O cubano-brasileiro Zé do Caroço, vulgo José Dirceu.
O PT não róba nem deixa robá
Félix Maier
No palanque o coro entoa, com firme devoção:
“Não róba nem deixa robá!”, ecoa na multidão.
E Zé do Caroço proclama, em grave inspiração:
— Se a carteira sumiu, foi falha da percepção.
Nos Correios houve fumaça, cochichos pelo salão,
Papéis voando ligeiro, cafezinho e confusão.
Juravam todos, serenos, com santa convicção:
— Foi só erro administrativo... sem segunda intenção.
Veio o Mensalão marchando, com fala mansa e gentil,
Depois o Petrolão surgiu, grandioso e febril.
Cada um dizia ao povo, num discurso varonil:
— Aqui a ética floresce feito jardim no Brasil.
Chegou o tal Idosão, no INSS da ocasião,
Misturado às lendas novas de suspeita e discussão.
E o povo olhando a cena, coçando o queixo e a mão:
— Tem novela ou próxima temporada em produção?
No Masterzão de Vorcaro, Don Juan de Trancoso entrou,
De terno, sorriso largo, e o salão inteiro encantou.
Enquanto a banda tocava, Zé do Caroço comentou:
— O PT não róba nem deixa robá... o cofre se aposentou.

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