioritário a destruição da cultura ocidental de origem jucaico-cristã. Com a revolução ideológica dos esquerdistas, pode-se dizer que foi para o brejo “a consciência crítica dos intelecutais, que é fator regulador e filtrador do processo de interpretação” (CURY, 2012: 102-3). Com a pregação da filosofia da miséria, o que restou foi a miséria da filosofia.
A rigor, já são 40 anos que dura a longa noite negra da consciência brasileira, como escreveu Olavo de Carvalho. Dentro desse processo de desconstrução social do Brasil, os movimentos negros têm grande importância ao propor e receber “reparações” de todo tipo em nosso País, por conta da escravidão imposta a seus antepassados, em detrimento da população em geral. Batendo de frente contra a Constituição, que preceitua que todos são iguais perante a lei, independente de raça, religião ou sexo, esses movimentos querem direitos exclusivos por conta da cor de sua pele. Para tal, foram criadas as famigeradas “cotas étnicas”, que eu chamo de “cotas racistas”, configurando um racismo às avessas, o racismo negro. Hoje, existe cota étnica para negros e índios nas universidades e no serviço público. Não contentes com tais privilégios, querem também cotas no Parlamento. Já abordei esse assunto em textos publicados no MSM, como Back2black.
A longa noite negra da consciência, especificamente relacionada aos negros, pode ser comprovada pela importação de tudo o que não presta dos EUA, como o funk e o rap. Vá lá, há algumas poesias de funk e rap que são criativas e legítimas, por mostrar cruamente o que ocorre nas “comunidades” outrora chamadas de “favelas” brasileiras. Como se sabe, o rap (rythm and poetry - ritmo e poesia) é um tipo de “música” que teve origem na periferia de grandes cidades norte-americanas, especialmente em guetos de negros, muitas vezes pregando a violência. “Nos últimos anos, houve debates acalorados dentro da comunidade negra e da mídia dominante após o suposto louvor à formação de gangues, à violência e às drogas por parte dos rappers” (KELLNER, 2001: 239). 
A pregação de violência nos morros cariocas, especialmente contra a PM, pode ser conferida com o rapper Mr. Catra, do CD pirata “Proibidão”:
“Cachorro (PM),
Se quer ganhar um dindim (dinheiro),
Vende o X-9 (delator) pra mim
O patrão (chefe do tráfico) tava preso,
Mas mandou avisar
Que a sua sentença nós vamos executar
E com bala HK (fuzil)”.
E o que disse o então secretário estadual de Direitos Humanos do Rio, João Luiz Duboc Pinaud (que é primo de Mr. Catra)? “É um rapaz muito inteligente e sensível”
Junto com o rap e o funk, veio o ebonics, a língua inglesa negra dos EUA, que ignora verbos, suas conjugações e a pronúncia. O termo originou-se de ebony e phonics. Lá como cá, é moda falar errado, dentro dos conceitos do preconceito linguístico do tipo “é nóis” ou “nóis pega os peixe”, como foi visto em cartilha do MEC.
Outra invenção americana foi a “teologia negra”, a qual, por sorte, ainda não deitou raízes por aqui. Por enquanto. Afinal, se muitos mulatos brasileiros se declaram negros puros, rejeitando o DNA do sangue branco que corre em suas veias, tudo é possível. “O marxismo - como movimento revolucionário - procura conquistar o poder fomentando conflitos sociais. Nos Estados Unidos, a boa situação financeira dos trabalhadores industriais os imuniza contra o vírus da luta de classe. Não podendo fomentar o ódio social da luta de classe, o marxismo pretende, atualmente, nos Estados Unidos, fomentar a luta racial. A este diabólico serve a ‘Teologia Negra’. O principal (porém não o único) representante da teologia negra é James Cone. Nascido em 1938, no seio da comunidade negra norte-americana, é licenciado em teologia pelo Seminário protestante de Evanston (Illinois) e doutorado pela Northwestern University. Seu primeiro e mais importante livro, Teologia Negra e Poder Negro, foi editado em 1969; e em 1970, publicou Teologia Negra da Libertação. (Miguel Paradowski, in “A Teologia Negra”, Verbo, Espanha, maio/julho/75). Para Cone, a teologia é uma obra coletiva, comunitária, mas somente quando surgida na “comunidade dos oprimidos”; para o teólogo racista, “somente uma comunidade dos oprimidos é uma comunidade cristã”. Por isso, para Cone, a “teologia branca” é a “teologia do Anticristo” e, para ser cristã, a “teologia branca deve transformar-se em teologia negra, renegando a brancura como forma adequada do existir humano e afirmando a negritude como a intenção de Deus para a humanidade”. A Teologia Negra tem a mesma tendência que qualquer grupo de contestação política radical: “transformar a comunidade tradicional em grupos de ação, isto é, transformar a instituição em energia social - postulado do marxismo revolucionário” (Sig. Altmann, redator dos temas religiosos do Der Spiegelin “Adeus, Igreja”, Una Voce, jan/março/75).
Afinal, o que de importante, culturalmente, foi criado pela comunidade negra nos últimos anos no Brasil, além de violentos raps e funks que glamourizam a violência e a promiscuidade? A caxirola? Pois é, o troço foi proibido de ser usado na Copa do Mundo no Brasil em 2014, depois que expectadores jogaram a estranheza na cabeça dos jogadores em jogo realizado em Salvador, Bahia, a cidade que criou a tal coisa. Lá se foi para o ralo o sonho bilionário de Carlinhos Brown... 
O baiano Francisco Félix de Souza nasceu em 1771, filho de um português com uma escrava. Alforriado aos 17 anos, mudou-se para a terra dos seus ancestrais, na África. “Assim, em 1788, Francisco Félix de Souza desembarcou em Benin e, por ironia do destino, tornou-se um próspero traficante de escravos. Morreu aos 94 anos, teve 53 mulheres, oitenta filhos e 12.000 escravos, deixando aos herdeiros um fabuloso império de 120 milhões de dólares, em dinheiro de hoje” (Alexandre Oltramari, in “Pelas lentes da história”, revista Veja, 10/12/2003, pg. 115).
Uma das últimas alucinações brasileiras é o movimento “Reparações Já”. Idealizado pelo Núcleo de Consciência Negra (NCN), o movimento surgiu em 1993, na Bahia, e pleiteia que o Estado brasileiro indenize a cada descendente de escravo africano pelo trabalho gratuito de seus ancestrais, ou seja, “todos os negros e mestiços do país”. Não tenho dúvida de que esses senhores, caso tivessem vivido no tempo da escravidão, também teriam seus escravos, como ocorreu com Zumbi dos Palmares e Francisco Félix de Souza. A indenização pretendida pelo movimento é de US$ 102 mil para cada descendente de escravo. Eu concordo em pagar minha parcela, desde que, antes, eu tenha o direito de ter uma dúzia de escravos e algumas jovens mulatas para me acalentar nas minhas horas tristes... 
O jornalista Nelson Ramos Barretto, autor de famosa trilogia sobre indígenas, quilombolas e MST, lembra como o movimento negro substituiu a bondosa Princesa Isabel por Zumbi, um escravocrata que espalhava o terror nas populações vizinhas a partir do Quilombo dos Palmares. Barretto apresenta uma prova de que “Zumbi mantinha escravos de tribos inimigas para os trabalhos do quilombo”, tirada do livro Divisões Perigosas, de José de Souza Martins (Ed. Civilização Brasileira, Rio, 2007, pg. 99): “Os escravos que se recusavam a fugir das fazendas e ir para os quilombos eram capturados e convertidos em cativos dos quilombos. A luta de Palmares não era contra a iniquidade desumanizadora da escravidão. Era apenas recusa da escravidão própria, mas não da escravidão alheia. As etnias de que procederam os escravos negros do Brasil praticavam e praticam a escravidão ainda hoje, na África. Não raro capturavam seus iguais para vendê-los aos traficantes. Ainda o fazem. Não faz muito tempo, os bantos, do mesmo grupo linguístico de que procede Zumbi, foram denunciados na ONU por escravizarem pigmeus nos Camarões” (BARRETTO, 2007: 20). 
“Nos anos 70, os historiadores marxistas projetaram no Quilombo de Palmares tudo o que imaginavam de sagrado para uma sociedade comunista: igualdade, relações de trabalho pacíficas e comida para todos. Sabe-se hoje que o quilombo do século 17 estava mais para um reino africano daquela época que para uma sociedade de moldes que surgiram mais de um século depois. Zumbi provavelmente descendia de imbangalas, os ‘senhores da guerra’ da África Centro-Ocidental. Guerreiros temidos, eles habitavam vilarejos fortificados, de onde partiam para saques e sequestros dos camponeses de regiões próximas. Durante o ataque a comunidades vizinhas, recrutavam garotos, que depois transformariam em guerreiros, e adultos para trocar por ferramentas e armas. Esse modo de vida é bem parecido ao descrito por quem conheceu o Quilombo dos Palmares. ‘Quando alguns negros fugiam, mandava-lhes crioulos no encalço e uma vez pegados, eram mortos, de sorte que entre eles reinava o temor’, afirma o capitão holandês João Blaer”.
(Leandro Narloch, in “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” - http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/10631-guia-politicamente-incorreto-da-historia-do-brasil.html, acesso em 10/6/2011).
Resumo da opereta: a consciência não deve ser negra, branca, amarela ou vermelha, apenas consciência. Afinal, o gênero humano é um só e não cabe mais, cientificamente, o conceito de raças, a não ser para os racistas, que se aproveitam de leis espúrias e antidemocráticas para obter, não direitos, mas regalias que não merecem. 
Que saudade dos compositores e cantores negros americanos do negro spiritual, do blues, do jazz, ou dos antigos compositores negros brasileiros do samba e do chorinho. O clássico, em todas as artes, infelizmente sumiu além do horizonte, dando lugar à mais pura baixaria. E isso não acontece somente entre a cultura negra. O que temos hoje é a esbórnia total no teatro, no cinema, na televisão, na cultura e nas canções. Dignidade, nunca mais!

Notas:


BARRETTO, Nelson Ramos. A Revolução Quilombola - Guerra racial, confisco agrário e urbano, coletivismo. Editora Artpress, São Paulo, 2007.
CURY, Augusto. O Colecionador de Lágrimas - Holocausto nunca mais. Planeta, São Paulo, 2012.
KELLNER, Douglas. A cultura da mídia - Estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. EDUSC, São Paulo, 2001 (Tradução de Ivone Castilho Benedetti).
(*) A Negra Noite da Consciência
Pedro Sette-Câmara
Às vezes me pergunto em que país eu vivo. Porém, o testemunho da minha consciência me faz ver que a loucura que gera esta questão tem origem nos outros, e não numa possível ilusão geográfica minha. Eu continuo são, e meus olhos não me enganam. A única coisa que persiste é, talvez, a sensação de que eu preferia estar profundamente errado ou meio doido mesmo.
 
Foi exatamente assim que eu me senti ao descobrir que se realizaria na PUC uma Semana de Consciência Negra, um evento inspirado na idéia norte-americana do politicamente correto. Acredito mesmo que isso só possa ser fruto da tal colonização cultural, um fenômeno que, em tempos de globalização, ficou meio esquecido, mas que, infelizmente, existe sim: basta olhar para os negros brasileiros, que, em termos de aceitação social, têm uma vida muito melhor do que a dos negros americanos - lá nos EUA existe racismo mesmo - querendo importar os problemas deles. Se pudéssemos apontar qual o maior exemplo - quiçá único - que o Brasil dá à humanidade, ele está na convivência interracial e multicultural.
 
Só aqui, na TV, passa comercial de programa árabe durante o programa judeu. Só aqui todo mundo convive muito bem, sem Ku Klux Klan e sem ódio étnico. A única parte que assume isso são os skinheads e todo mundo sabe muito bem que eles são considerados um grupo malévolo à parte que deve ser combatido. (Alguém pode dizer: aqui o racismo é sutil. Eu pergunto: o que é racismo sutil? Quem não gosta de uma raça sempre manifesta isso de uma maneira que qualquer espírito, ainda que não muito sutil, percebe.)
 
O grande racismo, nada sutil, mas que pouca gente percebe, está em eventos como esta Semana de Consciência Negra. Primeiro, porque ninguém acharia bonito se fizéssemos uma Semana da Consciência Branca. Promover uma raça, qualquer que seja, é racismo. E eu não vejo nenhuma razão para tolerar nos outros o que eles pretendem condenar em mim. A única razão que se poderia alegar para que eu tolerasse isso é uma certa infantilidade da parte deles. É em criança que se tolera esse tipo de atitude. Donde se conclui o óbvio: uma Semana de Consciência Negra depõe contra a própria raça negra, como se esta fosse composta de pessoas que precisassem desesperadamente de auto-afirmação.
 
Auto-afirmação, aliás, equivocada: nenhuma produção de cultura negra será boa ou relevante para a humanidade por ser negra, mas por ser cultura (não no sentido antropológico do termo). O poeta Cruz e Souza não se destaca como um poeta de relevância universal por ter sido negro, mas pelo valor da sua poesia, que teria o mesmo valor se tivesse sido escrita por um viking. Querer falar de uma consciência negra como se esta fosse essencialmente diferente de uma consciência branca, ou árabe, é realmente estúpido. Porque, sendo diferente, e havendo tamanho esforço para celebrá-la e estimulá-la, só se pode concluir que ela seja ou superior ou inferior às outras.
 
Faz-se tanto pelo consciência negra para ajudar ao mais fraco; ou então celebra-se tanto a consciência negra poe ela ser superior, a base mesmo da nossa civilização. A primeira é um nazismo patético às avessas; a segunda é nazismo mesmo - e com nazista eu não converso. Um argumento que é utilizado pela comunidade negra (já pensou como soaria comunidade branca?) é o de reparação. Reparação das injustiças que foram cometidas contra os negros, escravizando-os, tirando-os da sua terra, etc. Bem.
 
Os faraós egípcios, que, segundo alguns, eram negros, escravizaram vários povos durante mais de mil anos. A escravidão era prática comum entre as tribos africanas e todos sabemos que os negros das tribos mais fortes foram cúmplices dos europeus no comércio de escravos. Assim sendo, sugiro que os negros que desejam reparação façam árvores genealógicas para ir cobrá-la dos descendentes dos negros escravizadores. E, antes disso, peçam a conta a todos os povos escravizados pelos egípcios.
 
O pior mesmo é que ninguém atenta para isto. Só quando trouxerem a prática norte-americana (já banida) de ação afirmativa é que vão perceber. Houve na PUC, durante a Semana, um seminário sobre o tema. Para quem não sabe, "ação afirmativa (affirmative action mesmo) é uma prática evidentemente racista que consiste em garantir uma porcentagem x de lugares para as minorias em certos meios dos quais elas se sentem excluídas - por exemplo, as universidades. Evidentemente racista porque toda decisão tomada com base em raça é racista. Assim, as universidades são obrigadas por lei a admitir tantos negros, de acordo com uma proporção matemática extraída no número de negros na região.
 
A grande diferença dos EUA para o Brasil, neste sentido, é que lá, na hora de você entrar na universidade - falo por experiência própria - você fundamentalmente manda o seu currículo. Aqui no Brasil o sistema é de vestibular, e cada universidade tem o seu. Já imaginaram a beleza que vai ser, se a ação afirmativa vier para cá, o vestibular? Salas para negros - que ou farão provas bem mais fáceis ou terão critérios mais brandos de avaliação, já que a universidade é obrigada por lei a ter em seus quadros um percentual predeterminado de alunos negros - e salas para brancos? Isto aí é ou não é a explicitação de uma demência completa? Ninguém vê porque a consciência mesma, seja negra, branca, grega ou troiana, está mergulhada numa noite de preconceitos.
 
E o preconceito é um tipo de cegueira intelectual. São cegos perdidos à noite que só tem outros cegos para os guiarem e que crêem que a cura da cegueira seja mais cegueira. O ruim com o ruim não dá bom: dá pior. Estas práticas, que só aumentaram o racismo nos EUA, produzirão um efeito muito mais nefasto no Brasil, que apesar de não ter valores culturais tão arraigados, têm como maior valor a boa convivência racial. Todo este discurso só vai ter como único resultado a importação de um problema que nós não temos. Vão inventar a consciência de uma contradição que não existe, e o Brasil vai dar mais um passo para longe da realidade.