A epopeia da construção da BR-174 (Manaus-Boa Vista)
Por
General Gentil Nogueira Paes - em "História Oral do Exército/1964"
General Hamilton Bonat - crônica
ÍNDIOS MASSACRAM PESSOAL DA FUNAI DURANTE A CONSTRUÇÃO DA RODOVIA BR-174 (MANAUS-BOA VISTA)
“Comandei o 2º. Grupamento de Engenharia de Construção, na Amazônia, durante quatro anos. Uma das missões dos Batalhões do Grupamento era a construção da Rodovia Manaus-Boa Vista – fronteira com a Venezuela. Era a BR-174.
Quando assumi aquele Comando, em junho de 1974, essa estrada possuía duas frentes de serviço. Por se desenvolver no sentido norte-sul e cortar a Linha do Equador, o regime de chuvas era diferente em cada extremidade da rodovia. Em vista disso, conforme a estação chuvosa, trocávamos os elementos do sul para o norte e vice-versa. Encontrei o Batalhão com sua frente de serviço no Rio Abonari, que era a divisa de uma reserva indígena de duas tribos muito agressivas.
Na base localizada junto ao rio, ao lado sul, fora da reserva, havia o acampamento da companhia de engenharia que implantava aquele trecho da estrada. Ao norte do rio, dentro da reserva indígena, localizava-se o acampamento da Fundação Nacional do Índio (Funai), que fazia as ligações com os índios – porque o Exército, quando fez o convênio com o Ministério dos Transportes, para a construção dessa rodovia, exigiu que todo o contato com os índios fosse feito pela Funai.
Antes desse convênio, houve uma missão da Funai, organizada com a finalidade de fazer contatos preliminares com os índios, para explicar-lhes que iria ser construída aquela estrada. A essa missão foi incorporado um padre, que se chamava João Calleri. Pois bem, os índios pegaram essa expedição composta de 11 pessoas e mataram 10, inclusive o Padre Calleri, tendo escapado um mineiro funcionário da Fundação. Foi o primeiro ataque. Quando fizemos a ponte sobre o Rio Abonari, denominei-a Ponte Padre Calleri.
Havia duas tribos naquela reserva: a tribo dos atroari e a dos waimiri. O delegado da Funai, na Amazônia, considerava que os atroari eram agressivos e os waimiri, não. Estes eram seus amigos, frequentavam sua casa em Manaus, onde o cacique Maruaga se hospedava, quando ia tratar-se na Cidade. O delegado ficava na maloca dos índios, também. Como afirmei, assumi o Comando do Grupamento em junho de 1974.
No mês de outubro, os índios chegaram ao acampamento da Funai e combinaram que no dia seguinte um grupo sairia para caçar e outro iria para a roça – a Funai tinha uma roça para ensinar os índios a plantar. Quando amanheceu o dia, o grupo que ficou para plantar atacou e matou todos os que estavam no acampamento, menos um que escapou, e os que foram caçar atacaram os funcionários da Fundação que o acompanhavam e mataram todos. Foi o segundo ataque.
No mês seguinte, reuni o pessoal e fiz várias determinações, entre as quais que ninguém poderia trabalhar em grupo com menos de 15 homens. Mas tinha um empreiteiro – era até um cearense – que trabalhava abrindo picadas na mata e bem à frente do serviço. Disse-me que os índios eram seus amigos, que tratava deles fornecendo-lhes remédios e comida, que tinha toda confiança neles. Ainda lembrei ao André – era esse o nome do empreiteiro – que havia proibido grupos com menos de 15 homens. Ele saiu dali e mandou uma turma de quatro homens a 20 km adiante do nosso acampamento. O grupo foi atacado pelos índios. Três morreram e um escapou com uma flecha atravessada no peito. Foi o terceiro ataque.
No quarto ataque, os índios mataram todos os homens da Funai, no acampamento, inclusive o delegado da Fundação na Amazônia, o Gilberto Pinto – muito amigo nosso – do qual tenho ainda uma fotografia com uma flecha atravessada no tronco. Mataram todos, escapou somente um. Por coincidência, em todos os quatro ataques, sempre escapou um. O povo dizia que era para contar a história, mas acho que não, pois esse camarada só escapou porque se atirou no rio e saiu mergulhando.
Em todos esses episódios, foram atacados, exclusivamente, o pessoal da Funai e esse empreiteiro. Nunca houve atrito de militares, ou mesmo civis do Grupamento, com os índios. Nos ataques, nenhum índio foi morto ou ferido; todos os mortos foram abatidos pelos índios. Essa é a história real.
Pasquim manauara acusa Exército de “exterminador de índios”
Pois bem, passei o Comando do Grupamento em 1978 e, cinco ou mais anos depois, já tendo me retirado da Ativa do Exército, recebi uma carta de um amigo, que estava servindo em Manaus, mandando-me um recorte de jornal daquela cidade, uma espécie de ‘Pasquim’, imprensa marrom que só faz chantagem. O dono do jornal, o Sr. Lucena, por conta disso, foi eleito vereador, deputado e senador, e como senador, em Brasília, acabou dando um tiro na cabeça, justiça com as próprias mãos.
A reportagem do jornal me acusava – e ao Exército – de ‘exterminadores de índios’, e dava conta da morte de milhares de índios. Ora, não havia morrido nenhum índio! Redigi uma carta detalhada a esse colega e o autorizei a falar com o Comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA), dizendo que estava à disposição para ser interrogado e prestar todos os esclarecimentos necessários, se ele quisesse fazer qualquer investigação. Eles acharam melhor arquivar aquilo, não houve providências. Fiquei tranquilo.
A farsa do repórter Francisco José, do Fantástico
Posteriormente, me aparece aqui em Fortaleza, no meu apartamento, uma equipe de reportagem da Rede Globo, do Fantástico. O repórter Francisco José subiu ao apartamento, com sua equipe. Conversamos mais de meia hora. Expliquei tudo, contei toda a história, que não se matou nenhum índio. O repórter, afirmando que só queria a minha palavra, armou toda aquela parafernália na sala do meu apartamento, leu aquele trecho da reportagem, onde constavam as acusações contra mim e contra o Exército e pediu que eu dissesse se aquilo era verdade ou não. Disse que era mentira, que jamais um índio fora ferido. E relatei tudo de novo. Pois bem, quando a matéria saiu no Fantástico, a única fala minha era essa: ‘É mentira!’ Mais nada. O repórter só queria mostrar que eu tinha sido ouvido. Não deu direito ao público de conhecer toda a história que lhe foi revelada, porque ele gravou mas não publicou. Ficou nisso.
A revista Terra “mata” 200 soldados!...
Uns anos depois, recebo em casa um número da revista Terra, que eu assinava, trazendo uma reportagem sobre a ligação Manaus-Caribe, aquela estrada em que trabalhei e onde aconteceu toda a história. A reportagem era muito bonita, muito bem-feita, mas copiava tudo o que a mídia já tinha dito e ainda acrescentava que tinham morrido 200 soldados. Escrevi uma carta para a revista, contestando aquilo tudo, contando a história verdadeira. Ora, dizer que tinham morrido duzentos soldados! Isso era todo o efetivo da Companhia que trabalhava lá! Então a revista publicou uns pequenos trechos da minha carta, sem comentário, sem nenhum destaque. A verdade continou sendo negada ao público.
Narrando esses fatos, desejo mostrar o quanto é difícil modificar algo na mídia, principalmente quando interessa aos repórteres atacar as Forças Armadas. Nesses três episódios, como se vê, nada foi modificado, e lá continuamos nós, eu e o Exército, como ‘exterminadores de índios’ ” (General-de-Brigada Gentil Nogueira Paes, Tomo 12, pg. 142-145).
***
Obs.:
A respeito do assunto, leia a fake history propalada pela imprensa (e o comentário do Coronel Hiram Reis e Silva):
https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/06/indios-assassinos-reclamam-de-genocidio.html
F. Maier

Circo de Horrores – 27.02.2019
Os Waimiri-Atroari – Parte VIII
Hiram Reis e Silva, Florianópolis, SC, 11.03.2019
Pela linguagem do corpo, você diz muitas coisas aos outros. E eles têm muitas coisas a dizer para você. Também nosso corpo é antes de tudo um centro de informações para nós mesmos. É uma linguagem que não mente […]
(O Corpo Fala – Pierre Weil e Roland Tompakow)
Fui convidado, pelo Gabinete do Comandante do Exército, a integrar, como “Assistente Técnico”, a equipe da Assessoria Jurídica do Comando Militar da Amazônia (CMA) em defesa da União contra uma ação movida pelo Ministério Público Federal que acusa as Forças Armadas de massacre do povo Waimiri-Atroari. Mais uma pantomima orquestrada pelos órfãos do muro de Berlim, que não se preocupam em onerar os cofres públicos desnecessariamente, uma denúncia carregada de um viés puramente ideológico, baseado no testemunho de indivíduos inidôneos sem que sejam apresentadas quaisquer tipos de provas contundentes. Um apa¬rato enorme deslocou-se para a área da Associação Comunidade Waimiri-Atroari (ACWA), à margem direita do Rio Alalau, já em Roraima, e antiga sede da Frente de Atração (FAWA), que na minha época (1982/83) era coordenada pelo Padre Giuseppe Cravero. Na mídia ali representada estava presente o jornalista Rubens Valente sua “trupe”, do pasquim Folha de São Paulo, o recordista nacional em “Fake News” no Brasil e no exterior ( ).
Rubens Valente é autor de “Os Fuzis e as Flechas – História de Sangue e Resistência Indígena” e jornalista da Folha de São Paulo, desde 2000, um representante da mídia totalmente “isento” para reportar os fatos. Antes do início dos trabalhos consegui fazer contato com o Viana, antigo Capitão da Aldeia Terra-plenagem, para entregar-lhe algumas fotos dele, sua esposa Kátia e sua filhinha recém-nascida – Ângela, nos idos de 1982. O Viana, muito meu amigo, agradeceu emocionado e demonstrou um certo constrangimento por tudo que estava acontecendo.
Cronologia Reversa
Minha filha Danielle, nascida no dia 08.01.1982, era mais velha uns sete meses do que a Ângela, e aparecia, em uma das fotos, ao lado da Kátia e da Ângela e perguntei ao Viana quando sua filhinha tinha nascido e ele afirmou categoricamente que tinha sido em julho de 1981. A dificuldade em estabelecer marcos temporais dentro de um contexto histórico sempre foi uma característica bastante marcante entre os WA.
Tradutores (???)
A maioria dos “informantes” solicitou o apoio dos intérpretes para que lhes traduzissem as perguntas feitas pelos advogados e sua repostas. É interessante verificar que o Elsa, agora conhecido por “Elso” (masculinizou-se o vocábulo, contrariando todos os registros anteriores em que outros líderes, bem mais antigos, ostentavam o mesmo nome), fizera uso dos tradutores. Há 37 anos, o Elsa permaneceu durante uma semana na sede da 1ª Cia de E Cnst, no Abonarí, até o nascimento de sua filha Sônia, onde conversava animadamente com militares e funcionários. Outro dos informantes, de camiseta azul, que havia respondido, sistematicamente, às perguntas, antes mesmo que se fizesse a devida tradução, sentou-se atrás de mim, depois de sua oitiva, e me narrou com detalhes os problemas de saúde enfrentados pelo do Presidente da Associação Waimiri-Atroari ‒ Mário Parwe, depois de um acidente automobilístico. Procurei o Mário e convidei-o para conversar do lado de fora da maloca, e ele me confidenciou que sentia muita dor de cabeça e tinha o abdômen inchado mas que tinha receio de procurar os médicos com medo de que precisasse se submeter a alguma cirurgia.
Contei-lhe de meu acidente, em 1985, no Rio de Janeiro e das onze cirurgias reparadoras a que tive de me submeter, abri a camisa e mostrei-lhe a enorme cicatriz da laparotomia a que tinha me submetido. Deixei meu telefone com ele, caso mudasse de ideia tenho certeza que nossos médicos militares poderiam atendê-lo. O Mário, visivelmente emocionado, e dois jovens WA que o cercavam, quase às lágrimas, agradeceram-me. Tenho quase certeza de que os militantes esquerdistas farão de tudo para que ele não aceite minha oferta, mesmo que isso venha a comprometer seriamente sua saúde.
Lógica Absurda
O termo “Kamña” é utilizado pelos Waimiri-Atroari para designar os não índios e “Kiña” que significa “a nossa gente”, ou seja, o povo Waimiri-Atroari. Um dos “informantes” relata que chegou a uma das Aldeias, à noite, onde todos os “Kiña” estavam mortos e que conseguiu esfaquear um dos “Kamña” quando um deles tentou entrar na maloca e, pasmem, todos os demais “Kamña” fugiram ao verificar que um dos seus tinha sido ferido. Noutra declaração o Viana e outro “informante” entram em contradição ao afirmar que ao chegar em uma das Aldeias, atacadas pelos “Kamña”, e encontrar todos mortos, Bornaldo assegura que foi amparado pelo tio, ao mesmo tempo que o Viana garante que ele chegou sozinho até a Aldeia onde o outro “informante” já se encontrava. É interessante que alguns dos “informantes” garantem que helicópteros fizeram uso de agentes químicos contra duas malocas e que simultaneamente uma tropa a pé invadiu as aldeias para eliminar os sobreviventes, sem levar em conta o efeito residual que o produto usado como arma química provocaria em seus organismos. No Vietnã, onde o agente laranja foi empregado, o efeito residual do produto usado como arma química só se extinguiu em 40 anos. Os esporos do antraz, por exemplo, podem apresentar uma sobrevida de até duzentos anos. Nenhuma dos “informantes” afirmou, porém, que a tropa terrestre usava máscaras protetoras de qualquer espécie.
Agentes QBRN
A doutrina militar das Forças Armadas não prevê a fabricação ou uso ofensivo de Agentes Químicos, Bacteriológicos, Radiológicos ou Nucleares. O Sistema de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN) no âmbito das Forças Armadas é defensivo e faz parte de uma política nacional de prevenção, con¬tenção e medidas contra armas químicas e biológicas. É necessário e urgente aumentarmos ainda mais a nossa capacidade de prevenção, contenção e medidas contra essas armas não só pelas Forças Armadas, mas também adestrar e equipar os agentes de saúde e de segurança pública, nas indústrias químicas e farmacêuticas e em institutos de pesquisas nacionais criando assim uma ampla rede de vigilância epidemiológica.
Armas Químicas e Biológicas
(Ministério das Relações exteriores)
O Brasil faz parte da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas [CPAQ], que proíbe o desenvolvimento, a produção, a aquisição, a estocagem, a retenção, a transferência e o uso desse tipo de armamento. A Convenção tem contribuído para livrar o mundo de armas químicas e é considerada um modelo a ser seguido na área de desarmamento e não proliferação, em particular na área nuclear.
O órgão criado para velar pela implementação da CPAQ é a Organização para a Proibição de Armas Químicas [OPAQ]. Em sua atuação nesse órgão, o Brasil atribui prioridade à destruição completa dos arsenais químicos ainda existentes. Detentor da sétima maior indústria química mundial, o Brasil avalia que os controles na área de desarmamento químico não devem gerar obstáculos adicionais para o progresso técnico e científico dos países em desenvolvimento.A Convenção sobre a Proibição de Armas Biológicas e Toxínicas (CPAB) foi o primeiro tratado multilateral a banir a produção e o uso de uma categoria completa de armamentos. Ratificada pelo Brasil em 1976, a CPAB proíbe o desenvolvimento, a produção, a estocagem, a transferência, a aquisição e o uso de armas biológicas e toxínicas, bem como determina a destruição de estoques existentes. A CPAB não prevê medidas de verificação do seu cumprimento pelos Estados-partes.
O Brasil defende a criação de um mecanismo de verificação do cumprimento da Convenção, mas ainda não foi possível atingir consenso internacional sobre esse assunto.
O poder letal desses agentes químicos deixaram um rastro de horrores e destruição, que jamais serão esquecidos, na história da humanidade:
1. 1ª Guerra Mundial (1914/19)
A Primeira Guerra Mundial foi a primeira a introduzir agentes químicos no combate. Em 1915, os alemães, em Ypres (Bélgica) usaram gás clorídrico contra as tropas aliadas e a partir de então o uso destas armas propagou-se no campo de batalha. Surgiram então, outros agentes como fosgênio, cianeto e gás mostarda. O mundo estarrecido com efeito destes produtos, assinou, em 1925, o Protocolo de Genebra (15 países signatários), que proibia o emprego de armas químicas e bacteriológicas.
2. Alemanha Nazista (1933/45)
Adolf Hitler exterminou seis milhões de judeus nas câmaras de gás empregando um pesticida a base de ácido cianídrico, cloro e nitrogênio (Zyklon B).
3. Massacre de Halabja (1988)
No final da Guerra Irã-Iraque, Saddam Hussein utilizou armas químicas em Halabja, no Curdistão Iraquiano para remover curdos de diversas aldeias no norte do Iraque, episódio que ficou conhecido como “Sexta-feira Sangrenta” (16.05.1988). Neste ataque foi utilizado gás mostarda e sarin. O massacre provocou a criação da Convenção das Armas Químicas das Nações Unidas, em 1997, um pacto internacional banindo a produção, estoque ou uso de armas químicas. Hussein ainda utilizou gás mostarda e sarin contra o Irã, matando mais de 20.000 pessoas, para obrigar o Irã, a negociar.
4. Crise dos Reféns em Dubrovka (2002)
Na noite do dia 23.10.2002, cerca de 800 pessoas assistiam um musical em um teatro em Dubrovka (Moscou), quando. de repente, militantes chechenos fizeram todos os presentes reféns. Após 48 horas de negociação, os russos lançaram um gás tóxico no sistema de ventilação do teatro matando quase todos os militantes e mais de 100 reféns.
5. Ataque Químico de Ghouta (2013)
No dia 21.08.2013, um ataque do governo sírio, com sarin, durante a Guerra Civil resultou em mais de 1.500 mortes.
É interessante verificar que os organismos internacionais não citam, em nenhum de seus relatórios, o suposto massacre com armas químicas dos 2.650 Waimiri-Atroari.
Inversão Cronológica
Até a audiência nas Terras do WA os militantes da famigerada “Comissão da ‘In’Verdade” nos acusavam de ter promovido o extermínio do povo Waimiri-Atroari a partir de março de 1975, após os massacre promovidos pelos “Kiña” nos idos de 1968, 1973 e 1974, apresentando uma série de testemunhas inidôneas e fictícias. Agora numa esdrúxula metamorfose cronológica os “Kiña” afirmam terem promovidos os referidos massacres como uma ação de resistência às pseudos-atrocidades patrocinadas pelo Estado Brasileiro ao seu povo.
Os “informantes” iniciaram suas locuções mentindo ao afirmar que não dominavam a língua portuguesa e continuaram cometendo perjúrio ao apresentar uma novela ficcional, mal engendrada, cheia de contradições e sem provas materiais que a sustentassem.
O Corpo Fala
Outra coisa que chama a atenção em cada um dos depoimentos é a falta total de manifestação emotiva por parte de todos os “informantes” quando estes relatavam a morte violenta de seus familiares. Imediatamente lembrei-me de uma série americana chamada “Lie To Me” (Engana-me se Puder) que estreou na FOX, em 21.01.2009. Nela o Dr. Cal Lightman (Tim Roth), coadjuvado pela Dr. Gillian Foster (Kelli Williams), detectam mentiras, observando a linguagem corporal e as micro expressões faciais, usando esse talento para colaborar com a lei. O personagem Dr. Cal Lightman é baseado no psicólogo americano Paul Ekman, pioneiro no estudo das emoções e expressões faciais, que foi considerado um dos 100 mais notáveis psicólogos do século XX. Não é preciso ser um especialista na leitura da linguagem corporal e expressões faciais para verificar que as “estórias” de cada um dos informantes tinham sido previamente elaboradas, decoradas e contavam agora com o apoio e orientação dos “tradutores”.
Falsa Acusação de uso de Napalm
A Revista do “Instituto Humanitas Unisinos” (IHU On-Line) entrevistou, no dia 20.04.2012, o farsante Egydio Schwade que distorce os fatos a seu bel prazer de maneira a transformá-los em factoides que apoiem suas pérfidas teorias:
IHU On-Line – Qual era o posicionamento da FUNAI nessa época? Havia dissidência no órgão?
Egydio Schwade – […] Na época, eu era secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário Nacional – CIMI e nós pedimos, numa das primeiras assembleias na Amazônia, realizada em Belém, em 1975, que o governo suspendesse imediatamente a construção da BR-174 para que houvesse contato pacífico com os índios. […]
A notícia que se tem é de que muitos indígenas foram mortos, uns com napalm, outros eletrocutados, ainda outros com armas de fogo. E a FUNAI não só sabia da violência dos militares contra os índios, mas até participou de reunião com o 6° Batalhão de Engenharia de Construção – BEC onde foi decidido o uso de armas de fogo, dinamite, metralhadoras e de granadas.
Os primeiros lança-chamas foram empregados na 1ª Guerra Mundial, mas como eram pouco eficientes, foram sendo aperfeiçoados pelo “US Chemical Warfare Service”, Centro de Guerra Química dos Estados Unidos da América – EUA. Nos idos 1941, Louis Fieser, da Universidade de Harvard, liderou uma equipe de pesquisadores que desenvolveram o napalm, que, mais tarde, foi amplamente utilizado na Guerra do Vietnã (01.11.1955 a 30.04.1975). No período de 1963 a 1973, foram lançadas 388.000 toneladas de napalm sobre o Vietnã, dez vezes a quantidade de napalm usado na Coréia e quase vinte vezes do que foi empregado no Pacífico. Inicialmente foi empregada nos lança-chamas pelos aliados para neutralizar bunkers e trincheiras, consumindo o oxigênio e provocando a asfixia. Mais tarde, os bombardeiros lançavam bombas de napalm, que provaram ser muito mais destrutivas do que os lança-chamas.
Apenas uma bomba de napalm era capaz de incendiar uma área de 2.000 m2, gerando temperaturas de 800° a 1.200° Celsius. Depois da Guerra do Vietnã, o Napalm foi empregado apenas no Saara Ocidental (1975/91, pelas forças marro¬quinas), no Irã (1980/88), no Iraque (1980/88 e em 1991), em Angola (1993), na Argentina (1982) e na Iugoslávia (1991/96).
Nunca, em tempo algum, este tipo de bomba foi utilizada pelas Forças Armadas Brasileiras. A foto (Imagem 61) que representaria um ataque deste tipo à uma Maloca dos WA, serviria de motivo de chacota perante qualquer grupo de peritos em armamento. Embora alguns extremistas afirmem que estas bombas já tinham sido usadas pelo Exército Brasileiro, durante na Guerrilha do Araguaia, não existe nenhuma prova física que comprove tal fato.
Napalm Lançado por Helicópteros UH-1H
Os versáteis helicópteros UH-1H Iroquois foram utilizados, pela primeira vez, no Vietnã, alterando definitivamente a doutrina de emprego destas aeronaves. Embora sua nomenclatura oficial seja de UH-1, de “helicóptero utilitário”, as novas versões de ataque e transporte consagrariam seu codinome de “Huey”. Os UH-1H participaram, no Brasil, das mais diversas missões, tais como, infiltração e exfiltração de patrulhas, evacuação de feridos, transporte de material, mapeamento nos programas RADAM e DINCART, vacinação de indígenas na Amazônia, apoio em catástrofes naturais, demarcação de fronteiras, transporte de urnas eleitorais… O UH-1H jamais foi empregado como lançador de bombas tipo napalm nem no Brasil, nem em qualquer outro lugar do mundo. A ligação dos helicópteros com o napalm se deve ao fato de que bombas incen¬diárias lançadas por aeronaves de asa fixa, na Guerra do Vietnã, tinham como objetivo a rápida abertura de clareiras para a aterrissagem de helicópteros. Por sua versatilidade de emprego os Huey participaram dos principais confrontos contemporâneos. Além dos EUA, ainda é operado em países como Nova Zelândia, Colômbia, Bolívia, Canadá, Austrália, México, Espanha, Chile e também no Brasil. A autonomia do UH-1H é de 507 km e a distância de Manaus-Rio Alalau-Manaus 560 km, inviabilizando qualquer tipo de operação na área.
Encerramento dos Trabalhos
Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente.
(Código Penal alterado pela Lei nº 10.028, de 2000)
Como estava previsto, toda aquela ridícula pantomina foi encerrada na hora aprazada – 16h00, apesar dos protestos dos advogados do Ministério Público Federal que se comportaram, durante todo o evento, mais como ativistas políticos do que defensores da justiça.
Ao sair da maloca, fui abordado por um jornalista, que citando meu posto e nome completo, indagou se eu estaria disposto a conceder-lhe uma entrevista. Acho que ele tinha percebido que eu conhecia os líderes Waimiri-Atroari e desfrutava de sua amizade. Sem vacilar respondi que sim, e perante a Câmera me identifiquei, e disse o quanto me magoava estar assistindo aquele Teatro de Horrores engendrado pela “Comissão da ‘In’Verdade” e seus acólitos com o fim precípuo de acusar o Exército Brasileiro de ser um dos patrocinadores do processo de extermínio do “Kiña”. Sabia que, mais uma vez, a imprensa não levaria minha opinião às telas na sua totalidade tendo em vista que minhas declarações não estavam em sintonia com a do repórter que me entrevistava.
Link SBT: https://youtu.be/2WbhmpFCHS0
Lembrei-me de um fato semelhante, no final de agosto de 2018, quando um repórter da Rede Amazônica, por ocasião dos preparativos de minha descida do Rio Tacutu, de Bonfim (RR) a Boa Vista (RR), antes de encerrar a entrevista resolveu, totalmente fora do contexto, me perguntar em quem iria votar e eu lhe respondi, sem excitar que ia votar no meus amigos, referindo-me ao meu colega de turma do Colégio Militar de Porto Alegre e Academia Militar das Agulhas Negras – General Mourão e no Presidente Bolsonaro.
O repórter, desconcertado, disse que não era essa a resposta que ele esperava, ao que eu lhe respondi que:
‒ Essa era minha resposta.
Logicamente a entrevista foi censurada pelos “democratas de plantão” e não foi ao ar no dia seguinte.
Conclusão
Onde estão os restos mortais destes supostos massacres? Que helicópteros são esses capazes de tal autonomia? Que tropa biônica foi essa capaz de entrar em uma aldeia contaminada por armas químicas sem usar máscaras?…