Vejamos alguns deles:
Um
general na Arábia
Como sabemos, entre as Forças Armadas dos países pertencentes à ONU existe um intercâmbio de experiências bélicas. Por isso, foi um general servir como observador militar nos campos de batalha na Arábia. Ele recebeu as prerrogativas e mordomias possíveis naquela situação, entre eles um bom intérprete para facilitar as indagações recíprocas.
O general continuou a programação, mas ficou intrigado com o laconismo daquela tradução. Em um intervalo, perguntou em voz confidencial, ao seu intérprete, como havia traduzido aquela anedota em tão poucas palavras, à qual todos entenderam perfeitamente.
- Foi muito simples, Excelência. Eu disse o seguinte: “O general contou uma piada engraçadíssima”.
Vinho
de outra pipa
O sargento Kaxorrão
tinha uma mulher gorducha, como uma pipa, daquelas que criam bigodes iguais a
homens. Era uma verdadeira fera. Trazia aquele pobre marido sob controle
absoluto, porque ele havia andado prestando favores a uma fulana desquitada.
Um dia de serviço, o Kaxorrão chamou um praça velho e boêmio: - Kaburé, hoje tu pegas a minha charrete e ao escurecer me traga uma mulher, que eu pago as despesas e te dou uma gorjeta.
O soldado Kaburé, ao sair de charrete, falou com o comandante da guarda, que era o Sargento Bocage, um baita gozador das judiarias alheias, e perguntou:
Polícia
feminina
Uma tenenta da Polícia Feminina alugou um quarto de casa de uma viúca, que não entendia nada de fardas militares e não teve oportunidade de informar-se sobre a atividade profissional desta inquilina.
O
reformado desligado
Um turista, militar reformado, despreocupado com a política nacional, estava a passeio pela primeira vez na nova Capital Federal.
Havia, na ocasião, um movimento revolucionário para derrubar o Presidente da República. Mas o velho não estava ligando para fofocas e queria ir conhecer o Palácio das Forças Armadas.
Perguntou ao primeiro soldado que encontrou:
- Para que lado está o Ministério do Exército?
- Santo Deus! Não posso dar opinião, mas espero que esteja do lado do Governo. E, com licença, vou entrar de prontidão.
A
mula da pipa
Em cidade grande, muitas coisas passam despercibidas. E, numa manhã de verão, quando o Tenente-Coronel Subcomandante do Regimento de Infantaria entrou no quartel, recebeu a apresentação de armas da guarda formada e logo veio a apresentação do Sargento de Serviço, de Adjunto do Oficial-de-Dia, o qual era o Sargento Corujão, calmo como o bicho preguiça. Aproximou-se, bateu os calcanhares, fez a continência regulamentar e disse:
- O serviço está sem alteração, isto é, morreu a mula da pipa.
- De que morreu a mula? Perguntou o Ten Cel.
- Foi de tanto puxar água.
- Mas para que tanta água, Sargento?
- Para apagar o incêndio
do pavilhão de Administração, que pegou fogo, por motivo de uma vela que caiu
na Bandeira Nacional, quando estavam velando o Oficial-de-Dia, o qual morreu no
tiroteio.
- Mas que tiroteio?
- Foi no escurecezinho, quando o pessoal do Lampião entrou pelos fundos, depois de matar o guarda com uma peixeirada nas costas. Ainda bem que o Tenente já vinha de volta, donde havia ido dar uma espiadinha no forró da Xica Bico Doce, tadinho, deu logo de cara com os cabras-da-peste que estavam arrombando o Paiol de Munições e tocaram bala no homem.
- Chega, chega! Gritou o Subcomandante.
- Mas não fique tão nervoso, meu Coronel, eu le garanto que arranjo outra mula mansa para a pipa d’água.
Mãe
viva
No quartel, existe a preocupação de manter-se elevada a moral da tropa. Por isso, quando chegam notícias tristes para os soldados, usa-se o tato conveniente na comunicação.
Foi o caso do Soldado 667, que faleceu a mãe e veio o aviso para o Comandante, mas o jovem era do tipo muito nervoso e a missão foi entregue ao Sargenteante, o qual aproveitou a hora da formatura matinal da Companhia e disse:
- Quem tem mãe viva dê um passo em frente.
A maioria avançou.
- Epa, 667. Você não tem mais, de ontem para cá.
Poderia
ser...
O General perdeu o sono e resolveu caminhar pelo quartel, a altas horas da madrugada.
Foi entrando calmamente e pegou dormindo sentado o soldado de sentinela. Chegou e bateu com a mão no ombro do jovem, este levantou-se assustado e apresentou-se dizendo que havia trabalhado muito no dia anterior e estava muito cansado.
O General era um pai para os graduados e um avô-coruja para os recrutas. Assim falou:
- Para um jovem, isso não justifica, o guarda é responsável pela segurança dos companheiros que dormem. Não diga a ninguém que estive aqui, imagine que poderia ser o Sargento da Guarda...
Vide
verso
O Sargento-de-Dia ao Esquadrão de Cavalaria Hipomóvel tirava serviço armado de espada. E o Sargento Kakito, um baixinho metido como galo garnizé, foi promovido por atos de bravura e não era muito bem com as letras, mas procurava se fazer respeitar puxando a espada até o meio da bainha cada vez de dar ordens aos recrutas.
Certa noite, ele foi fazer a chamada de revista do recolher, e como havia muita gente no pernoite, o Sargenteante colocou os nomes do pessoal de serviço na frente do papel e logo abaixo escreveu: vide verso. Pois ali estava relacionado o restante do pessoal.
O Sargento Kakito chamou os primeiros e, como havia muito nome de gringo, achou que vide verso era mais um. Chamou-o e nada, berrou, já com a dita espada a meia-folha, mas, como sempre, tinha um sabido entre aqueles cento e poucos, que gritou lá do fundo:
- Vira de lado.
- Tava dormindo em forma, abostado?
O
Capitão Galo
Como sabemos, as gírias são regionais, em um lugar pode ser considerada pornográfica ou pejorativa, ao passo que noutros é palavra comum.
Foi o motivo do fiasco daeuele Capitão, muito autoritário, que por trás da cortina os milicos o chamavam de “Capitão Galo”, pois ao chegar, transferido para nova guarnição, recebeu o comando de uma Subunidade. E, na primeira formatuva, ele usou a palavra, fazendo uma série de advertências aos seus novos comandados, empolgando-se a ponto de concluir dizendo:
- O lugar de ladrão e indisciplinado é na cadeia. Comigo não adianta bancar o machão, o “galo” aqui sou eu.
Os praças ficaram estourando para rir e ele replicou:
- Acabem com essas caras de viados ou vou dar ordem unida até vocês criarem vergonha.
Refletiu e chamou o Subtenente “Sorro Manso” ao gabinete e perguntou:
- Qual é o motivo do arreganhamento dos recrutas?
O velho respondeu:
- Sr. Capitão, acontece que aqui chamam de galo aqueles que têm costumes sexuais esquisitos ou passivos.
O Capitão voltou, dizendo à tropa que era um Homem com H maiúsculo e não tinha nada a ver com galo.
Porém nada adiantou o “remendo”, milico é fogo.
O
cavalo do comandante
No esplendor da
Cavalaria Hipomóvel, o poderio das Unidades era representado pelo estado de
nutrição e treinamento constante de sua cavalhada. O cavalo estava sempre em
destaque.
Na incorporação, os recrutas entravam para o quartel e logo iam lidar com os ditos animais, pois este “companheiro” era o assunto dominante.
Baseado nisso, em um regimento sediado na fronteira havia um cabo velho chamado Paraguay Felipeto, que todos os anos montava uma arapuca para os novatos, rifando o cavalo do Comandante, que era sempre o mais lindo e bem manso. Ele observava os gringos que estavam com grana e mostrava o belo cavalo, dizendo que era de um oficial que fora transferido e o encarregou de rifar e remeter-lhe o dinheiro pelo banco.
Todos pagavam na hora e ficavam torcendo para a sorte ajudar. Assim, o espertalhão completava a lista dos trouxas, no outro dia avisava a todos que havia corrido a rifa e que o felizardo acertador havia sido o Coronel Comandante. E, para confirmar, ele aproveitava os passeios diários do Coronel montado no tal cavalo, para mostrar aos apostadores, e comentava:
- Que homem de sorte é o nosso Comandante, mas ele merece!
O
Almirante e o Monsenhor
Eram dois meninos nascidos e criados, até completarem os estudos do curso primário em uma cidade interiorana.
Foram sempre bons amigos, mas um foi para a Marinha e o outro para o seminário. Nunca mais se encontraram, e lá pelas tantas, um era Almirante e o outro um gorducho Monsenhor Católico.
Já, em uma grande metrópole, encontraram-se casualmente em um aeroporto. O Monsenhor, vestido de batina e demais indumetárias clericais, reconheceu o Almirante e resolveu fazer uma brincadeira.
Imaginou um porteiro de hotel, pela farda de gala vistosa que o amigo ostentava. Aproximou-se e em tom golhofeiro, assim foi dizendo:
- Oh seu porteiro! Estou à procura de um hotel, em qual o senhor trabalha?
O Almirante logo o reconheceu e respondeu de improviso:
- Trabalho no Hotel Tamandaré, mas, pelo que vejo, a senhora está em adiantado estado de gravidez e deve ir direto para a maternidade – abraçando-o afetuosa e fraternalmente, ao estilo de grandes amigos leais.
Metro
curto
Na Guerra de 45, o Sargento Padilha, chefe da turma de sapadores, foi encarregado de fazer uma valeta de quinze quilômetros de comprimento, um metro de boca e um de fundo.
O terreno variava entre lama a cascalhos e pedras.
Ele media diariamente o rendimento do trabalho, mas os soldados não sabiam qual era a marca a atingir no fim da tarde, mas aquilo era sagrado para o enérgico feitor.
Certa tarde, ele mediu e resolveu liberar o pessoal uma hora antes do horário costumeiro, dizendo que “o progresso foi muito bom”. Porém, quando a turma já estava no banho, ele tocou formatura geral e furioso queria saber:
“Quem havia serrado um pedaço do sarrafo que era o seu metro?”
Por
que beber álcool?
Cumprindo a programação antialcoólica, o Capitão Médico Doutor Magaréfe fez uma palestra aos recrutas de todo o Batalhão, no salão do rancho, em uma tarde chuvosa. O palestrante empolgou o auditório, enfatizando com exemplos da hereditariedade dos alcoólatras, dos problemas gerados pelo uso do álcool por pessoas que perdem o controle e a saúde. Pois o organismo vai perdendo as imunidades e as doenças entram com facilidade.
Duma maneira especial, recomendou que os militares não deviam tomar álcool, porque faziam parte de uma organização modelo, portadora de muita responsabilidade perante a sociedade e a Pátria.
Pediu por amor à futuras gerações, que ninguém se viciasse no perigoso líquido. E, após estar certo de ter dado seu recado, perguntou:
- Alguém ainda tem alguma dúvida?
Levantou-se o Soldado Pudim de Canha e falou:
- Mas, Doutor, eu acho que na dúvida é o senhor que está. Porque, com tanta caninha boa que tem por aís, ninguém é louco de andar bebendo álcool.
Os
guias inimigos
O Sargento Santo tinha uma comadre, dona de um gongá sediado na periferia da Vila Militar, onde frequentavam muitas famílias de militares.
Lá pelas tantas, veio transferido para aquela Guarnição o Sargento Bezerro, que logo procurou o dito gongá da Dona Bixinha e apresentou-se como médium.
Foi trabalhando, mas quando incorpovava só recebia “guias mulherengos”. Entrava em transe e ia direto agarrar-se às bonitonas, especialmente naquelas que inspiraram o poeta que disse “em teu seio formoso retratas”.
Ninguém podia impedir o
Bezerro de mamar e manotear como mandasse o seu “cavaleiro”. Mas a Dona Bixinha
foi observando e percebeu que aquele cavalo estava correndo solto. Falou com
seu compadre, Sargento Santo, para aconselhar o seu colega, a fim de deixar de
atrapalhar o seu trabalho.
O Sargento Santo compareceu à próxima sessão e constatou logo que o Bezerro estava abusando demais da paciência daquela boa gente dominada pela fé nas coisas do Além. E, quando o medonho entrou na “mamata”, o outro que trouxera por dentro da manga esquerda do casado um rabo de tatu de couro cru, trançado de oito, encostou com toda compostura de educado cavalheiro, pegou-o pelo braço e convidou-o para um particular lá fora. Assim que entraram no pátio, o couro de boi baixou sem alívio e o Santo só dizia:
- Eu sei porque bato e tu sabe porque apanhas.
No outro dia, o Sargento Bezerro apareceu no quartel mais machucado que gato que andou brincando no telhado. Foi ao Médico e contou a história de um assalto que fora vítima. O Capitão Médico foi conversando e descobriu a origem das lesões, levando a ocorrência ao conhecimento do Subcomandante da Unidade, o qual chamou os dois Sargentos em Gabinete, para serem ouvidos, e assim falou:
- Sargento Santo, qual foi o motivo de bateres em seu colega, que estava praticando sua devoção?
- Senhor Coronel, quem poderá le explicar melhor esse fato é a Dona Bixinha, porque eu estava ali assistindo e depois que incorporei não vi mais nada. Se deu briga eu não me lembro. Então vai ver que os nossos “guias” não se davam quando eram vivos e deu acaso de se encontrarem incorporados em nós que sempre fomos mui amigos. É uma pena...
O subcomandante solicitou o comparecimento de Dona Bixinha e, como solução, mandou o Sargento Bezerro ir baixar noutro gongá. Daí surgiu o ditado, para afastar alguém que esteja incomodando, “vais baixar noutro gongá”.
O
cavalo e as galinhas
Antigamente, nas pequenas cidades, os regimentos de cavalaria tinham como praxe o uso de cavalos para transporte de militares entre o quartel e as residências. Do milho que vinha para os cavalos, alguns aproveitavam para criar porcos e galinhas. O desvio era tanto que a cavalhada não engordava nem no verão.
O Coronel Pirata, comandante da Unidade, baixou ordens severas para os comandantes-da-guarda revistarem todos os volumes na saída do quartel, para prender os ratões.
O Subtenente Abelardo, que era um grande estrategista desse assunto e possuía umas trezentas galinhas, alegou ao Fiscal Administrativo que não tinha ordenança e na sua casa havia uma boa estrebaria para pernoitar seu cavalo, porém precisava levar a ração de milho para a noite.
Foi publicada a autorização e diariamente ele levava um alforge cheio, mas soltava o cavalo no pátio junto com as galinhas e jogava o milho espalhado no terrendo dizendo que “era para o cavalo, mas se ele convidava as penosas era por delicadeza de amigo”.
Pescaria
no seco
Serviam em um regimento sediado à margem de um grande rio os Sargentos Nido e Felizbixo, os quais constumavam passar os feriados pescando e caçando na beira do rio, que passava nos fundos da invernada reiúna onde havia uma extensão de mata natural.
Os dois amigos, como sempre, num sábado à tarde, selaram os cavalos, cada um com uma mochila, o material de pescaria e acampamento, bom cachorro, armas e munição. Saíram pelo bairro da Várzea, onde havia diversos botecos especializados em canha das melhores qualidades. Foram chegando, e de liso em liso, afinal lotaram as vazilhas e, já tarde da noite, entraram no mato da costa do rio.
A noite estava enluarada e pelas picadas eles foram penetrandeo mato a dentro. A certa altura, encontraram uma clareira de grama limpa, que com o reflixo da lua parecia uma bela lagoa.
Pararam os cavalos e combinaram dar uma linhada aí, mas poderia não dar em nada e depois não poderem montar a cavalo, iscaram os anzóis e jogaram na grama, vista como água.
Acenderam os pitos e logo correu a linha do Felizbixo, ele foi puxando com toda a prática de bom pescador e dizia:
- É muito grande ou esta lagoa é assombrada, pois o peixe não se bate na água. O Nido só recomendava:
- Mata no cansaço e não
deixa escapar, a assombração que tu está vendo é a canha com bíter que aquela
morena serviu lá no Xico Torto.
O cachorro choramingava e o dono exclamou:
- Isso não está cheirando bem, até o Companheiro está com medo.
Mas, veio vindo e apareceu na frente do cavalo o dito cachorro Companheiro, com o anzol na boca.
Hierarquia militar
Piadas de caserna:
https://gpeb.org/gpeb/?modulo=piadasdecaserna



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