MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A USP e o riso da hiena - Por Félix Maier

 


A USP e o riso da hiena

Félix Maier

        A Universidade Socialista Populista (USP) — chamemo-la assim por um momento —, em apenas uma semana conseguiu se superar em duas oportunidades: uma violência feroz contra conservadores promovida pela esquerda, quando lembrava os três anos do vandalismo ocorrido nas sedes dos Três Poderes, em Brasília (9/1/2023); e um discurso proferido durante a colação de grau de alunos de Direito por um togado que não conseguiu conter seu riso de hiena depois de ter mandado, horas antes, o Presidente Jair Messias Bolsonaro para a Papudinha, em 15/01/2026.

        A Faculdade de Direito da USP já teve dias melhores. Formou vários presidentes do Brasil, como Washington Luís, Afonso Pena, Campos Salles, Jânio Quadros, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer. Também formou escritores de renome, como Castro Alves, Menotti del Picchia, Monteiro Lobato, José de Alencar, Lygia Fagundes Telles, políticos e juristas como Ulysses Guimarães, José Serra, Miguel Reale, e nomes da mídia e das artes, como Paulo Autran, Marcos Caruso, Caio Blat.

        É muito natural que os formandos tenham um carinho especial pela alma mater studiorum, como a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde foram beber os saberes que levariam para o resto de suas vidas, alguns até se tornando milionários. Porém, são poucos os ex-alunos que ajudam financeiramente a entidade, como é comum ocorrer nos EUA.

Eu tive um tio materno, Arno Preis, que se formou em Direito na USP nos anos 1960. Muito inteligente, poliglota, tio Arno queria ser embaixador. Porém, o fervor esquerdista na alma mater o atingiu em cheio, como muitos de seus colegas, hipnotizados pela figura de Che Guevara, bandeando-se para o terrorismo da Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella e depois para o Movimento de Libertação Popular (Molipo), criado com ajuda do serviço secreto de Cuba. Em 1972, Arno morreu em confronto com a polícia, depois de matar um soldado e ferir outro.

        Uma universidade deveria ser, antes de tudo, um espaço de liberdade intelectual e respeito à diversidade de ideias. Seu compromisso maior precisa ser com o estudo profundo, rigoroso e honesto dos temas relevantes para a sociedade, sem dogmas nem verdades pré-fabricadas. O debate acadêmico deve estimular o confronto de argumentos, não a rotulação automática de quem pensa diferente.

Em vez de arenas de disputa ideológica, as universidades deveriam ser ambientes de escuta, reflexão e produção de conhecimento. A intimidação, as ameaças e qualquer forma de violência são incompatíveis com a vida acadêmica. Quando uma única corrente tenta se impor como pensamento único — que é o caso brasileiro, onde predomina o viés esquerdista —, empobrece-se o ensino e sufoca-se a pesquisa. O pluralismo é a essência da ciência e das humanidades. Sem ele, a universidade abdica de sua vocação crítica e se distancia de sua missão fundamental: formar pessoas capazes de pensar com autonomia, dialogar com maturidade e buscar a verdade sem medo.

Nesse sentido, foi muito triste ver os episódios de intolerância da claque esquerdista da USP contra conservadores, ocorridos no dia 8 de janeiro, quando falsos democratas comemoravam a vitória da democracia tendo por base um fato lamentável — o bando de baderneiros que quebrou os palácios dos Três Poderes há três anos, e que teriam perpetrado uma tentativa de golpe de Estado. Qualificar aqueles atos insanos como um atentado contra o Estado Democrático de Direito é coisa de idiota completo ou de patife assumido, pois não houve nenhum tipo de perigo de ruptura política, não houve força armada na rua, nem tanques, nem tiros. Anteriormente, houve pelo menos cinco depredações semelhantes, praticadas por manifestantes da extrema esquerda, com ataques à Câmara dos Deputados e ao Itamaraty, inclusive com o incêndio de três ministérios. Por que, na época, ninguém foi acusado de atentar contra a democracia? Porque a extrema esquerda faz parte do pavoroso Sistema Toga Petralha, que é o aparelhamento petista de todos os órgãos públicos, cópia fiel da ditadura venezuelana.

O episódio em que um ministro do STF faz chacota pública envolvendo Jair Bolsonaro, com risos indecorosos de uma hiena em êxtase — Mas eu me contive hoje, né. Acho que hoje eu já fiz o que eu tinha que fazer —, expõe uma face sombria de quem deveria personificar sobriedade e humanidade. Independentemente de divergências políticas, rir de um homem idoso e doente, fragilizado depois de sofrer um atentado político a facada, seguido de pelo menos oito cirurgias, é ultrapassar o limite da desavença e entrar no terreno da desumanização. Pior de tudo: Bolsonaro foi condenado por um golpe  que nunca existiu.  

Justiça não combina com escárnio, muito menos com prazer exibido no sofrimento alheio. Mais alarmante ainda foi ver formandos de Direito aplaudirem a cena, como se o deboche fosse virtude cívica. A universidade, que deveria formar juristas, passou a celebrar militantes histéricos da extrema esquerda. Quando o riso substitui o argumento e a intolerância vira método, algo apodrece na formação jurídica.

Que tipo de causídico nasce desse caldo ideológico, em que o adversário é inimigo a ser destruído e a dignidade humana é jogada na latrina? Se esse é o berço dos novos juristas, o amanhã não será regido por leis, mas por ressentimento, censura e perseguição.

Se a USP, tida como a melhor universidade do país, permite — ou pior, incentiva — cenas de intolerância, deboche e desumanização entre futuros causídicos, o diagnóstico do ensino jurídico nacional torna-se alarmante. Quando o topo da pirâmide acadêmica normaliza o escárnio e substitui o pensamento crítico por militância ruidosa, o que esperar das demais instituições, muitas já precarizadas intelectual e moralmente?

Se na elite do ensino se aplaude o desprezo pelo outro, nas demais o risco é também a completa dissolução da ética profissional. Nem é preciso falar das piores universidades: o exemplo do modelo já basta para revelar o abismo que se abre diante do Direito brasileiro.   


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