quinta-feira, 3 de julho de 2014

A revolta dos zooxiitas

O braço desses movimentos é mais longo. Depois que os animais forem totalmente substituídos por plataformas vegetais, os zooxiitas irão se unir contra a criação e o abate de reses para alimentação humana, como já é o objetivo atual do PETA. 

No dia 18 de outubro de 2013, um bando de “ativistas” (leia-se “terroristas”) assaltou o Instituto Royal, em São Roque, SP, de onde roubaram 178 cães da raça beagle e depredaram as instalações, incluindo equipamentos e arquivos de pesquisas. Os vândalos destruíram o conhecimento proveniente de décadas de experimentos, especialmente a busca de um medicamento para combater o câncer (quebra de patente) e fitoterápicos para diversos usos.

Os responsáveis pelo instituto garantem que os testes realizados com cães e outros animais estavam de acordo com a lei brasileira, dentro das normas do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, e que os meigos beagles não sofriam maus tratos, como alegam os zooxiitas.
Muitos desses alegados defensores dos animais são defensores apenas na frente das câmaras. Como se explica, então, que os zooxiitas tenham largado na rua dois beagles surrupiados e anunciado a venda de um deles na internet por R$ 2.700,00? Se eles são defensores dos animais, por que levaram todos os beagles do Royal e deixaram todos os ratos para trás?
Há muitas organizações de defesa dos “direitos dos animais” espalhadas pelo mundo, algumas extremamente violentas, nas quais se espelham os macaquitos brasileños. Entre elas se destacam a ALF, a ELF, o PETA e o ultrarradical VHEMT.
A ALF (Animal Liberation Front - Frente de Libertação Animal) é uma ONG do Reino Unido, que promove ataques terroristas contra pesquisadores e centros de pesquisa que utilizam animais para a produção de vacinas e outros experimentos. Também atacam comerciantes de peles de animais e incendeiam lanchonetes de fast food na Europa, que utilizam carne vermelha no cardápio. O neurocientista americano David Jentsch, da Universidade da Califórnia, já teve seu carro destruído por elementos do ALF e recebeu lâminas contaminadas por HIV. Em 1997, a ALF invadiu laboratórios da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e soltou 80 saguis e alguns macacos. Em 2008, invadiu laboratório de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), destruindo material de pesquisa, equipamentos e computadores.
A ELF (Earth Liberation Front - Frente de Libertação da Terra) é uma ONG que defende, p. ex., o lince real e promove ataques terroristas nos EUA e na Europa. Na mira do FBI, a ELF já promoveu muitos atentados contra condomínios e carros de luxo. Em 2003, a ELF ateou fogo em uma concessionária americana e destruiu 40 jipes considerados “poluidores” para a organização. No dia 18/6/2010, a ELF incendiou carros em uma concessionária da Land Rover localizada na Marginal Pinheiros, em São Paulo.
O PETA (People for the Ethical Treatment of Animals - Povo para o Tratamento Ético de Animais) possui cerca de um milhão de membros e se autodenomina como a maior organização de “direitos dos animais” no mundo. Fundada em 1980, o PETA opera sob o princípio de que “os animais não são nossos para comer, vestir, fazer experiências ou para uso de diversão”. Para fabricar um casaco de pele para madame, são necessários 60 minks ou 40 raposas ou 50 arminhos ou 120 chinchilas.
O VHEMT (Voluntary Human Extinction Movement - Movimento para a Extinção Humana Voluntária), junto com a Gaia Liberation Front (GLF), prega a total libertação da Terra, ou seja, a extinção dos humanos como espécie, considerada uma “raça alienígena”. Já que a ética não é seguida pelos terráqueos, por que não transferi-la aos animais e eliminar os humanos da face da Terra? Afinal, nada mais idílico para o zooxiita do que ver as imagens do Discovery Channel, em que os fofinhos animais lutam pela vida, devorando-se uns aos outros. Close de sangue, orgasmo garantido. O sonho maior desses tantãs é a volta dos dinossauros como os senhores do planeta - os bobocas esquecem que seriam os primeiros a serem jantados por esses monstros. Ou a chegada triunfal do Lula Molusco, um cefalópode gigante, esperado pelo ecoteólogo Bob Esponja, quero dizer, Leonardo Boff. Luiz Inácio deve estar ainda mais rouco e afônico de tanta satisfação...
Mas voltemos ao motivo alegado pelos defensores dos animais, de que não se deve maltratar os bichos para realizar experimentos científicos, pois já existe a “plataforma vegetal” para tal fim. De fato, já se utilizam plantas para a fabricação de medicamentos. Em 4/1/2011, p. ex., a Bio-Manguinhos assinou contrato com o Centro Fraunhofer para Biotecnologia Molecular e a iBio Inc., dos EUA, para produzir vacina contra a febre amarela a partir de uma planta, sem o uso de vírus atenuado. No entanto, o uso de animais ainda é imprescindível para a fabricação de muitos medicamentos, como alerta o doutor em Biologia Celular e Molecular, Octavio Menezes de Lima Junior, desmontando, um a um, os argumentos alegados pelos zooxiitas.
Ninguém, em sã consciência, consente que animais sejam maltratados. São seres vivos, têm sentimentos, sentem dor, e já existem leis brasileiras para punir os que maltratam bichos. No entanto, os zooxiitas não passam de farsantes, ao mentirem que os animais testados em laboratórios sofrem, pois são sedados durante os testes. Ao mesmo tempo, esses “ativistas” têm cérebro de siri, ao equiparar a vida humana à de um cão ou de um rato, como se tivessem o mesmo valor. Pior ainda é quando colocam a vida de uma tartaruguinha acima da vida de um feto humano - como é o caso dos grupos feministas, para os quais o Projeto Tamar deve ser defendido com a própria vida, ao mesmo tempo em que uivam pela liberação total do aborto, ou seja, o assassinato do ser humano mais inocente e desprotegido que existe.
A história apresenta farta documentação de movimentos radicais, que são essencialmente contra a ciência. O Fenômeno Capitão Swing, p. ex., foi uma revolta ocorrida em muitos condados da Inglaterra, em 1830. “Swing” tornou-se o nome genérico para todos os que operavam como incendiários e destruidores de maquinaria no início da Revolução Industrial. “O ‘progresso’ inglês tinha criado suas próprias energias peculiares, e eram poucos os que ansiavam por atacá-lo, a menos que esse ataque se originasse de pessoas como Carlyle, que queria voltar à Idade Média” (KARL, 1995: 749). No Brasil, esse tipo de terrorismo é hoje realizado por vândalos do Movimento Socialista Terrorista (MST), que já destruíram centros importantes de pesquisa biotecnológica, como os da Monsanto e da Aracruz Celulose, além de erradicar extensos laranjais da Cutrale em São Paulo e plantações de eucalipto na Bahia, “porque eucalipto não se come”.
No Brasil, de 12 a 15/11/1904, ocorreu a obscurantista Guerra da Vacina ou do Quebra-Lampião. Sob a liderança de Lauro Sodré, houve uma revolta popular contra a vacina obrigatória implantada pelo sanitarista Oswaldo Cruz. Houve barricadas nas ruas, incêndios de bondes e destruição de lampiões de gás de iluminação pública. Os alunos da Escola Militar, sob influência positivista, também foram simpáticos ao movimento. A violência deixou 23 mortos e 67 feridos. Vencida a baderna, muitos foram mandados em exílio para a Amazônia e Lauro Sodré ficou preso dez meses num navio de guerra. Dois anos antes, quase 1.000 pessoas haviam morrido de febre amarela no Rio.
Obviamente, o objetivo desses militantes xiitas não é apenas a proibição de animais a serem usados como cobaias. O braço desses movimentos é mais longo. Depois que os animais forem totalmente substituídos por plataformas vegetais, os zooxiitas irão se unir contra a criação e o abate de reses para alimentação humana, como já é o objetivo atual do PETA. A ONU defende a ingestão de insetos em substituição à carne, seja ela vermelha ou branca - com total apoio do novo diretor-geral da FAO, José Graziano. Besouros crocantes, baratas ao chocolate, tanajuras fritas, escorpiões à milanesa, gafanhotos à parmegiana - o novo cardápio não tem fim. Mas, esses bichos não são também animais? Por que matá-los para saciar nossa fome? Vamos todos virar vaca, pastar capim, como querem os vegetarianos? Mas, aceitemos que essa seja uma boa opção, comer insetos, como São João Batista e Santo Antão já faziam no deserto. O problema é que, para que haja oferta de insetos em larga escala, são necessários criadouros imensos, que custam fortunas. Aí voltamos à estaca zero: atualmente não falta comida no mundo, mas dinheiro dos miseráveis para comprá-la. Assim, da mesma forma que o pobre não tem dinheiro para comprar uma picanha, não terá dinheiro para comprar uma barata untada em chocolate. Ou será que a FAO de José “Fome Zero” Graziano quer que os famintos cacem insetos em florestas e cerrados que não existem mais?
Um argumento fajuto é apresentado pelos que defendem o fim da criação de bois e porcos. Dizem esses embusteiros que, para se obter 1 kg de carne, p. ex., são necessários não sei quantas toneladas de água que o boi vai ingerir por cada quilo de bife final, e não sei quantas toneladas de ração que terá que mastigar para produzir o mesmo quilo de bife. E daí? Ocorre que essa é uma conta de farsantes, porque as toneladas de água e de alimento ingeridos não se evaporam em um ato de mágica, mas se transformam em energia para o próprio corpo do animal e o excesso é expelido em forma de urina, suor e fezes, que serão reciclados pela natureza, para produção de mais água e mais alimento. “Na natureza, nada se cria, tudo se transforma” (Lavoisier). Segundo esses embusteiros, em comparação com os bovinos, insetos consumiriam menos água e menos insumos por cada quilo final, a ser levado à panela. Tem cabeça de siri que acredita nisso. Será que esses idiotas calcularam também quantas toneladas de cocô irão produzir em toda sua vida?
Depois que a humanidade passe, enfim, a comer capim e insetos, quem garante que os zooxiitas não irão atacar também as plataformas vegetais instaladas nos laboratórios para a fabricação dos novos medicamentos? Afinal, planta também tem “sentimento” e gosta de ouvir música, principalmente música clássica, ao contrário dos maconheiros, que preferem rock pesado. Produtores de vinho na Itália usam a música clássica para acalentar as videiras e melhorar a qualidade de seu produto.
Assim, se no futuro não se puder fazer experimentos científicos com animais, nem com plantas, e já que os minerais não servem para tal, por não terem vida, que tal aplicar os testes com vírus nos gordos glúteos dos zooxiitas? Eu aprovo esta iniciativa, principalmente se os testes forem feitos também nas feministas favoráveis ao aborto. E em todo mascarado Black Bloc preso em flagrante quebrando e incendiando tudo o que encontra pela frente. Com um detalhe: sem anestesia...

Nota:


KARL, Frederick R. George Eliot - A voz de um século. Record, Rio e São Paulo, 1995 (Tradução de Laís Lira).

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