MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

CATECISMO ANTICOMUNISTA - Dom Geraldo de Proença Sigaud

CATECISMO ANTICOMUNISTA

D. Geraldo de Proença Sigaud
    
ÍNDICE

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     I. O QUE É O COMUNISMO E O QUE ELE ENSINA 

Catecismo Anticomunista
    1. Que é o comunismo?
     O comunismo e uma seita internacional, que segue a doutrina de Karl Marx, e trabalha para destruir a sociedade humana baseada na lei de Deus e no Evangelho, bem como para instaurar o reino de Satanás neste mundo, implantando um Estado ímpio e revolucionário, e organizando a vida dos homens de sorte que se esqueçam de Deus e da eternidade.
     2. Qual é a doutrina que a seita comunista ensina?
     A seita comunista ensina a doutrina do mais completo materialismo.
     3. Que ensina o materialismo comunista a respeito de Deus?
     O materialismo comunista ensina que Deus não existe, e que só existe a matéria.
     4. Contenta-se a seita comunista em ensinar que não há Deus e que só existe a matéria?
     A seita comunista dá grande importância a um materialismo prático, em que o homem não cogita se Deus existe ou não, mas procede, pensa e organiza sua vida sem se incomodar com Deus nem se lembrar dEle. Assim, aos poucos chega também ao materialismo teórico. O comunista verdadeiro é materialista teórico e prático, para poder levar seus prosélitos ao caminho aludido.
     5. Que pensa a seita comunista a respeito da alma?
     Para a seita comunista o homem é só matéria, e a alma não existe.
     6. Que pensa a seita comunista a respeito da eternidade?
     Para a seita comunista o homem desaparece totalmente após a morte. Não há Céu nem inferno, não há felicidade nem castigo depois desta vida.
     7. Que pensa a seita comunista a respeito da natureza humana?
     Para a seita comunista o homem é um simples animal; embora mais evoluído do que o boi e o macaco, não passa de animal.
     8. Qual e a primeira conseqüência prática desta doutrina?
     A primeira conseqüência prática deste materialismo é que o homem deve procurar sua felicidade somente nesta terra, e no gozo dos prazeres que a vida terrena oferece.
     9. O homem, segundo o comunismo, depende de Deus e da sua lei?
     Não. Uma vez que só há matéria, o homem não depende de Deus, que não existe; ele é supremo senhor de si mesmo.

     II. ATITUDES DO COMUNISMO PERANTE A RELIGIÃO

Dom Geraldo de Proença Sigaud
D. Sigaud: a Religião Católica é inimiga mortal do comunismo. O católico não pode ser socialista!
     10. A seita comunista dá importância à Religião?
     Embora negue a existência de Deus, e afirme que a Religião é coisa quimérica, o comunismo dá grande importância ao fato de que existe a Religião no mundo, porque vê nela o seu maior inimigo. Lenine a chama de “ópio do povo”.
     11. Por que a Religião é inimiga do comunismo?
     A verdadeira Religião, que é a Religião Católica, é inimiga mortal do comunismo, porque ensina exatamente o contrário do que ele ensina, e inspira os fiéis a preferirem a morte às doutrinas e ao regime comunista.
     12. Que faz o comunismo com a Religião?
     Com a Religião Católica a luta do comunismo é de morte: só poderia cessar se chegasse a destruir em todo o mundo a Igreja verdadeira (o que é impossível). Quanto às outras religiões, a seita usa de duas táticas: quando sente que uma delas é um empecilho para a sua vitória, ataca-a; mas se vem a perceber que se pode servir de alguma religião para se propagar, ou mesmo para matá-la, então a tolera e até favorece na aparência, para a destruir mais radicalmente.
     13. Para conquistar o poder, que faz a seita comunista com referência à Igreja Católica?
     Para conquistar o poder, a seita comunista procede da seguinte maneira com relação à Igreja Católica:
     a) Procura persuadir os católicos de que não há oposição entre os objetivos da seita e a doutrina da Igreja. Procura até apresentar as idéias comunistas como a realização da doutrina do Evangelho.
     b) Procura criar uma corrente intitulada de “católicos progressistas”, “católicos socialistas” ou “católicos comunistas”, para desorientar e desunir os católicos.
     c) Procura atirar as organizações católicas contra os outros adversários naturais do comunismo, como os proprietários, os militares, as autoridades constituídas, para dividir e destruir os que se opõem à conquista do poder pelo Partido Comunista.
     d) Favorece as modas e costumes imorais para minar a família e portanto a civilização cristã da qual a família é viga mestra.
     e) Mantém nas nações cristãs a sociedade em constante agitação, fomentando antagonismo entre as classes, as regiões do mesmo país, etc.
     14. Depois de conquistado o poder, que faz a seita comunista com a Igreja Católica?
     Sua tática com a Igreja Católica, depois de conquistado o poder, varia de acordo com as circunstâncias. Mas os passos da luta em geral são os seguintes:
     a) envolver os católicos nos movimentos promovidos pelo Partido Comunista;
     b) afastar os Bispos, Sacerdotes e Religiosos que resistem; se preciso, matá-los;
     c) liquidar os líderes católicos;
     d) separar a Igreja do país, da obediência ao Santo Padre.
     15. Pode um católico colaborar com os movimentos comunistas?
     A coisa que os comunistas mais desejam é que os católicos colaborem com eles. Quem começar a colaborar, terminará comunista. “Colaborou? Morreu!”
     16. Se o comunismo ensinasse que Deus existe, e tolerasse a Religião, os católicos poderiam ser comunistas?
     No dia em que o comunismo admitisse que Deus existe, e que ele é Senhor nosso, já não seria propriamente comunismo.

     III. PONTOS BÁSICOS DA DIVERGÊNCIA ENTRE COMUNISMO E CATOLICISMO

     17. Então a divergência entre a seita comunista e o Catolicismo se verifica só no campo religioso?
     Não. Além do campo religioso, há muitos outros campos em que as divergências entre a seita comunista e o Catolicismo são irredutíveis.
     18. Em que outros pontos fundamentais existe esta divergência radical?
     Esta divergência existe em todos os pontos. Mas ela é mais fundamental em relação à verdade e à moral, à família, à propriedade e à desigualdade social.
     19. Que ensina o comunismo a respeito da verdade?
     Ensina a Igreja que Deus criou o mundo e criou a alma humana, que é inteligente. A alma conhece a verdade das coisas. Ela afirma que uma coisa é idêntica a si mesma, dizendo o que é, é; o que não é, não é.
     O comunismo ensina que não há verdade. Uma coisa pode ser e não ser, ao mesmo tempo. Uma coisa é ela e o contrário dela.
     20. Então o comunismo não admite a verdade?
     Não. Para o comunista não interessa que uma afirmação corresponda à realidade ou não. Para ele, “verdade” é o que ajuda a fazer a Revolução. A mesma afirmação pode ser hoje e amanhã, sucessivamente, “verdade” e “mentira”, de acordo com a conveniência do Partido. Assim, houve tempo em que Stalin era um herói para a seita comunista. Hoje é um bandido declarado. Não há verdade objetiva.
     21. Que outra grande divergência existe entre o comunismo e o Catolicismo?
     O Catolicismo ensina que Deus é absolutamente santo. E por isto, as ações humanas que estão de acordo com Deus são boas; e as que vão contra a ordem que Ele estabeleceu são más.
     O comunismo, que é materialista, ensina que não existe moral. Quando uma ação é útil ao Partido, é boa; quando prejudica o Partido, é má.
     22. Dê um exemplo.
     Para o católico as boas relações dos filhos com os pais constituem um bem.
     Para o comunista, essas boas relações podem ser um bem, e podem ser um mal. Se os pais se opõem à Revolução, o filho deve odiá-los, denunciá-los, e, se for preciso, depor nos processos contra eles e até matá-los. Se os pais trabalham para a Revolução, o filho deve mostrar-lhes amor e colaborar com eles.
     23. Poderia dar outro exemplo?
     Outro exemplo seria o seguinte. Se o Brasil entrar em guerra contra a Rússia, o comunismo ensina que os brasileiros deverão trair sua Pátria, trabalhar para que os nossos soldados sejam derrotados e o Brasil dominado pelos soviéticos. Mas, se por desgraça o Brasil passar a aliado da Rússia, os brasileiros deverão mudar de orientação e lutar pela vitória do Brasil.
     Em resumo: é bom o que ajuda a Revolução, é mau o que a combate ou prejudica.
     24. O comunismo ensina a respeitar as famílias?
     Como o homem é um animal, a família vale tanto como um casal de bichos. Por isto o comunismo ensina a dissolver as famílias, a violentar as mulheres dos povos que não são comunistas, e a respeitar as “famílias” dos que o são.
     25. Que aconteceria às nossas famílias católicas se o comunismo dominasse o Brasil?
     Os pais que resistissem à profanação do seu lar poderiam ser mortos; as filhas e esposas ficariam expostas à violação; as famílias perderiam suas propriedades e seriam arruinadas e destruídas.
     26. O comunismo acha que o Direito é sagrado?
     Como não admite a existência de Deus nem da alma, o comunismo não reconhece a dignidade do homem e nega que o Direito exista. Somente reconhece a força.
     27. Pode dar um exemplo?
     Se eu der um osso a um cão, este não adquire um direito ao osso. Posso lhe tirar o osso sem ferir nenhum direito. A razão é a seguinte: não tendo alma, o cão não é uma pessoa. Não sendo pessoa, não tem direito. Uma vez que para o comunismo o homem não é pessoa, e sim animal, ele não tem direito. O Estado lhe dá o que quiser, e quando quiser lhe tira. O homem é menos que um escravo; é uma rês.

     IV. A ESSÊNCIA DO HOMEM É SER TRABALHADOR

     28. Qual é a definição do homem?
     Para o católico: o homem é um animal racional, dotado de personalidade e de direitos.
     Para o comunista: o homem é um animal trabalhador.
     29. Qual é o papel do trabalho na vida?
     Para o católico; o trabalho é meio de conseguir certos recursos que possibilitam ao homem gozar dos bens que Deus criou para ele. O trabalho existe para o homem.
     Segundo o comunismo, o homem existe para o trabalho. O trabalho é o fim da vida.
     30. Se o homem é um animal trabalhador, deve ele trabalhar sempre?
     Para a seita comunista quem não trabalha não é homem. Quanto mais o homem trabalha, mais homem é. Assim, ele pode mudar a sua própria natureza, vivendo somente para o trabalho.
     31. Então o homem não tem uma natureza estável, que Deus lhe deu?
     Segundo a doutrina católica, tem. Deus constituiu a natureza humana imutável.
     Para o comunista, uma lei universal levou a matéria até a forma humana. Esta forma está em evolução. É o homem que dá a si mesmo a sua natureza, mediante o trabalho. O homem é o criador de si próprio.
     32. Quem deve, então, ser adorado?
     Para o católico, Deus deve ser adorado, porque é o Criador do céu e da terra.
     O comunista recusa adoração a Deus. Em vez de adorar ao Criador, ele adora o Estado comunista e totalitário.

     V. A REVOLUÇÃO E A CRISTANDADE

     33. Qual é para o comunismo o critério supremo da verdade, da moral e do direito?
     O critério supremo da verdade, da moral e do direito é para o comunismo a ação revolucionária. Assim como para o católico o fim supremo é a vida eterna, para o comunista o fim supremo da vida é a Revolução.
     34. Que é a Revolução?
     Revolução, com maiúscula, é a rejeição de Deus, de Cristo, da Igreja, e de tudo o que deles provém; é a organização da vida humana somente segundo a razão humana e as paixões humanas. Seu ideal é a Cidade do homem sem Deus, oposta à Cristandade e à ordem natural, que é a Cidade de Deus.
     35. Que é a Cristandade?
     Cristandade é a sociedade temporal organizada segundo Deus, isto é, de acordo com o direito natural e a palavra de Deus, revelada por Jesus Cristo, transmitida, interpretada e aplicada à vida pela Igreja Católica.
     36. Quais são os fundamentos da Cristandade?
     Os fundamentos da Cristandade são dois: o direito natural e a Revelação, trazida por Jesus Cristo e transmitida pela Igreja Católica.

     VI. VIRTUDES QUE FUNDAMENTAM A CRISTANDADE E PAIXÕES QUE MOVEM A REVOLUÇÃO

     37. Sobre que virtudes se baseia a Cristandade?
     A Cristandade se baseia principalmente sobre as seguintes virtudes: a fé, a castidade e a humildade.
     38. Que paixões desordenadas são a mola da Revolução?
     O orgulho, que rejeita a fé; a sensualidade que rejeita a castidade; a soberba, que rejeita a humildade, são as molas principais da Revolução. 
     39. Quais são as conseqüências destas paixões?
     Do orgulho, que rejeita a fé, nasce a negação da vida eterna como fim da existência terrena, bem como a negação de Deus, e de Cristo como Senhor do homem.
     Da sensualidade, que rejeita a castidade, nasce o desejo de gozar esta vida de todas as formas, e em conseqüência ela conduz ao desprezo e a dissolução da família.
     E da soberba, que rejeita a humildade, nasce a revolta  contra a autoridade divina e humana, e contra todas as limitações que o homem pode sofrer. De modo especial ela conduz ao igualitarismo, isto é, ao ideal comunista de uma sociedade sem classes.
     40. Que se entende aí por classe social?
     Classe social é um conjunto de pessoas — e suas respectivas famílias — cujas funções na sociedade são diversas, porém iguais em dignidade. Exemplo: advogados,  médicos, engenheiros, fazendeiros, oficiais das Forças Armadas, apesar da diversidade de suas funções, constituem com suas famílias uma mesma classe social.
      Todas as classes sociais são dignas, mas não iguais em dignidade. Por exemplo: o trabalho manual é digno e foi até exercido pelo Verbo Encarnado; todavia, a dignidade do trabalho intelectual é intrinsecamente maior: o espírito é mais do que a matéria.
     41. A que título a família faz parte da classe social?
     De acordo com a lei natural e a doutrina da Igreja, a família participa de algum modo, não só do patrimônio, como da dignidade, honra e consideração de seu chefe, com o qual forma um só todo e a cuja classe social pertence. Sendo inerente à família a transmissão aos filhos, não só do patrimônio dos pais, como também, de certo modo, da honra e consideração que se prende ao nome paterno, a presença da família na classe social dá a esta um certo caráter de continuidade hereditária.
     42. Então uma pessoa não pode passar para uma classe a que não pertence a sua família?
     Pode. Não se deve confundir classe social com casta. No regime pagão das castas existe entre estas uma barreira intransponível. Cada pessoa pertence necessariamente, por toda a vida, à casta em que nasceu. Isto, quaisquer que sejam suas ações, boas ou más. Na civilização cristã, não há castas impermeáveis, mas classes sociais permeáveis. Ou seja, a pessoa pertence à classe em  que nasceu, mas pode elevar-se a outra se tiver um mérito saliente. Bem como pode decair, em razão de seu mau procedimento. Assim, o princípio da hereditariedade se harmoniza com o postulado da justiça.
     O comunismo, ao invés, quer uma sociedade sem classes, em que todos sejam iguais, no que contraria o princípio natural da hereditariedade e as exigências da justiça.

     VII. O PROLETÁRIO É O ÚNICO HOMEM IDEAL, SEGUNDO O COMUNISMO

     43. Se não há Direito, como pode, segundo os comunistas, existir a sociedade? 
     A sociedade, segundo os comunistas, existirá sem Direito: existirá pela força.
     44. Em mãos de quem ficará a força na sociedade?
     Aqueles que representam o homem mais perfeito hão de ter em suas mãos a força na sociedade.
     45. Quem representa o homem mais perfeito, de acordo com o comunismo?
     Segundo o comunismo, os proletários não tem nenhuma raiz que os prenda ao passado ou à sociedade presente, e portanto são os homens mais livres de limitações; são eles que, unidos, constituem a maior força revolucionária. Para a seita comunista o proletário é, pois, o homem mais perfeito. De fato, em sua mentalidade não existem os “entraves” e as “degenerescências” que ligam as outras classes à ordem social vigente. Por isso mesmo, a seita o considera como o instrumento ideal da Revolução.
     46. Que devem fazer os proletários, de acordo com o comunismo?
     De acordo com o comunismo, os proletários devem mover guerra às outras classes, e implantar a ditadura do proletariado, que pela violência extermine a Igreja, o Clero, os nobres, os ricos, os proprietários, os que se realçam pela inteligência, todos os homens independentes, e assim destrua tudo o que se opõe à Revolução.

     VIII. A LUTA DE CLASSES

     47. Como se chama esta oposição entre os proletários e os demais cidadãos?
     Esta oposição se chama luta de classes.
     48. Esta luta durará muito?
     Para os comunistas, esta luta não terminará senão quando no mundo inteiro só houver a classe dos proletários, isto é, dos trabalhadores que não têm nada de próprio.

     IX. A PROPRIEDADE, A VIDA HUMANA E A ESCRAVIDÃO DO OPERARIADO

     49. O indivíduo, no regime comunista, não pode possuir nada?
     No regime comunista o indivíduo não é dono de nada. Tudo é do Estado.
     50. O comunismo não admite por vezes o direito de propriedade?
     Quando está no poder, o comunismo às vezes concede o uso de algum imóvel a um ou outro trabalhador. Mas não reconhece o direito de propriedade, pois pode tomar tudo a todos, quando quiser. O homem, no regime comunista, não tem sequer direito ao fruto do seu trabalho.
     51. No regime comunista ninguém é, então, dono de nada?
     No regime comunista ninguém é dono de nada: nem do dinheiro, nem da fábrica, nem do campo, nem da casa, nem da profissão, nem de si mesmo. Tudo é do Estado, tudo depende do Estado.
     52. Então o regime comunista é de escravidão?
     O regime comunista estabelece a mais completa escravidão, pois não reconhece ao homem nenhum direito.
     53. O comunismo respeita a vida humana?
     Não. Uma vez que o homem não passa de animal, o comunismo trata a vida humana como nós tratamos a dos bois. Se fôr preciso, mata-se. Assim, para dominar a Rússia foi preciso assassinar cerca de 20 milhões de russos, ou fuzilando-os, ou deixando-os morrer de fome. Nos campos de concentração da União Soviética, ao tempo de Stalin, calcula-se que havia 16 milhões de homens e mulheres de todas as categorias, padres, intelectuais, operários, que trabalhavam como escravos e acabaram morrendo de miséria. Para conquistar o poder, os comunistas chineses assassinaram vários milhões de pessoas. Para dominar os católicos da Espanha, as milícias bolchevistas mataram onze Bispos e 16.852 Sacerdotes e Religiosos, bem como muitos milhares de pais  de família.
     54. No regime comunista, o operário pode se queixar, fazer greve, trocar de serviço?
     Não. O Partido marca onde o operário deve trabalhar. Neste trabalho ele deve produzir o máximo. Não pode reclamar, e nem é bom pensar em greve, porque quem pensar vai para o degredo na Sibéria, para um campo de concentração ou para a forca. No regime comunista o operário não tem direito algum.
     55. Os comunistas mantêm sempre os operários na miséria?
     Até hoje a situação material dos operários em todos os países comunistas é em geral miserável. Todavia, a Rússia promete que no ano 2000 os trabalhadores russos terão a mesma situação que têm atualmente os seus colegas ocidentais. O comunismo não se interessa pelo bem-estar dos operários senão enquanto ele é útil para a Revolução, por isso, se os operários, obtido o bem-estar, começam a desobedecer, volta de novo a miséria. O comunismo trata os trabalhadores como reses, ou como escravos. O senhor de escravos dava-lhes comida porque lhe interessava que eles fossem fortes e sadios, para poderem trabalhar. Mas, se em dado momento parecer necessário às autoridades comunistas reduzir gravemente o padrão de vida da classe trabalhadora, em favor do desenvolvimento das industrias do Estado ou do seu poderio militar, fá-lo-ão sem hesitação, pois para elas o operário é escravo e o escravo não tem direito.
     56. Nos países não comunistas, o comunismo quer melhorar a situação dos operários?
     Não. Nos países não comunistas o comunismo quer que os operários fiquem tão miseráveis, que cheguem ao desespero, e assim provoquem greves e desordens, as quais os comunistas aproveitarão para derrubar o governo legítimo e implantar a sua ditadura.
     57. Nos países dominados pelos comunistas não há diferenças de riqueza e de classe social?
     O comunismo promete abolir as diferenças de riqueza e de classe. Mas isto é contra a natureza humana. Destruindo a moral e o direito, o comunismo favorece um grupo de dirigentes e de membros do Partido, que dispõem de grandes riquezas e vivem com fartura e luxo em casas suntuosas, enquanto o operário em geral passa privações, e obrigado a trabalhar onde o Partido manda, tem para morar somente um quarto, onde se amontoam os pais, os filhos e todos os membros da família, sem cozinha, nem banheiro próprios. A diferença entre os que mandam e os outros é muito maior que entre os capitalistas e os operários.

     X. O PAPEL DE SATANÁS

     58. Quem inventou este regime?
     Quem inventou este regime foi Satanás, que sabe que o melhor meio de levar os homens à perdição eterna é fazê-los rebelarem-se contra a ordem constituída por Deus.
     59. Como que Satanás consegue adeptos para este regime?
     Prometendo aos homens o paraíso na terra se eles renunciarem a Deus e ao Céu, Satanás consegue enganá-los como o fez a nossos primeiros pais, e o resultado é o inferno na terra e na eternidade.

     XI. A VIOLÊNCIA E A LIBERDADE

     60. Como se implanta o regime comunista?
     O regime comunista é implantado, em geral, pela violência. Os comunistas procuram chegar ao poder de qualquer modo: por eleições, por pressão de tropas estrangeiras, por golpes armados. Uma vez no poder, destroem toda oposição, e implantam a ditadura, em nome do proletariado.
     61. Então são os operários que passam a mandar?
     Não. Os operários não mandam. Eles passam à situação de escravos, trabalham onde o governo os manda trabalhar, não podem se afastar dali; recebem o salário que o governo quer e, se reclamam, podem até ser fuzilados.
     62. O comunismo admite direito à greve?
     Nos países que quer dominar, o comunismo exige que a lei estabeleça o direito de greve; e organiza paredes para desmantelar a economia nacional. Mas, uma vez dominado o país, não tolera a greve em nenhuma hipótese, e sujeita o operário à mais tirânica escravidão.
     63. É somente pela violência que o comunismo é implantado?
     Em geral o comunismo é implantado pela violência; mas ele é preparado por muitas atitudes dos cristãos.

     XII. O MATERIALISMO DO OCIDENTE PREPARA O CAMINHO DO COMUNISMO

     64. Que atitudes dos cristãos preparam a vitória do comunismo?
     Como o comunismo nasce do materialismo, da sensualidade e do orgulho, o materialismo prático dos cristãos que vivem como se não houvesse a eternidade cria o caldo de cultura em que o bacilo comunista prolifera.
     65. Dê alguns exemplos destes materialistas práticos.
     Posso dar os seguintes exemplos: quem só se preocupa com ganhar dinheiro; quem procura gozar dos prazeres da vida, embora lícitos, sem se interessar pela prática da oração e da penitência; quem se entrega ao jogo; quem freqüenta lugares suspeitos; quem se veste com sensualidade, sem modéstia; quem dança as danças modernas; quem lê revistas obscenas ou sensuais; os freqüentadores do cinema e da televisão imorais; quem se desinteressa pela graça santificante, pecando como se não houvesse pecado.

     XIII. A IGREJA E OS OPERÁRIOS

     66. Que tem feito a Igreja pelos pobres e operários?
     A Igreja, ao longo da Historia, aboliu a escravatura, defendeu os fracos e pobres, ensinou os ricos e poderosos a amparar os humildes, difundiu a justiça e a caridade. Organizou os trabalhadores em grandes sociedades chamadas corporações, que cuidavam de sua formação técnica, de sua prosperidade material, do bem espiritual deles e de sua família, lhes davam assistência na doença e cuidavam dos seus filhos em caso de morte. Estas associações sofreram um golpe de morte com a Revolução Francesa, mas duraram em muitos países até as agitações do ano de 1848; na Alemanha elas ainda existem.
     67. Depois de 1848 a Igreja não fez mais nada pelos operários?
     O individualismo introduzido pela Revolução Francesa destruiu as corporações católicas e deixou os operários entregues à própria sorte. Então a Igreja empreendeu um grande trabalho em favor deles, simultaneamente em três pontos.
     68. Qual foi a primeira frente que a Igreja atacou?
     A Igreja Católica procurou, de início, principalmente minorar a miséria das pessoas. Para este fim multiplicou as Santas Casas, os orfanatos, asilos para velhos, Oratórios festivos, creches, e obras de assistência social. Assim é que, para dar um exemplo, no Estado de São Paulo, atualmente, de cada cem instituições de caridade ou de assistência, oitenta são mantidas pela Igreja Católica. Os comunistas não mantêm nenhuma. As vinte restantes pertencem a outras igrejas, às organizações leigas e ao Poder público. Nos outros Estados do Brasil, a proporção de obras mantidas pela Igreja é ainda maior. E note-se que as instituições de caridade e assistência mantidas e dirigidas pela Igreja funcionam admiravelmente. Basta ver um hospital dirigido por Religiosas.
     69. Qual foi a segunda frente que a Igreja atacou?
     Enquanto fundava e organizava instituições de caridade e de assistência, a Igreja lutava para corrigir os defeitos da sociedade que geravam tanta miséria. Desde o Papa Pio IX, e principalmente no pontificado de Leão XIII, Ela insistiu com os ricos, os patrões, o Estado e os trabalhadores para que se lembrassem da ordem social que Deus quer e Jesus Cristo fundou, e se aplicassem a melhorar as condições de vida do operário. Os Papas ensinaram que o trabalho não é mercadoria, e que o homem que trabalha tem direito a um salário nas seguintes condições: a) que lhe permita viver com dignidade; b) que dê para criar e educar os filhos; c) que possibilite ao trabalhador diligente e econômico formar um pecúlio que melhore a sua situação e lhe garanta o futuro.
     70. Os ensinamentos dos Papas tiveram resultado?
     Os ensinamentos dos Papas já modificaram completamente, em muitos países, a mentalidade dos patrões e dos operários, e melhoraram felizmente as condições destes últimos. Mas a Igreja continua a insistir, e o atual Pontífice, Sua Santidade o Papa João XXIII, publicou há pouco a Encíclica “Mater et Magistra”, em que ensina mais uma vez como os patrões devem tratar os trabalhadores, para que haja justiça, caridade e paz.
     71. Qual foi a terceira frente em que a Igreja empreendeu o grande trabalho em favor dos operários?
     A Igreja, enquanto atendia as misérias mais gritantes e imediatas, e ensinava aos patrões e operários como deviam ser as suas relações de acordo com a justiça e a caridade, promovia a organização destes e daqueles em associações, que se chamam corporações, círculos operários, etc. Estas organizações formam nos vários países grandes confederações, como na França a Confederação dos Trabalhadores Cristãos, na Itália a Associação Católica dos Trabalhadores Italianos, no Brasil a Confederação dos Círculos Operários etc.
     72. Em que mais os Papas insistiram?
     Os Papas insistiram em que os operários se unam, para juntos defenderem os seus direitos, respeitando, porém, os direitos dos patrões. Os Papas aconselham a estes que, na medida do possível, melhorem o salário e as condições dos trabalhadores, dando-lhes mais do que o estritamente justo.
     73. Quais os Papas que mais se salientaram , na ação em favor dos  direitos do operário, e da justiça e harmonia entre as classes sociais?
     Todos os Papas se têm desvelado pela melhora da dura situação que começou para os operários com a Revolução Francesa. De um modo especial devem-se mencionar os seguintes Pontífices: Leão XIII, autor da Encíclica “Rerum Novarum”; Pio XI, autor da Encíclica “Quadragesimo Anno”; João XXIII, autor da Encíclica “Mater et Magistra”.
     74. Que Papas se salientaram na luta contra o comunismo?
     Todos os Papas, de Pio IX a João XXIII, tem condenado o comunismo. A Encíclica “Divini Redemptoris” de Pio XI trata especialmente do assunto, com grande, clareza e vigor. Durante o pontificado de Pio XII, a Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício fulminou com a pena de excomunhão quem pertence ao Partido Comunista ou colabora com ele.
     75. Quais as conseqüências práticas desta excomunhão?
     Os membros do Partido Comunista e os que com ele colaboram não podem receber os Sacramentos nem ser padrinhos de batismo, confirmação e casamento, ficam privados de enterro religioso e sepultura eclesiástica, e não se pode celebrar em público missa em sufrágio de suas almas.
     76. Os comunistas têm direito de divulgar suas doutrinas, de viva voz, ou pela imprensa, rádio e outros meios de propaganda?
     Não. Segundo a doutrina católica o erro não tem direito de ser difundido. Cumpre ao Poder Público proibir-lhe a propaganda.

     XIV. O SOCIALISMO

     77. Haverá outro meio de preparar os homens para o comunismo?
     Outro meio de preparar os homens para o comunismo é o socialismo.
     78. Que vem a ser o socialismo?
     O socialismo é o sistema que professa que todos os meios de produção, de transporte, o ensino, a assistência, toda a propriedade, devem pertencer ao Estado.
     79. Para o socialismo, qual é o papel do indíviduo?
     Para o socialismo o individuo é meio e não fim da sociedade. Por isto o Estado deve se ocupar de tudo, e cuidar do indivíduo em todos os setores, deixando a este somente aquilo que o Estado mesmo não pode fazer.
     80. Neste caso, o socialismo é o mesmo que o comunismo?
     Não. O fim de um e outro é o mesmo o estabelecimento de uma sociedade sem classes, a abolição da propriedade privada e da iniciativa privada, e a entrega ao Estado de todos os meios de produção. A diferença está em que o socialismo procura alcançar estes objetivos com meios brandos, usando da propaganda doutrinária e  das eleições, enquanto que o comunismo prefere recorrer à violência. Os meios são diferentes, mas o fim é o mesmo. O socialismo é como uma rampa pela qual o mundo desliza suavemente da ordem natural e divina para o comunismo.
     81. Há formas moderadas de socialismo?
     Há formas moderadas de socialismo. Tais formas existem sempre que se exagera, em medida maior ou menor, a ação do Estado, em detrimento da iniciativa individual ou da propriedade privada.
     82. Pode o católico ser socialista?
     O católico não pode ser socialista, porque o socialismo contradiz a doutrina da Igreja, que estabelece o seguinte princípio: o Estado existe para realizar as tarefas de bem comum de que nem os indivíduos, nem as famílias, nem as sociedades intermediárias são capazes por si mesmos. Este princípio defendido pela  Santa Igreja, e de modo especial pelo Santo Padre João XXIII na Encíclica “Mater et Magistra”, chama-se o “princípio da subsidiariedade”.
     83. Que dizem os Papas sobre o socialismo moderado?
     Os Papas dizem que,  consistindo o socialismo, ainda que moderado, no exagero da ação estatal, é sempre condenado, porque incompatível com a justiça e a ordem natural estabelecida por Deus. Por isto disse Pio XI que o socialismo — mesmo quando moderado — “não pode conciliar-se com a doutrina católica” (Encíclica “Quadragesimo Anno”).
     84. Que dizer então do chamado “socialismo cristão” ou “católico”?
     O chamado “socialismo cristão” ou “socialismo católico” é uma aberração tão grande como se alguém falasse de um protestantismo católico ou de um círculo quadrado.

     XV. A CONQUISTA DO POVO — AS ELITES E A MASSA

     85. Qual a técnica que o comunismo usa para conquistar as elites?
     A técnica usada pelo comunismo para conquistar as elites consiste em promover o convívio e a colaboração delas com núcleos da seita. Os comunistas aos poucos as vão levando a pensar à maneira materialista. Levam-nas primeiro a agir como materialistas, para terminarem pensando como materialistas.
     Os comunistas usam também um processo de mudança da maneira de pensar, em geral sem discutir, que denominam de “lavagem cerebral”.
     86. Que meios usa o comunismo para conquistar as massas?
     Os grandes meios utilizados pelos comunistas para conquistar as massas são a revolta e as promessas. Pela revolta, o comunismo açula a classe operária contra os ricos. Pelas promessas desperta nos corações a inveja e a cobiça. Para conquistar as inteligências do povo usa da propaganda, menos para convencer do que para saturar os cérebros com as idéias que convêm ao Partido, e tirar as que lhe são contrárias. Ao Partido não interessa se a propaganda diz verdades ou mentiras: o que interessa é martelar até que a idéia pegue.

     XVI. OS PONTOS MAIS VISADOS — A REFORMA AGRÁRIA

     87. Quais são os pontos mais visados pela seita comunista em sua campanha para dominar um país?
     Os pontos mais visados pela campanha comunista no primeiro período, que é o da destruição da sociedade católica, são os seguintes: direito de propriedade, forças armadas, pátria, família, e sobretudo a Religião. Para quebrar todas as resistências, procura-se encher o povo de ódio contra tudo isto.
     88. Que reformas o comunismo apregoa, para dominar um país?
     Para dominar um país o comunismo apregoa a necessidade de várias reformas. A primeira é a reforma agrária, depois vem a reforma urbana, a comercial e a industrial, todas elas de caráter mais ou menos acentuadamente expropriatório e socialista.
     89. Em que consiste a reforma agrária que os comunistas querem?
     Os comunistas, tomando por pretexto a situação não raras vezes lamentável do trabalhador rural, e a conveniência de favorecer-lhe o acesso à condição de proprietário, promovem o confisco das propriedades rurais grandes e médias. Desde que haja só propriedades pequenas, caem todas sob o controle absoluto do Estado.
     90. De que maneira uma tal reforma agrária prepara a Revolução desejada pelo comunismo?
     De tal reforma agrária o comunismo tira diversas vantagens:
     a) ela destrói as elites rurais, coluna indispensável da ordem social;
     b) cria uma grande desordem no campo, com lutas, violências, homicídios;
     c) daí nasce uma grande penúria e grande fome no campo e na cidade;
     d) assim se enfraquece a nação e se leva o povo ao desespero. Com isto as resistências anticomunistas ficam prejudicadas, e o Partido pode dar o golpe da Revolução.
     91. A Igreja concorda com uma reforma agrária que viole o direito de propriedade?
     A Igreja condena toda reforma agrária que não respeite como sagrado o direito da propriedade, seja do grande fazendeiro, como do pequeno sitiante. Em ambos os casos este direito é sagrado.
     92. Que reforma agrária a Igreja abençoa?
     A Igreja abençoa uma reforma agrária que atenda aos seguintes pontos fundamentais:
     a) respeito pela legítima propriedade, qualquer que seja o seu tamanho;
     b) fornecimento por parte do Estado, de assistência técnica, social e financeira ao lavrador;
     c) colonização da imensa reserva de terras inaproveitadas da União, Estados e Municípios;
     d) concessão de crédito aos grandes proprietários que queiram dividir e colonizar suas terras;
     e) concessão de crédito a juros baixos e prazo longo, para os agricultores que queiram adquirir terras, montar suas fazendas ou sítios;
     f) assistência religiosa e educacional aos homens do campo;
     g) facilitar a formação de cooperativas agrícolas, livres, de iniciativa particular;
     h) facilitar o armazenamento e transporte dos produtos da agricultura.
     93. A Igreja proíbe a expropriação de uma gleba para fins sociais?
     A Igreja admite a expropriação de uma gleba para fins sociais, mas com grandes cautelas:
     a) é preciso que se trate de alcançar um bem comum proporcionadamente grande, ou de afastar um mal proporcionadamente grande;
     b) é preciso que não haja outra solução que não seja dispor da gleba; 
     c) é necessário que se tenha antes tentado, sem êxito, a aquisição amigável do imóvel;
     d) é necessário que o dono receba, no ato da desapropriação, e em dinheiro, o preço justo, correspondente ao valor real e atual do imóvel, seja esse valor grande ou pequeno.
     94. Há casos especiais de desapropriação?
     Sim. Por exemplo, se a finalidade da obra a ser executada em determinada gleba o exigir, o Estado poderá desapropriar, além desta, as glebas vizinhas, a fim de que a obra aproveite ao maior número de pessoas.

     XVII. O IDEAL DO COMUNISMO: A SOCIEDADE SEM CLASSES; O IGUALITARISMO

     95. Qual o ideal remoto da sociedade comunista?
     A sociedade comunista ideal, diz a seita, será, depois dos horrores da ditadura do proletariado, uma sociedade sem classes nem proprietários, onde todos serão iguais, todos trabalharão, cada qual segundo as suas forças, e cada um receberá da sociedade tudo o de que precisar. Será este o paraíso na terra.
     96. Este ideal corresponde à vontade de Deus?
     Este ideal é oposto à vontade e aos planos de Deus em pontos essenciais:
     a) Deus não quer que este mundo seja um paraíso, e sim um lugar em que ao lado de puras alegrias nós encontremos grandes sofrimentos, e assim, carregando a nossa cruz, nos santifiquemos. Nosso paraíso nos espera na outra vida.
     b) Deus quer que cada indivíduo procure o seu bem-estar por seu esforço pessoal, amparado pelo Estado, mas não substituído por ele.
     c) Deus quer que entre os homens haja desigualdades, as famílias formem classes distintas, umas mais altas que as outras, sem hostilidade recíproca, com caridade, e sem exagerada diferença: não deve haver alguns miseráveis, e outros excessivamente ricos.
     97. Deus quer então que haja pobres e ricos, nobres e plebeus?
     Está de acordo com os planos de Deus que existam pobres e ricos, gente humilde e gente importante, mas baseada toda esta hierarquia na justiça e na caridade.
     98. Qual a última causa da desigualdade entre os homens?
     A última causa da desigualdade entre os homens é a sua liberdade. Dada a natural desigualdade de talentos e virtudes entre os homens, estes só podem ser mantidos num mesmo nível econômico mediante uma ditadura de ferro, que suprima toda liberdade e toda iniciativa.
     99. Como se chama a tendência que leva o homem a odiar as diferenças sociais, a querer uma sociedade sem classes?
     A tendência que leva a querer que todos sejam iguais e a odiar as diferenças de classe chama-se: igualitarismo.
     100. Quais são os vícios que alimentam o igualitarismo?
     Os vícios que alimentam o igualitarismo são:
     a) a inveja, que não tolera que o próximo seja melhor, ou mais sábio, ou mais rico;
     b) o orgulho, que não tolera ninguém acima de nós;
     c) a soberba, que não se conforma com os planos de Deus.
     101. Que manda a justiça social?
     A justiça social manda que o Estado providencie que cada família possa conseguir por seu trabalho o necessário para seu sustento, educação de seus filhos e formação de uma reserva para o futuro, de modo que haja o menor número possível de miseráveis, e os ricos não sejam demasiadamente ricos. Assim a sociedade será como uma pirâmide: com pessoas que vivem só de seu trabalho, pequenos proprietários, pessoas remediadas, ricos, e alguns muito ricos.
     102. A justiça social manda que todos sejam iguais em fortuna e posição social?
     Não. Que todos os indivíduos e famílias fossem iguais seria uma injustiça social, porque importaria na destruição da liberdade, da iniciativa privada e do direito dos filhos a herdar dos pais.
     A boa sociedade católica e humana é desigual, hierarquizada.
     _________

     Fonte: D. Geraldo de Proença Sigaud, S.V.D., Arcebispo de Diamantina, Catecismo Anticomunista, 3ª. Ed. Editora Vera Cruz. São Paulo, 1963.

     _________

     Artigos relacionados:
     Substanciosa e lúcida exposição sobre o socialismo e sua versão religiosa, o socialismo cristão – por D. Geraldo de Proença Sigaud.
     Estratégia das metamorfoses socialistas e a evolução cromática durante a marcha processiva comunista especialmente na fase do caos factual – André F. Falleiro Garcia.
     As transformações estratégicas que geraram o neocomunismo e a necessidade de conhecer a doutrina marxista – Plinio Corrêa de Oliveira.
     • A marcha do caos factual
     O papel do caos factual no processo revolucionário comunista, ilustrado por um fato atual, a tentativa de derrubada do último bastião de defesa da nacionalidade, a Escola Superior de Guerra – André F. Falleiro Garcia.
     Santiago Carrillo apresentou o eurocomunismo em seu conteúdo gramscista que é preciso conhecer – Jorge Baptista Ribeiro.
     • A gnose petista
     Interessante artigo sobre o caráter religioso da seita petista, verdadeiro cerne da burocracia partidária instalada na burocracia do Estado, tornada classe dominante no Brasil contemporâneo – por Nivaldo Cordeiro.
     Resenha do livro de Toby Westerman: Mentiras, Terror e o Surgimento do Império Neocomunista – Origens e Direção. – Atila S. Guimarães.
     • Nem a Bíblia escapa!
     O marxismo cultural foi difundido pela Teologia da Libertação numa edição da Bíblia Sagrada – Klauber Cristofen Pires.
     
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TESTEMUNHOS DE EX-COMUNISTAS


                 
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Carlos I. S. Azambuja 
"O POVO BRASILEIRO LEVANTOU-SE JUNTO COM AS FORÇAS ARMADAS E AMBOS DERROTARAM OS COMUNISTAS QUE QUERIAM IMPLANTAR UMA DITADURA DO PROLETARIADO NO BRASIL" 
QUEM AFIRMA E CONFIRMA A VERDADE ACIMA SÃO OS EX-COMUNISTAS 
VEJAM O QUE ELES DIZEM 
Carlos I. S. Azambuja 
     Fernando Gabeira, Heitor de Paola, Daniel Aarão Reis - ao lado -, Mirian Macedo e Jacob Gorender 
     1. FERNANDO GABEIRA:  
     Nós queríamos implantar o comunismo no Brasil - a DITADURA do proletariado. Por isso, teríamos de rever tantas indenizações. Muitas delas ilegais e delituosas! A do presidente Lula é uma delas, pois, ele NUNCA FOI PERSEGUIDO POLÍTICO E NUNCA FOI EXILADO POLÍTICO!!!!  Ficou apenas 29 dias nas dependências do DOPS/SP, nunca foi torturado e teve até regalias. Era constantemente acompanhado pelo falecido Romeu Tuma.
     2. HEITOR DE PAOLA:
 
 
     Pois eu vivi intensamente aqueles anos, em 64 eu já estava no segundo ano da Faculdade, era Vice-Presidente do Centro Acadêmico e, obviamente, como qualquer babaca daquela época, de esquerda, da AP (a mesma do Serra). Estive foragido alguns dias e dois meses preso. Perdi um ano de estudos. E me desencantei. Com as esquerdas, não com os militares. Em 68, inicio do ano, foi oficialmente lançada a "luta armada". Eu participei das reuniões com gente vinda de Cuba, não é mentira não, eles estavam aqui fornecendo dinheiro e armas tchecas para tornar o Brasil uma outra Cuba a serviço de Moscou, como a original. Não era nada de democratas em luta contra uma ditadura, como hoje dizem: eram comunistas querendo instalar uma verdadeira ditadura totalitária!
       Quer saber mais..., vá até: www.heitordepaola.com.br      
 
    3. DANIEL AARÃO REIS (ATIVO MILITANTE DO MR-8):
 
DECLAROU EM ENTREVISTA AO JORNAL O GLOBO DE 23/09/2001 QUE:
 
     "AO LONGO DO PROCESSO DE RADICALIZAÇÃO INICIADO EM 1961, O PROJETO DAS ORGANIZAÇÕES DE ESQUERDA QUE DEFENDIAM A LUTA ARMADA ERA REVOLUCIONÁRIO, OFENSIVO E DITATORIAL. PRETENDIA-SE IMPLANTAR UMA DITADURA REVOLUCIONÁRIA."
 
     Quem responde a esta pergunta é Daniel Aarão Reis, um ex-terrorista do MR-8, atualmente professor de História Contemporânea na Universidade Federal Fluminense. Ele diz: 
 
     "As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser mitigadas. Nem para um lado nem para outro. Não compartilho a lenda de que, no fim dos anos 1960 e no inicio de 1970, fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito sugerido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial, pretendia-se implantar uma ditadura revolucionaria. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentem como instrumento da resistência democrática. 
 
     As esquerdas radicais se lançaram na luta contra a ditadura, não porque a gente queria uma democracia, mas para instaurar um socialismo no país, por meio de uma ditadura revolucionaria como existia na China e em Cuba. Mas, evidentemente, elas falaram em resistência, palavra muito mais simpática, mobilizadora e aglutinadora. Isso é um ensinamento que vem dos clássicos sobre guerra". 
 
 
    - Aqui um dossiê de outro terrorista: Paulo Vannuchi, foi militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), onde se familiarizou com ações terroristas, seqüestros políticos, assaltos a bancos e quartéis. - Outro terrorista, Carlos Minc Baunfeld, era conhecido pelos codinomes "JAIR", "JOSÉ" e "ORLANDO", da Vanguarda Armada Revolucionaria Palmares,
 
     - Tem também a terrorista que na clandestinidade usava os codinomes de "ESTELA", "LUIZA", "PATRICIA" e "VANDA", a ex-presidentA Dilma Rousseff; ela participou de vários eventos terroristas; 
 
     - Tenho também o de José Genoino, que foi preso e cujo codinome era GERALDO; e de José Dirceu, cujo codinome era DANIEL, que filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), quando universitário e acompanhou Carlos Marighella, então líder do PCB, na "corrente revolucionaria", criada para promover a luta armada. 
 
     4. MIRIAN MACEDO:
 
     JORNALISTA CONFESSA QUE MENTIU DURANTE 30 ANOS QUE FOI TORTURADA - ERAM ORDENS DO ATOR MÁRIO LAGO.   
http://blogdemirianmacedo.blogspot.com/ 
 
A JORNALISTA MIRIAN MACEDO REVELA QUE FOI TERRORISTA NA JUVENTUDE, FOI PRESA E MENTIU DURANTE 30 ANOS QUE FOI TORTURADA. A JORNALISTA AFIRMA QUE O ATOR MÁRIO LAGO ORDENAVA QUE TODOS MENTISSEM AO SAIR DA CADEIA E DECLARASSEM QUE QUE FORAM BARBARAMENTE TORTURADOS. LEIAM "EU MENTI":
 
Blog de Mírian Macedo
blogdemirianmacedo.blogspot.com
 
A verdade: eu menti
 
Mirian Macedo
 
   Eu, de minha parte, vou dar uma contribuição à Comissão da Verdade. Fui uma subversivazinha medíocre, mal fui aliciada e já caí, com as mãos cheias de material comprometedor. Não tive nem o cuidado de esconder os jornais da Organização clandestina a que eu pertencia. Eles estavam no meio dos livros de uma estante, daquelas improvisadas, de tijolos e tábuas, que existia em todas as repúblicas de estudantes, em Brasília naquele ano de 1973.
 
   Já contei o que eu fazia (quase nada). A minha verdadeira ação revolucionária foi outra, esta sim, competente, profícua, sistemática: MENTI DESCARADAMENTE DURANTE 30 ANOS!
 
   Repeti e escrevi a mentira de que tinha tomado choques elétricos (poucos, é verdade), que me interrogaram com luzes fortes, que me ameaçaram de estupro quando voltava à noite dos interrogatórios no DOI-CODI para o PIC e que eu ficava ouvindo "gritos assombrosos" de outros presos sendo torturados (aconteceu uma única vez, por pouquíssimos segundos: ouvi gritos e alguém me disse que era minha irmã sendo torturada. Os gritos cessaram - achei, depois, que fosse gravação - e minha irmã, que também tinha sido presa, não teve um único fio de cabelo tocado). 
 
   Eu menti dizendo que meus algozes diversas vezes se divertiam jogando-me escada abaixo, e, quando eu achava que ia rolar pelos degraus, alguém me amparava (inventei um !trauma de escadas", imagina). A verdade: certa vez, ao descer as escadas até a garagem no subsolo, alguém me desequilibrou e outro me segurou, antes que eu caísse.
 
  Quanto aos empurrões de que eu fui alvo durante os dias de prisão, não houve violência nem chegaram a machucar nada mais que um gesto irritado de um dos inquisidores, eu os levava à loucura, com meu enrolation. Sou rápida no raciocínio, sei manipular as palavras, domino a arte de florear o discurso. Um deles repetia sempre: "Você é muito inteligente. Já contou o pré-primário. Agora, senta e escreve o resto".
 
  Quem, durante todos estes anos, tenha me ouvido relatar aqueles dias em que estive presa, tinha o dever de carimbar a minha testa com a marca de "vítima da repressão". A impressão, pelo relato, é de que aquilo deve ter sido um calvário tão doloroso que valeria uma nota preta hoje, os beneficiados com as indenizações da Comissão da Anistia sabem do que eu estou falando.
 
  Ma va! Torturada?! Eu?! As palmadas que dei na bunda de meus filhos podem ser consideradas tortura inumana se comparadas ao que (não) sofri nas mãos dos agentes do DOI-CODI. Que teve gente que padeceu, é claro que teve. Mas alguém acha que todos nós que saíamos da cadeia contando que tínhamos sido barbaramente torturados falávamos a verdade?
 
  Não, não é verdade. Noventa e nove por cento das barbaridades e torturas eram pura mentira! Por Deus, nós sabemos disto! Ninguém apresentava a marca de um beliscão no corpo. Éramos barbaramente torturados e ninguém tinha uma única mancha roxa para mostrar! Sei, técnica do torturadores. Não, técnica de torturado, ou seja, mentira.
 
  Mário Lago, comunista até a morte, ensinava: "quando sair da cadeia, diga que foi torturado. Sempre." A pior coisa que podia nos acontecer naqueles "anos de chumbo" era não ser preso. Como assim, todo mundo ia preso e nós não? Ser preso dava currículo, demonstrava que éramos da pesada, revolucionários perigosos, ameaça ao regime, comunistas de verdade! Sair dizendo que tínhamos apanhado, então! Mártires, heróis, cabras bons.
 
  Vaidade e mau-caratismo puros, só isto. Nós saímos com a aura de hérois e a ditadura com a marca da violência e arbítrio. Era mentira? Era, mas, para um revolucionário comunista, a verdade é um conceito burguês, Lênin já tínha nos ensinado o que fazer.
 
  E o que era melhor: dizer que tínhamos sido torturados escondia as patifarias e amarelões que nos acometiam quando ficávamos cara a cara com os "ômi". Com esta raia miúda que nós éramos, não precisava bater. Era só ameaçar, a gente abria o bico rapidinho.
 
  Quando um dia perguntaram-me se eu queria conhecer a marieta, pensei que fosse uma torturadora braba. Mas era choque elétrico (parece que marieta era uma corruptela de maritaca (nome que se dava à maquininha que rodava e dava choque elétrico). Eu não a quis conhecer.
 
  Relembrar estes fatos está sendo frutífero. Criei coragem e comecei a ler um livro que tenho desde 2009 (é mais um que eu ainda não tinha lido): "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça", escrito pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra. Editora Ser, publicado em 2007. Serão quase 600 páginas de verdades sufocadas?” Vou conferir.
 
  A autora é Jornalista. Publicado no blog da autora.
 
Já relatei o que eu fazia como militante. Quase nada. A minha verdadeira ação revolucionária foi outra, esta sim, competente, profícua, sistemática: MENTI DESCARADAMENTE DURANTE QUASE 40 ANOS! (O primeiro texto fala em 30 anos. Eu fui fazer as contas, são quase 40 anos, desde que comecei a mentir sobre os 'maus tratos'. Façam as contas, fui presa em 20 de junho de 73. Em 2013, terão se passado 40 anos).
 
    
     5. JACOB GORENDER:
 
     A esquerda brasileira de inspiração marxista pegou duas vezes em armas. Em 1935 e em 1968-1974...
A HISTÓRIA DOS JUSTIÇAMENTOS revolucionários no Brasil teve início nos anos trinta (caso Elza Fernandes) e nos 70. Em 35, assassinaram a amante de um colega preso e na luta de 1970 mataram os seguintes correligionários acusados e julgados por eles mesmos: Ary Rocha Miranda – Antônio Lourenço – Márcio Leite Toledo – Amaro Luiz de Carvalho – Carlos Alberto Maciel Cardoso – Jacques Moreira Alvarenga – Salatiel Teixeira Rolim – João Pereira – Osmar – Pedro Ferreira da Silva – Rosalino de Souza e o assassinato bárbaro do marinheiro inglês David A. Cuthberg.
 
Observação do site www.averdadesufocada.com. Leiam no livro "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça" - autor  Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra -13ª ed. - Capítulo "Golpe ou Contrarrevolução" - páginas 114 a 117- testemunhos de vários militantes de organizações subversivo terroristas e de historiadores sobre a verdadeira motivação para que eles desencadeassem a luta armada das décadas de 60 e 70. 

sábado, 18 de abril de 2020

Bolsonaro: um caso para a psiquiatria

Bolsonaro: um caso para a psiquiatria


Félix  Maier

Concordo com o Presidente  Bolsonaro quando demonstra grande preocupação com o desemprego, querendo que o povo volte ao trabalho. A miséria que virá depois dessa pandemia da Peste da China será gigantesca, com consequências de tal ordem catastróficas que ninguém ainda sabe calcular.

Obviamente, faltou Bolsonaro dizer que idosos e pessoas com problemas cardiovasculares, pulmonares, diabetes, pressão alta e outras doenças de risco quanto ao novo coronavírus, independentemente da idade, devam ficar em quarentena até que a Peste chinesa não seja mais tão letal quanto no momento atual, em que estamos caminhando para 2500 óbitos, e ainda estamos longe do pico da contaminação e do número de mortes.

Assim, penso, dentro da minha grande ignorância sobre o assunto, que liberar aos poucos a força de trabalho somente para pessoas jovens e que estejam fora dos riscos acima descritos, estão dentro de algum bom senso. No entanto, esse pessoal todo deveria obrigatoriamente usar máscaras e óculos, para se proteger de modo mais eficaz, seja no deslocamento até o trabalho - de carro, metrô ou ônibus -, seja no próprio local de trabalho, além dos cuidados permanentes de higienização, como lavar as mãos com sabão ou álcool gel.

Além dos trabalhadores em geral, todos que forem sair de casa, para ir ao mercado, p. ex., deveriam também utilizar máscara e óculos - como muitos governadores e prefeitos já estão exigindo de sua população.

Tanto uns, como outros, quando chegarem em casa, deveriam se desinfectar como se tivessem tido contato com o Césio de Goiânia ou a radiação de Chernobyl: separar a roupa e a máscara num cesto ou balde, para serem lavados, e tomar um banho com muito sabão dos cabelos aos pés - um protocolo seguido a rigor pelo pessoal da Saúde, como médicos e enfermeiros.

Dito isso, eu fico muito decepcionado com o Presidente Bolsonaro, quando, de modo totalmente irresponsável, sai em passeio pelas ruas de Brasília, para se misturar ao público, formando ajuntamento de pessoas sem a mínima preocupação com o distanciamento entre elas e, pior de tudo, sem usar máscaras nem óculos, como se todos fossem superatletas que no máximo  o Covid-19 traria uma "gripezinha", como já chegou a tripudiar nosso Presidente.

Quando vi hoje à tarde, 18 de abril, o Presidente se juntar com simpatizantes no cercadinho da entrada do Palácio da Alvorada, passando a mão no nariz e depois pegar o celular de uma pessoa para gravação de voz, sem uso de máscara mais uma vez, cheguei à conclusão que temos um problema grave de liderança nacional nestes tempos tão difíceis.

Para coroar sua ação irresponsável, que se repete quase todos os dias, o cúmulo da estupidez foi ver Bolsonaro convidar manifestantes para uma visita ao Palácio da Alvorada, em grande ajuntamento, sem uso de máscaras, mais uma vez.

Diante de tanta insensatez, quem sabe a solução seja colocar Bolsonaro em uma camisa-de-força nas próximas semanas, para a população deixar de assistir a cenas tão grotescas e irresponsáveis, para não dizer criminosas.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

O FIM DE CARLOS LAMARCA E DA VPR

O FIM DE CARLOS LAMARCA E DA VPR


por Carlos I. S. Azambuja. Artigo publicado em 
Publicado originalmente em www.alertatotal.net
Uma cuidadosa ação de Inteligência colocou fim à carreira do terrorista Carlos Lamarca, mas os homens que lutaram e erradicaram o terror comunista hoje não são reconhecidos.
No dia 7 de dezembro de 1970, uma segunda-feira, um grupo de militantes da Vanguarda Popular Revolucionária, chefiado por Carlos Lamarca, seqüestrou Giovani Enrico Bucher, embaixador da Suíça no Brasil. O seqüestro ocorreu na rua Conde de Baependi, Catete, no Rio de Janeiro. O embaixador viajava em seu carro, um Buick, dirigido por seu motorista, Hercílio Geraldo e, como sempre, acompanhado do agente da Polícia Federal Helio Carvalho de Araújo, designado para prover sua segurança.
Após o carro ter sido interceptado, Carlos Lamarca, utilizando o codinome de "Paulista", bateu no vidro da janela do agente de segurança, abriu a porta e desfechou-lhe dois tiros com um revólver calibre 38 à queima-roupa. O agente, conduzido para o Hospital Miguel Couto, faleceu 3 dias depois.
Desse seqüestro, tomaram parte diretamente seis militantes, além de Carlos Lamarca: Adair Gonçalves Reis, Gerson Theodoro de Oliveira, Alex Polari de Alverga, Inês Etienne Romeu, Maurício Guilherme da Silveira e Herbert Eustáquio de Carvalho. José Roberto Gonçalves de Rezende e Alfredo Helio Sirkis participaram do transporte do embaixador para o "aparelho" da VPR na rua Paracatu, em Rocha Miranda. O militante Paulo Brandi de Barros Cachapuz, nesse mesmo dia - e nos dias seguintes - deu seguidos telefonemas desinformando a polícia sobre o paradeiro do embaixador.
Essa data – 7 de dezembro de 1970 – marcou o início do fim da VPR.
Naquele mesmo dia a VPR distribuiu aos meios de comunicação o "Comunicado nº 1", um "Manifesto ao Povo Brasileiro" e uma "Carta Aberta à embaixada suíça", bem como uma carta de próprio punho do embaixador.
No dia 9 de dezembro, o Ministério da Justiça, através de uma nota oficial, afirmava que "o governo brasileiro, no empenho de preservar a vida e a liberdade do embaixador", aguardava a relação nominal dos terroristas a serem liberados. Nesse mesmo dia, a VPR expediu o "Comunicado nº 2", dizendo que somente divulgaria a lista dos 70 presos a serem liberados depois de cumpridas as exigências de divulgação do "Manifesto ao Povo Brasileiro" por dois dias consecutivos na primeira página dos jornais e em todas as rádios e TVs do país, às 6, 12, 18 e 20:30 horas, o que não foi feito.
Quatro dias depois, a VPR cobrou do governo o cumprimento dessa exigência através do "Comunicado nº 3" e, no dia 16 de dezembro com o "Comunicado nº 4".
No dia 17, o governo deu garantia de que libertaria os 70 presos e, no dia seguinte, a VPR enviou o "Comunicado nº 5", com a lista dos 70.
Na segunda-feira, 21 de dezembro, o governo respondeu que aceitava libertar apenas 51 presos constantes da relação. Não concordava com os outros 19 por vários motivos: 6 haviam participado de seqüestros, 4 estavam condenados à prisão perpétua ou a penas elevadas, 3 haviam cometido homicídios, 1 não estava identificado, 1 não queria ser banido do país e 4 já estavam em liberdade.
A partir desse documento teve início uma discussão dentro da VPR para ver se o embaixador seria morto ou não, sendo realizada uma votação a respeito com o resultado de 15 a 3 a favor do "justiçamento" do embaixador. Os 3 que votaram contra foram Carlos Lamarca, Alfredo Hélio Sirkis e José Roberto Gonçalves de Rezende que não vislumbravam dividendos políticos na morte do embaixador. Lamarca, como comandante-em-chefe da VPR, exerceu seu direito de veto e sustou o "justiçamento" enviando ao governo outra lista dos presos a serem liberados.
No dia 28 de dezembro, o governo divulgou que, da nova lista, alguns não poderiam ser também libertados. No dia 30, a VPR enviou outra relação e, no dia 4 de janeiro, o governo divulgou a preterição de mais 9 presos, substituídos no dia seguinte, por uma nova lista enviada pela VPR. No dia 6 de janeiro, nova preterição de 4 nomes e, no dia seguinte, nova lista substituindo esses 4.
Finalmente, no dia 11 de janeiro, uma nota oficial do Ministério da Justiça condicionou a liberação e embarque para o Chile dos 70 presos a um Comunicado da VPR comprometendo-se a liberar o embaixador. No dia seguinte, a VPR cumpriu essa exigência e, às 24 horas do dia 13 de janeiro de 1971, os 70 presos, escoltados por três agentes da Polícia Federal embarcaram no Galeão, em um Boeing da Varig e, às 4:15 horas de 14 de janeiro desembarcaram no aeroporto Puhaduel, em Santiago, sendo fotografados ao lado do avião com os punhos cerrados e saudados por dezenas de militantes, brasileiros e chilenos, postados nas varandas do aeroporto, entoando o hino da Internacional Socialista.
Dos 70 presos banidos do Brasil, 24 eram militantes da VPR e os demais 46 pertenciam a outras organizações.
No dia 15 de janeiro de 1971, Lamarca abandonou o "aparelho" e, no alvorecer do dia 16, o embaixador foi deixado próximo ao penhasco da igreja da Penha, em um Volks, por Alfredo Helio Sirkis e Gerson Teodoro de Oliveira. Pouco tempo depois, Gerson Teodoro de Oliveira, a bordo desse Volks, que estava registrado no nome frio por ele utilizado, foi morto pela polícia.
Após esse tremendo desgaste de ter que manter o embaixador confinado por 39 dias, de fazer e refazer relações de presos e de impedir o "justiçamento" do embaixador, conforme desejava a maioria da VPR, a liderança de Carlos Lamarca estava irremediavelmente desgastada.
Acolhido em um "aparelho" do MR8, na região dos Lagos, juntamente com sua amante Iara Iavelberg, Lamarca, em 22 de março de 1971, enviou um Comunicado à VPR escrito de próprio punho. Abaixo, uma cópia literal desse documento:
"Ao Comando da VPR. Assunto: Pedido de Desligamento. Caráter: Irrevogável.
Apresento, conforme normas internas da Org, o meu pedido de desligamento para apreciação no meu órgão de militância. Considero essa apreciação como necessária para a formalização de crítica e auto-crítica (sic).
Dou caráter de irrevogabilidade à (sic) este pedido em virtude de:
1) divergir da linha política da VPR, conforme coloquei em diversos documentos internos;
2) ter constatado desvios ideológicos da VPR e a deformação que acarreta em muitos dos seus quadros;
3) não ter conseguido levar a luta interna que iniciei há um ano com a devida serenidade;
4) não conseguir romper com o culto ao sectarismo existente na VPR;
5) discordar do método de direção (apesar de ser Cmt-em-Chefe); a Org impede a liberação de potencial, não forma quadros, aliena militantes, deforma dirigentes, elimina a criatividade, impede a prática leninista – tudo como já coloquei em documentos internos.
Considero-me também deformado – na Org em que vou militar farei autocrítica na prática. Coloco-me como deformado porque constatei, na prática, essa deformação. Na VPR não há lugar para uma autocrítica revolucionária, em todas as vezes que fiz, foi politicamente capitalizada para a defesa de posições – persistir é aceitar a deformação.
Estarei sempre atento para responder questionamento da VPR sobre qualquer acontecimento na organização – de 24 de janeiro de 1969 até esta data 22 de março de 1971 – se me chegar por escrito. Aguardarei a análise crítica da VPR, solicitando o direito de resposta, assim como apuração de responsabilidade pessoal, em qualquer época, e no nível desejado pela VPR. Condicionarei a minha entrada em outra Organização a isto, para que fique clara a minha predisposição de assumir a responsabilidade dos meus atos na militância individual ou coletiva na VPR.
Sempre travei a luta interna e procurei a coesão sem conciliar – saio sem travar uma luta desagregadora – apesar de ter cometido uma violência ao escrever o documento CONTRA O CUPULISMO. Uma violência, mas uma deformação. A deformação é uma necessidade da VPR. Sem a violência as posições políticas não afloram – e, de deformação em deformação à degradação política.
À VPR só resta um caminho, o CONGRESSO – um longo processo de discussões e um profundo imobilismo – se tentar andar quebra.
Tenho contribuições a dar para a Revolução no Brasil, e aqui ficarei e, na Organização em que for militar farei um comunicado à esquerda apresentando os motivos do desligamento e do ingresso em outra Organização Revolucionária.
O que sei, e que possa afetar a segurança da VPR morre comigo.
OUSAR LUTAR
OUSAR VENCER
Claudio – 22- MAR - 71"
O original do documento acima foi apreendido pelo Centro de Informações da Aeronáutica no "aparelho" de Alex Polari de Alverga, pertencente Ao Comando Nacional da VPR, quando de sua prisão, em maio de 1971.
Em 22 de junho de 1971, Carlos Lamarca e Iara Iavelberg, em frente a uma loja do Bob’s, na Avenida Brasil, Rio de Janeiro, embarcaram em uma Kombi que, precedida por um Volks, os levou a Salvador/BA. Nas proximidades de Salvador, ambos passaram para o Volks e a Kombi retornou ao Rio com seu motorista. Investigações posteriores indicaram que a Kombi tinha placa de Belém/PA e pertencia a um paraense, estudante de Economia no Rio; e que o Volks, de cor branca, tinha placa de Petrópolis/RJ.
Com base nesses dois informes foram levantadas, pelo Centro de Informações da Aeronáutica, as identidades dos proprietários, dois colaboradores do MR-8. O Volks pertencia ao filho de um ex-Ministro do STF, cassado, e a Kombi pertencia, realmente, a um estudante paraense. Seus nomes serão preservados. Eles nunca foram presos. Passaram a ser monitorados, pois poderiam, no futuro, passar a colaborar – como realmente veio a ocorrer com um deles - e eram uma forma da Inteligência não perder contato com a Organização.
Menos de três meses depois, em 17 de setembro de 1971, Carlos Lamarca era morto no sertão da Bahia e o MR-8, no Rio de Janeiro e na Bahia, desmantelado. Lamarca foi o último dos chamados grandes comandantes da guerrilha a ser eliminado. Os dois outros, Carlos Marighela, e seu sucessor, Joaquim Câmara Ferreira (“Toledo”), morreram em novembro de 1969 e dezembro de 1970.
Em 1971, o balanço geral, feito por militantes da VPR, era de que as organizações da esquerda armada haviam sido derrotadas em razão da ação da chamada “repressão” que levou ao seu isolamento social e político. Os remanescentes da VPR no Brasil já haviam jogado a toalha com a divulgação, no dia 7 de agosto de 1971, de três documentos históricos:
O Comunicado nº 1 (Novo Comando) afirmava que “em vista dos últimos acontecimentos, fica estabelecido um novo comando na organização”; que esse novo comando “assume a organização praticamente extinta e vai tentar salvar o que sobrou”;
O Comunicado nº 2 (Medidas Imediatas) assinalava que “atualmente o que existe é o final da derrota, alguns elementos que devem ser preservados para que se possa tirar do fracasso desta experiência as lições necessárias (...) e, para isto, determina de forma imediata: a) a organização está desmobilizada; b) está convocado o II Congresso Nacional (...) por desmobilização entendemos a suspensão das ações armadas (...)”;
O Comunicado nº 3 (Aos Companheiros no Exterior): “A organização chegou agora ao esgotamento total. Estamos sem as mínimas condições de atuação e sem possibilidades por mais remotas de tirar uma definição conseqüente, que sirva de guia para uma prática revolucionária (...) A crise política da organização que se seguiu à ação do embaixador suíço levou a uma aguda crise no Comando em abril/maio deste ano, tendo como conseqüência o desligamento inusitado de dois dos companheiros do Comando Nacional. Um desses companheiros caiu a 3 de maio, outro pediu ingresso em outra organização (...) O companheiro do Comando restante estabeleceu uma assim chamada ‘Coordenação Provisória’ que teve vida curta. Sua finalidade era coordenar discussões na organização, mas já a 12 de maio caíam dois companheiros da Coordenação, restando dela um único. Na realidade, porém, a situação era muito pior: a Unidade de Combate da Guanabara perdeu de março até maio quase todos os seus quadros. Restaram alguns poucos, dos quais caíram dois entre maio e agosto. Em São Paulo já não existe Unidade de Combate, sendo alguns quadros recém recrutados, que não têm condições de, sozinhos, montar uma UC (...) Entre 1 e 5 de agosto caíram dois companheiros fundamentais no NE (...) A organização está desmobilizada (o que significa apenas reconhecer com palavras uma situação de fato que se estendia desde maio deste ano e buscar salvar o que sobrou). Convocamos o Congresso, mas para realizá-lo precisamos que os companheiros nos enviem dinheiro (...) Sem dinheiro certamente não sobrará um único remanescente no Brasil. Esperamos, com urgência, a colaboração dos companheiros”.
O ato final da VPR foi realizado no Chile, em julho de 1973, às vésperas da deposição do governo Allende: uma reunião de avaliação, da qual participaram os militantes que se encontravam foragidos ou banidos naquele país. Essa reunião formalizou a extinção da Vanguarda Popular Revolucionária e sua desmobilização por completo, pois voltar ao Brasil naquele momento para prosseguir na luta armada não fazia parte da agenda pessoal da quase totalidade dos militantes.
A VPR, constituída em março de 1968, por um grupo partidário da teoria do “foco guerrilheiro” que havia deixado a organização Política Operária, mais conhecida como POLOP, e por diversos sargentos e marinheiros expulsos das Forças Armadas, muitos com treinamento em Cuba, remanescentes do falido Movimento Nacional Revolucionário de Brizola, durante os cinco anos em que atuou, seqüestrou embaixadores, matou, “justiçou”, assaltou bancos e carros-fortes e estabelecimentos comerciais. Os que sobraram, no entanto, foram anistiados e a maioria recompensada financeiramente por tentar transformar o Brasil em uma república popular democrática.
Na realidade, apesar da audácia, da lenda e do mito, Carlos Lamarca foi um desertor e um traidor do Exército Brasileiro.
E é assim que deverá passar à História.
Entretanto, aquele grupo de militares e civis – muitos dos quais não mais estão entre nós - que erradicou o terrorismo, os seqüestros, os assaltos e os assassinatos de cunho político, que sacrificaram suas vidas e a de seus familiares, não receberam, jamais, o reconhecimento da Pátria e de seus governantes.

Operação Pajussara: morte do traidor do Exército Carlos Lamarca

Nome: CERQUEIRA, Nilton
Nome Completo: Nílton de Albuquerque Cerqueira

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CERQUEIRA, Nílton
*militar; dep. fed. RJ 1995, 1997, 1998-1999


Nílton de Albuquerque Cerqueira nasceu em Maceió no dia 6 de junho de 1930, filho de Nélson de Albuquerque Cerqueira e de Elita de Albuquerque Cerqueira.
Estudou num colégio de irmãos maristas em Fortaleza e ainda criança mudou-se para o Rio de Janeiro. Ingressou em 1952 na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), saindo aspirante em 8 de maio de 1954. Declarado segundo-tenente em 25 de dezembro desse ano, foi promovido a primeiro-tenente em 25 de dezembro de 1956, a capitão em 25 de dezembro de 1959 e a major em 25 de agosto de 1967. Cursou, de 1967 a 1969, a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), no Rio de Janeiro.
Comandava em 1971 o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de Salvador quando chefiou a Operação Pajussara, que resultou na morte de vários militantes de esquerda, inclusive do ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, então líder do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), organização clandestina que fazia oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964. Recebeu, por isso, a Medalha do Pacificador com Palma, do Ministério do Exército, atribuída a muitos participantes da repressão política.
Teve também participação destacada na repressão ao movimento guerrilheiro desencadeado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na região do Araguaia entre 1972 e 1975. Em operação realizada sob seu comando, foi morto, em dezembro de 1973, o grupo dirigente do movimento. Durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), foi condecorado, em 1974, pelo Ministério da Aeronáutica, com a medalha do mérito Santos Dumont, e pelo Ministério da Marinha, com a medalha do mérito Tamandaré. Em 25 de dezembro desse mesmo ano foi promovido a tenente-coronel e, no ano seguinte, recebeu do Ministério das Relações Exteriores a Ordem do Rio Branco.
De 1977 a 1980 comandou o Regimento Sampaio, no Rio de Janeiro. Em 31 de agosto desse último ano foi promovido a coronel, e em 1981 assumiu o comando da Polícia Militar fluminense, durante o governo de Antônio de Pádua Chagas Freitas (1979-1983). Medidas assistenciais a viúvas de policiais mortos, bem como as premiações por “bravura” marcaram sua passagem no comando da PMERJ. Notabilizou-se também pelo grande número de oficiais que puniu por envolvimento em corrupção, alguns dos quais foram submetidos à execração pública. Episódios como os casos de tortura no presídio da Ilha Grande denunciados pelo cardeal dom Eugênio Sales e a revista constante de freiras da Pastoral Penal, entre outros, levaram a gestão de Cerqueira à crise.
Em fins de abril de 1981, negou-se a enviar tropas para garantir a segurança do show comemorativo do Dia do Trabalho que se realizaria no Riocentro sob o patrocínio do Centro Brasil Democrático (Cebrade), entidade de oposição ao governo militar. Os organizadores esperavam uma platéia de mais de 20 mil pessoas, que de fato compareceram ao evento, na noite de 30 de abril. Durante o espetáculo, uma bomba explodiu no interior de um automóvel parado no estacionamento, matando um de seus ocupantes e ferindo gravemente o outro. Como ambos eram militares e estavam fora de serviço e à paisana, estabeleceu-se a suspeita de que estavam envolvidos numa tentativa de atentado à platéia. Inquirido a respeito das razões de sua recusa em enviar policiamento, Cerqueira disse ter considerado que não valia a pena deslocar soldados da PM para a festa, “ainda mais porque o espetáculo tinha o patrocínio de um organismo de tendências marxistas”. Foi aberto um inquérito sobre o caso, que seguiu um rumo tortuoso. Ao final, ninguém foi responsabilizado.
Divergências com as autoridades de segurança do estado em relação ao jogo do bicho, para o qual defendia uma ação repressiva mais rigorosa, resultaram na sua exoneração em 1982.
Adido militar na Embaixada do Brasil em Quito de 1983 a 1985, foi promovido a general-de-brigada em março de 1987 e assumiu então o comando da Brigada Escola, no Rio de Janeiro, que exerceu até 1990. Já na reserva, foi presidente do Clube Militar, no Rio de Janeiro, por dois períodos, de 1990 a 1994. Nessa condição, proclamou a legitimidade dos manifestos divulgados em meados de 1993 por grupos de oficiais — em sua maioria da reserva —, em protesto contra o governo federal, a corrupção política e o caos social. Observando que muitos desses oficiais eram membros do Clube Militar, considerou as críticas válidas, democráticas e inspiradas no patriotismo, e afirmou que sua divulgação era um exercício do direito de expressão dos militares da reserva sobre assuntos políticos.
Filiado desde 1993 ao Partido Progressista (PP), em outubro de 1994, com o apoio da coligação entre o PP e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), candidatou-se a deputado federal pelo Rio de Janeiro, obtendo a primeira suplência. Anulada essa eleição por suspeita de fraude, elegeu-se na segunda votação, no mês seguinte, com o apoio de uma base eleitoral formada por companheiros de farda. Empossado em fevereiro de 1995, exerceu o mandato por três meses, durante os quais integrou as comissões de Defesa Nacional e do Interior. Licenciou-se em maio de 1995, ainda no início da gestão do governador do Rio de Janeiro, Marcelo Alencar (1995-1998), para assumir a Secretaria de Segurança do estado, em substituição ao general Euclimar Lima da Silva. Sua vaga na Câmara foi ocupada pelo suplente Airton Xerez, do PSDB. Ao tomar posse como secretário de Segurança, afirmou que iria ocupar as favelas do Rio para pôr fim à violência e acusou o Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, entidade de defesa dos direitos humanos, de fazer “denúncias levianas, sem maiores responsabilidades”, e integrar “centrais de ódio”. Indignado com a sua nomeação, em 19 de maio de 1995 o Tortura Nunca Mais solicitou às entidades de direitos humanos que enviassem ao governador mensagens de repúdio a Cerqueira.
Incumbido pelo governador de restabelecer a ordem no estado, em meio a uma onda de sequestros e ações violentas de traficantes de drogas, anunciou, em agosto de 1995, um plano de moralização da Polícia Civil que despertou violentas resistências da corporação. Delegados e detetives boicotaram o trabalho, organizaram manifestações de protesto em frente à chefia da Polícia Civil, e Nílton Cerqueira chegou a sofrer ameaças de morte. Durante sua gestão na secretaria, a Polícia Militar adotou medidas que despertaram muita polêmica: a gratificação e a promoção por bravura, a licença para o uso de uma segunda arma pelos policiais em serviço, e a averiguação sumária, ao invés de inquérito policial completo, para apurar os casos de homicídios envolvendo policiais militares. Nesse período, os homicídios registraram o maior crescimento da década de 1990 no estado, graças à chamada “gratificação faroeste” – como ficou conhecida a gratificação incorporada ao salário de policiais, caso se destacassem em ações que demonstrassem “mérito especial”.
À frente da Secretaria de Segurança Pública, Cerqueira iniciou uma política de desmonte em relação a vários projetos anteriores ligados aos governos de Leonel Brizola. O programa de policiamento comunitário, em especial, sucumbiu antes mesmo de uma avaliação crítica dos resultados alcançados. Nilton Cerqueira, defendendo a bandeira do “endurecimento policial”, não teve grandes dificuldades em desmontar tal iniciativa em poucos meses. A patrulha comunitária implementada em Copacabana no ano de 1993 foi desativada sob pretexto da “urgência” de se “confrontar” o “crime organizado” no Rio de Janeiro. À época, Cerqueira afirmou: “imagine um cara lá, conversa com a vovó, ajuda o outro a atravessar a rua, isso não resolve, tem que ter um carro com um monte de gente, com cara feia, com umas metralhadoras saindo pela janela, tipo a ROTA, em São Paulo, que é isso que vai diminuir o roubo de bancos e o sequestro”.
Em novembro de 1996, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu anular a eleição de novembro de 1994 e restabelecer o resultado do pleito de outubro. Alegando falta de fundamentação nas denúncias de fraude, o tribunal deu ganho de causa aos recursos impetrados pelos candidatos prejudicados com a decisão de realizar nova votação. De acordo com o resultado da primeira eleição de 1994, Cerqueira voltou à condição de primeiro suplente. Continuou como secretário e só voltou ao Legislativo em abril de 1998, tornando-se membro da Comissão de Viação e Transportes da Câmara.
Em outubro desse ano, já filiado ao PSDB, tentou reeleger-se, mas não foi bem-sucedido. Em novembro, votou favoravelmente aos destaques da reforma da previdência que propunham o estabelecimento de um teto para as aposentadorias do funcionalismo público e a adoção dos critérios de idade mínima e de tempo de contribuição na concessão dos benefícios para o setor privado. Deixou a Câmara em janeiro de 1999, ao término da legislatura.
Em junho de 2007, Cerqueira se declarou contrário à indenização concedida pela Comissão de Anistia à viúva e aos filhos de Carlos Lamarca, que havia morrido durante a Operação Pajussara, por ele comandada. Em seu entender, Lamarca deveria ser considerado “um traidor, desertor, assaltante e assassino”. Esta comissão havia sido criada com o objetivo de analisar pedidos de indenização formulados por pessoas que foram impedidas de exercer atividades econômicas por motivação exclusivamente política de setembro de 1946 a outubro de 1988, e instalada pelo Ministério da Justiça, em agosto de 2001.
Anos mais tarde, em maio de 2012, foi instituída a Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada pela Lei 12528/2011, criada com a finalidade de examinar e esclarecer casos de violação de direitos humanos ocorridos também entre os anos de 1946 e de 1988. A proposta, parte do Programa Nacional de Direitos Humanos, gerou críticas de diversos setores, principalmente nas Forças Armadas. Alguns dos pontos mais polêmicos do programa encontravam-se no chamado Eixo Orientador VI, que propunha medidas sobre o “Direito à Memória e à Verdade” em relação ao período da ditadura militar. Ao longo de seus trabalhos, a CNV, em novembro de 2013, convocou o general Nilton Cerqueira a fim de prestar esclarecimentos. Para a comissão teriam surgido novos indícios de que o Exército executara presos políticos na Guerrilha do Araguaia. Questionado sobre os combatentes que foram capturados com vida e desapareceram, Cerqueira afirmou, em depoimento “reservado”, que “prender os terroristas não era uma opção”.
Em fevereiro do ano seguinte, o Ministério Público Federal (MPF) responsabilizou Nilton Cerqueira pelo atentado no Riocentro no ano de 1981, além de outros oficiais reformados. No mês seguinte, cerca de cinquenta pessoas realizaram um protesto em frente à casa de Cerqueira, em Copacabana. O grupo gritou palavras de ordem, além de encenar uma cena de tortura com afogamento. O protesto foi motivado pela aproximação do aniversário de 50 anos do golpe civil-militar de 1964.
Nilton Cerqueira reuniu-se, novamente, com membros da Comissão Nacional da Verdade em julho de 2014. Os integrantes da comissão fizeram dez perguntas, abordando sua participação na repressão durante a ditadura. A expectativa era de que o militar falasse sobre o episódio do Riocentro e também sobre a Operação Pajussara. Acompanhado de seu advogado, o general se manteve calado, vetou a participação da imprensa e, por fim, garantiu que nada tinha a declarar sobre tais episódios. Cerqueira teria se pronunciado apenas em duas ocasiões: quando exigiu que a imprensa se retirasse pois, segundo ele, a mídia estaria distorcendo os fatos, e, em outro momento, ao qualificar de absurda a investigação de episódios cerca de 30 anos depois. O general também lamentou a ação do MPF movida contra ele com base no seu depoimento prestado a CNV no ano anterior.
Casou-se com Ionete Milesi de Albuquerque Cerqueira, com quem teve quatro filhos.

Renato Lemos/Márcia de Sousa/Bruno Marques


FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1995-1999); CARVALHO, L.M. O coronel rompe o silêncio; DOSSIÊ; Estado de S. Paulo (15/4/87); Folha de S. Paulo (31/1/95, 29/9, 10/10 e 11/11/98); Globo (11/6/93, 20/3/96, 5/2/97 e 7/10/98); Jornal do Brasil (18, 21/5 e 4/8/95); TRIB. SUP. ELEIT. Candidatos (1998); WALLACE DE ALMEIDA; MINC, Carlos. “Crime organizado e política de segurança pública no Rio de Janeiro”. In Revista Arché, Rio de Janeiro: Faculdade de Direito Candido Mendes, ano VII, n° 9, 1998, p. 188; Jornal O Globo – edições de 10 de fevereiro de 1982 (p. 11), de 11 de fevereiro de 1982 (p. 11), de 12 de fevereiro de 1982 (p. 13) e na de 19 de fevereiro de 1982 (p. 12). Disponível em: http://acervo.oglobo.globo.com. Acesso em: 20/06/13; http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2012/04/08/o-outro-lado-da-batalha-do-clube-militar-439255.asp. Acesso em: 5 e 6/09/14; http://biblioteca.clacso.edu.ar/gsdl/collect/clacso/index/assoc/D3089.dir/12caldeira.pdf. Acesso em: 5 e 6/09/14; http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-03-25/grupo-realiza-protesto-em-frente-a-casa-do-general-nilton-cerqueira.html. Acesso em: 5 e 6/09/14; http://www.mancheteusa.com/imprensa-silenciada-em-depoimento-do-general-nilton-cerqueira. Acesso em: 5 e 6/09/14; http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,general-nilton-cerqueira-veta-imprensa-em-depoimento,1535586. Acesso em: 5 e 6/09/14;  http://jornalggn.com.br/noticia/procuradores-pedem-36-anos-de-prisao-para-newton-cruz. Acesso em: 5 e 6/09/14; http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/02/ministerio-publico-denuncia-tres-generais-por-atentado-do-riocentro-1981-1246.html Acesso em: 5 e 6/09/14; e http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI1692327-EI306,00-Indenizacao+a+viuva+de+Lamarca+revolta+militares.html Acesso em: 5 e 6/09/14.



quinta-feira, 16 de abril de 2020

Livro “Em cima da Hora”, de Suzanne Labin

sábado, 23 de setembro de 2017

Livro “Em cima da Hora”, de Suzanne Labin


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

UM RESUMO DO PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO “EM CIMA DA HORA”, de SUZANNE LABIN, editado no Brasil em 1964, traduzido e prefaciado por CARLOS LACERDA
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No prefácio, Carlos Lacerda escreveu que o livro “Em Cima da Hora” é uma importante contribuição à luta pela Democracia no Brasil, pois são impressionantes a ignorância e a candura com que se faz o jogo dos soviéticos, na infiltração, na propaganda e na conquista deste país, decisivo para a América Latina e para o próprio destino da liberdade no mundo.

Os liberais arrependidos, os socialistas retardados, os religiosos tomados de surpresa, os ensaístas deslumbrados, os jornalistas alfabetizados, os intelectuais ressentidos, os desajustados da liberdade, os novos-ricos de certos bancos e os novos-pobres de certo espírito, formam as mais estranhas combinações para abrir caminho à propaganda, ao sofisma, às idéias-força da Guerra Subversiva que os soviéticos movem contra o mundo livre.

Sem defesa adequada, com os partidos em dissolução, as Forças Armadas intrigadas e perplexas, a própria Igreja Católica ameaçada de divisão e de se colocar, em vários setores, a serviço da subversão pensando que assim se renova, o que mais admira é como o Povo, o simples e bom Povo do Brasil ainda não se convenceu, de vez, que o regime soviético é o melhor. Pois, de todos os lados, os responsáveis pela sua formação cultural, espiritual, econômica, e pela sua defesa militar, ou tentam convencê-lo a se entregar ou se omitem, com o pavor de não serem admitidos no paraíso soviético que pretende abrir aqui uma sucursal.

Um Presidente da República tem o desplante de dizer que a Constituição que jurou defender e nunca respeitou nem cumpriu, está superada. E contra ela mobiliza, numa aliança natural, os negocistas e os comunistas, igualmente interessados em saquear o Brasil, privando-o da ordem democrática, da ordem com liberdade, da liberdade com responsabilidade.

Há os que dizem: é inútil combater o comunismo, o que há a fazer é combater a miséria. Supondo que a miséria acabe no mundo antes do comunismo, tomemos o argumento: o comunismo só vence onde há miséria. Logo, ele precisa da miséria para vencer. Portanto, cada vez que se aceita a colaboração dos comunistas e seus auxiliares na alegada luta contra a miséria, está-se trazendo um balde de gasolina para apagar o incêndio.

Outro argumento apresentado com freqüência é o da “
coexistência pacífica”. Supor que a ditadura soviética se deixará confinar nos territórios já ocupados, e uma nova linha de Tordesilhas dividirá o mundo entre zonas de influência dos Estados Unidos e da Rússia, que se respeitarão entre si, é uma versão nova do espírito de Munique.

Com deplorável leviandade, fruto da aflição servida pela ignorância, certos prelados confundem economia social com assistência social, e Jesus Cristo com Jean Jacques Rousseau. Uma epidemia de oportunismo, agravada pela ignorância e pelo pedantismo se apossa do Brasil. Este é bem o momento de fazer ouvir a voz clara e sincera de uma inteligência poderosa, leal à missão que se impôs.

Certo, há que lutar pelo bem-estar social. Mas, a condição de êxito dessa luta é a eliminação do comunismo. Não é só a miséria a estimular o comunismo. É o comunismo a estimular a miséria.

Poucos fatores podem ser tão decisivos, na guerra política, quanto um livro. Foi com livros que Lênin deu saída à Revolução Russa. É com livros, é com idéias que podemos fazer a Revolução Brasileira.

Quem quiser entender o que se está passando no Brasil, e contribuir para mudar esses acontecimentos terríveis, deve ler este livro. Os inimigos também. Ele só não adianta aos tolos.

Carlos Lacerda
CAPÍTULO 1 – PROPAGANDA

Ante a ameaça multiforme do comunismo totalitário, o Ocidente aprendeu, mais ou menos, a se defender militarmente. Mas isso não basta. O “
equilíbrio pelo terror” entre as armas atômicas faz com que não seja nesse setor a decisão da luta. Ela se decidirá no setor da guerra política, pelas armas da propaganda, da infiltração e da organização. Nesse setor o Ocidente está cego, surdo e mudo. Trata apenas de armar o braço, deixando, passivamente, que o adversário lhe desarme o espírito.

A frente principal para os soviéticos é a da propaganda. Não se percebe suficientemente entre nós que as sementes da propaganda renderam aos soviéticos extraordinária colheita de vantagens territoriais e estratégicas que, até então, só se obtinham pelas armas. Na quase totalidade suas conquistas foram feitas pela intoxicação dos espíritos democráticos. A fulminante expansão soviética que se seguiu à Segunda Guerra Mundial (1939-1945) resultou das concessões dos líderes aliados em Yalta. Esse fato reembolsou fartamente o Kremlin, em um só dia, em Yalta, dos bilhões de rublos investidos em propaganda, durante vários anos, para difundir ilusões.

É preciso compreende que o esforço militar, por si só, não basta. Na medida em que a OTAN, equipando-se militarmente, faz com que não haja guerra, tem o dever de se equipar também para a guerra que se torna decisiva e já existe: a dos cérebros. Senão, repetirá o erro trágico da Linha Maginot.

A guerra atômica pode ser decidida nos primeiros 15 minutos. No dia em que o Kremlin se convencer de que os líderes do Ocidente, amarrados por uma opinião pública recalcitrante e voluntariosa, hesitarão 15 minutos em desencadear represálias, ele se lançará ao assalto. Então, ou a hesitação continuará, e será a escravidão, ou se dissipará, e será a carnificina. Em qualquer dos dois casos o desastre terá sido provocado pelo fato de haver a propaganda comunista conseguido abalar a firmeza de nossa conduta, tornando-a flutuante.

Não devemos esquecer que a primeira coisa que os bolcheviques edificaram, no império herdado da Rússia, foi a formidável rede de fortalezas do seu partido e dos seus espiões. Cesse de soar o telefone da polícia secreta, em todas as províncias da URSS, e não existirá mais comunismo. Arma-se na Rússia o formidável aparelho da guerra nuclear apenas para intimidar o universo e para manter a chantagem soviética. Todavia, atrás de suas configurações avançam as verdadeiras legiões que lhe garantem as conquistas: as legiões dos ativistas e dos auxiliares civis da sua GUERRA POLÍTICA.
DEFINIÇÃO DE GUERRA POLÍTICA

No atual antagonismo entre o mundo livre e o mundo soviético, a frente política tornou-se mais decisiva do que a militar: as palavras são os canhões do Século XX; um grande jornal vale mais do que dez porta-aviões; um filme, a televisão, um herói, valem mais do que dez esquadrilhas de bombardeio; dez frações criptocomunistas desfazem a obra de cinco regimentos; o setor de Informação é tão importante para a Defesa Nacional quanto os setores militares.

Quando da primeira sessão da Conferência Internacional sobre Guerra Política dos Sovietes, em Paris, o antigo presidente do Grupo Socialista do Parlamento polonês, Adão Cielkesz, tocou no ponto exato ao dizer: “
A essência da Guerra Política comunista está em controlara ação pública dos homens e não em convencê-los. A persuasão é uma das molas da democracia; o controle é um mecanismo conspirativo. O controle pelo comunismo é total, enquanto a crença no comunismo é nula”.
A Guerra Política é o conjunto de ações montadas pelo Kremlin, na vida de cada povo, para destruir, por dentro, os regimes de liberdade e em seu lugar instaurar um poder absolutista e totalitário. . Os seus principais meios são a propaganda, a infiltração, a corrupção, a conspiração, a sabotagem, a guerrilha. O objetivo essencial consiste em capturar, ou pelo menos desviar em favor dos objetivos do Kremlin posições que controlam a linha política das nações, evitando que as forças assim capturadas percebam que estão postas a serviço do comunismo. 

O que solicita a nossa mobilização não é, pois, um movimento político, social ou ideológico. É única e vulgarmente a ajuda aberta ou encoberta dada à política exterior do Estado soviético, ajuda que tanto pode emanar de banqueiros e cardeais quando de professores e proletários.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.