A USP e o riso da hiena
Félix
Maier
A Universidade Socialista Populista (USP) —
chamemo-la assim por um momento —, em apenas uma semana conseguiu se superar em
duas oportunidades: uma violência feroz contra conservadores promovida pela esquerda, quando
lembrava os três anos do vandalismo ocorrido nas sedes dos Três Poderes, em
Brasília (9/1/2023); e um discurso proferido durante a colação de grau de
alunos de Direito por um togado que não conseguiu conter seu riso de hiena depois
de ter mandado, horas antes, o Presidente Jair Messias Bolsonaro para a
Papudinha, em 15/01/2026.
A Faculdade de Direito da USP já teve dias melhores. Formou
vários presidentes do Brasil, como Washington Luís, Afonso Pena, Campos Salles,
Jânio Quadros, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer. Também formou
escritores de renome, como Castro Alves, Menotti del Picchia, Monteiro Lobato,
José de Alencar, Lygia Fagundes Telles, políticos e juristas como Ulysses
Guimarães, José Serra, Miguel Reale, e nomes da mídia e das artes, como Paulo
Autran, Marcos Caruso, Caio Blat.
É muito natural que os formandos tenham um carinho especial
pela alma mater studiorum, como a Faculdade de Direito do Largo de São
Francisco, em São Paulo, onde foram beber os saberes que levariam para o resto
de suas vidas, alguns até se tornando milionários. Porém, são poucos os
ex-alunos que ajudam financeiramente a entidade, como é comum ocorrer nos EUA.
Eu
tive um tio materno, Arno
Preis, que se formou em Direito na USP nos anos 1960. Muito
inteligente, poliglota, tio Arno queria ser embaixador. Porém, o fervor
esquerdista na alma mater o atingiu em cheio, como muitos de seus
colegas, hipnotizados pela figura de Che Guevara, bandeando-se para o
terrorismo da Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella e depois
para o Movimento de Libertação Popular (Molipo),
criado com ajuda do serviço secreto de Cuba. Em 1972, Arno morreu em confronto
com a polícia, depois de matar um soldado e ferir outro.
Uma universidade deveria ser, antes de tudo, um espaço de
liberdade intelectual e respeito à diversidade de ideias. Seu compromisso maior
precisa ser com o estudo profundo, rigoroso e honesto dos temas relevantes para
a sociedade, sem dogmas nem verdades pré-fabricadas. O debate acadêmico deve
estimular o confronto de argumentos, não a rotulação automática de quem pensa
diferente.
Em
vez de arenas de disputa ideológica, as universidades deveriam ser ambientes de
escuta, reflexão e produção de conhecimento. A intimidação, as ameaças e
qualquer forma de violência são incompatíveis com a vida acadêmica. Quando
uma única corrente tenta se impor como pensamento único — que é o caso
brasileiro, onde predomina o viés esquerdista —, empobrece-se o ensino e
sufoca-se a pesquisa. O pluralismo é a essência da ciência e das humanidades.
Sem ele, a universidade abdica de sua vocação crítica e se distancia de sua
missão fundamental: formar pessoas capazes de pensar com autonomia, dialogar
com maturidade e buscar a verdade sem medo.
Nesse
sentido, foi muito triste ver os episódios de intolerância da claque
esquerdista da USP contra conservadores, ocorridos no dia 8 de janeiro, quando
falsos democratas comemoravam a vitória da democracia tendo por base um
fato lamentável — o bando de baderneiros que quebrou os palácios dos Três Poderes
há três anos, e que teriam perpetrado uma tentativa de golpe de Estado.
Qualificar aqueles atos insanos como um atentado contra o Estado Democrático de
Direito é coisa de idiota completo ou de patife assumido, pois não houve nenhum
tipo de perigo de ruptura política, não houve força armada na rua, nem tanques,
nem tiros. Anteriormente, houve pelo menos cinco depredações semelhantes,
praticadas por manifestantes da extrema esquerda, com ataques à Câmara
dos Deputados e ao Itamaraty,
inclusive com o incêndio de três ministérios. Por que,
na época, ninguém foi acusado de atentar contra a democracia? Porque a extrema
esquerda faz parte do pavoroso Sistema
Toga Petralha, que é o aparelhamento petista de todos os órgãos públicos, cópia fiel da ditadura venezuelana.
O
episódio em que um ministro do STF faz chacota pública envolvendo Jair
Bolsonaro, com risos indecorosos de uma hiena em
êxtase — Mas eu me contive hoje, né. Acho que hoje eu já fiz o
que eu tinha que fazer —, expõe uma face sombria de quem deveria
personificar sobriedade e humanidade. Independentemente de divergências
políticas, rir de um homem idoso e doente, fragilizado depois de sofrer um
atentado político a facada, seguido de pelo menos oito cirurgias, é ultrapassar
o limite da desavença e entrar no terreno da desumanização. Pior de tudo:
Bolsonaro foi condenado por um golpe
que nunca existiu.
Justiça
não combina com escárnio, muito menos com prazer exibido no sofrimento alheio.
Mais alarmante ainda foi ver formandos de Direito aplaudirem a cena, como se o
deboche fosse virtude cívica. A universidade, que deveria formar juristas, passou
a celebrar militantes histéricos da extrema esquerda. Quando o riso substitui o
argumento e a intolerância vira método, algo apodrece na formação jurídica.
Que
tipo de causídico nasce desse caldo ideológico, em que o adversário é inimigo a
ser destruído e a dignidade humana é jogada na latrina? Se esse é o berço dos
novos juristas, o amanhã não será regido por leis, mas por ressentimento,
censura e perseguição.
Se a
USP, tida como a melhor universidade do país, permite — ou pior, incentiva —
cenas de intolerância, deboche e desumanização entre futuros causídicos, o
diagnóstico do ensino jurídico nacional torna-se alarmante. Quando o topo da
pirâmide acadêmica normaliza o escárnio e substitui o pensamento crítico por
militância ruidosa, o que esperar das demais instituições, muitas já
precarizadas intelectual e moralmente?
Se
na elite do ensino se aplaude o desprezo pelo outro, nas demais o risco é
também a completa dissolução da ética profissional. Nem é preciso falar das
piores universidades: o exemplo do modelo já basta para revelar o abismo
que se abre diante do Direito brasileiro.

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