quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Ação Popular - A ala terrorista oriunda da Igreja Católica


Sebastião Thomaz de Aquino, o "Paraíba", no hospital com o filho
após o atentado no Aeroporto de Guararapes


Ação Popular -
A ala terrorista oriunda
da Igreja Católica

 Félix Maier

20/09/2012

Em 1935, o Cardeal Leme cria no Rio de Janeiro a Ação Católica, para ampliar a influência da Igreja na sociedade. A Ação Católica era dirigida por Alceu de Amoroso Lima, seguia o conceito do Papa Pio XI e era favorável ao Integralismo, sendo acompanhado por vários padres, entre os quais Hélder Câmara. Outros intelectuais católicos: Jackson de Figueiredo (atuação a partir de 1918), Gustavo Corção, Alfredo Lage, Murilo Mendes, Pe. Leonel Franca; convertidos ao catolicismo: o positivista Júlio César de Morais Carneiro, Pe. Júlio Maria (redentorista), Joaquim Nabuco, Carlos de Laet, Felício dos Santos, Afonso Celso, além de Alceu Amoroso Lima.

A dissolução da Ação Integralista Brasileira (AIB) por Getúlio Vargas em 1938 e a derrota do Fascismo na II Guerra Mundial fizeram com que a Ação Católica se afastasse daquela linha ideológica e, com Dom Hélder Câmara, passou a adotar o modismo esquerdista, atrelado a pensadores como Emanuel Mounier, Teillard de Chardin, Lebret e outros. No início da década de 1960, a Igreja estava ideologicamente dividida, tendo à esquerda Dom Hélder e à direita Dom Jaime de Barros Câmara e Dom Vicente Scherer. A Ação Católica tinha 3 organismos para condução de suas atividades: Juventude Estudantil Católica (JEC) - no meio secundarista, Juventude Operária Católica (JOC) - no meio operário, e Juventude Universitária Católica (JUC) - formado por estudantes de nível superior. A PUC do Rio de Janeiro, orientada pelo Pe. Henrique Vaz, era o principal reduto esquerdista da JUC, onde despontava o líder Aldo Arantes.

Em Minas Gerais, a Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG reunia os principais agitadores da esquerda católica, como Herbert José de Souza ("Betinho"). Integrantes de renome da AP foram José Serra, Paulo Renato, Haroldo Lima, Vinícius Caldeira Brandt, Cláudio Fonteles, Cristóvam Buarque, Plínio de Arruda Sampaio, Henrique Novais, Jean Marc Von Der Weid e Marcos Arruda.

Em 1961, no XXIV Congresso da UNE, a JUC, aliando-se ao PCB, elege Aldo Arantes para a presidência da entidade. “A AP cresceu com tal velocidade no movimento estudantil que nós, os comunistas, que vínhamos ganhando a presidência da UNE desde 56, a partir de 60 perdemos a AP, com Aldo Arantes, Vinícius Caldeira Brant, José Serra” (Sebastião Nery, in “Os filhos de 64”Jornal Popular, Belém, PA, 6/10/1995).

Logo depois, a UNE filiou-se à União Internacional dos Estudantes (UIE), organização de frente do Movimento Comunista Internacional (MCI), culminando na ira dos conservadores da Igreja, que expulsaram Aldo Arantes da JUC. Os católicos de esquerda, doutrinados para a “revolução brasileira”, abandonaram a Ação Católica e criaram a Ação Popular (AP) em 1962, após congresso realizado em Belo Horizonte.

Durante o governo Goulart, a AP empenha-se nas “reformas de base”, situando-se à esquerda do PCB, o que causa a fuga de seguidores para o exterior após a Contrarrevolução de1964. A AP apoiava o Método Paulo Freire para alfabetização de adultos, de orientação marxista, o qual foi um plágio, para muito pior, do Método Laubach, de Frank Charles Laubach, missionário americano que alfabetizou 60% da população filipina.

A AP continua sua atuação no meio universitário e, nas discussões comunistas de 1965 a 1967, passa a seguir a linha maoísta, com a Revolução Cultural chinesa (que matou 10 milhões de pessoas), apoiando a luta revolucionária. Cuba doou 14 mil dólares para a AP enviar militantes para cursos de guerrilha naquele país. A AP enviou militantes para fazer cursos em Pequim, incluindo Haroldo Lima. A AP criou o Movimento Contra a Ditadura e pregou o voto nulo para as eleições parlamentares de 15/11/1966. A AP enviou representante a Cuba para a IV Conferência Latino-Americana de Estudantes (1966) e teve infiltração no setor metalúrgico (ABC paulista e Contagem, MG).

No campo, a AP organizou camponeses para cortar arame das propriedades (“picada de arame”) e o abate de gado a tiros; as áreas escolhidas para a agitação foram o Vale do Pindaré (MA), a região Água Branca (AL), Zona da Mata (PE) e Zona Cacaueira (Sul da Bahia).

Em 1966, a AP optou pela luta armada e pelo foquismo, em Congresso realizado no Uruguai, e passou a publicar o jornalRevolução. A ação terrorista mais conhecida do movimento foi o atentado no Aeroporto de Guararapes, em 25/7/1966. O alvo era o presidente Costa e Silva, que se salvou porque o voo atrasou. No entanto, morreram no local o almirante reformado Nelson Gomes Fernandes, que teve o crânio esfacelado, e o jornalista Edson Régis de Carvalho, que teve o abdômen dilacerado. O então tenente-coronel Sylvio Ferreira da Silva, hoje general reformado, sofreu amputação traumática dos dedos da mão esquerda e teve lesões graves na coxa esquerda, além de queimaduras de primeiro e segundo graus. Ao todo, houve 15 vítimas, incluindo os acima citados: o inspetor de polícia Haroldo Collares da Cunha Barreto, Antônio Pedro Morais da Cunha, os funcionários públicos Fernando Ferreira Raposo e Ivancir de Castro; os estudantes José Oliveira Silvestre e Amaro Duarte Dias; a professora Anita Ferreira de Carvalho; a comerciária Idalina Maia; os guardas José Severino Barreto e Sebastião Thomaz de Aquino, o “Paraíba”, que teve uma perna amputada; Eunice Gomes de Barros e seu filho Roberto Gomes de Barros, de apenas seis anos de idade.

O mentor do ato terrorista foi o ex-padre Alípio de Freitas, hoje residente em Lisboa, que era membro da comissão militar e dirigente nacional da AP e já atuava nas Ligas Camponesas de Francisco Julião. O executor do crime foi Raimundo Gonçalves Figueiredo, militante da AP. Pela bela obra cívico-cristã, Alípio de Freitas foi beneficiado com indenização de R$ 1,09 milhão, piñata recebida da famigerada Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e Raimundo G. Figueiredo é nome de rua em Belo Horizonte (sua família também foi indenizada).

Em 1968, para evitar outros “rachas”, a AP elaborou o documento “Seis Pontos de Luta Interna”, procurando consenso entre as Correntes 1 e 2. De inspiração maoísta, “o 1º ponto caracterizava o pensamento de Mao como a 3ª etapa da revolução marxista; o 2º ponto descrevia a sociedade brasileira como semicolonial e semifeudal; o 3º definia o caráter da revolução como nacional e democrática; o 4º fazia a opção pela guerra popular como forma de luta; o 5º referia-se aos partidos comunistas, considerando que o PCB se havia ‘contaminado pelo revisionismo’ e que o PC do B era um novo partido e não o continuador do PC fundado em 1922; finalmente o 6º ponto propunha a integração dos militantes à produção (isto é, que deixassem suas profissões e passassem a trabalhar e viver como operários e camponeses), com o objetivo de provocar a transformação ideológica dos que tinham origem pequeno-burguesa” (AUGUSTO, 2001: 263) (1).

Após sua I Reunião Ampliada da Direção Nacional, a AP elegeu a China como modelo de revolução, ao mesmo tempo em que se afastou do PC de Cuba, retirando-se da OLAS (2) e propondo que a UNE se afastasse da OCLAE (3), por considerá-la de “imobilismo e burocratismo”.

Em 1969, um militante da AP participou do sequestro do embaixador Americano Charles Burke Elbrick, em apoio ao MR-8. Em 1971, à noite, uma militante da AP atraiu Antônio Lourenço (“Fernando”), também da AP, para uma emboscada; “Fernando” recebeu vários tiros de rifle 44 e de revólver e foi trucidado a porretadas até a morte; o “justiçamento” ocorreu em Pindaré-Mirim (MA) e foi planejado pelo Comitê Seccional de Santa Inês, subordinado ao CR-8 (Coordenador das atividades da organização no Maranhão e no Piauí).

Em abril de 1971, após a II Reunião Ampliada da Direção Nacional, a AP assumia a denominação de Ação Popular Marxista-Leninista do Brasil (APML do B). Posteriormente, foi aprovada a tese de unificação da AP com o PC do B. Maria José Jaime, membro do PT/DF (dirigente do INESC), foi um dos “militantes” que receberam treinamento na China, em 1969, quando pertencia à AP.

José Serra, presidente da UNE quando se iniciou a Contrarrevolução de 31/3/1964, foi ministro da Saúde no governo FHC e governador e prefeito de São Paulo. Paulo Renato foi ministro da Educação no governo FHC. Cristóvam Buarque foi governador do Distrito Federal, ministro da Educação no governo Lula e, hoje, é senador da República. Cláudio Fonteles, atualmente membro leigo da Ordem de São Francisco, foi procurador-geral da República de 2003 a 2005, durante o governo Lula da Silva. Fonteles, o beato de pau oco, é, também, membro da famigerada Comissão Nacional da Verdade, o Pravda Tupiniquim, que recebeu da presidente Dilma Rousseff a missão de reescrever a História recente do Brasil à cara da esquerda, ou seja, à cara da mentira e da calúnia, cujo objetivo maior é enaltecer os honoráveis terroristas de esquerda e satanizar membros das Forças Armadas durante dois longos anos (2012-2014).

 
Notas:

 
(1) AUGUSTO, Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira. Bibliex, Rio, 2001.
 
(2) OLAS - Organización Latinoamericana de Solidaridad: no dia 16/1/1966, 1 dia após o término da Conferência Tricontinental (4), em Havana, Cuba, as 27 delegações latino-americanas reuniram-se para a criação da OLAS, proposta por Salvador Allende. O terrorista brasileiro Carlos Marighela foi convidado oficial para a Conferência da OLAS em 1967. Ola, em espanhol, significa “onda”, seriam, pois, ondas, vagalhões de focos guerrilheiros espalhados por toda a América Latina, como disse o próprio Fidel Castro: “Faremos um Vietnã em cada país da América Latina”. Após a Conferência, começam a surgir movimentos guerrilheiros em vários países da América Latina, principalmente no Chile, Peru, Colômbia, Bolívia, Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela. A OLAS, substituída pela JCR, tem sua continuidade no Foro de São Paulo (FSP) e no Fórum Social Mundial (FSM).
 
(3) OCLAE - Organização Continental Latino-Americana de Estudantes: fundada em 1966, em Havana, Cuba, esse onagro era o centro de irradiação comunista no continente. Através da luta armada, tinha por objetivo implantar o Comunismo internacional, organizando escolas de guerrilhas em Cuba, para preparar futuros guerrilheiros. Em 1967, organizou-se em Cuba a Conferência OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), com a presença de Carlos Marighela, do Brasil, e Salvador Allende, Senador do Chile. Após esses eventos, surgiram no Brasil a ALN, a FALN, a FELA, o MRT, a AP, a VPR, o COLINA, a VAR-Palmares (fusão da VPR + COLINA); a REDE (Resistência Democrática) apareceu em 1969. Em 1971, o presidente do Chile, Salvador Allende, afirmou: “Cheguei a este cargo para realizar a transformação econômica e social do Chile, para abrir o caminho para o socialismo. Nosso objetivo é o socialismo marxista, científico, total”.
 
(4) Conferência Tricontinental - Criada durante a OSPAAAL (5), que se realizou em Havana, Cuba, de 3 a 15/1/1966 – juntamente com o XXIII Congresso do PCUS. (Em 1965, em Gana, ficou decidido que a OSPAA realizaria seu próximo encontro em Cuba, no ano seguinte, para integrar também a América Latina – daí OSPAAAL).“Consiste no princípio de que a coexistência pacífica não se pode estender às chamadas ‘guerras de libertação nacional’, isto é, às guerras ‘entre oprimidos e opressores, entre os povos coloniais explorados e seus exploradores colonialistas e imperialistas’ ” (Meira Penna, in Política Externa, pg. 133). À Tricontinental compareceram representantes de 82 países, dos quais 27 latino-americanos. A delegação brasileira foi composta por Aluísio Palhano e Excelso Rideau Barcelos (indicados por Brizola), Ivan Ribeiro e José Bastos (do PCB), Vinícius Caldeira Brandt (da AP) e Félix Ataíde da Silva, ex-assessor de Miguel Arraes, na época residindo em Cuba. A tônica do encontro foi a defesa da luta armada. No encerramento, Fidel Castro afirmou que a “luta revolucionária deve estender-se a todos os países latino-americanos”. A Tricontinental foi a estratégia que desencadeou a Guerra do Vietnã e guerras civis como em Angola e Moçambique, e os grupos terroristas que surgiram na América Latina a partir de 1967/68, especialmente no Brasil, Argentina e Chile. No campo cultural, a Declaração da Tricontinental recomendava a “publicação de obras clássicas e modernas, a fim de romper o monopólio cultural da chamada civilização ocidental cristã, cuja derrocada deve ser o objetivo de todas as organizações envolvidas nessa verdadeira guerra”. Nesse encontro, o senador Salvador Allende (futuro Presidente do Chile) faria uma proposta aprovada por unanimidade pelas 27 delegações: a criação da OLAS. Assim, no dia 16/1/1966, um dia após o término da Tricontinental, as 27 delegações latino-americanas reuniram-se para a criação da OLAS, que passou a ser dirigida pelo Comitê de Organização, constituído de representantes de Cuba, Brasil, Colômbia, Peru, Uruguai, Venezuela, Guatemala, Guiana e México. A Secretaria-geral foi entregue à cubana Haydee Santamaria, e o representante brasileiro era Aluísio Palhano.
 
(5) OSPAAAL - Organização de Solidariedade aos Povos da Ásia, África e América Latina: Conferência Tricontinental de Havana, que propunha realizar programas de cooperação de guerrilhas revolucionárias para a África, Ásia e América Latina. “A luta revolucionária armada constitui a linha fundamental da revolução na América Latina. Para a maioria dos países do continente o problema de organizar, iniciar, desenvolver e culminar a luta armada constitui hoje a tarefa imediata e fundamental do movimento revolucionário”(Resolução da I Conferência da OSPAAAL, Havana, 28 Jul a 5/8/1967). Iniciada a luta revolucionária por Che Guevara na Bolívia, A OCLAE, a OLAS e OSPAAAL foram os germes dos movimentos guerrilheiros instalados na América Central (especialmente na Nicarágua, El Salvador e Guatemala), na Colômbia (que até hoje sofre com o terror das FARC e do ELN), na Bolívia (onde morreu Che Guevara), no Peru (onde o Presidente Fujimori praticamente extinguiu o Sendero Luminoso e o MRTA), no Chile (onde Pinochet evitou que a política marxista de Salvador Allende levasse o país ao comunismo), no Brasil (onde surgiram dezenas de movimentos, como a ALN, o MR-8, a VPR, o COLINA), na Argentina (com os Montoneros) e no Uruguai (com os Tupamaros).
 

Allende e Pinochet: a história da carochinha e a realidade

Allende e Pinochet: a história da carochinha e a realidade 

Félix Maier

(25/09/2002)

O livro do colombiano Gabriel Garcia Márquez, “Notícias de um Seqüestro”, era um dos preferidos do chileno Maurício Hernández Norambuena. Condenado à prisão perpétua pelo seqüestro seguido de assassinato do Senador chileno Jaime Guzmán, Maurício pediu para sua “mami” um exemplar de “Notícias”, enquanto arejava a cabeça e se preparava para a espetacular fuga de helicóptero do presídio de segurança máxima de Santiago, com mais 3 comparsas, em 1996, operação essa batizada no Chile de “Fuga do Século”. 

Norambuena é o “second-in-command” do grupo terrorista chileno Frente Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR), a “filha natural” do Partido Comunista do Chile. Após ingressar na FPMR, Norambuena recebeu treinamento em Cuba. É acusado de ter sido um dos atiradores que participaram do frustrado atentado ao general Pinochet (1986), quando morreram 5 guarda-costas, e de ter planejado o assassinato de vários agentes de segurança chilenos, entre os quais Roberto Fuentes Morrison. Preso pela polícia brasileira com mais 5 comparsas chilenos, Norambuena é o chefe dos seqüestradores do publicitário Washington Olivetto, feito cativo do grupo no dia 11 de dezembro de 2001 e libertado no dia 3 de fevereiro, 53 dias depois. 

A FPMR é também suspeita de ter realizado os seqüestros do banqueiro Beltran Martinez, em 1986, e do publicitário Luiz Sales, em 1989. Alguns seqüestros no Brasil, nos últimos anos, envolveram: 

- Luiz Salles, publicitário, preso no dia 31 de julho de 1989. O seqüestrador que o rendeu falava espanhol. Salles ficou 65 dias no cativeiro e solto após ser pago US$ 2,5 milhões. Ninguém foi preso. 

- Abílio Diniz, empresário, preso no dia 11 de dezembro de 1989, foi solto 7 dias depois, sem pagar resgate. O crime foi realizado por integrantes do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), do Chile, em apoio à causa das Forças Populares de Libertação (FPL), de El Salvador (que também participaram da operação), para arrecadação de US$ 30 milhões que seriam utilizados para financiar a ofensiva final dos guerrilheiros salvadorenhos contra o Governo. Entre os 10 foragidos do caso Diniz, havia membros da FPMR. Os seqüestradores presos foram 5 chilenos, 2 canadenses, 2 argentinos e 1 brasileiro. Condenados a penas pesadas, todos os marginais hoje se encontram soltos, depois de um grande “lobby” realizado pela esquerda para a soltura dos marginais. O Senador Eduardo Suplicy, do PT, fez uma visita de cortesia aos “pobrezinhos” na prisão, o mesmo ocorrendo com o então Secretário de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, José Gregori – com as bênçãos de Dom Paulo Evaristo Arns, sempre pronto para rezar por terroristas. 

- Geraldo Alonso Filho, publicitário, preso no dia 8 de dezembro de 1992, foi solto 36 dias após, depois de ser pago resgate de US$ 3 milhões. Ninguém foi preso. 

- Washington Olivetto, publicitário, preso no dia 11 de dezembro de 2001, libertado após 53 dias, sem pagar resgate. Seis pessoas foram presas, incluindo um líder da FPMR, Maurício Hernández Norambuena. 

Como muitos chilenos estão nos visitando ultimamente com mais regularidade do que gostaríamos, é bom conhecermos um pouco da história do MIR (organização a que pertenceu Emir Simão Sader, uma das “libélulas” da USP), da FPMR e do Governo Socialista de Salvador Allende. 


1. O Governo socialista de Salvador Allende 

O dia 11 de setembro de cada ano é sempre lembrado pelas esquerdas do mundo inteiro como o dia do “martírio” de Salvador Allende. (O 11 de setembro de 2001 será também lembrado pela mesma esquerda como o ataque bem sucedido contra o coração financeiro do capitalismo americano, com a derrubada das duas torres gêmeas do World Trade Center.) Em seu maniqueísmo vesgo e primário, o 11 de setembro é lembrado como o dia em que o “bem” foi vencido pelo “mal”. No caso, o “mal” sendo encarnado pelas Forças Armadas do Chile, com Augusto Pinochet à frente. Esse o motivo de Pinochet estar sendo demonizado até hoje pelos comunistas e socialistas do Chile, e pelo juiz Baltasar Garzón (1), ex-deputado socialista espanhol, o qual começou a caçada a Pinochet em Londres e que prossegue até os dias atuais. Esse o motivo de Pinochet estar respondendo a mais de duas centenas de processos no Chile e em outros países, enquanto muitos líderes assassinos da esquerda mundial andam leves e fagueiros pelo mundo sem que nada lhes aconteça – a começar por Fidel Castro –, já que têm garantido as bênçãos e a defesa do juiz Garzón e de toda a corja que o segue nessa campanha revanchista. 

As esquerdas até hoje não aceitam a derrubada de um mito que haviam criado para si: nenhum país socialista jamais foi derrubado por forças “reacionárias”. No Chile, esse mito ruiu no dia 11 de setembro de 1973, quando o governo socialista de Allende foi para o beleléu. 

Mas, afinal, que governo foi esse implementado no Chile por Salvador Allende? A leitura de alguns livros básicos, como o “Libro Blanco” e “Chile: Objetivo del Terrorismo” (veja “Bibliografia”, no final deste texto), nos ajudam a elucidar o que foram os anos de 1970 a 1973, ou seja, a preparação do Chile para um governo comunista. E os “anos da matraca” que se seguiram após o contragolpe de Pinochet. Os fatos e os números apresentados são contundentes, desmascarando totalmente a mitologia difundida pelas esquerdas, que sempre posaram de vítimas “frágeis” frente à propalada “ferocidade” de Pinochet. Felizmente, para a população chilena, o sonho do Kerensky dos Andes foi abortado pela reação firme das Forças Armadas, com total apoio de sua população. O mais é mitologia sul-americana que a esquerda tenta escrever nos jornais e ensinar nas escolas. 

O "Libro Blanco del Cambio de Gobierno en Chile", de 11 de setembro de 1973, impresso e editado por Editorial Lord Cochrane, S.A., Santiago, Chile, documenta toda a prática revolucionária ocorrida no Chile sob o governo de Salvador Allende (1970-1973), que preparava um autogolpe para implantar o socialismo no país, já que havia conquistado apenas 36,5% dos votos e não detinha controle sobre o Congresso, a Justiça e as Forças Armadas. 

Documenta a estreita ligação de Allende com o regime de Fidel Castro, as escolas de guerrilhas no país (há uma foto em que Allende faz treinamento de tiro com uma metralhadora .30 em sua residência oficial de “El Cañaveral” – um centro de guerrilha –, escudado por um guerrilheiro cubano). 

Documenta a política de “expropriação” de fazendas e indústrias (no final do Governo Allende, 80% da economia do país estava nas mãos do Estado). 

Documenta a ligação de Allende com a UP, o MIR, o MAPU, o Partido Comunista e o Partido Socialista, libertando, logo que assumiu a presidência, líderes do MIR: Luciano Cruz, Miguel e Edgardo Enriquez, Bautista van Schouwen, Humberto Sotomayor, Sergio Zorrilla, Joel Marambio e Andrés Pascal Allende (sobrinho do ex-presidente Allende, filho de sua irmã e ex-deputada socialista, Laura Allende), que haviam sido presos por atos de violência e delitos comuns (principalmente roubos a bancos), cometidos no governo anterior. 

Documenta que os responsáveis pelas escolas de guerrilhas de Guayacán (Santiago) e Chaihuín (Valdivia), presos no governo anterior, foram soltos, e que um dos guerrilheiros, Adrián Vasquez, ocupou de imediato a vice-presidência do INDAP (Instituto de Desarrollo Agropecuario) e outro, Rolando Calderón, chegou a ser Ministro da Agricultura de Allende em 1972 e ocupou importantes cargos em seu partido e na CUT (Central Única de Trabajadores). 

Documenta que uma das filhas de um sobrinho de Allende, líder do MIR, casou-se com graduado membro da embaixada cubana, Luís de Ona, que era responsável pelo escritório de Havana para a coordenação da expedição de Che Guevara à Bolívia. 

Documenta que no período de 1º de novembro de 1970 a 5 de abril de 1972, 1.767 fazendas foram “expropriadas” por bandos armados do MIR. 

Documenta que as principais minas de cobre foram controladas pelo Partido Comunista (Mina de Chuquicamata, na província de Antofagasta – maior mina de cobre a céu aberto do mundo; e a Mina El Teniente, na província de O’Higgins – a maior mina de cobre subterrânea do mundo). 

Documenta que após o contragolpe militar de Pinochet foram encontradas vultosas somas de dinheiro com ministros de Allende e que entre 1970 e 1973 o Chile se tornou o principal fornecedor de cocaína da América do Sul. 

Documenta que antes do golpe militar de 1973, aproximadamente 100 pessoas perderam a vida durante o governo Allende em seu nada pacífico “caminho chileno para o socialismo”. 

Documenta que no início do governo Allende 1 dólar equivalia a 20 escudos e que em agosto de 1973 1 dólar equivalia a 2.500 escudos – uma inflação de mais ou menos 12.000% no período; em 1972, a economia chilena estava em ruínas, dos 3.000 produtos domésticos básicos, mais de 2.500 não estavam disponíveis; em janeiro de 1973 começou um racionamento, as filas eram tão grandes que impediam o povo a ir ao trabalho; em 7 de setembro de 1973 (4 dias antes do golpe militar), Allende anunciou publicamente que havia farinha para pão somente para mais 3 dias. 

Documenta o ingresso de estrangeiros extremistas no país, calculado entre 10.000 e 15.000, muitos dos quais ocuparam cargos em empresas estatais, outros engajaram-se em diversos tipos de atividades revolucionárias, sob a proteção do serviço de investigação estatal. Muitos destes foram mortos em ações de roubos ou se mataram com seus próprios explosivos. Entre estes, havia asilados ou refugiados vindos do Brasil, Uruguai, Argentina, Peru, São Domingos, Nicarágua, Honduras etc.; “estudantes” ou “técnicos” vindos de empresas estatizadas da URSS, Checoslováquia, Alemanha Oriental; e “diplomatas” cubanos e norte-coreanos. 

Documenta o contrabando de armamento, adquirido em “viagens internacionais” do presidente, principalmente com a ajuda da empresa aérea estatal “LAN”, sem fiscalização da aduana no retorno ao país. 

Documenta os “comandos comunales”, agrupamento territorial de organismos revolucionários, e os “cordones industriales”, redes de trabalhadores de indústrias usurpadas ou estatizadas por Allende, também com base territorial para a violência política. 

Documenta que no início de agosto de 1973, um mês antes do contragolpe militar, Fidel Castro mandou ao Chile 2 de seus maiores “especialistas” em organização de violência política: o 1º Ministro-substituto, Carlos Rafael Rodriguez, e o chefe da temida polícia secreta, Manuel Pineiro, o “barbarroxa”, com a seguinte carta: 

“Havana, 29 de julho de 1973 

Querido Salvador 

Com o pretexto de discutir contigo questões referentes à reunião de países não-alinhados, Carlos e Piñero realizam uma viagem para aí. O objetivo real é informar-se contigo sobre a situação e oferecer-te, como sempre, nossa disposição de cooperar frente às dificuldades e perigos que obstaculizam e ameaçam o processo. A estada deles será muito breve, porquanto têm aqui muitas obrigações pendentes e, não sem sacrificar seus trabalhos, decidimos que fizessem a viagem. 

Vejo que estão, agora, na delicada questão do diálogo com a D. C. (Democracia Cristã) em meio aos graves acontecimentos, como o brutal assassinato de seu Ajudante-de-Ordens Naval e a nova greve dos donos de caminhões. Imagino a grande tensão existente devido a isso e teus desejos de ganhar tempo, melhorar a correlação de forças para o caso de que comece a luta e, se possível, achar um caminho que permita seguir adiante o processo revolucionário sem guerra civil, junto com salvar tua responsabilidade histórica por aquilo que possa ocorrer. 

Estes são propósitos louváveis. 

Mas, no caso da oposição, cujas reais intenções não estamos em condições de avaliar daqui, empenhar-se em uma política pérfida e irresponsável exigindo um preço impossível de pagar pela Unidade Popular e a Revolução, o qual é, inclusive, bastante provável, não esqueças, por um segundo, da formidável força da classe trabalhadora chilena e do forte respaldo que te ofereceram em todos os momentos difíceis; ela pode, a teu chamado, ante a Revolução em perigo, paralisar os golpistas, manter a adesão dos vacilantes, impor suas condições e decidir de uma vez, se for preciso, o destino do Chile. O inimigo deve saber de que dispões do necessário para entrar em ação. Sua força e sua combatividade podem inclinar a balança na capital a teu favor, inclusive, quando outras circunstâncias sejam desfavoráveis. 

Tua decisão de defender o processo com firmeza e com honra, mesmo com o preço da própria vida, que todos te sabem capaz de cumprir, arrastarão a teu lado todas as forças capazes de combater e todos os homens e mulheres dignos do Chile. Teu valor, tua serenidade e tua audácia nesta hora histórica de tua pátria e, sobretudo, teu comando firme, decidido e heroicamente exercido, constituem a chave da situação. 

Faz Carlos e Manuel saberem em que podem cooperar teus leais amigos cubanos. 

Te reitero o carinho e a ilimitada confiança de nosso povo. 

Fraternalmente, 

Fidel Castro” 


Documenta o “Plano Z” para a tomada do poder, onde constavam 3 hipóteses de ação revolucionária: 

Z-A: início do autogolpe para impor a ditadura do proletariado; 

Z-B: morte de Allende em atentado; e 

Z-C: invasão externa com tolerância ou cumplicidade das Forças Armadas, o emprego de forças populares, princípios básicos para desencadear o plano e os objetivos do plano, a saber: 

Assassinato do Alto Comando das unidades das Forças Armadas (no dia da independência do país, haveria um banquete oferecido ao alto comando, ocasião em que os chefes militares seriam assassinados pelo Grupo de Amigos Personales - GAP, “a guarda pretoriana” de Allende), controle das unidades militares com auxílio de oficiais esquerdistas infiltrados, controle das estações de telecomunicações, de rodovias, ferrovias e aeronaves com destino aos aeroportos de Santiago, Valparaíso, Concepción e Antofagasta, ocupação e defesa de centros estratégicos, além da busca, prisão e aniquilamento de todos os focos de resistência. 

Documenta que Cuba foi o principal fornecedor de armamento a Allende, que o “presente” de Fidel Castro encontrado no apartamento do Diretor do Serviço de Investigação, Eduardo “Coco” Paredes, superava 1 tonelada de armamento sofisticado e munição; além do contrabando, o arsenal era aumentado com roubo de armamento do exército e outras fontes, e guardados em local oficial “seguro”, como as residências oficiais do presidente ou distribuídas a grupos paramilitares. 

Documenta a enorme quantidade de armamento apreendida na residência oficial de “El Cañaveral” e no Palácio de “La Moneda”, a saber: 147 fuzis semi-automáticos, 10 carabinas semi-automáticas, 10 carabinas Mauser, 1 carabina Winchester, 54 pistolas automáticas, 13 rifles, 28 pistolas semi-automáticas, 11 revólveres, 2 pistolas para disparo de bombas de gás lacrimogênio, 3 metralhadoras, 9 lançadores de foguetes (modelo soviético), 2 canhões sem recuo, 1 morteiro, 58 baionetas para fuzis, 58 granadas de mão, 625 bombas caseiras, 832 bombas com alto poder explosivo, 68 lança-granadas, 236 minas antitanque, 432 bombas de gás lacrimogênio, 12 lança-gás paralisante (tipo spray), 25.ooo detonadores elétricos, 1.500 detonadores a mecha, 22.000 metros de estopim, 3.600 m de cordão detonante, 625 kg de cloreto de potássio, 50 caixas de dinamite, 250 kg de TNT, 750 coquetéis molotov, 230 litros de éter sulfúrico (elemento incendiário), mais de 80.000 carregadores de todos os tipos, e outros tipos de equipamentos. 

Rendido no palácio de “La Moneda”, Allende concordou em sair com as filhas, porém elas saíram primeiro, ocasião em que Allende suicidou-se com um tiro debaixo do queixo com uma metralhadora presenteada por seu amigo “urso” Fidel Castro; tal fato foi presenciado por seu médico particular, Patricio Guijon Klein. 

Sem o apoio da massa de trabalhadores, paramilitares estrangeiros extremistas organizaram sua própria revolta contra o novo governo militar. Depois de alguns meses, 1.261 pessoas perderam a vida (sendo 82 membros das Forças Armadas). Apesar do apoio cubano – confirmado por Fidel Castro mais tarde em um comíssio-show –, a esquerda foi severamente derrotada, já que não teve apoio popular. 

Dado que 2.279 pessoas (incluindo 254 vítimas do terrorismo de esquerda) devam ter sido mortas em todo o período de 17 anos de regime militar, a metade dessas mortes ocorreu na curta guerra civil após a queda de Allende, não na subseqüente “repressão”. 

Leia também o livro de Robin Harris, "A Tale of Two Chileans: Pinochet and Allende", que discorre sobre o conteúdo do “Libro Blanco”, que pode ser encontrado no site www.oindividuo.com/materias.htm


2. MIR 

Antecendentes 

O “Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR)” foi fundado em 1965 na cidade de Concepción, Chile, durante o Governo de Eduardo Frei. O MIR resultou do fracasso da “Frente Revolucionaria de Acción Popular”. Durante a realização do “Segundo Congresso Nacional”, os líderes Miguel Enríquez Espinoza, Luciano Cruz e Bautista Van Schowen declararam que seu movimento “não pretende alcançar o poder político para desenvolver um programa tradicional, mas converter o Chile em uma sociedade marxista-leninista através da luta armada, ao estilo castro-cubano.” (“Chile: Objetivo del Terrorismo”, pg. 17). 

As atividades terroristas do MIR tiveram início no final de 1967, com a colocação de bombas em recintos da Universidade de Concepción, ao mesmo tempo em que inicia assaltos a bancos em Santiago, com o propósito de “expropriar fundos do capitalismo”. Em 1968 e 1969, foram 40 assaltos a bancos. Em outubro de 1969, na localidade de Guayacán, descobre-se a 1ª escola de guerrilhas no Chile e 6 meses depois um acampamento similar na zona de Corral, na Décima Región. 

O MIR não esteve integrado oficialmente ao Governo da “Unidad Popular – UP” (2), de Salvador Allende, mas exerceu papel de “ponta de lança” no “processo de socialização da economia”. As forças paralelas do MIR (“Frente de Estudiantes Revolucionarios – FER”; “Frente de Trabajadores Revolucionarios – FTR”; e “Movimiento Campesino Revolucionario – MCR”) desempenharam tarefa de intimidação à população para a instalação de um regime marxista no Chile, elaborada pela elite da cúpula da UP. 

Vários crimes foram cometidos pelo MIR contra os chilenos que se opunham à política marxista de Allende e todos esses crimes ficaram impunes, pois a UP se negava a colaborar com os tribunais com seus serviços auxiliares de justiça. Como recompensa por esses “serviços sujos”, o Governo da UP estabeleceu, no final de 1971, vínculos oficiais entre a cúpula do MIR com o regime de Havana, o que acarretou a tutela de Fidel Castro sobre o MIR, expressa em cursos de guerrilha em bases cubanas e constante envio de armamento, entre 1971 e 1973, por vias diplomáticas e oficiais (através da LAN Chile), especialmente através da cobertura do então Diretor de Polícia de Investigações, Eduardo Paredes. 

Os armamentos mais comuns eram AK-47 Kalashnikov (fuzil de assalto soviético), submetralhadoras tchecas e armamento norte-americano, armazenado em depósitos cubanos durante a queda do ditador Batista. No final do Governo da UP de Allende, o MIR contava com aproximadamente 5.000 militantes ativos, com alta percentagem de instrução paramilitar em Cuba ou no próprio território nacional, 3.000 AK-47, 2.000 submetralhadoras, 3 a 4 mil pistolas e revólveres e modernas armas antiblindagem que nem sequer as Forças Armadas chilenas possuíam então. Com esse arsenal, o MIR pretendia constituir as novas “Fuerzas Armadas Revolucionarias”, que substituiriam as instituições de Defesa Nacional do Chile. O MIR possuía “experts” para a falsificação de documentos, de modo a encobrir suas atividades terroristas entre 1971 e 1973. 

Retração às suas bases 

O pronunciamento militar de 11 de setembro de 1973 surpreendeu o MIR e os grupos paramilitares do Partido Comunista chileno. Na ocasião, o MIR e o aparato clandestino do PC mantinha seus homens dispostos em pontos estratégicos das principais cidades chilenas, para enfrentar as “forças reacionárias”, especialmente através dos chamados “cordões industriais” e “cordões de defesa populacional”. 

Ao saberem do movimento das Forças Armadas, os chefões do MIR e do PC fugiram como ratos, buscando refúgio nas sedes diplomáticas, especialmente as da órbita socialista. Os grupos mais fanáticos, especialmente dirigidos por cubanos (cujo número, então, se calculava em 2.000), dispersaram-se nas cidades de Santiago, Antofagasta, Valparaíso e Concepción, os quais, durante vários meses após o contragolpe das Forças Armadas chilenas, orientaram seus esforços a sabotar instalações de utilidade pública, emboscar patrulhas das Forças Armadas e assassinato de pessoal militar e policial que andava isoladamente. 

Os integrantes do MIR buscaram asilo nas embaixadas da Itália, Argentina, Suécia, URSS e Costa Rica. Os que não conseguiram abrigo, passaram à clandestinidade, iniciando a etapa denominada “sumergimiento” para proteger suas estruturas, que começaram a ser desbaratadas pelas forças de segurança. 

Paralelamente a este “encobrimento”, a cúpula do MIR aglutinou-se na Europa, criando no início de 1974 uma “Sede Exterior”, no Bairo Latino, em Paris. Ali foi criada a “Central de Documentación” do MIR, que permitiu o reagrupamento de seus militantes exilados e o envio sistemático desses a cursos paramilitares a Cuba, URSS, Líbia e Argélia. 

Em 1974, retornaram clandestinos ao Chile Miguel Enríquez Espinoza, Humberto Sotomayor Salas e Sergio Zorrilla Fuenzalida, que assumiram o comando da “Fuerza Central del Movimiento”, enquanto Andrés Pascal Allende (sobrinho de Salvador Allende) mudava de QG de Paris para Havana, deixando seu substituto, Manuel Cabieses, no cargo da “Central de Documentación”. 

Em janeiro de 1975, observou-se um leve incremento das atividades terroristas, não obstante o grupo de elite do MIR permanecer retraído em suas “bases madres”, dependentes de Cuba e da URSS. 

Miguel Enríquez morreu em 5 de outubro de 1974 em um enfrentamento com as Forças de segurança de San Miguel, assumindo a condução do MIR Nelson Gutiérrez. Em outubro de 1975, efetivos das Forças de segurança cercaram militantes do MIR em Malloco, próximo a Santiago, ocasião em que conseguiram fugir Nelson Gutiérrez e Andrés Pascal Allende, que buscaram refúgio, respectivamente, nas sedes da Nunciatura Apostólica e na Embaixada de Costa Rica, auxiliados por religiosos simpatizantes dos comunistas. 

Após “El Desastre de Malloco”, como ficou conhecido, o Movimento retraiu-se mais uma vez às suas bases de Cuba e Paris. Essa Segunda retirada durou 2 anos. 

“Operación Retorno” 

Esse congelamento das atividades do MIR prolongou-se até 1979, período aproveitado para reeducação de seus quadros na permanente ponte aérea Paris-Berlim-Praga-Havana, para formação básica de guerrilha e instrução especial em sabotagens urbanas e rurais, conspiração, Inteligência e segurança partidária, combate especial contra colunas blindadas e apoio logístico. 

Os terroristas do MIR permaneciam 4 meses nos campos de treinamento de Punto Cero, Pinar del Río, Monte Pinares, Guanabo ou Los Troncos, em Cuba, retornando depois a Havana para participar durante 20 a 30 dias de grupos de estudos políticos, destinados a reforçar sua preparação ideológica e doutrinal. 

Segundo fontes americanas, nos primeiros 6 meses de 1979, cerca de 90 chilenos, procedentes de Cuba, foram incorporados às “Forças Sandinistas”, que combatiam contra a Guarda Nacional de Anastasio Somoza, na Nicarágua, todos identificados como "comandantes” de colunas guerrilheiras. 

No final de 1979, começou o retorno clandestino de mais ou menos 200 militantes do MIR, a maioria com documentação falsa, elaborada no “Centro de Documentación” de Paris ou organismos especializados da polícia secreta alemã oriental, a Stasi, em Berlim. 

Com a “Operación Retorno” (1980), o MIR começou nova escalada terrorista no Chile, especialmente na Região Metropolitana. A “Agrupación Central” do MIR tinha integrantes com grande capacidade operacional, “batizados” em combates insurrecionais na África e na América Central. 

O primeiro ato terrorista depois da “Operación Retorno” ocorreu no dia 24 de novembro de 1979, quando um comando do MIR assaltou um carro-forte que retirava valores do supermercado AGAS, ocasião em que foi assassinado o cabo de carabineiros, Bruno Burdiles Vargas. Seguiram-se numerosos golpes, em sangrentos assaltos a bancos e casas de câmbio, como também sabotagens a linhas de comunicações, edifícios de serviços públicos e postos policiais. 

No dia 15 de julho de 1980, o MIR executou dezenas de atentados contra os carabineiros e mais ou menos 50 roubos à mão armada contra bancos, transporte de valores, casas de armas, pagadores de indústrias e estabelecimentos comerciais, o que permitiu arrecadar – comente em 1980 – cerca de 2 milhões de dólares. 

Com esses recursos, o MIR passou a adquirir “casas de seguridad”, que demonstrou a clara diferença social dentro do Movimento: enquanto os chefões adquiriram luxuosas mansões nas comunas de La Reina ou Las Condes, os militantes de base tiveram que se contentar em esconder-se nos bairros periféricos, recebendo 1/10 do soldo dos “comandantes”. Algo parecido com o caso “La Piñata” (3), ocorrido na Nicarágua do sandinista Daniel Ortega. 

O sangrento ano de 1980, para o MIR, encerrou-se no dia 30 de dezembro, quando mais de 10 integrantes do Movimento – alguns disfarçados de carabineiros –, em 5 veículos e com modernas armas automáticas, assaltaram, simultaneamente, as sucursais dos bancos Concepción, de Chile y Talca, situadas na Avenida José Pedro Alessandri com Irarrázaval, na comuna de Ñuñoa, assassinando 2 carabineiros. Depois de ocupar o setor por 15 minutos, os terroristas levaram 500.000 dólares e não sofreram baixas. 

Em 1981, o MIR realizou um “Pleno Extraordinario”, em Buenos Aires, em que reconheceu os grandes êxitos de 1980, razão pela qual seu Secretário-Geral, Andrés Pascal Allende, determinou continuar da mesma forma o trabalho revolucionário urbano (assaltos, sabotagens, “expropriações” e atentados seletivos), mas reforçando o Movimento com a criação de um foco guerrilheiro. 

Os “tatús” 

Após análise, encomendado ao então Chefe da Estrutura Militar, Hugo Ratier, foi aprovado o ponto-piloto de guerrilha urbana na zona florestal de Neltume, a leste da cidade de Valdivia, na Décima Región. 

Em abril de 1981, foram introduzidos em Neltume 15 terroristas que se encontravam fora do Chile e que possuíam conhecimentos da área. Ali construíram 12 esconderijos subterrâneos, em uma área de difícil acesso, em terrenho montanhoso e coberto de bosques, que impediam qualquer observação aérea. 

Esses depósitos eram conhecidos por “tatús” no jargão terrorista e estavam disseminados em uma área de 8 km², e seus acessos totalmente camuflados. 

Após denúncias de camponeses sobre “extraños movimientos de desconocidos en la montaña”, em outubro de 1981, efetivos altamente especializados em luta antiterrorista, da “Central Nacional de Informaciones”, conseguiram apoderar-se de todo o material bélico e apoio logístico escondidos nos “tatús”, após numerosos enfrentamentos armados. 

O Informe dos EUA 

O Informe do Departamento de Estado, dos EUA, ao Subcomitê de Relações Exteriores do Senado, “Apoio de Cuba à Violência na América Latina”, do dia 14 de dezembro de 1981, afirma, entre outras coisas: 

“A partir de 1979, após declarar seu compromisso de apoiar a luta armada, Cuba ampliou seus programas de treinamento de chilenos. Em meados de 1979, o MIR havia recrutado várias centenas de exilados chilenos e os havia enviado a Cuba para receber treinamento e logo depois se infiltraram no Chile.” 

“Ao mesmo tempo, membros do MIR, que haviam vivido e trabalhado em Cuba desde a queda de Allende, começaram a receber treinamento em técnica de guerrilha urbana. O adestramento durava mais ou menos 7 meses e incluía estratégia política e de organização tática de pequenas unidades, segurança, comunicações e logística.” 

“Uma vez terminado o treinamento, Cuba ajudou os terroristas a regressar ao Chile, fornecendo passaportes e documentos de identidade falsos. No final de 1980, pelo menos 100 terroristas do MIR haviam se declarado responsáveis por uma série de explosões de bombas e assaltos a bancos. A esse respeito, o diário oficial cubano, Granma, anunciou em fevereiro de 1981 que, em 1980, as Forças chilenas de “resistência” haviam realizado com êxito mais de 200 ações armadas no Chile.” 

“Em 1980, a Dirección General de Inteligencia (DGI), de Cuba, indica ao MIR que deve formar um foco revolucionário rural no Chile, à semelhança da experiência cubana na “Sierra Maestra” e da tentativa de Ernesto “Che” Guevara na Bolívia.” 

“Coordinadora Guerrillera Internacional” 

Para o fomento do terrorismo em países latino-americanos, promovido por Cuba na década de 70, essas atividades estavam subordinadas à “Junta Coordinadora Revolucionaria (JCR)”. Quando a JCR perdeu parte de suas atribuições, foi fundado outro “directivo” de maior hierarquia, manipulado por Cuba e pela Nicarágua, que passou a denominar-se “Coordinadora Guerrillera Internacional (CGI)”. 

Tiveram ligações com a CGI a maioria dos movimentos terroristas do hemisfério, como a “Frente Farabundo Martí de Liberación Nacional” (El Salvador); “Bandera Roja” (Venezuela); “Alfaro Vive” (Equador); “MIR” (Bolívia); “Ejército Revolucionario del Pueblo” e “Montoneros” (Argentina); “Tupamaros” (Uruguai); “Sendero Luminoso” e “Tupac Amaru” (Peru); “FARC”, “M-19”, “Frente Ricardo Franco”, “Frente Indigenista Quintin Lamé” e “Ejército de Liberación Nacional” (Colômbia); “Movimiento de Ezquierda Revolucionaria” (Chile), o qual depois se uniria à “Frente Manuel Rodriguez (FMR)”. 

Os recursos materiais foram obtidos – como é habitual neste tipo de ação clandestina – mediante operações triangulares, com o fim de os governos de Fidel Castro e Daniel Ortega não serem acusados ante foros internacionais, no caso de se deter carregamento de armas para as guerrilhas comunistas na América Latina. 

“La cuarta ofensiva” 

O MIR realizou, dentro do contexto da CGI, sua quarta ofensiva contra o Chile, período compreendido entre o final de 1982 e o final de 1984, quando foi novamente desarticulado pelas Forças de segurança. 

Além de sabotagens contra os serviços públicos, linhas de comunicações e ataques a postos policiais e meios de transporte, o MIR utilizou outras táticas, como o “terrorismo seletivo”. Assim, no dia 30 de agosto de 1983, foi assassinado o prefeito da Região Metropolitana de Santiago, o Major General aposentado, Carol Urzúa Ibáñez, além de suas escoltas. O grupo terrorista foi composto por Carlos Araneda, Jorge Palma, Hugo Marchand, Jaime Yovanovic, José Aguilera, Elba Duarte, Lucía Vergara, Sergio Peña e Alejandro Salgado. Esse atentado foi planejado por um ex-membro dos “Montoneros”, da Argentina, o terrorista argentino Hugo Ratier Noguera. 

Em operações realizadas em pontos distintos de Santiago, foram detidos Carlos Araneda, Jorge Palma, Hugo Marchand e outros “miristas”. Os chefes da operação opuseram forte resistência aos agentes, gerando enfrentamentos nas “casas de seguridad” do grupo, nas quais faleceram Arturo Villavela, Hugo Ratier, Lucía Vergara, Sergio Peña e Alejandro Salgado. Somente puderam escapar da justiça Jaime Yovanovic, Elba Duarte e José Aguillera, que em fevereiro de 1984, depois de ocultos por 5 meses, ingressaram fortemente armados na Nunciatura Apostólica, causando situação conflitiva entre o Chile e a Santa Sé, sendo concedido salvocondutos para que esses terroristas deixassem o território nacional. 

Este golpe contra a “Fuerza Central” do MIR teve duplo efeito, pois permitiu às Forças de segurança apoderar-se de grande quantidade de documentos, que evidenciou os esforços do MIR para desenvolver uma escalada subversiva na zona sul. 

Em agosto de 1984, iniciou-se, por parte dos organismos de Inteligência, uma operação simultânea nas cidades de Concepción, Talcahuano, Coronel, Lota, Chillán, Temuco e Valdivia, a qual, em 12 dias, permitiu a neutralização desta estrutura terrorista denominada dentro do MIR como “Teatro de Operaciones Sur”. 

Como resultado dessa ação dos serviços de segurança, foram entregues à justiça mais de trinta terroristas de excelente preparação política e paramilitar (a maioria com instrução em Cuba), foram mortos 7 extremistas em enfrentamentos armados e a apreensão de poderoso arsenal distribuído em uma dezena de “casas de seguridad”. 

Como conseqüência dos reveses que implicaram as operações após o assassinato do prefeito Urzúa e suas escoltas, e o desbaratamento do “Teatro de Operaciones Sur”, o MIR, no início de 1985 estava reduzido a profunda autocrítica e imobilismo, que o levou, nos anos seguintes, a sua luta interna, que debilitou a gestão do Secretário-Geral, Andrés Pascal Allende, e permitiu a formação de facções dentro do grupo. 

Isso, porém, não impediu que o MIR realizasse um atentado terrorista no Brasil, junto com as Forças Populares de Libertação, de El Salvador, seqüestrando o empresário Abílio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, no dia 11 de dezembro de 1989. Na operação, participaram os canadenses Christine Gwen Lamont e David Robert Spencer; os argentinos Humberto Eduardo Paz e Horacio Henrique Paz; a ítalo-chilena Maria Emilia Marchi; os chilenos Ulisses Gallardo Acevedo, Sergio Martin Olivares Urtubia, Hector Ramon Collante Tapta e Pedro Fernandes Lembach; e o brasileiro Raimundo Rosélio Costa Freire. Condenados e presos no Carandiru, todos os terroristas atualmente estão soltos e voltaram a seus países, onde cumprem o restante da pena em liberdade condicional. 

Na época em que os terroristas se encontravam presos, fazendo greve de fome que chegou a 46 dias (1988), convém ressaltar a visita que José Gregori fez aos bandidos, então no cargo de Secretário de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça. Enquanto os bandidos não foram soltos, Gregori não ficou sossegado. Mas isto é outra história. 



3. Frente Manuel Rodriguez (FMR) – a “filha natural” do Partido Comunista do Chile 

Em 1981, enquanto o MIR concluía a “Operação Retorno”, nos campos de treinamento de Guanabo, Punto Cero e Monte Pinares (Cuba) e em Puerto Corinto, Germania e San Juan del Sur (Nicarágua) cerca de 200 “militantes” do PC e das JJ.CC. (Juventudes Comunistas), do Chile, iniciaram sua preparação básica de guerrilha. 

Segundo órgãos oficiais, entre agosto de 1970 e julho de 1988, os grupos terroristas FMR e MIR haviam assassinado 224 chilenos, entre civis e militares. Outras 1.125 pessoas sofreram lesões, sendo 675 graves, e a maioria com seqüelas graves de caráter permanente, devido principalmente aos atentados com bombas. 

Atentado contra Pinochet 

Em 1985, o PC chileno e seu braço armado, a FMR, começaram a elaborar uma estratégia para substituir o sistema político em vigor por um de cunho popular, ao estilo “revolucionário sandinista”. 

Para a “militarização das massas”, requeria-se grande quantidade de armamento, o que foi obtido mediante o contrabando por Carrizal. 

Ao mesmo tempo, junto com a “militarização das massas”, era necessário eliminar Pinochet do poder, com a finalidade de provocar um vácuo de poder, que facilitaria a insurreição nacional. Assim, em janeiro de 1986, na cidade de Havana, Cuba, foi iniciada a fase operacional para a eliminação do Presidente chileno, organizada pelo PC chileno, pelos “comandantes” da FMR e por peritos em operações especiais da “Dirección de Inteligencia” de Cuba (DGI). O planejamento tático da operação (que passou a ser denominada pelos terroristas como “SIGLO VEINTE” (SÉCULO VINTE) para a eliminação de Pinochet foi entregue a um militante da FMR, César Bunster Ariztía. 

No dia 7 de setembro de 1986, um domingo, quando retornava de sua casa de campo a Santiago, houve o atentado da FMR contra o Presidente Augusto Pinochet, que escapou ileso por pouco. Na ocasião, morreram 5 militares e ficaram feridos outros 7 militares e 1 detetive – todos da comitiva presidencial. Diligências policiais permitiram no dia 6 de outubro prender os primeiros participantes do ato terrorista e, antes do final de 1986, a maioria dos terroristas estava presa, assim como haviam sido identificados os terroristas restantes. 

Seqüestro do TC Carreño 

No dia 1º de setembro de 1987, a FMR seqüestra o tenente-coronel do Exército, Carlos Carreño Barrera, engenheiro politécnico militar. Para a operação, a FMR utiliza um furgão roubado no dia anterior, que à noite foi pintado com logotipos da EMOS (Empresa Metropolitana de Obras Sanitarias). Os terroristas pedem 65.000 dólares pelo resgate. 

O miltar seqüestrado inicia um périplo internacional, indo parar em Buenos Aires, onde ficou até o dia 9 de outubro, perto do Aeroporto Internacional. 

No dia 28 de novembro de 1987, o comandante Carreño inicia longa viagem, chegando dia 30 em São Paulo. Depois de fatos anedóticos, que ainda não puderam ser revelados, por serem de natureza secreta, Carreño foi liberado no dia 2 de dezembro de 1987 no centro de São Paulo, de onde vai até o jornal “O Estado de S. Paulo”, de onde a notícia se espalha para o mundo todo. Um avião do Exército do Chile levou-o de volta a seu país no dia seguinte, após 93 dias de cativeiro. 

“La Operación Carrizal” 

Para a introdução de armas provenientes de Cuba, a FMR e o Partido Comunista do Chile criaram, no dia 23 de outubro, uma empresa pesqueira de fachada, a “Sociedade de Responsabilidad Limitada, Cultivos Marinos Chungungu Limitada”, para a instalação de um viveiro flutuante, de 300 metros de fundo e 90.000 m² de área. 

O projeto foi aprovado pela DGI (serviço secreto de Cuba), ao custo de 25 milhões de dólares, dinheiro este remetido pela CGI (Cuba e Nicarágua), que repassou o dinheiro proveniente doado por países que fomentavam o terror: URSS, Alemanha Oriental, Bulgária e Líbia. 

Para a operação, a FMR e o PC chileno adquiriram, no final de 1985, 2 pesqueiros de alto-mar, “Chompalhue” e “Astrid Sue”, com avançados sistemas de telecomunicações e navegação. O primeiro carregamento de armas foi entregue ao “Chompalhue” no dia 12 de janeiro de 1986, por um cargueiro cubano em alto-mar. Nos dias 15 e 27 de julho, houve mais dois carregamentos de armas, entregues por barcos cubanos ao “Astrid Sue”. 

O armamento contrabandeado foi guardado na costa chilena, na localidade de Carrizal, e depois remetido a Santiago e a outras regiões do país. Para tanto, a empresa de fachada comprava algas dos pescadores de Carrizal, que encobria o contrabando durante as viagens. 

Mais uma vez, como ocorrera na selva de Valdivia, o estranho movimento na costa chilena despertou a desconfiança de pescadores, que levaram o fato às autoridades chilenas. Desencadeou-se a “Operación Carrizal”, que encontrou o maior arsenal já descoberto de armas clandestinas na América Latina, quando 37 terroristas foram presos. O maior depósito foi descoberto em Carrizal (1.320 fuzis, além de outros armamentos), daí o nome da Operação. 

Entre 6 e 21 de agosto de 1986, durante a “Operación Carrizal”, foi encontrado o seguinte armamento nas localidades de Carrizal, Palo Negro, mina abandonada “Cerro Blanco”, Paine, Pintana (Santiago) e Calle Tucapel nº 1635 (periferia de Santiago): 

- 3.118 fuzis norte-americanos M-16 

- 114 lança-foguetes antiblindagem soviéticos RPG-7 

- 102 fuzis de assalto belgas FAL 

- 6 metralhadoras norte-americanas M-60 

- 167 foguetes antiblindagem norte-americanos LAW 

- 5 fuzis lança-granadas M-79 

- 1 escopeta de repetição calibre 12 

- 1.959.512 cartuchos para fuzil M-16 

- 4.205 cartuchos para fuzil FAL 

- 2.700 cartuchos para metralhadora M-60 

- 965 cartuchos para fuzil AK 

- 1.979 granadas de mão soviéticas 

- 1.859 bombas para lançador de foguete russo RPG-7 

- 9 bombas para morteiro de 81 mm 

- 17 granadas para fuzil M-79 

- 2.204 kg de TNT (em cubos) 

- 796 kg de explosivo plástico T-4 

- 100 rolos de estopim 

- 4.700 detonadores 

- 10.140 espoletas para cargas explosivas 

- 1.514 carregadores sobressalentes para fuzil M-16 

- 521 carregadores sobressalentes para fuzil FAL 

- 716 cargas de projeção para RPG-7 

- 54 cargas de projeção para morteiro de 81 mm 



Além desse arsenal, foram encontrados com os terroristas, além dos dois barcos pesqueiros já mencionados, 1 dezena de veículos, uma rede de depósitos e “casas de seguridad”, botes de borracha, trajes para mergulhadores, equipamentos de telecomunicações e material de campanha. 

As Forças de segurança calculam que o material encontrado na área metropolitana de Santiago foi apenas 50% do que entrou no país, os outros 50% se espalharam pelo interior, sendo uma parte recuperada pelas Forças de segurança nos anos seguintes. 

Cuba, Nicarágua e outros membros da CGI criticaram violentamente em público o PC e seu braço armado – que cinismo! – , por mais esse fracasso, além da tentativa do assassinato de Pinochet. No Chile, o PC foi recriminado por todos os dirigentes políticos e pela maioria da população. Como resultado, surgiram grupos antagônicos dentro do PC, que levaram a um fracionamento da Frente Manuel Rodriguez. 

A FMR havia também estabelecido bases na Argentina. Através de membros radicados em Buenos Aires, a FMR contava com excelente apoio logístico (passaportes falsos) e possibilitou viagens de instrução a Cuba e, em menor número, à Nicarágua, de aproximadamente 400 terroristas por ano, com início e 1988. 


Conclusão 

Esta é a verdadeira história do Chile e dos grupos terroristas que infernizaram o país nas últimas décadas. Esta é a história de Allende e Pinochet, a história real, não o mito que a esquerda tenta apresentar ao mundo. A globalização do planeta, hoje tão combatida pelas esquerdas, não é tão recente assim como se imagina. Os terroristas globais de esquerda já estão globalizados pelo menos há 70 anos, muitas décadas antes de Allende aparecer no cenário político. O facínora Luiz Carlos Prestes, que promoveu a Intentona Comunista no Brasil, em 1935, a soldo de Moscou ("ouro de Moscou"), que o diga.

Se a esquerda tiver um mínimo de coerência, deverá se juntar em uma passeata para pedir a libertação imediata de Norumbuena e sua gangue, a exemplo do que fez com os marginais que seqüestraram Abílio Diniz. O PT, o MST, o PSTU, o PC do B, a PCO a CUT, a CNB do B et caterva deveriam escalar representantes para fazer uma visita aos “pobrezinhos” chilenos presos. De preferência, levando flores, nas mãos de Dona Marta Suplicy. Depois de bentas, claro, por Dom Paulo Evaristo Arns. 

Sempre se tem a esperança de que um dia a violência acabe em nosso País. Mas, ao lembrarmos da cena do Palácio do Planalto, na reportagem da TV Globo com Ana Paula Padrão, quando Lula foi fazer uma visita a FHC, depois da morte do Prefeito do PT, Celso Daniel, de Santo André, SP, fica difícil ter um pouco de esperança. O grupo lá representado era bem característico: FHC, o homem que doou milhões de dólares a familiares de terroristas do porte de Lamarca e Marighela, na famigerada “Comissão dos Desaparecidos Políticos”; Lula-laite, o sujeito que periodicamente faz uma visita de lambe-botas ao terrorista mais antigo do mundo, Fidel Castro, o mesmo que financiou os grupos terroristas chilenos que ainda hoje infernizam o Chile e o Brasil; José Dirceu, antigo integrante do Molipo, criado pelo serviço secreto cubano; o Ministro da Justiça, Aloysio Nunes “Ronald Biggs” Ferreira Filho, que só tem “know how” de assalto, como o do roubo ao trem-pagador Santos-Jundiaí, em 1968. E quando Ana Paula Padrão faz uma “chamada” para a análise política do assunto, quem aparece na telinha? Ninguém menos do que Franklin Martins, um dos “camaradas” que, junto com Fernando Gabeira e outros terroristas do MR-8 seqüestraram o Embaixador americano, Charles Elbrick. Só faltou aparecer no painel de debate o fantasma de Marighela para emitir um “Comunicado à Nação”, devidamente decifrado pelo general-médium, Alberto Cardoso. 


Sem exageros, pode-se afirmar que o dinheiro e as armas utilizados pelos facínoras no seqüestro do publicitário Washington Olivetto vieram direto de Cuba, diretamente das mãos de Fidel Castro. O que o PT tem a dizer sobre isso, já que seu tetracandidato a Presidente do Brasil não se cansa de visitar a Ilha, para algumas tragadas de havana e alguns goles de mojito com o mais antigo terrorista em atividade no mundo? 

Deus salve o Brasil! 



Notas: 

(1) “Após indiciar o general Pinochet por genocídio, o juiz espanhol Baltasar Garzón (ex-deputado socialista) passou a buscar documentos objetivando demonstrar que, depois da deposição de Salvador Allende, no Chile, em 11 de setembro de 1973, os governos de cinco países - Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai - uniram-se, sob o comando da DINA, o Serviço de Inteligência chileno, numa espécie de “Mercosul do terror”. A parceria teria sido formalizada em 1975, sendo denominada “Operação Condor”. 

Nesse mister, o juiz Garzón conta com a colaboração do advogado espanhol Joan E. Garcés, assessor de Allende, no Chile, nos anos 1971-1973, que abandonou o Palácio La Moneda minutos antes de este cometer suicídio. Joan Garcés, posteriormente, em 1976, foi o fundador, na Espanha, da Federação dos Partidos Socialistas e, em 1979, da esquerda socialista do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Felipe Gonzalez. 

Em 1976, Joan Garcés escreveu o livro “Allende e as Armas da Política”, editado no Brasil em 1993 pela “Editora Scritta”, traduzido pelo escritor e jornalista brasileiro Emir Sader, que viveu no Chile como auto-exilado durante o governo Allende, onde integrou os quadros do Movimiento de Izquierda Revolucionária (MIR).” 
(Carlos Ilich Santos Azambuja, in “Operação Condor” - www.ternuma.com.br/condor.htm) 

(2) O Partido Socialista e o Partido Comunista eram a alma da Unidad Popular (UP), que tinha o apoio também do MAPU e do MIR, durante o Governo de Salvador Allende. 

(3) La Piñata - conflito causado pela “expropriação” de cerca de 5.000 propriedades de nicaragüenses e estrangeiros, na Nicarágua, durante o governo sandinista de Daniel Ortega (1979-1990), quando os guerrilheiros transferiram bens confiscados durante a Revolução para si próprios, a exemplo de Daniel Ortega, que se apropriou de uma mansão de US$ 1,5 milhão. O termo “piñata” refere-se à tradição mexicana de distribuição de presentes no fim das festas de crianças. O Brasil também criou sua “piñata”, ao retirar do erário mais de US$ 46 milhões de dólares para “doar” a familiares de terroristas mortos ou desaparecidos. 


Bibliografia: 

- "Libro Blanco del Cambio de Gobierno en Chile", de 11 de setembro de 1973, impresso e editado por Editorial Lord Cochrane, S.A., Santiago, Chile. 

- LONFAT, Pedro Vargas. “Chile: Objetivo del Terrorismo”. TT.GG. Instituto Geográfico Militar, Chile, setembro de 1988. 


Brasília, 25 de setembro de 2002.