MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Poeira d'água - Por Félix Maier

 



Poeira d’água

 

 Félix Maier 

 

Poeira d'água, queda deslumbrante,
Nas cachoeiras brasileiras a cair,
Um espetáculo majestoso, galante,
Que faz a alma dos visitantes florir.

Entre todas, a mais exuberante,
As Cataratas do Iguaçu a brilhar,
Com sua força, beleza radiante,
Um ícone da natureza a exaltar.

O rugido das águas, som bombástico,
Embalando a alma em forte balanço,
Enquanto o arco-íris surge, fantástico.

E assim, a poeira d'água se levanta,
Uma obra de arte em constante avanço,
Um espetáculo que a natureza encanta.



O advogado e o caipira - Por Félix Maier



O advogado e o CAIPIRA

 

 Félix Maier

 

Era uma vez, quando um casal fez uma viagem num possante carro para passar um fim de semana numa hospedagem rural à beira de um lago. O marido era famoso advogado na cidade e sua mulher estava grávida, com o filho próximo a nascer. 

A certa altura, o motorista, ao passar por um capiau a pé, que estava puxando um burrinho com cestos de capim elefante, diminuiu a velocidade do carro e fez troça dele, chamando-o de Jeca Tatu. 

O camponês nem se importou, mesmo quando o motorista levantou uma forte poeira, acelerando o carro, o que deixou o colono invisível no meio de uma nuvem de pó. 

Pouco depois, antes de chegar na pousada, a mulher grávida começou a passar muito mal e pediu para parar um pouco o carro, porque os solavancos da estrada de terra esburacada a estavam incomodando muito. 

O motorista parou o carro e começou a fazer carinho na barriga da mulher, para dar conforto e diminuir a dor. Porém, a bolsa estourou e a criança estava prestes a nascer. 

O marido, sem saber o que fazer, corria em volta do carro como peão a cavalo em volta dos tambores. A mulher pediu para ele pegar umas fraldas de pano e forrar o assento do carro, porque estava para dar à luz. 

Nisso, apareceu o Jeca Tatu e, vendo a situação de desespero do casal, se ofereceu para ajudar o nascimento do bebê. O marido relutou, mas, com o assentimento da mulher, permitiu que ele auxiliasse no parto, depois que ele disse que ser um bom parteiro. 

Providenciando água, panos, álcool e uma tesoura para cortar o umbigo, depois de um bom tempo de muita dificuldade e aflição, com a mãe gritando e suando como se estivesse em agonia, o filho enfim nasceu robusto e vermelho e deu seu primeiro grito de “viva a vida!” 

O marido quis saber onde o capiau tinha recebido todo aquele conhecimento, e ele disse: 

- Lá na fazenda onde eu trabaio, dia sim, dia não, eu lido pro mor de parir bezerro atravessado. 

O advogado, inicialmente, ficou constrangido com a declaração do caipira, comparando o nascimento do seu filho com o de um bezerro. Porém, logo se sentiu envergonhado com sua atitude preconceituosa em relação ao Jeca Tatu, tanto na estrada, quando no auxílio ao parto. Ele percebeu que o homem simples tinha habilidades e conhecimentos valiosos, mesmo sem ter frequentado a escola ou ter acesso à tecnologia moderna. 

Essa experiência ensinou ao advogado que não se deve julgar alguém apenas pela sua aparência ou posição social. O conhecimento e a sabedoria podem ser encontrados em qualquer lugar e em qualquer pessoa, independente da sua origem. 

O advogado levou consigo essa lição de humildade e gratidão pelo resto da vida, lembrando-se sempre do dia em que o Jeca Tatu salvou a vida do seu filho. E, a partir daquele momento, passou a tratar todas as pessoas com respeito e dignidade, sem se importar por sua classe social. 

Moral da história: por causa de sua veste, uma pessoa não moleste.


El cóndor pasa... - Por Félix Maier

 



El cÓndor pAsa...

 

 Félix Maier

  

El cóndor pasa, majestuoso vuela,
Sobre tierras latinoamericanas
,
Simbolizando uma operação engenhosa,
Unindo na luta contra ações insanas.

Operação Condor, cooperação bilateral,
Entre nações em busca da segurança.
Combater comunistas, uma ação vital,
E afastar o perigo vermelho, a ameaça.

Fugindo da carniça que eles mesmos criaram,
Com mortes e dor, que o terrorismo causou,
Urubus tapam o nariz, hipócritas voam,
A união dos povos foi o que nos salvou.

Nas asas do condor a esperança se ergue,
Enfrentando os horrores do passado.
Um legado de força que perdura, segue,
Execrando o que não pode ser negociado.

Operação Condor, símbolo de cooperação,
Na busca da paz, justiça e liberdade.
Uma história de coragem e superação,
Que ecoa nos corações com dignidade.

Que nunca esqueçamos dos que tombaram,
Vítimas de um terror vil e sem razão.
E que a memória deles nunca se apague,
Honrando sua luta, em cada geração.

El cóndor pasa, voando alto e forte,
No céu latino-americano a pairar,
Unindo nações, um exemplo de sorte,
Que nunca deixemos sua chama apagar.




Morreu Olavo de Carvalho - Por Félix Maier

 

Olavo de Carvalho


Morreu Olavo de Carvalho

 

 Félix Maier

 

Morreu Olavo Luiz Pimentel de Carvalho,
Grande polemista, filósofo e pensador,
Deixando um legado de ensinamentos,
Que ficará marcado na história com louvor.

Com sua argumentação brilhante e sólida,
E seu humor por demais ferino,
Ensinou milhões de pessoas
A pensar e questionar o destino.
 

Seus livros, ensaios, artigos e cursos
Ainda ensinarão por muitos anos,
Com sabedoria, humor e erudição,
Tanto aos jovens quanto aos decanos.

Foi perseguido, teve a vida ameaçada,
Na Europa oriental foi se refugiar.
Um Quixote contra o "pensamento único",
Que a esquerda ainda quer impor, sem parar.

Seus ensinamentos básicos de ética,
Cultura geral, argumentação, refutação,
Integridade intelectual e filosofia
Foram valiosos para nossa geração.

"A Nova Era e a Revolução Cultural",
"O Jardim das Aflições",
"O Imbecil Coletivo",
Uma trilogia com força de tufões.

Ainda me lembro quando me convidou
Para escrever no Mídia Sem Máscara,
Um honroso convite que aceitei,
Mais de cem textos escrevi em uma década.

A esquerda do ódio, do cancelamento,
Comemora a morte do pensador.
Mas sua obra é um monumento
Aos que buscam a verdade sem temor.
 

Por mais que seus detratores
Comemorem sua recente partida,
Olavo de Carvalho viverá para sempre
Nos corações sem arreios e sem brida.

Descanse em paz, Olavo de Carvalho,
Sua missão foi cumprida com louvor.
Sua obra literária será sempre lembrada
Por quem busca a sabedoria e o amor.


P.S.: 

Olavo Luiz Pimentel de Carvalho:

*29/04/1947 - Campinas, SP
+24/01/2022 - Richmond, Virgínia, EUA

"Sapientiam autem non vincit malitia"

(A sabedoria não vence a malícia).

https://olavodecarvalho.org/


terça-feira, 16 de maio de 2023

Ouvir estrelas e pisar nos astros - Por Félix Maier

 



Ouvir estrelas

E pisar nos astros

 

 Félix Maier 

 

“Ouvir Estrelas” e “pisar nos astros”,
Dois feitos que a sensibilidade alcança.
Um poeta ouvia as estrelas em dança,
Uma morena pisava em céus tão vastos.

Olavo Bilac, com sua alma poética,
Acreditava em uma música celeste,
E em versos suaves, inconteste,
Cantou a sinfonia cósmica tão eclética.

Já Orestes Barbosa, em ode mimosa,
Descreveu a cabrocha que, distraída,
Pisava em astros sem dar conta da prosa.

Ambos aduziram, em sua arte tão sentida,
Que há outros céus além do que se vê,
Que a sensibilidade nos leva além da vida.



Lacrimatório - Por Félix Maier

 



Lacrimatório

 

 Félix Maier 

 

Quando a dor me atinge e a alma chora,
Eu busco um lugar para depositar
As lágrimas que escorrem, sem demora,
E encontrar o alívio e o confortar.

Nos tempos antigos, comum era
Ter um lacrimatório em casa,
Para a mulher, com marido na guerra,
Recolher o choro, o coração em brasa.

Também nos cemitérios se apurava
O recipiente para as lágrimas derramar,
Pela partida de alguém que se amava.

Mas hoje em dia, não sei a quem recolher
Minhas lágrimas, a quem devo ofertar?
Será que há alguém que mereça meu sofrer?


segunda-feira, 15 de maio de 2023

O cão cupido - Por Félix Maier

 


O cão cupido


Félix Maier

 

Era uma vez um homem muito bonito e rico, que tinha tudo o que queria, exceto o amor verdadeiro de uma mulher. Ele havia namorado muitas garotas, mas todas estavam interessadas apenas em sua aparência e em sua fortuna. Ele queria encontrar alguém que o amasse por quem ele era, não pelo que ele tinha.

Foi então que ele ouviu falar de um cientista que era um exímio adestrador de cães e que podia treinar um deles para farejar qualquer coisa. Ele foi até o cientista e explicou sua situação, pedindo ajuda para encontrar a mulher certa para ele.

Sabe-se que os cães têm sessenta vezes mais células receptoras de olfato do que os seres humanos. Por isso são tão úteis em trabalhos para resgatar pessoas soterradas por terremotos ou deslizamentos de terra, identificar drogas e armas de traficantes, e até conseguem fazer “diagnóstico” de pessoas com câncer, cheirando a saliva ou o sangue dos doentes.

O cientista ouviu atentamente o rapaz rico e bonito e decidiu que poderia ajudar. Ele começou a treinar um de seus cães para farejar o amor verdadeiro em uma mulher. O cientista sabia que o hipotálamo libera a oxitocina, o hormônio do amor. Assim, ele explicou ao rapaz que, quando o cão lambesse as pernas de uma mulher, ele saberia que ela era a escolhida.

O homem achou estranho, mas confiou no cientista e no cão, depois que este foi muito bem treinado para fazer o trabalho de cupido.

O rapaz começou a frequentar lugares onde poderia encontrar mulheres de diferentes personalidades e perfis. Ele conversou com muitas delas, mas nenhuma parecia ser a escolhida.

Até que um dia ele conheceu uma mulher que parecia diferente de todas as outras. Ela não era muito bonita, nem rica, mas parecia ter algo especial em seu coração. O cão farejador, que estava com ele, cheirou a mulher e, em seguida, começou a lamber suas pernas.

O homem ficou surpreso, mas o cão confirmou que ela era a escolhida, não querendo parar de lamber as pernas da moça, que já estava rindo, sentindo muitas cócegas. Eles começaram a namorar e se apaixonaram rapidamente. O homem percebeu que, com ela, ele não precisava fingir ou se preocupar com sua aparência ou riqueza.

Eles se casaram, tiveram filhos e viveram muito felizes. O homem nunca revelou o segredo do cão cupido para sua esposa, mas sempre agradeceu ao cientista e ao cão pelo amor verdadeiro que encontrou.

E, assim, o cão cupido continuou a ajudar outras pessoas a encontrar o amor verdadeiro, sem que ninguém nunca soubesse como ele fazia isso.

Ainda bem que o feliz casal não vivia mais na época em que se amarrava cachorro com linguiça, nem no tempo em que os bichos falavam. Vai que o cão, além de lamber pernas de moças, desse com a língua nos dentes...

Moral da estória: até um cão pode ser o melhor cupido que se conhece.