O STF
EM BUSCA DO PENTA
Félix
Maier
Estamos
em plena Copa do Mundo, com 48 seleções. O brasileiro é pentacampeão e está em
busca do cada vez mais longínquo hexa. Com o jogador Neymar ainda dando trato
na lanternagem (chapeação), no estaleiro de Mister Ancelotti, fica
difícil ter ânimo.
Se
alguém tivesse dito, trinta anos atrás, que o brasileiro trocaria as discussões
sobre Ronaldo e Zidane por debates inflamados sobre inquéritos, competências
constitucionais e embargos de declaração, provavelmente seria encaminhado para
avaliação psiquiátrica. O brasileiro daquela época ainda era um sujeito
relativamente simples. Discutia se Zico tinha sido melhor que Sócrates, se o
Fusca subia mesmo a serra em marcha à ré e se a sogra era mais perigosa do que
a inflação.
Hoje,
não. Hoje o brasileiro acorda, pega o celular e vai imediatamente verificar se
houve alguma operação policial, alguma decisão monocrática do STF, alguma nota oficial, algum
vídeo seletivo vazado pelo IntercePT sobre Flávio Bolsonaro e o Caso Master, ou
mais alguma interpretação criativa da Constituição feita pelo STF.
A
política nacional, que sempre teve vocação para o teatro, descobriu finalmente
sua verdadeira natureza esportiva. E foi aí que surgiu, nas mesas de bar, nos
grupos de WhatsApp e nos almoços de domingo que acabam em briga, a ideia de
que, enquanto a Seleção sonha com o hexa, existe outro campeonato sendo
disputado em Brasília.
Não
se trata de uma competição reconhecida pela FIFA. Não há bandeirinhas, nem
gandulas, nem patrocínio da cerveja oficial. Mas existe torcida, existe
narrador, existem comentaristas especializados e, sobretudo, existe um placar.
E capinhas para cobrir os ombros de ministros intocáveis, além de
servir lagostas fritas e vinho do Porto durante o Supremo Coffee Break, onde o
intervalo é vinculante.
Em
certos círculos mais irreverentes, começou a circular a tese segundo a qual o
Supremo Tribunal Federal estaria em busca do seu próprio penta. Não se sabe ao
certo quem inventou a expressão. Provavelmente algum aposentado com tempo livre
e criatividade excessiva. O fato é que a ideia pegou, com ajuda de imagem IA.
A
essa altura, ninguém mais sabe exatamente onde termina a política e começa a
transmissão esportiva. Os comentaristas, que antigamente analisavam esquemas
táticos e impedimentos, agora explicam competências originárias, delações
premiadas e recursos extraordinários com o mesmo entusiasmo com que João
Saldanha explicava a seleção de setenta.
Cada
lado possui seus narradores oficiais, suas torcidas organizadas e seus hinos de
guerra. Metade do país acredita estar diante dos últimos defensores da
democracia. A outra metade está convencida de assistir ao surgimento do Império
Galáctico de Toga. E, como acontece desde o Descobrimento do Brasil, os dois
lados têm absoluta certeza de que Deus, a História e o bom senso torcem
exclusivamente por eles.
No
centro desse Fla-Flu nacional encontra-se a família Bolsonaro, que acabou
adquirindo, para seus apoiadores, um status semelhante ao dos Bourbons
franceses, dos Romanov russos ou dos personagens de novela que precisam sofrer
noventa capítulos antes da redenção final.
Há
famílias que produzem médicos. Outras produzem engenheiros. Os Bolsonaro, por
alguma peculiaridade genética ainda não estudada pela ciência,
especializaram-se em produzir políticos. São cinco: Jair, Flávio, Eduardo,
Carlos e Renan. No rastro desse clã da extrema direita, como repete toda
a extrema esquerda, cacarejando igual galinha que botou ovo no galinheiro, o
Brasil produziu um fenômeno raro e sofisticado: a capacidade de monopolizar
simultaneamente as paixões e os ódios de cinquenta por cento da população.
Em
qualquer outro país, uma família dessas já teria rendido pelo menos três
minisséries da Netflix, um documentário da BBC e um musical na Broadway. Por
ora, o clã Bolsonaro se contenta com Dark Horse, o filme que move
paixões a favor e contra Bolsonaro Pai, e teria recebido dinheiro de Daniel
Vorcaro, o Casanova de Trancoso, antigo dono do Banco Master, que ofertou
farras nacionais e internacionais para autoridades de todos os matizes
políticos, com loiras nórdicas sentadas nos colos de alegres sátiros engravatados.
Os
admiradores dos Bolsonaro enxergam perseguição. Os adversários enxergam
justiça. Os neutros ou isentões tentam apenas pagar o boleto do
condomínio, dando chance ao Ogro de Nove Dedos conseguir o tetra.
Mas, vamos aos fatos. As narrativas eu deixo para a esquerda, que é dividida em duas facções: a esquerda radical, assassina por natureza; e a esquerda light, a que bate palmas para sua irmã mais afoita. E também deixo as narrativas para Mato Verde, o Glenn Greenwald do IntercePT, que desde a Vaza Jato já demonstrou que defende os petralhas e que no momento está assando em fogo brando Flávio Bolsonaro mediante vazamentos seletivos sobre o Caso Master. Coisa de cretino petista, não de jornalista, já que há suspeitos também da extrema esquerda e do Centrão, como Jaques Wagner, Davi Alcolumbre e Ciro Nogueira. A fonte de Mato Verde seria novamente um hacker, como foi no Vaza Toga, que enterrou a Lava Jato e ajudou a descondenar o Ogro de Nove Dedos? Ou foi algum membro da Gestapo do PT na PF (by Tuma Jr.)?
Aos
fatos, pois não. Todo brasileiro de bom senso já se deu conta de que a Justiça
no Brasil está no mesmo patamar da Venezuela de Chávez e Maduro. Esse alto
nível de democracia, propalada pela esquerda nacional, foi construída
aos poucos, com a sucessão dos governos petistas. Assim, nesses vinte e poucos
anos de PT, houve o aparelhamento petista de todos os órgãos públicos, a
começar com o #InstitutoLula,
antigo STF, onde a maioria dos togados não são juízes, mas líderes do PT. Seria
o famigerado Sistema
Toga Petralha, como alguém já definiu muito bem. Além das Cortes de
Justiça, foram também aparelhados o IBGE, as agências reguladoras, as estatais,
os bancos públicos, os quarenta ministérios com aspones com gordas DAS
distribuídas entre a companheirada.
Com o STF aparelhado pelo PT, foi fácil condenar e prender Jair Messias Bolsonaro e sua entourage estrelada por um golpe de Estado que nunca existiu. Basta ver quem foram seus algozes, da Primeira Turma do STF: 3 indicados por Lula e 1 por Temer, o qual vale por 10 petistas. O único a se comportar como juiz e não como líder do PT foi Luís Fux, indicado por Dilma.
Uma
coisa é certa neste País onde até o passado é incerto: o STF está em busca do
seu penta em particular. E tem pressa. Muita pressa.
O
STF já condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. A
gana é derrotar o bolsonarismo, como se vangloriou o ex-ministro Luís
Roberto Barroso, o Boca de Veludo, após a vitória de Lula, em 2022. Alexandre
de Moraes pede para seus auxiliares serem criativos.
Em 16/06/2026, o Instituto Lula condenou o filho de Jair Bolsonaro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, a mais de 4 anos, por melar o processo de seu pai e por traição à Pátria, já que se mandou para os EUA para cometer tais crimes junto a Donald Trump, segundo afirma o Sistema Toga Petralha. Ridículo: Eduardo pode ter contatos com a equipe de Trump, sem serem íntimos, jamais com o Laranjão. Trump, a rigor, não consegue distiguir Flávio de Eduardo, como foi comprovado na reunião do G7, na França: Prenderam o Bolsonaro Jr., que estava indo bem nas pesquisas. Essa condenação rendeu o bicampeonato da perseguição do STF.
Do
jeito que a perseguição contra a direita em geral e contra os Bolsonaro em
particular anda, logo o candidato à presidência Flávio Bolsonaro, o 01, também
poderá ser decapitado pelo Instituto Lula, seja devido ao Caso
Master, seja por qualquer motivo inventado pelos Beria da Primeira Turma.
Lavrenti Beria, chefe do serviço secreto de Stálin, foi genial: mostre-me o
homem e eu encontrarei o crime! Seria o tri do criativo STF.
Mas,
pode chegar ao tetra, se pegarem também Carlos Bolsonaro, vereador pelo RJ e
candidato ao Senado por Santa Catarina. E
o penta? O penta do STF seria retirar da vida pública o caçula do clã
Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro, vereador em Balneário Camboriú, SC.
Só
não há guilhotina para os Bolsonaro porque não estamos na Revolução Francesa.
Também não há forca porque o Velho Oeste americano fechou as portas há muito
tempo – embora o Ogro de Nove Dedos tenha dito que Flávio Bolsonaro merece ir
para a forca. E
fogueiras para essa gente da extrema direita igualmente não existem,
porque a Inquisição virou capítulo de livro de História.
Enquanto isso, o Brasil segue em busca do hexa. Um dia ele virá, quando Deus e a tabela permitirem. Talvez agora, com Mister Ancelotti mascando chicletes com mais vigor que cavalo ruminando cucuia, enquanto Neymar Jr. segue cuidando da lataria no estaleiro. Talvez só no futuro, quando o Brasil novamente tiver uma constelação de astros como Pelé, Garrincha, Didi, Vavá, Romário e Ronaldo Fenômeno.
O Ogro de Nove Dedos, por sua vez, persegue o tetra. E, para tanto, armou-se com centenas de bilhões de reais em programas e promessas de forte apelo populista: Pé de Meia, Gás do Povo, Luz Grátis, isenção do Imposto de Renda para salários de até cinco mil reais, aceno ao fim da jornada 6x1 – além de liberação de verbas milionárias para emendas parlamentares. E os isentões, acometidos mais uma vez por uma súbita alergia ao nome Bolsonaro, talvez acabem ajudando o Ogro a erguer mais essa taça, o tetra.
Já
o STF sonha com o penta. Mas, como em toda campanha vitoriosa, antes será
preciso conquistar o tri e o tetra. Quando isso ocorrerá, nem Deus sabe. Mas os
intocáveis de que fala Romeu Zema em suas Catilinárias das Alterosas
provavelmente têm uma ideia do calendário. Afinal, em certos campeonatos, os
árbitros parecem jogar adiantados em relação ao restante dos jogadores.
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