MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O STF EM BUSCA DO PENTA - Por Félix Maier

 

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O STF EM BUSCA DO PENTA

Félix Maier

Estamos em plena Copa do Mundo, com 48 seleções. O brasileiro é pentacampeão e está em busca do cada vez mais longínquo hexa. Com o jogador Neymar ainda dando trato na lanternagem (chapeação), no estaleiro de Mister Ancelotti, fica difícil ter ânimo.

Se alguém tivesse dito, trinta anos atrás, que o brasileiro trocaria as discussões sobre Ronaldo e Zidane por debates inflamados sobre inquéritos, competências constitucionais e embargos de declaração, provavelmente seria encaminhado para avaliação psiquiátrica. O brasileiro daquela época ainda era um sujeito relativamente simples. Discutia se Zico tinha sido melhor que Sócrates, se o Fusca subia mesmo a serra em marcha à ré e se a sogra era mais perigosa do que a inflação.

Hoje, não. Hoje o brasileiro acorda, pega o celular e vai imediatamente verificar se houve alguma operação policial, alguma decisão monocrática do STF, alguma nota oficial, algum vídeo seletivo vazado pelo IntercePT sobre Flávio Bolsonaro e o Caso Master, ou mais alguma interpretação criativa da Constituição feita pelo STF.

A política nacional, que sempre teve vocação para o teatro, descobriu finalmente sua verdadeira natureza esportiva. E foi aí que surgiu, nas mesas de bar, nos grupos de WhatsApp e nos almoços de domingo que acabam em briga, a ideia de que, enquanto a Seleção sonha com o hexa, existe outro campeonato sendo disputado em Brasília.

Não se trata de uma competição reconhecida pela FIFA. Não há bandeirinhas, nem gandulas, nem patrocínio da cerveja oficial. Mas existe torcida, existe narrador, existem comentaristas especializados e, sobretudo, existe um placar. E capinhas para cobrir os ombros de ministros intocáveis, além de servir lagostas fritas e vinho do Porto durante o Supremo Coffee Break, onde o intervalo é vinculante.

Em certos círculos mais irreverentes, começou a circular a tese segundo a qual o Supremo Tribunal Federal estaria em busca do seu próprio penta. Não se sabe ao certo quem inventou a expressão. Provavelmente algum aposentado com tempo livre e criatividade excessiva. O fato é que a ideia pegou, com ajuda de imagem IA.

A essa altura, ninguém mais sabe exatamente onde termina a política e começa a transmissão esportiva. Os comentaristas, que antigamente analisavam esquemas táticos e impedimentos, agora explicam competências originárias, delações premiadas e recursos extraordinários com o mesmo entusiasmo com que João Saldanha explicava a seleção de setenta.

Cada lado possui seus narradores oficiais, suas torcidas organizadas e seus hinos de guerra. Metade do país acredita estar diante dos últimos defensores da democracia. A outra metade está convencida de assistir ao surgimento do Império Galáctico de Toga. E, como acontece desde o Descobrimento do Brasil, os dois lados têm absoluta certeza de que Deus, a História e o bom senso torcem exclusivamente por eles.

No centro desse Fla-Flu nacional encontra-se a família Bolsonaro, que acabou adquirindo, para seus apoiadores, um status semelhante ao dos Bourbons franceses, dos Romanov russos ou dos personagens de novela que precisam sofrer noventa capítulos antes da redenção final.

Há famílias que produzem médicos. Outras produzem engenheiros. Os Bolsonaro, por alguma peculiaridade genética ainda não estudada pela ciência, especializaram-se em produzir políticos. São cinco: Jair, Flávio, Eduardo, Carlos e Renan. No rastro desse clã da extrema direita, como repete toda a extrema esquerda, cacarejando igual galinha que botou ovo no galinheiro, o Brasil produziu um fenômeno raro e sofisticado: a capacidade de monopolizar simultaneamente as paixões e os ódios de cinquenta por cento da população.

Em qualquer outro país, uma família dessas já teria rendido pelo menos três minisséries da Netflix, um documentário da BBC e um musical na Broadway. Por ora, o clã Bolsonaro se contenta com Dark Horse, o filme que move paixões a favor e contra Bolsonaro Pai, e teria recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, o Casanova de Trancoso, antigo dono do Banco Master, que ofertou farras nacionais e internacionais para autoridades de todos os matizes políticos, com loiras nórdicas sentadas nos colos de alegres sátiros engravatados.

Os admiradores dos Bolsonaro enxergam perseguição. Os adversários enxergam justiça. Os neutros ou isentões tentam apenas pagar o boleto do condomínio, dando chance ao Ogro de Nove Dedos conseguir o tetra.

Mas, vamos aos fatos. As narrativas eu deixo para a esquerda, que é dividida em duas facções: a esquerda radical, assassina por natureza; e a esquerda light, a que bate palmas para sua irmã mais afoita. E também deixo as narrativas para Mato Verde, o Glenn Greenwald do IntercePT, que desde a Vaza Jato já demonstrou que defende os petralhas e que no momento está assando em fogo brando Flávio Bolsonaro mediante vazamentos seletivos sobre o Caso Master. Coisa de cretino petista, não de jornalista, já que há suspeitos também da extrema esquerda e do Centrão, como Jaques Wagner, Davi Alcolumbre e Ciro Nogueira. A fonte de Mato Verde seria novamente um hacker, como foi no Vaza Toga, que enterrou a Lava Jato e ajudou a descondenar o Ogro de Nove Dedos? Ou foi algum membro da Gestapo do PT na PF (by Tuma Jr.)?

Aos fatos, pois não. Todo brasileiro de bom senso já se deu conta de que a Justiça no Brasil está no mesmo patamar da Venezuela de Chávez e Maduro. Esse alto nível de democracia, propalada pela esquerda nacional, foi construída aos poucos, com a sucessão dos governos petistas. Assim, nesses vinte e poucos anos de PT, houve o aparelhamento petista de todos os órgãos públicos, a começar com o #InstitutoLula, antigo STF, onde a maioria dos togados não são juízes, mas líderes do PT. Seria o famigerado Sistema Toga Petralha, como alguém já definiu muito bem. Além das Cortes de Justiça, foram também aparelhados o IBGE, as agências reguladoras, as estatais, os bancos públicos, os quarenta ministérios com aspones com gordas DAS distribuídas entre a companheirada.

Com o STF aparelhado pelo PT, foi fácil condenar e prender Jair Messias Bolsonaro e sua entourage estrelada por um golpe de Estado que nunca existiu. Basta ver quem foram seus algozes, da Primeira Turma do STF: 3 indicados por Lula e 1 por Temer, o qual vale por 10 petistas. O único a se comportar como juiz e não como líder do PT foi Luís Fux, indicado por Dilma.   

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Uma coisa é certa neste País onde até o passado é incerto: o STF está em busca do seu penta em particular. E tem pressa. Muita pressa.

O STF já condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. A gana é derrotar o bolsonarismo, como se vangloriou o ex-ministro Luís Roberto Barroso, o Boca de Veludo, após a vitória de Lula, em 2022. Alexandre de Moraes pede para seus auxiliares serem criativos.

Em 16/06/2026, o Instituto Lula condenou o filho de Jair Bolsonaro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, a mais de 4 anos, por melar o processo de seu pai e por traição à Pátria, já que se mandou para os EUA para cometer tais crimes junto a Donald Trump, segundo afirma o Sistema Toga Petralha. Ridículo: Eduardo pode ter contatos com a equipe de Trump, sem serem íntimos, jamais com o Laranjão. Trump, a rigor, não consegue distiguir Flávio de Eduardo, como foi comprovado na reunião do G7, na França: Prenderam o Bolsonaro Jr., que estava indo bem nas pesquisas. Essa condenação rendeu o bicampeonato da perseguição do STF.

Do jeito que a perseguição contra a direita em geral e contra os Bolsonaro em particular anda, logo o candidato à presidência Flávio Bolsonaro, o 01, também poderá ser decapitado pelo Instituto Lula, seja devido ao Caso Master, seja por qualquer motivo inventado pelos Beria da Primeira Turma. Lavrenti Beria, chefe do serviço secreto de Stálin, foi genial: mostre-me o homem e eu encontrarei o crime! Seria o tri do criativo STF.

Mas, pode chegar ao tetra, se pegarem também Carlos Bolsonaro, vereador pelo RJ e candidato ao Senado por Santa Catarina. E o penta? O penta do STF seria retirar da vida pública o caçula do clã Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro, vereador em Balneário Camboriú, SC.

Só não há guilhotina para os Bolsonaro porque não estamos na Revolução Francesa. Também não há forca porque o Velho Oeste americano fechou as portas há muito tempo – embora o Ogro de Nove Dedos tenha dito que Flávio Bolsonaro merece ir para a forca. E fogueiras para essa gente da extrema direita igualmente não existem, porque a Inquisição virou capítulo de livro de História.

Enquanto isso, o Brasil segue em busca do hexa. Um dia ele virá, quando Deus e a tabela permitirem. Talvez agora, com Mister Ancelotti mascando chicletes com mais vigor que cavalo ruminando cucuia, enquanto Neymar Jr. segue cuidando da lataria no estaleiro. Talvez só no futuro, quando o Brasil novamente tiver uma constelação de astros como Pelé, Garrincha, Didi, Vavá, Romário e Ronaldo Fenômeno. 

Pode ser uma imagem de texto que diz "RELAXA, NEYMAR... AGORA VOCÊ É MINHA RESPONSABILIDADE! RUMO AO. HEXA RASIL TCHUCO NÉ, PAIZÃO? BRASIL ANCELOTTI MANUAL DO ٧ FISIOTERAPIA DESCANSO POUCO TREINO MUITO CARINHO ELOGIOS DIÁRIOS CLARO... LIBERDADE COM RESPONSABILIDADE ALGUNS TÉCNICOS TÊM TÁTICAS. OUTROS TÊM CARINHO. ATENÇÃO FRÄGIL CRAQUE EM RECUPERACÃO 国国企州" 

O Ogro de Nove Dedos, por sua vez, persegue o tetra. E, para tanto, armou-se com centenas de bilhões de reais em programas e promessas de forte apelo populista: Pé de Meia, Gás do Povo, Luz Grátis, isenção do Imposto de Renda para salários de até cinco mil reais, aceno ao fim da jornada 6x1 – além de liberação de verbas milionárias para emendas parlamentares. E os isentões, acometidos mais uma vez por uma súbita alergia ao nome Bolsonaro, talvez acabem ajudando o Ogro a erguer mais essa taça, o tetra. 

Pode ser uma imagem de texto que diz "A SUBSTÂNCIA Gásdo GásdoPovo Gás do Povo á de Meia Luz Grátis Fim Fimjornada Fim jornada 6x 6x Rumo ao Tetra" 

Já o STF sonha com o penta. Mas, como em toda campanha vitoriosa, antes será preciso conquistar o tri e o tetra. Quando isso ocorrerá, nem Deus sabe. Mas os intocáveis de que fala Romeu Zema em suas Catilinárias das Alterosas provavelmente têm uma ideia do calendário. Afinal, em certos campeonatos, os árbitros parecem jogar adiantados em relação ao restante dos jogadores.


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