MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião que passou no dia 31 de março de 2014 pela orla carioca, com a seguinte mensagem: "PARABÉNS MILITARES: 31/MARÇO/64. GRAÇAS A VOCÊS, O BRASIL NÃO É CUBA." Clique na imagem para abrir MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Sobre nacionalisteiros babacas e socialistas retrógrados - Por Félix Maier


Sobre nacionalisteiros babacas e 
socialistas retrógrados

Félix Maier


Brasília, 5 de abril de 2006.

Prezado Coronel Roberto,

“Sem ódio e sem preconceito” era a máxima do historiador romano Tacitus. Sempre procuro seguir esse conselho quando escrevo alguma coisa, embora às vezes me sinta na obrigação de usar algumas palavras mais pesadas, ainda que não injuriosas, como “babacas” ou “asnos”. Não se trata de raiva, nem de ofensa, como o senhor disse. O que escrevi é fruto de uma simples constatação, que qualquer sujeito de inteligência mediana, como a minha, poderá facilmente comprovar. Apenas, o modo como me expressei está carregado um pouco “cum grano salis”, o que é ótimo, já que o humor tem a grande virtude de desmontar muitas idiotices, expondo o ridículo da situação.

Na AMAN não se ensina mais Gê Révo (Guerra Revolucionária). A ESG, considerada antigamente a “Sorbonne brasileira”, no dizer do embaixador José Osvaldo de Meira Penna, hoje transformou-se numa madrassa petista, polvilhada de comunistas cretinos e nacionalisteiros babacas, os quais, depois do desmonte da União Soviética, vêem nos EUA o inimigo comum a combater. Em resumo, foi isso o que eu afirmei em mensagem enviada ao senhor, Cel Roberto, a Miss Grace (Graça Salgueiro) e a mais alguns amigos. Por que tanto ranger de dentes? A carapuça lhe caiu tão bem assim?

Embora eu não tenha falado nenhuma besteira, o senhor sentiu-se tremendamente ultrajado, disse que simplesmente iria me ignorar. Mas, apesar desse desprezo todo, V. Sa. perdeu um tempo precioso com este “imbecil” que lhe treplica agora, eu acho que até demais para uma nulidade como a minha, digitando 659 caracteres (com espaços) para escrever 107 palavras em dois parágrafos:

“Responderei a todos, exceto ao Sr. Feliz Meier, pois neste não vejo nem a competência, nem a compostura mínima indispensável para uma discussão sensata. (Vejam o que esse imbecil me mandou :’Pior do que comunista, só mesmo esses nacionalisteiros babacas, que acreditam em tudo..... Depois do desmonte da União Soviética, nossos valentes oficiais aprendem nas academias militares e na ESG que o inimigo agora a combater é Tio Sam’.)

Porque essa raiva e essas ofensas? Nesse senhor há muito tempo que eu já identifiquei a sua falta de conhecimentos técnicos, falta de compostura e a sua ideologia (digamos, transversa...) eu não apenas o desprezo, eu o ignoro.”


O senhor se refere à minha falta de competência e a meu despreparo técnico. Seria a falta de um melhor estilo literário para eu me expressar? Ou seria o seu preconceito decorrente de eu ser apenas um “pica-fumo” da reserva, formado numa escola de sargentos (Escola de Comunicações), não um acadêmico das Agulhas Negras, como o senhor? Ideologia transversa, que diabo é isso?

Não são meia dúzia de parágrafos que eu tenha escrito a respeito da nova doutrina esguiana e agulho-negrana que vão dizer se eu sou um ignorante ou não. Para o senhor ter uma idéia melhor do que penso a respeito do assunto tratado, sugiro que leia, de minha autoria, o ensaio “Nacionalismo e esquerdismo nas Forças Armadas”, escrito a pedido de Mídia Sem Máscara, em 2003, e publicado em Usina de Letras e no site do Prof. de Economia Ricardo Bergamini (
https://www.ricardobergamini.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=90:nacionalismo-e-esquerdismo-nas-forcas-armadas&catid=29:1964&Itemid=31). O texto não apresenta despreparo técnico, nem falta de competência, pois está amparado em extensa bibliografia, conseguida na Biblioteca do Ministério da Defesa e em livros gentilmente emprestados pelo coronel Sávio Costa, articulista de Mídia Sem Máscara, ao qual sou imensamente grato.

Lá, o Sr. verá – além das várias tentativas das esquerdas, de tomada do poder no Brasil - a diferença que há entre o verdadeiro nacionalista, que todos devemos ser, e o nacionalisteiro, aquele sujeito muitas vezes imbuído de boa-fé, outras vezes apenas um babaca, que pensa que está defendendo e ajudando o País, porém faz o contrário, promove o atraso da nação. JK foi nacionalista, fez o Brasil crescer “50 anos em 5”, trouxe a indústria automobilística estrangeira ao Brasil. Jango e Brizola eram nacionalisteiros, anti-americanos, ambos sistematicamente contra a entrada de capital estrangeiro. Nem por nada que Fidel Castro escolheu Brizola para ser o líder da contra-contra-revolução de 1964, quando o brancaleone dos pampas fez marchar, a partir de Montevidéu, seu “Incrível Exército de Brizoleone”, no dizer sagaz de F. Dumont (Cfr. em http://www.ternuma.com.br/brizola.htm - site inoperante, o texto pode ser lido em https://felixmaier1950.blogspot.com/2022/02/os-incriveis-exercitos-de-brizoleone.html). O pombo-correio pecuniário Havana-Montevidéu era Betinho, aquele mesmo, da ética e da fome, hoje considerado um santo (do-pau-oco). Como não soube explicar o sumiço de 200 mil dólares, Brizola foi apelidado por Fidel de el ratón. Castello Branco e Médici foram nacionalistas. Geisel foi nacionalisteiro. À semelhança da política externa terceiro-mundista de Lula, Geisel preferia ser o primeiro dos últimos a ser o último dos primeiros, o que seria mais útil ao País, torrando dólares em países comunistas como Angola e Polônia, ficando o Brasil com o “mico” que se tornou conhecido como “polonetas”.

Exemplos de burrices socialistas e nacionalisteiras temos às pencas. Alguns exemplos:

- Caso Farquhar: não fosse a burrice nacionalisteira, antes de 1920 já poderíamos ter no Brasil a primeira usina siderúrgica, que poderia ter sido construída pelo milionário americano Percival Farquhar, o qual construiu, entre outras obras, a estrada-de-ferro que uniu Porto União/PR a Marcelino Ramos/RS, à época concluída a toque de caixa, para melhor enfrentar os argentinos, caso entrassem em guerra contra o Brasil devido à perda do território oeste-catarinense (região do Contestado).

- Monopólio da Petrossauro: até hoje não somos auto-suficientes na produção e refino do petróleo e pagamos uma das gasolinas mais caras do mundo. Se é ruim o monopólio de empresa privada, muito pior é o monopólio de empresa pública, que ninguém fiscaliza, servindo para empregar a companheirada, em cargos inúteis e inócuos, e para realizar falcatruas diversas, como o “valerioduto” do governo Lula. (O mesmo caso se aplica ao Banco do Brasil, à CEF, aos Correios e demais autarquias, notórios antros da corrupção.) Foi a burrice histórica “o petróleo é nosso” e a conseqüente criação da Petrobrás que certamente acabaram com o “milagre” brasileiro, quando o óleo quadruplicou de preço da noite para o dia, em 1973, e não havia nenhuma outra companhia petrolífera, nacional ou estrangeira, para ajudar o Brasil a sair da armadilha que “patrioteiros” babacas criaram. A Argentina, que começou a produzir petróleo na mesma época que o Brasil, foi mais inteligente, abriu a prospecção, produção e refino de petróleo a companhias nacionais e estrangeiras e, em 5 anos, tornou-se auto-suficiente e exportador do produto.

- A famigerada reserva de informática: o Brasil, com essa política nacionalisteira babaca, da época do presidente Geisel, só conseguiu fabricar produtos caros e obsoletos, com peças pirateadas e contrabandeadas, atrasando nossa inserção digital no mundo em pelo menos 20 anos (fomos salvos por Collor).

- Caso ALCA: com um anti-americanismo primário e obsessivo, próprio de primatas, os nacionalisteiros caboclos, insuflados por esquerdizóides retrógrados, conseguiram adiar as discussões finais para a implantação da ALCA. Pode-se ser contra algum artigo do Acordo que porventura fira os interesses do Brasil, porém ser radicalmente contra o projeto, somente por ser norte-americano, é burrice pura. O México, ao entrar no NAFTA (acordo comercial feito com os EUA e Canadá), permitiu que inúmeras empresas americanas passassem a operar no país, onde a mão-de-obra é muito mais barata, garantindo emprego para milhões de pessoas, colocando o PIB mexicano acima do brasileiro em pouco tempo.

- Caso Alcântara: com a negativa de aluguel da Base de Lançamentos de Foguetes de Alcântara aos EUA, os esquerdosos irados e os nacionalisteiros babacas (desculpe o pleonasmo) apenas conseguiram que o Brasil deixasse de faturar, anualmente, alguns milhões de dólares. Sairiam ganhando o Brasil, com dinheiro no bolso, e os americanos, que economizariam cerca de 30% de combustível com a privilegiada posição de Alcântara, próxima à linha do Equador. A Ucrânia e a China passaram a ser bem-vindos na questão aeroespacial brasileira, os EUA não. Por quê? Questão de soberania nacional – repetem os comunas e os “patrioteiros”. Que soberania foi ferida? Os EUA exigirem segredo da parafernália que trariam para Alcântara é uma exigência do Parlamento americano, não da soberba de George W. Bush. Ninguém entrega segredos gratuitamente a países estrangeiros, a não ser os traidores. Aliás, não perdemos nossa soberania por deixar que embaixadas se estabeleçam em Brasília, portanto, em território nacional, onde somente podemos entrar como convidados. A propósito, convém lembrar que os símios esquerdosos e os asnos nacionalisteiros se uniram para acusar os EUA de serem os responsáveis pela explosão da Base de Alcântara, ocorrida em 2004, que deixou 21 mortos, quando se sabe que a tragédia foi apenas um acidente, devido à falta de segurança no local, não uma sabotagem dos “malditos ianques”. Ou seja, incompetência nossa, somente isso. Transferir responsabilidades a terceiros é próprio dos covardes. E dos incompetentes.

- Caso dos vistos para os EUA: o governo Lula passou a exigir vistos de entrada para americanos em visita ao Brasil, alegando o “princípio de reciprocidade”. Obviamente, é uma decisão caolha, que apenas dificulta o ingresso de ianques em nosso País, prejudicando o turismo. A absurda exigência lulana peca por tratar simetricamente uma questão assimétrica, pelo menos por dois motivos: 1) os EUA têm todo o direito de exigir o visto de entrada de cidadãos de países suspeitos com ligações com terroristas, como o Brasil que anda de braços dados com os narcoterroristas das FARC (sem falar da tríplice fronteira, onde há milhares de muçulmanos), principalmente depois dos ataques de 11/09/2001; 2) há milhares de brasileiros que anualmente entram clandestinamente nos EUA, como formigas atacando um ninho de abelhas, para tentar uma vida melhor, que lhes foi negada na República dos “Cumpanhêro”; é claro que os EUA têm todo o direito de evitar que uma enxurrada de estrangeiros, não só de brasileiros, entrem clandestinamente no país, que em pouco tempo se tornaria um imenso favelão. A recíproca não é verdadeira, pois os americanos que vêm ao Brasil são apenas alguns executivos, que chegam aqui para trabalhar em alguma multinacional, e os insistentes turistas que, apesar do entrave burocrático, ainda pretendem conhecer nossas belezas naturais, deixando aqui preciosos dólares. A decisão brasileira foi mais uma burrice nacionalisteira, pois trata igualmente os desiguais. Nem é preciso acrescentar a idiotice do Itamaraty, que excluiu a exigência da língua inglesa em concurso para diplomatas, por pura birra anti-americana. Por sorte, o governo Lula voltou atrás e a única língua realmente universal, o esperanto que deu certo, ou seja, a língua inglesa, voltou a ter sua devida importância no preparo de nossos futuros diplomatas.

Inveja socialista e burrice nacionalisteira, os grandes males do Brasil são.

Prezado coronel Roberto: depois desta minha exposição um tanto longa, tenho certeza de que nossas idéias são muito mais convergentes do que divergentes, pelo menos na questão do que é melhor para o Brasil.

Atenciosamente,

Félix Maier
Capitão QAO da Reserva, articulista de Mídia Sem Máscara.


***

Mensagem recebida do embaixador José Osvaldo de Meira Penna, quinta-feira, 6 de abril de 2006 19:50:03:

'Minha solidariedade com suas palavras, caro Felix, e obrigado por sua referência elogiosa à minha pessoa. Lamento profundamente o que está ocorrendo com minha querida ESG onde cursei em 1965 e posteriormente fiz várias conferências. A praga do esquerdismo jacobino virou nacionalismo tupiniquim anti-americano na mente da burritzia indígena...
Cordial Abraço
Meira Penna
www.meirapenna.org'


***

Mensagem recebida que resultou no texto acima:

De: Graça Salgueiro
Enviado: quarta-feira, 15 de março de 2006 17:32:40
Para: 'Olavo' , Félix Maier
Cc: 'Roxane'
Assunto: Para conhecimento

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Envio para conhecimento de vocês, porque penso que não receberam e o velho demente os cita nominalmente.
Abaixo a minha resposta, ainda sem réplica.
Abs, MG


Prezados colegas, Sr.ª Graça

'com a Verdade vós os vencereis'

A sr. ª Graça, responderei à parte, por respeitar seu trabalho e sua luta anti-comunista (imagino que tenha uma excelente equipe, pois sozinha não poderia dar conta de tudo o que comenta e traduz) e procederei assim porque já dei a ela várias explicações sobre a minha posição -- e ela sabe que sou RADICALMENTE contra os COMUNISTAS (de todos os matizes); mas SABE também que eu reconheço inimigos fora dessa maldita ideologia (ou, para ser mais exato, em 'ovos da mesma serpente', embora estes mereçam ser combatidos com igual energia, ou parecida). Mas sabendo que eles são tanto ou mais perigosos do que os seus irmãos (ou primos) comunistas.

Responderei a todos, exceto ao Sr. Feliz Meier, pois neste não vejo nem a competência, nem a compostura mínima indispensável para uma discussão sensata. (Vejam o que esse imbecil me mandou :'Pior do que comunista, só mesmo esses nacionalisteiros babacas, que acreditam em tudo..... Depois do desmonte da União Soviética, nossos valentes oficiais aprendem nas academias militares e na ESG que o inimigo agora a combater é Tio Sam'.

Porque essa raiva e essas ofensas ?? Nesse senhor há muito tempo que eu já identifiquei a sua falta de conhecimentos técnicos, falta de compostura e a sua ideologia (digamos, transversa...) eu não apenas o desprezo, eu o ignoro.

Primeira observação: devo dizer aos senhores que NÃO dou a mínima, se gostaram ou não do que eu escrevi à Sr.ª Graça (respeitosamente, é claro) e mandei a minha objeção à crônica 'A Armadilha' de Jeffrey Nyquist -14 de março de 2006 - em correspondência pessoal, com cópia apenas para o Cel CABU; a este, porque o conheço desde o tempo em que eu era chefe da Seção de Legislação do Estado Maior do Exército, e ele era, se não me engano, adjunto da Seção de Adidos Militares (depois parece que foi para o Gabinete do Chefe do EME).

Portanto, a primeira indelicadeza que lhes debito aos senhores, é essa a de se intrometerem em um comentário despretencioso que fiz em uma correspondência pessoal sobre uma crônica alheia, com a qual concordei em parte, exceto no que diz respeito ao 11/set.

Mas, vou responder aos senhores que me incresparam a TODOS - porque creio que são militares profissionais respeitáveis. O Sr. Azambuja, talvez não seja militar, mas é muito competente nas Análises típicas de Inteligência na sua especialidade (a subversão comunista, sua história, personagens, etc.) na qual ele é realmente muito bom e parece ter uma experiência importante. Mas o mundo NÃO É SOMENTE IDEOLOGIA....doutor ... (voltarei ao assunto)...

Vou explicar-me:

Eu concordei em parte com a análise que deu origem a essa reação, 'A Armadilha' (a outra, do Sr. Olavo, eu nem opinei ainda porque já me acostumei a ler das suas crônicas apenas a argumentação CONTRA os comunistas e simplesmente ignorar as ofensas que faz aos 'nacionalistas', quase sempre militares mais velhos como eu... e, com isso, ele nos prejudica e à nossa causa comum (em termos) ridicularizando-nos e injuriando, o que é uma atitude muito imprópria para um 'filósofo'... e estranha...

Como estou voltado para outro trabalho MUITO mais importante do que qualquer pendenga, vou levar algum tempo para responder a todos (foram três as reclamações)

Segunda observação: embora achando parte do artigo correto, opinei que na parte em que acusa -- sem as devidas e prudentes dúvidas -- o terrorista Bin Laden, de ter sido o chefe do ataque de 11/set., eu (e muita gente respeitável) tenho UMA MONTANHA de dúvidas, a começar pelo ataque ao Pentágono, fato do qual EU TENHO provas de que NÃO foi um avião.

E, somente isso, já deveria colocar sérias dúvidas sobre os outros 3 (?) ataques... e o material que eu consegui acumular (e apenas incubar, mas não processar devidamente) sobre os ataques, tem valor probatório variado (e ainda é F-6), mas que creio POUCOS dos senhores provavelmente sequer sabem que existem. E eu 'acho' que NÃO foi Bin Laden, o chefe dessa operação, porque NINGUÉM consegue coordenar - a começar pelo longo planejamento, aquisiçõeas de cartas, escolha dos alvos, longa preparação da execução (com apredizados de pilotagem, etc,.escoljha de rotas a segir, etc.); e muito menos comandar à 'conduta de combate' ao longo do próprio ataque, desde a escolha da data D e Hora H do ataque, a cronometragem do ataque, talvez até variar os alvos -- porque, a cada passo, existem decisões que DEVEM ser tomadas imediatamente -- e isso, NÃO pode ser feito entocado em um buraco no chão a mais de 15.000 kms, sem farto equipamento de telecomunicação e de cifragem das mensagens. (E sem que o Echelon dos EUA plotassem o enorme tráfego de comunicações..). Se os senhores são oficiais de Estado Maior e já comandaram pelo rádio (como eu) uma operação a cerca 1.200 kms (apenas) - Belem até Cachoeira Porteira, e depois até Entroncamento, e depois até Uai Uai na margem do rio Cafuini (um dos formadorse do rio Oriximiná/Trombetas ), com apoio aéreo de helicóptero de outra força, SABERIAM que o Chefe NÃO foi Bin Laden (talvez o mandante SOMENTE, ou o autor intelectual, talvez; mas NADA MAIS) NÃO O CHEFE da OPERAÇÃO. Saberiam que, DEVE ter existido um CENTRO DE COMANDO muito bem equipado e solidamente instalado em um ponto lógico, e com equipamento variado e adequado, bem próximo da Zona de Ação... e isso amigos, NUNCA

SEQUER foi investigado.....

A minha restrição à dita crônica, REPONSÁVEL por essa furiosa (e suspeita) reação -- contra a minha opinião, acabou sendo também à minha pessoa e as dúvidas são (em última análise) quanto à minha ideologia. E essa grave injustiça já tentei responder ao Cel Sávio (que eu havia confundido com o Gen Sávio). O primeiro comandou o 13º BIB de Ponta Grossa e eu conheço muito pouco de sua vida e méritos; quanto ao gen Sávio, sei que foi um excelente analista do CIEx , embora eu não tenha convivido com ele, porque trabalhamos no SISNI em épocas diferentes, mas tenho sobre ele ótima impressão (e conheço dele crônicas muito favoráveis). O outro Sávio, é apenas um colega a mais - e nem teve a delicadeza de acusar o recebimento de uma explicação parecida com esta que lhe enviei, embora mais imprecisa e menos extensa.

Não gosto de falar de mim - mas como levantaram dúvidas quanto à minha 'boa fama e o meu bom nome' -- e achar que eu simpatizo com os comunistas, ou que dou a eles qualquer benefício, só pode partir de uma avaliação MUITO incorreta dos companheiros, ou -- sinto muito -- de uma cavalar incompetência profissional, na especialidade que PENSAM que são os maiores analistas (inclusive o Dr. Olavo, que - salvo seu anti-comunismo, que beneficia nossa luta comum -- faz colocações que me fazem duvidar de sua 'filosofia', e eu o tenho poupado de réplicas para NÃO PERDER TEMPO, nem acabar beneficiando os nossos principais inimigos, embora existam outros MUITO PERIGOSOS que nem ele nem a Srª Graça conseguem ver.

Porque minha opinião pode ser acolhida - senão com concordância -- ao menos, sem qualquer restrição ideológica ?

- Primeiro, pelos meus dados biográficos: AMAN/Artilharia -1950; EsAO - 1960; ECEME- fev1963/dez 1965 (3 anos); casado há mais de 42 anos, 09 filhos, 12 netos. Comandei duas Unidades - uma em BSB, 1ª/4º GCanAuAAé-40 que eu transformei em Grupo (agora 32º GAC); e o 5º GACAP, em Curitiba/ PR (no Boqueirão). Fiquei no EB 38,2 anos, fev 46/abr 84;todas as promoções pelo critério de 'merecimento'.

- 8 condecorações nacionais sendo 3 Órdens do Mérito, duas no grau de oficial, e 2 estrangeiras (Comendador de la Orden de Los Servicios Distiguidos - do Governo do PERU - Pres Belaunde Terry - 1981) - e Comendador de la Orden de Bolognesi (o Caxias deles) do Ejercito del Peru (a primeira por ter participado como representante do Brasil e Coordenador das Operações de Paz na Cordilheira Del Condor, em 1981, no conflito entre o Peru e o Equador, arbitrada pelos Países Garantes do Protocolo do Rio de Janeiro (Brasil, EUA, Chile e Argentina); e a outra por ter sido Adido Militar do EB, (normalmente eles dão essa condecoração no grau de oficial; para mim deram no grau de Coendador, não sei exatamente porque, talvez por ter voado na Cordilheira del Condor impedindo o alastramento do conflito de 1981 - (anos mais tarde esse mesmo conflito foi pacificado usando um General brasileiro e um efetivo de 42 homens...)... (eu, nem consegui computar as inúmeras horas de vôo sobre a Cordilheira del Condor ...)

- Segundo, baseado em minha idade já provecta (vou fazer 80 anos em julho) portanto, não seria agora que iria tentar esconder meus pensamentos, menos ainda minha ideologia que a maioria dos meus pares, ESTES SIM, a conhecem de sobejo - (sou nacionalista radical e anticomunista mais RADICAL ainda) - quanto a ESTES, sim, eu dou a maior importância aos seus conceitos... a dos outros,.nem tanto.

-Terceiro - também, na minha MUITO longa experiência em Análise de Inteligência DE QUASE 25 ANOS (sendo cerca de 10 anos para o EB - assim cumpridos = como Fundador e 1º Chefe da AMA/SNI - (Zona de Ação - Amazônia Ocidental) 3,6 anos; como Chefe do EMR/8ª RM (Belém)(ZA, Amazônia Oriental) e, portanto, também Chefe do CODI/8 por pouco menos do que 3 anos; como E/2 da 5ªRM/DE mais 1,2 anos; e como Adido do EB em LIMA/ Peru mais 2,2 anos (nov79/dez81), missão em que escrevi muitas análises, além dos RPI e das INs do PNI, e de uma Apreciação Estratégica sobre o PERU (documento obrigatório a cada 2 anos) e tendo participado também de duas Conferências Bilaterais de Inteligência (uma na sua preparação e execução; e a outra apenas na preparação, pois minha missão terminou antes) - nelas fizemos estudos variados, trocando experiências e dando atenção especial ao Sendero Luminoso que nascera há pouco; e eu, em dez. 1981, quando minha missão de adido terminou, já havia informado ao Ch CIEx deles (Gen Olivera) que o Sr. Abimael Guzmann era o líder maior do Sendero - mas eles só acreditaram nisso 8 anos depois).

Além dessa experiência, trabalhei no meio civil (sempre convidado, nunca postulado) mais de 15 anos , fazendo Análises típicas de Inteligência para órgãos e entes civis, assim cumpridos = 1,2 anos como Chefe do SEREG/7da Petrobrás (RGS) (irrelevantes, pois a atividade do SEREG era muito restrita a LDBs, e pequenos Relatórios); em seguida, mais 7,5 anos para o 'Conselho Paranaense da Livre Inciativa' (primeiro como Assessor e, depois, como Chefe da Assessoria), fazendo análises durante a Constituinte Federal de 87/a 88 (para o 'Centrão' e para as Federações Patronais do PR); ainda no Conselho, durante a Constituinte Estadual de 1989/90, como Consultor Externo, fazendo análises sobre as propostas das esquerdas e sugerindo Emendas para o Relator da Comissão de Sistematização do PR (Dep Caito Quintana - hoje, chefe da Casa Civil do Gov Requião); a seguir, ainda no Conselho, durante a elaboração das Leis Orgânicas dos Municípios Paranaenses (a pedido do Instituto Liberal) - e, finalmente, na Preparação da Reforma Constitucional de 93 (que acabou não havendo), promovendo 'Colóquios Técnicos' sobre as PECs do interesse da inciativa privada e dos Presidentes das Federações Patronais. Após isso, até julho de 95 (quando tive um enfarte) o Conselho continuou fazendo Análises por meio de Relatórios Periódicos e por Documentos especiais tais como sobre o Mercosul, sobre a Abertura do Mercado Interno pelo Collor (início da fatídica 'globalização'); sobre a Política Macroeconômica suicida; sobre as Privatizações, etc,.. Da maioria desses documentos tenho cópias, algumas atualizadas, outras não.

Por que tudo isso ? Para poder com credibilidade mostrar aos senhores que NÃO SOU simpatizante dos 'esquerdistas' de qualquer matiz, e para provar que NÃO faço análises de uma folha apenas - mas sim

Estudos muito detalhados e que TENTAM provar de forma competente o que eu, depois de muito tempo de análises e integrações dos dados, conclui (quase sempre como Relator, ajudado por uma equipe, é claro). Por isso remeto em ANEXO um dos Estudos, com uma atualização mais recente ao final. E vou mandar mais dois, em E-mail simples, para que vejam o tipo de Estudos que faço, MUITO DIFERENTES

das breves análise (aliás, quase TODAS EXCELENTES) que os senhores fazem e que me beneficiam com informações em nichos de conhecimentos que NÃO DOMINO..

Saudações nacionalistas

Cel. Ref EB Roberto Monteiro de Oliveira


PS-1.: espero que os colegas tenham a honestidade intelectual suficiente e a paciência bastate para lerem INTEGRALMENTE os ANEXOs que lhes mandarei.

PS-2 - Querido irmão Rolins envio-lhe também esta catilinária - embora V nada tenha a ver com essa pendenga -- porque assim, lhe relato (como me pediu) a parte principal do meu roteiro na vida militar ...

E não sei como não nos 'pechamos' por aí, pois V também serviu bastante tempo na Amazônia....

'Prezados colegas, Sr.ª Graça

'com a Verdade vós os vencereis'

A sr. ª Graça, responderei à parte, por respeitar seu trabalho e sua luta anti-comunista (imagino que tenha uma excelente equipe, pois sozinha não poderia dar conta de tudo o que comenta e traduz)...'

***

Prezado Cel Roberto,

Quero somente responder a esta sua iluminada suposição: não; não tenho NENHUMA equipe me 'ajudando' a comentar ou traduzir o que quer que seja. Faço tudo sozinha e respondo as mensagens no momento em que as leio, sem necessidade de gastar tempo em pesquisas.

Tenho sim, uma EXCELENTE equipe de estudos e trabalho sério, cujos integrantes também fazem parte do Mídia Sem Máscara e o Olavo em particular, UM MESTRE, cujos saberes o sr. tanto desdenha.

Faço traduções e escrevo SOZINHA, pois não vejo necessidade de buscar apoios para fazer comentários óbvios que qualquer um de nós (destes estudiosos) que LEU de verdade vastíssima bibliografia, estudou com seriedade e afinco, não tenha aprendido de fato.

Não tenho, como o sr., qualquer necessidade de divulgar minha biografia, meus cursos feitos ou meus saberes; a quem interessa saber, estes já sabem.

Se para o sr. é difícil imaginar que uma mulher possa ter competência e seriedade suficiente para fazer o trabalho que eu faço SOZINHA, repito, e sem pedir socorro aos amigos a cada resposta de e-mail, nada posso fazer. Inteligência, caro Cel Roberto, é um privilégio, quando se sabe fazer bom uso dela.

Talvez, as ilustres damas do seu convívio necessitem desse apoio para sentirem-se 'inseridas no contexto'. Não tenho o espírito de manada, tão comum em adolescentes e em 'coletivistas'.

Atenciosamente, MG




Obs.:
MG - Miss Grace, ou seja, Graça Salgueiro.
F. Maier

***

Correio Braziliense - 20/9/2010

Acordo de cooperação militar com os EUA

PAULO RICARDO DA ROCHA PAIVA - Coronel de Infantaria e Estado-Maior

A exposição em televisão da Estratégia Nacional de Defesa (END) pelo ministro da pasta pertinente, contemplando plano para o reaparelhamento das Forças Armadas, chegou a produzir alento promissor para a auto estima dos brasileiros, acostumados a engolir sapos em decorrência do descompasso entre a projeção econômica alcançada pelo país, oscilante entre a 5ª e a 8ª posição no ranking mundial, e a ignominiosa fragilidade em termos de capacitação no campo militar, que o impede, mesmo, de garantir a posse dos seus invejáveis e cobiçados recursos naturais.

Eis que, novamente anestesiados por falta de compromisso anacrônica, repetindo os desatinos perpetrados no governo de FHC, acertamos de forma subserviente e, no mínimo, suspeita, uma cooperação militar justo com o “irmão Caim do Norte”, a maior potência militar do planeta, que nunca escondeu as suas expectativas para o futuro da nossa grande Região Norte. E isso de maneira intempestiva, posto que ainda não estão criadas condições para segura e confiante decolagem de uma indústria de material bélico que seja consentânea com o projeto defensivo estratégico visualizado para o país.

Em realidade, o ajustado representa retrocesso ao basta que se deu em 1977 a um processo humilhante de aquisição de material ultrapassado, agora transmudado para cooperação nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico, segurança tecnológica e aquisição de produtos e serviços de defesa. O fato é que, da noite para o dia, as medidas paliativas de compra de helicópteros, submarinos e de caças, uma forma de calar a boca das nossas indefesas legiões, passaram a representar ainda menos para o real, emergencial e urgente rearmamento de que a nação carece, não para hoje, mas para ontem.

Aliás, amadorismo, falta de visão prospectiva e miopia estratégica é o que tem sobrado nos acordos pertinentes à área da defesa, todos na contramão de ensinamentos comezinhos de Sun Tzu, o de abril deste ano evidenciando, deve ser dito, uma intenção velada de abortamento do embrião de posição político-estratégica de defesa nacional anunciada pelo Ministério da Defesa. Que não se duvide:, o que falta em nós sobra neles de esperteza, aplicados que são na observância pura e simples, mas, sobretudo, onipresente, dos princípios do grande mestre da guerra.

Alerta! A intenção de ingerência por parte das grandes potências militares em nosso gigantesco manancial hídrico sempre foi alardeada pelos seus líderes, sendo de todo interesse deles a manutenção de um Brasil fragilizado.

Se o senhor Jobim tivesse escutado as chacotas dirigidas aos cadetes de Agulhas Negras, chamados pelos seus colegas de West Point de “matadores de índios”, quando em visita àquela academia, por certo sua presença de espírito acurada não olvidaria o fato de que parte significativa da sociedade americana está sendo condicionada para um tipo de confrontação que tem tudo a ver conosco.

Mas quero acrescentar que nosso cadete, altivo, não baixou a crista e retrucou: “Na Amazônia podem até entrar, quero ver sair!” É lamentável. A fé dos jovens soldados não é respaldada por gestões tão promissoras, em termos de quebra de tabus, tão propelentes no sentido de posturas independentes de pressões alienígenas, mais preocupadas com os “problemas de enfrentamento” por que passarão nossos filhos e netos fardados. Enfim, o sonho acabou, ruiu a crença na recuperação do esmaecido orgulho nacional. Não seria hora do profissional das armas, aquele previdente com mais de 4O anos de serviço, bacharel, mestre e doutor em ciências militares, ser cumulado com a primazia em pasta tão peculiar?

Obs.: 

O autor do texto acima não disfarça seu antiamericanismo. Faz parte do país da jabuticaba o fato de muitos militares serem nacionalistas, melhor dizendo, nacionalisteiros. Aliás, o maior problema brasileiro é a união de nacionalisteiros babacas com socialistas retrógrados - Cfr. sobre o assunto em https://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=58583&cat=Artigos&vinda=S.  

Félix Maier


quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Rápido no gatilho... Por Félix Maier


Rápido no gatilho...

Félix Maier

Nesse ano (2024) de campanhas eleitorais para escolher prefeitos e vereadores em todo o Brasil, há críticas de que em São Paulo o nível dos debates entre os candidatos a prefeito está péssimo.
Pudera!
O município tem o formato de uma pistola pendurada no coldre à cintura, pronta para ser sacada.
Assim, está explicado o clima de cowboy que sobressai nos debates de TV.
Nesse faroeste, um tal de Pablo Marçal parece ser o mais rápido no gatilho...


segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Maria das Dores de Mil Amores - Por Félix Maier

 



Maria das Dores

de Mil Amores


Félix Maier


Oh, Maria das Dores, de mil amores,

Com muito fervor, viveste a sorrir.

Nos primores da vida, soubeste florir,

Com vigor, paixão, muitos sabores.


Em teus amores, sem medo ou pudor,

Foste livre, sem tempo para te ferir.

Mas ao fim, no silêncio a se despedir,

Poucas flores te deram, sem odor.


E assim, partiste sem alarde, sem cor,

Sem saudades, sem ninguém sentir,

A vida te levou, como leva uma flor.


Maria das Dores, que soube existir

Nos sabores da vida, sem medo ou dor,

Agora repousas, sem mais seduzir.


quinta-feira, 22 de agosto de 2024

ASPECTOS HUMANOS DO DUQUE DE CAXIAS - Por Coronel Manoel Soriano Neto

    Caríssimos correspondentes!

    À aproximação do Dia do Soldado, remeto um singelo trabalho que visa a humanizar o Patrono do Exército Brasileiro. Pediria que o divulgassem.
   
O mais amigo dos abraços do

   Soriano 
 

 


 
ASPECTOS HUMANOS DO DUQUE DE CAXIAS

Manoel Soriano Neto (*)

    1. Considerações Iniciais


        Muito já se disse a respeito do Duque de Caxias. Entretanto, traços humanos personalíssimos e aspectos singulares da edificante existência do inigualável Soldado merecem ser rememorados. Assim, apresentaremos alguns registros, dignos de nota, relativos ao Homem-Caxias; à sua audácia nos campos de batalha; ao resgate de sua memória e às principais homenagens que lhe foram tributadas. Tal é o objetivo destas despretensiosas achegas, alinhavadas em apertada e incompleta síntese.


    2. O Homem-Caxias


        a. Luiz Alves de Lima e Silva pautou a sua vida pela inteireza de caráter, arrojo, acendrado patriotismo, fervorosa religiosidade e inexcedível exação no cumprimento do dever.


    Caxias possuía estatura acima da média para a sua época (quando trasladado, em 1949, para o Panteão em frente ao Ministério da Guerra - hoje Palácio Duque de Caxias -, no Rio de Janeiro, na Ata de Exumação constou que o esqueleto media 1,72m); de compleição atarracada, ombros largos, olhos castanhos, cabelos castanho-alourados, tez clara e rosada, voz suave, sisudo, garboso, austero, de hábitos morigerados, rigorosíssimo no cumprimento do dever, porém humano, saudável, apesar de padecer de uma malária contraída no Maranhão, que lhe causava a inchação do fígado; era orgulhoso de sua formação militar; corajoso; determinado; sedizente fatalista, o que também explica a sua invulgar temeridade; maçom dedicado; marido e pai extremoso e “cristão de fé robusta”.


       b. O Coronel José de Lima Carneiro da Silva, neto de Caxias, entrevistado, aos 83 anos, pela revista “Nação Armada” (n° 23, Out 1941), disse em certo trecho da entrevista: “O Duque, após o passamento da Duquesa, jamais tirou o luto, mesmo em casa. Era, entretanto, alegre e se alimentava bem, preferindo à mesa, pratos da culinária gaúcha. Apesar de fluminense, o Rio Grande do Sul era a sua menina dos olhos. A toda hora falava das suas coisas, dos seus homens e tinha mesmo um certo sotaque de riograndense do sul. A música encantava-o, como velhas mazurcas e valsas, tocadas ao piano por sua comadre Maria José, que ele ouvia em silêncio, fumando grandes e perfumados charutos. Era um inveterado fumante de charutos, consumindo vários por dia.”


      c. Caxias trouxe do Paraguai, três cavalos: “Moleque”, “Douradilho” e “Aedo”. Um de seus biógrafos, o Dr.Vilhena de Moraes, nos dá conta da seguinte reminiscência: “Ao fogoso “Douradilho”, da ponte de Itororó, Caxias, já velho e enfermo, costumava melhorar a ração na data do aniversário daquele combate (6 de dezembro de 1868)”.


      d. Quando da concessão da anistia aos vencidos, ao término da Revolução Farroupilha, aflorou, sobejamente, o sentimento de generosidade do “Pacificador”. Ele concedeu a liberdade aos cativos farroupilhas, incorporando os que assim desejassem ao Exército Imperial, e tratou com extrema bondade os derrotados, sendo escolhido, pelos próprios gaúchos, para Presidente da Província e por eles indicado para Senador pelo RS. Não apenas por isso, o saudoso jornalista e acadêmico Barbosa Lima Sobrinho, concedeu-lhe a invulgar honorificência de “Patrono da Anistia” e o eminente historiador militar, Coronel Cláudio Moreira Bento, o cognominou de “Pioneiro Abolicionista”.


      e. Ainda com referência à grandeza de espírito de Caxias, observe-se, em seu Testamento, como está expressa uma de suas vontades: “Declaro que deixo ao meu criado Luiz Alves, quatrocentos mil réis e toda a roupa de meu uso”. Diga-se que esse criado era um índio que ele trouxera, ainda jovem, do Maranhão, após a Balaiada, adotando-o e dando-lhe o próprio nome; ressalte-se que ele foi a primeira pessoa lembrada, no dito Testamento, no qual, somente ao depois, são mencionados familiares e amigos íntimos do venerando Marechal.


      f. Seria despiciendo falar-se do exacerbado patriotismo do Duque de Caxias. Mas gostaríamos de encerrar essas breves considerações atinentes à figura humana desse exponencial personagem de nossa História, relembrando um trecho de uma carta por ele escrita ao Visconde do Rio Branco, ao tempo da “Questão Christie”, de dolorosa memória, e que bem evidencia o seu acrisolado amor ao Brasil: “Não se pode ser súdito de nação fraca. Tenho vontade de quebrar a minha espada quando não me pode servir para desafrontar o meu País, de um insulto tão atroz”.


    3. A audácia e o destemor de Caxias 


       a. A intrepidez de Caxias revelou-se em inúmeros episódios, nos quais o intimorato Comandante não se furtou a correr o “risco calculado”. A sorte, entretanto, sempre o acompanhou nos momentos de alta periculosidade. É que ele “tinha estrela”, tanto que a “grande estrela de Caxias” apareceu com fulgurante brilho, nos céus do Rio Grande do Sul, quando de uma de suas ofensivas noturnas contra os farroupilhas (era, na realidade, o cometa “Brilhante”), a respeito da qual dizia Caxias, em tom zombeteiro, mas alimentando, com sagacidade, a crendice popular em torno de sua pessoa: “É, eu nasci na Vila de Estrela, no Rio de Janeiro”.


       b. Caxias era, de fato, extremamente arrojado, como se pode constatar em várias oportunidades de seu historial militar, desde Tenente a General. Extraordinária foi a sua valentia nos campos de batalha, na Guerra da Independência e na Campanha da Cisplatina, tendo o jovem Tenente e Capitão recebido encomiásticas referências por sua coragem, constância e desprendimento. Saliente-se, outrossim, a sua ousadia, quando do combate de Santa Luzia (MG); no reconhecimento, em 1852, do porto de Buenos Aires e, máxime, na Guerra do Paraguai. Quando do maior conflito bélico de que participamos, o Generalíssimo executou audaciosas manobras como a de envolvimento e cerco, em conjunto com a Marinha, e que redundou na queda da “inexpugnável”  Fortaleza de Humaitá, no rio Paraguai (chamada de "A Sebastopol da América"); como a “marcha de flanco” empreendida pelos nossos três Corpos de Exército através de uma estrada, de cerca de 11 km, construída sobre o Grão-Chaco e as operações da “Dezembrada”, no ano de 1868, no começo das quais se travou a memorável batalha de Itororó. No fragor desta refrega, o Marquês de Caxias, aos 65 anos de idade, parte em direção à ponte sobre o arroio Itororó, sabre em punho e a galope de carga, após bradar: “Sigam-me os que forem brasileiros!”. Dionísio Cerqueira, partícipe do cruento recontro, o descreve, magnificamente, in "Reminiscências da Campanha do Paraguai" (consigne-se que o marcial apelo do Comandante-em-Chefe era tão-somente anímico, ao sentimento de brasilidade, posto que apenas tropas brasileiras participaram da batalha).


    4. O memorável resgate da memória do Pacificador


       a. Quando da trasladação dos restos mortais de Caxias e de sua esposa, em 25 de agosto de 1949, para o “Pantheon Militar”, defronte ao hoje Palácio Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, ocorreu um fato histórico singular, muito pouco lembrado, infelizmente. É que, naquela data, se deu o definitivo resgate da memória do Duque de Caxias, que tantos e tamanhos serviços prestara à Pátria Brasileira, na paz e na guerra. Mas tal resgate foi apenas um belo epílogo de um justo desagravo e da recuperação da imagem do Duque, o que já vinha ocorrendo, especialmente a partir de 1923, como adiante faremos referência.


      b. Caxias morreu, no ano de 1880, triste e magoado. A tristeza se devia ao falecimento, em 1874, de sua amantíssima esposa, tendo ele usado luto completo, desde então até morrer, seis anos depois. Três pungentes mágoas o afligiram no final da vida e diziam respeito ao Imperador, à Maçonaria e à Igreja Católica.


    O Duque encontrava-se agastado com o Imperador, desde quando concedera, com a relutância de D. Pedro II, em 1875, a anistia aos Bispos de Pernambuco e do Pará, solucionando, de forma magnânima, a chamada “questão religiosa”. Após o retorno de uma longa viagem à Europa, o Monarca destituiu o Gabinete Conservador, presidido por Caxias, nomeando um outro, com membros do Partido Liberal. O velho Soldado, bastante desgostoso, recolheu-se  à Fazenda Santa Mônica, de propriedade de uma de suas filhas, onde viria a falecer, em 8 de maio de 1880, afastando-se, definitivamente, da vida pública.


    O Decreto de anistia aos Bispos, nunca foi aceito pela Maçonaria. O Visconde do Rio Branco, Grão-Mestre da Ordem, solicitou demissão do Conselho de Ministros, a fim de não assinar o citado Decreto, rompendo com o seu grande amigo Caxias, “Irmão que se tornou altamente impopular entre os da Arte Real”, pelo que o Marechal deixou de frequentá-la.


    Ademais, a Igreja Católica exigiu que o Duque, provecto e doente, cumprisse os ditames de uma bula papal e abjurasse a Maçonaria. Como ele não obedeceu àquela determinação religiosa, foi expulso, por ser “maçom pestilento”, da Irmandade da Cruz dos Militares, da qual fora Provedor.


    Acrescente-se que a figura de Caxias, desde os últimos anos da Monarquia, vinha sofrendo duras críticas, desferidas por profitentes do Positivismo. Os positivistas, que tiveram decisiva participação na proclamação da República, eram pacifistas, agnósticos e adeptos da "ditadura republicana", e, não apenas por isso, menosprezavam os gloriosos feitos marciais do Império, dos quais o nosso “Soldado-Maior” foi o expoente máximo.


      c. Porém, naquele agosto de 1949, toda a Nação Brasileira reparou as injustiças e ingratidões perpetradas contra o ínclito Soldado, quando do traslado de seus despojos e os da Duquesa. A histórica Solenidade cívico-militar, presidida pelo Presidente da República, Marechal Eurico Gaspar Dutra, revestiu-se de superlativo brilhantismo, sendo o presidente da Comissão de Trasladação, o Dr. Nereu Ramos, Vice-Presidente da República, que era um fiel maçom. Membros da Família Imperial Brasileira e o Marechal Rondon, tradicional positivista, estiveram presentes à cerimônia, que se encerrou com um monumental desfile militar. Aduza-se que a Igreja Católica velou os restos mortais de Caxias e os de dona Ana Luíza, na Igreja da Irmandade da Cruz dos Militares, que o havia expulso, em 1876, sendo concelebrada uma Missa por 18 Bispos e Arcebispos, de todos os rincões brasileiros, presenciada pelo Cardeal do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara. E mais: houve um dobre de sinos, em todas as  igrejas católicas do Brasil, na hora da trasladação.


    Destarte, em 25 de agosto de 1949, ocorreu, de fato, uma memorável reparação histórica da altaneira imagem de um dos maiores filhos desta Pátria, o Duque de Caxias!


    5. Principais homenagens tributadas a Caxias


        a. Caxias, “Nume Tutelar da Nacionalidade”, foi tudo! Marechal do Exército, Conselheiro de Estado e da Guerra, Barão, Conde, Marquês, Duque, Presidente e Pacificador de Províncias, Senador (pelo RS), Deputado (pelo Maranhão, eleito, mas não empossado), três vezes Ministro da Guerra e três vezes Presidente do Conselho de Ministros! E o Brasil soube reconhecer os beneméritos serviços por ele prestados à Pátria – “nossa Mãe-Comum”. Por esses “brasis” existem incontáveis monumentos, logradouros públicos, escolas, etc, que ostentam o augusto nome do maior vulto militar da História do Brasil. Dentre essas honrarias, sobrelevam-se as denominações de duas importantes cidades: a de “Duque de Caxias”, no Rio de Janeiro, e “Caxias do Sul”, no Rio Grande do Sul (diga-se, por ilustrativo, que a cidade de Caxias, no Maranhão, onde o então Coronel Luiz Alves venceu o último foco dos rebeldes, quando da “Balaiada”, deu origem ao seu primeiro título nobiliárquico - por ele mesmo escolhido - o de Barão de Caxias).


      b. Caxias foi instituído, no ano das festividades do  bicentenário de seu nascimento, mediante a Lei n° 10.641, de 28 Jan 2003, “Herói da Pátria”. Por isso, o nome do Herói foi inscrito no “Livro dos Heróis da Pátria” (é um grande livro de aço que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília), por ocasião de bela cerimônia ocorrida em frente ao Quartel-General do Exército, na Capital Federal.


      c. No Exército Brasileiro, a impoluta memória de Caxias começou a ser reabilitada de um semianonimato (ao qual foi relegada pelo sectarismo positivista-republicano), em 1923, pelo Ministro da Guerra, General Setembrino de Carvalho. Ele instituiu, pelo Aviso n° 443, de 25 de agosto de 1923, a “Festa de Caxias”. Posteriormente, por meio do Aviso n° 366, de 11 de agosto de 1925, o mesmo Ministro criou o “Dia do Soldado”, também a ser comemorado na data natalícia do Duque. Naquele ano de 1925, sob o influxo das diretrizes do Ministro da Guerra, a Turma de Aspirantes-a-Oficial da Escola Militar do Realengo escolheu a denominação histórica de “Turma Duque de Caxias” (aliás, a Turma de 1962, da Academia Militar das Agulhas Negras, ano em que Caxias foi instituído Patrono do Exército, à qual pertence o ex-Comandante do Exército, General de Exército Enzo Martins Peri, também ostenta, com muita ufania, a denominação de “Turma Duque de Caxias”).


    Outro momento histórico de grande relevância no enaltecimento de Caxias, pela Força Terrestre, se deu por ocasião do comando do então Coronel José Pessôa Cavalcanti de Albuquerque, na Escola Militar do Realengo (1931/34). Este militar, de elevadíssimos méritos, implantou, naquela Escola, várias místicas alusivas a nosso glorioso passado castrense, sendo as maiores delas a instituição do título de “Cadete”, para os então alunos da Escola, e a criação do espadim, réplica do invencível sabre do “Condestável do Império" e “Unificador da Pátria”.


    O Duque de Caxias foi proclamado “Patrono do Exército”, consoante o Decreto n° 51.429, de 13 de março de 1962, por louvável iniciativa do Ministro da Guerra, herói da FEB, General de Exército João de Segadas Vianna (tal Decreto também instituiu os Patronos das Armas, Serviços e Magistério Militar).


    O glorioso, altaneiro e invicto Exército Brasileiro, do qual Caxias é o Patrono, possui as seguintes Organizações Militares que exibem, em suas denominações históricas, com indescritível orgulho, o seu venerável nome: “Forte Duque de Caxias”, no Rio de Janeiro (RJ); "Palácio Duque de Caxias", sede do Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro (RJ); “Batalhão Barão de Caxias”, que é o 24° Batalhão de Caçadores, de São Luís (MA); “Grupo Conde de Caxias”, que é o 3° Grupo de Artilharia Antiaéreo, de Caxias do Sul (RS); “Companhia Praça Forte de Caxias”, que é a 13ª Companhia de Comunicações, de São Gabriel (RS) e o “Batalhão Duque de Caxias”, que é o Batalhão da Guarda Presidencial, de Brasília (DF). Recentemente (pela Portaria 296, de 31 de março de 2016), o majestático conjunto arquitetônico das portentosas instalações do Quartel-General do Exército, em Brasília (DF), denomina-se "Forte Caxias".


    6. À guisa de Conclusão


        Impende lembrar, por derradeiro, neste breve e inconcluso escorço referente a aspectos pouco lembrados da mui grandiosa gesta e da personalidade do Duque de Caxias, de que certa e recerta é a intemporalidade das inúmeras lições que ele nos legou!


        Finalmente, desejaríamos trazer à lembrança, como corolário de tudo o que até aqui foi expendido, uma expressão, - “caxias” -, cunhada pelo saudoso e emérito sociólogo Gilberto Freyre, que bem retrata o caráter adamantino e as peregrinas virtudes de nosso insigne  “Soldado e Pacificador”. Tal expressão, uma adjetivação metafórica caída na consagração popular, bem caracteriza aqueles que cumprem, integral e escrupulosamente, os seus deveres. Com esta conotação, assaz notável, urge assinalar-se que o vocábulo "caxias" já está dicionarizado nos léxicos de Aurélio Buarque e Antônio Houaiss! Disse Gilberto Freyre: “Caxiismo não é conjunto de virtudes apenas militares, mas de virtudes cívicas, comuns a militares e civis. Os 'caxias' devem ser tanto paisanos como militares. O caxiismo deveria ser aprendido tanto nas escolas civis quanto nas militares. É o Brasil inteiro que precisa dele”.

     (*) Manoel Soriano Neto, Coronel Veterano, de Infantaria e Estado-Maior, Historiador Militar.



terça-feira, 20 de agosto de 2024

Amor e Revolução - Textos diversos

 


A covardia teatralizada

Por: Lino Tavares


O Sistema Brasileiro de Televisão, comandado por Sílvio Santos, um dos mais bem sucedidos empresários da era do "Regime Militar", com o qual sempre manteve relacionalmento cordial e amistoso, abre sua central de produções para perpetrar um atentado contra a história republicana deste país, ao levar ao ar uma novela que se propõe a utilizar a dramaturgia como objeto de revanchismo, por parte de traídores pátrios derrotados, contra aqueles que, cumprindo o juramento de defender a pátria, ainda que com o sacrifício da própria vida, não permitiram que a bandeira do comunismo ateu, empunhada por maus brasileiros, fosse hasteada em nosso território, como o fora no de outros países que não ofereceram resistência às incursões expansionistas do Urso avassalador do Leste Europeu.

"Amor e Revolução", obra do autor Tiago Santigago, é antes de tudo expressão de covardia, porque se propõe a difundir a milhões de telespectadores uma versão distorcida e unilateral, acerca do que aconteceu naqueles anos difíceis, mas necessários, com a utilização de cenas dantescas de maus tratos e tortura, sempre atribuídas aos agentes do poder constituído, mantendo na obscuridade os atos frios e calculistas perpetradas por representante da guerrilha comunista, muitos deles configurados na eliminação sumária de companheiros "descartáveis", que nada mais tinham a oferecer de positivo na senda terrorista que trilhavam.

Meu velho e saudoso pai sempre dizia que "depois que o touro está no chão" todos os palhaços do circo entram na arena para pisotear sobre animal caído. É algo semelhante a isso que estão fazendo todos os que, movidos por esse vil espírito revanchista, tentam passar à opinião pública, como verdade absoluta, essa mentira teatralizada apelidada de "Amor e Revolução". Faz mais de 25 anos que vive-se neste país a plenitude democrática pela qual tantos propugnaram e da qual tão poucos têm se beneficiado, como os que gravitam nas esferas do poder corrupto. Mas só agora, muito tempo depois, é que aparecem os pseudo historiadores das décadas de 1960 e 1970, para contar às gerações de hoje a sua "verdade", que, de tão falsa e cretina, sequer admite a possibilidade do contraditório.

(*) Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta e compositor. 

Fonte: https://gibanet.com/a-covardia-teatralizada/ e Usina de Letras - 11/04/2011 - 12:53 - https://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=60448&cat=Artigos


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Aposta do SBT não vale como ficção nem como documento

Folha de S. Paulo - Sun, 10 Apr 2011


Enredo confunde dados históricos e direção remete a dramalhão mexicano

NA NOVELA COM INTENÇÕES EDIFICANTES, ADULAR A PRESIDENTE PARECE MAIS IMPORTANTE QUE ESCLARECER AS MASSAS

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Líder estudantil delicada e idealista, filha de pais comunistas, Maria Paixão (Graziela Schmitt) é a heroína da trama. Seu par romântico é José Guerra (Claudio Lins), jovem major fiel aos ideais democráticos, filho do general Lobo Guerra, da linha dura do Exército. "Maria" e "José", "Paixão" e "Guerra" -isto é "Amor e Revolução", novela sobre a luta armada que estreou na terça, no SBT.

Mais do que maniqueísta, tudo é muito primário. O principal vilão, supostamente inspirado na figura de Sérgio Paranhos Fleury, o chefe torturador do Dops (a polícia política da ditadura), se chama Delegado Aranha (Jayme Periard). Seu assistente no porão da tortura é o inspetor Fritz (Enando Tiago).

O assunto é sério, o SBT criou enorme expectativa em torno da novela, mas o resultado é uma piada.

As novelas da Globo, que nos servem de referência, também são ruins. Em "Passione", para citar um exemplo recente, havia uma mixórdia de gêneros - o pastelão farsesco, a trama policialesca, o drama social, o folhetim romântico - convivendo num mesmo enredo, obviamente desprovido de qualquer unidade dramatúrgica.

Esse Frankenstein estilístico é uma aspiração deliberada da novela global, uma fórmula com que a emissora busca atender às demandas de um público heterogêneo, que ela trata de massificar diante da tela.

"Amor e Revolução" é ruim em outro sentido. O SBT quis fazer um banquete, mas não domina a receita do suflê. Tudo é tecnicamente precário, mas não exatamente "pobre". Temos uma superprodução "trash" - ou, talvez, uma "supertrash" produção.

A direção de atores nos remete àqueles dramalhões mexicanos. Os diálogos são postiços, ginasianos e involuntariamente cômicos - uma mistura de CPC (os centros culturais do catecismo socialista dos anos 60) com "A Praça É Nossa".

Eis um exemplo: um casal de guerrilheiros veteranos está num sítio idílico, à beira da cachoeira. Jandira (Lúcia Veríssimo) se vira para Batistelli (Licurgo Spinola) e pergunta: "Você me trouxe aqui para fazer amor ou fazer a revolução?". E ele: "Os dois. O amor cria tudo, a revolução muda tudo". Os dois então se amam nas águas, na mesma toada da novela "Pantanal".

Não é só. Falta a "Amor e Revolução" aquele mínimo de verossimilhança que a ficção com pretensões históricas deveria ter. A novela começa com uma chacina de estudantes que articulavam a guerrilha numa chácara. Os assassinos são Lobo, Aranha e sua turma. Mas tudo isso se passa antes do golpe de 31 de março de 1964.

Não havia, então, guerrilha no Brasil. A tortura contra adversários da ditadura só seria adotada pelo regime de modo sistemático depois do AI-5, em 1968. "Amor e Revolução" mistura tudo no liquidificador. Não presta como obra de ficção nem tem valia como documento histórico.

Restam, além das cenas abundantes de tortura, os depoimentos de personagens reais ao final de cada capítulo, como costuma fazer Manuel Carlos. É bom que o povo que gosta do programa do Ratinho conheça os horrores de que foi capaz a ditadura.

Na novela com intenções edificantes do SBT, porém, adular a atual presidente parece mais importante do que esclarecer as massas.




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A ARMADILHA DO SBT: MISTURA EXPLOSIVA!

HEITOR DE PAOLA

www.heitordepaola.com

07/04/2011

Minha Carta ao General Torres de Melo teve inúmeras repercussões, inclusive na equipe de produção da novela Amor e Revolução, produzida pelo SBT, escrita por Tiago Santiago que abordará ‘o movimento revolucionário que ocorreu nos anos de chumbo’. Bruna Mathias, a produtora responsável pelos depoimentos que estão sendo gravados, entrou em contato comigo e tomei conhecimento depois, com muitos outros, na sua maioria militares. Na carta que encaminhou aos mesmos – a mim foi um email sucinto – ela afirma ‘ter estado em Brasília semana passada, em reunião com alguns generales (sic) do exército para esclarecer algumas questões do projeto, e muito atenciosos se comprometeram a colaborar para que possamos contextualizar esse período’, e acrescenta: ‘ao contrário do que a mídia tem especulado a respeito da novela, a mesma não irá denegrir a imagem das Forças Armadas e dos militares. Pelo contrário, o nosso protagonista interpretado pelo Claudio Lins, será um militar, filho de um General linha dura, que luta contra a revolução de 64’.

Segundo ela, para dar credibilidade à história e acontecimentos narrados durante a novela, será exibido no final de cada capítulo um depoimento de 1 a 3 minutos de pessoas que tiveram grandes experiências nesse período tão importante para o Brasil, com ‘o intuito de mostrar a realidade da época, homenagear os depoentes e resgatar a memória das pessoas que foram assassinadas (De ambos os lados)’.

O texto está sendo escrito com base em acontecimentos reais, porém em um contexto ficcional por se tratar de uma novela.

Aí é que a porca torce o rabo, como diria minha mãe! Pelas razões que passo a explicar respondi a ela que numa obra de ficção não cabem depoimentos, só num documentário, e recusei o convite recomendando a ela o livro O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial. O busilis da questão é que esta é uma mistura explosiva! Já existem 70 depoimentos gravados por parte de integrantes e familiares que foram supostamente atingidos pelos grupos de militares da época, e `até o momento, nenhum depoimento por parte de militares ou familiares, para questionar algumas afirmações e acusações citadas em depoimento. Inclusive, atentados organizados pelos movimentos armados da época`. Por que será que colheram tantos depoimentos antes de lançar a novela, que já está no ar desde 05/04 às 22:15 – logo após a da Globo, óbvio! – e só agora pedem depoimentos do ‘outro lado’? Será mesmo pela ‘importante participação de ambos os lados para que o tele-espectador possa fazer um verdadeiro juízo de valor sobre a realidade dos fatos’?

Se assim for, por que o uso da expressão ‘anos de chumbo’, um óbvio e antigo partis pris já levado ao ar numa série pela concorrente anos atrás e expressão amplamente divulgada no Telecurso 2000 para se referir aos anos em que o Brasil estava sob a inspiração da linha dura, do Ato Institucional nº 5 e da ideologia da “segurança nacional”? Este conceito contém um ataque direto ao Governo Médici: ‘com Médici no poder, o país passou por uma das mais duras fases de restrição política da História da República. Médici foi o ápice dessa ideologia, que apesar de falar em paz social e democracia, levava o Estado ao aperfeiçoamento dos órgãos da repressão violenta para aniquilar os grupos armados, chamados de 'terroristas' e 'subversivos'. Seus militantes, quando presos, perdiam qualquer direito político ou humano. Em nome do desenvolvimento dizia-se ser necessária a segurança, e por segurança subentendia-se a eliminação de qualquer tipo de oposição’.

Embora a produção alegue que pesquisou inclusive em fontes do 'TERNUMA', tais como, ‘o atentado à Guararape (sic) e outros atentados que comprometeram a vida de militares e civis e seria de extrema importância, que nos indicassem pessoas vítimas da luta armada, assim como familiares e amigos que foram atingidos por esse movimento’, os capítulos iniciais já indicam o rumo do script: o tal filho de General (de Divisão) que mora numa mansão bilionária, é um Capitão cuja namorada metera-se inocentemente com grupos comunistas ligados a Cuba, China e URSS e fora executada na primeira cena por mascarados de coturno militar. Seu irmão, Major e seu pai são ligados à ‘linha dura’, numa nítida tentativa desde o início de satanizar a parte da oficialidade e da polícia que, com o apoio de todos os demais, meteram a mão na sujeira da luta armada. Já no segundo capítulo aparecem cenas de tortura ao vivo, o que jamais se teve notícias nos idos de 64, só depois do AI 5.

Noutra cena o Embaixador americano, ao visitar outro General, comunica que tem ordens de Washington para prestar todo apoio ao golpe (sic) militar. E la nave va....!

­É fato notório para qualquer um que conhece a história do comunismo que este convite não passa da velha tática comunista de ter sempre uma minoria contrária para mostrar como são democráticos, mas só depois de garantir a maioria, os 70 depoimentos. Assim os bolcheviques agiram em 1917: verificando que jamais obteriam maioria na Duma (parlamento russo) em eleições gerais, pois eram rejeitados pelo povo, Lenin e Trotsky abandonaram a luta parlamentar, fundaram os soviets (comitês) de operários e soldados (o dos camponeses foi deixado de lado porque a maioria não queria a estatização de suas terras e ficaram guardados para serem dizimados oportunamente) não antes de assegurarem folgada maioria absoluta e lançaram o slogan Todo Poder aos Soviets! Os idiotas úteis não bolcheviques que integravam os soviets serviam de massa de manobra para fingir uma livre discussão democrática na qual a vitória estava assegurada para os továrich!

Assim fomos instruídos para organizar assembléias, simpósios, encontros e o que mais fosse durante o período em que fiz parte da AP. Assim ocorre ainda em todos os sindicatos, associações, uniões de trabalhadores e também no MST, onde alguns entram com a legítima pretensão de arrumar uma terrinha para trabalhar sem a mínima idéia de que os objetivos são outros.

A segunda razão para a aceitação destas minorias é desmoralizá-las e eliminá-las assim que isto seja possível. Dmitri Manuilsky já ensinava isto em suas aulas na Escola Lenin de Guerra Política na década de 30.

O objetivo da novela é sim denegrir as FFAA brasileiras – senão de toda a América Latina, pois é possível que toquem da ‘Operação Condor’ – e se segue à proibição de comemorar o dia 31 de março nas unidades militares. A esperança é que a produção é de uma qualidade sofrível, a filmografia de péssima qualidade, os atores parecem robôs repetindo slogans de tal forma que quando duas pessoas conversam não há diálogo, mas dois monólogos repletos de chavões imbecís! Tudo dentro do tradicional padrão SBT!



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Contrapartida para a CEF comprar o Panamericano?

Por Jorge Serrão*

A ficção nem sempre imita bem a realidade. E quando a distorce, ainda ajuda a perpetuar inverdades sobre a História. O SBT vai estrear no dia 5 de abril, às 10h 30min, a novela “Amor e Revolução”. Pelo trailer divulgado até agora, tudo indica que a obra será mais uma eficiente peça de propaganda ideológica na crescente campanha de desmoralização das Forças Armadas no Brasil pós-1964.

O Alto Comando do Exército já está muito preocupado com os efeitos deste verdadeiro “golpe” psicossocial. Produto de consumo popular, a novela coincide com a intenção do governo de instituir a tal Comissão da Verdade - que visa a investigar exclusivamente os crimes (mortes, torturas, desaparecimentos, perseguições) atribuídos aos militares na repressão à luta armada que sonhava implantar o comunisno no Brasil, nas décadas de 60-70.

O Alerta Total já cansou de alertar aos membros do Exército, Marinha e Aeronáutica. Desde a década de 70, existe uma evidente intenção de desmoralizar as Forças Armadas no Brasil. O objetivo psicossocial é criar uma antipatia tão grande com as Legiões. Para que se chegue à “natural conclusão” de que o Brasil não precisa tanto de Forças Armadas.

Os inimigos das Legiões fazem o serviço para a Oligarquia Financeira Transnacional. O pequeno grupo que controla os negócios globalitários deseja manter o Brasil como uma simples plataforma subdesenvolvida para exploração de recursos naturais, financeiros e humanos. Eles querem desmoralizar o Exército, Marinha e Aeronáutica porque sabem muito bem que a destinação institucional das Forças Armadas é a Defesa Incondicional da Pátria. Com uma defesa débil, a Pátria fica na mão dos parias que nos exploram – porque deixamos.

O Exército suportará o “golpe” de anti-propaganda da novela? A tendência é de desgaste da imagem institucional. No imaginário popular, os militares voltam a ser relacionados com abuso de autoridade, ditadura, violência, e fanatismo ideológico. Enfim, os militares novamente serão ligados ao desrespeito aos direitos humanos, à liberdade e à democracia.

Tecnicamente, as Legiões serão vítimas da chamada Guerra Assimétrica ou de Quinta Geração. Trata-se da tentativa de origem externa, por quaisquer meios e agentes internos ou externos, para afetar a soberania de um País, minando os cenários político, econômico, tecnológico, psicossocial, ambiental e militar. Neste teatro de operações assimétrico, tudo parece muito difuso. Não é fácil perceber o verdadeiro inimigo.

O trailer da novela não deixa dúvidas. Ela será flagrantemente maniqueísta. A obra tem o foco de tratar os militares como assassinos, torturadores e ditadores, enquanto aqueles que lutaram para implantar o comunismo no Brasil seriam heróis revolucionários numa luta mortal contra uma ditadura, em nome da liberdade e da Justiça Social. Quem não vivenciou a história real – ou nem estudou diferentes versões dela – vai ser seduzido, facilmente, pelo enredo da novela.

O SBT propagandeia sua “trama ficcional” como a primeira na televisão brasileira a se passar inteiramente na época da Ditadura Militar, entre as décadas de 60 e 70. Antes de ir o ar, a novela já é um sucesso comercial. A Procter & Gamble já adquiriu uma das quatro cotas publicitárias, no valor de R$ 8,9 milhões/mês. As outras devem ser fechadas até a estreia pelo diretor comercial do SBT, Henrique Casciato.

“Amor e Revolução” foi escrita por Tiago Santiago - escritor premiado, romancista, dramaturgo, sociólogo, roteirista de novelas e diversos programas de sucesso na TV. A novela terá direção de Reynaldo Boury - um dos mais consagrados diretores da história da Rede Globo. Pela qualidade das cenas e interpretações exibidas até agora no trailer oficial do SBT, a novela tem tudo para ser um estrondoso sucesso. A novela tem blog oficial: http://amorerevolucao.webnode.com

Os atores fizeram um intenso laboratório de criação no início deste ano, no estúdio 7 do Complexo do SBT, na Anhanguera. Fotografias, vídeos, armas e aparelhos eletrodomésticos faziam parte da decoração que relembrava os anos 60 no Brasil. Neste cenário, eles interagiram com pessoas que viveram aquele período histórico – claro, compatíveis com a visão ideológica pró-esquerda que a novela deseja retratar.

Em seu elenco, atores de indiscutível qualidade. Graziela Schmitt, Claudio Lins, Cláudio Cavalcanti, Isadora Ribeiro, Lúcia Veríssimo, Patrícia de Sabrit, Luciana Vendramini e Licurgo Spínola formam o núcleo de “heróis revolucionários” que lutarão pela liberdade contra os “Gorilas Ditadores”. Só falta a novela terminar com uma das heroínas se elegendo Presidenta da República. Por que não?!

A defesa da Comunicação das Legiões será complicada. Os produtores tomaram até o cuidado com o figurino da novela. As fardas dos truculentos e repressores “ditadores” não é a tradicional verde-oliva. Talvez a intenção seja denotar a “ficção”. Mas a confusão entre urutu e urubu será facilitada pelo enredo maniqueísta do romance anti-ditadura da tevê de Sílvio Santos.

Assista ao trailer oficial da novela e tire suas conclusões.

E fica registrada, novamente, a pergunta que não quer calar: As Legiões suportarão mais um “golpe” em sua imagem institucional? Na definição doutrinária, General é o líder combatente que conhece e enfrenta, permanentemente, o inimigo real.

Se os nossos comandantes militares não tomarem cuidado, e cumprirem direitinho sua missão institucional de neutralizar o inimigo verdadeiro, acabarão estrelando o “Recruta Zero” – filme em 3D futuramente destinado ao treinamento da Guarda Nacional ou do Exército de Libertação Nacional.

A operação, no entanto, exige prudência. Os revanchistas esperam que algum militar perca a linha, e vire General Expiatório. Não vale a pena cair na armadilha deles. Mais que nunca, o momento histórico exige inteligência e compromisso com a Democracia que precisa ser, efetivamente, implantada no Brasil.

Os brasileiros não podem cair neste golpe militante da novela.


*Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: 
www.alertatotal.net

Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


Comentário

Félix Maier

O blog Alerta Total (www.alertatotal.net), onde o jornalista Jorge Serrão também postava textos de Félix Maier, foi censurado pelo Google, sem maiores explicações, durante as eleições de 2022, que trouxeram "de volta à cena do crime" o Ogro de Nove Dedos. Por pura "coincidência", na época, políticos, empresários, influenciadores digitais e jornalistas conservadores também passaram a ser bloqueados nas redes sociais, blogs e YouTube, como Luciano Hang, Rodrigo Constantino, Guilherme Fiuza e muitos outros, além de Jorge Serrão. Todos "de direita", nenhum "canhoto".

O título do texto de Serrão, acima transcrito, é bem significativo, ao relacionar a ajuda feita pela Caixa Econômica Federal (R$ 740 milhões) ao Banco PanAmericano, de Sílvio Santos, em extrema dificuldade financeira, ocasião em que o dono chegou a pensar em vender o SBT para honrar dívidas do Banco. 

A apresentação de uma novela insidiosa, como Amor e Revolução, bem ao gosto da extrema esquerda petista e seus genéricos, tendo como única finalidade massacrar o Exército Brasileiro, teria sido uma gentil retribuição do SBT ao governo do PT, por ter ajudado o empresário a sair de uma séria enrascada financeira.


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Caixa Econômica compra 35,5% do Banco PanAmericano

por cerca de R$ 740 milhões


Brasília - A Caixa Econômica Federal (CEF) pagou R$ 739,2 milhões para adquirir parte do Banco PanAmericano. Segundo comunicado divulgado hoje (1º) à noite, o banco estatal, por meio da Caixa Participações S.A. (Caixapar), adquiriu pouco mais de um terço do capital total da instituição financeira, mas compartilhará, em condições de igualdade, o poder com os administradores privados.

De acordo com nota conjunta assinada pelas duas instituições, a divisão igualitária de poder foi possível porque a Caixa comprou 49% das ações preferenciais mais 20,69% das ações preferenciais do PanAmericano. Considerando os dois tipos de ações, a Caixapar passou a deter 35,54% do capital total do banco.

As ações ordinárias dão direito a voto no conselho de administração da isntituição. As ações preferenciais têm prioridade na distribuição de dividendos (quando a empresa resolve repartir parte dos lucros com os acionistas), mas não permitem aos investidores interferirem nas decisões da companhia.

Ao deter 49% do capital votante, a Caixa pode indicar igual número de membros para o conselho de administração do PanAmericano. Segundo o comunicado, o acordo prevê que, a cada ano, a presidência do conselho será alternada entre a Caixapar e o Grupo Silvio Santos, que originalmente controlava o banco privado.

A conclusão da operação depende da aprovação do Banco Central. De acordo com a nota conjunta, os dois bancos pretendem compartilhar produtos e serviços, como conta corrente, cheque especial, cartões de crédito e sistema de cobrança.

Segundo a Caixa, a compra de parte do PanAmericano ampliará a atuação do banco estatal no crédito para a população de baixa renda, principalmente no financiamento de veículos e operações de leasing (arrendamento). O banco estatal informou ainda que pretende ampliar a atuação no crédito imobiliário, ao oferecer financiamentos habitacionais à base de clientes do PanAmericano.


Fonte: https://www.jusbrasil.com.br/noticias/caixa-economica-compra-35-5-do-banco-panamericano-por-cerca-de-r-740-milhoes/2024595.



quarta-feira, 14 de agosto de 2024

O canário-saci - Por Félix Maier

 


O canário-saci

 

Félix Maier

 

Em sua gaiola, um canto abençoado,
Canário belga, alegre a gorjear,
Sua voz divina, ao mundo ofertado,
Fazia o dia mais claro brilhar.

Mas veio o gato, sorrateiro, audaz,
E numa investida, cruel, fatal,
Rasgou sua perna, e o canto se desfaz,
Deixando a casa num silêncio brutal.

Por longo tempo, a ave em dor ficou,
Apenas num pé, sem mais canção,
Até que um dia, sua voz voltou.

Cantou ainda mais, com devoção.
Mas, numa queda, seu fim encontrou,
E o lar, sombrio, mergulhou em solidão.



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O soneto acima foi baseado em uma história real.


Um pássaro "saci" flagrado na entrada do
Parque Ecológico Águas Claras, DF (12/08/2024).


Esse pássaro, na foto acima, se equilibrando em uma só perna, faz lembrar um canário belga cantador que a família Maier tinha em Águas Claras, DF, depois que o gato Willy lhe rasgou uma perna: passou a se equilibrar igual Saci. Por um tempo, parou de cantar, porém, quando voltou a gorjear, seus trinados eram ainda mais fortes. Um dia, Félix foi recolher lixo no chão e bateu sem querer com a cabeça na gaiola, que despencou ao chão e o canário teve o pescoço quebrado.


Félix Maier