MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

HFA na UTI - Por Félix Maier

HFA na UTI

Félix Maier (*)

05/09/2003

Inaugurado em 1972, durante o saudoso Governo Médici, o Hospital das Forças Armadas (HFA) já chegou a ser o melhor hospital militar da América Latina. Contudo, com o correr dos anos, o Hospital foi perdendo sua finalidade inicial, que era atender exclusivamente militares e seus dependentes, e passou a fazer convênios a torto e direito com várias entidades, ao mesmo tempo em que foi perdendo sua qualidade.

Segundo afirmou um antigo Vice-Diretor do HFA, a antiga excelência de atendimento do HFA devia-se a bons salários pagos a médicos civis, em média recebendo o dobro do que recebiam os colegas em instituições similares. Como se sabe, a alta rotatividade de médicos militares, transferidos continuamente a outros hospitais, a trabalho, ou saindo para fazer os cursos necessários à ascensão profissional, impedem que se crie uma equipe médica de alto nível em qualquer hospital militar. Para evitar que isso ocorresse com o HFA, foram contratados médicos civis de qualidade, muito menos propensos a afastamentos da cidade do que os militares. Assim, foi-se criando um corpo médico de primeira linha, colocando o Hospital entre os melhores do País.

Com o passar do tempo, as coisas foram se modificando, sempre para pior, dentro da política de “socializar” cada vez mais o HFA. Ao mesmo tempo em que começou a diminuir a verba para a manutenção do Hospital, durante os vários governos civis que foram se sucedendo, começou-se a fazer convênios com muitas entidades, militares e civis: Polícia, Corpo de Bombeiros, corpo diplomático, autarquias, bancos etc. Os salários dos médicos civis foram diminuindo, não oferecendo mais o antigo atrativo para os profissionais de alto nível, que passaram a trabalhar em empregos mais rentáveis ou abrir seu próprio negócio. Como resultado, os bons médicos civis de antigamente foram sendo substituídos por médicos novos, em sua maioria recém-formados, normalmente aspirantes-a-oficial da reserva, com experiência mínima, para não dizer nenhuma. Sem dinheiro para custear um hospital que cresce assustadoramente em despesas, é muito mais barato pagar o salário de um tenente das Forças Armadas do que um médico civil já consagrado. E o resultado aí está, não podia ser diferente, por mais que o atual Diretor faça das tripas coração para dar um mínimo de qualidade no atendimento ao público.

Por falar em coração, o Incor deverá ter uma “filial” no HFA. Para isso, está sendo construído um prédio que já está no sétimo andar, nos fundos do terreno do Hospital, próximo ao centro odontológico. Inicialmente, o Incor deveria se estabelecer em dois ou três andares do prédio principal do HFA. Obras foram iniciadas para esta finalidade, porém suspensas quando se decidiu construir um prédio novo. Com tanta falta de verba que se observa nos dias de hoje, é um crime começar uma obra para depois deixar de lado, por absoluta falta de planejamento. Um retrato típico do Brasil, que aplica muito mal seu orçamento, jogando sistematicamente dinheiro no ralo.

Há dinheiro para construir um novo prédio. Mas não há dinheiro para reativar, por exemplo, os centros cirúrgicos fechados ou consertar o equipamento para tirar raio-x do tórax. Dos 12 centros cirúrgicos, me informaram no HFA que há apenas 2 funcionando (No Hospital Geral de Brasília, do Exército, me informaram que há 5 no HFA). Nessa guerra de números, esconde-se não apenas a vergonha de um Hospital que já foi referência nacional, escondem-se também os pacientes que são internados e precisam aguardar longo tempo para serem submetidos à cirurgia, muitos até com fraturas expostas. E não é apenas a arraia miúda que passa por este tipo de constrangimento, os soldados, os taifeiros, os cabos, os sargentos. Em junho, quando lá peregrinei com minha mãe para que ela fosse submetida a uma cirurgia, que só foi realizada no Hospital Santa Helena, mediante convênio do Fundo de Saúde do Exército, fiquei sabendo que há inclusive coronéis na fila de espera, atirados nos leitos do Hospital por longo tempo, à espera de atendimento cirúrgico.

Com tudo isso, não é de espantar que haja muita reclamação por parte dos usuários que procuram atendimento médico e precisam, muitas vezes, esperar semanas ou até meses para realizar determinado exame. Se alguém precisar realizar uma cirurgia, p. ex. um implante de prótese na perna, a espera pode demorar um, dois anos. Deve ser por isso que em muitos guichês dos ambulatórios do HFA está transcrito o Art. 331 do Código Penal, uma ameaça mais do que explícita: “Desacato ou agressão a servidor público no exercício de sua função ou em razão dela é crime, previsto no Art. 331 do Código Penal Brasileiro, com pena prevista de 6 meses a 2 anos de detenção”. Os funcionários não podem se estressar ouvindo reclamações aqui e ali. Porém, o que dizer dos pacientes, que são maltratados sistematicamente, que voltam semanas e semanas seguidas ao Hospital, e não conseguem ser atendidos? Não deveriam eles também ter algum amparo legal para que fossem cumpridos seus direitos mais elementares?

Mas, nem tudo é desolação no HFA. Há ainda ótimos profissionais, disputados quase “a tapa”. É o caso do Dr. Noronha, “cobra” da oftalmologia. E de uma “japonesinha” da dermatologia, também muito procurada. Um dos médicos mais requisitados é o Dr. Messias, ortopedista de nome consagrado em todo o Distrito Federal, que faz expediente no Hospital toda quinta-feira. Foi ele que operou minha mãe no Santa Helena, para colocação de uma prótese na perna, para correção de uma artrose grave. Era impressionante ver o enxame de médicos novos em torno do Dr. Messias, quando ele finalmente descia do centro cirúrgico do HFA para atendimento no ambulatório. Uma piada do sempre bem-disposto Dr. Messias provocava riso e gargalhadas em dobro do corpo médico, para onde ele se dirigia seguia a revoada de médicos, como tietes em volta do último ídolo de rock. Uma figura ímpar o Dr. Messias...

Para que minha mãe fosse atendida no HFA, foi preciso abrir um prontuário, o que é norma rotineira, ocasião em que é fornecido um cartão de atendimento. Porém, quando ela foi fazer a primeira consulta, o prontuário que apareceu na mesa do médico foi de uma outra pessoa, com o mesmo número de prontuário conferido à minha mãe. Tive que refazer o cartão de atendimento e até hoje minha mulher não engoliu direito a mancada do Hospital, desconfiando que havia uma “filial” nessa história... Isso prova que o sistema de implantação e controle dos usuários é precário, necessitando urgentemente de um choque de informática em todo o HFA.

No HFA, há um tratamento diferenciado para os oficiais superiores (major a coronel), oficiais-generais e diplomatas, que são atendidos em dependências especiais. Tratamento “vip” teve também Fernandinho Beira-Mar, quando, em 2001, foi escoltado por um aparato de guerra para realizar uma cirurgia no ombro, estraçalhado por tiro de fuzil. Não precisou esperar mais do que o tempo de descer do avião que o trouxe da Colômbia, onde fazia negócios com as FARC...

Há um auditório no Hospital que leva o nome do sargento do Exército Silvio Hollenbach, autêntico herói nacional. Hollenbach foi quem, anos atrás, salvou um menino que havia caído junto a ariranhas no Jardim Zoológico de Brasília. Com muitas mordidas pelo corpo, houve infecção generalizada e o sargento veio a falecer. Hoje, o Jardim Zoológico local também leva o nome do abnegado sargento.

Mas, enquanto a verba é pequena, enquanto os centros cirúrgicos não são reativados, enquanto o Incor não é inaugurado, o HFA realiza outros tipos de eventos, incitando, p. ex., nossa juventude a cultivar a “última flor do Lácio, inculta e bela”. Em junho do ano corrente, o Hospital promoveu um concurso de redação na Belacap. Tema: “Modelo de Responsabilização em Saúde”, para alunos do Ensino Fundamental e Médio das Escolas Públicas e Particulares do DF. “O melhor trabalho de cada série será premiado com um microcomputador” – dizia a norma do concurso. Nada mal que se incentive a prática da redação em nossas escolas, hoje uma tragédia nacional sempre relembrada por ocasião dos vestibulares. Nada mal que se presenteie um micro para os vencedores, bem melhor do que distribuir, p. ex., camisinhas para jovens a partir de 15 anos, como pretende fazer o Ministério da Saúde, incentivando a promiscuidade sexual e a pedofilia. Só fica uma questão no ar: se não há dinheiro para a manutenção de equipamentos essenciais, como o HFA conseguiu verba para a compra de microcomputadores? Teria sido a doação de algum empresário anônimo? Ou a alienação de alguns dinossauros XT?

Falta muita coisa no HFA. Porém, religiosidade e fé é o que não falta. Nem deve faltar aos pacientes que lá procuram os dedicados seguidores de Hipócatres. No prédio da Administração do HFA, que fica na entrada, no lado direito, lê-se: “O Altíssimo deu-lhes a ciência da Medicina para ser honrado em suas maravilhas (Eclesiástico, 38-6)”. Que o Altíssimo se compadeça do HFA e o tire com urgência da UTI. Mas que volte a ter a vida saudável de outrora, não vá parar na fria laje do IML.


P.S.:

Carta recebida no dia 23/09/2003, do Presidente da Associação dos Amigos do HFA (ASAHFA):


“Ao Sr. Félix Maier

Prezado Senhor,

Como Presidente da Associação dos Amigos do Hospital das Forças Armadas, desejo inicialmente parabenizá-lo pelo artigo ‘Hospital das Forças Armadas na UTI’.

Percebe-se que o artigo foi escrito com a intenção construtiva de chamar a atenção das autoridades para a situação do HFA. Nele foram ditas muitas verdades que a sociedade brasileira e, principalmente, nossas autoridades precisavam conhecer. É como V. Sª bem acentuou, não basta o Diretor do Hospital ‘fazer das tripas coração’ para melhorar o atendimento hospitalar. Manter uma organização do porte do HFA em nível adequado de assistência aos usuários, além de custar muito dinheiro, necessitaria de profissionais estáveis e competentes, principalmente médicos e enfermeiros. Em seu artigo V. Sª aponta algumas das causas que contribuíram para a situação atual do hospital. Acerta também ao analisar a pretendida inserção do INCOR na rede de atendimento médico de Brasília usando para tanto as instalações do HFA. O INCOR – tradicional organização hospitalar, é bem vindo. Quanto mais opções de atendimento de qualidade existirem em Brasília, melhor. O que cabe discutir, aí sim – creio que foi essa a sua intenção – é a maneira como está sendo feita a instalação doINCOR no HFA.

O HFA, já carente de recursos e pessoal experiente, se vê agora limitado dentro de suas próprias instalações com os dois andares cedidos para o INCOR, e que se encontram há vários anos ‘em obras’. Com esses dois andares, foram-se boa parte dos centros cirúrgicos, das salas de atendimento e dos leitos que o HFA possuía. Não só isso, começaram um novo prédio sem restabelecer, pelo menos, as condições iniciais que existiam nesses dois andares. Tudo isso sem falar nos transtornos que uma obra de grande vulto traz a qualquer instituição, principalmente a um hospital, onde a higiene e a limpeza do ambiente são condições mais que indispensáveis.

O contrato para o estabelecimento do INCOR em Brasília não é da responsabilidade da Direção do Hospital, mas do Ministério da Defesa, órgão ao qual o Hospital está subordinado. Ao Ministério da Defesa cabe, portanto, explicar porque as coisas chegaram a esse ponto.

V. Sª abordou também em seu artigo o problema da escassez de recursos. Faltou dizer apenas que a convivência de bom atendimento em um hospital com escassez de recursos não é possível apenas com boa administração. Os custos são sempre crescentes e o número de usuários também. Assim, qualquer decisão de diminuir recursos para um hospital deveria implicar também a responsabilidade de diminuir seus usuários, ou diminuir sua própria qualidade.

É sabido que, em matéria de saúde, a diminuição de qualidade menospreza e irrita os usuários, além de, no pior dos casos, resultar em perda de vidas humanas. Por outro lado, o número de usuários é sempre crescente, problema que se tornou quase incontrolável a partir do estabelecimento de novas regras que permitiram a assinatura de convênios com organizações estranhas ao meio castrense.

Assim, a situação do HFA, como de outras instituições do gênero, só se resolverá quando houver a conscientização das autoridades de que a qualidade do atendimento médico é diretamente proporcional aos recursos financeiros disponíveis. Mas o é também de Recursos Humanos, embora as duas coisas não sejam independentes. Uma instituição como o HFA necessita de leis flexíveis que permitam dispensar funcionários incompetentes e contratar gente de qualidade. V. Sª também observou, porém sem se aprofundar, essa questão em seu artigo, que como falei incidentemente, ajuda mais do que prejudica. É necessário que mais vozes como a sua sejam escutadas para que as pessoas que podem ajudar possam ouvir.

Seu artigo merece, entretanto, um importante reparo: os recursos para a compra dos micro-computadores dados a cada aluno vencedor do concurso de redação, em “Reponsabilidade em Saúde” não saíram, e nem poderiam sair, dos cofres do HFA. Portanto, não poderiam ser usados para a manutenção dos equipamentos atualmente fora de serviço. O Concurso de Redação a respeito do Modelo de Responsabilidade em Saúde, idealizado e implantado pelo Dr. Gabriel, atual Diretor do HFA, foi um sucesso. Ao promover esse concurso, pretendeu o diretor do HFA motivar as crianças para a responsabilização em saúde, a partir do entendimento de que saúde é, antes de tudo, uma questão de prática permanente de atitude. Sua realização, entretanto, não teria sido possível sem a colaboração de diversas instituições Públicas e Privadas entre as quais a Secretaria de Estado da Educação, Caixa Econômica Federal, Poupex, Infraero, Autotrac e tantas outras.

À Associação dos Amigos do HFA, organização composta de voluntários cujo objetivo é apenas ajudar o HFA, coube viabilizar as iniciativas do Dr. Gabriel, arrecadando os recursos, contatando as autoridades e as escolas, motivando as crianças enfim, transformando a idéia no bem precioso da realização.

Agradeço sinceramente as observações externadas no seu artigo sobre a situação do HFA. Sei que elas não tiveram o objetivo de formular uma crítica destrutiva. Oxalá muitas pessoas tivesses a consciência de que, num país carente como o nosso, onde tudo é difícil construir, não se pode destruir, muito menos o que já foi feito.

Nossa esperança é que ainda um dia possamos ver o HFA renascer e voltar a ser a organização de excelência do passado e de que tanto nossa sociedade necessita.

Atenciosamente,

Brasília, 15 de setembro de 2003-09-25

(Assinado)
Brig. do Ar R/R Emanuel Augusto de Oliveira Serrano
Presidente da ASAHFA”


P.P.S.:

Amém, digo eu, agradecendo a gentileza do Brigadeiro Serrano em me escrever sua gentil carta.

As minhas críticas foram, sim, construtivas, embora tenha por vezes utilizado um tom humorístico, pois tenho plena consciência de que a penúria por que passa o HFA não deve ser creditada aos membros de sua administração, que se dedicam ao máximo, mas à politicagem que se instalou no setor nos últimos anos, acarretando um incremento considerável de usuários estranhos ao meio militar, ao mesmo tempo em que o orçamento minguava. Que sejam atendidos Adidos Militares de outras nacionalidades no HFA, desde que haja reciprocidade com nossos Adidos no estrangeiro, é perfeitamente plausível, porém colocar o HFA à disposição de diplomatas estrangeiros, é uma aberração. Todos sabemos que essa classe é bem paga, recebe em dólares, e tem condições de utilizar os melhores hospitais civis de Brasília pagando do próprio bolso. A ordem para essa demagogia vem do alto, do Ministro da Defesa, e ao pobre Diretor do Hospital cabe apenas obedecer.

Obviamente, o problema dos transtornos da construção das instalações do INCOR foi criado pelo Ministério da Defesa, a quem o HFA está diretamente subordinado. Mais especificamente, pela Secretaria de Organização Institucional (SEORI), onde trabalhei de 14 Nov de 1999 a 28 Fev 2002. Por isso mesmo, o meu texto acima escrito foi enviado, via e-mail, a um Assessor da SEORI, para o devido encaminhamento no Ministério. Até hoje, não obtive qualquer tipo de resposta, como costuma ocorrer nos casos em que nada há para explicar. Seria mesmo esperar muito, que o Ministro perdesse seu precioso tempo com a impertinência de um “pica-fumo”.

Quanto ao “reparo” sobre o Concurso de Redação a que me referi, em momento algum afirmei que a verba tinha saído dos cofres do HFA. Houve uma pergunta retórica, apenas isso. A interrogação foi claramente elucidada pelo Presidente da ASAHFA, em sua carta.

Só falta agora Geraldo Magela, do PT, assumir o Governo do Distrito Federal e colocar o HFA à disposição de toda a comunidade local – como prometeu em sua campanha eleitoral, em 2002. Não sei como ele iria cumprir a promessa, pois se trata de um órgão federal, não distrital. Mas, em se tratando de Brasil, tudo é possível. Seria a total favelização da outrora magna instituição de Saúde.


(*) O autor é capitão da reserva (Exército), paga pensão militar, embora aposentado (os servidores civis aposentados não contribuem com a Previdência), paga o Fundo de Saúde do Exército, que cobre 80% dos custos médico-hospitalares - 20% dos custos cabe ao militar pagar -, e tem muita gente por aí, desinformada, garantindo que militar é um “privilegiado”.

Brasília, 25 de setembro de 2003.

Félix Maier

***************

“Saúde militar à míngua

Jornal “O Dia’
http://odia.ig.com.br/odia/capas/economia.html

Falta de remédios e problemas na manutenção de aparelhos obrigam hospitais das Forças Armadas a adiar atendimento.

Os hospitais militares precisam de socorro.

Profissionais de saúde que se orgulham do trabalho nos quartéis estão sendo castigados pelo aperto no orçamento das Forças Armadas imposto pela União nos últimos três meses. Faltam medicamentos de uso interno e material de assepsia, é precária a manutenção dos aparelhos para exames, e o desabastecimento das farmácias dos hospitais se tornou um drama. O resultado é a interrupção de tratamentos e o adiamento das consultas. A situação ainda pode piorar.
Médicos do Hospital Central do Exército (HCE), centro de excelência na área de saúde militar, pediram emprestado material de assepsia para seguir o cronograma de operações e batizaram de “janeiro negro” o primeiro mês em que ficarão sem os colegas cooperativados. Segundo eles, o fim do contrato, mês que vem, deixará o hospital com carência de pessoal para dar conta dos atendimentos. Só na Emergência, são 250 pacientes por dia.

A crise da saúde não é exclusividade das três forças. Hospitais estaduais agonizam. Mas os militares esperavam outro tratamento, devido ao desconto mensal no contracheque de até 3,5%, especialmente para garantir assistência médica, e da contrapartida de 20% do custo do atendimento médico-hospitalar. Os esforços, no entanto, não têm sido suficientes para compensar a falta de verbas da União.

Verba da saúde paga dívida com o FMI

Segundo o DIA revelou mês passado, pelo menos metade do dinheiro do fundo de saúde dos militares fica retida no Tesouro Nacional para ajudar no pagamento de dívidas, pelo acordo com o Fundo Monetário Internacional. “A União não pode ficar com dinheiro da saúde dos militares para pagar juros”, critica o deputado federal e capitão da reserva Jair Bolsonaro (PTB-RJ).

As reclamações sobre o atendimento, contadas por pacientes ou seus parentes, atingem desde o fornecimento de material de higiene até a falta de aparelhagem especializada para exames, mas não recaem sobre os militares que prestam serviços. Marlene Pereira, 51 anos, esteve no HCE para acompanhar a filha grávida no pré-natal. Reclama que a farmácia do hospital, que deveria fornecer medicamentos a baixo custo, não funciona. “Como dar prosseguimento a um tratamento sem remédios?”, lamenta.

A marcação de exames também é atingida pela crise. Um funcionário administrativo do HCE revela que os pedidos para raio X só poderão ser atendidos em fevereiro, e exames de mamografia ou tomografia, em março.

Era FH

Embora o treinamento dos militares seja justamente para lidar com as adversidades, a baixa estima voltou a tomar conta dos quartéis nos últimos meses. O trauma deixado pela Era Fernando Henrique ainda perturba. O orgulho militar foi atingido pela falta de repasse de verbas no segundo mandato de FH. A cota de sacrifícios resultou na dispensa antecipada de mais de 40 mil recrutas do Exército, ano passado. Os que ficaram nos quartéis trabalhavam pelos outros, cumprindo as suas tarefas e as dos que foram dispensados, às vezes dobrando a jornada de trabalho. Conforme série de reportagens do DIA, ao longo de 2001 e 2002, o Exército brasileiro padeceu.

Quem pode recorre à rede particular

O Ministério da Defesa está empenhado em conseguir recursos suplementares para resolver os problemas das Forças Armadas causados pela falta de dinheiro. Enquanto não há injeção de verba, militares que podem recorrer ao atendimento médico particular se afastam dos hospitais que utilizavam em outros tempos. O reservista do Exército José Pires, 66 anos, se convenceu de que, dependendo do problema, é mais garantido apelar para o serviço privado. “Em casos especiais, não é possível esperar meses pela consulta. O jeito é pagar por fora para cuidar da saúde”, admite.

A diretora política do Sindicato dos Servidores Civis das Forças Armadas (Sinfa), Marina Costa Bernardes, já foi testemunha de inúmeras situações em que o pessoal do Exército foi prejudicado. “Pacientes com diabetes que precisavam de uma orientação médica urgente tiveram que voltar para casa sem atendimento”, lamenta.

Nos hospitais da Aeronáutica e da Marinha, a situação é a mesma. “Uma pensionista sofreu um tombo e quase quebrou a coluna. Mas a operação foi adiada por um mês no Marcílio Dias. Os médicos ficaram desesperados. O problema é a falta de dinheiro”, explica o reservista da Marinha Jorge Fernandes.

Há três meses, a situação piorou, e os quartéis sentiram a contenção de mais de R$ 1 bilhão no orçamento da Defesa.Conforme a Coluna do Servidor informou sexta-feira, este ano a permanência de recrutas nos quartéis do Exército foi reduzida para período inferior a 10 meses. O Comando do Exército, no entanto, rejeita paralelo com a dispensa “atípica” do ano passando, quando 40 mil recrutas deixaram os quartéis.”

Fonte: Usina de Letras - Ensaios-->HFA na UTI -- 05/09/2003 - 16:24 (Félix Maier) - https://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=62740&cat=Ensaios



----------

Correio Braziliense - 24/3/2009

Opinião

Ari Cunha Com Circe Cunha

Hospital das Forças Armadas

Poucas vezes se viu as Forças Armadas deverem tanto à saúde no Distrito Federal. O Hospital das Forças Armadas foi instado a ajudar o Incor de Brasília. O esquema montado previa o apoio da Câmara dos Deputados, Senado Federal e aval do ministro da Defesa, Nelson Jobim. Pior é que, com o insucesso da operação, já se fala na incorporação ao problema de uma instituição do sul. Conversando com o brigadeiro Gabriel, ex-diretor do HFA, soubemos que o hospital praticava cirurgias cardíacas, cateterismos e dispunha de ginásio de recuperação, tudo em excelentes condições. Nos dias atuais, nada mais dessa comodidade existe. O setor jurídico do Ministério da Defesa impediu que fosse licitada mais uma vez a Cooperativa de Anestesistas do DF, deixando o hospital sem condições de cirurgia cardíaca e de atividades afins. Foi dessa maneira que hospital de equilíbrio administrativo se transformou na dificuldade para atender aos clientes. É de notar que o serviço era dos mais perfeitos e sérios. Abandonado e depois de consumir muito dinheiro, o que restou para o HFA foi a sobra de dívidas que são pagas pelas instituições que assumiram a responsabilidade e esqueceram do fracasso. Ocorre que o Hospital das Forças Armadas caiu de gabarito. Sua equipe luta com desvelo para manter o respeito que sempre mereceu das comunidades militar e civil.

Fonte: 

https://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=20854&cat=Cr%F4nicas&vinda=S

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Fidel, Collor, Brasília e o Foro - Por Ipojuca Pontes

 

Criação do Foro de São Paulo, Hotel Danúbio, São Paulo, 1990.


Fidel, Collor, Brasília e o Foro 

Ipojuca Pontes 

02/08/2021 21:43 | Atualizado 02/08/2021 22:16 

     Pressenti que o governo Collor de Mello seria problemático no mesmo dia em que o presidente eleito, em solenidade no Congresso Nacional, jurou honrar a Constituição. Havia uma imensa expectativa e a mesa da Casa, presidida pelo senador Nelson Carneiro, aguardava a presença do candidato que derrotara por duas vezes o comunistóide Lula da Selva, no dizer de Brizola um “sapo barbudo”. 

     Enquanto ministros e secretários de Estado aguardavam no primeiro piso do senado a entrada de Collor, houve um súbito zum-zum-zum no recinto do plenário. Deputados cercavam um estranho no ninho. Surpreso, perguntei ao ministro da saúde Alceni Guerra, postado ao meu lado: 

     - Quem chegou por ai?... 

     O ministro foi direto: 

     - Fidel Castro. 

     Tomei um choque. Deus do Céu! O que fazia um ditador comunista na posse de um presidente eleito de forma democrática justamente contra um candidato das esquerdas que babava de ódio? Tinha caroço no angu. 

      Mas o fato é que ali estava Fidel Castro Ruiz, “El Caballo”, repressor fanático do povo cubano. Em uniforme militar e boné atolado na cabeça, transitava impávido no plenário da Câmara Federal espargindo pela platéia sua glória feita de sangue. Manipulador nato, o ditador caminhava cercado por seguranças e um séquito de áulicos e inocentes úteis.  

     Meses antes, nas páginas do Estado de São Paulo, eu havia feito uma série de artigos sobre a tirania do ditador que, cheio de promessas, enganara o povo cubano e, sob severa vigilância de um estado policial, instalara na ilha um regime de fome, opressão e terror. 

     Escrevi que em 1986, depois de protelar o pagamento de dívida externa calculada em US$ 26 bilhões, o governo ditatorial cubano aumentou em até 100% as tarifas de transportes, energia e água na ilha transformada em cárcere. De igual modo, subiu os preços dos alimentos considerados básicos pelo povo: pão, ovos e frango, produtos cujas cotas, racionadas, desapareceram das prateleiras dos armazéns. Para não falar no controle dos baixíssimos salários pagos em moeda irreal e sem valor cambial – o peso cubano. 

     Em retrospecto, com a derrocada soviética e a queda do Muro de Berlim a situação de Cuba, no final dos anos 80, tornou-se dramática. De fato, com a perestroika de Gorbachov, que evidenciava ao mundo o colapso da farsa socialista, a URSS havia suspendido a mesada de US$ 6 bilhões anuais doados em comodato ao outrora Paraíso Caribenho, o que levou Fidel a apelidar de “período especial” o quadro de miséria (moral e física) que se abatia sobre o País e sua infeliz população. 

     De resto, convém lembrar que desde o episódio da Crise dos Mísseis - quando Castro fizera da ilha uma base militar para instalação de plataforma de mísseis russos apontando para os Estados Unidos - as relações entre a URSS e Cuba ficaram mais do que deterioradas. À época, Nikita Khruschev, depois de ouvir pedido de Fidel para que lançasse foguetes sobre os EUA, compreendeu que o déspota cubano se comportava como um megalomaníaco irresponsável, conforme assinala nas suas “Memórias” o premier soviético Nikita Khruschev (Editora Artenova – 1971).   

     No plano administrativo, o governo da ilha se viu enredado em uma série de denúncias de corrupção dentro da burocracia comunista e de escândalos envolvendo militares com o tráfico de drogas, entre eles o general Arnaldo Uchoa, esteio do 1º escalão do regime, levado ao paredón pelo Vampiro do Caribe - no fundo uma trama diabólica, pois Uchoa não era o responsável-mor pela exportação de toneladas de cocaína para EUA, papel consentido pelo próprio Fidel, principal beneficiário do tráfico. Prática usual no regime, o Vampiro mandou fuzilar o general como bode expiatório para se livrar do pretenso rival capaz, na crença de Fidel, de articular um “golpe de Estado”. 

     Aqui, peço vênia para relatar um episódio pessoal: depois de discursar no Congresso, Collor e o Ministério das Relações Exteriores receberam convidados e membros do novo governo para um almoço formal no Palácio do Itamaraty. 

     Servidos vinhos, água mineral, entradas, pratos diversos e sobremesa, surgiram os garçons oferecendo o cafezinho. Eu estava conversando com Alcenir Guerra e o ministro da Educação, Carlos Chiarelli, quando apareceu um xeleléu de Ítalo Zappa, embaixador do Brasil em Cuba, comunista de carteirinha que servira no Vietnã, Moçambique e na China. Zappa, que acompanhava Fidel como um cão de fila e se tornara famoso por preparar na embaixada do Brasil em Havana pratos de Spaghetti para o ditador, acreditava que Cuba e Brasil podiam avivar maior intercâmbio nas áreas da Saúde, Educação e da Cultura – e queria nos “apresentar ao Comandante”. 

      Não sei por qual razão o xeleléu dirigiu-se a mim para transmitir o convite de Zappa, visto que eu atacara duramente a “política cultural” da ditadura Castro, que consistia em censurar, prender, torturar e exigir confissões de culpa dos intelectuais e escritores tidos como dissidentes, casos de Cabrera Infante, Hebert Padilla e do poeta Armando Valladares – este, considerado pela Anistia Internacional um “prisioneiro de consciência”, preso durante 22 anos nas “tostadoras” de La Cabana e Puerto Boniato, dois dos quais imobilizado numa cela-gaveta, de onde saiu aleijado. 

    - Não sei o caso dos ministros da Saúde e da Educação, mas diz ao teu chefe que na área oficial não há o menor interesse em se ativar qualquer intercambio cultural com Cuba – respondi ao xeleléu, dando-lhe as costas em seguida.    

     Muito bem. Um dia depois da posse de Collor, em 15 de março de 1990, o convidado Fidel rumou para São Paulo, não sem antes passar no Rio e almoçar com Roberto Marinho na cobertura da Vênus Platinada, na Pacheco Leão, arrodeado por 12 guarda-costas. 

     Em São Paulo, depois de entrevista prestada ao programa “Roda Viva” da TV Cultura (em 19/03/90), onde mentiu adoidado, o ditador reuniu-se com Lula da Selva e partiu para a criação do subversivo Foro de São Paulo, uma cópia cagada e cuspida da OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), entidade cujo lema nº 1 era: “O dever de todo revolucionário é fazer a revolução”. Tal como a OLAS, o propósito do Foro seria reunir os comunistas da América Latina e ativar as estratégias e os métodos revolucionários adotados em Cuba comunistizar o subcontinente. De certo modo, por ironia, os métodos empregados pelo Foro, que envolvem a mentira, a calúnia, a fraude, o roubo e a mistificação, acabaram por derrubar Collor de Mello do poder e instalar no Brasil, com Lula e Dilma Rousseff, o ativismo criminoso da maior quadrilha política já criada na face da terra. 

     Reunido em 1º de Julho de 1990 no Hotel Danúbio, o Foro de São Paulo, mantido fora do noticiário da mídia amestrada, além de sabotar o governo Collor, passou a ativar, em reuniões deliberativas, a subversão comunista nos governos do PSDB e do PT.   

     Na Era Lula, com acesso aos cofres púbicos, o Foro intensificou seus encontros em vários países da América Latina. No Brasil, foi deliberado o aparelhamento do STF, com a nomeação de ministros indicados por Zé Dirceu, todos alinhados com a ortodoxia petista, tal qual foi feito na Venezuela de Chávez, levada ao comunismo repressor com a anuência da Suprema Corte corrompida. 

       Outra deliberação do Foro, impulsionada pelo dinheiro fraudado do BNDES e da Petrobras, foi a colossal doação  de bilhões de dólares prodigalizados aos governos comunistas da Argentina, Nicarágua, Angola, Venezuela, Colômbia, Peru, Uruguai, Bolívia, Moçambique, Panamá, Equador e Cuba - recursos subtraídos do Brasil para a manutenção, na prática, da nomenclatura comunista aqui e no exterior, a partir do alegado pretexto de se fazer empréstimos para execução de obras de infra-estrutura, tais como, por exemplo, as obras do Metrô de Caracas, no valor de US$ 750 milhões, e as do Porto de Mariel, em Cuba, no valor de US$ 1 bi e 600 milhões, que ampliaram a fortuna e a boa vida dos sanguinários irmãos Castro – Raul e Fidel. 

     Hoje, com muito dinheiro em caixa, o aparato subversivo do Foro de São Paulo, com assento reservado dentro do PT, atua dia e noite para derrubar o presidente Bolsonaro. Dele, tudo provém: as mentiras levantadas pela mídia amestrada; os arreganhos da comunidade LGBT; a campanha contra o voto auditável; as pesquisas fajutas da Data Foice; as viagens de Lula (alcoolizado) pelo país e os gastos com pão-e-mortadela e os cachês para levar a  “cumpanheirada” às manifestações de aluguel – tudo passa pelo crivo,  financiamento e o serviço de inteligência do famigerado Foro de São Paulo, inclusive o ativismo que eclode de forma virulenta na Nicarágua, Argentina, Bolívia e Chile, para não falar da própria Cuba, centro estratégico da ação subversiva da entidade do mal  responsável pela repressão que se abate sobre os insurgentes da ilha-cárcere. 

     Bolsonaro e seus eleitores terão de se manter atentos contra a peçonha comunista do Foro de São Paulo agindo, no dizer de Zé Dirceu, para tomar o poder e arrombar os cofres da Nação. 

     É preciso combater essa gente a ferro e fogo!    

 

Fonte: https://diariodopoder.com.br/opiniao/fidel-collor-brasilia-e-o-for



Grupo de Puebla - o novo Foro de São Paulo - Por Nelson F Düring

 COBERTURA ESPECIAL - GUERRA HIBRIDA BRASIL - INTELIGÊNCIA

20 de Outubro, 2019 - 21:55 ( Brasília )

Grupo de Puebla: Nova estrutura substitui o Foro de São Paulo para a retomada do Poder

Nova Organização da esquerda que substituiu o Foro de São Paulo é montada para coordenar uma Guerra Híbrida Continental

 

Nelson F Düring
Editor-Chefe DefesaNet

 

Nova organização da esquerda que substituiu o Foro de São Paulo é montada para coordenar uma Guerra Híbrida Continental. Na foto, sentados Haddad e Mercadante. Foto Grupo de Lima

 

Discretamente, 10 dias antes da XXV Reunião do Foro de São Paulo, realizada em Caracas, na cidade de Puebla, México, foi criada a nova organização, que substituiu o carcomido Foro de São Paulo.

Criado em 1990, na cidade de São Paulo, para buscar formas de apoiar financeiramente Cuba, após o debacle Soviético, serviu de base para que a esquerda tomasse o poder na maioria dos países da América Latina, em especial os mais relevantes, incluiu: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Venezuela.  

Após a perda do poder na maioria dos países e sem fontes de financiamento, que provinham do Chavismo com os petrodólares da Venezuela e do sistema de corrupção montado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil a esquerda trabalhou uma nova estrutura.

O Relatório Otálvora, publicado neste Sábado (19OUT2019) detalha:

 

“De acordo com sua primeira declaração, o Grupo de Puebla pretende "construir um novo projeto comum, aprendendo com nossos erros e recuperando nossa vocação de maiorias e de governo".


A escolha do local, é icônica pois marca os 40 anos da III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (27JAN a 13FEV1979), realizado em Puebla de los Angeles, México.   A Conferência de Puebla teve forte influência do Cardeal Aloisio Loscheider,  arcebispo de Fortaleza, e então presidente da CNBB e também presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano.

A Conferência de Puebla marcou a participação da igreja católica na política da da América Latina nas próximas décadas. Realizado logo início do pontificado de João Paulo II este pouco pode fazer para bloquear o avanço da Teologia da Libertação. A Teologia da Libertação foi banida da Igreja Católica, em 1984.

Entre os fundadores do Grupo de Puebla há políticos da América Latina e da Espanha:

 

- México - Cuauhtémoc Cárdenas;
- Argentina - Alberto Fernández (atual candidato à presidência), Jorge Taiana e Felipe Solá;
- Chile -  Marco Enríquez-Ominami, Alejandro Navarro e José Miguel Insulza;
- Brasil - Lula da Silva, Dilma Rousseff, Fernando Haddad e Aloizio Mercadante;
- Colômbia - Ernesto Samper e Clara López;
- Paraguai -  Fernando Lugo;
- Equador  - Rafael Correa e Gabriela Rivadeneira;
- República Dominicana - Leonel Fernández, e .
- Espanha José Luis Rodríguez Zapatero,
Para Otálvora, o PT brasileiro, o Kirchnerismo argentino, o correismo equatoriano e os socialistas chilenos são o centro do Grupo de Puebla
.

 
O pesquisador venezuelano Pedro A. Urruchurtu publicou uma longa thread em sua conta do twitter (@Urruchurtu),  que vale a pena ver, publicamos alguns pontos:

- Já ouviu sobre o Grupo de Puebla? O que é chamado de “protestos sociais”, tem intereses obscuros por trás: acabar com o Grupo de Lima/Desestabilizar a região. 

-  Reúne “líderes progressistas”, de mais de 10 países da América Latina e Espanha com o tema “ProgresivaMente”.

- Entre seus objetivos está a formulação de propostas progressistas baseadas em valores democráticos, estado de direito, redistribuição de renda, inclusão social, mudanças climáticas, um “espaço de coordenação política” para gerar mudanças sociais, sem partidos, mas com líderes (?).

- Reafirmaram  sua vocação para o diálogo e pela paz, sendo estas as únicas saídas para a Venezuela, rechaçam a “perseguição” contra Lula da Silva, entre outros.

- Se pronunciaram contra Duque, contra Bolsonaro, contra Lenín Moreno e tem negado a possível ativação do TIAR no conflito venezuelano. Sua ações vão direto contra o Grupo de Lima e o bloqueio democrático na OEA. Seu fim e extermirnar ambos.

- Debe-se referir a este grupo e também mencionar o Foro de Sao Paulo? Muitos percebem como substituição do Foro e o  rejuvenescimento do mesmo, para preparar o retorno da esquerda ao Poder
 

Aquí o grande diferencial do Grupo de Puebla. É uma organização que está adaptada para agir em todos os campos: publicamente, nas sombras e em especial na mídia. Os recentes “conflitos sociais” no Equador e no Chile já mostram o perfil traçado para a organização.
 
No Brasil estão alinhadas as tradicionais publicações da esquerda: DCM, Brasil 247 e Carta Capital entre outros. No exterior relevantes: o espanho El Pais, a bolivariana TeleSur e o sistema Russo de Guerra Hibrida baseado no RT e Sputnik.

Analistas internacionais têm alertado DefesaNet que a Rússia não planeja abandonar e menos ainda mudar o status em relação com o Venezuela.  Portanto “o Grupo de Puebla” será uma engrenagem na máquina de desinformação (Fake News) do Kremlin na região.

Ao mesmo tempo introduz na região a GUERRA HÍBRIDA, queiram ou não os militares, o Sistema Brasileiro de Inteligência e a catatônica Escola Superior de Guerra (ESG).

As ações empredidas pelo Grupo de Puebla no Equador como reportados pelo Relatório Otálvora são alarmantes:

“O objetivo de Correa era criar mecanismos para mobilizar grupos organizados em direção às ruas de Quito para proteger o palácio presidencial e enfrentar com violência potenciais grupos de oposição. Desde os "centros de la Revolución Ciudadana", Correa aspirava mobilizar mais de dez mil militantes em duas horas.”

“Na capital equatoriana e em outras cidades, foram registradas ações de grupos claramente organizados, desvinculados do movimento indígena, que mostravam táticas de combate urbano em seus confrontos com policiais e órgãos militares destacados pelo governo. Segundo a versão oficial equatoriana, os grupos violentos estavam diretamente ligados ao correismo.”


Qualquer adaptação cabocla de grupos criminais agindo com motivação política seria uma realidade dantesca impossível de ser avaliada.

Fontes policiais do RJ e SP mencionam, que os grupos ligados ao tráfico, chamam a sí mesmo como “tropa” e se portam como “paramilitares”. Funkeiros e MCs adotam o termo em suas composições.

Surge também em um campo inédito a Justiça, incluindo o Lawfare, o uso do sistema judicial como arma de guerra poítica e económica. O Grupo de Puebla criou o “Consejo Latinoamericano de Justicia y Democracia” (CLAJUD), para reestabelecer a Justiça Social e o Estado de Direito.

O protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF) cumpre atualmente a parte que lhe cabe nesta nova estrutura seguindo as instruções emanadas desde o Grupo de Puebla, via Curitiba.


Alberto Fernández, caso eleito presidente na Argentina, será líder do grupo e por isto convocou a próxima reunião em seu país. Assim, retirará a Argentina do Grupo de Puebla, asumirá posições alinhadas ao México e Uruguai no caso da Venezuela e representará a nova esquerda.

Por último como financiar uma organização tão sofisticada e drenadora de recursos como o Grupo de Puebla?

 No ítem 7 Princípios de Ação, da
 Declaración de Puebla consta:

“diseñar iniciativas efectivas para acabar con el narcotráfico, brindando seguridad y protección a la ciudadania con políticas que promuevan la integración y la convivencia como base para la paz social.”


O que é evidentemente uma falácia. Logo um dos maiores obstáculos ao “Grupo de Puebla” no momento é o Ministro Sergio Moro. Uma das felizes equações inesperadas e que surpreendeu foi a performance do Ministro Sergio Moro como executivo e coordenador das atividades dos órgãos policiais. Está implodindo as rotas do narcotráfico assim como contrabando e ilícitos.

Por isso o CENTRÃO, a imprensa protegida pelo STF e áreas narcotistas do Judiciário necessitam do urgente afastamento do Ministro Sergio Moro.

O atual governo não tem estratégias mínimas para enfrentar ao proposto pelo Grupo de Puebla:

-  Lawfare
-  Guerra Híbrida
-  Guerra Informacional
-  Ações de Gangues criminais organizadas com objetivo político  
-  Entorno geográfico hostil politicamnete
-  Manter ruma estratégia frente à Rússia
-  Qual a posição em relação à China

 
Para a Declaração da Formação do Grupo de Puebla acesse:

https://www.defesanet.com.br/gi/noticia/34607/Grupo-de-Puebla---Declaracion-de-Puebla/ 


O site do Grupo de Puebla - http://progresivamente.org/

Matérias Relacionadas

Relatório Otálvora: As ações e movimentos para retomar as negociações Guaidó-Maduro.Grupo de Puebla substitui o Foro de São Paulo Link 

Fonte: https://www.defesanet.com.br/ghbr/noticia/34608/Grupo-de-Puebla--Nova-estrutura-substitui-o-Foro-de-Sao-Paulo-para-a-retomada-do-Poder/


Declaración de Puebla



1. (Objetivo) Los y las firmantes, reunidos en la Ciudad de Puebla-México; decidimos constituir el Grupo Progresista Latinoamericano, como un espacio de reflexión y de intercambio político en Latinoamérica. Un espacio que, respetando las preferencias partidarias de cada participante, tiene como objetivo analizar los desafíos comunes y de trazar iniciativas conjuntas, en pos del desarrollo integral de nuestros pueblos.

2. (Contexto) Nuestra región experimenta una nueva ola de gobiernos neoliberales, que insisten en promover los intereses y privilegios de una elite socioeconômica, a costillas del desarrollo de nuestros pueblos, frustrando sus posibilidades de desarrollo y bienestar social, a la vez que debilita nuestra soberania, nuestras instituciones democra?ticas, el estado de derecho, la vigencia de los derechos humanos y el ambiente.

3.(Contexto) La preocupación es aún mayor cuando se observan burdas formas de intervención judicial, mediante la deliberada manipulación de procedimientos legales, que buscan silenciar, intimidar o directamente restringir la libertad de las y los representantes populares. En definitiva, buscan la construcción de una hegemonia política a través de la exclusión de las fuerzas progresistas.

4.(Contexto) La hegemonia comunicacional ejercida por parte de las derechas, que contraponen la búsqueda de la igualdad con la legítima aspiración al crecimiento, han permitido la instalación de ideas y relatos que estimulan el individualismo, el miedo a la diversidad y a la ampliación de derechos. A lo anterior, se suma la permanente demonización de los proyectos, las organizaciones sociales y las políticas de transformación progresista, amplificando sus errores y abiertamente desinformando en cuanto a sus logros y avances.

5. (Contexto) Las nuevas tecnologías, que ofrecen un gran potencial para el crecimiento economico, la prosperidad y la sostenibilidad medioambiental, y que hace unos anos se presentaban como aliadas de los movimientos populares progresistas para reclamar derechos y en contra de las políticas neoliberales, actualmente son controladas por monopolios que amplifican los riesgos en materia de desempleo, precarización, desigualdad y generan nuevas inquietudes en términos éticos y morales.

6. (Propuesta) Ante esta situación, invitamos a las y los progresistas a construir un nuevo proyecto común que, aprendiendo de nuestros errores y recuperando nuestra vocación de mayorías y de gobierno, nos permita devolverles a nuestros pueblos la esperanza de una sociedad más justa, más solidaria, más igualitaria. Proponemos diseñar una nueva mirada, que se ajuste a los nuevos tiempos y convoque a todos los sectores de la sociedad a cuestionar el orden imperante, denunciando los intereses de la derecha, laboralizando la política a través de nuevos vínculos entre el mundo del trabajo y nuestros debates, y promoviendo las nuevas expresiones de organización social y ciudadana, que buscan la igualdad de los derechos entre hombres y mujeres, la protección del medio ambiente, la inclusión y respeto de las diversidades, una mayor transparencia y la participación de la ciudadania en la toma de decisiones.

7. (Principios de Acción) Por ello, las y los firmantes impulsaremos iniciativas conjuntas, que sienten las bases que permitan: lograr erradicar el hambre, garantizando una alimentación nutritiva, base para el desarrollo cognitivo e integral de las personas; garantizar una educación y salud pública de calidad junto con el acceso a una vivienda digna como pilares del desarrollo social; impulsar un modelo economico de crecimiento con inclusión, que supere el modelo primario agroexportador de bajo valor agregado; defender el trabajo en un escenario de disputa contra-hegemonica, reforzando y protegiendo nuestro tejido social; democratizar el acceso a la innovación y la tecnologia, para que pequeñas y medianas empresas también puedan participar en la nueva economia del conocimiento; abordar de forma integral la situación energética de la región, con acceso universal a servicios energéticos de manera sostenible; y diseñar iniciativas efectivas para acabar con el narcotráfico, brindando seguridad y protección a la ciudadania con políticas que promuevan la integración y la convivencia como base para la paz social.

8. (Metodologia) En cuanto a la metodologia para la acción conjunta proponemos: la firma de esta declaración que integra las principales líneas estratégicas que guiarán la actuación de este Grupo; el establecimiento de un mecanismo de solidaridad horizontal, de cara a los embates jurídicos, políticos o economicos que amenazan con la estabilidad de nuestros gobiernos o la dignidad y libertad de nuestros dirigentes; la creación de un espacio digital que, sumado a los encuentros presenciales, nos permita conectarnos, actualizar la información y promover el diálogo entre diversos actores sociales de manera continuada; y la creacio?n de espacios que analicen y asesoren al grupo sobre temas específicos como la ya creada Comisio?n por la Justicia y la Democracia, conformada por juristas latinoamericanos para enfrentar las embestidas de la guerra judicial.

9. (Mandato) Mandatamos a la Secretaráa Permanente de este Grupo Progresista Latinoamericano a coordinar encuentros dinamicos cada 3-6 meses que reunan personalidades del campo nacional y popular de diversos ambitos, para dar respuesta a problemas concretos y seguir contribuyendo a un nuevo compromiso progresista. Proponemos celebrar el próximo encuentro del Grupo Progresista Latinoamericano en los próximos meses en una ciudad a definir.

10. Por último, celebramos el triunfo de Andrés Manuel López Obrador y Morena en México y alentamos el triunfo de los liderazgos populares de Daniel Martínez, Evo Morales y Alberto Fernández en las próximas elecciones en Uruguay, Bolivia y Argentina respectivamente.

 

Firmado, en la ciudad de Puebla, a los 14 días del mes de Julio de 2019

Cuauhtémoc Cárdenas Solórzano

Karol Aída Cariola Oliva

Julián Andrés Domínguez

Marco Enríquez-Ominami

Carlos Figueroa Ibarra

Fernando Haddad

Miguel Barbosa Huerta

José Miguel Insulza Salinas

Camilo Lagos

Guillaume Long

Clara Eugenia López Obregón

Esperanza Martinez

Daniel Carlos Martínez Villamil

David Méndez Márquez

Aloizio Mercadante Oliva

Alejandro Navarro Brain

René Ortiz

Carlos Octavio Ominami Pascual

Yeidckol Polevnsky Gurwitz

Gabriela Alejandra Rivadeneira Burbano

Ernesto Samper Pizano

Felipe Carlos Solá

Carlos Sotelo García

Jorge Enrique Taiana

Carlos Alfonso Tomada

Carol Proner


Original 
https://progresivamente.org/2019/07/14/declaracion-de-puebla/


Fonte: https://www.defesanet.com.br/gi/noticia/34607/Grupo-de-Puebla---Declaracion-de-Puebla/



quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Foro de São Paulo - Vários textos

 

Criação do Foro de São Paulo, Hotel Danúbio, São Paulo, 1990.


Foro de São Paulo - vários textos


Fidel, Collor, Brasília e o Foro

Por Ipojuca Pontes

https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/08/fidel-collor-brasilia-e-o-foro-por_5.html


Grupo de Puebla: Nova estrutura substitui o Foro de São Paulo para a retomada do Poder

Por Nelson F Düring - Editor-Chefe DefesaNet

https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/08/grupo-de-puebla-o-novo-foro-de-sao.html 

Foro de São Paulo

Vários links e Atas do Foro

https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/07/foro-de-sao-paulo.html

 

Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil

Por Felipe Moura Brasil

https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/conheca-o-foro-de-sao-paulo-o-maior-inimigo-do-brasil/

 

60 mil soldados cubanos ocupam a Venezuela

Por Diogo Arria

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/08/60-mil-soldados-cubanos-ocupam.html

 

Foro de São Paulo: a cubanização da América Latina

Por Carlos I. S. Azambuja

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/foro-de-sao-paulo-cubanizacao-da_28.html

 

URSAL: a mãe do monstro

Por Ipojuca Pontes

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/ursal-mae-do-monstro-por-ipojuca-pontes.html

 

Foro de São Paulo e a Quinta Internacional do castro-lulismo

Por Antonio Sánchez García

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/foro-de-sao-paulo-o-brasil-e-quinta.html

 

Um pouco de história sobre o Foro de São Paulo

Por Carlos I. S. Azambuja

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/um-pouco-de-historia-sobre-o-foro-de.html

 

PT e Foro de São Paulo: 20 obras que o BNDES financiou em outros países

Por Mises Brasil - https://www.mises.org.br/

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/pt-e-foro-de-sao-paulo-20-obras-que-o.html

 

Foro de São Paulo, um perigo para a democracia

Por Ricardo Puentes Melo

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/o-foro-de-sao-paulo-um-perigo-para.html

 

Que é o Foro de São Paulo?

Por Alejandro Peña Esclusa

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/que-e-o-foro-de-sao-paulo-por-alejandro.html

 

Foro de São Paulo, um onagro que não ousa dizer seu nome

Por Félix Maier

https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/05/foro-de-sao-paulo-um-onagro-que-nao.html


O Foro de São Paulo não é uma fantasia

Por Reinaldo Azevedo

http://www.grupoinconfidencia.org.br/sistema/index.php?option=com_content&view=article&id=120:o-foro-de-sao-paulo-nao-e-uma-fantasia&catid=97:Artigos%20Cl%C3%A1ssicos&Itemid=145

 

O poder ditatorial do Foro de São Paulo

Por Osmar José de Barros Ribeiro

http://www.grupoinconfidencia.org.br/sistema/index.php?option=com_content&view=article&id=102:o-poder-ditatorial-do-foro-de-sao-paulo&catid=95:Artigos%20Recentes&Itemid=143

 

OEA, um órgão do Foro de São Paulo

Por Olavo de Carvalho http://www.grupoinconfidencia.org.br/sistema/index.php?option=com_content&view=article&id=99:oea-um-orgao-do-foro-de-sao-paulo&catid=95:artigos-recentes&Itemid=143

 

O Foro e o cerco de Honduras

Por Ipojuca Pontes

http://www.grupoinconfidencia.org.br/sistema/index.php?option=com_content&view=article&id=92:o-foro-e-o-cerco-de-honduras&catid=95:Artigos%20Recentes&Itemid=143

 

Ainda o Foro de São Paulo

Editorial do jornal Incondidência

http://www.grupoinconfidencia.org.br/sistema/index.php?option=com_content&view=article&id=66:ainda-o-foro-de-sao-paulo&catid=95:Artigos%20Recentes&Itemid=143


Foro de São Paulo

Site do onagro neocomunista

https://forodesaopaulo.org/


Influência do Foro de São Paulo nas Estratégias Políticas das Esquerdas Latino-Americanas (1990-2019)

Por Yuri Soares Franco

Universidade de Brasília – Dissertação de pós-graduação em História

https://repositorio.unb.br/handle/10482/40506



Livros:

 

O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial

Autor: Heitor de Paola

 

O Foro de São Paulo

Autora: Graça Salgueiro

 

A Quadrilha: O Foro de São Paulo

Autor: Robson Pinheiro

 

Nasce o Terrorismo no Brasil – O Foro de São Paulo perdeu uma das joias da coroa, só lhes resta o terrorismo para retomá-la!

Autor: Tiago Geordani

 

A Hidra Vermelha

Autor: Carlos Ilich Santos Azambuja

 

Lavagem Cerebral: Como as Universidades Doutrinam a Juventude

Autor: Bem Shapiro

 

Do Partido das Sombras ao Governo Clandestino

Autor: David Horowitz

 

Os Donos do Mundo

Autora: Cristina Jiménez