MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

UCS Examines 'The Skeptical Environmentalist' - Union of Concerned Scientists

 


UCS Examines 'The Skeptical Environmentalist'

UCS - Union of Concerned Scientists

Published Jul 16, 2008

A book by Bjørn Lomborg, a political scientist and professor of statistics at the University of Aarhus in Denmark, has created quite a stir since its 2001 release. Lomborg accuses scientists and environmental organizations of making false and exaggerated claims about the world's environmental problems. He concludes that population growth is not a problem, that there is plenty of freshwater around, that deforestation rates and species extinctions are grossly exaggerated, that the pollution battle has been won, and that global warming is too expensive to fix. A self-proclaimed environmentalist and skeptic, he claims that his reanalysis of environmental data measures "the real state of the world."

The heavily promoted book, published by Cambridge University Press, has received significant attention from the media and praise from commentators writing in The Economist, The New York Times, and Washington Post. For example, the Post's reviewer (a philosophy professor from New Zealand) concluded that it was "a magnificent achievement," and "the most significant work on the environment since the appearance of its polar opposite, Rachel Carson's Silent Spring, in 1962."

Meanwhile, groups with a vested interest in maintaining the status quo are using the book to promote their "no need to take action to address global environmental problems" agenda. For example, the "Cooler Heads Coalition" -- formed by the Competitive Enterprise Institute and others to "dispel the myths of global warming" -- featured Lomborg in a Capitol Hill briefing on global warming.

Does this book merit such positive attention? Does Lomborg provide new insights? Are his claims supported by the data? A healthy skepticism towards the claims of others is, after all, one of the hallmarks of good science. And, at first glance, Lomborg's book appears to be an objective and rigorous scientific analysis. It is published by a leading academic press, and contains an extensive bibliography and nearly 3,000 footnotes.

To answer these questions, UCS invited several of the world's leading experts on water resources, biodiversity, and climate change to carefully review the sections in Lomborg's book that address their areas of expertise. We asked them to evaluate whether Lomborg's skepticism is coupled with the other hallmarks of good science – namely, objectivity, understanding of the underlying concepts, appropriate statistical methods and careful peer review.

Reviewing Lomborg's claims are Dr. Peter Gleick, an internationally recognized expert on the state of freshwater resources; Dr. Jerry Mahlman, one of the most highly regarded atmospheric scientists and climate modelers; and top biologists and biodiversity experts Dr.'s Edward O. Wilson, Thomas Lovejoy, Norman Myers, Jeffrey Harvey and Stuart Pimm.

These separately written expert reviews unequivocally demonstrate that on closer inspection, Lomborg's book is seriously flawed and fails to meet basic standards of credible scientific analysis. The authors note how Lomborg consistently misuses, misrepresents or misinterprets data to greatly underestimate rates of species extinction, ignore evidence that billions of people lack access to clean water and sanitation, and minimize the extent and impacts of global warming due to the burning of fossil fuels and other human-caused emissions of heat-trapping gases. Time and again, these experts find that Lomborg's assertions and analyses are marred by flawed logic, inappropriate use of statistics and hidden value judgments. He uncritically and selectively cites literature -- often not peer-reviewed -- that supports his assertions, while ignoring or misinterpreting scientific evidence that does not. His consistently flawed use of scientific data is, in Peter Gleick's words "unexpected and disturbing in a statistician".

These reviews show that The Skeptical Environmentalist fits squarely in a tradition of contrarian works on the environment that may gain temporary prominence but ultimately fail to stand up to scientific scrutiny. Others, such as Julian Simon and Gregg Easterbrook, have come before him, and others no doubt will follow. Correcting the misperceptions these works foster is an essential task, for, as noted above, groups with anti-environmental agendas use these works to promote their objectives. It is also an unfortunate, time-consuming distraction, for it pulls talented scientists away from the pressing research needed to help us understand the environmental challenges we face and their prospective solutions.

Winston Churchill once said, "A lie gets halfway around the world before the truth has a chance to get its pants on", reminding usof the parable of the Tortoise and the Hare. Like the Hare, Lomborg's lie has raced out in front of the truth. With the help of these careful scientific peer reviews, UCS hopes that the truth, like the Tortoise, will catch up and emerge the ultimate victor.

Editor's note: In addition to these UCS-solicited reviews, critiques of Lomborg's book have also been published in Scientific American, Nature, Science, and other scientific journals, as well as on several web sites.

Fonte: https://www.ucsusa.org/resources/ucs-examines-skeptical-environmentalist

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Pós-verdade: “A verdade ficou para trás, não interessa mais a sua busca” - Por Osório Silva Barbosa Sobrinho, Gianfranco Faggin Mastro Andréa e Giovanna Pinhanelli Faria de Paula



Quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Pós-verdade: “A verdade ficou para trás, não interessa mais a sua busca”


Por Osório Silva Barbosa Sobrinho, Gianfranco Faggin Mastro Andréa e Giovanna Pinhanelli Faria de Paula 

Um termo que se tornou comum de se ouvir na atualidade é o da: “pós-verdade”. Mas em que consistiria tal fenômeno? Mattew D’Ancona, jornalista político britânico, por meio de seu livro  “Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news”, nos oferece uma luz quanto a esta questão palpitante.

Para o autor a pós-verdade seria uma reação da população em relação à classe política, aos meios de comunicações oficiais e à própria ciência, em que se faz prevalecer a emoção, as crenças e as ideologias sobre os fatos objetivos. O prefixo “pós” significa que a verdade ficou para trás, ou seja, não interessa mais a sua busca. Assim, há a perda de nexo ou vínculo com o factual, porém isso não quer dizer que pós-verdade é uma simples mentira, mas sim uma escolha individual dentre várias informações daquela que mais aprouver ao indivíduo, segundo seu universo.

A preponderância da pós-verdade não se trata de privilégio brasileiro, mas de verdadeiro movimento global. Isto ocorre em função da crise que o sistema democrático vem passando, principalmente diante da descrença populacional no sistema representativo. Há um enorme abismo entre o que almeja a população e o que seus representantes políticos discutem no parlamento. Com efeito, o povo não se sente mais representado. E os endêmicos casos de corrupção no âmbito da política também contribuem para desgastar ainda mais a imagem das instituições democráticas. Trata-se da “neo-democracia”, uma vez que, mesmo onde ocorrem tais fenômenos, a democracia os legitima e garante sua preponderância respeitando o jogo democrático.

Para além disso, a imprensa oficial, ou seja, aquela que ostentaria respeito perante a população, caiu por terra. Passa-se a questionar as notícias, ainda que possam ser comprovadas como verdades objetivamente. Constata-se o surgimento da “neo-imprensa”, porquanto a imprensa oficial, ou tradicional, ganhou tal descrédito diante do vislumbre do cidadão que percebeu que ela, mesmo diante dos fatos ditos objetivos, costumava distorcê-los para atender aos seus próprios interesses, pois está sempre ligada a grupos econômicos. Foi profético o poeta Raul Seixas quando disse: “eu não preciso de jornais, mentir sozinho eu sou capaz”, há mais de trinta anos! O acesso às redes sociais deu a todos essa possibilidade (para o bem ou para o mal)! Dá-se maior valor à imprensa alternativa, porquanto esta sim veicularia notícias verdadeiras, uma vez que não teriam sido cooptadas pelo sistema. Aliás, é assim que a própria imprensa tradicional, diante da sua derrocada, e para não sucumbir de vez, vem adaptando-se ao fenômeno, tanto o é que passou a checar as notícias divulgadas nas redes sociais para atestá-las se verdadeiras ou falsas. Não que seu “atestado” valha muito, mais assim ela entra no jogo.

Leia também:

Como a internet está matando a democracia

Osório Silva Barbosa Sobrinho é mestre em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Procurador Regional da República da 3ª Região

Gianfranco Faggin Mastro Andréa é mestre em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em Direito Público pela Faculdade de Direito Damásio de Jesus.

Giovanna Pinhanelli Faria de Paula é bacharelanda em Direito pela Universidade de São Paulo – USP


Fonte: https://www.justificando.com/2019/08/07/pos-verdade-a-verdade-ficou-para-tras-nao-interessa-mais-a-sua-busca/



Taco de Hóquei: Uma tacada forte em mentiras convenientes

 sábado, 14 de abril de 2007

Uma tacada forte em mentiras convenientes


O gráfico acima é o famoso “Hockey Stick”, a que me referirei por “Taco de Hóquei”. Trata-se do gráfico das temperaturas globais da Terra nos últimos mil anos (mais ou menos uns). Foi publicado na Nature, em 1998, no artigo Global-scale temperature patterns and climate forcing over the past six centuries, da autoria de uma equipa da Universidade da Virgínia liderada por Michael Mann. E é dramático: mostra que a temperatura global da Terra teria sido estável durante 900 anos, subindo assustadoramente nos últimos 100 anos. O gráfico ficou conhecido como “Hockey Stick” porque parece um taco de hóquei deitado: um longo cabo horizontal e uma lâmina quase vertical.

O Taco de Hóquei ficou famoso, figurando em lugar de destaque no 3.º relatório do IPCC em 2001, e tornou-se no ícone do alarmismo sobre o aquecimento global. Não houve revista ou jornal que não o reproduzisse, com avisos apocalípticos de que o Fim está próximo. Al Gore utilizou-o (convenientemente despido das barras de erro) na sua campanha presidencial de 2000, e continua a utilizá-lo de acordo com a verdade que lhe é conveniente, e que talvez o conduza à Casa Branca em 2008. É difícil exagerar a importância mediática do Taco de Hóquei.

Mas o Taco de Hóquei tem um problema científico fundamental. Está errado.

Para começar, o Taco de Hóquei nega factos climatológicos há muito estabelecidos: o Período Quente Medieval (c.1000 – c. 1400) e a Pequena Idade do Gelo (c.1500 - c. 1850), que o próprio IPCC afirmava existirem no seu relatório anterior (1995). O Taco de Hóquei nega estas alterações climáticas globais: o cabo é horizontal. Aceitar o Taco de Hóquei implica realizar um revisionismo completo sobre a história climatológica do planeta Terra! Seria razão para pôr um pé atrás, ou mesmo os dois.

Muitas pessoas acharam o assunto estranho. Dois canadianos, o matemático Steven McIntyre e o professor de Economia Ross McKitrick (conhecidos em conjunto por M&M) fizeram mais: decidiram investigar. E pediram os dados a Mann para fazerem as contas. O grupo de Mann começou por não dar acesso aos dados (contrariando a praxis científica da confirmação independente!). Mas M&M não desistiram. Eis as suas conclusões, depois de muitos obstáculos e vários anos de trabalho:

“A Nature nunca verificou se os dados originais estavam correctamente listados: sucede que não estavam. A Nature nunca verificou se eram seguidas regras de arquivamento de dados: não eram. A Nature nunca verificou se os métodos estavam correctamente descritos; não estavam. A Nature nunca verificou que os métodos indicados davam os resultados indicados: não davam. A Nature levou a cabo apenas correcções mínimas ao seu registo de publicações após ser notificada destes factos, e permitiu que os autores reclamassem, falsamente, que as suas omissões não afectavam os resultados publicados. A utilização do Taco de Hóquei pelo IPCC não foi incidental: ele figura em destaque no relatório de 2001. No entanto, nunca o IPCC o submeteu a verificação independente.”

Provavelmente, para este último acontecimento pode ter ajudado o facto de Mann ser o principal responsável científico pelo relatório do IPCC de 2001. Mas as conclusões de M&M, apresentadas em vários artigos científicos (o mais conhecido é Hockey sticks, principal components and spurious significance, em Geophysical Research Letters), foram radicais. A técnica matemática utilizada (análise de componentes principais) conduzia ao seguinte resultado: a primeira componente principal (aquela que é visível nos gráficos sem barras de erro) tem sempre a forma de taco de hóquei quaisquer que sejam os dados de entrada. Ou seja, quaisquer que fossem as temperaturas na base de dados de Mann à entrada, ele veria sempre um Taco de Hóquei à saída. Em resumo, o Taco de Hóquei era um artefacto dos métodos errados de análise, e não uma realidade. Estava no domínio do dogma religioso, não da realidade científica.

Os trabalhos de M&M levaram a um relatório independente da Academia Nacional das Ciências (NAS) norte-americana de 2006, que de forma muito diplomática afirma que o Taco de Hóquei está errado: "The reconstruction produced by Dr. Mann and his colleagues was just one step in a longer process of research, and it is not (as sometimes presented) a clinching argument for anthropogenic global warming, but rather one of many independent lines of research on global climate change". Este relatório de uma Comissão ad-hoc é de confiança e também esclarecedor.

Numa última ironia do destino, não só a Nature (que sai muito mal na fotografia) não reconhece ainda o erro, como Mann publicou uma letter to Nature em 2006 afirmando que "more widespread high-resolution data are needed before more confident conclusions can be reached and that the uncertainties were the point of the article". Vindo do principal responsável científico do 3.º relatório do IPCC, que elevou o Taco de Hóquei ao estatuto de dogma, são afirmações no mínimo curiosas.

Dois comentários. O primeiro é que, ao contrário do que a agenda dos media e de alguns políticos pretende fazer crer, é falso que exista consenso científico sobre o aquecimento global, tal como ele é vendido no jornal sensacionalista mais próximo de si. É um facto que a Terra está, em média, a aquecer desde meados do século XIX. Afinal, foi quando saiu da Pequena Idade do Gelo, e portanto está (inevitavelmente!) em moderado aquecimento global desde então. Isto é tão surpreendente como afirmar que, se retirarmos gelo do congelador, ele aquece. Mas este aquecimento nem sequer é constante: entre 1940 e 1975 houve uma marcada diminuição de temperaturas globais – de tal modo que nos anos 70 uma das grandes preocupações climáticas era com uma possível “Idade do Gelo” – com o arrefecimento global, não com o aquecimento. Quem tem mais de 40 anos talvez se lembre.

O segundo é que não existe consenso científico sobre uma relação de causalidade entre libertação de gases com efeito de estufa e o aquecimento global. Há anualmente centenas de artigos publicados em ambos os sentidos. O que se sabe é que existe correlação: quando a Terra aquece, aumenta o CO2. Isso aconteceu, por exemplo, no Período Quente Medieval (como se sabe por análise dos anéis das árvores), e aí não foi por intervenção humana. Um mecanismo conhecido é a expansão térmica da água dos oceanos, que provoca a libertação de CO2 dissolvido. O aquecimento global provoca assim a libertação não-antropogénica de CO2. O que se pode afirmar é que existe correlação, mas não necessariamente causalidade, entre os dois acontecimentos. E está muito longe de existir consenso científico. Pelo contrário: as dúvidas hoje, em 2007, são muito maiores do que há 10 anos, quando se assinou Kyoto.

Eu acho muito suspeito quando o meu barbeiro (pessoa de resto muito estimável) acha que compreende melhor do que eu um problema científico. A certeza incrustada na mente popular que nos é distribuída com o jornal gratuito, servida no noticiário, ou vendida no filme-catástrofe mais recente, é que a “Ciência provou” que o CO2 provoca o aquecimento global.

Isto não é verdade. Não é sequer verdade que haja consenso entre os cientistas. Mas pelos vistos um Taco de Hóquei não chega. Existirão tacos de hóquei nos relatórios do IPCC de 2007? Veremos.

O que é o socialismo fabiano - Por Lew Rockwell


O que é o socialismo fabiano

 

ARTIGO PUBLICADO   NA REVISTA DO CLUBE MILITAR - ANO XCII Nº 466 JULHO - AGOSTO - SETEMBRO DE 2017.


Publicação antiga, cujo conteúdo apresenta praxis que, juntamente com a do gramscismo - como menciona o autor do texto – se reveste das características de lobos em peles de cordeiros. São os Mencheviques modernos, adeptos do Estado Regulado e eminentemente tributarista.  Isto é, por outros meios amenos, lutando pelo mesmo objetivo final dos bolcheviques: - a tomada do poder para implantação do socialismo que nunca de certo onde vigorou e confiscou o maior bem da vida humana: - a liberdade das criaturas.


Cel Jorge Baptista Ribeiro

jorjagulha@live.com

 

 


O que é o socialismo fabiano
Por 
Lew Rockwell
Antes da Revolução Russa, o Partido Comunista tinha duas alas: Bolchevique e Menchevique. Os Bolcheviques acreditavam na imediata imposição do socialismo por meios violentos, com confisco armado das propriedades, das fábricas, e das fazendas, e o assassinato dos burgueses e reacionários que porventura oferecessem resistência.
Já os Mencheviques (que também se auto-rotulavam social-democratas) defendiam uma abordagem mais gradual, não-violenta e não-revolucionária para o mesmo objetivo. Para estes, a liberdade e a propriedade deveriam ser abolidas pelo voto da maioria. Os Bolcheviques venceram a Revolução Russa e implantaram o terror. No entanto, após cometerem crimes inimagináveis, eles praticamente desapareceram do cenário. Já os Mencheviques, no entanto, não apenas seguem vivos como também se fortaleceram e se expandiram, e estão no poder de boa parte dos países democráticos. Os mencheviques modernos seguem, em sua essência, as mesmas táticas dos Mencheviques russos: em vez de abolirem a propriedade privada e a economia de mercado, como queriam os Bolcheviques, os atuais mencheviques entenderam ser muito melhor um arranjo em que a propriedade privada e o sistema de preços são mantidos, mas o Estado mantém os capitalistas e uma truncada economia de mercado sob total controle, regulando, tributando, restringindo e submetendo todos os empreendedores às ordens do Estado. Para os mencheviques atuais, tradições burguesas como propriedade privada e economia de mercado devem ser toleradas, mas a economia tem de ser rigidamente regulada e tributada. Políticas redistributivista são inegociáveis. Uma fatia da renda dos indivíduos produtivos da sociedade deve ser confiscada e redistribuída para os não-produtivos. Grandes empresários devem ser submissos aos interesses do regime e, em troca, devem ser beneficiados por subsídios e políticas industriais, e também protegidos por tarifas protecionistas. Acima de tudo, cabe aos burocratas do governo — os próprios mencheviques — intervir no mercado para redistribuir toda a riqueza e manter a economia funcionando de acordo com seus desígnios. No entanto, a estratégia menchevique não se resume à economia.

A questão cultural é tão ou mais importante. Para os mench a cultura burguesa deve ser substituída por uma nova mentalidade condeviques atuais,icionada ao modo de pensar social-democrata, e a estratégia para isso consiste na imposição lenta e gradual de uma revolução cultural. Os mencheviques, fiéis ao seu ideal "democrático", sempre se sentiram desconfortáveis com a ideia de revolução, preferindo muito mais a "evolução" gradual produzida pelas eleições democráticas. O Estado deve ser totalmente aparelhado por intelectuais partidários e simpatizantes, de modo a garantir uma tomada hegemônica das instituições culturais e sociais do país. Daí a desconsideração pelos

gulags e pela revolução armada. Como tudo começou. As raízes do menchevismo atual não estão na Rússia de Lênin, mas sim na Londres de 1883, quando um grupo de socialistas adeptos do gradualismo fundou a Sociedade Fabiana. Liderada por um cidadão chamado Hubert Bland, os mais famosos membros da sociedade eram o dramaturgo George Bernard Shaw, os autores Sidney e Beatrice Webb, e o artista William Morris. 

A Sociedade Fabiana tem este nome em homenagem a Quintus Fabius Maximus, político, ditador e general da República Romana (275-203 a.C.) que conseguiu derrotar Aníbal na Segunda Guerra Púnica adotando a estratégia de não fazer confrontos diretos e em larga escala (nos quais os romanos haviam sido derrotados contra Aníbal), mas sim de incorrer apenas em pequenas e graduais ações, as quais ele sabia que podia vencer, não importa o tanto que ele tivesse de esperar. Em suma, Quintus Fabius Maximus era um estrategista militar que evitava qualquer confrontação aberta e decisiva; em vez disso, ele preferia fatigar seus oponentes com táticas procrastinadoras e cansativas, manobras enganadoras e assédios contínuos. Fundada exatamente no ano da morte de Marx com o intuito de promover as idéias do filósofo alemão por meio do gradualismo, a Sociedade Fabiana almejava "condicionar" a sociedade, como disse a fabiana Margaret Cole, por meio de medidas socialistas disfarçadas. 

Ao atenuar e minimizar seus objetivos, a Sociedade Fabiana tinha o intuito de não incitar os inimigos do socialismo, tornando-os menos combativos. Ao contrário dos revolucionários marxistas, os socialistas fabianos conheciam muito bem o funcionamento das políticas públicas britânicas. Sendo os especialistas originais, eles fizeram várias pesquisas, elaboraram planos, publicaram panfletos e livros, e criaram várias propostas legislativas, sempre contando com a ajuda de aliados nas universidades, igrejas e jornais. Eles também treinaram oradores, escritores e políticos. Sidney Webb foi além e fundou a London School of Econmicos em 1895 para ser o quartel-general desse trabalho. Emrabora a Sociedade Fabiana jamais houvesse tido mais do que 4.000 membros, foram eles que criaram, promoveram e conduziram pelo Parlamento a maior parte das políticas sociais britânicas até o início da década de 1980. O resultado foi uma economia em frangalhos e uma sociedade esclerosada, situação esta que só começou a ser revertida quando Margaret Thatcher começou a "desfabianizar" a Inglaterra. 

Os fabianos foram bem-sucedidos em seu objetivo de criar um "estado provedor", um estado assistencialista que cuidaria não apenas dos pobres, mas também da classe média, do berço ao túmulo. Seja na forma de compensações trabalhistas, ou de pensões e aposentadorias, seguro-desemprego e medicina socializada, os fabianos sempre enfatizaram a "reforma social". Segundo o escritor John T. Flynn, os fabianos perceberam prematuramente o imenso valor das reformas sociais em acostumar os cidadãos a ver o estado como a ferramenta para curar todas as suas doenças e inquietudes. Eles viram que uma agitação em prol de um estado assistencialista poderia se tornar o veículo ideal para incutir idéias socialistas nas mentes do cidadão comum. 

Outra inovação fabiana: reformas sociais invariavelmente envolviam algum tipo de "seguridade". As pessoas seriam induzidas a aceitar o socialismo caso este fosse apresentado por meio de modelos oriundos das ciências atuariais, tendo empresas de seguro como base. Empresas de seguro genuínas, baseando-se em estatísticas de distribuição aleatória de acidentes, coletam dinheiro de seus segurados na forma de um consórcio e concentram-no em um fundo, desta forma tornando o mundo menos incerto para seus membros. Os fabianos, muito espertamente, pegaram esse modelo e disseram: -concentremos a riqueza de todos nas mãos do Estado e seremos felizes, saudáveis e teremos uma vida melhor. Aneurin Bevan, o ministro da saúde fabiano do governo trabalhista dos pós-guerra, que criou o National Health Service — o sistema estatal de saúde britânico —, chegou realmente a argumentar que tal modelo iria drasticamente aumentar a expectativa de vida de todos, chegando ao ponto de postergar a morte indefinidamente. 

Mas a verdadeira visão fabiana do Estado foi mais bem explicitada no livro de Sidney e Beatrice Webb intitulado Soviet Communism: A New Civilization?, publicado em 1935 (o ponto de interrogação foi removido do título após a primeira edição). O livro glorificava a URSS de Stalin como se fosse virtualmente um paraíso na terra. Como marxistas, embora de uma outra estirpe, os Webbs aprovavam o stalinismo — se não os meios, os fins. 

"Os fabianos eram, de uma certa forma, marxistas mais bem treinados do que o próprio Marx", disse Joseph Schumpeter. Que continuou: Concentrar-se nos problemas que podem ser alterados por métodos políticos práticos, adaptar-se à evolução das questões sociais, e deixar o objetivo supremo ser alcançado automaticamente (por meio da alteração cultural das massas) é algo que está muito mais de acordo com a doutrina fundamental de Marx do que a ideologia revolucionária que ele próprio propôs. 

Conclusão: No linguajar fabiano, impostos são "contribuições", gastos do governo são "investimentos", criticar o governo é "entreguismo" ou "falta de patriotismo", donos de propriedades são "elites", "reacionários" e "privilegiados", e "mudança" significa "socialismo". 

Quando os atuais social-democratas pedem "sacrifícios" da população em prol dos "ajustes" do governo, tenha em mente que os fabianos diziam exatamente o mesmo, defendendo, segundo as próprias palavras de Beatrice Webb, a "transferência" da "emoção do serviço sacrificante" de Deus para o estado.

Para os fabianos, o estado (seus burocratas e toda a sua mentalidade) é o único deus por quem a população deve se sacrificar. 

Por fim, vale ressaltar que o desaparecimento dos bolcheviques nunca foi lamentado pelos social-democratas fabianos. Muito pelo contrário: os social-democratas fabianos agora detêm o monopólio da marcha "progressista" da história rumo à Utopia. 

A janela de vidro pintada que adorna a casa de Beatrice Webb em Surrey, Inglaterra, mostra George Bernard Shaw tendo ao fundo o brasão da Sociedade Fabiana: um lobo em pele de cordeiro. Aquele lobo está hoje entre nós.


O autor é Presidente e CEO do Instituto Ludwig von Mises, em Auburn, Alabama.



Esquerdas se articulam e contra-atacam nas Américas -

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Esquerdas se articulam e contra-atacam nas Américas
por Luis Dufaur

Juan Grabois, líder das invasões de propriedades,em cálido abraço com Papa Francisco

“A oposição achou o método da demonização absoluta, ao dizer que iríamos nos tornar como a Venezuela”, disse o presidente argentino Alberto Fernández, lamentando o imenso erro cometido ao tentar expropriar Vicentín, a multinacional argentina do agronegócio.


Em seguida recordou uma frase do Papa Francisco, a quem deve a sua eleição: “O caminho do ódio não conduz a parte alguma”.

Atribuiu esse ódio ao povo e inocentou o seu partido.

Pouco depois voltou à carga contra as propriedades e contra os bolsos dos particulares.

O nosso continente quer ver-se muito longe da onda revolucionária populista, mas Fernández pretende encarnar um novo estilo no contra-ataque empreendido por ela.

Qual a característica principal desse contra-ataque? Ao que tudo indica, consiste em usar uma máscara de moderado.

Ungido pelo Papa Francisco, ele finge um esquerdismo mitigado.

Deixa o trabalho sujo e antipopular à sua vice-presidente Cristina Kirchner, que vai restituindo o poder aos agentes populistas.


Assentamento invasor em Guernica, periferia de Buenos Aires

A deputada espanhola Cayetana Álvarez de Toledo, que possui nacionalidade argentina, alertou: “Eu também digo aos argentinos: ‘abram os olhos’.

“Há um presidente na Argentina que não é presidente. O poder está com Cristina Kirchner; quer dizer, o populismo e o autoritarismo. Ela procura vingança pessoal e impunidade” (“La Nación”, 25-9-20).

Mas as diatribes mais tresloucadas proveem do agitador Juan Grabois, o queridinho do Papa Francisco, assessor ad-honorem do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Grabois odeia os agropecuaristas, a quem qualifica de “parasitas que vivem da renda extraordinária da terra de todos”.

Lidera invasões de propriedades e prega a necessidade de uma radical reforma agrária (“Perfil”, 6-3-20).

Esse agitador platino tem no Brasil um ‘irmão de luta de classes’ em Guilherme Boulos, líder invasor de propriedades, que se ufana de ter sido preso diversas vezes.

Hoje ele é candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSOL, com objetivos ecológico-comunistas.

Fernández diz ter combinado com Lula a restauração da esquerda no continente.

Tirar Lula da cadeia, no Brasil, foi um de seus objetivos antes de ser eleito presidente argentino. 

Argentinos reagem em grandes manifestações

Cristina Kirchner interfere no Judiciário para tirar seus colegas ideológicos do cárcere; e também se livrar, ela própria, de graves processos de corrupção.

Alguns recuperaram grandes posses, e o mais famoso ‘laranja’, que tentou voltar da prisão a um condomínio de luxo, fugiu com seu carro apedrejado pelos moradores.

Unânimes protestos denunciam a investida contra a Vicentín e a libertação de prisioneiros célebres pela corrupção.

Assumem a defesa da liberdade de expressão, do direito de propriedade privada, da independência do Judiciário e contra a China comunista, entre muitos outros motivos.

Generaliza-se a impressão de que a pandemia está sendo explorada para fazer uma ‘infectadura’ — ditadura ideológica de esquerda.

Houve “panelaços” até em bairros de Buenos Aires sem nenhuma ligação com o meio rural, grandes carreatas nas cidades e uma avalanche de críticas nas redes sociais.

Um dos 'banderaazos' contra o populismo esquerdista do governo, Buenos Aires

Fernández reagiu com petulância contra a indignação popular, mas a opinião pública entendeu que o confisco de uma empresa gigante como a Vicentín precederia ofensivas gerais contra a propriedade privada de pequenas e médias empresas comerciais e industriais, e também contra patrimônios familiares ou pessoais.

No fim, o presidente fez humilhante pedido de desculpas: “Não sou um doido varrido, não trago comigo uma caderneta com ordens de expropriações.

“Pensei que iriam festejar. Errei. Começaram a me acusar de coisas horríveis.

“Dizem que sou um chavista, que só quero expropriar”, afirmou à rádio esquerdista “La Patriada”.

São incontáveis os rumorosos e coloridos “buzinaços”, “caçarolaços”, bloqueios de estradas contra os anúncios do governo.

O público conservador parecia não ter consciência de quão numerosos são os argentinos que estão protestando.

Tão logo se deu conta disso, marchou para os prédios simbólicos e históricos, avenidas, estradas, monumentos.


Uma maré de manifestantes envolveu durante horas a Casa Rosada e a residência presidencial, chegando a assustar o governo populista.

A vice-presidente tem ordem de prisão confirmada pela Corte Suprema, por isso tentou um imenso trambique rotulado de “reforma do Judiciário”, visando redistribuir cerca de 1.300 juízes a fim de se livrar dos magistrados que a processam por um gigantesco caso de corrupção.

Mas um imenso ‘banderaço’ tomou conta da Argentina, especialmente diante da Corte Suprema de Justiça em Buenos Aires (equivalente ao nosso STF), conseguindo anular o golpe judiciário kirchnerista.

No dia 17 de outubro o governo organizou um ‘contra-banderaço’, com pífia adesão popular.

Para dar a impressão de grande apoio, divulgou foto mostrando uma colossal manifestação.

Mas a foto era da manifestação anterior, ou seja, da oposição! A fraude era tão evidente, que até se esqueceram de remover da foto o boneco inflável de Cristina Kirchner com roupas de prisioneira.

O comentário geral é que o governo está perdendo o domínio das ruas, e começa a atropelar para seguir adiante. 

Invasões de propriedades particulares

Propriedades urbanas e rurais vêm sendo invadidas, com garantias fornecidas por juízes ideologizados, usando slogans ditados pelo Papa Francisco aos ‘movimentos sociais’.

Em Guernica, periferia de Buenos Aires, uma área de mais de 100 hectares foi invadida por 2.000 pessoas, com táticas do MST brasileiro. Acabaram sendo despejados após intérminas e inexplicáveis demoras de uma Justiça que cada vez menos é vista como imparcial.

Casa de férias incendiada por supostos mapuches perto de Vila Mascardi, Patagônia

Na turística Villa Mascardi, colada a um lago patagônico, supostos indígenas mapuches mascarados invadiram e devastaram uma bela área repleta de residências particulares, do Exército e da diocese local.

Chegaram encapuçados, em caminhonetes do Instituto Nacional de Assuntos Indígenas (equivalente à FUNAI, no Brasil) e carros com placas chilenas, e começaram a derrubar árvores centenárias sobre as casas, incendiando-as em seguida.

Praticaram mais de 100 assaltos, agressões, ameaças. Num auge de perversidade, fecharam a única estrada que serve à cidade vizinha.

Os moradores removeram o bloqueio, mas foram indiciados por um juiz cúmplice dos promotores das violências.

A iníqua decisão foi anulada por tribunal superior, mas ficou criada uma área de tensão social (“Clarín”, 8-10-20).


Autodenominados 'mapuches' profanam paróquia El Bolsón, perto de Bariloche

Um mês depois invadiram a paróquia de El Bolsón, perto de Bariloche e profanaram sacrilegamente o Santíssimo Sacramento, emporcalharam as imagens de Nossa Senhora e Jesus Crucificado, arrebentaram a mobília e surraram ao pároco.

Em sua propriedade, uma família foi sitiada pelos “indígenas”.

Em Buenos Aires, pequenos proprietários defenderam-se, usando armas de fogo contra os invasores. Na província de Entre Rios seguidores do invasor preferido do Papa Francisco ocuparam pela violência a fazenda do ex-ministro de Agricultura.

A reação dos proprietários da região foi massiva e espantou até a Conferência Episcopal que condenou o brutal uso da força por parte dos invasores que deixaram um altar montado para missas revolucionárias mas que mais pareciam um local de culto macumbeiro.

A impunidade do crime e os atropelos ideológicos descolaram o governo até dos setores que nele votaram.

Mas esse neochavismo parece aguardar que o contra-ataque esquerdista cresça em países vizinhos e em outros que possam influenciar a Argentina.

Notadamente, torcem por transformações no Brasil, e festejaram a derrota do presidente Trump nas eleições presidenciais americanas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

As esquerdas e o Ódio aos Eucaliptos - por Janer Cristaldo

"Notícia de Jornal Velho" não se joga fora, pois é um registro de assunto que passa a fazer parte da memória nacional, portanto, sempre continuará servindo como subsídio para instruir ações do presente e do futuro de uma nação.

Coronel Jorge Baptista Ribeiro
O escritor e jornalista Janer Cristaldo nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito e Filosofia e doutorou-se em Letras Francesas e Comparadas pela Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris III). Morou na Suécia, França e Espanha. Lecionou Literatura Comparada e Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina e trabalhou como redator de Internacional nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Faleceu no dia 18 de Outubro de 2014.
Terça, 14 Março 2006 21:00

As Esquerdas e o Ódio aos Eucaliptos
por Janer Cristaldo
Os depredadores da Aracruz foram coerentes com a boa doutrina marxista. Abaixo a ciência! Longa vida – e muitas verbas estatais – ao obscurantismo!
As esquerdas odeiam eucaliptos. Descobri isto há uns bons trinta anos. Eu vivia em Florianópolis e passeava pela ilha com uma amiga que havia descoberto o marxismo, depois de velha, em Berlim. Ao passarmos por um “caliperal”, como dizem os ilhéus, ela me bombardeou com invectivas contra os eucaliptos. Que era uma árvore alienígena, que destruía a flora nativa, que destruía a agricultura, só faltou dizer que era uma árvore imperialista. Eu, que havia nascido sob frondes amigas de eucaliptos, que sinto cheiro de infância quando esmago folhas de eucalipto nas mãos, estava perplexo. Seu ódio aos eucaliptos nascera em Berlim, nos anos 70. Não por acaso, na época em que a pasta de celulose derivada do eucalipto surgira pela primeira vez em escala industrial. Em conversas ocasionais com gente de esquerda, sempre constatei esta ojeriza aos eucaliptos. Antes de a indústria da celulose tê-los descoberto, ninguém os odiava.
Duas mil mulheres de um movimento ligado ao MST, o tal de Via Campesina, comemoraram o Dia Internacional da Mulher destruindo um laboratório e um viveiro de mudas de eucaliptos da Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro (RS). Vinte anos de pesquisa e alguns milhões de dólares foram jogados ao lixo. Último resquício aguerrido de um marxismo que já é cadáver em países desenvolvidos, o MST desde há muito tenta empurrar o País rumo às trevas dos regimes comunistas. As viúvas do comunismo alegam que o eucalipto estaria transformando o campo em um deserto verde. O oxímoro é típico de europeu, que não conhece a geografia do Sul. A pampa gaúcha, uruguaia e argentina sempre foi um deserto verde e jamais ocorreu a celerado algum destruir a pampa. Felizes os povos que desfrutam de desertos verdes.
Não por acaso, assessoravam as invasoras representantes da Noruega, Canadá e Indonésia, mais um representante do País Basco, que atende pelo basquíssimo nome de Paul Nicholson. Em Porto Alegre, planejaram a depredação hospedados no hotel Sheraton, sob as barbas do governo gaúcho, ora ocupado interinamente por um arrivista oriundo do PT, que nada fez nem nada fará para punir os apparatchicks estrangeiros. Mas que têm a ver estes senhores das antípodas com pesquisas sobre eucaliptos no Rio Grande do Sul?
Antes da resposta, ouçamos o deputado marxista Roberto Freire, para quem o MST pode ser tudo, menos comunista. "O comunismo é filho do iluminismo, uma corrente de pensamento que acredita no progresso da ciência como forma de minorar os males da humanidade. Destruir lavouras experimentais e laboratórios científicos nada mais é do que obscurantismo."
O deputado mente descaradamente. O marxismo sempre foi inimigo da ciência e do progresso da ciência. Roberto Freire não nasceu ontem e sabe muito bem quem foi Trofime Denisovitch Lyssenko, o agrônomo que pretendeu submeter os genes ao pensamento dialético de Marx. Através de experiências truncadas com pinheiros e rutabagas, proclamou que a aparição de caracteres novos transmitidos pelo organismo à sua descendência depende do meio, isto é, que os caracteres específicos adquiridos podem ser deliberadamente transmitidos. Sua ascensão foi imediata e ele se tornou presidente da Academia de Ciências Agronômicas. A ciência se divide então entre ciência burguesa e proletária. Finalmente a genética fora liberada do império da política reacionária. Os "mencheviques idealistas" que não aprovavam os resultados foram excluídos da Academia, transferidos e mesmo deportados para a Sibéria. A menos que reconhecessem publicamente seus erros. Stalin reconheceu o embuste como verdade de Estado e os comunistas de todos os países do mundo adotaram os absurdos de Lyssenko como artigos de fé. Pena que os gens não estavam de acordo com a doutrina de Lyssenko. A agricultura soviética nos anos 40 foi pras cucuias.
Filho do iluminismo terá sido também o marxismo de Mao Tse Tung, que promoveu nos anos 60 a “grande caçada aos pardais”. Segundo o Grande Timoneiro, o pardal seria o vilão das deficiências da agricultura chinesa. A brilhante mente científica de Mao ordenou a milhões de chineses que perseguissem os pardais batendo latas e tambores, para que não repousassem um segundo, o que os levou à morte por exaustão. Com o pássaro quase extinto, os insetos aproveitaram o campo livre e destruíram a lavoura. A fome se abateu sobre a China provocando a morte de milhões de chineses.
Que não venham velhos comunistas falar de filiações iluministas. O marxismo, como toda religião dogmática, sempre foi hostil à ciência. Prova disto são as constantes invasões e depredações de laboratórios e culturas transgênicas promovidas pelo MST. Métodos científicos sempre facilitarão a agricultura, exatamente o que os comunistas não querem, para não perder a bandeira.
Volto aos eucaliptos. Entre as espécies utilizadas para a produção de celulose, o eucalipto é hoje a mais rentável. Seu ciclo de crescimento é de sete anos, em contraposição às coníferas do litoral americano, que levam quase um século para amadurecer. O choupo, outra matéria-prima da celulose americana e canadense, só atinge sua altura plena após 15 anos. Se as florestas dos Estados Unidos rendem entre dois e três metros cúbicos madeira por ano, as cultivadas pela Aracruz rendem, no mesmo período, 45 metros cúbicos. Ou seja, a indústria da celulose a partir do eucalipto é extremamente competitiva.
Em outubro do ano passado, cerca de 300 índios tupiniquins e guaranis, reivindicando terras indígenas, ocuparam três fábricas da Aracruz Celulose S/A, em Aracruz, ES. Para dar apoio a justa causa indígena, um ônibus com estudantes saiu da Universidade Federal do Espírito Santo, entre eles – atenção! – dez noruegueses. Sobre a depredação do centro de pesquisas gaúcho, disse o “basco” Paul Nicholson: “As mulheres da Via Campesina se mobilizaram em Porto Alegre contra o modelo de agricultura neoliberal e da monocultura”.
Vamos a alguns fatos. Segundo a FAO, a produção mundial de celulose atingiu 162 milhões de toneladas em 1999. Estados Unidos e o Canadá responderam com 52% do total produzido. A Noruega hoje exporta cerca de 90% de sua produção de celulose e papel. A Indonésia, principal exportador de celulose de fibra curta da Ásia, tem 70% de seu território coberto por florestas, num total de 143,9 milhões de hectares. Não me parece necessário ter a intuição de um Sherlock para perceber porque um “basco” chamado Paul Nicholson, mais representantes do Canadá, Noruega e Indonésia, coordenam a depredação do laboratório gaúcho. Desde há muito instituições católicas européias – Misereor e Caritas, entre outras – vêm financiando o MST para destruir a estrutura agrária do País. Agora são os cartéis do papel que injetam recursos na guerrilha católico-marxista brasileira para destruir uma indústria que representa cerca de 5% de nosso PIB e dá emprego a 2 milhões de pessoas.
Segundo Aurélio Mendes Aguiar, pesquisador da Aracruz, foram destruídos no ataque dezesseis clones de alta produtividade, duas mil mudas de pesquisa que seriam testadas nos próximos quinze dias, cerca de 50 matrizes (as plantas de melhor qualidade genética, selecionadas para cruzamentos), além de um milhão de mudas comerciais. O banco de germoplasma do laboratório, biblioteca biológica onde são preservadas as sementes para uso em melhoramento, também foi destruído. "Se fôssemos realizar todos os cruzamentos de novo, levaria no mínimo cinco ou seis anos. Alguns nunca mais serão possíveis, porque as matrizes não existem mais", diz Aguiar.
Antônio Hohlfeldt, governador em exercício do Rio Grande do Sul, qualificou o ato de "provocação e bandidagem". E nisto ficamos. O pusilânime governador xinga os bandoleiros, aliás financiados por seu próprio governo e pelo governo federal, e dá por cumprido seu dever. Por este atentado contra a pesquisa científica ninguém será punido. Palavra de velho petista.
Os depredadores da Aracruz foram coerentes com a boa doutrina marxista. Abaixo a ciência! Longa vida – e muitas verbas estatais – ao obscurantismo!

Obs.:
"Notícia de Jornal Velho" é o que a esquerda tenta, diariamente, destruir, seja pelo silêncio escandaloso, seja por apagar sistematicamente artigos e imagens da Internet e do Youtube que depõem contra ela.
Abaixo, um exemplar de true news que a esquerda chama de fake news, e que ela daria até a alma para o diabo para ver soterrada tal vilania para sempre.

F. Maier


AGROTERRORISMO - Petistas Acusados de propagar praga do Cacau