MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

quinta-feira, 17 de março de 2022

TRÊS EM UM - Artigos, humor e alguma poesia - Por Félix Maier

 

Três em Um: 

Artigos, humor e alguma poesia.

 

Félix Maier

 

Félix Maier, anos 1970.

https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/04/felix-maier-curriculum-vitae.html

 © 2022 by Félix Maier

  Brasília, DF, março de 2022.



Para minha amada mulher Valdenice,

parceira de todas as horas,

minha admiração eterna.

 

Valdenice dos Santos Maier, 1979.



INTRODUÇÃO

 

Já se tornou lugar comum dizer que o ser humano, durante sua vida, para se realizar completamente, deve cumprir três tarefas: plantar uma árvore, criar um filho e escrever um livro. 

Árvores eu já havia plantado algumas, ainda menino, no sítio de meu pai em Santa Catarina. Muitas outras plantei mais tarde, com 19 anos, na sede do novo quartel do Exército em Apucarana, atual 30º. Batalhão de Infantaria Motorizado, onde servi como soldado e cabo em 1970-1971. Foi uma missão que recebi na época porque era o cabo mais “moderno”, como se diz no jargão militar. 

Filhos, eu tenho dois, Wagner e Cristiane, além de cinco netos: Letícia, Lyan, Ana Caroline, Erin e Maria Clara. 

A terceira tarefa para minha realização pessoal eu cumpri em 1995, com o lançamento do livro “EGITO - Uma viagem ao berço de nossa civilização”. O livro foi produto de minha missão militar no Cairo, como Auxiliar do Adido Militar, durante o biênio 1990-1992. 


Sempre fui um ávido leitor, característica surgida e aprimorada durante os nove anos que estudei nos seminários franciscanos de Luzerna-SC, Rio Negro-PR e Agudos-SP, de 1961 a 1969. 

Nas décadas de 1970 a 1990, continuei tendo contato com os livros, ao comprar periodicamente clássicos da literatura universal editados pelo “Círculo do Livro”, do Grupo Abril.

A partir do ano 2000, ainda na ativa, servindo no Ministério da Defesa, comecei a publicar textos, próprios e de terceiros, no site Usina de Letras, onde cheguei a ter 250 mil leituras por mês, totalizando mais de 10 milhões de acessos em 10 anos. Nesse site, tive algumas flame wars (guerrilhas eletrônicas) com radicais de esquerda, principalmente petistas. A partir daquele ano, e também em anos anteriores, passei a escrever artigos e cartas que foram publicados em jornais impressos e eletrônicos (cfr. em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/07/artigos-e-cartas-de-felix-maier.html).

Quando me aposentei, em 2002, continuei a residir em Brasília, onde moro até hoje, e passei a me dedicar com mais constância a escritos diversos, principalmente artigos e ensaios, que passaram a ser publicados em sites e blogs da Internet, a convite de muitos editores. Ainda em 2002, passei a ter textos publicados no media watch Mídia Sem Máscara (MSM), a convite do escritor e filósofo Olavo de Carvalho, e no site Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), que foi criado para ser um contraponto à ONG esquerdista Tortura Nunca Mais.

Textos de minha autoria foram postados em diversos endereços virtuais, como de Olavo de Carvalho (www.olavodecarvalho.org/); do Professor de Economia Ricardo Bergamini (http://www.ricardobergamini.com.br/portal/); TERNUMA; A Arte da Palavra; Oficina do Pensamento; Reservaer; Digestivo Cultural (www.digestivocultural.com.br); Nave da Palavra ; Usina das Palavras; Domínio Cultural; Webartigos (https://www.webartigos.com/autores/fmaier); Texto Livre; Recanto das Letras (https://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=39179); Netsaber (http://artigos.netsaber.com.br/artigos_de_felix_maier); Escola Sem Partido (http://escolasempartido.org/), além de Mídia Sem Máscara (atual www.midiasemmascara.net).

Tenho também textos impressos e virtuais publicados no jornal Inconfidência, de Belo Horizonte-MG, editado pelo Coronel do Exército Carlos Cláudio Miguez.

Sou coordenador dos blogs Piracema - Nadando contra a corrente (http://felixmaier.blogspot.com/); Resistência Militar (http://resistenciamilitar.blogspot.com/) - que recebi de "herança" do Coronel do Exército José Fabiano Mota de Azevedo, blog em que também escreviam o médico Heitor de Paola e a blogueira Graça Salgueiro; Piracema II - Nadando contra a corrente (http://felixmaier1950.blogspot.com/) e Wikipedia do Terrorismo no Brasil (http://wikiterrorismobrasil.blogspot.com/).

Infelizmente, alguns dos sites acima citados estão desativados, como Texto Livre, Domínio Cultural, Ternuma e os antigos endereços de MSM, tanto com terminação com.br, quanto org, não sendo mais possível ler meus textos nesse site.

Minhas publicações virtuais redundaram em várias citações de meu nome em trabalhos acadêmicos e textos na internet, que podem ser vistas em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/07/citacoes-de-felix-maier-em-trabalhos.html.

Como tenho meus escritos espalhados por vários sites e blogs, procurar um texto de minha autoria equivale a procurar uma agulha no palheiro. Para piorar, hackers apagaram muitos textos que publiquei em Usina de Letras, que estão linkados a muitos trabalhos, tanto meus, como de terceiros.

Assim, para colocar um pouco de ordem nessa bagunça, resolvi coletar os textos mais expressivos que escrevi durante cerca de 20 anos e disponibilizar ao público, em forma de e-book. Fiz algumas pequenas modificações em sua forma, como correção ortográfica e concordância verbal, mas não em seu conteúdo. Jamais iria me submeter à ditadura do politicamente correto, que tenta calar o pensamento dos conservadores.

Como se pode constatar, nessas duas décadas eu escrevi sobre assuntos que predominaram na mídia, como as guerras americanas ocorridas no Iraque e no Afeganistão, o terrorismo islâmico que se seguiu a esse terrorismo americano, o movimento cívico-militar de 1964 (que completou 50 anos em 2014), os governos de Fernando Henrique Cardoso e do PT de Lula da Silva e Dilma Rousseff, que criaram comissões de indenizações de terroristas e aumentaram em grau máximo a diabolização contra as Forças Armadas, taxando autoridades militares de “torturadores”, enquanto trataram terroristas como anjinhos inocentes, como ocorreu na nefasta Comissão Nacional da Verdade.

É um período conturbado, com a ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder em Brasília, que tanta desgraça trouxe ao País, com roubalheira institucionalizada. Por isso, existe a constância de artigos relacionados aos petralhas, que perpassam toda a obra, um Leitmotiv recorrente neste trabalho, infelizmente.

Em 2020, o Brasil começou a enfrentar a pior pandemia de todos os tempos, a Peste da China, a SARS CoV-2, um vírus da família do coronavírus que provoca a doença chamada Covid-19. Uma praga apocalíptica que continua matando pessoas neste início de 2022, totalizando mais de 6 milhões de mortos em março.

Infelizmente, o Brasil tem uma praga ainda mais letal que a Peste da China para enfrentar neste ano de 2022: a candidatura presidencial de Lula da Silva. Isso só foi possível devido ao aval dos “7 Líderes do PT no STF” e mais alguns togados sem escrúpulos, que “descondenaram” o maior ladravaz da história do Brasil, em golpe jurídico jamais visto na história nacional.

Resta ao povo honesto e trabalhador do Brasil, nestas eleições, apertar o botão de descarga do vaso sanitário e se desfazer desse cocô que teima em não descer pelo esgoto - como visto em charges na internet.

Como não existe nada que não possa piorar, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, iniciou uma invasão da Ucrânia no dia 24 de fevereiro de 2022, destruindo toda a infraestrutura do país e provocando a emigração forçada de milhões de ucranianos. Não se sabe como essa guerra irá terminar e que acordos serão feitos. Aguardemos os próximos capítulos envolvendo o Gengis Khan da KGB, o Átila bombado, o Napoleão Bonaparte de hospício, o Hitler das Estepes com bombas atômicas, que ameaça o mundo com uma hecatombe nuclear. Aguardemos os novos movimentos no tabuleiro do xadrez atômico internacional.

Reunir estes textos em forma de e-book foi a maneira de me posicionar nestas duas primeiras décadas do século XXI e de me rebelar contra a “espiral do silêncio” e a “cultura do cancelamento” que a esquerda tenta impor na mídia em geral e na internet contra pensadores conservadores e liberais, como eu, simplesmente assassinando suas memórias.

Brasília, DF, março de 2022.

Leia os artigos clicando no link abaixo.

Boa leitura!

https://drive.google.com/file/d/1AVrblAPdxL8NmHCezZUEQKRZ7ab7nGua/view?usp=sharing

ou

https://drive.google.com/file/d/1AVrblAPdxL8NmHCezZUEQKRZ7ab7nGua/view


SUMÁRIO ...................................................................

3

Introdução .................................................................

11

O Canário ...................................................................

15

Águas-emendadas ......................................................

16

Froica, uma troica de Freis .........................................

18

As libélulas da USP .....................................................

20

O bumbá da vaca louca ...............................................

27

El condor pása (e os urubus tapam o nariz...) .............

28

Uma estória de Jesus ..................................................

30

Bantustões Brasileiros ................................................

31

Quasi verbum .............................................................

41

Conversa com etês .....................................................

42

Pra não dizer que não pedi perdão .............................

44

Jesus no Egito ............................................................

55

Jerusalém, ó Jerusalém! .............................................

58

Las viudas de Che .......................................................

66

Diabólicas pelo direito de matar .................................

69

Recuerdos de La Habana ............................................

71

Uma noite de cão ........................................................

73

Educação Moral e Cívica ..............................................

78

Limpeza demográfica .................................................

84

Menu do dia: cogumelo atômico .................................

87

Governo dos Chicos ....................................................

91

Guerrilha desarmada ..................................................

93

Vitória: a vaca clonada que virou rainha .....................

97



 

116

Hino de Davos ou do FSM? ..........................................

118

10 maneiras de economizar energia ...........................

120

Garantido x Caprichoso: O bumbá da vaca louca ........

121

Aprendiz de feiticeiro .................................................

122

Diplomacia de cruzeiro ...............................................

131

Perfume de gasolina ...................................................

132

A Pedra de Roseta do Caribe .......................................

133

A ciência de tomar mijo ..............................................

138

Sopa de letrinhas ........................................................

139

Timor Leste - o nascimento de uma nação ..................

142

NY: Navalha na cara ...................................................

144

Muita rima... nenhuma solução! ..................................

151

Bolsa-maconha ...........................................................

152

Tintin era de esquerda ou de direita? .........................

153

Bob Fields ...................................................................

156

Ronald Biggs no Palácio da Justiça? ...........................

158

Síndrome de Nova York ..............................................

162

Escola de Brasília ........................................................

163

Pigmentômetro ...........................................................

169

Sem intermediários, Fidel para presidente! ................

171

Allende e Pinochet: o mito e a realidade .....................

172

O Evangelho Segundo Saramágico ..............................

192

Você está no setênio correto? .....................................

193

Brasilês, um idioma de muitos sotaques .....................

195

Annus Gramscii ..........................................................

202

Olavo De(nisovich) Carvalho ......................................

206

Adab Al-Arabi (Literatura árabe) ................................

210

Ponte da Inimizade ....................................................

221

Sionismo e resistência palestina .................................

223

Caso Riocentro ...........................................................

236

Pedofilia: último orgulho gay? ....................................

243

Patrulha stalinista ......................................................

246

Bete, Mentes? .............................................................

248

As vestais grávidas do PT ...........................................

252

La piñata brasileña .....................................................

256

Sobre futebol e hinos nacionais ..................................

261

Paulo Coelho conquista a Loucademia ........................

264

Os infames do PT ........................................................

267

Quatro vampiros na TV ...............................................

272

Diogo Mainardi, Marilena Chaui e Antonio Candido .....

274

Por que os petistas me adoram? .................................

276

Argos, o ET de 100 olhos ............................................

287

Regina Duarte tem medo ............................................

292

Quatro vampiros na TV - Parte II (final) .....................

296

Correio Braziliense: ex-Diário Oficial do PT? ...............

300

Sobre a propriedade intelectual ..................................

303

Fome Zero: o Projeto Chupim de Lula .........................

315

Anos da matraca .........................................................

320

ShoppinG: o ponto “G” da questão .............................

325

Guerrilha do Araguaia .................................................

327

Republica dos barbudinhos .........................................

338

Não chore, Argentina! .................................................

342

Apocalipse 11/9 .........................................................

345

Sai quenga, entra chinoca ..........................................

347

Padroeiro da Internet .................................................

349

Uma radiografia do MST .............................................

350

E agora, Luiz? .............................................................

358

“Eixo do mal” deslocado? ...........................................

360

Castello Branco e a Contrarrevolução de 31 de Março

367

Távola Redonda: A nova fórmula da TQM ....................

377

Tio Arno Preis (Memória) ...........................................

380

Praça Michelle - para sua cadelinha fazer pipi ............

420

Reis, rainhas e drag queens ........................................

426

Clésio Boeira da Silva entrevista Félix Maier ...............

429

Gato Félix responde a Rato Pafúncio ..........................

434

Um Certo Kamarada Kaganovich .................................

436

HFA na UTI .................................................................

440

Nacionalismo e Esquerdismo nas Forças Armadas ......

447

Messianismo no Brasil ................................................

491

Discussões ABINzantinas – I ......................................

495

Internacional Islamita do Terror ................................

498

A Rainha de Sabá visita o Egito ..................................

504

Trilogia Suja de Havana (Um fichamento resenhado)

506

Sobre piadas de judeus, loiras burras e negas idiotas

520

Falácias do racismo ....................................................

522

Sobre síndromes .........................................................

528

O mundo em 2020 ......................................................

539

Os novos bobos da corte .............................................

543

Pablo Neruda 100 anos ...............................................

546

Ministro limpa banheiro em casa. Uau!!! .....................

548

Brizola, o último dos maragatos .................................

551

Politicamente correto: a transgenia das palavras .......

588

O Exército perdeu sua bússola ....................................

592

Desarmamento diminui a violência? ...........................

596

Tribunal Bertrand Russel: um Tribunal (quase) esquecido ...................................................................

 

601

Um Boeing cai a cada 36 horas ...................................

610

Correio Braziliense: central da desinformação ............

611

FBI: Um onagro franco-argelino-brasileiro .................

617

Ação Popular - A ala terrorista oriunda da Igreja

Católica (Com acréscimos em 20/09/2012) ...............

 

623

O tango do crioulo doido .............................................

629

Ascensão comunofascista no Brasil ............................

631

Foro de São Paulo: um onagro que não ousa dizer seu nome ..........................................................................

 

637

Não existe opção sexual .............................................

651

UNE: organização-pelego, de Getúlio a Lula ................

652

Apolônio de Carvalho, o general de Stálin ...................

659

Guerra Civil Espanhola ................................................

664

O mensalão através dos tempos .................................

671

Bandeira Nacional e Positivismo .................................

677

Morre Dom Ávila, o general de Deus ...........................

682

Raul Gil e sua usina de cantores .................................

687

Rebatendo a “língua de pau” do Informex ..................

693

Melô Do Mensalão .......................................................

696

Pequena história da subversão e da espionagem ........

699

Depois do Egito, Rainha de Sabá visita a Inglaterra ...

719

PT e PSDB são irmãos siameses .................................

721

Coronel Ustra lança livro e é intimado pela Justiça .....

724

Daspu x Dalu ..............................................................

726

I Encontro Nacional por um Brasil Verde e Amarelo ...

728

Entrevista do Coronel Ustra ao Mídia Sem Máscara .....

748

Pompeu de Toledo e o álibi do comunismo .................

756

Belíssima e a ética da malandragem ...........................

761

Paulo Kramer, da UnB, é acusado de racismo .............

760

Responsabilidade sexosocioambiental ........................

769

Por que não invadir a Bolívia? ....................................

773

Meu amigo Reginaldo Cipolatti ...................................

777

As matriuskas do PT ...................................................

788

Todos os homens do presidente .................................

791

Por uma autêntica República Federativa .....................

795

O darwinismo de Roberto Justus ................................

799

A cruz no tribunal ou o tribunal da cruz? ....................

804

Lula e Gandhi ..............................................................

809

Santos=Dumont: 100 anos do 14-Bis .........................

813

Carta a Juliana ............................................................

869

As privatizações foram benéficas para o Brasil ...........

870

Cachaça com o Presidente ..........................................

873

Racismo cordial: qual é a sua cor predileta? ...............

876

La rave và... ou vergonha de ser brasileiro .................

884

Ulysses, de James Joyce: volta ao dia em 80 mundos

886

Síndrome Do Marido Aposentado ................................

896

PT e PSDB são irmãos siameses .................................

898

Índios made in Paraguay ............................................

901

Roda dos inocentes: uma solução para diminuir a infâmia do aborto .......................................................

 

903

Gilson, o poeta dos tapumes .......................................

906

Carta a Edison Toledo .................................................

915

Sonho de Uma Tarde de Outono .................................

917

Programação da TV Lula .............................................

919

Discussões bizantinas no STF sobre o início da vida humana ......................................................................

 

921

Carta de um canalha para outro maior ainda ..............

925

Carta ao Aroldo Barcellos de Mello .............................

926

Batismo de sangue: terrorismo em alta no Brasil .......

928

A extrema esquerda do Correio Braziliense ................

934

Traduttore, traditore! .................................................

937

Paulo Kramer é perseguido pela UnB ..........................

939

A quermesse fascistóide de Lula e Jobim ....................

943

ARQUIVOS “I” - Uma história da intolerância .............

946

Carta a Wagner Bruno ................................................

948

Além de Tensão Pré Menstrual, TPM significa... ..........

953

Carta ao Senador Romeu Tuma ...................................

954

Pedro Bial, o historiador .............................................

956

Tropa de Elite .............................................................

959

Memorial das Vítimas do Comunismo .........................

960

E aí, véi, você se lembra do Repórter Esso? ................

974

Argentina: como se fabricam “desaparecidos políticos” ....................................................................

 

987

“Chico Dólar” narra a Guerrilha do Araguaia ..............

991

Celso Lungaretti, o Torquemada da Internet, strikes again ..........................................................................

 

1013

Bantustolas: Os bantustões dos quilombolas, o MST dos negros ..................................................................

 

1018

Cartas ao jornalista Marco Antonio Pontes .................

1023

Opção preferencial pela riqueza .................................

1033

Operação Brother Sam, uma operação fantasma ........

1035

Carta ao General Heleno .............................................

1046

Os barbudinhos do Itamaraty e o “investimentchi grêidji” de Lula ...........................................................

 

1048

Carta ao Presidente Lula da Silva ...............................

1051

Carta ao Professor Apolinário .....................................

1054

PT de luto: Morreu “Tiro Certeiro”, fundador das FARC

1059

O Banco do Brasil não vai fazer 200 anos de vida .......

1061

Comunista come criancinha. Culpa? Da Igreja Ortodoxa... .................................................................

 

1065

Os coletes multicoloridos de Carlos Minc ....................

1071

Morreu Alexandre Soljenítsin, autor de Arquipélago Gulag ..........................................................................

 

1073

Beijinho 2008 .............................................................

1082

Há torturador no governo Lula da Silva ......................

1086

Carta-resposta a Glaucio Moreira ................................

1089

BRASIL 1968-2008: 40 anos do AI-5 ..........................

1091

O enterro do neoliberalismo .......................................

1110

Cué-Cué Marabitanas: O arco indigenista se fecha sobre a Amazônia .......................................................

 

1113

Mídia Sem Máscara: os petralhas estão rindo à toa ....

1118

Palavrão também é cultura! ........................................

1119

Beijinho 2008: Final dos Jogos Paraolímpicos ............

1122

Discussões ABINzantinas – II ....................................

1124

Por que o feijão está tão caro? ...................................

1127

A tortura pública do Coronel Brilhante Ustra ..............

1128

Caso Eloá: A incrível incompetência da PM de São Paulo ..........................................................................

 

1131

A criatividade do jogador de futebol brasileiro ...........

1133

Canhões ou manteiga? ...............................................

1137

Obama nas alturas! ....................................................

1138

Coronel Ustra, o factoide número um de Lula .............

1140

UNOAMÉRICA: Em defesa da democracia na América Latina .........................................................................

 

1144

O Christkindchen de minha infância ...........................

1150

Sobre árabes e judeus ................................................

1151

Capitão Luís Fernando Falsíssimo ...............................

1154

William Waack e a Intentona Comunista Portuguesa ..

1157

Esquerda x Direita ......................................................

1159

Teorias da Conspiração: Clube Bilderberg e Diálogo Interamericano ..........................................................

 

1160

Back2Black .................................................................

1167

Carta ao General Santa Rosa ......................................

1170

Pequeno glossário econômico lulopetista ...................

1171

O retorno de Argos, o ET de 100 olhos ........................

1174

Lula elegeu um poste. Terá o poste luz própria? .........

1182

O Facebook derrubou o faraó ......................................

1186

Guerrilha comunista no Brasil .....................................

1193

Dilma foi torturada? Eu não acredito! .........................

1203

Comissão da Verdade ou Comando Vermelho de Dilma Rousseff? ....................................................................................

 

1207

Pequeno Dicionário Gramscista ..................................

1216

Terroristas de esquerda querem o monopólio da tortura ........................................................................

 

1227

Ação Popular - A ala terrorista oriunda da Igreja Católica ......................................................................

 

1238

O milagre petista de ascensão social ..........................

1244

Niemeyer: gigante da arquitetura, anão político .........

1247

Terrorismo: de Guararapes a Boston ..........................

1251

Mensalão petista retribui mensalão cubano ................

1255

No Brasil, o passado é cada vez mais incerto ..............

1260

O fim da inocência da ONU .........................................

1265

Claudio Fonteles, o beato de pau oco ..........................

1269

Elio Gaspari e Golbery, o Bruxinho Que Era Bom .......

1271

Carta à Comissão Nacional da Verdade .......................

1277

Black is beautiful! White is wonderful! .......................

1286

O nazismo é o mais forte álibi do comunismo .............

1289

Rede Esgoto de Televisão ...........................................

1294

Um engodo chamado Paulo Freire ..............................

1296

As ossadas do cemitério de Perus ...............................

1299

A Joana D’Arc da guerrilha, a papisa da subversão .....

1302

Preconceito linguístico ...............................................

1311

Os crimes da Ação Libertadora Nacional .....................

1317

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 .............................

1321

Pensando o século XX - uma resenha .........................

1323

França e Inglaterra: incubadoras do terrorismo internacional ..............................................................

 

1334

Vitória de Pirro ...........................................................

1339

Como morreu Jango? Faça a sua escolha... .................

1342

A Gestapo do PT e o pau-de-arara virtual ...................

1345

O verdadeiro holocausto brasileiro .............................

1353

Justiça de Transição ...................................................

1357

Assim nasceu o petista ...............................................

1358

As 93 mentiras do PCdoB ............................................

1359

A longa noite negra da consciência ..........................................

1360

Pela criminalização dos símbolos comunistas .........................

1368

Ministério da Flatulência .............................................

1371

As viúvas-negras de Hollywood ..................................

1373

Três patriotas tratados como bandidos .......................

1375

Virus made in Communist China: Xeque-mate na economia mundial ......................................................

 

1376

Bolsonaro, Moro e Kinder Ovo ....................................

1378

As Covíadas do Brasil .................................................

1381

Amazônia, clima e nível dos mares .............................

1383

Casa do Espanto, um ralo sem fundo ..........................

1385

História Oral do Exército (Fichamento de 15 livros editados pela Bibliex) .................................................

 

1386

Por que o arroz está tão caro? ....................................

1390

Racismo é fake history e preconceito é malandragem

1392

Doutrina Lake: o Big Stick atualizado .........................

1394

Flor amarela do cerrado .............................................

1399

Dia da Consciência Humana ........................................

1401

Cinturão das Milícias ...................................................

1403

Revisionismo ..............................................................

1405

O espírito de Mãe Dinah baixou em Sérgio Moro? .......

1410

O jornal O Globo foi salvo pela Revolução de 1964 .....

1413

Radicalização cumulativa ...........................................

1417

Assassinato da Memória .............................................

1421

The Good President ....................................................

1425

Aguardando outros 170 anos ......................................

1427

Estatuto do PCdoB – o verdadeiro atentado à democracia .................................................................

 

1429

A Língua de Pau - Uma história da intolerância e da desinformação ............................................................

 

1434

Anomia brasileira .......................................................

1437

Filme bom é filme de bandido .....................................

1439

Os sete tiros no pé de Bolsonaro ................................

1441

A Cancún de Bolsonaro ...............................................

1444

Um arcebispo no palanque ou no picadeiro?

1445

O pum da vaca: uma mentira conveniente ..................

1447

Vacina não imuniza, mas protege e salva vidas ..........

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Morreu Olavo de Carvalho ..........................................

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Quando crescer, quero ser ladrão... ............................

1452

Fachin, Barroso e Moraes: o tridente do diabo em ação permanente contra Bolsonaro ............................

 

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Boris Yeltsin teria sido o novo Kerensky da Rússia? ...

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PCB: 100 anos de história e de muitos crimes ............

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sexta-feira, 11 de março de 2022

PCB: 100 anos de história e de muitos crimes - Por Félix Maier

 PCB: 100 anos de história e de muitos crimes

Félix Maier

(11/03/2022) 

Neste ano de 2022, comemoram-se vários centenários. 

No dia 7 de setembro de 2022, comemora-se o bicentenário da Independência do Brasil. Há muitos anos, a data é contestada pelos partidos e movimentos de esquerda, que inventaram o “Dia dos Excluídos” para marcar posição contra o “poder burguês” e manter viva a chama da revolução socialista. Não será surpresa se nessa data a esquerda, com apoio maciço da “mídia antifa” (a que se diz antifascista, mas que é fascista por natureza), organize uma “anticomemoração”, como fizeram por ocasião dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. 

Outro evento importante a ser comemorado durante o ano de 2022 é o centenário da Semana de Arte Moderna, ocorrida no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 e 18 de fevereiro. Os objetivos e os principais atores desse movimento famoso, que pregava a ruptura de todos os movimentos anteriores, podem ser vistos em https://www.brasilparalelo.com.br/entrevistas/semana-de-arte-moderna?gclid=CjwKCAiA4KaRBhBdEiwAZi1zzr5C97Z5LkqFmA50q2ovh5M2XdGp3Mq1cKpiXBK4UQ_GkttmxVhFihoCubAQAvD_BwE. O livro “Pauliceia Desvairada”, de Mário de Andrade, também é de 1922, assim como o livro de Monteiro Lobato, “Fábulas”. A propósito, Lobato foi um dos mais ferozes críticos da Semana de Arte Moderna, em especial, de Anita Malfatti, cujas pinturas seriam como os “desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios”. Críticos acharam o máximo, um “provocador”, quando o maestro Heitor Villa-Lobos subiu ao palco do Teatro Municipal de São Paulo para reger uma orquestra vestindo chinelos, enquanto a plateia promoveu imensa vaia. O maestro apenas estava sofrendo do mal da gota e, assim, tinha dificuldade para calçar um par de sapatos. 

O ano de 2022 marca também o centenário do lançamento do livro “Ulysses”, do irlandês James Joyce, que acarretou admiração e escândalo em todo o mundo. Utilizando neologismos quilométricos e escrevendo no livro 50 páginas sem pontuação, no processo literário conhecido como “fluxo de consciência”, Joyce exerceu grande influência sobre escritores brasileiros, como Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Um pouco dessa “epopeia popular” de Mr. Leopold Bloom, uma espécie de “volta ao dia em 80 mundos”, pode ser visto em um texto de minha autoria - cfr. http://felixmaier1950.blogspot.com/2022/03/ulysses-de-james-joyce-volta-ao-dia-em.html. O dia 16 de junho foi instituído na Irlanda como sendo o Bloomsday, para homenagear o personagem Bloom. 

O ano de 2022 marca o centenário do medicamento Novalgina. Pode não ter resolvido nenhum problema humano sério, mas diminuiu a dor de cabeça de milhões, bilhões de pessoas nesses 100 anos. 

Personalidades que fariam 100 anos em 2022: José Saramago, Tônia Carrero, Leonel Brizola, Paulo Autran, Bibi Ferreira, Doris Day, Pier Paolo Pasolini, Jack Kerovac, Alan Resnais, Dias Gomes, Darcy Ribeiro, Otto Lara Resende. O filme “Nosferatu”, de F. W. Murnau, foi lançado em 1922, assim como o filme “Doutor Mabuse, o Jogador”, de Fritz Lang. 

Outro evento importante ocorrido em 1922, com a vitória dos bolcheviques na guerra civil que se seguiu à Revolução Russa de 1917, foi a formação da União Soviética, englobando a Rússia, a Ucrânia, a Bielorússia e a Transcaucásia. Nesse mesmo ano, ocorreu no Brasil a criação do Partido Comunista Brasileiro, no dia 25 de março. Fundado por nove comunistas, tinha a denominação de Partido Comunista-Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC). Colocado na ilegalidade no mesmo ano de fundação, o PC-SBIC voltou à legalidade em 1927. 

Como o próprio nome diz, não se tratava de um partido político brasileiro, mas de um partido estrangeiro, apátrida, subversivo, dirigido e orientado pelo Komintern (Internacional Comunista), que foi criado em 1919 e encerrado em 1943, também conhecido como Terceira Internacional, para propagação do comunismo em todo o mundo. 

O PC-SBIC tinha obrigação de seguir as “21 condições” para novos partidos comunistas ingressarem no Komintern, estabelecidas pelo II Congresso Mundial da Internacional Comunista, reunido em Moscou no período de 19 de julho a 7 de agosto de 1920: 

1. A propaganda e a agitação cotidianas devem ter um caráter efetivamente comunista e corresponder ao programa e às resoluções da 3.ª Internacional. Os órgãos de imprensa controlados pelo Partido devem ter a redação a cargo de comunistas fiéis, provadamente devotados à causa proletária. A ditadura do proletariado não deve ser abordada como um simples chavão de uso corrente, mas preconizada de modo que todo operário, operária, soldado e camponês comum deduzam sua necessidade dos fatos da vida real, mencionados diariamente em nossa imprensa.

As editoras partidárias e a imprensa, periódica ou não, devem estar inteiramente submetidas ao Comitê Central, seja o Partido como um todo atualmente legal ou não. É inadmissível que as editoras abusem de sua autonomia e sigam uma política que não corresponda à do Partido.

Nas páginas dos jornais, nos comícios populares, nos sindicatos, nas cooperativas e onde quer que os partidários da 3.ª Internacional encontrem livre acesso, é indispensável atacar de modo sistemático e implacável não somente a burguesia, mas também seus cúmplices, os reformistas de todos os matizes. 

2. As organizações que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem afastar de modo planejado e sistemático os reformistas e os “centristas” dos postos minimamente importantes no movimento operário (organizações partidárias, redações, sindicatos, bancadas parlamentares, cooperativas, municipalidades etc.) e substituí-los por comunistas fiéis, sem abalar-se com o fato de às vezes ser necessário, de início, trocar militantes “experientes” por operários comuns. 

3. Em quase todos os países da Europa e da América, a luta de classes está entrando na fase da guerra civil. Em tais circunstâncias, os comunistas não podem confiar na legalidade burguesa e devem formar em toda parte um aparelho clandestino paralelo que possa, no momento decisivo, ajudar o Partido a cumprir seu dever perante a revolução. Nos países onde os comunistas, por conta do estado de sítio ou das leis de exceção, não possam atuar em total legalidade, é absolutamente indispensável combinar o trabalho legal e o clandestino. 

4. O dever de propagar as ideias comunistas inclui a necessidade especial da propaganda persistente e sistemática nos exércitos. Nos lugares onde as leis de exceção proíbem essa agitação, ela deve ser realizada clandestinamente. Renunciar a essa tarefa equivale a trair o dever revolucionário e desmerecer a filiação à 3.ª Internacional.  

5. É indispensável a agitação sistemática e planejada no campo. A classe operária não pode garantir sua vitória sem atrair ao menos uma parcela dos assalariados agrícolas e dos camponeses mais pobres e neutralizar com sua política uma parte dos setores rurais restantes. O trabalho comunista no campo está adquirindo atualmente a mais alta importância. Para realizá-lo, é especialmente indispensável o auxílio dos trabalhadores comunistas revolucionários da cidade e do campo ligados ao campesinato. Renunciar a essa tarefa ou delegá-la a semirreformistas duvidosos equivale a renunciar à própria revolução proletária. 

6. Os Partidos que desejam filiar-se à 3.ª Internacional devem denunciar não somente o social-patriotismo aberto como também a falsidade e a hipocrisia do social-pacifismo, demonstrando sistematicamente aos trabalhadores que, sem a derrubada revolucionária do capitalismo, nenhuma corte internacional de arbitragem, nenhum tratado de redução de armamentos e nenhuma reorganização “democrática” da Liga das Nações livrará a humanidade de novas guerras imperialistas. 

7. Os Partidos que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem reconhecer a necessidade da ruptura completa e definitiva com o reformismo e o “centrismo” e preconizá-la entre o grosso da militância. Sem isso, torna-se impossível realizar uma política comunista consequente. 

A Internacional Comunista exige de modo incondicional e categórico que se realize essa ruptura o mais rápido possível. Não se pode admitir que oportunistas notórios como, por exemplo, Turati, Kautsky, Hilferding, Hillquit, Longuet, MacDonald, Modigliani e outros tenham o direito de considerarem-se membros da 3.ª Internacional, o que a levaria a equiparar-se fortemente à falida 2.ª Internacional. 

8. Na questão colonial e das nações oprimidas, é indispensável que tenham uma linha particularmente clara e precisa os Partidos dos países cuja burguesia possui colônias e oprime outros povos. Os Partidos que desejam filiar-se à 3.ª Internacional devem denunciar implacavelmente as artimanhas de “seus” imperialistas nas colônias; apoiar os movimentos de libertação nas colônias não somente em palavras, mas também em atos; exigir a expulsão de seus compatriotas imperialistas das colônias; cultivar nos corações dos operários de seus países um sentimento fraternal sincero para com a população trabalhadora das colônias e das nações oprimidas; e realizar entre as tropas da metrópole uma agitação sistemática contra todo tipo de opressão dos povos coloniais.

9. Os Partidos que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem realizar uma atividade sistemática e persistente nos sindicatos, nos conselhos operários e industriais, nas cooperativas e em outras organizações de massas, onde é indispensável criar células que, após longo e persistente trabalho, ganhem-nas para a causa comunista. Inteiramente subordinadas ao conjunto do Partido, essas células devem, a cada passo de seu trabalho cotidiano, denunciar as traições dos sociais-patriotas e as hesitações dos “centristas”. 

10. Os Partidos filiados à Internacional Comunista devem insistentemente lutar contra a “Internacional” Sindical Amarela de Amsterdã e preconizar entre os operários sindicalizados a necessidade de romper com ela. Esses Partidos devem apoiar, por todos os meios, a nascente unificação internacional dos sindicatos vermelhos que apoiam a Internacional Comunista.

11. Os Partidos que desejam filiar-se à 3.ª Internacional devem rever a composição de suas bancadas parlamentares, removendo os elementos desconfiáveis, submetendo-as ao Comitê Central do Partido não somente em palavras, mas também na prática, e exigindo que cada parlamentar comunista sujeite sua atuação aos interesses da propaganda e da agitação realmente revolucionárias. 

12. Os partidos filiados à Internacional Comunista devem ser organizados segundo o princípio do “centralismo” democrático. No atual período de guerra civil encarniçada, um Partido Comunista só poderá cumprir seu dever se for organizado da maneira mais centralizada possível, se nele predominar uma disciplina férrea que beire a militar e se seu órgão central gozar de forte autoridade, de amplos poderes e da confiança unânime da militância. 

13. Os Partidos Comunistas que atuam legalmente devem realizar depurações periódicas (recadastramentos) entre os efetivos de suas organizações para remover sistematicamente os inevitáveis elementos pequeno-burgueses. 

14. Os Partidos que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem apoiar incondicionalmente cada República Soviética em seu combate às forças contrarrevolucionárias. Os Partidos Comunistas devem buscar continuamente convencer os trabalhadores a não transportar material bélico aos inimigos dessas Repúblicas, devem realizar uma propaganda legal ou clandestina entre as tropas enviadas para sufocar as repúblicas operárias etc. 

15. Os Partidos que ainda mantêm seus velhos programas social-democratas devem revisá-los o mais rápido possível e elaborar um novo, afinado com as resoluções da Internacional Comunista e adaptado às particularidades nacionais. Como regra, os programas dos Partidos filiados devem ser aprovados pelo Congresso Mundial seguinte ou pelo Comitê Executivo da Internacional Comunista. Caso este não aprove determinado programa, o Partido tem o direito de recorrer ao Congresso Mundial. 

16. Todas as resoluções dos congressos da Internacional Comunista, bem como as de seu Comitê Executivo, são obrigatórias para os Partidos a ela filiados. Atuando em meio à mais encarniçada guerra civil, a Internacional Comunista deve ser organizada de forma muito mais centralizada do que a 2.ª Internacional. Além disso, o trabalho da Internacional Comunista e de seu Comitê Executivo deve evidentemente levar em conta as diferentes circunstâncias em que luta e atua cada Partido e só tomar decisões de obrigação geral nas questões em que isso seja realmente possível. 

17. Conforme tudo o que foi exposto acima, os Partidos que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem mudar seu nome para Partido Comunista de tal país (Seção da 3.ª Internacional Comunista). A questão do nome não é meramente formal, mas possui grande importância. A Internacional Comunista declarou uma guerra decidida contra o mundo burguês e os partidos social-democratas amarelos. É indispensável deixar completamente clara a todo trabalhador comum a diferença entre os Partidos Comunistas e os velhos partidos “social-democratas” ou “socialistas” oficiais que traíram a bandeira da classe operária. 

18. Os órgãos dirigentes da imprensa partidária de todos os países devem publicar todos os documentos oficiais importantes do Comitê Executivo da Internacional Comunista. 

19. Os Partidos filiados à Internacional Comunista ou que solicitaram sua filiação devem convocar o mais rápido possível, mas até quatro meses após o 2.º Congresso Mundial, um congresso extraordinário para discutir internamente estas condições. Além disso, os Comitês Centrais devem cuidar para que todas as organizações de base conheçam as resoluções do 2.º Congresso da Internacional Comunista.  

20. Os Partidos que gostariam de filiar-se agora à 3.ª Internacional, mas ainda não mudaram radicalmente sua antiga tática, devem cuidar para que, até sua filiação, não menos de 2/3 de seu Comitê Central e de seus principais órgãos centrais sejam compostos por camaradas que, antes do 2.º Congresso da Internacional Comunista, já tenham se manifestado de forma aberta e inequívoca a favor do ingresso de seu Partido. O Comitê Executivo da 3.ª Internacional tem o direito de admitir exceções, inclusive no caso dos representantes “centristas” mencionados na condição 7. 

21. Devem ser expulsos do Partido os membros que rejeitarem por princípio as condições e teses apresentadas pela Internacional Comunista. O mesmo vale para os delegados do congresso extraordinário de cada Partido” (in “21 condições de admissão (Comintern)”, com tradução de Erick Fishuk - cfr. em http://www.fishuk.cc/2014/08/condicoes.html#volta30). 

Luiz Carlos Prestes foi o mais famoso “militante” do PCB, ocupando o cargo de Secretário-Geral por 37 anos. Passou a ser membro do PC-SBIC em 1931. 

Em 1934, o PC-SBIC passou a denominar-se Partido Comunista Brasileiro (PCB). 

Prestes, convertido ao comunismo após a dissolução da Coluna Miguel Costa-Prestes (que os gatunos comunistas conseguiram rebatizar como sendo a “Coluna Prestes”), realizou cursos em Moscou e, a soldo do Komintern, do PCB e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), deflagrou a sangrenta Intentona Comunista, em 1935. Esse primeiro grande crime de lesa-pátria do PCB, ocorrido em Natal, Recife e Rio de Janeiro, ocasionou a morte de 34 militares (alguns friamente assassinados enquanto dormiam nos quartéis) e de mais de 1.000 civis. O jornal Inconfidência, no dia 27 de novembro de 2018, publicou uma edição histórica da Intentona Comunista - cfr. em http://www.grupoinconfidencia.org.br/sistema/images/pdf/jornaisanteriores/inconfidencia258.pdf. 

Em 1935, antes do levante comunista, um “Tribunal Vermelho” do PCB promoveu o “justiçamento” (assassinato) de Bernardino Pinto de Almeida, o ”Dino Padeiro”, por crime de traição. Em 2 de dezembro de 1935, o PCB fez “justiçamento” de Afonso José dos Santos, cujo crime só foi elucidado em 1941. 

Um dos crimes mais horrendos perpetrados pelo PCB foi o assassinato de Elvira Cupelo Colônio, a “Elza Fernandes” ou “Garota”, amante, desde os 16 anos, de Antônio Maciel Bonfim, o “Miranda”, na época secretário-geral do PCB. Presa junto com “Miranda” após a Intentona Comunista, no início de janeiro de 1936, a “Garota” foi solta e passou a ser considerada traidora junto à cúpula do PCB. Condenada à morte por Luís Carlos Prestes, escondido em sua casa no bairro do Méier, Rio de Janeiro, seus companheiros foram contra, levando reprimenda de Prestes, que assim se expressou em uma carta: 

“Fui dolorosamente surpreendido falta de resolução e vacilação de vocês. Assim, não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe e revolucionária. (...) Por que modificar a decisão a respeito da ‘garota’? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima para o Partido? (...) Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar. (...) Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas, e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião”. 

A “Garota” foi então estrangulada com uma corda em volta do pescoço e, como o corpo não coubesse em um saco, foi partido ao meio e enterrado nos fundos de uma casa, em Guadalupe, no Rio de Janeiro. Estava perpetrado um dos crimes mais hediondos cometidos pelo PCB. 

A história do Partidão e “Os crimes do PCB”, incluindo outros “justiçamentos”, podem ser conferidos no “ORVIL” (https://www.averdadesufocada.com/images/orvil/orvil_completo.pdf). 

Após esse levante militar, o PCB foi colocado na ilegalidade. Preso em 15 de março de 1936, Prestes foi anistiado pelo Presidente Getúlio Vargas, em 1945, ano em que o PCB retorna à legalidade e Prestes se elegeu senador pelo PCB, com 140 mil votos, até então a maior votação para o Senado. 

A bancada comunista, em 1945, foi de 17 deputados federais, entre eles Jorge Amado, Carlos Marighella e Gregório Bezerra. 

O PCB foi colocado novamente na ilegalidade em 1947 pelo Superior Tribunal Eleitoral, por ser um partido supranacional que defendia a ditadura do proletariado. Em 1948, os parlamentares do PCB foram cassados. 

Em 1962, ocorre a primeira grande dissidência dentro do PCB, com a criação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Essa dissidência ocorreu após as denúncias dos crimes de Stálin apresentadas por Nikita Krutschev durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), em 1956. O PCdoB teria destaque, anos mais tarde, na Guerrilha do Araguaia (1967-1974). 

O PCB conheceu seu mais longo período de clandestinidade durante o governo dos generais-presidentes, de 1964 a 1985. Diferente do PCdoB, o PCB não se envolveu diretamente na luta armada durante o “regime militar”, empunhando armas pela “redemocratização” do Brasil, mas na luta gramscista de “ocupação de espaços” em todos os setores nacionais, onde “Herbert Marcuse dava o pretexto ideológico e Antonio Gramsci a modalidade de organização partidária”, no dizer de Olavo de Carvalho. 

Ainda na década de 1970, essa tomada de “ocupação de espaços” ocorreu especialmente nas redações de jornais e revistas, com destaque para a atuação de Frei Betto e frades dominicanos, que tinham contato com o Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP), embrião da Ação Libertadora Nacional (ALN), fundado em 1968 por Carlos Marighella, por discordar do PCB quanto à luta armada após este participar da OLAS, em Cuba, em 1967. Marighella havia abandonado um curso de Engenharia para se filiar ao PCB em 1934. O AC/SP tinha assistência jurídica, composta de 3 advogados: Nina Carvalho, Modesto Souza Barros Carvalhosa e Raimundo Paschoal Barbosa. Quando procurado pela polícia, em São Paulo, Frei Beto, que havia ingressado no convento dos dominicanos, em São Paulo, em 1966, foi acobertado pelo Provincial da Ordem, Frei Domingos Maia Leite, e transferido para o seminário dominicano Christo Rei, em São Leopoldo, RS. Frei Beto foi preso no RS, onde atuava junto com a ALN para fuga de terroristas ao Uruguai. 

Frei Betto, quando atuava como repórter na Folha da Tarde, recrutou os jornalistas Jorge Miranda Jordão (Diretor), Luiz Roberto Clauset, Rose Nogueira e Carlos Guilherme de Mendonça Penafiel. A “ocupação de espaços” incluía também a TV Cultura (Vladimir Herzog), as universidades (método Paulo Freire), as editoras de livros (Civilização Brasileira, de Ênio Silveira), o meio intelectual (Caio Prado), os centros de cultura popular e até as igrejas, especialmente a Igreja Católica dos “progressistas” Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Hélder Câmara e Frei Leonardo Boff. 

Na Editora Abril, a base de apoio era de aproximadamente 20 pessoas, comandadas pelo jornalista Roger Karman, e composta por Karman, Raymond Cohen, Yara Forte, Paulo Viana, George Duque Estrada, Milton Severiano, Sérgio Capozzi e outros, que elaboraram um arquivo secreto sobre as organizações armadas (servia também como fonte de informações para organizações subversivas). O antigo membro do PCB, escritor e filósofo Olavo de Carvalho, em depoimento à “História Oral do Exército - 31 Março 1964”, descreve como ocorreu essa nova intentona comunista, cujas consequências permanecem até os dias atuais, com destaque para a predominância do ensino da ideologia comunista nas escolas e nas universidades (cfr. trechos da entrevista de Olavo em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/12/olavo-de-carvalho-na-historia-oral-do.html). 

Assim, pode-se afirmar que tanto a ALN de Carlos Marighella, quanto a VPR de Carlos Lamarca, são filhos diletos do PCB. Durante o “regime militar”, mais de uma centena de “genéricos do PCB” foram criados no Brasil, para propagar o terrorismo e a subversão, com vistas a implantar uma ditadura comunista no País. Para isso, os terroristas fizeram cursos em Moscou, Pequim e em Cuba. Uma lista desses movimentos terroristas que infernizaram o Brasil nas décadas de 1960 e 1970 pode ser conferida no link https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/12/organizacoes-subversivas-brasileiras.html. 

Com a Lei da Anistia, de 1979, muitos brasileiros voltaram do exílio e começaram a reorganizar partidos políticos, como Leonel Brizola. 

Em maio de 1980, Prestes foi substituído na presidência do Partidão pelo cabo Giocondo Dias, por muitos anos seu motorista e guarda-costas. 

Em 1985, com o fim do governo militar, tanto o PCB, quanto o PCdoB voltaram a funcionar como partidos políticos. 

O Senador Roberto Freire foi o último comunista brasileiro a receber dinheiro da antiga URSS, o tal “ouro de Moscou”, por ocasião de sua campanha eleitoral à Presidência do Brasil, em 1989. Quem fez esta declaração foi o ex-diplomata da União Soviética no Brasil, Vladimir Novikov, coronel da KGB, que serviu em Brasília sob a fachada de Adido Cultural junto à Embaixada Soviética, nos anos de 1980. 

O Ministro da Justiça do Presidente Fernando Henrique Cardoso, Aloysio Nunes Ferreira Filho, foi “militante” do PCB e da Aliança Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella, ocasião em que participou do assalto ao trem-pagador Santos-Jundiaí, em 1968. 

Nesses 100 anos de história e inúmeros crimes praticados, o PCB teve três candidatos a Presidente da República: Minervino de Oliveira (1930), Yedo Fiúza (1945) e Roberto Freire (1989). 

Em 1992, o PCB transformou-se em Partido Popular Socialista (PPS) após a dissolução da União Soviética, porém foi recriado em 1995 (bandeira com foice e martelo) por comunistas históricos, que não aceitaram a nova ordem mundial após o fim da URSS. 

Ultimamente, voltou à baila a ideia de criminalizar também os símbolos comunistas, como já é feito, acertadamente, com os símbolos nazistas, como estabelece a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Obviamente, essa Lei está incompleta, pois não pode um país democrata permitir que o símbolo da foice e do martelo seja tolerado. Assim, em 6 de junho de 2016, elaborei um abaixo-assinado, para que esse símbolo que promoveu a morte de mais de 100.000.000 de pessoas ao redor do mundo durante o século XX seja também criminalizado, e o PCB e o PCdoB proscritos definitivamente em nosso País - cfr. em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/07/pela-criminalizacao-dos-simbolos.html. 

No livro do pensador francês Jean-François Revel, “A Grande Parada”, há um capítulo com o sugestivo nome de “Cláusula do totalitarismo preferido”. Nesse capítulo, uma passagem chama a atenção para descrever a diabolização dos totalitarismos ditos de direita e a santificação dos totalitarismos comunistas:  

“Alguns diques se romperam, a linha fortificada da ideologia nem sempre conseguiu se manter intacta, mas o essencial, ou seja, o princípio da desigualdade de tratamento entre o totalitarismo dito de esquerda e o dito de direita permaneceu. A década de 1980-1990 foi marcada pelo reconhecido desmoronamento do socialismo democrático. A década de 1990-2000 foi marcada pelos esforços desenvolvidos, com grande sucesso, para obliterar os ensinamentos advindos dessas experiências históricas” (REVEL, 2001: 147). 

Com referência ao projeto de criminalizar também os símbolos comunistas, Roberto Freire reclamou, no Twitter, que não poderia aceitar tal absurdo, porque ele seria classificado como “criminoso”. O velho comunista, hoje presidente do Cidadania, perdeu o Partidão, mas não o cinismo comunista, que é próprio de todo defensor da Peste Vermelha. 

Roberto Freire retuitou várias mensagens da Fundação Astrogildo Pereira, referente ao “Seminário Internacional do PCB”, ocorrido no período de 8 a 10 de março de 2022, do qual foi um dos palestrantes do evento - cfr. em https://www.fundacaoastrojildo.org.br/seminario-internancional-destaca-os-100-anos-do-partido-comunista-brasileiro/. Como se pode comprovar, Roberto Freire pode não se apresentar mais como um comunista, mas sente uma grande nostalgia do PCB, a exemplo de um cara que teve no passado uma querida namorada ou esposa, e que a “desfruta” de vez em quando para matar a saudade. 

No Twitter da Fundação Astrojildo Pereira, consta: 

“Astrojildo Pereira @FAPAstrojildo 8 de mar

Confira a transmissão do primeiro dia do Seminário Internacional PCB 100 anos.

https://twitter.com/FAPAstrojildo/status/1501241346169917440?s=20&t=LUV3Z9n0a934qQlHPF1Zrw 


Como se pode observar, a “cláusula do totalitarismo preferido”, enunciado por Revel, referente aos partidos e ideólogos comunistas, continua sendo defendido no Brasil por uma multidão, com unhas e dentes na jugular, a mesma que defende os “bandidos de estimação” existentes no Brasil, a começar pelo maior ladravaz da história nacional, Lula da Silva.







Intentona Comunista de 1935 - Edição Histórica - Por Jornal Inconfidência




Intentona Comunista de 1935 - Edição Histórica

Por Jornal Inconfidência

27/11/2018

O jornal Inconfidência, de Belo Horizonte, editado pelo coronel do Exército Carlos Cláudio Miguez, publicou no dia 27 de novembro de 2018 uma edição histórica da Intentona Comunista - cfr. em http://www.grupoinconfidencia.org.br/sistema/images/pdf/jornaisanteriores/inconfidencia258.pdf

Leia também a edição histórica em

https://www.rsnoticias.top/2016/11/inconfidencia-n-233edicao-historica-da.html









quinta-feira, 10 de março de 2022

Ulysses, de James Joyce: volta ao dia em 80 mundos - Por Félix Maier

              Ulysses, de James Joyce: volta ao dia em 80 mundos

Félix Maier

(13/02/2007)

No texto “Um guia para ter cultura” (http://felixmaier1950.blogspot.com/2022/01/um-guia-para-ter-cultura-por-paulo.html), Paulo Francis recomenda aos jovens a leitura de livros que ele considera indispensáveis. São obras de autores que vão dos clássicos gregos, passam pelo romano Suetônio (Os Doze Césares) e por Santo Agostinho (As Confissões), chegando aos modernos como Shakespeare (Hamlet), Popper (A Lógica da Pesquisa Científica), Bertrand Russell (História da Filosofia Ocidental), Tolstoi (Guerra e Paz), Dostoievsky (Crime e Castigo), Thomas Mann (A Montanha Mágica), Edmund Wilson (Rumo à Estação Finlândia). Dos autores brasileiros, Paulo Francis sugere a leitura de Os Sertões, de Euclides da Cunha, e Memórias Póstumas de Braz Cubas, de Machado de Assis. Paulo Francis também recomenda a leitura de Memorial do Aires, de Machado, que, para ele, “é o livro mais bem escrito em português que há”. Porém, Paulo Francis afirma que “não é preciso ler A Origem das Espécies, de Darwin” e diz textualmente que a leitura da obra-prima de James Joyce, Ulysses, é simplesmente “desnecessária”. Será?

James Joyce nasceu em Dublin, Irlanda, em 2 de fevereiro de 1882 e morreu em Zurique em 13 de janeiro de 1941. Fez estudos de humanidades com os jesuítas no Belvedere College, em Dublin, onde tomou gosto pela literatura através do teatro de Yeats, Ibsen e Hauptmann. “Ali recebeu prêmios pelos ensaios que escreveu, um dos quais se intitulava ‘Meu Herói Favorito’. É bastante significativo que, aos quinze anos, seu herói favorito fosse Ulysses, o homem errante levado de cá para lá pelas tormentas” (Os forjadores do mundo moderno, pg. 1086). Do pai herdou o espírito belicoso e a bela voz de tenor.

Para Joyce, os irlandeses eram “a raça mais atrasada de toda a Europa”. “Na juventude opôs-se ao estreito nacionalismo do Renascimento Irlandês, ridicularizou o Amanhecer Celta chamando-o ‘twilight twalette’ e se tornou inimigo da principal figura daquele movimento, William Butler Yeats, dizendo-lhe: ‘Encontramo-nos demasiado tarde; você é demasiado velho para que eu possa influenciá-lo’ ” (pg. 1085).


Dos 16 aos 20 anos, Joyce frequentou o Colégio da Universidade. Devoto, acreditavam que fosse ingressar na ordem jesuítica. Antes de completar 20 anos, lia latim, francês e italiano tão bem quanto o inglês.

Transferiu-se para Paris em 1902 para estudar medicina, carreira da qual desistiu para dedicar-se ao ensino da língua inglesa e literatura. “Durante muito tempo seu único alimento era o chocolate – em Ulysses as xícaras de chocolate além de ser um elemento nutritivo, são um símbolo de sacramento - e ficou doente” (pg. 1087).


Em 1903 volta a Dublin, com a morte da mãe, ali passando o dia 16 de junho de 1904, tão minuciosamente imortalizado nos dezoito episódios do futuro romance Ulysses. Aos 22 anos conseguiu uma vaga de professor na Escola Clifton, em Dalkey, onde ampliou seus estudos de línguas estrangeiras. Participou do concurso de tenores do Festival Nacional, entusiasmando o auditório e os juízes, mas desistiu por não aceitar um dos requisitos: uma prova de canto sem ler a partitura antes. Em outubro de 1904, Joyce se casa com Nora Barnacle e partiram imediatamente para Zurique, Suíça, onde arranjou emprego como professor de línguas na Escola Berlitz.


“Durante os vinte e cinco anos seguintes, a vida de Joyce é uma vida de exílio e sofrimento, de esforços constantes para publicar suas obras, de brigar contra as hostilidades dos filisteus, de desilusões e desespero” (pg. 1088).


Aos 23 anos terminou uma série de contos, “Os Dublinenses”, aceitos para publicação, mas o editor negou-se a publicá-los pelo “naturalismo” da obra. Essa obra só seria publicada dez anos depois em Londres, em 1914.


A primeira obra publicada de Joyce, em 1907, foi “Música de Câmara”, um título para rir de si mesmo, cantor frustrado. “Foi posto à venda quando Joyce tinha vinte e cinco anos e é a própria antítese do estilo que viria a caracterizá-lo. Longe de ser inovadora, esta obra está cheia de ecos tradicionais de poetas do século XVII, dos simbolistas franceses e da lírica de William Butler Yeats” (pg. 1088).


“Os Dublinenses é uma obra de transição. Joyce age como um informador insinuante, que narra um conjunto de episódios infelizes ocorridos na cidade onde nasceu. As três primeiras histórias parecem ser fragmentos tomados da infância; as outras são pinturas tristes e com frequência impiedosa que irritaram seus compatriotas. A descrição vai desde a pintura de uma brutalidade casual de Dois Galãs, à austera emoção de Evelyn, passando pela mistura de dureza e angústia de Contraparte. O Morto é a história mais pungente e comovedora; o realismo começa a se orientar para o simbolismo” (pg. 1088).


Joyce escreveu três histórias sob o pseudônimo “Stephen Dedalus” para George Russel, que publicou “O Solar Irlandês”, para fomentar os métodos agrícolas modernos e divulgar os textos do Movimento Céltico.

“Retrato do Artista Quando Jovem é uma dupla narração: uma descrição nostálgica de Dublin que Joyce amou e odiou ao mesmo tempo, e um retrato de um escritor jovem e estilista, preocupado com as associações verbais e a força mágica das palavras” (pg. 1089-90).


Com a entrada da Itália na Guerra, em 1915, Joyce refugia-se em Zurique, retornando a Trieste em 1920, seguindo para Paris no mesmo ano. Após a publicação de “Ulysses”, em 1922, Joyce se torna conhecido nos meios literários. Quando a França foi invadida pelos nazistas em 1940, Joyce refugia-se novamente em Zurique, onde morre um ano depois, quase cego e desapontado com a pouca repercussão de sua obra.


A última obra de Joyce foi “Finnegan´s wake”, que é a história de uma só noite de sono na cabeça do taverneiro H. C. Earwicker e sua mulher Ana Lívia, encarnação do rio Liffey, que banha Dublin. Livro ilegível para o leitor comum, “o processo de montagens e associações linguísticas atinge, nesta obra, um ritmo paroxístico. Seu ponto de partida é a teoria de Vico da realidade histórica como um movimento circular, um eterno retorno ao ponto de partida, de modo que o livro é concebido também circularmente, o seu ponto de partida ligando-se ao final, numa frase que é deixada em suspenso. O centro da obra é a stream of consciousness (corrente da consciência), que já foi o clímax do Ulysses, no monólogo de Molly Bloom” (Mirador, Vol. 12, pg. 6552). Nesta obra, encontram-se, ainda, fragmentos de filósofos, cientistas e historiadores; “A Interpretação dos Sonhos” e “A Psicopatologia da Vida Cotidiana”, de Sigmund Freud; estudos de James Frazer sobre folclore e religião; a “coincidência dos opostos”, de Giordano Bruno; a concepção dos arquétipos antropológicos de Lucien Lévy-Bruhl. “Calcula-se que na obra Finnegan’s Wake há milhares de trocadilhos em uma dezena de idiomas diferentes, o que torna Joyce o maior mestre do trocadilho desde os tempos de Shakespeare” (“Os forjadores do mundo moderno”, pg. 1096-97).


Ulysses se baseia na estrutura da “Odisseia” de Homero, no qual Joyce lançou seu famoso método do monólogo interior. “Ulysses” foi a descrição de um único dia na vida de duas pessoas, Stephen e Bloom, versões modernas de Telêmaco e Ulisses.


O livro “Ulysses”, “uma volta ao dia em 80 mundos”, descreve com minúcia 18 horas do dia 16 de junho de 1904, com os personagens Stephen Dedalus (personagem também de “Retrato do Artista quando Jovem”, de 1913) e o casal Leopold e Molly Bloom. O dia 16 de junho, todo ano, é comemorado por fãs de todo o mundo como o Bloomsday (Dia de Bloom). “Ulysses” foi publicado pela primeira vez, em 1922, pela editora parisiense Shakespeare & Co. Somente em 1934 houve a 1ª edição da obra em língua inglesa.


A influência de Joyce tem sido enorme sobre inúmeros escritores, especialmente os da língua inglesa, como William Faulkner, John Dos Passos, Virginia Woolf e Samuel Beckett; de alemães como Alfred Döblin; de holandeses como Simon Vestdijk; de italianos como Carlo Emilio Gadda; e de brasileiros como Clarice Lispector e Guimarães Rosa.

“Ulysses” é uma obra cheia de neologismos, “palavras-valises, citações eruditas, ironias, paródias e trocadilhos” (Cfr. revista Istoé nº 1865, de 13/07/2005). No final do livro, há um monólogo de mais de 40 páginas, texto sem uma vírgula e um ponto sequer, que traduz o pensamento de Molly Bloom vindo aos borbotões, no fluxo normal de sua consciência. “Ulysses” foi escrito em inglês, mas possui inúmeras palavras em francês, latim, alemão e italiano - além, é claro, do “jamesjoycês”.

Joyce sempre destruía seus originais e uma parte de “Ulysses”, vendida a peso de ouro por um colecionador, sobreviveu por ter servido de prova no julgamento por obscenidade que o autor sofreu em 1920.


“Ulysses” é uma obra praticamente intraduzível que, entretanto, já tem dois tradutores brasileiros. O primeiro foi Antonio Houaiss (“Uais”, segundo a verve de Paulo Francis), que editou o livro de 846 páginas em 1966 pela Civilização Brasileira. A outra tradução, que tem 912 páginas, foi feita por Bernardina da Silveira Pinheiro, professora de literatura emérita da UFRJ, e lançada pela Objetiva em 2005. Essa tradução é mais coloquial que a de Houaiss, que tem um estilo muito empolado. Há uma terceira tradução em andamento, de Caetano Galindo, também professor de literatura.


O escritor norte-americano Henry James foi o precursor do flux of conscience (fluxo da consciência), antes de Joyce e Freud, muito comum nos “romances psicológicos” modernos: “Os personagens nunca deixam de discutir profunda e minuciosamente os acontecimentos mais banais. Toda a ênfase é dada ao reflexo dos acontecimentos no interior dos indivíduos” (Mirador, Vol. 12, pg. 6407). “James foi o criador da técnica da narração indireta: os acontecimentos são relatados por vários personagens, sob os pontos de vista diferentes de cada um, com o emprego do flash-back” (idem, pg. 6407). Vale lembrar que, ainda antes de James, Machado de Assis já era um craque do romance psicológico, em livros como “Memórias Póstumas de Braz Cubas” e “Dom Casmurro”; nesta última obra, a personagem dúbia de Capitu é tratada com mão de mestre.


“O labirinto de Ulysses (1922) é o mais complicado de quantos labirintos literários já existiram: labirinto de temas, de línguas, de estilos, de alusões, de relações espaço-temporais, enfim, labirinto da linguagem do homem que é identificado com o cosmos.
A cidade de Dublin é o símbolo desse cosmos, no centro do qual está o homem. Mas este centro não é mais o herói individual, Dedalus, deslocado para um plano secundário, e sim o homem comum, o judeu Leopold Bloom, que simboliza, no errante do homem dentro do labirinto cósmico. Este labirinto é rigorosamente construído segundo determinadas relações.

As seções de Ulysses correspondem a três partes da Odisseia homérica: a Telemaquia, Ulisses e Nostos. Cada uma das partes começa com o nome do personagem central: Telêmaco é Setphen Dedalus, Ulisses é Leopold Bloom, Penélope é Molly Bloom. Cada uma das situações corresponde rigorosamente a um episódio homérico. Assim, por exemplo, o enterro de Patty Dignam, acompanhado por Bloom, é a descida de Ulisses ao Hades; o nacionalista virulento que ataca a menina Bloom é o Ciclope, monstro de um olho só; a menina Getty exibindo-se na praia para a excitação de Bloom, é Nausicaa; as cenas alucinadas no bordel, com Bloom, Stephen e os colegas, é o encantamento de Ulisses e dos seus companheiros na ilha da feiticeira Circe; o retorno para a casa Bloom e Stephen é a volta de Ulisses para Ítaca e o seu reconhecimento pelo filho, Telêmaco.

Os episódios não estão só relacionados com a Odisseia mas também com as partes do corpo humano e a cada uma das artes e ciências humanas. Assim, por exemplo, a cena da biblioteca, em que Bloom e Stephen se encontram casualmente, corresponde ao cérebro, como órgão do corpo, e à literatura, como uma das artes humanas. A teia de relações do romance foi descoberta por Valéry Larbaud e depois explicada exaustivamente por Stuart Gilbert. Além desse labirinto de relações, Ulysses é ainda um labirinto de línguas, de paródias estilísticas, de montagens e associações verbais, e também associação de imagens, sobretudo no delirante monólogo final de Molly Bloom. O romance é, enfim, a paródia da narrativa, romance para acabar com todos os romances, e a paródia lingüística da realidade humana” (Mirador, Vol. 12, pg. 6551-6552).


“Ulysses toma a forma de uma busca - escreveu William York Tindall na obra James Joyce: Sua Maneira de Interpretar o Mundo Moderno – e quase todas as personagens participam dela. A busca é sempre a mesma, assim como seu motivo verdadeiro, seja esse a tradição ou o que alguns chamam a integração, a força vital ou o plano qüinqüenal, o último iogue dos Anjos ou Deus Todopoderoso... Joyce simbolizava a busca do pai. Tendo presentes na mente seu próprio abandono e necessidade, elaborou uma imagem sugestiva, talvez a mais perfeita de todas, da preocupação principal do homem moderno.
Maiores analogias aparecem à medida que se avança na leitura do livro: a predileção de Bloom pela música suave e por sabonetes perfumados; o episódio dos lotófagos; a aparição de Bloom num cemitério e a viagem de Ulysses a Hades; a visita à oficina de um jornal e (com grande propriedade) a Caverna dos Ventos; uma luta de um bêbado na taverna com um cidadão terrivelmente enfurecido e o antro de Ciclope.

Finalmente, o monólogo da cama, esse alarde sem precedente, essa cadeia ininterrupta dos pensamentos de Molly Bloom, uma única frase, sem pontuação, de mais de quarenta páginas e vinte e cinco mil palavras, uma vívida retrospectiva de sua vida terrena e uma serena aceitação da mesma” (“Os Forjadores do Mundo Moderno”, pg. 1091-1092).

Joyce levou sete anos para finalizar “Ulysses”, que começou a ser publicado em forma de folhetim, em 1918, no The Little Review. Nos Estados Unidos, pressionado pela Sociedade Norte-Americana para a Supressão do Vício, o correio confiscou todos os exemplares, sob acusação de obscenidade, e os editores foram multados e fichados. Na França, uma admiradora indignada, Sylvia Beach, fez uma publicação particular do livro, enviando um exemplar a Joyce, encadernado nas cores azuis e branca da Grécia. O livro teve nove edições clandestinas pelas quais Joyce não recebeu um centavo sequer, a exemplo de D. H. Lawrence, autor de “O Amante de Lady Chatterley”.


“Ulysses é uma projeção panorâmica da nostalgia de Joyce. Tal qual a narração épica da qual toma emprestado o nome, é um retrato, de vastas proporções, de exílio e viagens, de uma busca insana, entremeada de desespero, e de uma resignação final.

Os acontecimentos narrados por Homero ocorrem, porém, num dia comum (16 de junho de 1904) em Dublin, envolvendo Stephen Dedalus (Telêmaco), Leopold Bloom (Ulysses) e sua esposa Molly (uma Penélope infiel). Há muitas outras personagens secundárias, entre as quais Mrs. Bella Cohen, que dirigia um bordel (Circe), Miss Doyce e Miss Kennedy, camareiras (as sereias), Mr. Deasy, professor (Nestor), a romântica exibicionista de dezesseis anos, Getry MacDowell (Nausicaa). Mas a narração tem como centro Bloom, que perdera um filho e procura um filho substituto, e Dédalo, que repudiou a família e a religião e, desligado dos homens, procura um pai” (pg. 1090).


“Com significativos jogos de palavras, com alusões constantes à Música, à Mitologia, à Filosofia, a obras pouco conhecidas, com suas personagens estranhas, com seu ambiente pagão, com seu ritual católico e com sua penetração no antigo, a obra Ulysses é, incontestavelmente, a mais complexa, a mais desconcertante e a mais ilustradora de todos os romances - se a considerarmos um romance - jamais escritos em qualquer época” (pg. 1094).


James Joyce “ampliou o solilóquio shakespeareano, desenvolvendo um monólogo interior de extensão, amplitude e riqueza sem precedentes. Foi o primeiro a empregar a ‘corrente da consciência’ como comentário fluido, como um desencadeamento avassalador de associações livres. Apreendeu e reteve em um amálgama fluido - formado em parte por palavras, em parte por sílabas que deslizam insinuantes - as formas dos sonhos difusos. Sendo um gênio que uniu o cósmico ao cósmico, um jesuíta renegado dotado da pureza de Rabelais e da crueza de Swift, Joyce foi um escritor tão influente que os imitadores foram inevitáveis, e de estilo tão próprio que a imitação tornou-se impossível” (pg. 1098-1099).


Na edição que tem Antônio Houaiss como tradutor, observa-se a riqueza de neologismos utilizados em Ulysses, alguns de tamanho quilométrico, um calhamaço de 846 páginas: “andando sobre isso algoqualcerto” (pg. 42), “um letrâmetro cataléctico de iambos marchando” (pg. 42), “pereternidade” (pg. 43), “com omóforion empertigado” (pg. 43), “os hipocampos alvimontados, mordendo luciventibridões, “os corcéis de Mananaan” (pg. 43), “sinsenhoreando o pai” (pg. 43) “guerreando a vida inteira quanto à contransmagnificandijudeibumbatancialidade” (pg. 43), “um naco de língua de lobo rubrifolegando de suas fauces” (pg. 52), “olhos pudoscentes, dentes lactibrancos” (pg. 62), “lambelambendo” (pg. 63), “enterra-o barato num comoquerquelhechames” (pg. 79), “via seu corpo e membros ondondulando leve e sustido” (pg. 97-98), “suas enormes botas cinzempoeiradas” (pg. 113), “óculos negribordeados” (pg. 147), “nutibocejissorriu tudo de uma vez” (pg. 202), “seu queridomeuamoreco” (pg. 230), “quando Rutlandbaconsouthamptonshakespeare escreveu o Hamlet” (pg. 237).


Há frases surpreendentes em “Ulysses”, que devem ferir de morte os ouvidos dos puritanos stalinistas defensores do “politicamente correto”: “A Inglaterra está nas mãos dos judeus. Nos mais altos postos: nas finanças, na imprensa. E são o sinal de decadência de uma nação” (comentário de Mr. Deasy, pg. 38); “A Irlanda é o único país que nunca perseguiu os judeus. Sabe por quê? Porque nunca os deixou entrar” (pg. 41); “Estas pesadas areias são linguagem que maré e vento inscreveram aqui” (pg. 50); “Trotou adiante e, levantando a perna traseira, mijou rápido curto numa rocha incheirada. Os prazeres de pobre” (sobre um cão, pg. 53); “Achas minhas palavras obscuras. Escuridade está em nossas almas, não achas? Mais maviosa. Nossas almas, vergonhiferidas por nossos pecados, apegam-se a nós ainda mais, uma mulher apegando-se ao seu amante, e mais e mais” (pg. 55); “Ele lhe olhava calmo a corpulência e para o entre-seio de suas mamas macias, esparramadas dentro da camisola como ubres de uma cabra” (pg. 71); “Cova de palha com bosta. A melhor coisa para limpar luvas de pelica de senhoras. O sujo limpa. Cinzas também” (pg. 76-77); “Lá está ele: fuzileiros de Dublin. Rubritúnicas. Muito chamativos. Isso deve ser o porquê as mulheres caem por eles. Uniforme” (pg. 81); “Aqueles velhos papas eram entendidos em música, em arte e estátuas e pinturas de todas as espécies. Palestrina também por exemplo. Ainda assim, ter eunucos no seu coro era forçar um pouco. Que espécie de voz é isso? Deve ser curioso ouvir depois da de seus baixos profundos” (pg. 92); “Rosto afogueado: rubriquente. Excesso de João Bebessobe. Tratamento nariz vermelho. Beber como o diabo até torná-lo adelito. Um bocado de dinheiro ele gastou para colori-lo” (pg. 108); “A carruagem galgava mais lentamente a colina da praça de Rutland. Batem seus ossos. Sobre caroços. É um indigente. Nem chega a gente” (pg. 109); “Deve-se ser cuidadoso com as mulheres. Pegá-las com as calças nas mãos. Nunca mais lhe perdoam” (pg. 114); “O padre alviblusado entrou após ele dispondo sua estola com uma mão, balançando com a outra o pequeno livro contra sua barriga de sapo. Quem lerá sem estorvo? Eu disse o corvo. ‘Pararam perto do catafalco e o sacerdote começou a ler de seu livro num fluente coaxar’ ” (pg. 117). “Açougueiros, por exemplo: tornam-se parecidos com bifes crus” (pg. 118); “Os cemitérios chineses com papoulas gigantes crescendo produzem o melhor ópio, contou-me Mastiansky. O Jardim Botânico é logo ali. É o sangue infiltrando-se terra adentro que dá vida nova” (pg. 123); “Ler a própria notícia necrológica dizque que se vive mais tempo. Dá-te um novo fôlego. Novo contrato de vida” (pg. 124); “Estamos agora rezando pelo repouso de sua alma. Desejando que sejas eterno e não no inferno. Bela mudança de clima. Da frigideira da vida para o fogo do purgatório” (pg. 126); “... de fazer uma sesta dentro de uma cesta. Bobagem, não é? Cesta foi posto aí está claro por causa da sesta” (pg. 138); “Soa mais nobre que britânico ou brixtônico. As duas palavras como que sugerem gordura na grelha” (pg. 149); “A carne flácida do seu pescoço tremelicava como barbela de galo” (pg. 155); “Deus quer vítima cruenta. Nascimento, hímen, martírio, guerra, fundação de um edifício, sacrifício, flamofertório de rim, altares de druidas” (pg. 170-171); “Tudo à Mateu, primeiro eu” (pg. 171); “Foi uma freira dizque que inventou o arame farpado” (pg. 175); “Baboseira para embasbacar bobocas” (pg. 183); “Jejum do Yom Kippur limpeza da primavera do de dentro. A paz e a guerra dependem da digestão de algum sujeito. Religiões. Perus e gansos de Natal. Matança dos inocentes. Comer, beber e alegrar-se. Então é o pronto-socorro cheio depois. Cabeças atadas. O queijo digere tudo menos a si mesmo. Queijo poderoso” (pg. 195); “Deus fez o de comer, o diabo o como comer. Siri ‘á la diable’ ” (pg. 195); “E nós a empanturrar comida num buraco com outro atrás: comida, quilo, sangue, esterco, terra, comida: ter de alimentar-se como se atiça locomotiva” (pg. 200); “Dizem que ele dava sopa às crianças pobres para fazê-las protestantes na época da crise de batatas” (sobre o Reverendo Thomas Connellan, pg. 205); “Peter Piper picou um pito da pica de pico de picante pimenta” (pg. 218); “Cuidado com o que queres na juventude, pois o terás na maturidade” (citando Goethe, pg. 223); “meu reino por um trago” (pg. 241); “Depois de Deus, Shakespeare foi quem mais criou” (pg. 242); “arreganhou num sorriso sua grossa nigribeiçola” (pg. 253). Os personagens de “Ulysses” gostam muito de “caldeirada de carne do Egito”, frase repetida muitas vezes no livro. Seria uma sopa de camelo?

Há admiradores e severos críticos de Joyce. Segundo Alfred Noyes, “Ulysses” “é simplesmente o livro mais imundo já publicado”. Yeats, porém, disse que era “indubitavelmente a prosa mais reveladora de gênio já escrita desde a morte de Synge”. T. S. Eliot declarou: “Mediante o mito, mediante o emprego contínuo de paralelos entre o contemporâneo e o antigo, Joyce emprega um método que muitos outros utilizarão depois dele. É um modo simples de abordar, ordenar, de dar forma e significação ao imenso panorama de trivialidade e anarquia que é a história contemporânea” (pg. 1093). L. A. G. Strong escreveu: “Para apreciar a obra de Joyce de modo completo, os críticos precisariam saber tudo o que Joyce sabia” (pg. 1098).


Para sobreviver, Joyce recebia a ajuda de amigos e anônimos. A maior parte do dinheiro recebido se destinava ao tratamento de sua filha Lucy, internada num sanatório, com problemas do sistema nervoso. No final da vida, começou a ficar cego e viu-se obrigado a escrever seus trabalhos em milhares de folhas grandes, com letras enormes. Joyce morreu em Zurique, no dia 13 de janeiro de 1941, depois de ser operado de uma úlcera maligna no duodeno.


Marx, Darwin, Freud, Proust, Joyce e Einstein foram os principais “demolidores do século XIX”. O mundo moderno começou em 29 de maio de 1919, quando fotografias de um eclipse solar obtidas na ilha de Príncipe, na costa oeste africana, e em Sobral, no Brasil, confirmaram a Teoria da Relatividade Geral, de Einstein. “No princípio dos anos 20 surgiu uma crença, pela primeira vez em nível popular, de que não mais havia quaisquer absolutos: de tempo e espaço, de bem e mal, de conhecimento, sobretudo de valores. Erroneamente a relatividade se confundiu com relativismo, sem que nada pudesse evitá-lo” (“Tempos Modernos”, pg. 3). Não há dúvida de que esse relativismo, de vários aspectos - o relativismo moral de Freud, o relativismo econômico de Marx, o relativismo literário de Joyce e o relativismo temporal de Einstein -, colocou o mundo moderno às avessas.

Paulo Francis estava errado. “Ulysses” não é uma obra “desnecessária”. Ela iniciou uma revolução na literatura, abraçada por escritores do naipe de Virgina Woolf, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Com Joyce, qualquer simples mortal se torna um herói homérico, não em luta contra monstros, deuses e sereias hipnóticas, mas na eterna luta pela vida, na trivialidade do dia a dia de um executivo ou de um simples operário. Que pode ser resumido nos oitenta mundos percorridos em um único dia, como Mr. Bloom, descrito magistralmente por James Joyce.


Bibliografia consultada:


1. “ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA DO BRASIL PUBLICAÇÕES LTDA”. MIRADOR, Volume 12. São Paulo e Rio de Janeiro, 1992.

2. JOYCE, James. “Ulysses”. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1966. Tradução de Antônio Houaiss.

3. JOHNSON, Paul. “Tempos Modernos - O mundo dos anos 20 aos 80”. Biblioteca do Exército e Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1994.

4. “Os forjadores do mundo moderno”, 5º volume. Editora Fulgor, São Paulo, 1962 (direção de José Severo de Camargo Pereira, da USP). Tradução de João Neves dos Santos e Cecília Thompson.

5. Revista Istoé nº 1865, de 13/07/2005. Luiz Chagas, in “Na pista de Joyce”.