E
se Machado de Assis e Eça de Queiroz se reencontrassem no Purgatório para
acertar antigas contas literárias? E se um rei do imaginário Brasilistão
governasse um país onde a sátira supera o absurdo? E se a geopolítica mundial
fosse decidida numa mesa de pôquer entre um presidente de topete dourado e um
musculoso czar do Kremlin? E se o Velho do Rio do Peixe anunciasse enchentes e
espalhasse pinhões nas matas, junto com gralhas azuis? E se o fantasma da Noiva
de Luzerna continuasse assustando as pessoas? E se um filósofo andarilho,
acompanhado por um quero-quero, espalhasse aforismos missioneiros no Alto
Uruguai capazes de desmontar qualquer certeza?
Essas
e outras situações improváveis compõem Contos Fantásticos, uma
coletânea em que a imaginação rompe as fronteiras do tempo, da História e da
realidade para construir um universo de humor, ironia e fantasia.
Misturando
personagens históricos, figuras contemporâneas, tipos populares e
acontecimentos políticos com situações completamente inverossímeis, o autor
cria uma narrativa que dialoga com a tradição da sátira literária de autores
como Machado de Assis, Eça de Queiroz, Swift, Voltaire e Stanislaw Ponte Preta,
mas com forte sabor brasileiro e, muitas vezes, gaúcho à la Luís Fernando
Veríssimo.
Neste
livro, o fantástico não nasce de dragões, magos ou castelos encantados. Surge
daquilo que parece impossível, mas que, por vezes, se torna mais verossímil do
que a própria realidade. O leitor encontrará filósofos de fronteira,
ministérios dedicados à flatulência, reinos tropicais governados por monarcas
caricatos, escritores mortos debatendo plágio diante da eternidade, veteranos
despertando para um país irreconhecível e líderes mundiais transformados em
personagens de uma tragicomédia universal.
A
cada conto, o autor combina referências eruditas e cultura popular, filosofia e
anedota, história e imaginação, conduzindo o leitor por narrativas em que a
ironia é constante e o riso frequentemente esconde uma reflexão sobre o poder,
a vaidade humana, a literatura, a política e os costumes.
Sem
compromisso com o politicamente correto e fiel à tradição da caricatura e da
crônica satírica, Contos Fantásticos convida o leitor a rir do
mundo — e de si mesmo. Afinal, quando a realidade parece desafiar diariamente a
lógica, talvez a fantasia seja apenas a maneira mais honesta de descrevê-la.
Uma obra para quem aprecia o humor inteligente, a crítica bem-humorada e a liberdade criativa, lembrando que, muitas vezes, o impossível apenas aguarda a próxima página para acontecer.
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