MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

As ossadas do Cemitário de Perus e a grande farsa de Caco Barcellos - Por vários autores

 

Mário Kozel Filho foi assassinado pelo grupo terrorista VPR, 
de Carlos Lamarca, do qual Dilma Rousseff era membro importante.

Preâmbulo

Ontem, dia 26 de junho de 2016 (mesmo dia 26 de junho em que o soldado Kozel foi assassinado pelo bando terrorista de Dilma Rousseff, em 1968), o Fantástico requentou notícia de jornal velho, voltando a difundir a mentira de que a "repressão militar" matou milhares de "opositores políticos", cujas ossadas teriam sido enterradas clandestinamente no Cemitério de Perus, em São Paulo. Faz parte da esquerda terrorista distorcer a história recente do Brasil, de modo a diabolizar os militares que combateram a peste vermelha.

F. Maier


Leia matéria completa
no livro

Matéria pesquisada por Maria Joseita Silva Brilhante Ustra

Fontes: 

- livro A Verdade Sufocada de Carlos Alberto Brilhante Ustra - https://pt.scribd.com/document/631698486/A-verdade-Sufocada-Ustra-pdf


Os militantes das organizações terroristas, quando entravam na clandestinidade, abandonavam a família, os estudos, os amigos, a profissão e até o próprio nome. Tudo passava a fazer parte do seu passado. Para viver na clandestinidade, necessitavam de nova história de vida, de novos amigos, de novo nome, de nova identidade. Para isso não hesitavam em fraudar a lei. 

Nesse sentido, o mais comum era obterem uma nova certidão de nascimento, com o nome que passariam a usar. Com essa certidão compareciam a um serviço de identificação do governo, onde eram identificados e de onde saíam com uma nova carteira de identidade, legítima e válida para todos os efeitos legais. A partir desse momento, por meios criminosos, oficialmente passavam a ser outra pessoa. 

Outro procedimento era receberem do Serviço de Inteligência da organização identidades falsas. As cédulas das carteiras de identidade, em branco, eram conseguidas nos assaltos aos Postos de Identificação do governo e as certidões de nascimento, em branco, também eram obtidas em assaltos aos Cartórios de Registro.

Assim agindo, evitavam ser reconhecidos e presos caso procurassem um posto de identificação policial. Só os Serviços de Informações possuíam fotos, geralmente desatualizadas, dos principais militantes das organizações terroristas. Caso um militante, usando uma identidade com o nome diferente do seu, morresse num acidente, dificilmente seria reconhecido pelas autoridades policiais que atendessem a ocorrência.

Quando, porém, entre os documentos apreendidos em poder do morto era encontrado material subversivo, armas, bombas, etc, o DOPS ou o DOI (no caso de São Paulo) eram informados. 

Quando um terrorista, usando uma identidade obtida de modo criminoso, morria em combate, tínhamos que seguir os procedimentos normais para sepultá-lo.

Como seu nome não constava na nossa relação de terroristas procurados, ficávamos na dúvida, mas tínhamos a certeza de que, normalmente, por medida de segurança, eles trocavam suas identidades. Começava, então, o nosso trabalho em saber quem ele era na realidade.

Às vezes, pela fotografia, um companheiro de militância o reconhecia. Outras vezes, pesquisando no álbum de fotografias, por semelhança, obtínhamos seu nome verdadeiro.

Obrigatoriamente, eram tiradas as impressões digitais pelas autoridades policiais encarregadas do sepultamento e comparadas com as da carteira de identidade que portava. Confirmado que eram idênticas, o sepultamento era feito com o nome constante na carteira.

Suas impressões digitais eram enviadas aos Serviços de Identificação para que suas fichas datiloscópicas fossem comparadas e o verdadeiro nome oficialmente identificado. Isso demandava tempo.

No inquérito policial, aberto para apurar a morte, essa situação da dupla identidade era declarada, mas só a Justiça poderia fazer o morto voltar à sua primeira identidade.

Normalmente, as famílias nem sabiam de seu falecimento, apesar de noticiados em jornais, pois desconheciam os seus paradeiros. O morto era enterrado numa cova rasa, mas com a exata localização no cemitério. A qualquer momento, a sepultura poderia ser encontrada. Não era, portanto, sepultamento clandestino.

Em São Paulo, a maioria dos terroristas mortos em combate foi sepultada no Cemitério Dom Bosco, no bairro Perus.

Passado o prazo legal, que penso ser de cinco anos, como acontece em todos os cemitérios do País, se a família não retirasse os restos mortais e os colocasse num nicho ou em um jazigo, eles seriam exumados e enterrados numa vala comum, juntamente com as ossadas de outras pessoas que se encontrassem na mesma situação.

A esquerda, dentro do quadro de revanchismo a que se impôs, explora essa situação e acusa as autoridades de enterrar os “presos políticos” em cemitérios clandestinos e com nomes falsos.

Em 1990, Luiza Erundina, então prefeita de São Paulo pelo PT, com a força do seu cargo, ajudou a esquerda nesse processo de “denúncias”, criando a Comissão Especial de Investigações das Ossadas de Perus.

Em 4 de setembro daquele ano, a prefeitura de São Paulo abriu com grande estardalhaço, com manchetes e mais manchetes na mídia, a Vala de Perus, localizada no Cemitério Dom Bosco, na periferia da cidade, onde estavam enterradas 1.049 ossadas de indigentes e, possivelmente, de alguns terroristas.

Segundo a ONG Tortura Nunca Mais, foram 358 os mortos e desaparecidos em todo o Brasil e no exterior, incluídos os do Araguaia, os que se suicidaram, os que faleceram em acidentes de carro, os mortos em passeatas e arruaças. Já Nilmário Miranda, em seu livro Dos filhos deste solo, aponta 420 mortos, dos quais 23, segundo ele, não têm motivação política e um dos “mortos”, Wlademiro Jorge Filho, está vivo (página 468 do seu livro). O número portanto cai para 396 mortos.

De onde esse Serviço Funerário da Prefeitura, na época de Marta Suplicy do PT, tirou os mais de mil militantes políticos, enterrados na Vala de Perus?

Segundo a matéria, nenhum terrorista foi morto em combate com os órgãos de segurança, todos foram assassinados, e a vala comum, que sempre existiu, passou a ser clandestina.


- Em 1973, a família dos irmãos Yuri e Alex de Paula Xavier Pereira descobriu ue Yuri estava enterrado no Cemitério de Perus. Procurando o administrador do cemitério, localizou no livro de registros o sepultamento de João Maria Freitas, nome falso usado por Alex.
- Em junho de 1979, alguns familiares foram ao Cemitério de Perus e localizaram outros militantes mortos, sob identidade falsa, como Gelson Reicher, enterrado com o nome de Emiliano Sessa, e Luís Eurico Tejera Lisboa, enterrado como Nelson Bueno.
- Em 1992, foram identificados na Vala de Perus Denis Antônio Casemiro,  considerado desaparecido, e Frederico Eduardo Mayr.
- No Cemitério de Perus foram identificados três esqueletos em covas individuais, como sendo de Helber José Gomes Goulart, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones.
- No mesmo cemitério foram identificados os esqueletos das covas onde estavam enterrados Hiroaki Torigoe e Luís José da Cunha. Seus ossos foram retirados e enviados para o DML/UNICAMP.
A respeito do que está publicado nesse site, podemos acrescentar que:
- Denis Antônio Casemiro não é desaparecido. Segundo o livro de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio, foi enterrado com o verdadeiro nome.
- Hiroaki Torigoe faleceu em 05/01/72. Sua morte foi publicada no dia  seguinte no jornal O Estado de S. Paulo, onde consta o seu verdadeiro nome.
Apesar de se saber, através de fotografias, o nome de nascimento, foi enterrado com o nome dos documentos que portava ao morrer: Massamiro Nakamura.
Torigoe só foi identificado oficialmente depois de prolongada busca nos órgãos de identificação para a comparação das suas impressões digitais.
- Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher morreram no dia 20/01/1972, em tiroteio com uma equipe do DOI, após terem abatido a tiros de
metralhadora o cabo Sylas Bispo Feche, desta equipe. As suas mortes foram tornadas públicas dois dias depois, em matéria do jornal O Estado de S. Paulo, onde constam seus nomes verdadeiros. Foram sepultados com os nomes constantes nos documentos que usavam ao morrer, João Maria Freitas (Alex) e Emiliano Sessa (Gerson). Em novembro de 1980, a família de Alex retirou do Cemitério de Perus os restos mortais dos dois irmãos, Yuri e Alex, e os sepultou no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro.
A família de Gelson Reicher, após exumar seu corpo no Cemitério de Perus, o sepultou no Cemitério Israelita. 

Comentários 

01 Félix Maier 12-04-2013 10:20
Depoimento do general Negrão Torres:

“O número de enterrados tem variado de milhares ou de centenas até a umas poucas dezenas de ‘assassinados’. O Correio Braziliense, de 20/12/02, publicou em seu caderno Coisas da vida, que pesquisadores brasileiros e ingleses começarão a examinar os ‘corpos de 1.200 desaparecidos durante a ditadura militar’ que estão sepultados no cemitério de Perus. O Grupo Tortura Nunca Mais diz que são 184 os mortos e 136 os desaparecidos na ‘luta contra a ditadura’. Desses 136 desaparecidos, 53 teriam sido durante a guerrilha do Araguaia, em plena floresta amazônica. Portanto, restariam 83 corpos de desaparecidos para o restante do Brasil, inclusive para o cemitério de Perus que, por sinal, nunca foi clandestino" (Gen Div Raymundo Maximiano Negrão Torres - História Oral do Exército - 1964, Tomo 14, pg. 84-85).
 

***

José Luis Sávio Costa é coronel reformado do Exército. Foi Oficial de Inteligência e, por um tempo, articulista do site Mídia Sem Máscara, criado pelo professor, escritor, filósofo e pensador brasileiro Olavo de Carvalho.

Por seu trabalho de desinformação e mentiras sobre o Cemitério de Perus, Caco Barcellos recebeu os prêmios Embratel e Líbero Badaró. 

É assim que a História do Brasil é contada todo dia, principalmente em nossas escolas. 

É assim que a História do Brasil será deturpada pela Comissão Nacional da Verdade, o Pravda tupiniquim. Pravda, em russo, significa "verdade"...

F. Maier 


A Grande Farsa de Caco Barcellos 

por José Luís Sávio Costa

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/05/a-grande-farsa-de-caco-barcellos-por.html


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

República Federativa do Bandido - Por Félix Maier


República Federativa do Bandido

Félix Maier

Dizem que o Brasil é a pátria do futebol, do carnaval e da alegria. Tolice. Nosso verdadeiro esporte nacional é a anulação de provas, praticada com habilidade olímpica por quem deveria zelar pela Justiça.

Na mais recente modalidade, batizada de toffolice aquática, assistimos ao mergulho profundo nas águas turvas da Lava Jato. Ali, documentos, delações, bilhões desviados e até confissões explícitas desapareceram como mágica. Não há cadáver, não há arma do crime, não há crime: apenas um imenso mal-entendido tropical.

Na República Federativa do Bandido, empreiteiro não rouba, político não recebe propina e operador não lava dinheiro. Tudo foi apenas fruto da imaginação fértil de procuradores enlouquecidos e juízes sedentos por manchetes. O departamento de propinas da Odebrecht, por exemplo, virou lenda urbana, como mula-sem-cabeça ou lobisomem: todos ouviram falar, mas ninguém conseguiu provar ao togado relator da vez, guardião oficial da inocência dos culpados. Para o antigo advogado do PT e do Ogro de Nove Dedos, o que houve foi apenas o devaneio de procuradores mal-intencionados, como Deltan Dallagnol, e de um juiz em busca de holofote, Sérgio Moro.

E, assim, com um só despacho, o país se converte em arquipélago da impunidade. Enquanto o cidadão comum se desespera com imposto, fila no hospital sem vacina e sem gaze, e ônibus lotado como sardinha em lata, o andar de cima brinda em taças de cristal a nova era da “justiça garantista”: garante-se a liberdade dos de cima, e apenas deles.

Talvez este seja o nosso destino: não seremos conhecidos pela Amazônia, pelo futebol ou pela bossa nova, mas pelo engenho jurídico de transformar corruptos confessos em vítimas da história. Aqui, a memória é anulada, os crimes evaporam, e a corrupção se recicla em erro processual.

Que ninguém se iluda: a República Federativa do Bandido é próspera e generosa com seus súditos privilegiados. E, enquanto isso, nós, os manés, os trouxas contribuintes, seguimos financiando a festa — sem direito a habeas corpus.

Na República Federativa do Bandido, já não se fala mais de futebol, tampouco de novela. O assunto agora é a mágica tropical: transformar ladrão em inocente. No Brasil, basta uma toga, uma caneta e um despacho coreografado para absolver bandido.

O Brasil já não é o país do futebol. É o país da anulação de provas. Aqui, a corrupção não prescreve: apenas se dissolve, elegante, em tinta de caneta. É uma autêntica República Federativa do Bandido, já cantado em versos por Moacyr Franco.

E olha que nada falei sobre o maior golpe já visto no Brasil: em 15 de abril de 2021, oito togados do Instituto Lula (antigo STF) descondenaram um criminoso que havia sido condenado em três instâncias, por unanimidade, para voltar à cena do crime pela terceira vez.

Se alguém reclamar, vai ouvir um Supremo Togado dizer, com cara torta de nojo:

— Perdeu, mané, não amola! Derrotamos o bolsonarismo!

E olha que nada eu disse sobre a encrenca deixada pelo Banco Master, envolvendo figurões dos Três Poderes da República Federativa do Bandido...


P. S.

Ouça o hit de Moacyr Franco, República Federativa do Bandido, em https://www.facebook.com/watch/?v=2102427163319851





terça-feira, 20 de janeiro de 2026

2 de julho: A manifestação roubada - Por Félix Maier

 

2 de julho:

A manifestação roubada

 Félix Maier

A campanha do Ogro de Nove Dedos para presidente, naquele ano de 2022, estava tão ansiosa por multidões quanto criança por algodão doce. Faltava apenas o doce e, em alguns casos, a criança.

Por sorte (ou oportunismo, dependendo do observador), havia em Salvador o tradicional desfile do 2 de Julho, celebração da expulsão definitiva dos lusos em 1823, festa tão consolidada na cidade quanto a maresia, o bolinho de estudante, o acarajé e a punheta de bacalhau.

Os Asseclas — a equipe de marqueteiros do Ogro — tiveram a brilhante ideia de enfiar o candidato, clandestinamente, naquela multidão, de modo a sugerir que ele era o motivo da festa. Durante a marcha cívica, o Ogro olhou para aquele mar humano e, enquanto dava uma lapada na batida de umbu com cachaça, lhe veio a epifania: O povo me ama! Era apenas o povo celebrando sua própria história, mas detalhes nunca foram obstáculos para quem vive de narrativas.

Os Asseclas, oxente! vibravam com qualquer aglomeração que pudesse ser convertida em capital político. A foto do 2 de Julho em Salvador caiu no colo deles como um presente dos deuses do marketing.

Reunidos em seu bunker refrigerado, que fica no porão do Palácio do Planalto, onde criam fake news contra os adversários políticos enquanto comem pão com mortadela, os Asseclas analisam a foto do desfile da Independência Baiana. Gente de todo tipo: crianças felizes, idosos cansados, vendedores ambulantes, turistas confusos, foliões acalorados. Para qualquer pessoa razoável, era a celebração anual da Bahia. Para os Asseclas, era prova incontestável de que o magnetismo político de seu chefe alterava o fluxo gravitacional das massas.

Está boa a foto, mas podia ter mais gente, decretou o Assecla-Chefe, com a frieza de quem não briga com a realidade, apenas a edita. O motoboy Tiquinho, a consciência remanescente do grupo, tentou murmurar algo sobre honestidade visual, mas foi abafado por cliques, colagens e duplicações.

Começou o milagre. Não o da fé, mas o do Photoshop. Clonaram o sujeito de camisa verde e o transformaram em dois, depois em quatro, cinco, sete. Um sujeito alto, com o turbante típico dos Filhos de Gandhy, tinha o poder da bilocação, da trilocação. Uma baiana típica, com saia rodada, torço, guias e balangandãs, tornou-se uma matrioska humana, multiplicada por nove. Um rapaz olhando o celular estava em todos os cantos. Os Asseclas trabalhavam com fervor quase religioso, como monges copistas da Idade Média, exceto que, em vez de preservar textos sagrados, fabricavam devotos imaginários.

Quando mostraram a imagem ao Ogro, ele abriu um sorriso tão largo que parecia disposto a engolir o Pelourinho de uma vez.

Olha isso! O povo vem atrás de mim! declarou ele, com a convicção de quem jamais deixou a realidade atrapalhar a própria fé. Tecnicamente, eles não estão vindo atrás do senhor… tentou explicar Tiquinho, um rapaz mais chato que a Heloisa Helena. Mas o Ogro o ignorou com elegância autoritária. A imagem servia ao propósito. Logo, a imagem era verdadeira. Simples assim.

No dia seguinte, as redes sociais foram inundadas pela obra-prima: CARAVANA HISTÓRICA DO LÍDER ARRASTA MULTIDÃO EM SALVADOR! A postagem jorrou curtidas, corações, exclamações, até que a população começou a notar detalhes peculiares.

Ué, eu apareci quatro vezes, disse um. Minha prima apareceu duas vezes, disse outro. Eu estou ali… e ali… e ali… e ali de novo! espantou-se um terceiro, que passou a suspeitar que possuía irmãos gêmeos secretos, como uma família de matriuskas russas, ou então que tinha virado NPC — Personagem Não Jogável, de jogo mal programado.

Mas nada disso abalou o Ogro, que já tinha decorado o discurso: O povo sempre me acompanhou. Sempre me segue. Sempre soube. Eles me comemoram até quando não sabem, respondeu ele, num misto de misticismo e autoindulgência.

Petra Costa, a cineasta em busca de um novo script, que havia sido indicada ao Oscar por Democracia em Vertigem, arriscou dizer em sua passagem por Nova York: Que momento histórico do nosso Líder, mais fantástico que desfile na Sapucaí, sem notar que o país inteiro já percebia exatamente o contrário, e que a única vertigem ali era a dela, tentando encaixar a realidade num roteiro que ninguém mais acreditava.

Petra concluiu mais um documentário, Apocalipse nos Trópicos, tentando emplacar um terceiro prêmio no Festival de Cinema de Cuba e, quem sabe, passar as mãos num Oscar. Trata-se de um filme que mostra o avanço dos evangélicos no Brasil, levantando uma questão realmente apocalíptica: onde termina a democracia e começa uma teocracia?

Os Asseclas, percebendo a chuva de memes, convocaram uma reunião emergencial. Climatizaram a sala no porão do Palácio do Planalto até parecer um iglu emocional. Alguém sugeriu apagar a foto. Outro quis reforçar com mais clones: já que é para inventar, inventa direito!

O Ogro bateu na mesa e ordenou: Nada de apagar! Diz que é montagem dos adversários! no que Tiquinho, mais cândido que seminarista em puteiro, sussurrou: Mas… a montagem é nossa. O Ogro retrucou: Esse detalhe atrapalha quem? E, como sempre, detalhe atrapalha apenas quem presta atenção.

Os Asseclas continuaram defendendo a autenticidade da cena com a tranquilidade de quem acredita que, repetindo o suficiente, o absurdo ganha solidez — mas sem citar Joseph Goebbels. E, de fato, ganhou, ao menos entre aqueles que acham que questionar é perda de tempo e que pensar é atividade subversiva.

Meses depois, o povo já tinha superado o episódio, substituído por outras distrações mais frescas. A foto, no entanto, virou relíquia na sede da campanha petralha. Foi impressa em tamanho mural, com uma frase em letras garrafais: A MULTIDÃO É REAL PARA QUEM PRECISA DELA. Era o tipo de sabedoria que faz qualquer assessor de comunicação suspirar de orgulho e qualquer filósofo se jogar numa fogueira.

Tiquinho pediu demissão do trabalho de motoboy, especialmente levando Arguição de Descumprimento de Preceito Constitucional (ADPF) do PT e seus genéricos ao STF, num total de 411, para azucrinar a vida do Presidente Jair Messias Bolsonaro em seus 4 anos de bullying, e abriu uma barraca de água de coco. Hoje vive tranquilo, multiplicando apenas o número de canudinhos ecológicos.

Os Asseclas continuam por aí, tão produtivos quanto coelhos, ocupando cargos DAS com a pureza de quem nunca errou, em quarenta ministérios, porque, quando erram, dizem que é sacanagem da oposição, que é culpa do Bolsonaro.

O Ogro? Continua acreditando piamente que o povo o carregou nos braços naquele 2 de Julho. Às vezes, observa a foto com os olhos úmidos e comenta com nostalgia: Que dia lindo. Que mar humano. Que devoção espontânea. E todos ao seu redor concordam, porque contradizê-lo exige coragem, e coragem de bajuladores não se multiplica tão facilmente quanto figuras humanas.

Certo dia, mais inspirado que o usual, o Ogro murmurou: Um dia ainda lotarei as ruas… sem precisar copiar ninguém. Os Asseclas sorriram com devoção canina. Claro, chefe. Claro.

Mas lá no fundo, bem no fundo, torciam para que o Photoshop nunca deixasse de existir. Afinal, 2026 espia pela fresta do calendário, e o 2 de Julho, aquele velho palco de promessas recicladas, já afinava os tambores para mais uma entrada triunfal do Ogro, candidato a voltar à cena do crime pela quarta vez, como quem volta à padaria preferida.

O Assecla-Chefe estava pensando em utilizar a IA nas mídias do próximo ano, de modo a triplicar a manifestação soteropolitana, inclusive com alguns convidados ilustres virtuais, como Xi Jinping, Nicolás Maduro e líderes africanos e do Hamas, para aumentar o nível político da solenidade. Emmanuel Macron foi descartado pelo Ogro, por ter sido muito saliente com sua jovem esposa em várias ocasiões.

Porque, no íntimo mais abafado da malandragem, os Asseclas sabiam que só com uma avalanche de pixels patrióticos — hologramas de celebridades internacionais, militantes fabricados em série e uma claque digital obediente — o Ogro poderia enfim fingir que lotava as ruas que, na vida real, continuavam teimosamente vazias.


Sobre vachinas e jacarés - Por Félix Maier


Sobre vachinas e jacarés

Félix Maier
    Durante a pandemia da Covid-19, o “Imbroxável” Presidente da República e o Governador de São Paulo “BolsoDoria” discutiam para saber qual seria a melhor vacina a ser aplicada à população, se a CoronaVac do Butantã, subordinado ao Governo de São Paulo, se a AstraZeneca da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), subordinada ao Governo Federal.
    Era uma discussão boboca, igual adolescentes que no banheiro se exibem para ver quem tem o bilau mais comprido. O Presidente dizia que a CoronaVac era na verdade uma “vachina”, proveniente do país dos olhinhos puxados, que transformariam os vacinados em jacarés.
    Vários políticos que tinham sido eleitos na sombra do “Imbroxável”passaram a fazer campanha feroz contra ele, depois de empossados, como o Governador BolsoDoria e os deputados federais BolsoJoyce e BolsoFrota. Parece que a maldição do Presidente teve efeito: eles sumiram e viraram jacarés, como profetizado por Jair Messias Bolsonaro.
    Enquanto o jacaré BolsoDoria se esconde nos banhados da Flórida, para não perder o status de empresário ostentação à frente do LIDE - Grupo de Líderes Empresariais (para bancar vida boa de ministros do STF em NY), o jacaré BolsoFrota reveza suas atividades pornoaquáticas entre o charco de Nova Orleans e a água salgada do Golfo da América.
    E a jacaroa BolsoJoyce? Dizem que foi vista nas águas da Marginal Pinheiros, onde à noitinha se transforma em sereia para abocanhar incautos.





A saga dos presentes masculinos - Por Félix Maier

 


A SAGA DOS PRESENTES MASCULINO
S

Félix Maier

Houve um tempo — dizem os mais antigos, aqueles que ainda chamam ônibus de coletivo e trem de comboio — em que sair à rua era quase um ato solene. O homem não atravessava a esquina sem um terno bem passado, gravata firmemente apertada no colarinho e chapéu na cabeça, mesmo que o sol do Rio de Janeiro estivesse empenhado em derreter até pensamento filosófico. Quarenta graus à sombra e lá ia o cidadão, digno como um diplomata europeu em missão tropical, suando por dentro e sorrindo por fora.

As mulheres, por sua vez, desfilavam com vestidos coloridos e esvoaçantes, chapéus igualmente vistosos, parecendo carregar a primavera inteira sobre a cabeça. Era um mundo onde até o calor se respeitava: fazia-se sauna, mas com elegância.

Nesse contexto civilizado, os presentes de aniversário acompanhavam o figurino. Homem ganhava chapéu. Ou gravata, de preferência aquelas largas, linguarudas, capazes de disputar espaço com a barriga nas fotografias de família. Quando o presenteador se sentia especialmente ousado, vinha também um lenço. Não era qualquer lenço: era o lenço social, dobrado com esmero, destinado tanto a ocasiões de emoção quanto a emergências nasais. Servia para enxugar lágrimas, suor e, sobretudo, catar o catarro com discrição, antes de devolvê-lo ao bolso interno do paletó, onde repousava como um segredo de Estado.

O homem agradecia. Sempre agradecia. Ainda que já tivesse dezessete gravatas idênticas e chapéus suficientes para abrir uma chapelaria, ele sorria, apertava a mão do doador e dizia: Era exatamente o que eu precisava. E, de certo modo, era mesmo: precisava manter viva a tradição de fingir surpresa.

O tempo passou, como passam as modas e as boas maneiras. Os chapéus desapareceram das cabeças e migraram para filmes antigos e museus. As gravatas resistem heroicamente, mas apenas em ambientes corporativos, e mesmo assim sob ameaça constante. Hoje, só executivos — e olhe lá! — ainda se aventuram nesse ritual de estrangulamento voluntário chamado dress code.

As mulheres, libertas de espartilhos, combinações e cintos largos que as faziam ter cintura de vespa, passaram a circular mais à vontade. Às vezes, à vontade até demais, segundo a opinião de alguns senhores que ainda acreditam que o joelho feminino tem poder subversivo. O fato é que a rua se tornou informal, e os aniversários masculinos acompanharam essa tendência com uma crueldade silenciosa.

Porque, se antes o homem ganhava itens que ampliavam seu guarda-roupa, hoje ele ganhou algo muito mais prático, utilitário e, sobretudo, repetitivo: meias.

O primeiro par de meias vem quase com afeto. A pessoa entrega o pacote dizendo: Você vive reclamando que perde meias na máquina. O aniversariante sorri, agradece e pensa: É verdade.

No ano seguinte, outro par de meias. De algodão. Ou de lã. Ou daquelas tecnológicas, que prometem não dar chulé nem em maratona no Saara.

No terceiro aniversário consecutivo, mais meias. Aí o homem começa a desconfiar. Abre a gaveta e percebe que, se todas aquelas meias resolvessem se unir, dariam para calçar um batalhão do Exército.

Mas a vida segue, e os aniversários insistem em aparecer.

Até que um dia — ninguém sabe bem por quê — alguém decide que meias já não bastam. O presenteador quer inovar. Quer marcar época. Quer oferecer algo que represente confiança, parceria, talvez até um leve empurrão existencial.

E então surge a furadeira.

Não é uma furadeira qualquer. É um jogo completo. Furadeira, brocas de vários tamanhos, para furar concreto e madeira, maleta resistente, manual de instruções em cinco idiomas, nenhum deles no português claro. Ao entregar o presente, o doador diz, com um sorriso cheio de expectativas ocultas:

— Agora você vai poder pendurar aqueles quadros.

Que quadros?

Os quadros que o homem prometeu pendurar desde que se casou. Quadros que já passaram por três mudanças, dois apartamentos e uma tentativa frustrada de reforma. Quadros que vivem encostados atrás do guarda-roupa, cheios de teias de aranha, aguardando o dia em que deixarão de ser estorvo para se tornar decoração.

Munido da furadeira, o aniversariante sente algo novo: uma mistura de orgulho e medo. Ele liga o aparelho. O barulho é alto, agressivo, quase bélico. É o som da masculinidade moderna, cheio de testosterona, entrando em ação.

— Dá-lhe furar aqui — pensa ele.

— Dá-lhe furar acolá.

A parede resiste, a broca esquenta, o pó se espalha pelo chão como neve de reboco de gesso. A cada furo, cresce a sensação de vitória doméstica. Até que, de repente, acontece.

Um jato.

Primeiro tímido. Depois decidido. Em segundos, a parede da cozinha se transforma numa respeitável nascente de água. Não uma infiltração qualquer, mas uma fonte em plena atividade, digna de cartão-postal.

O homem congela. A furadeira cai no chão. O presente de aniversário, que simbolizava autonomia e competência, agora jorra culpa líquida.

Alguém grita. Alguém corre atrás do registro. Alguém pergunta por que ele foi mexer nisso logo hoje.

E assim, molhado até os joelhos, o aniversariante aprende uma lição eterna: certos presentes vêm carregados de expectativas perigosas. Meias não furam canos. Gravatas não provocam enchentes. Chapéus apenas esquentam a cabeça.

Talvez, no fundo, o presente ideal para o homem moderno fosse mesmo um par de meias. Ou dois. Ou três. Porque, entre ganhar algo que não se usa e ganhar algo que pode inundar a cozinha, é melhor ficar com os pés quentes e a casa seca.

E se alguém ainda quiser dar uma furadeira, que a acompanhe um encanador de plantão, devidamente avisado, experiente e sóbrio — e que seja ele, o encanador, o verdadeiro presente, embrulhado com um belo laço.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A USP e o riso da hiena - Por Félix Maier

 


A USP e o riso da hiena

Félix Maier

        A Universidade Socialista Populista (USP) — chamemo-la assim por um momento —, em apenas uma semana conseguiu se superar em duas oportunidades: uma violência feroz contra conservadores promovida pela esquerda, quando lembrava os três anos do vandalismo ocorrido nas sedes dos Três Poderes, em Brasília (9/1/2023); e um discurso proferido durante a colação de grau de alunos de Direito por um paraninfo que não conseguiu conter seu riso de hiena depois de ter mandado, horas antes, o Presidente Jair Messias Bolsonaro para a Papudinha, em 15/01/2026.

        A Faculdade de Direito da USP já teve dias melhores. Formou vários presidentes do Brasil, como Washington Luís, Afonso Pena, Campos Salles, Jânio Quadros, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer. Também formou escritores de renome, como Castro Alves, Menotti del Picchia, Monteiro Lobato, José de Alencar, Lygia Fagundes Telles, políticos e juristas como Ulysses Guimarães, José Serra, Miguel Reale, e nomes da mídia e das artes, como Paulo Autran, Marcos Caruso, Caio Blat.

        É muito natural que os formandos tenham um carinho especial pela alma mater studiorum, como a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde foram beber os saberes que levariam para o resto de suas vidas, alguns até se tornando milionários. Porém, são poucos os ex-alunos que ajudam financeiramente a entidade, como é comum ocorrer nos EUA.

Eu tive um tio materno, Arno Preis, que se formou em Direito na USP nos anos 1960. Muito inteligente, poliglota, tio Arno queria ser embaixador. Porém, o fervor esquerdista na alma mater o atingiu em cheio, como muitos de seus colegas, hipnotizados pela figura de Che Guevara, bandeando-se para o terrorismo da Ação Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella e depois para o Movimento de Libertação Popular (Molipo), criado com ajuda do serviço secreto de Cuba. Em 1972, Arno morreu em confronto com a polícia, depois de matar um soldado e ferir outro.

        Uma universidade deveria ser, antes de tudo, um espaço de liberdade intelectual e respeito à diversidade de ideias. Seu compromisso maior precisa ser com o estudo profundo, rigoroso e honesto dos temas relevantes para a sociedade, sem dogmas nem verdades pré-fabricadas. O debate acadêmico deve estimular o confronto de argumentos, não a rotulação automática de quem pensa diferente.

Em vez de arenas de disputa ideológica, as universidades deveriam ser ambientes de escuta, reflexão e produção de conhecimento. A intimidação, as ameaças e qualquer forma de violência são incompatíveis com a vida acadêmica. Quando uma única corrente tenta se impor como pensamento único — que é o caso brasileiro, onde predomina o viés esquerdista —, empobrece-se o ensino e sufoca-se a pesquisa. O pluralismo é a essência da ciência e das humanidades. Sem ele, a universidade abdica de sua vocação crítica e se distancia de sua missão fundamental: formar pessoas capazes de pensar com autonomia, dialogar com maturidade e buscar a verdade sem medo.

Nesse sentido, foi muito triste ver os episódios de intolerância da claque esquerdista da USP contra conservadores, ocorridos no dia 8 de janeiro, quando falsos democratas comemoravam a vitória da democracia tendo por base um fato lamentável — o bando de baderneiros que quebrou os palácios dos Três Poderes há três anos, e que teriam perpetrado uma tentativa de golpe de Estado. Qualificar aqueles atos insanos como um atentado contra o Estado Democrático de Direito é coisa de idiota completo ou de patife assumido, pois não houve nenhum tipo de perigo de ruptura política, não houve força armada na rua, nem tanques, nem tiros. Anteriormente, houve pelo menos cinco depredações semelhantes, praticadas por manifestantes da extrema esquerda, com ataques à Câmara dos Deputados e ao Itamaraty, inclusive com o incêndio de três ministérios. Por que, na época, ninguém foi acusado de atentar contra a democracia? Porque a extrema esquerda faz parte do pavoroso Sistema Toga Petralha, que é o aparelhamento petista de todos os órgãos públicos, cópia fiel da ditadura venezuelana.

O episódio em que um ministro do STF faz chacota pública envolvendo Jair Bolsonaro, com risos indecorosos de uma hiena em êxtase — Mas eu me contive hoje, né. Acho que hoje eu já fiz o que eu tinha que fazer —, expõe uma face sombria de quem deveria personificar sobriedade e humanidade. Independentemente de divergências políticas, rir de um homem idoso e doente, fragilizado depois de sofrer um atentado político a facada, seguido de pelo menos oito cirurgias, é ultrapassar o limite da desavença e entrar no terreno da desumanização. Pior de tudo: Bolsonaro foi condenado por um golpe  que nunca existiu.  

Justiça não combina com escárnio, muito menos com prazer exibido no sofrimento alheio. Mais alarmante ainda foi ver formandos de Direito aplaudirem a cena, como se o deboche fosse virtude cívica. A universidade, que deveria formar juristas, passou a celebrar militantes histéricos da extrema esquerda. Quando o riso substitui o argumento e a intolerância vira método, algo apodrece na formação jurídica.

Que tipo de causídico nasce desse caldo ideológico, em que o adversário é inimigo a ser destruído e a dignidade humana é jogada na latrina? Se esse é o berço dos novos juristas, o amanhã não será regido por leis, mas por ressentimento, censura e perseguição.

Se a USP, tida como a melhor universidade do país, permite — ou pior, incentiva — cenas de intolerância, deboche e desumanização entre futuros causídicos, o diagnóstico do ensino jurídico nacional torna-se alarmante. Quando o topo da pirâmide acadêmica normaliza o escárnio e substitui o pensamento crítico por militância ruidosa, o que esperar das demais instituições, muitas já precarizadas intelectual e moralmente?

Se na elite do ensino se aplaude o desprezo pelo outro, nas demais o risco é também a completa dissolução da ética profissional. Nem é preciso falar das piores universidades: o exemplo do modelo já basta para revelar o abismo que se abre diante do Direito brasileiro.   

***

P. S.: Saudade dos tempos em que formandos da Faculdade de Direito da USP tiveram a honra de ouvir Oração aos Moços, de Rui Barbosa, paraninfo da turma de 1920, porém não pôde comparecer por problemas de saúde. 


MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO) - Por Ternuma

MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO)

Por Ternuma - Terrorismo Nunca Mais

I - DADOS INICIAIS.

Movimento de Libertação Popular: organização terrorista de linha castrista, que surgiu de uma dissidência dentro da Ação Libertadora Nacional (ALN), em 1971, e foi articulado pelo Serviço Secreto de Cuba, num trabalho desenvolvido sobre um grupo de 28 militantes formadores do chamado IIIº Ex da ALN, cursando o centro de formação da guerrilha em Pinar Del Rio. José Dirceu, atual Chefe da Casa Civil e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, foi um de seus integrantes.

Ano de chegada em Cuba do IIIº Ex / ALN: 1969, somente 1 (um) militante tem data de chegada em 1970.

Data aproximada de retorno do pessoal do MOLIPO para o Brasil: dos meses finais de 1971 aos meses iniciais de 1972.


II - INTRODUÇÃO

1. Após a morte de Marighela, em 4 de novembro de 1969, a Direção Nacional da ALN passou a ser exercida por Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo”. Aproveitando as circunstâncias, os cubanos influíram na indicação de Washington Adalberto Mastrocinque Martins (“Cmt Raul”) para ser o representante da ALN em Cuba.

2. A perda de MARIGHELA e a prisão dos dominicanos que integravam a rede de apoio da ALN, como frisamos, ocasionaram uma série de problemas na já precária capacidade de coordenação e controle da organização, um dos quais foi a ruptura da ligação do grupo paraense com a Coordenação Nacional da ALN, radicada em São Paulo, vital para o objetivo de implantação da área estratégica (ver item IV da Segunda Parte).


III - A AÇÃO DA INTELIGÊNCIA CUBANA NA CRIAÇÃO DO MOLIPO

1. Em Cuba, neste interregno, continuava o trabalho de Manoel Piñeiro Losada, “Barbarroja”, do Departamento América (DA) e do Serviço Secreto cubano na cooptação de vários militantes do “Grupo dos 28” ou “Grupo Primavera”, conforme afirma Carlos Eugênio Paz, ex-comandante militar da Ação Libertadora Nacional: “Em Havana, o José Dirceu fez a política do serviço secreto cubano". "Quando perceberam que não poderiam tomar a ALN, os cubanos articularam a formação de outra organização, o Movimento de Libertação Popular, o MOLIPO. O José Dirceu não era o chefe dessa organização, mas era uma das pessoas que a apoiavam.”

2. Deixamos por conta de um antigo militante da ALN o relato dessa manobra do Serviço de Inteligência de Cuba e do Departamento América do PC de Cuba, órgão encarregado de orientar e conduzir o processo revolucionário na América Latina. No seu livro "Nas Trilhas da ALN", editado em 1997, pela Bertrand Brasil , Carlos Eugênio relata uma cáustica versão do apoio do Estado cubano à revolução no Brasil, a qual apresentamos, destacando por trechos, sem prejudicar a seqüência.

a. “A interferência deles (dos cubanos) já nos custou caro demais; a volta dos companheiros do MLP sem nossa autorização foi um desastre. 18 mortos e mais tantos presos... e tudo por uma rasteira política de infiltração, querendo influenciar nosso movimento de dentro, para adequar nossa política às necessidades deles”(página 78).

b. (...) Entendo que os militantes nossos, afastados da realidade brasileira e querendo voltar para lutar, questionem a Coordenação Nacional, fundem uma corrente ou saiam da Organização, mas os cubanos não tinham o direito de autorizar a saída deles do país sem nos comunicar, quando havia meios para isso. Cederam os esquemas, promoveram a volta e ajudaram a convencer os combatentes que tinham dúvidas. Chegaram a São Paulo procurando militantes queimados, usando esquemas já abandonados por falta de segurança, aparelhos que não mais existiam, despreparados e desinformados dos avanços da repressão (página 79).

c. Achavam que não autorizávamos a volta para não perdermos o comando da Organização. Infelizmente, sentiram na pele que estávamos cercados, fazendo ações de sobrevivência, assaltando bancos e supermercados na véspera do vencimento dos aluguéis, e tentando não desaparecer (...) (página).

d. O que me revolta é que caíram como moscas e hoje ninguém assume suas responsabilidades (idem).

e. (...) Esmiúço a história da revolução cubana e constato evidentes contradições entre o real e a versão divulgada América Latina afora (...) (idem).

f. Muitas ilusões foram estimuladas em nossa juventude pelo mito do punhado de barbudos que, graças ao domínio das táticas guerrilheiras e à vontade inquebrantável de seus líderes, tomou o poder numa ilha localizada a 90 milhas náuticas de Miami (página 179).

g. Os textos encontrados sobre a revolução cubana são meros panfletos de propaganda ou relatos factuais, carentes de honestidade e aprofundamento teórico; (...) (página 179).

h. A ameaça iminente de agressões facilitou a militarização do país. Milícias Populares e Comitês de Defesa da Revolução formam uma teia considerável que abastece o S2 de informações sobre posições políticas, atitudes sociais e escolhas sexuais dos cidadãos (...). O Partido Comunista é o único permitido e em seus postos importantes reinam os comandantes de Sierra Maestra ou gente de sua confiança, em detrimento dos quadros oriundos do movimento operário e do extinto Partido Socialista Popular (anterior à revolução de Fidel), representante em Cuba do Movimento Comunista Internacional e aliado da União Soviética (página 180).

i. Os contatos com as organizações de luta armada são feitos através do S2, conseqüência esperada das deturpações do regime. A revolução na América Latina não seria uma questão política e, sim, usando as palavras do caricato TOTEM (referência ao general Arnaldo Uchoa, comandante do Exército em Havana em 1973, que lutou na Venezuela e Angola, vindo a ser, no final dos anos 80, condenado à morte e fuzilado, sob a acusação de envolvimento com o narcotráfico), uma questão de ‘mandar bala’ (página 180).

j. (...) eles tentam influenciar na escolha de nossos comandantes, fortalecem uns companheiros em detrimento de outros; isolam alguns para criar uma situação de dependência psicológica que facilite a aproximação; influenciam o recrutamento; alimentam melhor os que aderem à sua linha e fornecem informações da Organização; concedem status que vão desde a localização e qualidade da moradia à presença em palanques nos atos oficiais; não respeitam nossas questões políticas e desconsideram nosso direito à autodeterminação (páginas 180 /181).

k. (...) Fabiano (Carlos Marighela) negociou com os cubanos de igual para igual, mas Diogo (Joaquim Câmara Ferreira) concedeu demais. Sentiu-se enfraquecido pelas quedas em São Paulo que culminaram com a morte do nosso líder e permitiu algumas ingerências nas escolhas de quadros para a volta e os postos que ocupariam na Organização (página 181).

l. (...) No Brasil, recebemos com espanto a volta de um comandante indicado pelos cubanos e aceito por Diogo. O episódio não chegou a ter maiores conseqüências, pois o comandante desertou no caminho e foi morar na Europa (referência ao “comandante Raul”, Washington Adalberto Mastrocinque Martins, atual funcionário da prefeitura de São Paulo) (página 181).

Lembrete : o “Cmt Raul” ao receber a missão de retornar ao Brasil e conduzir as atividades de implantação da área rural, resolveu dar uma de turista e conhecer a Europa. Aqui a barra estava pesada. Voltou numa boa... Acreditem. O dinheiro recebido de Cuba até hoje é motivo de polêmica. Para uns foi devolvido para outros não. Viva la Revolucion!


III – CRONOLOGIA DAS ATIVIDADES DO MOLIPO.

Observação: Para a apresentação das atividades do MOLIPO foi necessário ser, de certa forma, repetitivo. Em parte isto foi motivado por julgarmos importante apresentar o papel da Inteligência cubana na formação do MOLIPO e do próprio processo de luta armada no Brasil e na América Latina. Tal ação, em época mais recente, foi marcante no Chile, manipulando o MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionaria) e a FPMR (Frente Patriótica Manoel Rodriguez) para a prática de “expropriações” e seqüestros para obtenção de “fundos revolucionários”. Há mais...

A. O Processo de Luta Interna e o “Racha”.

1. Em meados de 70, os militantes da ALN componentes do chamado III Ex da ALN passaram a demonstrar seu descontentamento com a direção da organização no Brasil, devido as seguidas “quedas” de militantes, com a falta de apoio ao Setor de Massas, e com a não implantação da guerrilha rural.

2. Em Out 70, uma reunião dos militantes da ALN que recebiam treinamento em Cuba discutiu o que consideravam “erros” da organização no País e ressaltou a divergência profunda entre os que permaneciam em Cuba e a ALN no Brasil.

3. Em Dez 70, tudo isso foi agravado com a morte de Joaquim Câmara Ferreira, “Toledo”, sendo especialmente contestada a Coordenação Nacional constituída após sua morte – que passou a dar prioridade às ações armadas - entrando em rota de colisão com a Frente de Massas, em São Paulo.

4. Em Mar 71, essa situação tornou-se quase insustentável face ao justiçamento de Márcio Leite Toledo, ocorrido em dezembro de 1970, por decisão da Coordenação Nacional. Márcio foi levianamente acusado de ter entregado Joaquim Câmara Ferreira, “Toledo”, fato que provocou a revolta de diversos militantes, especialmente os da Frente de Massas. O dedo duro era outro...(Ver nas Conclusões desta Terceira Parte)

5. A partir daí, com o rompimento do diálogo do “Grupo dos 28” com a Coordenação no Brasil, seus membros começaram a voltar ao país, ainda em maio de 1971, por decisão própria e “influência” dos camaradas do Departamento América e, como é óbvio, do Serviço Secreto cubano. Num regime como o cubano tem diferença? No retorno estabeleceram ligação com membros da Frente de Massas. Após as discussões foi detectada a identificação em vários pontos de vista. Passaram a existir então duas ALN: Frente de Massas + Grupo dos 28 e Coordenação Nacional + GTA.

6. No final do ano de 1971, a Frente de Massas da ALN fundia-se com o Grupo dos 28. Foi constituído um Comando Nacional, um Setor Estudantil, um Setor de Classes Médias, um Setor Operário e um Setor Camponês, e adotada a denominação de Movimento de Libertação Popular (MOLIPO).

A partir daí, essa “nova” organização passou a efetuar ações armadas ainda mais violentas que as da própria ALN (roubos de carros, assaltos a viaturas policiais e atentados à bomba), empregando todos os militantes disponíveis, sem considerar os setores em que fora estruturada a organização. Isso demonstrava que a boa parte da crítica dos militantes do MOLIPO ao “militarismo” da ALN não se justificava.

Observações:

1) De acordo com o critério de vários analistas, a união da Frente de Massas, que englobava um Setor Estudantil (exposto à infiltração dos órgãos de Inteligência) e o Grupo dos 28 (com infiltração de alto nível e de longa data), seria muito mais danosa para este último.

2) Segundo relatos “categóricos” da esquerda pós-anistia (citamos Cecília Coimbra, Élio Gaspari, Franklin Martins, Márcio Moreira Alves, entre outros) a repressão, em 1971, após detectar as ações do grupo, “determinara” que não deixaria vivo nenhum dos 28 militantes que voltaram de Cuba. As esquerdas nunca aprofundaram os dados do compromisso de resistência à prisão, feito em Cuba... Afirmam apenas que não falam no que “não existiu”. Forma cômoda de proteger covardes que não cumpriram o compromisso, ficando na moita... Forma sutil de não citar o fato e nem revelar o instrutor “Olaf” ou “Orlof” de Havana e Pinar Del Rio...

3) Na área urbana o MOLIPO atuou, basicamente, nas cidades de S.Paulo (área principal de atuação) e Rio de Janeiro, acompanhando a tradição da ALN.

4) Na área rural, o MOLIPO tentou instalar-se na Bahia (época em Carlos Lamarca era caçado) e, depois, em Goiás.


B. As “Quedas” em Áreas Urbanas.

A partir de Nov 71, os militantes do MOLIPO começaram a ser desarticulados em SP e no RJ. Essas “quedas” iriam refletir-se no trabalho de campo. Como veremos, nos meses de Nov e Dez 71, o MOLIPO foi praticamente dizimado na cidade.

1. No dia 5 de novembro de 1971, em tiroteio com agentes de Órgãos de Segurança, ocorrido na Rua Cervantes Nº 7, em Vila Prudente, S. Paulo/SP, foi morto o terrorista do MOLIPO, José Roberto Arantes de Almeida.

2. No mesmo dia, na Rua Turiassu, José de Oliveira, um dos dirigentes nacionais da Organização reagiu à bala a prisão encontrando a morte neste entrevero.

3. Em dezembro de 1971, no Rio de Janeiro ocorreu a “queda” de Carlos Eduardo Pires Fleury, que morreu na troca de tiros com Órgãos de Segurança ao resistir à voz de prisão.

4. No dia 5 Jan 1972, ao ser montado pelos Órgãos de Segurança uma “campana” junto a um carro roubado, num estacionamento de Santa Cecília, no centro de São Paulo, um homem de origem japonesa, ao receber ordem de prisão, reagiu e foi morto. Sua identidade era falsa, com o nome de Massahiro Hakamura; após uma busca nos arquivos datiloscópicos, a polícia descobriu que era Hiroaki Torigoe, um dos membros do Comando Nacional do MOLIPO.

5. No dia 18 de janeiro, três (3) militantes do MOLIPO, João Carlos Cavalcante Reis, Lauriberto José Reyes e Márcio Beck Machado, fugindo de uma caçada policial, roubaram um outro carro para prosseguir na fuga, matando seu ocupante, o 1º Sargento da PM/SP, Thomas Paulino de Almeida.

6. No final de janeiro o Setor Estudantil da organização foi alvo de ações que provocaram sua desarticulação.

7. Em fevereiro de 1972 começaram a ser detidos os componentes do MOLIPO que faziam parte da Frente de Massas.

8. No dia 27 de fevereiro, Lauriberto José Reys e Alexandre José Ibsen Voeroes travaram tiroteio com a polícia no bairro de Tatuapé, em S. Paulo. Lauriberto feriu um policial e matou o transeunte Napoleão Felipe Biscalde, de 61 anos, funcionário público aposentado, totalmente alheio ao problema. Os dois terroristas não se entregaram, morrendo no local em conseqüência do tiroteio.


Observação:

Segundo dados obtidos em Operações de Inteligência (infiltrados), em Cuba, um instrutor instruíra os militantes da MOLIPO a andar sempre armados e a reagir à prisão, matando se possível seus captores, a fim de não serem preso vivos e não correrem o risco de “abrir” (falar). Excelente forma de possibilitar a cobertura da ação do Serviço Secreto cubano, na estruturação do MOLIPO, caso todos resistissem. A ação dos cubanos só foi plenamente aquilatada, graças ao livro do “Clemente” e aos infiltrados.


C. Trabalho de Campo e as “Quedas” em Áreas Rurais.

Na área rural, o MOLIPO tentou instalar-se na Bahia (na época em que Carlos Lamarca era procurado naquela região) e, depois, em Goiás.

1. Na Bahia a área inicialmente selecionada situava-se entre Ibitorama e Bom Jesus da Lapa.

O primeiro a chegar na área foi Boanerges de Souza Massa, por volta de março de 1971, instalando-se em Bom Jesus da Lapa. Em seguida, Carlos Eduardo Pires Fleury, em junho fez contato com Boanerges, estabelecendo planos para mobiliar a área. Em julho o trabalho de campo foi reforçado com a chegada de Jeová de Assis Gomes e Rui Carlos Vieira Berbet.

Devido à proximidade da área do MR-8, houve contatos iniciais com o pessoal do MR-8 para união das suas áreas. Diante da ação contra o grupo de Lamarca na área a idéia foi abandonada.

2. Deixando a Bahia, o pessoal do MOLIPO deslocou-se para Goiás, onde Jeová tinha conhecimento da região de Araguaína, GO, hoje TO. Nessa área foram neutralizados dois pontos de apoio localizados: num sítio ao sul de Vanderlândia, então GO, hoje TO, e um núcleo em Santa Maria da Vitória, no mesmo Estado, em fase de preparação. O trabalho de campo teve a participação de Sergio Capozi, Jane Vanini e Otávio Ângelo.

3. Rui Berbet e Boanerges Massa, saindo da Bahia, instalaram-se Balsas, no Maranhão, próximo de Araguaína.

4. No dia 15 Fev 1972, em Paraíso de Goiás, hoje Tocantins, foi morto outro militante do MOLIPO, Arno Preis, que portava documentos falsos, com o nome de Patrick McBundy Comick, o qual, quando convidado a comparecer á Delegacia Policial, matou o soldado PM/GO, Luzimar Machado de Oliveira, ferindo gravemente outro militar, Gentil Ferreira Mano.


Conclusões.

a) O ano de 1972, caracteriza o desmantelamento do trabalho rural.

b) Em 1974, ocorre a neutralização do próprio MOLIPO, como decorrência natural das ações de Inteligência.

c) Dados obtidos em sites da Internet, da própria esquerda, tais como: o “desaparecidos politicos”; o “tortura” e seus congêneres; e o hilário livro do Nilmário Miranda, “Dos Filhos deste Solo”; demonstram: não só pelo linguajar burlesco; a montagem caricata que cerca a descrição das circunstâncias das mortes dos militantes; os testemunhos só de terroristas presos; a ausência de contraditório; os relatos capciosos; e questiúnculas suscitadas em torno de datas e questões, compreensíveis devido à compartimentação e outras diferenças existentes entre os Órgãos de Segurança.

Qual o grande objetivo visado: desmoralizar a eficiência demonstrada no combate contra o terrorismo, criando uma imagem de “heróis” para assaltantes, seqüestradores e péssimos combatentes: indenizados post mortem.

O Partidão bem que alertou e, agora, o Camarada Mateus reconheceu.

Os indenizados vivos? Bem... Temos tempo.

d) Muitas respostas poderiam e deveriam ter sido dadas pelas autoridades, a fim de desmentirem ou colocarem nos devidos termos os dados difundidos na mídia contra a atuação dos Órgãos de Segurança e, de forma específica, contra as Forças Armadas. Por omissão ou falta de conhecimento deixaram os procedimentos na mão de quem não tinha nenhuma idéia do assunto, que não era só de Direito. As ações foram desastrosas. A Instituição não merecia a péssima defesa planejada e executada, na área institucional. Este fato abriu as comportas para os processos indenizatórios que hoje forram os bolsos de certos escritórios de defensores; aproveitadores; assaltantes; seqüestradores; auto-asilados; e outros espécimes.

e) O caso do ”justiçamento” do militante da ALN, Márcio Leite Toledo, que não se enquadra nas atividades do MOLIPO, merece relato especial, por apresentar uma faceta dessa esquerda paranóica:

1). Carlos Eugenio Sarmento Coelho da Paz, “Clemente”, do Comando Nacional da ALN, foi o executor dos disparos, sendo, ainda mais, o Chefe do grupo executante da ação, o qual era composto por Iuri Xavier Pereira, “Joaozão”; Ana Maria Nacinovic Correia, "Marcela", "Betty", "Beth". Na cobertura participaram, Antonio Sérgio de Matos ("Hermes, "Uns e Outros"), Paulo de Tarso Celestino da Silva ("Cesar") e José Milton Barbosa. Ao lado do corpo, foram jogados panfletos, nos quais a ALN assumia a autoria do "justiçamento".

2) “Clemente” reconheceu seu erro publicamente.

3) Ninguém desta esquerda fajuta, nenhum advogado de porta de xadrez, ou defensor mequetrefe de diretos humanos foi capaz de colocar o militante Márcio Leite Toledo, covardemente assassinado, por engano, por um Comando Terrorista da ALN, numa relação de indenização. O pior de tudo é que o “cachorro” ou dedo duro, que “dedou” o Joaquim Câmara Ferreira está vivo, em S. Paulo, SP... E os que dedaram alguns militantes do MOLIPO e da ALN estão por aí. Nenhum deles é o Anselmo. E o pessoal sabe... Deram até emprego!

4) Tempo de duração do MOLIPO: 2 anos só de ações típicas de marginais.


Anexo A – Relação do “Grupo dos 28”, “Grupo Primavera”, futuro MOLIPO.

O futuro MOLIPO era integrado por 28 militantes do chamado IIIº Exército da ALN (33 ou 34 da ALN; e um (1) do MR – 8) que cursaram o “Curso de Guerrilha”, em Cuba (Pinar Del Rio).

Seus integrantes eram:

1. AYLTON ADALBERTO MORTATI ("HUMBERTO"; "TENENTE").

2. ANA CORBISIER MATEUS ("MARIA") (Nome de casada) ou ANA CERQUEIRA CESAR CORBISIER (Nome de solteira). (*1)

3. ANA MARIA RIBAS PALMEIRA ("AMALIA"). (* 2)

4. ANTONIO BENETAZZO ("JOEL".

5. ARNO PREIS ("ARIEL").

6. BOANERGES DE SOUZA MASSA ("FELIPE").

7. CARLOS EDUARDO PIRES FLEURY (“TEIXEIRA”, “HUMBERTO”, “QUINCAS”).

8. FLAVIO CARVALHO MOLINA ("ARMANDO").

9. FRANCISCO JOSE DE OLIVEIRA ("FAUSTO").

10. FREDERICO EDUARDO MAYR ("GASPAR").

11. HIROAKI TORIGOE (“MASHIRO NAKAMURA”, “DÉCIO”, “CORIOLANO”).

12. JANE VANINI (ADÉLIA, CARMEM E OUTROS).

13. JEOVA ASSIS GOMES ("OSVALDO").

14. JOAO CARLOS CAVALCANTI REIS ("VICENTE").

15. JOAO LEONARDO DA SILVA ROCHA ("MARIO").

16. JOAO ZEFERINO DA SILVA ("ALFREDO"). (*3)

17. JOSE DIRCEU DE OLIVEIRA E SILVA ("DANIEL"). (*4)

18. JOSE ROBERTO ARANTES DE ALMEIDA ("LUIZ").

19. LAURIBERTO JOSE REYES ("VINICIUS").

20. LUIZ RAIMUNDO BANDEIRA COUTINHO ("MARCOS"). (*5)

21. MARCIO BECK MACHADO ("TIRSO"; "LUIZ").

22. MARIA AUGUSTA THOMAS ("RENATA"; “MARCIA").

23. MARIO ROBERTO GALHARDO ZANCONATO ("LUCAS"). (*6)

24. NATANAEL DE MOURA GIRALDI ("CAMILO"). (*7)

25. RUI CARLOS VIEIRA BERBET ("SILVINO"; "JOAQUIM").

26. SILVIO DE ALBUQUERQUE MOTA ("SERGIO"). (*8)

27. VINICIUS MEDEIROS CALDEVILLA ("MANUEL"). (*9)

28. WASHINGTON ADALBERTO MASTROCINQUE MARTINS (“CMT RAUL”). (*10)


Observações:

1) os relacionados em negrito-itálico foram mortos ou desaparecidos, segundo dados da esquerda;

2) o militante do MR-8 era FRANKLIN DE SOUZA MARTINS;

3) os outros militantes da ALN, do IIIº Ex, não foram relacionados e não aderiram ao MOLIPO, mantendo seus vínculos com a ALN.

4) os assinalados com (*), perfazem um total de dez (10) e estão vivos ou se já morreram não coloquem a culpa nos militares. O número joga, inclusive, com dados do “Clemente”. O Sr Élio Gaspari mentiu e exagerou quanto aos fatos.

Este esboço de Ensaio deve muita a contribuição, autorizada, de matérias de autoria dos Camaradas Ilich, e Dumont especialistas em assuntos ligados ao aventureirismo da esquerda radical ou “soft”. Nossos agradecimentos.


***


P.S.: 

Arno Preis, natural de Forquilhinha, SC, é meu tio materno.

"Ilich" é nome do historiador Carlos Ilich Santos Azambuja, oficial da Aeronáutica, da área de Inteligência, codinome tirado de CISA, antigo Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica.

"Dumont" é F. Dumont, codinome de militar que serviu no Centro de Informações do Exército (CIE), autor de Os Incríveis Exércitos de Brizoleone.

Félix Maier