MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Lula quer tirar armas do cidadão. Já dos traficantes... prefere botar o boné CPX - Por Félix Maier

 Lula quer tirar armas do cidadão.

Já dos traficantes... prefere botar o boné CPX

 

Félix Maier

 

 

Antes de qualquer coisa, o presidente Lula da Silva deveria se lembrar de que o povo brasileiro, em referendo, no ano de 2005, aprovou a compra de armamento para defesa pessoal e de sua família. Já em seu primeiro dia de governo (01/01/2023), o “descondenado” assinou um decreto, revogando normas aprovadas pelo presidente Bolsonaro, dificultando ao máximo a compra de armas e munições. 

Passando o rolo compressor petralha sobre o referendo de 2005, o decreto suspende novos registros de armas por particulares, caçadores, atiradores e colecionadores (CACs). Uma aberração, que não teve nenhum Randolfe de direita para contestar a medida ilegal junto ao STF. Mas, de que adiantaria ter um senador de direita saltitante reclamando na Alta Corte, se lá existem “7 líderes do PT”, 4 nomeados por Lula e 3 por Dilma? 

Além dessa aberração, o decreto lulano reduz os limites para compra de armas e munição de uso permitido, suspende novos registros de clubes e escolas de tiro, suspende a concessão de novos registros para CACs e cria um grupo de trabalho para propor nova regulamentação para o Estatuto do Desarmamento. O decreto também prevê que todas as armas compradas desde maio de 2019 sejam recadastradas pelos proprietários em até 60 dias. Ou seja, é mais um dos tantos “revogaços” do governo petralha, de modo a tornar terra arrasada as ações do governo de Jair Bolsonaro. 

O Estatuto do Desarmamento, de 2003, previa a proibição total da compra e uso de armas para o cidadão comum. Antes, porém, tal decisão teria que passar por um referendo. O povo derrubou esse projeto tirânico, em 2005, com 63% dizendo NÃO, em uma pergunta marota, para confundir o povo, onde a resposta natural deveria ser SIM: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". A pergunta correta e honesta deveria ter sido: “O cidadão brasileiro tem direito de comprar armas de fogo e munição”? 

Os governos petistas, obviamente, nunca baixaram decretos para normatizar a compra de armas e munições, após o referendo, por motivos óbvios. Um governo totalitário, como é todo governo socialista, quer seus cidadãos todos desarmados. É o caso do PT. 

Bolsonaro fez o dever de casa e assinou alguns decretos, para normatizar o assunto, e agora a quadrilha petralha (desculpe o pleonasmo) quer anular um direito de todos os brasileiros conquistado num plebiscito. 

Por outro lado, não se vê o menor empenho do governo Lula em combater a compra, o transporte e o uso de armamento de guerra feito por traficantes de armas e drogas, que infernizam as cidades brasileiras há décadas. Pelo contrário. Outro dia, em plena campanha presidencial, Lula até colocou um boné CPX na cabeça, com muito orgulho, no Morro do Alemão. 


A grande mídia, como G1, Estadão e CNN, afirma que CPX é sigla para “Complexo”, no caso, “Complexo do Alemão”. Obviamente, trata-se de grosseira desinformação, pois essa sigla está gravada em armas e em pacotes de maconha, e há até marginais que assim se identificam: Xandinho CPX e Betinho CPX. O major Felipe Sommer, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) de Santa Catarina, afirmou que a sigla “CPX” significa “cupincha, parceiro do crime”.  



Outra pergunta importante que se deve fazer: por que o governo petralha quer que a fiscalização das armas dos CACs passe do Exército para a Polícia Federal? Ora, para conhecer o endereço dos proprietários dessas armas e, quem sabe, vazar dados - uma prática criminosa corriqueira do Partido das Trevas (PT). Afinal, não foi Romeu Tuma Jr. que afirmou, no livro "Assassinato de Reputações", de que há uma "Gestapo do PT na PF"? 

A propósito, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense venceu o carnaval carioca, em 2023, cantando a história de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Como já escrevi em uma oportunidade, no Brasil, filme bom é filme de bandido. O mesmo se pode dizer sobre os bicheiros promotores do carnaval carioca, que adoram contar a história de um confrade do crime. As comunidades de Ramos (sede da escola), Complexo do Alemão e demais bairros adjacentes estão em festa. Não será novidade se o “descondenado”, de repente, aparecer no desfile das campeãs, na Marquês de Sapucaí, dia 25/02 (ingressos de 350 a 500 reais), portando, todo orgulhoso, o boné CPX. 

 

Leitura recomendada:

 

Estatuto do Desarmamento:

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.826.htm

 

Referendo popular sobre armas:

http://memorialdademocracia.com.br/card/desarmamento-sofre-derrota

 

Revogaços petralhas:

https://static.poder360.com.br/2022/11/Psol-pesquisa-revogaco.pdf

 

Decreto de Lula revoga normas que facilitavam acessos a armas e munição

https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/01/02/decreto-de-lula-revoga-normas-que-facilitavam-acessos-a-armas-e-municao-veja-o-que-diz-o-texto.ghtml

 

Decreto de Lula não retira armas de circulação, mas freia o crescimento

https://www.conjur.com.br/2023-jan-02/decreto-lula-nao-retira-armas-circulacao-freia-aumento

 

Policial do Bope afirma que CPX significa ‘parceiro do crime’

https://www.otempo.com.br/eleicoes/policial-do-bope-afirma-que-sigla-cpx-significa-parceiro-do-crime-1.2755653 


A Gestapo do PT e o pau de arara virtual (30/01/2014), de Félix Maier, disponível em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/07/a-gestapo-do-pt-e-o-pau-de-arara.html

 

Filme bom é filme de bandido, de Félix Maier, disponível em "AS COVÍADAS - Amor e ódio nos tempos do corona", pg. 156 e 157

https://drive.google.com/file/d/1YgloEnwmOMnCNCvV-pDSCXg2ZwEHfeJ0/view



*** 

 

Abaixo, algumas perguntas/respostas sobre o recadastramento de armas exigido pelo governo petista. 

https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/armas/recadastramento/faq 

 

Devo recadastrar todas as minhas armas do SIGMA no PF Recad? 

R- Não, apenas aquelas adquiridas a partir de 7 de maio de 2019.

 

A partir do recadastramento, minha arma está registrada no SINARM? 

R- Em que pese o recadastramento, a sua arma permanece sob o regimento do SIGMA.

 

Integrantes das Forças Armadas, Forças Auxiliares, GSI e ABIN devem fazer o recadastramento?  

R - De acordo com o PARECER n. 00084/2023/CONJUR-MJSP/CGU/AGU, o recadastramento  não contempla as armas de fogo dos integrantes das Forças Armadas e Forças Auxiliares, GSI e ABIN, registradas nesta qualidade junto ao Sigma do Comando do Exército, sem prejuízo da necessidade de recadastramento das armas dos membros desses órgãos que as possuírem na condição de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador - CAC.

 

Quando devo agendar para comparecer na polícia federal? 

R- Apenas após o recadastramento da arma de calibre restrito no PF Recad. 

 

Se tiver salvado o formulário com algum erro, faltando informação ou arma. O que devo fazer? 

R - Em breve será disponibilizado um módulo para edição do protocolo gerado onde o usuário poderá fazer correções e incluir dados (como arma e etc.)

 

Não encontrei minha categoria profissional no formulário. O que fazer? 

R- As profissões cadastradas no sistema são as do CBO do Ministério do Trabalho. Caso não encontre sua profissão, favor colocar a que tem maior semelhança com a sua atividade. 

 

Caso possua muitas armas com calibre restrito, posso agendar mais de um dia para o comparecimento à delegacia? 

R- Em princípio não. O sistema apenas permite um agendamento por CPF, mas sendo necessário agendar mais de um dia por ter muitas armas, deverá comparecer na data do agendamento com a quantidade de armas que se sentir confortável para apresentar e posteriormente fazer novo agendamento até que todas sejam apresentadas para conferência. 

 

Qual guia de tráfego devo utilizar? 

R- As guias são emitidas pelo SIGMA. Em caso do Exército não emitir a guia de tráfego, será permitido o uso do protocolo de recadastramento e do agendamento. Em todos os casos a arma deverá ser apresentada sem munição e com o documento de registro no SIGMA.  

 

Arma adquirida, porém ainda não registrada no Exército devem ser recadastradas? 

R - Apenas armas com registro (CRAF) serão recadastradas, enquanto a arma não tiver registro ela não é passível de recadastramento.  

 

O RECAD preencheu os dados com nome de outra pessoa. O que eu faço? 

R- Favor sempre que alternar as pessoas que serão recadastradas, utilizando um mesmo computar, fazer logoff e login novamente, caso não seja suficiente, limpar o cache do navegador.

 

Qual data é considerada como aquisição?  

R- Entendemos que a aquisição é a partir da data de registro da arma, pois apenas com esse ato o cidadão torna-se proprietário da arma de fato.  

 

Em caso de erro no sistema, favor reportar no e-mail abaixo: 

recad@pf.gov.br



terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

O menino e a Loja Americanas - Por Félix Maier

 



O menino e a Loja Americanas

 

 Félix Maier


Era um menino pobre, sem dinheiro para gastar.

Na Loja Americanas ele ia furtar

Barras de chocolate, que eram sua perdição.

O valor já passava de vinte reais, sem hesitação.

 

A Americanas, onde sua mãe costumava passear,

Era um lugar onde o menino não podia comprar.

Mas a tentação era grande e ele cedia à vontade.

E, assim, sua conta no vermelho começou a se acumular.

 

Aos poucos, as Lojas Americanas começaram a afundar

Em uma dívida colossal, muito difícil de pagar.

Até investidores do ramo cervejeiro perderam o traquejo,

Ninguém parecia notar que a vaca estava indo para o brejo.

 

Mas o menino, mesmo pequeno, entendeu a situação.

Que a loja que ele roubava precisava de solução.

Então decidiu agir, com imaginação,

Mesmo que fosse uma pequena contribuição

 

Revolveu pagar, com dinheiro do farol, o que havia furtado.

Mesmo que fosse ilegal, queria pagar, estava tratado.

A loja ficou surpresa, com essa atitude inusitada.

Mas o menino insistiu, sua palavra estava dada.

 

Após alguns impasses, a loja finalmente aceitou.

Emitiu a nota fiscal, e o pagamento confirmou.

O menino ficou feliz, com sua consciência em paz.

E a Americanas agora pode se reerguer, se for capaz.

 

Atualmente, a loja pode respirar aliviada,

Pois a dívida do menino foi saldada.

Mesmo que seja apenas vinte reais,

O gesto do menino foi nobre, e a todos deixou em paz.

 

Uma lição valiosa aprendida pelo menino,

Que mesmo quando pequeno pode fazer um caminho fino.

Que não é só com palavras que se faz a diferença,

Mas com atitudes dignas, que acordam a verdadeira consciência.

 

O menino aprende que nem sempre o que é fácil é certo.

E que nossas ações podem ter um efeito incerto.

Mas quando fazemos o que é correto, podemos dormir em paz.

E deixar qualquer sentimento de culpa para trás.


Josias e Jamile - Por Félix Maier

 


Josias e Jamile

 

Félix Maier

 

Josias e Jamile, um amor sem fronteiras,

Proibido pela fé, pela tradição.

Mas seus corações, sem quaisquer barreiras,

Ardiam em paixão, sem vacilação.

 

Os olhos que se encontravam na multidão

Trocavam um brilho intenso e cativante.

Um amor tão forte, sem explicação,

Que os envolvia por completo, arrebatante.

 

A luz do amor brilhava em seus olhares.

Um judeu e uma árabe, unidos pela emoção,

Desafiando as diferenças e os pesares,

Em busca da felicidade, sem hesitação.

 

Caminhos espinhosos tiveram que enfrentar,

Julgamentos, preconceitos e intolerância.

Mas seu amor era forte demais para desabar.

Eles seguiam em frente, com confiança.

 

Mas a sociedade não aceitava esse amor

Porque as diferenças eram maiores que a paixão,

E a tradição se impunha, sem pudor,

Impedindo os amantes de seguir a emoção.

 

Josias e Jamile lutaram com bravura

Contra os preconceitos e o rancor da nação.

Mas o amor que sentiam não tinha cura.

Eles se amavam com toda a intensidade do coração.

 

Um dia, enfim, se casaram em harmonia,

Com cânticos, bebidas, comidas e danças.

Famílias unidas em uma só alegria,

Celebrando o amor que venceu as desavenças.

 

E, ao lado da Lua Crescente, brilhante e bela,

A Estrela de Davi agora também reluzia

No lar dos amantes, uma união tão singela,

Que mostrou ao mundo que o amor é alegria.

 

E assim, ainda que o mundo os rejeitasse,

Eles seguiriam juntos, de mãos dadas,

Amando-se em silêncio, sem que ninguém soubesse,

E escrevendo uma história de amor que nunca seria apagada.



Abduzido por Nefertiti - Por Félix Maier

 


Abduzido por Nefertiti

 

Félix Maier

 

No Vale dos Reis, onde a história descansa,

Um turista brasileiro aventureiro

Buscava os segredos dos faraós.

Mas guardas gananciosos queriam dinheiro.

 

Com a câmera em punho, o turista seguia,

Até que os guardas o impediram de fotografar.

Mas não era a tumba que eles queriam proteger,

E sim sua ganância, que não podia esperar.

 

Então o turista fugiu, rápido como um raio,

E correu até a margem do rio Nilo.

Lá encontrou Nefertiti, rainha soberana,

Que o abduziu em sua barca solar, com estilo.

 

A rainha sorriu, o turista assustado.

Ela o acalmou e explicou seu plano:

Mostrar as riquezas secretas da tumba de Aquenáton,

E revelar-lhe segredos da antiga nação.

 

O turista maravilhado, sem saber o que fazer,

Aceitou o convite e partiu com a rainha,

Embarcando em uma aventura sem igual,

Deixando para trás a ganância mesquinha.

 

Nefertiti, a rainha mais bela, contou-lhe histórias

De reis e faraós, de glória e traições.

E o turista brasileiro jamais se esqueceria

Daqueles momentos, das grandes emoções.

 

Ao final da viagem, de volta ao Vale,

O turista agradeceu à rainha, em gratidão,

E dormiu, com memórias que jamais esqueceria,

De sua aventura com a rainha soberana.

 

- Acorda, dorminhoco – cutucou sua esposa.

E o turista, confuso, sonolento, de estranho olhar,

Mal se deu conta de que tivera um sonho etéreo,

Não deixando de procurar em volta o barco solar.



NADA DEVEMOS AOS TERRORISTAS [06/08/2008] - Por Reinaldo Azevedo

 


Amigos,
Quando aquele terrorista de esquerda ou seu apoiador vier com a falácia de que pegaram em armas para derrubar a ditadura militar e implantar a democracia no Brasil, apresente este texto de Reinaldo Azevedo, extraído do livro "O PAÍS DOS PETRALHAS - O INIMIGO AGORA É O MESMO".

Félix Maier


NADA DEVEMOS AOS TERRORISTAS [06/08/2008] 

Reinaldo Azevedo 

Uma das falácias mais bem urdidas pelas esquerdas é a de que os atos terroristas cometidos durante o regime militar eram a única forma de contestação política num ambiente sufocado pela ditadura. Trata-se de uma mentira histórica, de uma mentira política e de uma mentira moral, a que só se pode aderir ou por alinhamento ideológico ou por falta de bibliografia específica. 

Mentira histórica 

A mentira é histórica porque a decisão de certas correntes de partir para a luta armada antecede em muito a decretação do AI-5, em dezembro de 1968. Pior ainda: antecede o próprio golpe militar de 1964. Vale dizer: correntes de esquerda discutiam abertamente a luta

armada como opção para chegar ao poder, embaladas pela revolução cubana, embora o país fosse uma democracia. Mais: João Goulart havia levado a subversão para dentro do governo. E notem: sei que a palavra “subversão” deixa muita gente indignada. Não me refiro necessariamente à pauta da esquerda, não. Refiro-me ao desrespeito às regras do estado democrático e de direito que garantiam a legitimidade do próprio Jango. 

Ora, quem rompe com as regras que garantem a sua própria legitimidade está ou não está se expondo a um golpe? Está ou não está abrindo o caminho para que outros o façam — e com pauta própria? Não são pequenas, aliás, as evidências de que Jango preparava o autogolpe. 

Seja como for, a Presidência da República optou pela desordem. Isso justifica o golpe? A pergunta está errada. Isso explica o golpe. O primeiro dever de um democrata é preservar as leis que garantem o seu poder e a sua legitimidade, elegendo o foro adequado para mudá-las: o Congresso. E nem ao Congresso é dado todo o poder, já que também não pode extinguir a base legal que o sustenta. Leis nascem de pactos. Mas, no estado de direito, já disse um jurista de primeiro time, nenhum Poder é soberano — ou se joga Montesquieu no lixo. “Mas a gente não pode jogar Montesquieu no lixo?” Pode, claro. É preciso ver o que se vai pôr no lugar.

 A mentira política 

Os remanescentes do esquerdismo revanchista agem como se forças absolutas, essencialmente puras — o Bem de um lado e o Mal de outro — tivessem quebrado lanças durante o regime militar, com a vitória temporária do Mal, para que o Bem pudesse, finalmente, triunfar. 

Não há um só documento, um miserável que seja, produzido pelas esquerdas antes ou depois do golpe, que evidencie que faziam a defesa da democracia. Ao contrário, sob a inspiração marxista, e leninista em particular, a democracia era vista apenas como uma trapaça, uma

forma de a burguesia e de o imperialismo imporem a sua vontade por meio de instituições fajutas. Lamento dizer: é o que pensam, até hoje, algumas correntes do PT e alguns partidos que se dizem comunistas. 

Será que se trata apenas de “algumas correntes do PT?” Não acreditem em mim quando falo deles; acredite neles quando falam de si mesmos. No vídeo convocatório para o seu Terceiro Congresso, ocorrido no fim de agosto do ano passado, o partido diz com todas as letras: 

“Para extinguir o capitalismo e iniciar a construção do socialismo, é necessário realizar uma mudança política radical. Os trabalhadores precisam transformar-se em classe hegemônica e dominante no poder de estado. Não há qualquer exemplo histórico de uma classe que tenha transformado a sociedade sem colocar o poder político de estado a seu serviço.” 

E mais adiante: “Não basta chegar ao governo para mudar a sociedade. É preciso mudar a sociedade para chegar ao governo.” 

Ora, sei que não conseguiriam reconstruir um estado soviético nem que quisessem. Mas podem muito bem corromper a democracia, como estão fazendo com seu arremedo de estado policial. 

Então não venham me dizer que a opção pelo terrorismo e pela luta armada, durante o regime militar, era o caminho possível para reagir à falta de democracia porque, de fato, não queriam democracia nenhuma — como fica evidente nos remanescentes daquelas batalhas, que não a querem até hoje. A sua “democracia” corresponde ao que chamam, apelando a Gramsci, de construção da “hegemonia”. De novo: não se trata de uma hegemonia ao velho estilo. O que procuram é tornar irrelevante o processo de alternância de poder por meio do domínio das instituições do estado. Não sou eu que os acuso disso. Eles é que o confessam. 

Pré e pós-64, até o esmagamento das forças terroristas, as esquerdas ambicionavam chegar ao poder pela luta armada — e a democracia que se danasse. Depois da redemocratização, lutam pelo controle absoluto da burocracia do estado, usando como esbirros os tais movimentos sociais — e a democracia que se dane de novo. 

Mentira moral 

O vitimismo de que se fazem caudatários é uma mentira moral porque pretendem que o horror da tortura era mais condenável do que o horror do terrorismo: sequestros, assassinatos, justiçamentos. Um torturador vagabundo que submeteu um prisioneiro a sevícias não nos livrou do comunismo e ainda corrompeu a luta de quem a ele se opunha com dignidade. Mas e o coronel da PM que teve a cabeça esmagada a coronhadas por esquerdistas? Lustra “atos revolucionários”? Temo que sim. Na verdade, tenho a certeza de que, para eles, sim. Porque aquelas esquerdas, afinal de contas, nunca se opuseram à tortura nos estados comunistas. E as remanescentes, vejam que curioso, jamais criticaram o regime cubano pela tortura de presos políticos. Pior do que isso: aplaudiram Fidel Castro quando executou três prisioneiros sem direito de defesa. Crime: tentaram fugir da ilha. O facinoroso, aliás, é 2.700 vezes mais assassino, já provei [o endereço do artigo a respeito encontra-se ao fim deste texto], do que os ditadores brasileiros. 

Isso justifica moralmente os torturadores nativos? Não! Mas o país encontrou um caminho para sair daquela cilada: a Lei da Anistia, que decidiu ignorar os execráveis excessos de todos os porões: os do regime e os das esquerdas. Foi uma escolha política. Inicialmente, de fato, foi negociada por um Congresso ainda não plenamente livre. Mas, depois, na prática, foi adotada pela sociedade e, de fato, no que concerne à política, pacificou o país. De tal modo passamos a encarar a democracia como um imperativo, que, três anos depois da primeira eleição direta para presidente pós-ditadura, depôs-se o eleito. E sem crise de qualquer natureza. 

Mas a mentira moral não se esgota no conteúdo ideológico do que pretendiam — ou pretendem — as esquerdas. Aceitar que o terrorismo era a única forma de luta contra a ditadura implica supor que a ação pacífica para depor o regime era uma tolice, uma inutilidade ou um capricho. E, claro, tal versão é uma indignidade. O que preparou o terreno para a volta da democracia foi a resistência pacífica dos que aqui ficaram e daqueles que, não podendo voltar ao país, endossaram a boa conspiração dos pequenos atos que foram fraturando o regime — finalmente quebrado sob os auspícios de uma crise econômica. 

Mistificadores e ignorantes adoram afirmar que devemos as liberdades que temos ao sangue das vítimas que tombaram... MENTIRA! Lamento pelas vítimas que tombaram de um lado e de outro. Lamento por aqueles que foram submetidos a sevícias depois de presos — como ocorre hoje, habitualmente, nas cadeias brasileiras, sem que Paulo Vannuchi ou Tarso Genro soltem um pio —, mas não devemos as nossas liberdades aos mortos ou torturados do PCdoB, aos mortos ou torturados da ALN; aos mortos ou torturados do MR-8. Se essa gente tivesse vencido, nós lhe deveríamos, isto sim, é o paredão. Devemos a nossa liberdade a gente como Ulysses Guimarães, como Alencar Furtado, como Franco Montoro, como Mário Covas, como Fernando Henrique Cardoso. Ah, sim, como Petrônio Portella, vindo lá da ditadura. E, acreditem, até como Golbery do Couto e Silva. 

Aos terroristas mortos ou vivos? Não devemos nada! Assim como não devemos aos torturadores a derrota do comunismo. Devemos às esquerdas, isto sim, a mentira, ainda em curso, de que queriam o nosso bem, o que dá a seus herdeiros políticos licença para trapacear, para roubar, para mentir. Tudo em nome de um novo amanhã. Não deixem que prospere a falácia. 

(Endereço do texto citado neste artigo: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-revanchistas-brasileiros-anistia-cuba/)

 

Obs.: 

Trecho extraído do livro de Reinaldo Azevedo, “O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo”, Record, Rio de Janeiro e São Paulo, 2012, pg. 273-276. Disponível no endereço virtual https://docs.google.com/file/d/0B7Kmav1S0xnaNVh6WHNFdnZTUmM/view?resourcekey=0-G7QMUgoP-4QaOPeFEd9dwQ, pg. 185-187.



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A naba tá voando!... Por Félix Maier

 A naba tá voando!...

 

Félix Maier

 

O oficial do Paraná, com sotaque carioca,

Chiava como chaleira em ebulição.

Instruía os soldados com expressões tão loucas,

Que era difícil não prestar atenção.

 

“A naba tá voando”, ele dizia.

E todos sabiam que era hora de agir

Com destreza e rapidez, sem demasia,

Para cumprir a missão e sair a sorrir.

 

Mas também tinha ditados mais pesados,

Que faziam os soldados se arrepiar:

“Brincadeira com homem cheira a sangue,

Brincadeira com mulher cheira a cocô de criança”.

 

Apesar das palavras ásperas e rudes,

O oficial era respeitado e admirado,

Pois sabia liderar, com pulso forte e atitude.

E era um exemplo a ser seguido e imitado.

 

E assim seguia a tropa, em marcha pesada,

Sob o comando do seu líder leal,

Com seu sotaque e expressões inusitadas,

Guiava-os rumo à vitória final.