O BRASIL DO PT
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Félix Maier: No Brasil, o passado é cada vez mais incerto
Eu
achava que apenas o futuro era incerto, e que o passado – pelo menos o passado
mais recente – fosse um fato consumado, sem muitas incertezas, dado o grande
número de provas irrefutáveis que facilmente podem ser conferidas mediante a
simples consulta de jornais antigos. Eu tinha certeza de que os fatos
históricos recentes que eu tomei conhecimento em meu País seriam de domínio
geral, não só meus e de uns poucos. Puro engano.
Cada
dia que passa, o passado recente do Brasil vai-se modificando por conta de um
revisionismo esquerdista inconsequente, que tenta explicar nossa História
unicamente sob a ótica marxista. Pode-se ter dúvidas quanto a um passado
remoto, como a Idade Média, ou muito distante, como o Big Bang, que é ainda
apenas uma especulação científica. Mas, fatos que ocorreram há poucas décadas,
como os dos governos militares pós-1964, deveriam ser contados como realmente
ocorreram, sem maniqueísmos pueris, de modo a haver apenas o compromisso com a
verdade.
Antonio
Giusti Tavares afirma em seu livro Totalitarismo Tardio - o caso do PT:
Juízos
de valor acerca de condutas do passado devem ser feitos não a partir de
parâmetros éticos do presente, mas da contextualização da conduta na sua
própria época, e nela, por comparação com condutas diferentes. Os historiadores
e os cientistas sociais devem cumprir pelo menos dois requisitos básicos da
epistemologia e da ética das ciências humanas: 1) evitar tanto quanto possível
qualquer restrição ou seleção dos fatos brutos e 2) ao apresentá-los,
distinguir sempre, tanto quanto possível, entre fatos e interpretações”
(pg. 194). (1)
Como
exemplos de revisionismo, temos:
-
revisionismo soviético (em que antigos heróis, caídos em desgraça, eram
riscados de enciclopédias, ou que tinham suas imagens “apagadas” em fotos
oficiais);
-
revisionismo do Holocausto (em que escritores colocam em dúvida o número de
vítimas do Holocausto judeu promovido pelos nazistas - a exemplo de S. E.
Castan em seu livro Holocausto Judeu ou Alemão? pelo qual foi condenado
pelo STF);
-
revisionismo atual da esquerda brasileira: a história recente do Brasil,
especialmente o Movimento militar de 1964, é descrita sob a ótica da dialética
comunista, em que não há nenhum estudo sério sobre o assunto, apenas
panfletagem e proselitismo socialista.
Outro
tipo de revisionismo - na verdade, propaganda da desinformação e da difamação -
liga o Papa Pio XII aos nazistas. Por exemplo, o livro de John Cornwell, O
Papa de Hitler:
A
capa do livro de John Cornwell mostra o arcebispo Pacelli saindo de um edifício
do governo alemão, escoltado por dois soldados. Essa visita oficial do então
Núncio Apostólico na Alemanha, teve lugar em 1929, quatro anos antes que Hitler
chegasse ao poder (em 30/1/1933). Como Pacelli saiu da Alemanha em 1929 e nunca
mais voltou, é enganoso e tendencioso o uso dessa fotografia
(Texto do jesuíta Peter Gumpel, historiador convidado pelo Vaticano para
coordenar o processo de beatificação do Papa Pio XII, in Pio XII, Hitler e
os judeus, publicado em PODER - Revista Brasileira de Questões
Estratégicas, Ano I, nº 05, pg. 58, Brasília, Maio/Junho 2000).
No
último livro de Leandro Narloch (2), lê-se que ‘o Saladino que os muçulmanos
elevariam a um status quase messiânico no século 20 tinha uma semelhança muito
maior com o imaginário popular europeu do século 19 do que com qualquer
personagem histórico’, diz o historiador Abdul Rahman Azzam. Eis um ótimo
exemplo de como, dependendo do ânimo e dos ressentimentos de uma época, o
passado muda, ganha personagens, enredos e novas razões para as pessoas se
sentirem magoadas com a história (pg. 54).
O
objetivo do revisionismo da esquerda brasileira é um só: solapar os fundamentos
morais do país, alicerçados na herança judaico-cristã, e a rica história das
Forças Armadas, que livraram o Brasil do jugo comunista (ou de uma guerra
civil), ao mesmo tempo em que tenta enaltecer terroristas, como a presidente
Dilma Rousseff, que integrou a sangrenta VAR-Palmares. Assim, não causa
estranheza que o Dia da Pátria seja substituído pelo Dia dos Excluídos e
pelo vandalismo dos Black Blocs, que Lamarca seja apresentado como herói e o
Duque de Caxias seja revisto como genocida dos paraguaios.
Professores
marxistas infiltrados nas escolas brasileiras afirmam que o Brasil e a
Argentina estiveram a serviço do imperialismo inglês, invadindo o Paraguai e
esmagando o país mais progressista da América do Sul. Uma estrondosa
mentira, pois o Brasil havia rompido relações diplomáticas com a Grã-Bretanha
devido à Questão Christie. O livro Nova História Crítica, para a 7ª.
série, de Mário Schmidt, afirma que os ingleses foram contra a escravidão, não
por questões humanitárias, mas por interesses econômicos. Na verdade, o
movimento abolicionista inglês teve uma origem muito mais ideológica que
econômica. Organizado em 1787 por 22 religiosos ingleses, foi um dos primeiros
movimentos populares bem-sucedidos da história moderna, um molde para as lutas
sociais do século 19 (NARLOCH, 2009: 104). (3) Segundo Schmidt, a
princesa Isabel é uma mulher feia como a peste e estúpida como uma leguminosa
(idem, pg. 104). Para o linguista de pau, bonito talvez seja Zumbi dos
Palmares, que tinha uma penca de escravos.
O
historiador Francisco Fernando Monteoliva Doratioto, em seu livro O Conflito
com o Paraguai - A guerra do Brasil, contesta tais revisionistas e afirma
que a formação dos Estados nacionais da região foi a causa do sangrento
conflito (Jornal de Brasília, 12/7/1999). Os cambás (pretos, em
guarani) foram decisivos para a vitória brasileira: Muitas vezes as
deserções eram tantas que batalhões inteiros dissolviam-se quando em marcha
para o front. Na verdade, como temos notícia em cartas de Osório a Caxias,
muitos brancos rio-grandenses também desertavam. Porém, negros da Corte ou de
todo o vasto Império lutavam bravamente e eram raríssimos os casos de deserção.
O bom, forte e sacrificado sangue africano foi decisivo e insubstituível nas
conquistas da guerra e, portanto, para o seu desfecho, com a vitória triunfal
do Império (PERNIDJI, 2010: 55-6). (4)
Vale
lembrar que Caxias levou uma novidade ao campo de batalha: o balão aerostático,
para reconhecimento do número de canhões do inimigo. Para tanto, trouxe o
polonês-americano Chodasiewicz, perito no assunto. Dizem que os paraguaios,
quando viram o balão subir, caíram de joelhos e rezaram à Virgem e a Tupã,
dizendo que o marquês tinha parte com o demônio e que, com os negros, levaria
todos os homens para trabalhar nos saladeiros no Rio Grande, enquanto as mulheres,
como escravas, iriam para a luxúria dos soldados, todos dentro do balão
(PERNIDJI, 2010: 94-5).
Enfoques
revisionistas marxistas têm o mesmo valor histórico de O Quinto dos Infernos,
minissérie da TV Globo que trata com desrespeito a História de D. João
VI e D. Pedro I, com baixaria de toda ordem. Ou da novela chapa-branca do SBT, Amor
e Revolução, apresentada em 2012, que serviu para achincalhar o Exército
Brasileiro - uma cortesia de Sílvio Santos ao governo do PT, pela ajuda
financeira ao imbroglio PanAmericano. Nesse mesmo ano, o SBT promoveu a
votação de O maior brasileiro de todos os tempos. Para tristeza de
muitos, Lula ficou pelo caminho, sendo vencedor o espírita Chico Xavier.
O
mesmo maniqueísmo é visto na atual Comissão Nacional da Verdade -
o Pravda tupiniquim - que tenta reescrever a recente história do Brasil dentro
da ótica dos antigos terroristas de esquerda. Além de assassinar a História, de
modo que prevaleça a versão da esquerda, o objetivo do governo revanchista de
Dilma Rousseff é desviar a atenção de problemas complexos, que são jogados nos
porões do esquecimento. Por exemplo, a Secretaria de Direitos Humanos, fazendo
eco ao embuste esquerdista, lamenta os cerca de 400 desaparecidos políticos
do governo militar, porém Maria La Pecosa do Rosário (5) não mostra
nenhuma emoção, nem revolta, pelos cerca de 50.000 brasileiros que desaparecem
todos os anos no Brasil, como noticiou o Jornal Nacional do dia
24/5/2012. Só no pequeno Distrito Federal, mais de 3 pessoas desaparecem todos
os dias. Em 10 anos de governo do PT, houve um verdadeiro holocausto
brasileiro, desconhecido pela grande mídia. Não me refiro ao livro de
Daniela Arbex, mas aos cerca de 1.200.000 brasileiros violentamente mortos nos
últimos 10 anos – anualmente, morrem cerca de 60.000 brasileiros em acidentes
rodoviários e outro tanto são assassinados.
Recentemente,
as Organizações Globo criaram um site, para apresentar a Memória do conglomerado
empresarial. No dia 2 de setembro de 2013, requentando um texto publicado pelo
jornal O Globo, o apresentador do Jornal Nacional, William
Bonner, lamentou que O Globo tenha publicado em 1984 um Editorial,
em que Roberto Marinho fazia um balanço positivo do governo dos militares.
Bonner disse que O
apoio ao golpe de 64 foi um erro - na verdade, houve um contragolpe,
pois desde 1961 os comunistas brasileiros planejavam tomar o poder, com a
participação de cubanos, e em janeiro de 1964 o traidor Luiz Carlos Prestes foi
prestar contas a seus chefes, no Komintern, em Moscou, dizendo que os
comunistas já estão no governo, só falta tomar o poder.
É
vergonhoso a Globo, hoje, tentar modificar a História, repudiando o
Movimento militar de 1964, que foi exigido por toda a sociedade, como se pode
comprovar lendo os noticiários da época, quando a quase totalidade dos jornais
inicialmente exigiram e depois apoiaram a derrubada de João Goulart. O mesmo
pode ser conferido na edição extra da revista O Cruzeiro.
O
capitão do Exército José G. Pimentel, em seu site, afirma o seguinte:
Em 1
de abril de 1964 o jornal O Globo não circulou, uma vez que fuzileiros navais,
comandados pelo Almirante Aragão, a soldo de Jango, ocuparam as instalações do
jornal. No dia seguinte, libertos, publicaram o editorial intitulado Ressurge a
Democracia. Amanhã, caso os black blocs e os movimentos sociais, sabe-se lá a
soldo de quem, impedirem a circulação do jornal, a quem a direção de O Globo
irá recorrer?”
Na
verdade, tenho certeza de que O Globo não chegará a essa situação difícil, pois
os novos donos já fizeram sua opção preferencial pelo apoio à esquerda
bolivariana de Lula-Dilma junto com seus parceiros ideológicos
Maduro-Correa-Cristina-Evo-Ortega - com a supervisão dos manos Castro, de Cuba.
Desde que a verba bilionária proveniente da publicidade governamental continue
a cair no cofrinho das Organizações Globo, os descendentes de Roberto
Marinho não terão nenhuma vergonha de transformar seu jornal num Granma
brasileiro.
Em
seu novo Editorial, o esquadrão de reescritores orwelliano que hoje
comandam o principal conglomerado brasileiro de comunicação, magoados com a
história, finalizam dizendo pomposamente que A democracia é um valor
absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma. Se os
atuais revisionistas das Organizações Globo têm tanto apreço pela
democracia, por que não se posicionam firmemente contra a entrada de milhares
de espiões cubanos, fantasiados com jalecos brancos, os quais, de acordo com o
objetivo final do Foro
de São Paulo, têm como missão primordial ajudar o governo petista e aliados
a dinamitar a democracia e instalar um regime comunista no Brasil, como o que
já existe na Venezuela? Por que não denunciam a remessa de cerca de R$ 1,3
bilhão à ditadura cubana, que será feita em 3 anos, à custa do trabalho escravo
dos médicos cubanos?
Será
que algum dia os reescritores globais irão também fazer um mea culpa
a respeito da farsesca edição que a TV Globo fez do debate ocorrido
entre Lula e Collor, na campanha presidencial de 1989, em proveito deste
último? Com certeza, os revisionistas globais também repudiam o antigo programa
Amaral Neto, o Repórter, que apresentava as pujantes obras do governo
militar, ao mesmo tempo que devem aplaudir o de Caco Barcelos, que obteve a
façanha de criar uma mentira premiada, que foi desmascarada
pelo coronel do Exército José Luis Sávio Costa.
No
Brasil, o passado é cada vez mais incerto. Chegará o dia em que os mestres
esquerdistas do engodo, dentro do espírito da criação de inúmeros bantustões
brasileiros e da anticomemoração
dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, irão devolver a Portugal as caravelas
de Pedro Álvares Cabral. Quem sobreviver, verá!
Vacine-se
contra o HIV esquerdista da desinformação, lendo o ORVIL e acessando, além do
Mídia Sem Máscara, os sites e blogs Olavo de Carvalho, Escola Sem Partido, A
Verdade Sufocada, Heitor de Paola, Terrorismo Nunca Mais - Ternuma, Notalatina,
Diego Casagrande, Percival Puggina, Reinaldo Azevedo, Nivaldo Cordeiro,
Guilherme Fiuza, Rodrigo Constantino, Augusto Nunes, Piracema – Nadando contra
a corrente, Wikipédia do Terrorismo no Brasil.
Fonte: https://obrasildopt.blogspot.com/2013/09/felix-maier-no-brasil-o-passado-e-cada.html
Notas:
(1) TAVARES, José Giusti
(org.); SCHÜLLER, Fernando; BRUM, Ronaldo Moreira; ROHDEN, Valerio. Totalitarismo Tardio - o caso do PT.
Editora Mercado Aberto Ltda, 2ª Edição, Porto Alegre, RS, 2000.
(2) NARLOCH, Leandro. Guia
Politicamente Incorreto da História do Mundo, Leya, São Paulo, 2013.
(3) NARLOCH, Leandro. Guia
Politicamente Incorreto da História do Brasil, Leya, São Paulo, 2009.
(4) PERNIDJI, Joseph
Eskenazi; PERNIDJI, Mauricio Eskenazi. Homens e Mulheres na Guerra do
Paraguai. Bibliex, Rio de Janeiro, 2010.
(5) La Pecosa - A Sardenta: mulher
feroz, pertencente à milícia comunista, atuante na Guerra Civil Espanhola, que
foi o carrasco que assassinou o bispo de Jaén e sua irmã, na frente de 2.000
pessoas.
P.
S.:
A frase No Brasil, o
passado é cada vez mais incerto é atribuída ao economista Pedro Malan,
ministro da Fazenda durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Em pesquisas
na web, não foi encontrada a data dessa frase emblemática.
Eu
havia escrito sobre o assunto no site Mídia Sem Másacra, provavelmente em
06/09/2013 (endereço indisponível). O texto aparece no blog O Brasil do
PT, sexta-feira, 6 de setembro de 2013 - cfr. em https://obrasildopt.blogspot.com/2013/09/felix-maier-no-brasil-o-passado-e-cada.html.
P. P. S.:
E o passado do Brasil continua
cada vez mais incerto...
STF confirma
anulação de condenações do ex-presidente Lula na Lava Jato
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=464261&ori=1
Com #7LideresdoPTnoSTF,
o desfecho dessa patifaria não poderia ter sido diferente. Que futuro tem um
País governado por um Supremo aparelhado por militantes petistas?




